Esse olhar turvo sem definição de tom
Só desperta em mim uma cor
e uma vontade.
Quando eu esperava de você o que eu mesma deveria sentir,
Era um ato desesperado de um coração já tão frio, pelo tempo.
Quando enfim eu era transparente como a água,
quando o Inverno gelou, por fim, minha alma,
só restou uma âncora no profundo do mar,
uma memória inalcançável, ferida de tanto sentir.
E o seu olhar era apenas curioso. "Como pode amar, a que morta já está?"
Eu pisei, e o chão se iluminou. Meus pés me levaram até o impossível, num ato de dor.
Era lindo e triste, era uma mentira que eu contei. Mas ela existe!
[Meu amor, meu anjo morto,
desperte deste sonho, por favor,
e olhe para mim]
Eu estou aqui, como quem apenas espera a morte ou seu reverso.
Pois desta vida, o amor já não mais serve,
já chegou, tão pesado, e nada deixou, além das lembranças, essas âncoras.
Eu caminhei e vi um chão de pura luz, tudo mudou, quando fiz o movimento.
Olhe-me, estou aqui. Tudo ao meu redor são gestos, palavras, solicitações,
mas só espero um único toque dos teus dedos e uma direção para este olhar
de quem para mim brilhava, entre todos, nesta multidão.
É tão profunda, tão enganosa, essa obsessão que até o mar percebeu, quando me viu chorar, tão distante, sem nunca voltar.
É um sonho, o que eu vejo neste espelho, como esta vida, também é.
Ellen Augusta
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sexta-feira, 24 de junho de 2016
Luz adormecida
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terça-feira, 6 de outubro de 2015
Das mil vidas escoadas como flores em lençóis escuros
Há lá dentro do ser, incompleto por si mesmo,
um esqueleto, o imago, um ser espelhado.
Idealizado em estado de um brilho que voa,
mas permanece enraizado.
Ao passo que ainda há outro esqueleto venerável
A Santa Morte,
A Santissima Niña Blanca, que, se não está internalizada,
anda a rondar, como a poderosa, que é em si mesma.
O poema impronunciável, não pode ser nem mesmo recitado, pois suas palavras
embargam a voz.
Ele é mesmo um retrato. De tantos, de tudo, de cegos e de visionários.
Ellen Augusta
Agora, o soneto, eu o recito sempre a poucos que conheço, mas... já não mais consigo recitar, pois começo a chorar...
Soneto XVII
Da vez primeira em que me assassinaram
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, de cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha…
E hoje, dos meus cadáveres, eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada…
Arde um toco de vela, amarelada…
Como o único bem que me ficou!
Vinde, corvos, chacais, ladrões da estrada!
Ah! Desta mão, avaramente adunca,
Ninguém há de arrancar-me a luz sagrada!
Aves da noite! Asas do Horror! Voejai!
Que a luz, trêmula e triste como um ai,
A luz do morto não se apaga nunca!”
Mario Quintana
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sexta-feira, 31 de julho de 2015
A lágrima que eu tentei segurar
Respirei e a segurei como pude
ao fechar os olhos
caiu
revelando minha dor.
Fecho a cortina escura do olhar
atrás da qual estão aquelas lembranças
o tempo morto através de meus olhos fechados.
E o presente no brilho da visão, que se nos toca.
A lágrima, um mar corre em mim
Odeio a vida porque te conheci.
e a cada correnteza, a cada ferida aberta
mais desejo morrer
para cerrar tantas portas e sepultar
o que tento tanto ocultar
A lágrima denuncia, denuncia o quê?
Um olhar denuncia, mas exatamente o quê?
Nenhuma resposta, visão líquida
Nenhuma resposta, coração indomado
A água salgada, escurecida pela maquiagem, corre pelo rosto
Leva algo, eu sempre soube. Hoje não mais.
Meu sonho revela, carrego a premonição em minhas mãos.
Todas as vezes, a vida inteira. E agora?
Os dedos pálidos sentem as palavras, que saem uma a uma detrás destes negros portais lacrimosos.
E agora?
Elas, lágrimas, já caíram e eu, que anseio tanto pelo fim,
ainda respiro.
Ellen Augusta
ao fechar os olhos
caiu
revelando minha dor.
Fecho a cortina escura do olhar
atrás da qual estão aquelas lembranças
o tempo morto através de meus olhos fechados.
E o presente no brilho da visão, que se nos toca.
A lágrima, um mar corre em mim
Odeio a vida porque te conheci.
e a cada correnteza, a cada ferida aberta
mais desejo morrer
para cerrar tantas portas e sepultar
o que tento tanto ocultar
A lágrima denuncia, denuncia o quê?
Um olhar denuncia, mas exatamente o quê?
Nenhuma resposta, visão líquida
Nenhuma resposta, coração indomado
A água salgada, escurecida pela maquiagem, corre pelo rosto
Leva algo, eu sempre soube. Hoje não mais.
Meu sonho revela, carrego a premonição em minhas mãos.
Todas as vezes, a vida inteira. E agora?
Os dedos pálidos sentem as palavras, que saem uma a uma detrás destes negros portais lacrimosos.
E agora?
Elas, lágrimas, já caíram e eu, que anseio tanto pelo fim,
ainda respiro.
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terça-feira, 28 de julho de 2015
Um sonho endemoniado
Na estação desconhecida
Não podia descrever
A quem me levava e não sabia
Palavra alguma me dizer
Profanações no silêncio, sua voz saia muda
O ambiente frívolo, uma curva de estrada
Me carregava, como um demônio.
Implorava por saber.
{Meu amor não estava lá, não poderia me dizer
Como eu faria para retornar
ao estado de lucidez.}
Presa desta forma, acorrentada
Ao telefone, a um toque destas mãos
Só confiava:
Em que meu corpo deixaria-me em paz
de que minha alma entregaria-me
à própria natureza, se eu pudesse livrar-me
Do inferno deste sonho.
{Senhoras ao meu redor sabiam, mas apenas me condenavam
Cercavam minha alma de não-sei}
O que sei: conheci a índole triste e doce de seu coração
Embora pareça, sei lá, embora seja, engano meu.
Meu desejo era de acordar, mas meus pés descem, descem...
O corpo flutua, só quer ficar.
Mas as lágrimas, negras lágrimas encantadas
Falsas, fantasias que acordam amanhã.
Ellen Augusta
Não podia descrever
A quem me levava e não sabia
Palavra alguma me dizer
Profanações no silêncio, sua voz saia muda
O ambiente frívolo, uma curva de estrada
Me carregava, como um demônio.
Implorava por saber.
{Meu amor não estava lá, não poderia me dizer
Como eu faria para retornar
ao estado de lucidez.}
Presa desta forma, acorrentada
Ao telefone, a um toque destas mãos
Só confiava:
Em que meu corpo deixaria-me em paz
de que minha alma entregaria-me
à própria natureza, se eu pudesse livrar-me
Do inferno deste sonho.
{Senhoras ao meu redor sabiam, mas apenas me condenavam
Cercavam minha alma de não-sei}
O que sei: conheci a índole triste e doce de seu coração
Embora pareça, sei lá, embora seja, engano meu.
Meu desejo era de acordar, mas meus pés descem, descem...
O corpo flutua, só quer ficar.
Mas as lágrimas, negras lágrimas encantadas
Falsas, fantasias que acordam amanhã.
Ellen Augusta
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segunda-feira, 20 de julho de 2015
Tormenta pressentida
Qual é o medo criança
do tremor desta casa
Se a janela balança
ao som do meu temporal?
Eu sentia falta dele
Era o meu tétrico amigo
Era o som afável do vento
Que nunca andava só
A lágrima que corria
O vento que aqui batia
Era a lamúria conjunta
luz sanguínea e o tremor do trovão
E também a chuva ruidosa
Correndo a madrugada
Tendo o amor como presente
Ao meu lado ele assim está agora
Eternamente ensimesmado
Nunca diz o que sente
Nunca sei o que sinto
Cai como meu corpo nas pedras
Chuva suicida
meu sono ausente
no profundo negrume
uma só palavra perpetua
Agora já morta: a saudade
Abre as janelas respira
o suave tormentoso
Meu espelho sorri.
Não mais sabe se está aqui.
Ellen Augusta
do tremor desta casa
Se a janela balança
ao som do meu temporal?
Eu sentia falta dele
Era o meu tétrico amigo
Era o som afável do vento
Que nunca andava só
A lágrima que corria
O vento que aqui batia
Era a lamúria conjunta
luz sanguínea e o tremor do trovão
E também a chuva ruidosa
Correndo a madrugada
Tendo o amor como presente
Ao meu lado ele assim está agora
Eternamente ensimesmado
Nunca diz o que sente
Nunca sei o que sinto
Cai como meu corpo nas pedras
Chuva suicida
no profundo negrume
uma só palavra perpetua
Agora já morta: a saudade
Abre as janelas respira
o suave tormentoso
Meu espelho sorri.
Não mais sabe se está aqui.
Ellen Augusta
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quinta-feira, 16 de julho de 2015
Longe do mar
A insanidade, sintomas de minha loucura
é perder-me neste hospital, é queimar-me neste fogo do distanciamento
estar longe do que mais amo -
a umidade do sal.
Uma ave que pudesse voar
meu amor que soubesse viajar
Se eu pertencesse a algum lugar?
A visão do oceano me perturba
eu nem posso mais olhar
A vontade de estar lá e nunca mais/nunca mais voltar
Esteja dentro de minha alma, por favor.
Uma súplica líquida, de amor.
Volte para mim/Não se distancie.
-Eu estou distante, porque sou covarde.
A brutalidade do encontro com o mar
Na noite mais escura um coração cortado com sal
é essa distância covarde do que eu deixei para trás.
Minha morada, meu mar, meu farol
meus pés em cada grão de areia: teu corpo.
A água líquida, o fantasma.
O anjo negro que nunca mais me deixou.
Ellen Augusta
é perder-me neste hospital, é queimar-me neste fogo do distanciamento
estar longe do que mais amo -
a umidade do sal.
Uma ave que pudesse voar
meu amor que soubesse viajar
Se eu pertencesse a algum lugar?
eu nem posso mais olhar
A vontade de estar lá e nunca mais/nunca mais voltar
Esteja dentro de minha alma, por favor.
Uma súplica líquida, de amor.
Volte para mim/Não se distancie.
-Eu estou distante, porque sou covarde.
A brutalidade do encontro com o mar
Na noite mais escura um coração cortado com sal
é essa distância covarde do que eu deixei para trás.
Minha morada, meu mar, meu farol
meus pés em cada grão de areia: teu corpo.
A água líquida, o fantasma.
O anjo negro que nunca mais me deixou.
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segunda-feira, 6 de julho de 2015
O frio atormentador
Caminho desnuda, o frio me congela, os pés pouco mais flutuam, pois já não sentem.
Não há nada mais lindo que uma noite descalça.
O sonar das músicas, lá fora é madrugada.
As ondas batem nas pedras, respiro.
Da janela vem um pouco da lembrança, era ela.
Um jeito diferente de ser, uma mulher que outrora caminhava ali.
Era um fantasma de mim.
A mulher que de certa forma te ampara.
O sonho os pés nus de tanto chorar.
O mar continua a ser ameaçador, está tão tarde, preciso morrer.
Não é preciso ser louca, me basta dizer
teu nome.
Oceano!
Luar sobre as pedras, por que não vou ao teu encontro?
O frio do Inverno provoca-me delírio.
Não sei escrever.
Só sei inspirar novamente os mesmos devaneios,
impregnar-me com a mesma recordação.
Eu me vi no espelho das ondas. O espírito no mar noturno.
Nunca mais, eu me dizia.
Nem para a vida, nem para a morte.
Presa entre as vagas marinhas sem saber para onde ir.
Ellen Augusta
Não há nada mais lindo que uma noite descalça.
O sonar das músicas, lá fora é madrugada.
As ondas batem nas pedras, respiro.
Da janela vem um pouco da lembrança, era ela.
Um jeito diferente de ser, uma mulher que outrora caminhava ali.
Era um fantasma de mim.
A mulher que de certa forma te ampara.
O sonho os pés nus de tanto chorar.
O mar continua a ser ameaçador, está tão tarde, preciso morrer.
Não é preciso ser louca, me basta dizer
teu nome.
Oceano!
Luar sobre as pedras, por que não vou ao teu encontro?
O frio do Inverno provoca-me delírio.
Não sei escrever.
Só sei inspirar novamente os mesmos devaneios,
impregnar-me com a mesma recordação.
Eu me vi no espelho das ondas. O espírito no mar noturno.
Nunca mais, eu me dizia.
Nem para a vida, nem para a morte.
Presa entre as vagas marinhas sem saber para onde ir.
Ellen Augusta
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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
Juliana
![]() |
Havia um espírito sensível dentro de olhos lacrimosos.
Nos conhecemos através das palavras.
Eu estudava a Antiguidade dos animais e ela a História dos ambientes.
Nos anos em que convivemos, a experiência foi completamente literária.
Livros e poesia, também amizade, em meio à Arqueologia daquele tempo.
Ela foi, mas sua marca sempre ficou.
Como ficam para sempre, as pessoas especiais na vida de qualquer um.
A lembrança é referência, como livros, leituras e símbolos, do mundo das letras.
Um mundo, que obviamente mantive dentro de mim através da escrita.
E carreguei em meu coração através do amor.
Para Juliana Soares
Ellen Augusta
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terça-feira, 30 de dezembro de 2014
N. Maria
Um sopro quase musical do vento a correr. Escorre o pranto.
Flores vermelhas, rosas negras. As rosas que eu recebi e as que te levei.
O sol brilhava nas folhas verdes.
Saudade botânica, infinita.
O passado existe apenas por detrás de meus olhos.
A solidão hereditária
é uma flor interior
branca e perfumada. Alegre e cortante.
Sepultaste o amor em teu coração.
Quando perdeste o ar em teu peito.
Transparece em meus olhos teus traços.
A melancolia lastimosa de saber
que parte de mim também morreu.
Ellen Augusta
Flores vermelhas, rosas negras. As rosas que eu recebi e as que te levei.
O sol brilhava nas folhas verdes.
Saudade botânica, infinita.
O passado existe apenas por detrás de meus olhos.
é uma flor interior
branca e perfumada. Alegre e cortante.
Sepultaste o amor em teu coração.
Quando perdeste o ar em teu peito.
Transparece em meus olhos teus traços.
A melancolia lastimosa de saber
que parte de mim também morreu.
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quinta-feira, 13 de novembro de 2014
Presentes de amiga - Pó de Lua
Entre os presentes que recebi na caixinha que veio pelo Correio, minha amiga escritora Maria Helena Sleutjes me enviou este precioso livro de poesia, todo colorido! Chama-se Pó de Lua. É de Clarice Freire e tem uma poesia visual muito interessante, que te faz virar o livro de ponta a cabeça, meio infantil, meio fantasia, poesia, simplesmente adorei.
Já viram vocês que eu não escrevo este tipo de poesia. Nunca me passou pela minha cabeça obscura, formar estas palavras neste tom aberto, e olha que elas tocam profundamente na alma. Elas falam sim, de dores, de perdas, de sonhos... mas eu já entrei por outra esquina... E poucos devem imaginar o porquê.
O meu colorido tem outras cores. Mas pego estas também, conforme a lua, como ela diz neste livro. Na minha adolescência eu tinha umas poesias assim. Depois apaguei tudo, e comecei a escrever de outra forma. Mas eu gosto mesmo é de escrever 'de corrido' como se diz em espanhol informal. Gosto de prosa, e me sinto melhor nisso. A prosa poética é a melhor forma de poesia. E cada um sabe onde seus olhos captam mais e melhor o poema. É na melancolia que eu colho os meus, mas não só! E assim falam os portugueses...
Já viram vocês que eu não escrevo este tipo de poesia. Nunca me passou pela minha cabeça obscura, formar estas palavras neste tom aberto, e olha que elas tocam profundamente na alma. Elas falam sim, de dores, de perdas, de sonhos... mas eu já entrei por outra esquina... E poucos devem imaginar o porquê.
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| "Para diminuir a gravidade das coisas" ela diz em seu livro. |
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quarta-feira, 17 de setembro de 2014
Sarau Garagem dos Livros: Homero Bueno recita 'A Pedra'
Homero Bueno (meu sogro) recita seu poema 'A Pedra', vencedor do Concurso Literário Mansueto Bernardi 2012
Sarau Garagem dos Livros: Marcio de Almeida Bueno recita 'Na Madrugada'
Meu marido recitando recita seu mais recente poema, 'Na Madrugada', durante o Sarau Garagem dos Livros de 12/09/14, em Porto Alegre. http://diretodeportoalegre.blogspot.com.br/
Sarau Garagem dos Livros de 12/09/14, em Porto Alegre - mais momentos de poesia e leitura
Sarau Garagem dos Livros de 12/09/14, em Porto Alegre
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| Ellen Augusta (eu) recitando o poema O frio a faz respirar |
![]() |
| Marcio de Almeida Bueno (meu marido) fazendo acompanhamento musical para meu poema |
![]() |
| Arthur Adams cantou uma música antiga |
![]() |
| Homero Bueno (meu sogro) recita seu poema 'A Pedra', vencedor do Concurso Literário Mansueto Bernardi 2012 |
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| Juliana Soares minha amiga, que tive o prazer de reencontrar, faz a leitura de um texto de seu irmão. |
![]() |
| Gerci Oliveira Godoy recita um de seus poemas |
![]() |
| Beatriz Barbisan recitando um de seus poemas |
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
Almada de Lisboa
Quando meus pés estiverem sinuosos
para entrar em outros calçados.
Quando finalmente a cidade antiga puder me receber, pois anônima sou, como és...
As calçadas da Almada portuária.
Portugal
Me conservo como as pedras daquele farol.
Vou me deixando morrer enquanto há vida. Esperando algo de que já sei e busco.
O não lugar, porque não irei. Ele está dentro de mim. Caminho até seus cantos.
A cada dia que findo, se vai a existência, ao redor um banho de lágrimas.
É o mar, para quem o ama. Olhos molhados de sofrido ondular.
O santuário me espera, as construções semeadas de histórias, são fotografadas pelos meus olhos.
Ellen Augusta
para entrar em outros calçados.
Quando finalmente a cidade antiga puder me receber, pois anônima sou, como és...
As calçadas da Almada portuária.
Me conservo como as pedras daquele farol.
Vou me deixando morrer enquanto há vida. Esperando algo de que já sei e busco.
O não lugar, porque não irei. Ele está dentro de mim. Caminho até seus cantos.
A cada dia que findo, se vai a existência, ao redor um banho de lágrimas.
É o mar, para quem o ama. Olhos molhados de sofrido ondular.
O santuário me espera, as construções semeadas de histórias, são fotografadas pelos meus olhos.
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| Capela de Ossos de Evora "Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos" |
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sexta-feira, 8 de agosto de 2014
Meu encontro com a Literatura na Garagem dos Livros
Há muito tempo estava a fim de conhecer o sarau poético musical,
que acontece uma vez por mês na Garagem dos Livros, ali na frente do
Gasômetro.
Ao chegar lá, levamos livros que recebemos para doação e nossa
imensa vontade de estar presente.
Fomos recebidos com um poema de Castro Alves, sobre aquele que
semeia livros.
Foram chegando os poetas: um casal italiano, o pianista do século
dezenove, a escritora e seu delicado poema sobre bonecas, o
garoto que interpreta Charles Chaplin e sua namorada, o violinista
tímido e sua mãe, Augusto dos Anjos moderno, João dos Livros o
dono do local, a artista e sua bicicleta dos livros, o poeta
atormentado, este com os poemas que mais gostei, entre outros.
Todos tiveram vez. Diferente de outros círculos, onde muitos querem
mais é aparecer, notei que ali havia muito calor humano e amizade.
Todos conversavam com todos, compartilhavam, não se importavam,
levavam seus rascunhos, sem a preocupação com a aparência, sem
pose. Chaplin pode ler seus três poemas em sequência, sim. O cantor pode esquecer um pedaço do refrão. Tudo bem.
Adorei. Me senti em casa quando João falou sobre literatura como ninguém. Muitas coisas aprendi. Ele fez uma bonita homenagem aos pais, contando histórias de escritores, como Vitor Hugo e seu filho no exílio.Eu ainda sem coragem, não quis recitar o poema da Florbela Espanca, com medo de errar alguma palavra e estragar o poema, pois fazia anos que não o recitava de memória...
Saí de lá pensando em levar minhas poesias, apresentar os escritores que amo, e pensando nos amigos que encontrei. O dia de hoje me lembrou de uma frase que li nas escadarias de uma passagem aqui na cidade, e nunca esqueci: os estranhos são amigos que ainda não conhecemos.
que acontece uma vez por mês na Garagem dos Livros, ali na frente do
Gasômetro.
| Foto Marcio de Almeida Bueno - http://diretodeportoalegre.blogspot.com.br/ |
imensa vontade de estar presente.
Fomos recebidos com um poema de Castro Alves, sobre aquele que
semeia livros.
Foram chegando os poetas: um casal italiano, o pianista do século
dezenove, a escritora e seu delicado poema sobre bonecas, o
garoto que interpreta Charles Chaplin e sua namorada, o violinista
tímido e sua mãe, Augusto dos Anjos moderno, João dos Livros o
dono do local, a artista e sua bicicleta dos livros, o poeta
atormentado, este com os poemas que mais gostei, entre outros.
Todos tiveram vez. Diferente de outros círculos, onde muitos querem
mais é aparecer, notei que ali havia muito calor humano e amizade.
Todos conversavam com todos, compartilhavam, não se importavam,
levavam seus rascunhos, sem a preocupação com a aparência, sem
pose. Chaplin pode ler seus três poemas em sequência, sim. O cantor pode esquecer um pedaço do refrão. Tudo bem.
![]() |
| A autora do poema sobre suas bonecas, feito em homenagem aos seus filhos. Eu simplesmente adorei seu poema e mais ainda, a forma como o declamou! Ela nos presenteou com seu livro! |
Saí de lá pensando em levar minhas poesias, apresentar os escritores que amo, e pensando nos amigos que encontrei. O dia de hoje me lembrou de uma frase que li nas escadarias de uma passagem aqui na cidade, e nunca esqueci: os estranhos são amigos que ainda não conhecemos.
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domingo, 3 de agosto de 2014
A alma do farol
Ando com os pés em dor na areia
o corpo está no farol, perdido, dentro do oceano.
A cabeça é um ponto de luz ofuscante e brilhante.
Uma pedra imensa em direção às águas, carrega os cabelos que crescem.
Eu os corto.
A mãe primeira, a que me salvou do mar, já não está aqui.
A que agora está em silêncio, não olha mais para as ondas.
A primeira mãe me levou aos livros. Pois era sua forma de sumir.
A poetisa, é minha segunda mãe.
Tem os cabelos dourados, como a primeira.
Brilhando como a luz noturna.
Eu os corto,
De minhas mãos só saem dores.
A segunda mãe, mostrou-me suas palavras.
De suas mãos, eu já vi rosas, poesias marítimas, e alguma lágrima de sal.
Chegam à praia e voltam,
ao profundo, um ventre de mar.
Desejo a morte porque nunca pude
jogar-me de um farol.
O medo é para quem não conhece.
O soturno espaço das ondas.
O contato entre o farol e o barco - o sinal luminoso.
As vagas - espelhos que refletem teu amigo, aquele esqueleto interno.
A mãe segunda ensina-me a separar palavras.
Cercar-me do farol e suas sombras.
Águas ensanguentadas, luas estranguladas.
Sondar a melancolia com ternura.
O fantasma ronda as pedras
sobe as escadas.
Conservo-o sagrado.
Uma chama interna.
Preservo a solidão dentro de mim.
Fecho-a junto à lâmpada do farol.
Os livros me libertaram das crendices nos deuses inúteis.
Cerco de velas, flores e cinzas, o sagrado destino das poetas que me fizeram mulher e escritora.
Ellen Augusta
Este poema é dedicado a Maria Helena Sleutjes
o corpo está no farol, perdido, dentro do oceano.
Uma pedra imensa em direção às águas, carrega os cabelos que crescem.
Eu os corto.
A mãe primeira, a que me salvou do mar, já não está aqui.
A que agora está em silêncio, não olha mais para as ondas.
A primeira mãe me levou aos livros. Pois era sua forma de sumir.
A poetisa, é minha segunda mãe.
Tem os cabelos dourados, como a primeira.
Brilhando como a luz noturna.
Eu os corto,
De minhas mãos só saem dores.
A segunda mãe, mostrou-me suas palavras.
De suas mãos, eu já vi rosas, poesias marítimas, e alguma lágrima de sal.
Chegam à praia e voltam,
ao profundo, um ventre de mar.
Desejo a morte porque nunca pude
jogar-me de um farol.
O medo é para quem não conhece.
O soturno espaço das ondas.
O contato entre o farol e o barco - o sinal luminoso.
As vagas - espelhos que refletem teu amigo, aquele esqueleto interno.
A mãe segunda ensina-me a separar palavras.
Cercar-me do farol e suas sombras.
Águas ensanguentadas, luas estranguladas.
Sondar a melancolia com ternura.
O fantasma ronda as pedras
sobe as escadas.
Conservo-o sagrado.
Uma chama interna.
Preservo a solidão dentro de mim.
Fecho-a junto à lâmpada do farol.
Cerco de velas, flores e cinzas, o sagrado destino das poetas que me fizeram mulher e escritora.
Ellen Augusta
Este poema é dedicado a Maria Helena Sleutjes
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sexta-feira, 27 de junho de 2014
O frio a faz respirar
Estava com ela na claridade.
As vozes entram pela janela
Ela sozinha em meio à luz noturna, o frio luminar.
Eu saí do quarto a buscar o som, precisava das sombras, e jamais pude retornar.
As portas fechadas, abertas escuras, o interruptor alternava entre sim e não. Mas era sempre obscuro.
Os quartos escuros não me assustam, pois já estão dentro de mim.
O fantasma se ramificou em meu esqueleto, portanto.
Deixei suas mãos.
Lux.
Escuridão.
Eu buscando as sombras. O frio a faz respirar.
(Só ela soube porquê.)
A luz protegia os moribundos.
Mortem - Uma perna te enlaça. A que te pertence não teme.
Eu que te pertenço. Sou o medo em si.
Anda na casa vazia do tempo. Sólida e distante, melancólica e sombria. A amiga. A amada.
A esquecida estava no quarto escuro.
Acordei viva, deixei a-morta, deixei a-morte.
Nos sonhos perturbadora.
Companheira no vislumbre diurno.
Ellen Augusta
As vozes entram pela janela
Ela sozinha em meio à luz noturna, o frio luminar.
Eu saí do quarto a buscar o som, precisava das sombras, e jamais pude retornar.
As portas fechadas, abertas escuras, o interruptor alternava entre sim e não. Mas era sempre obscuro.
O fantasma se ramificou em meu esqueleto, portanto.
Deixei suas mãos.
Lux.
Escuridão.
Eu buscando as sombras. O frio a faz respirar.
(Só ela soube porquê.)
A luz protegia os moribundos.
Mortem - Uma perna te enlaça. A que te pertence não teme.
Eu que te pertenço. Sou o medo em si.
A esquecida estava no quarto escuro.
Nos sonhos perturbadora.
Companheira no vislumbre diurno.
Ellen Augusta
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segunda-feira, 12 de maio de 2014
As tranças para fios translúcidos
A mãe:
Quando vi a morte em seu corpo
Percebi o que se passaria.
Como poderia te contar? Que não nos libertaríamos juntas, das crenças nos deuses inúteis, ilusórios?
Que não morreríamos no mar?
Você me disse que o mar era deus. E só. Em você acreditei.
E que depois da morte tudo se acabava.
Pois hoje eu sei que tudo se vai através dela.
La Santa Muerte:
Depois do fim, o fim.
Da natureza de toda sua dor.
A morte, lúgubre deusa.
A que, com toda certeza, existe.
Pois a vi, estive com ela, e a senti em mim.
A translucidez entre os mundos.
O poético e o luto.
O fatídico e o distanciamento.
A solidão e as lágrimas.
A mãe:
Ela carregava a morte em seu corpo como uma pequena chama, que a consumiu por completo.
El camposanto:
Eu prometo a mim
que estarei lúcida,
livre de deuses e crenças.
Não importa o que digam, quero estar só.
Como um farol no meio do oceano,
para escrever sobre aquela que conseguiu ir.
Sozinha, deste mundo, para o começo do silêncio.
Ellen Augusta
Quando vi a morte em seu corpo
Percebi o que se passaria.
Como poderia te contar? Que não nos libertaríamos juntas, das crenças nos deuses inúteis, ilusórios?
Que não morreríamos no mar?
Você me disse que o mar era deus. E só. Em você acreditei.
E que depois da morte tudo se acabava.
Pois hoje eu sei que tudo se vai através dela.
La Santa Muerte:
Depois do fim, o fim.
Da natureza de toda sua dor.
A morte, lúgubre deusa.
A que, com toda certeza, existe.
Pois a vi, estive com ela, e a senti em mim.
A translucidez entre os mundos.
O poético e o luto.
O fatídico e o distanciamento.
A solidão e as lágrimas.
A mãe:
Ela carregava a morte em seu corpo como uma pequena chama, que a consumiu por completo.
El camposanto:
Eu prometo a mim
que estarei lúcida,
livre de deuses e crenças.
Não importa o que digam, quero estar só.
Como um farol no meio do oceano,
para escrever sobre aquela que conseguiu ir.
Sozinha, deste mundo, para o começo do silêncio.
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mortem,
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