☆Só eu fiquei meio desconfiado com a história do produto que causa o mesmo probelma causado pelo vírus do mosquito que ele combate?
Às vezes parece meio conveniente à incompetência do Estado que um único inseto carregue as três epidemias mais temidas no momento. Porque há mais de um milhão de espécies de insetos, mas apenas uma, em um país continental como o Brasil, transporta os diferentes vírus em questão. Ao menos, questões como saneamento básico, higiene e responsabilidade de cada um vêm à tona. E infelizmente 508 bebês estão pagando o preço por tudo isso.
☆Nascida em Veranópolis, a vereadora de Porto Alegre Sofia Cavedon é autora da nova lei que proíbe saleiros nas mesas de restaurantes, bares e cantinas de escolas e hospitais. Ela explica que, muitas vezes, colocar mais sal na comida é questão de impulso.
☆ Olha, eu já fui em restaurantes chineses vegetarianos daqui da Capital em que a comida é temperada até não mais poder, com seus sabores exóticos. E tem gente que se serve no buffet e depois coloca sal em cima de tudo, parece neve. Como se precisasse. E daqui a dez anos vão estar fazendo promessa para santo, a fim de curar problemas nos rins, pressão alta, etc.
☆ "Quando você vai comprar algo, não paga com dinheiro, paga com o tempo de sua vida que teve que gastar para ter esse dinheiro. Todavia, se tem muito dinheiro, tem que gastar tempo em controla-lo e cuidar para que não te roubem. E, ao final, és um pobre escravo que já não tem tempo para viver". Frase de Pepe Mujica, ex-presidente do Uruguai, que leva uma vida simples.
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
quinta-feira, 20 de agosto de 2015
Passeios em Porto Alegre - espalhando e catando poesia
Hoje foi um dos nossos dias de passear e panfletear. Nós almoçamos e caminhamos depois.
A foto acima é de uma escolinha, praticamente perdida entre os edifícios.
Saindo do restaurante encontro um corajoso que falou tudo. Enquanto a maioria da população critica o Bolsa Família, ninguém tem coragem de abrir a boca para o que deveria ser cortado, as bolsas para filhas de militares, as regalias políticas sem fim, os desperdícios públicos (que são públicos, ou seja, é só ir lá e se informar). Mas não, como sempre, é preciso criticar um auxílio para os pobres, que já veio tarde. Ou inventar bobagens como os salários para presidiários, etc... fantasias de brasileiro analfabeto político.
Almoçamos em um dos nossos restaurantes preferidos. Lá no Casa Oriental, na Felipe Camarão, esquina com a Independência.
Saímos pela cidade para caminhar e apreciar as casas antigas. Eu adoro casarões e prédios com aspecto de abandonados. Como os de filmes de terror.
Costumo sair para fotografar todas as casas antigas que encontro, e nessa região existem ainda algumas, que a especulação imobiliária ainda não derrubou. É preciso sair correndo e fotografar o que se pode, pois na semana seguinte já existe um tapume, e isso não é exagero. Simplesmente se derrubam casarões antigos inteiros em questão de dias, antes disso apenas colocam um muro e você nada mais vê.
Aqui uma loja de variedades e já encontrei meus amiguinhos, Chaves, Chapolin, Chiquinha, Kiko, Nhonho, nossa, tem quase todo mundo da turma aí... estão feinhos, mas tudo bem... Uma foto bem colorida que me alegrou muito...
Distribuímos alguns materiais da Ong vegana amiga que temos contato na Alemanha. Eu me comprometo sempre de distribuir os materiais nas minhas caminhadas.
Um prédio roxo, uma das cores que mais adoro. Na rua Gonçalo de Carvalho.
Roxo e preto as cores da morte.
Que beleza poder viver em um local com tantas plantas bonitas, realmente é um sonho. Eu amo. Na verdade, eu me sinto bem em qualquer lugar, pois não me incomodo com nada. Não é preciso viver num paraíso, basta saber valorizar o que se tem no momento. E não ligar para o que incomoda. Sempre algo está ruim, para quem acha defeito em tudo.
Fomos no Mercado Público, para terminar, um flasmob "Tema Para Os Animais Abatidos" do pianista que é puro talento Marcio de Almeida Bueno.
A foto acima é de uma escolinha, praticamente perdida entre os edifícios.
Saindo do restaurante encontro um corajoso que falou tudo. Enquanto a maioria da população critica o Bolsa Família, ninguém tem coragem de abrir a boca para o que deveria ser cortado, as bolsas para filhas de militares, as regalias políticas sem fim, os desperdícios públicos (que são públicos, ou seja, é só ir lá e se informar). Mas não, como sempre, é preciso criticar um auxílio para os pobres, que já veio tarde. Ou inventar bobagens como os salários para presidiários, etc... fantasias de brasileiro analfabeto político.
Almoçamos em um dos nossos restaurantes preferidos. Lá no Casa Oriental, na Felipe Camarão, esquina com a Independência.
Saímos pela cidade para caminhar e apreciar as casas antigas. Eu adoro casarões e prédios com aspecto de abandonados. Como os de filmes de terror.
Costumo sair para fotografar todas as casas antigas que encontro, e nessa região existem ainda algumas, que a especulação imobiliária ainda não derrubou. É preciso sair correndo e fotografar o que se pode, pois na semana seguinte já existe um tapume, e isso não é exagero. Simplesmente se derrubam casarões antigos inteiros em questão de dias, antes disso apenas colocam um muro e você nada mais vê.
Aqui uma loja de variedades e já encontrei meus amiguinhos, Chaves, Chapolin, Chiquinha, Kiko, Nhonho, nossa, tem quase todo mundo da turma aí... estão feinhos, mas tudo bem... Uma foto bem colorida que me alegrou muito...
Roxo e preto as cores da morte.
Que beleza poder viver em um local com tantas plantas bonitas, realmente é um sonho. Eu amo. Na verdade, eu me sinto bem em qualquer lugar, pois não me incomodo com nada. Não é preciso viver num paraíso, basta saber valorizar o que se tem no momento. E não ligar para o que incomoda. Sempre algo está ruim, para quem acha defeito em tudo.
Fomos no Mercado Público, para terminar, um flasmob "Tema Para Os Animais Abatidos" do pianista que é puro talento Marcio de Almeida Bueno.
sugestões
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Ellen Augusta,
Ellen Augusta Valer de Freitas,
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quarta-feira, 15 de abril de 2015
Videogames Sem Controle lança seu terceiro EP, intitulado 'Nunca Andei O Bom Caminho'
A banda gaúcha Videogames Sem Controle acaba lançar seu terceiro EP, intitulado 'Nunca Andei O Bom Caminho', pelo selo Falência Fraudulenta, de Porto Alegre. São cinco faixas do que o power trio convencionou chamar de rock torto, que mescla a psicodelia ao minimalismo e até mesmo a um progressivo não-virtuoso. A maior mudança foi que o líder Marcio de Almeida Bueno, multiinstrumentista, compositor e vocalista, assumiu o piano, que se tornou o instrumento central das músicas, inclusive para solos. As influência seguem sendo Arnaldo Baptista, Roberto Carlos, Júpiter Maçã, The Beatles, Os Mulheres Negras, Tom Waits e minimalismo. A primeira faixa é 'Eye from the outer space', com seu piano hipnótico. A inusitada letra é do baiano Daniel Barbosa, parceiro de longa data, que apesar do título é em Português. A segunda faixa, 'Nunca andei o bom caminho', é uma espécie de Tim Maia versão garagem, com bumbo calcado no rap-jazz-soul. 'Decifra-te ou eu me devoro' foi composta há mais de 25 anos, e só agora recebeu registro sonoro. Vocal dobrado, refrão com palmas e solos de violão. A quarta faixa é 'Me sinto ridícula - o amor adolescente', com letra de Ellen Augusta. Mudanças de andamento, guitarra distocida e piano disputando espaço em meio a um clima confessional. O EP fecha com 'Tudo aquilo que me dói', também com mudanças de andamento, solo de cravo, levada de bossa nova com intimismo lisérgico. O disco foi gravado na primavera de 2014 e verão de 2015 no C. Bukowski Studios, na Capital gaúcha. Melhor se escutado em uma tarde chuvosa. Videogames Sem Controle é Marcio de Almeida Bueno (voz, piano e baixo), Oswaldo Lee (violão e guitarra) e Thales M. (bateria e percussão). Contatos podem ser feitos via tudoestavaigualcomoeraantes@gmail.com. O EP completo pode ser escutado na íntegra em https://youtu.be/WoSH81bb4Z4.
terça-feira, 10 de março de 2015
Da violência contra éguas e mulheres
Artigo de Marcio de Almeida Bueno - publicado na ANDA e no Olhar Animal http://www.anda.jor.br/category/colunistas/marcio-de-almeida-bueno e http://www.olharanimal.org/pensata-animal/autores/marcio-de-almeida-bueno
No vídeo, o cavalo está caído no chão, com as patas amarradas, e preso a um poste de madeira. Ele se debate, tenta se levantar – sem sucesso. Um gaúcho se aproxima – aquele bem caricato, com roupa típica, bigodão – e, com o chicote, espanca o rosto do cavalo. A cena é brutal. A pessoa que filma dá risadas. Pela voz, percebe-se que é uma mulher.
Trata-se da doma, à moda tradicional do Rio Grande do Sul.
No outro vídeo de faça-você-mesmo, uma égua é presa pela primeira vez pela boca, em um campo cercado. A corda, firme, está em um palanque. O gaúcho dá um susto no animal, que sai correndo, na sua força, sem saber do resultado. A corda estica é dá um tranco daqueles, inesperado. Dor e pavor. O processo se repete, e a égua dispara pelo gramado e então recebe o impacto. Chama-se ‘quebra de queixo’, uma espécie de ritual que diverte certa parcela da população ligada ao RS.
Não, o cavalo não é uma motocicleta que já vem de fábrica com acelerador, freio, marcha-a-ré e embreagem. Esses comandos todos são aprendidos, à custa de dor e, dali pra diante, temor para o resto da vida. Claro que a patricinha-de-feicibúqui que ‘adora cavalos’ e volta e meia vai a um sítio com passeios de montaria, jamais ficou sabendo disso. Não foi aos bastidores ver o choro do palhaço.
Porque estamos acostumados a ver o cavalo já com os arreios, com os apetrechos todos, na boca, cabeça, pescoço, costas, barriga. A propaganda é pesada, e mesmo um cavalinho de pelúcia, fofo, para dar de presente à namorada, já tem um arreio na boca. Reparem.
E há quem se auto-intitule vegano, aboliticonista ou defensor dos direitos animais, algo cool, e ao mesmo tempo passeia no lombo de um equino. Falo aqui 1% da dor física – sim, já existe a ‘doma racional’, parente do abate humanitário – e 99% da dor moral, uma vez que aquele quadrúpede vai passar o resto da vida obediente, Joãozinho-do-passo-certo, temeroso da próxima vez em que *aquela* dor vai voltar. A prova é que o ‘freio’ do cavalo-motocicleta é um puxão nas cordas, com mais ou menos força.
NInguém ousa se mexer na cadeira do dentista, quando *aquela* dor apita, não é mesmo?
E não citarei aqui a parte, digamos, odontológica aplicada ao nosso amigo cavalo, a seco, para fins de encaixe dos acessórios apropriados.
Bem, em 1984 fez muito sucesso uma música gauchesca – sim, há que se ter trilha sonora para o narrado acima – composta por Roberto Ferreira e Mauro Ferreira, chamada ‘Morocha’, cantada por um conjunto intitulado Davi Menezes Junior e Os Incompreendidos.
“Aprendi a domar amanunciando égua / E para as mulher vale as mesmas regras / Animal, te pára, sou lá do rincão / Mulher pra mim é como redomão / Paleador nas patas e pelego na cara”, diz o refrão da música. Traduzindo para a língua falada no Brasil, mais ou menos quer dizer que o autor aprendeu a amansar éguas, e aplica o mesmo procedimento às fêmeas de sua própria espécie, inclusive com uso de uma espécie de algemas e venda para os olhos – que fazem parte da doma equina, conforme o caso.
No vídeo disponível no YouTube, o cantor se apresenta com chicote na mão, e uma elegante senhora da platéia – com uma estola no pescoço equilvante a umas quatro raposas – passa o tempo todo vaiando e xingando os músicos. As demais mulheres focalizadas pela câmera aplaudem ou permanecem comportadas.
Curiosamente, uma música similar foi lançada em resposta à primeira. Intitulada ‘Morocha, não’, de Leonardo, um dos mais conhecidos cantores-compositor da música regional do RS, já falecido, respondia às bravatas. “Ouvi um qüera largado, gritando em uma canção / que as regra pra um ser humano é a mesma dos animais / que trata que nem baguais
maneando patas e mão” diz um trecho. Nota-se, claro, o especismo. Não podemos ser ingênuos. O refrão é “morocha não, respeito sim / Mulher é tudo, vida e amor / Quem não gostar que fique assim / Grosso, machista e barranqueador”.
Barranquear, traduzindo, é estuprar – isto vai ser contestado, mesmo que mentalmente, por muitos, que não vão se manifestar por vergonha – uma égua fazendo uso de um pequeno declive para que, digamos, os genitais fiquem na mesma altura.
Uma espécie de ritual que diverte certa parcela da população ligada ao RS.
No vídeo, o cavalo está caído no chão, com as patas amarradas, e preso a um poste de madeira. Ele se debate, tenta se levantar – sem sucesso. Um gaúcho se aproxima – aquele bem caricato, com roupa típica, bigodão – e, com o chicote, espanca o rosto do cavalo. A cena é brutal. A pessoa que filma dá risadas. Pela voz, percebe-se que é uma mulher.
Trata-se da doma, à moda tradicional do Rio Grande do Sul.
No outro vídeo de faça-você-mesmo, uma égua é presa pela primeira vez pela boca, em um campo cercado. A corda, firme, está em um palanque. O gaúcho dá um susto no animal, que sai correndo, na sua força, sem saber do resultado. A corda estica é dá um tranco daqueles, inesperado. Dor e pavor. O processo se repete, e a égua dispara pelo gramado e então recebe o impacto. Chama-se ‘quebra de queixo’, uma espécie de ritual que diverte certa parcela da população ligada ao RS.
Não, o cavalo não é uma motocicleta que já vem de fábrica com acelerador, freio, marcha-a-ré e embreagem. Esses comandos todos são aprendidos, à custa de dor e, dali pra diante, temor para o resto da vida. Claro que a patricinha-de-feicibúqui que ‘adora cavalos’ e volta e meia vai a um sítio com passeios de montaria, jamais ficou sabendo disso. Não foi aos bastidores ver o choro do palhaço.
Porque estamos acostumados a ver o cavalo já com os arreios, com os apetrechos todos, na boca, cabeça, pescoço, costas, barriga. A propaganda é pesada, e mesmo um cavalinho de pelúcia, fofo, para dar de presente à namorada, já tem um arreio na boca. Reparem.
E há quem se auto-intitule vegano, aboliticonista ou defensor dos direitos animais, algo cool, e ao mesmo tempo passeia no lombo de um equino. Falo aqui 1% da dor física – sim, já existe a ‘doma racional’, parente do abate humanitário – e 99% da dor moral, uma vez que aquele quadrúpede vai passar o resto da vida obediente, Joãozinho-do-passo-certo, temeroso da próxima vez em que *aquela* dor vai voltar. A prova é que o ‘freio’ do cavalo-motocicleta é um puxão nas cordas, com mais ou menos força.
NInguém ousa se mexer na cadeira do dentista, quando *aquela* dor apita, não é mesmo?
E não citarei aqui a parte, digamos, odontológica aplicada ao nosso amigo cavalo, a seco, para fins de encaixe dos acessórios apropriados.
Bem, em 1984 fez muito sucesso uma música gauchesca – sim, há que se ter trilha sonora para o narrado acima – composta por Roberto Ferreira e Mauro Ferreira, chamada ‘Morocha’, cantada por um conjunto intitulado Davi Menezes Junior e Os Incompreendidos.
“Aprendi a domar amanunciando égua / E para as mulher vale as mesmas regras / Animal, te pára, sou lá do rincão / Mulher pra mim é como redomão / Paleador nas patas e pelego na cara”, diz o refrão da música. Traduzindo para a língua falada no Brasil, mais ou menos quer dizer que o autor aprendeu a amansar éguas, e aplica o mesmo procedimento às fêmeas de sua própria espécie, inclusive com uso de uma espécie de algemas e venda para os olhos – que fazem parte da doma equina, conforme o caso.
No vídeo disponível no YouTube, o cantor se apresenta com chicote na mão, e uma elegante senhora da platéia – com uma estola no pescoço equilvante a umas quatro raposas – passa o tempo todo vaiando e xingando os músicos. As demais mulheres focalizadas pela câmera aplaudem ou permanecem comportadas.
Curiosamente, uma música similar foi lançada em resposta à primeira. Intitulada ‘Morocha, não’, de Leonardo, um dos mais conhecidos cantores-compositor da música regional do RS, já falecido, respondia às bravatas. “Ouvi um qüera largado, gritando em uma canção / que as regra pra um ser humano é a mesma dos animais / que trata que nem baguais
maneando patas e mão” diz um trecho. Nota-se, claro, o especismo. Não podemos ser ingênuos. O refrão é “morocha não, respeito sim / Mulher é tudo, vida e amor / Quem não gostar que fique assim / Grosso, machista e barranqueador”.
Barranquear, traduzindo, é estuprar – isto vai ser contestado, mesmo que mentalmente, por muitos, que não vão se manifestar por vergonha – uma égua fazendo uso de um pequeno declive para que, digamos, os genitais fiquem na mesma altura.
Uma espécie de ritual que diverte certa parcela da população ligada ao RS.
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crueldade,
dia da mulher,
doma,
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terça-feira, 30 de dezembro de 2014
Viração Noturna
Música do grupo Videogames Sem Controle para a poesia de Maria Helena Sleutjes
Leia o poema de Maria Helena Sleutjes
VIRAÇÃO NOTURNA
[ La terre mord son destin. Je suis sur le toit. Tu n'y viendras plus. Paul Elouard]
Brisa do mar
brilhos de lua
viração noturna.
Mais uma vez
descreio do amor
e como a noite escura
fecho os olhos
para os sonhos.
Viração noturna
revirando a vida.
Sobre os telhados,
invisível,
o silêncio ronda.
Recolho
pequenas estrelas
caídas,
hastes de flores
pendidas,
pingos de chuva…
Mas
todas as festas do sol
sobre o oceano
estão perdidas!
VIRAÇÃO NOTURNA
[ La terre mord son destin. Je suis sur le toit. Tu n'y viendras plus. Paul Elouard]
Brisa do mar
brilhos de lua
viração noturna.
Mais uma vez
descreio do amor
e como a noite escura
fecho os olhos
para os sonhos.
Viração noturna
revirando a vida.
Sobre os telhados,
invisível,
o silêncio ronda.
Recolho
pequenas estrelas
caídas,
hastes de flores
pendidas,
pingos de chuva…
Mas
todas as festas do sol
sobre o oceano
estão perdidas!
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
A dor do outro ou ‘o Grand Canyon que precisamos fechar’
coluna de Marcio de Almeida Bueno
(A dor do outro. Alguém que nasceu já para preencher a demanda de ingredientes culinários. Morreu para ser picotado e virar nome incompreensível no rótulo dos pacotinhos de alimentos industrializados).
Ao contrário, muita vezes uma conversa informal com leigos sobre o veganismo – porque o povo adora fazer sabatina ao ouvir as palavras mágicas – acaba capotando em dicas de saúde, cuidados na hora de bem escolher os alimentos, e recomendações-de-vó. “Diz que tudo que tem glúten faz muito mal, a gente tem que passar longe”, me dizia esses tempos uma cidadã-padrão, enquanto se servia de generosas conchadas de macarrão. De trigo.
Não, diacho, eu não estava falando sobre segredos para o bem-estar, novidades para emagrecer ou o último grito das naturebices de shopping – ração humana, chia, gordura de coco, amaranto, linhaça dourada, quinua, sal rosa ou o próximo campeão de bilheteria. Eu estava falando sobre a dor do outro. A solidão, a corrente, o confinamento, a separação, os chutes eventuais, o isolamento, o mau cheiro, o medo do humano, a faca amolada.
“O ______ é vegetariano convicto mas não resistiu ao meu churrasco na semana passada”, comentou, tentando ser simpática e participar da conversa, outra pessoa que também estava à mesa nessa ocasião. Garantia de que realmente a carne estava irresistível.
E penso que talvez o descolamento de duas realidades – o animal que ‘nasce para morrer’, digamos, e a gastronomia – seja o Grand Canyon que precisamos fechar. Haja gotinhas de Super Bonder. Porque essa fenda que nós – ativistas, pensadores, profissionais militantes, simpatizantes – ora começamos a estreitar, é o que garante uma das muitas pernas dessa máquina trituradora chamada ‘desenvolvimento’. Nunca vi tanto orgulho, emoção sincera e boca cheia como naqueles que fazem o discurso desenvolvimentista – que devem ganhar muito dinheiro com isso. Porque o resto do povo, aplaudindo, entra como lombo em festa de chicote. E aplaude, e vota. E olha torto para aqueles que, ousados!, topam falar em algo diferente.
Em algo que não exija o moedor de carne, de almas e de tempo de vida como modelo. Um sistema em que o hamster não tenha que correr na rodinha. Metaforicamente falando, claro.
Porque uma sugestão de rota – veganismo, antidesenvolvimentismo, ateísmo financeiro, iconoclastia laboral – acaba desandando em palpites curtos / rasos sobre saúde, ou trabalhar menos, ou “eu trabalho muito porque eu gosto”, como ouvi nessa mesma ocasião supracitada. OK. Talvez as pessoas estejam tão orgulhosas de se perceberem marchando no passo milimetricamente certo, farda alinhada, depois do medo de não conseguir, que a ideia de ir para outro lado soa estranha, quase uma imprudência. Parar, então, é desperdiçar possibilidades, deixar de aproveitar o que a vida oferece.
O que me lembra uma anedotra real. A Vanguarda Abolicionista fazia uma ação no Dia das Mães, anos atrás, e um gaiato se aproximou para fazer as perguntas óbvias e observações inteligentes que você, leitor, bem imagina. “Então vocês não comem carne?! Estão deixando de fazer a melhor coisa da vida”, riu o subgênio, para quem o sexo deve estar lá pela quinta ou sexta colocação no ranking. Empatado com o amor e com, digamos, capas exclusivas para smartphone, que tal?
Vanguarda Abolicionista - Marcio de Almeida Bueno
![]() |
| Ilustrção: Giambatista Della Porta |
“Bom, nós estamos indo muito bem, eu
suponho / Com nossos carros reluzentes e roupas da moda / Eu visto preto
pelo velho doente e solitário / Eu visto preto em luto pelas vidas que
poderiam ter existido / Há coisas que nunca serão corretas / E coisas
que precisam de mudanças em qualquer lugar que se vá”
(Johnny Cash, em ‘Men in black’)
(Johnny Cash, em ‘Men in black’)
E aí as pessoas ditas instruídas, esclarecidas, antenadas no mundo porque usam muito o celular, experientes, ‘exemplo para a família’, pouco se importam com o trajeto que a comida fez até chegar a seus dentes. Muitos dão risada, do eco-churrasqueiro ao egoico que está na vida para aproveitar, e dane-se o remorso.
(A dor do outro. Alguém que nasceu já para preencher a demanda de ingredientes culinários. Morreu para ser picotado e virar nome incompreensível no rótulo dos pacotinhos de alimentos industrializados).
Ao contrário, muita vezes uma conversa informal com leigos sobre o veganismo – porque o povo adora fazer sabatina ao ouvir as palavras mágicas – acaba capotando em dicas de saúde, cuidados na hora de bem escolher os alimentos, e recomendações-de-vó. “Diz que tudo que tem glúten faz muito mal, a gente tem que passar longe”, me dizia esses tempos uma cidadã-padrão, enquanto se servia de generosas conchadas de macarrão. De trigo.
Não, diacho, eu não estava falando sobre segredos para o bem-estar, novidades para emagrecer ou o último grito das naturebices de shopping – ração humana, chia, gordura de coco, amaranto, linhaça dourada, quinua, sal rosa ou o próximo campeão de bilheteria. Eu estava falando sobre a dor do outro. A solidão, a corrente, o confinamento, a separação, os chutes eventuais, o isolamento, o mau cheiro, o medo do humano, a faca amolada.
“O ______ é vegetariano convicto mas não resistiu ao meu churrasco na semana passada”, comentou, tentando ser simpática e participar da conversa, outra pessoa que também estava à mesa nessa ocasião. Garantia de que realmente a carne estava irresistível.
E penso que talvez o descolamento de duas realidades – o animal que ‘nasce para morrer’, digamos, e a gastronomia – seja o Grand Canyon que precisamos fechar. Haja gotinhas de Super Bonder. Porque essa fenda que nós – ativistas, pensadores, profissionais militantes, simpatizantes – ora começamos a estreitar, é o que garante uma das muitas pernas dessa máquina trituradora chamada ‘desenvolvimento’. Nunca vi tanto orgulho, emoção sincera e boca cheia como naqueles que fazem o discurso desenvolvimentista – que devem ganhar muito dinheiro com isso. Porque o resto do povo, aplaudindo, entra como lombo em festa de chicote. E aplaude, e vota. E olha torto para aqueles que, ousados!, topam falar em algo diferente.
Em algo que não exija o moedor de carne, de almas e de tempo de vida como modelo. Um sistema em que o hamster não tenha que correr na rodinha. Metaforicamente falando, claro.
Porque uma sugestão de rota – veganismo, antidesenvolvimentismo, ateísmo financeiro, iconoclastia laboral – acaba desandando em palpites curtos / rasos sobre saúde, ou trabalhar menos, ou “eu trabalho muito porque eu gosto”, como ouvi nessa mesma ocasião supracitada. OK. Talvez as pessoas estejam tão orgulhosas de se perceberem marchando no passo milimetricamente certo, farda alinhada, depois do medo de não conseguir, que a ideia de ir para outro lado soa estranha, quase uma imprudência. Parar, então, é desperdiçar possibilidades, deixar de aproveitar o que a vida oferece.
O que me lembra uma anedotra real. A Vanguarda Abolicionista fazia uma ação no Dia das Mães, anos atrás, e um gaiato se aproximou para fazer as perguntas óbvias e observações inteligentes que você, leitor, bem imagina. “Então vocês não comem carne?! Estão deixando de fazer a melhor coisa da vida”, riu o subgênio, para quem o sexo deve estar lá pela quinta ou sexta colocação no ranking. Empatado com o amor e com, digamos, capas exclusivas para smartphone, que tal?
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
Vanguarda Abolicionista é selecionada para projeto do Vista-se
Vanguarda Abolicionista é
selecionada para projeto do Vista-se
O portal Vista-se lançou o projeto Doe, que convida os internautas a colaboraram com R$ 2,99 por mês para grupos de defesa animal no país. A Vanguarda Abolicionista foi a mais recente selecionada, e está no link http://vista-se.com.br/doe/#van. Um vídeo de apresentação do coletivo está em http://youtu.be/yAM3A2QV7QE, e toda ajuda é bem-vinda.
O portal Vista-se lançou o projeto Doe, que convida os internautas a colaboraram com R$ 2,99 por mês para grupos de defesa animal no país. A Vanguarda Abolicionista foi a mais recente selecionada, e está no link http://vista-se.com.br/doe/#van. Um vídeo de apresentação do coletivo está em http://youtu.be/yAM3A2QV7QE, e toda ajuda é bem-vinda.
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segunda-feira, 29 de setembro de 2014
Antena - coluna de Marcio de Almeida Bueno
![]() |
| arte de Albert Guasch enviada pela amiga Tati Cabrera |
• Segundo dados, a maior parte das milionárias doações para campanhas eleitorais veio de empreiteiras e da Friboi. Teve construtora que distribuiu R$ 50 milhões. Quanto interesse pela democracia e desapego ao dinheiro, não é?
![]() |
| arte de Albert Guasch enviada pela amiga Tati Cabrera |
• De 29 de setembro a 5 de outubro, a Associação Médica do Rio Grande do Sul vai sediar a VI Semana Ufológica de Porto Alegre. Palestras, painéis, debates, vigília, vídeos e depoimentos, inclusive de membros da Aeronáutica, estão na programação. O site é semanaufologica.com.br.
Marcio de Almeida Bueno para o Jornal Panorama Regional
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quarta-feira, 17 de setembro de 2014
Sarau Garagem dos Livros: Marcio de Almeida Bueno recita 'Na Madrugada'
Meu marido recitando recita seu mais recente poema, 'Na Madrugada', durante o Sarau Garagem dos Livros de 12/09/14, em Porto Alegre. http://diretodeportoalegre.blogspot.com.br/
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Ellen Augusta Valer de Freitas,
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quinta-feira, 21 de agosto de 2014
Direto de Porto Alegre: Da série 'Vida frugal'
![]() |
| O simpático casal de Taiwan, Hirário e Cintia e seus ajudantes, filhos e netos... somos clientes fixos... tem de tudo ali, muitas opções veganas. Eu compro chá e sushi vegano. |
![]() |
| Bancas de frutas, já conheço algumas... as alfaces compro sempre na mesma banca, duram muito e são ótimas... |
![]() |
| Não perco meu caldo de cana por nada, já compro em litro e levo na sacola para não vazar... |
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animais,
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Desobediência Vegana,
direto de porto alegre,
Ellen Augusta,
Ellen Augusta Valer de Freitas,
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sexta-feira, 23 de maio de 2014
Exclusivo: Copa em Porto Alegre terá Bienal extra
texto e foto de Marcio de Almeida Bueno
A Copa do Mundo, ao menos na Capital gaúcha, vai contar com um atrativo a mais para os milhares de turistas esperados. A Bienal do Mercosul deverá fazer uma mostra extra para embelezar a cidade e distrair os torcedores entre uma partida e outra. Uma das primeiras instalações artísticas já está disponível para visitação pública, localizada na avenida Carlos Gomes, próximo à Anita Garibaldi. Outras peças já estão espalhadas por ruas e calçadas, e nota-se uma tendência do concretismo na maioria delas. Os organizadores garantem que a exposição segue até depois da competição da Fifa.
A Copa do Mundo, ao menos na Capital gaúcha, vai contar com um atrativo a mais para os milhares de turistas esperados. A Bienal do Mercosul deverá fazer uma mostra extra para embelezar a cidade e distrair os torcedores entre uma partida e outra. Uma das primeiras instalações artísticas já está disponível para visitação pública, localizada na avenida Carlos Gomes, próximo à Anita Garibaldi. Outras peças já estão espalhadas por ruas e calçadas, e nota-se uma tendência do concretismo na maioria delas. Os organizadores garantem que a exposição segue até depois da competição da Fifa.
sugestões
bienal do mercosul,
Brasil,
capital gaúcha,
copa do mundo,
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domingo, 18 de maio de 2014
Descida para a Floresta e poema de Marcio de Almeida Bueno
Masturbação
(Marcio de Almeida Bueno, 20 de julho de 2003)
saí arrastado pela multidão
mas o sol cegava a grande maioria
escondendo a farsa e a solidão
espetando facas na palma da minha mão
sangue que escorria
saí cantando pelo salão
mas o carnaval fingia o nascer do dia
sentindo a cabeça voando em balão
serrando o tronco da árvore da ilusão
música que seguia
saí pelado em plena procissão
mas as beatas estavam firme na ave-maria
querendo paz paraíso e salvação
água benta jorrando em masturbação
padre que benzia.
(Marcio de Almeida Bueno, 20 de julho de 2003)
saí arrastado pela multidão
mas o sol cegava a grande maioria
escondendo a farsa e a solidão
espetando facas na palma da minha mão
sangue que escorria
saí cantando pelo salão
mas o carnaval fingia o nascer do dia
sentindo a cabeça voando em balão
serrando o tronco da árvore da ilusão
música que seguia
saí pelado em plena procissão
mas as beatas estavam firme na ave-maria
querendo paz paraíso e salvação
água benta jorrando em masturbação
padre que benzia.
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quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Videogames Sem Controle
Banda de rock gaúcho torto criada em 2010 em Porto Alegre, formada por Marcio de Almeida Bueno (voz / guitarra / teclados), Oswaldo Lee (baixo / teclados) e Charles M. (bateria / percussão).
Uma delas, Viração Noturna, é feita com uma poesia da amiga poeta Maria Helena Sleutjes.
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sábado, 21 de maio de 2011
Lançamento de livro da ANDA - Agência de notícias de Direitos Animais com meu artigo!
Neste livro, há um ensaio meu sob o título: O alcance da ética e do especismo: a denúncia da filosofia e da literatura. E um ensaio do meu marido, Marcio de Almeida Bueno, sob o título: Do especismo, da esquizofrenia moral e da reação ética "pé na porta".
A Agência de Notícias dos Direitos Animais (ANDA) lança o livro Visão Abolicionista: Ética e Direitos Animais, na Matilha Cultural, dia 24 de maio, às 20h. Nesta data, haverá debate com presença dos autores Laerte Levai, promotor público, Tamara Levai, bióloga, Dennis Zagha Bluwol, geógrafo, e da organizadora Silvana Andrade, jornalista.
A Agência de Notícias dos Direitos Animais (ANDA) lança o livro Visão Abolicionista: Ética e Direitos Animais, na Matilha Cultural, dia 24 de maio, às 20h. Nesta data, haverá debate com presença dos autores Laerte Levai, promotor público, Tamara Levai, bióloga, Dennis Zagha Bluwol, geógrafo, e da organizadora Silvana Andrade, jornalista.
A edição desse volume marca um passo importante na trajetória da ANDA, “a luta pelo respeito à vida e à liberdade dos animais, por muito tempo vista como produto do sentimentalismo romântico e inconsequente, começa a ganhar destaque em nosso país, e passa, finalmente, a ser um movimento legítimo com propósito claro e apoiado sobre forte base tanto científica quanto filosófica”, explica Silvana.
O livro demonstra que os defensores dos animais no Brasil aprenderam, tanto quanto seus opositores, a importância da reflexão, do conhecimento e da argumentação racional. “Os direitos animais são a continuação lógica dos direitos humanos. Eles vieram para somar e aprofundar, não para reduzir ou relativizar”, adianta Silvana Andrade.
Os direitos fundamentais à vida, liberdade e integridade que o ser humano, na sua arrogância, um dia atribuiu à sua excepcionalidade no universo, agora são percebidos nitidamente como inalienáveis das outras formas de vida animal. “Isso porque o que define a posse desses direitos fundamentais não é sua indubitável capacidade de construir e imaginar mundos inteiros e expressar-se pelas mais sublimes formas de arte, mas sim o respeito pela vida e a liberdade é a sensibilidade e a consciência – a senciência, que faz com que todo animal defenda sempre sua vida e liberdade”, arremata Silvana Andrade.
Serviço
Evento: Lançamento do livro Visão Abolicionista: Ética e Direitos Animais
Data: 24 de maio de 2011
Horário: 20h
Local: Matilha Cultural – Rua Rego Freitas, 542 Consolação
Tel.: (11) 3256-2636
Aquecimento Central: Dj Zinco + Dj Soares + Marginals
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