Mostrando postagens com marcador literatura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador literatura. Mostrar todas as postagens

sábado, 9 de novembro de 2019

Minhas poesias saíram na Antologia Juiz de Fora ao luar

 A minha amiga e escritora Maria Helena Sleutjes fez um convite para eu escolher algumas poesias que seriam parte da antologia feita pela sua editora, que já está no volume 3.
 Escolhi as que eu gosto e também um poema que escrevi para ela. O que considero um dos mais bonitos, pois caprichei muito nele. Foi uma forma de homenagem à minha mãe e à minha amiga.
Além dos poemas românticos, tristes e que fazem parte de mim, estão aí registrados em livro.
 A poesia tem essa particularidade para mim. Descreve um mundo tão particular, só meu, mas que deseja ser lido. Algo feito para durar, para estar registrado em algum lugar, as marcas de sentimentos, de sonhos, de lembranças, espero que fiquem para sempre, pois são muito importantes para mim.



quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Nunca deixe ninguém definir o que você é.

Já é tão difícil para qualquer pessoa levar sua própria vida, carregar suas dores, viver consigo mesmo dia após dia, numa luta contra si mesmo para mudar comportamentos, dores, hábitos complicados e esquecer certas coisas. Imagina então quando vem um desconhecido te rotular ou dizer o que você deve fazer.

Nunca deixe ninguém, mas ninguém mesmo, destruir sua integridade, duvidar de sua capacidade ou te humilhar perante qualquer situação.
Não aceite decretos ou julgamentos de pessoas que entraram ontem em sua vida e já se julgam capazes de te avaliarem conforme suas lentes.
Temos vivido tempos em que as pessoas não se sentem nem um pouco culpadas em lotear os outros com suas convicções, preconceitos e julgamentos. Agem movidos por seus próprios complexos egoístas e propósitos e poucos aprenderam a ouvir e serem amigos de verdade.
Esse texto eu escrevo para meus amigos, sobretudo para minhas amigas, para que jamais se deixem levar por comentários depreciativos.

Às vezes, quem mais nos fere são pessoas do convívio mais íntimo, pois é para elas que muitas vezes nos abrimos. Há pessoas que pegam cada detalhe, apenas para no momento oportuno, usar contra.
Foi pelo fato de que dentro de cada pessoa existem flores, que nascem e morrem todos os dias. Essa metáfora é clichê eu sei, mas é perfeita para explicar o que é a vida interna de cada um. São plantas sensíveis, de vida curta, são flores frágeis, que cultivamos com muito custo e cuidado, e, se um dia as mostramos aos outros é sempre na esperança de que pelo menos a outra pessoa veja tudo com um olhar de respeito, e se decidir ficar, nos ajude a observar, a reter cada cuidado, mas é muito triste quando o mundo interior é visto com desprezo por alguém que apenas quer te ferir.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

O paraíso do Lula Molusco cheio de pessoas chatas

Já presenciei muitas vezes as pessoas de um modo geral se identificarem com o personagem Lula Molusco do desenho do qual sou fã, Bob Esponja. Ele é aquele adulto mediano que adora ficar em casa, no silêncio do seu narcisismo, metido em suas coisas, odiando a tudo e a todos que porventura atacarem seu mundinho de artes complicadas e livros de futilidades.
Não sei porque as pessoas se identificam com o que eu considero mais detestável num adulto normal. Fora o desejo inocente e até saudável de ficar muito tempo em casa que a maior parte das pessoas têm, esse personagem pratica atitudes odiosas em boa parte dos episódios, na interação com os outros vizinhos da Fenda do Biquini.
Ele é debochado, maldoso em quase todas as ocasiões, fofoqueiro e intrigueiro. É uma 'pessoa' que não se importa com os outros, não tem empatia na maior parte das vezes e quando demonstra algum sentimento, isso só acontece depois de ter vivido alguma situação em que teve que se ferrar para aprender alguma coisa.

Por que as pessoas romantizam esse personagem e se identificam tanto com ele?
Na verdade ele me lembra as pessoas mais insuportáveis que conheci em minha vida: gente que não suporta tua felicidade, pessoas fofoqueiras e imaturas emocionalmente, gente incapaz de ser amigo de verdade pois nunca se interessou de fato pelos outros.
Por que não se identificar com os seus vizinhos, bobos, infantis, porém verdadeiros em seus atos, alegres a maior parte do tempo, com algum entusiasmo pela vida? Ou pela Sandy que é estranha por ser um mamífero na água porém consegue adaptar-se a esse mundo com muita inteligencia e uma capacidade inventora.
Acredito que isto se deve pelo fato de convivemos com pessoas comuns, algumas vezes chatas e insistentes, com todas as características do nosso personagem tocador de clarinete. E muito raramente encontramos alguém que ainda mantenha dentro de si o entusiasmo pela vida, a vontade de fazer amigos e de trabalhar por simples amor ao que se faz.

É realmente legal ser o Lula Molusco? Ser como essa pessoa que precisa estar sempre recluso com medo de perder sua personalidade, alguém que não sabe lidar com o sucesso alheio sem ser tomado pela inveja? Sério que alguém se inspira em um personagem como este? É claro que sim. Este é um desenho basicamente adulto e esse personagem reflete muitos de nossos defeitos e coisas que raramente admitimos sentir.

No episódio "Cidade de Lula Molusco" ele vai para uma cidade onde tudo é como ele sempre sonhou. Uma cidade de seus iguais, onde ele encontra outros de sua espécie com suas manias e começa a viver nessa cidade, fazendo todos os dias as mesmas coisas.
Só que em determinado momento, ele percebe que sente falta daquele caos onde ele vivia, se percebe pensando em como poderia ser legal fazer algo diferente. E então ele será o primeiro habitante da cidade a fazer algo contra a cultura. Ele se torna o Bob Esponja do lugar! Uma espécie de punk destruidor dos costumes, barulhento, pois aquela cidade pacata o ameaça.
Esse é o episódio que mais gosto pois nos mostra o quanto viver fazendo tudo igual nos torna doentes de egoísmo, não nos deixando ver as outras pessoas e admirando elas como elas realmente são.
Ele sente até mesmo saudade do seu vizinho ruidoso, alegre e criança. E isso é seu o toque de 'humanidade', é o que o torna possível de ser alguém melhor.

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Espelho de mulher

Há vezes que nos isolamos em nós mesmas, mas existe algo que eu chamo de espelho de mulher. É quando você encontra uma mulher especial, no qual vale a pena se espelhar.
É quando saio desse meu horizonte tão curto, tão finito, e me permito ouvir, perguntar, as respostas parecem que acertam meu coração.

Hoje aconteceu. Não foi nada genial, não foi nada transcendente. Foi comum, foi cotidiano, mas o fato de conversarmos, me deu tanta esperança, me tirou deste mudinho de preocupações bestas e inúteis. Sim, era assim que me sentia. 

Ela me disse coisas muito simples, o tempo não existe, e vale a pena continuar. Não importam os outros, importa o sonho. Assim, não nestas palavras, seguiu o rumo dessa conversa. 

Mudei as palavras, pois escrevo. Escrever também é criar, e não consigo ser "literal" em quase nada. Eu sou literatura em toda a parte. Um pouco de fantasia literária, um pouco de drama, afinal, a vida é minha. As suas palavras, as exatas, estão aqui até agora. As lembro muito bem. 

Citamos exemplos dos sonhos, dos nossos sonhos, citamos o tempo e como ele age. E tudo isso porque arrisquei fazer uma pergunta, uma pergunta que iria expor toda a minha fragilidade. Mas fiz. 




segunda-feira, 21 de maio de 2018

Beautiful land

Acordar cedo, que tortura fascinante, que algo impossível de ser feito em qualquer momento da vida, nunca estou preparado, nem sei se preciso tanto desse feito.
Hoje por fim, acordei de um sonho. Acordei e aquela névoa se manteve sobre o quarto e as janelas. E me perguntei risonho, por que diabos sonho de maneira tão real. E por que dessa vez acordo tão cedo, com a sensação de ainda estar lá, no lugar em que nunca mais irei voltar.
Móveis, objetos, aconchego, a luz obtusa de uma janela distante. O quarto, também, o quarto triste, de um lugar que não mais existe, num espaço que apenas cabe nos metros quadrados de um sonho. Uma cena que apenas eu posso entender.
Um espírito desgraçado, que perdeu qualquer chance de voltar à sua terra natal.

Bob

Lembra do beijo no nariz? Era um focinho com marca de batom e era tão doce essa imagem que dava vontade de morder.
Sempre que ele bebia água ficava com uma gota na ponta do nariz. Era o seu jeito, tão felino, altivo e amigo.
Seu nariz era uma espécie de sinalização, tocava em mim para dizer: estou aqui e te gosto.
Nunca precisei de um filho para ter instinto materno. Nesse ser eu via uma companhia nessa vida. E que saudade de você Bob.

 

domingo, 20 de maio de 2018

A angústia da saudade

É uma morte mínima, uma desolação, é como se o outro estivesse morto, e a minha vontade também. Correr contra esse sentimento, lutar por preservar o pouco que sobrou. É o que a razão ordena, mas por onde começo essa limpeza?


Sonambular

Eu fujo da dor e do amor, todas as horas do dia
Mas o amor e a dor são irmãos
um menino e uma menina,
 estão de mãos dadas, 
e me perseguem lá, 
nos sonhos, onde não posso me defender.

Eu gostava de homens muito altos.
Quando encontrava um homem muito alto caminhado pela rua, 
sentia vontade de andar ao seu lado, por alguns instantes 
(como uma criança que pensa: "hoje eu andei ao lado de um grande homem")

Não entendo porquê temos essas particularidades, que mudam conforme o tempo e a época, a vivência.
Deve ser pelo fato de que meu modelo romântico sempre foi
O amor platônico do Professor Girafales (com as rosas e o charuto, claro) e a Dona Florinda. 

É fácil caminhar ao lado de um estranho.
E manter o segredo, tão preso e guardado.
É a sina de ser transeunte e viver caminhando em um mundo de estranhos.




quinta-feira, 10 de maio de 2018

O livro roubado

A Caverna é o livro que iniciou minha paixão pela literatura de José Saramago, e ela tem uma longa história. Vou contar porque é bonita.

A Caverna, como começou
Logo que meu pai morreu eu sonhei com ele. Nesse sonho meu pai me disse para ler um livro do José Saramago e então quando acordei, procurei descobrir quem era esse escritor.
Ao falar com uma amiga, ela me emprestou A caverna, e eu comecei a ler. Porém na época, como era de se esperar, não consegui me concentrar em seu modo de leitura. Saramago tem um jeito peculiar de escrever, misturados a gírias, expressões portuguesas, modos e estilos. É um tipo de texto que é necessário atenção para que seja compreendido em plenitude.
Pois bem, desisti. Mas, logo pensei que não deveria desistir do escritor, pois sonhei, e levo meus sonhos à sério.

Comecei a leitura de outros livros, o primeiro é o Memorial do Convento e daí se seguiu História do Cerco de Lisboa, Todos os Nomes, Ensaio Sobre a Cegueira, entre outros... Montei minha biblioteca com alguns de seus livros, o melhor, até hoje? O Evangelho Segundo Jesus Cristo.
No ano passado fui visitar uma linda praia e fiquei hospedada em uma casa que ficava na beira do mar.
Nesta casa havia uma biblioteca abandonada, os livros jogados de qualquer maneira, a leitora não residia na casa, e os atuais residentes descuidavam desse espaço.
Tenho essa mania de querer ver as coisas em ordem. Tenho esse espírito virginiano de achar que, em melhorando o espaço, as coisas todas se ordenam. Pois fui organizar os livros, desempoeirá-los, colocar todos em uma ordem, a minha.
Quando percebi, havia muitos livros do Saramago, e entre eles, A Caverna.
Era o livro simbólico, por onde tudo começou. Decidi começar sua leitura.
Nos braços do meu então companheiro, bastava eu olhar pela janela que ali estaria o mar. E então, muitas lágrimas caíram pois o livro era outro! Não era o mesmo livro de difícil leitura de muitos anos atrás. Era sim, uma literatura que queria me dizer algo. Assim eu supunha, pois havia sonhado com o escritor, e procurei saber o que este livro tem a me dizer.
Como tenho essa tendência a deixar as coisas pela metade, larguei o livro de mão logo e voltei para a vida na capital .
Mas o livro veio junto comigo e ficou ali à espera de sua leitura. Prometi para mim que o devolveria após sua leitura, mas sinceramente, não sei como irei fazer isso. Um dos motivos é que ainda não o terminei.
Por incrível que pareça, o livro ainda está sendo lido. E, na época de sua partida da estante, jamais imaginaria que um dia estaria cursando Letras na federal, que estaria cursando a faculdade para a qual talvez (talvez) eu tenha sido destinada e que hoje é como um alívio para meu mundo.
Quando escolhi fazer a cadeira Estudos de José Saramago, percebi que uma das leituras obrigatórias é este livro. E estou em plena leitura, faltando apenas algumas páginas para seu final.
Agora, minha visão sobre seu significado é completamente outro. E a curtição é muito maior.

A História

O livro conta a história de um pai e uma filha. Ele é um oleiro e tem uma filha, um genro e logo encontra um cão. A filha neste ponto do livro está grávida. O conflito acontece em torno do Centro Comercial, que é um espaço que praticamente o obriga a questionar seu modo de vida, pois sua profissão agora se torna obsoleta. As pessoas trocaram os utensílios de barro pelos objetos plásticos e descartáveis.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Por que não acordei antes?

Eu tentei tanto, mas, quanto mais me dedicava, mais era insuficiente. Eu aprendi com a vida, mas parece que sempre é algo novo.
Não consigo mais escrever, pois as palavras me parecem poucas, não encontro as certas.
Por que eu me dediquei tanto e hoje estou aqui sozinha?
Sofrendo as mesmas coisas, passando pelas mesmas dores. Por que nunca sou suficiente, não importa o que eu faça?

Se eu implorei para que ficasse, foi por que eu sabia que as coisas não são eternas e eu queria fazer com que isso durasse, pois eu amava e me dedicava àquela relação.
E numa madrugada eu vi uma foto, de uma moça num quarto cheio de livros abertos. Essa foto me levou a um tempo muito longe daqui, em que eu ficava acordada até tarde, lendo trechos de livros, como quando estava com um amigo, que me tirava daquela ilha solitária em que eu vivia. Como na época em que eu não sabia o que era ter um abraço, ter um irmão, ter uma família de verdade. Voltei tão longe no tempo, que parece que aquilo tudo era apenas um sinal, a fotografia, a memória distante, a morte das coisas por causa do tempo. Só eu preservo, só eu lembro, só.


terça-feira, 10 de abril de 2018

Leitura para a cadeira Estudos de José Saramago - O ano da morte de Ricardo Reis

Estou cursando a cadeira Estudos de José Saramago e uma das leituras que estou fazendo é o livro O ano da morte de Ricardo Reis, ainda estou nas primeiras cem páginas.
A história inicia com Ricardo Reis chegando a Portugal de navio, se instalando num hotel, voltando à cidade depois de 16 anos vivendo no Brasil.
A vida no hotel é contada pelo ponto de vista desse homem solitário que passeia pelas ruas de Lisboa, sempre num tom sombrio e soturno, a chuva que não dá trégua, as multidões, e tudo isso visto de um ponto de vista da solidão de um hóspede do hotel.
A história vai indo e no começo não é deixado claro que esse Ricardo Reis é o mesmo pseudônimo de Fernando Pessoa, mas o autor vai nos preparando para as múltiplas personalidades do personagem, que assim é como o poeta. E neste mesmo ano em que Ricardo Rei retorna à Portugal, ele recebe a notícia de que o poeta Fernando Pessoa morreu e vai ao cemitério ver o túmulo do poeta.
Essa parte, a descrição dos corredores do cemitério e a forma do personagem encontrar o poeta foi sublime. As reflexões sobre a morte e sobre o quanto é breve a vida e as palavras usadas no livro são simplesmente perfeitas, a cada instante renovando ainda mais a minha admiração pelo escritor.
É um livro sobre a perspectiva poética, sobre a vida dos escritores e pessoas sensíveis, e sobretudo, é um livro sobre a solidão de cada um.
O contexto histórico se passa aos idos de 1934, na ditadura de Salazar, o personagem fugindo do Brasil, onde acontecia a Intentona comunista em 1935.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Amanhecendo com o nascer do sol

Todos os dias é um tormento o não dormir. Me recuso a deixar o sono vencer.
A vida, é tão rara para mim, cada minuto importa. Mesmo um tempo gasto em nada, mesmo aquele no silêncio.

Desde criança eu tenho medo de dormir. O sono leva embora a possibilidade da lucidez, e de meu apego à vida, a esta vida mais concreta.

Eu mergulho na sombra dos sonhos, encontro fantasmas, criaturas da minha psique, lendas e coisas que li a muito tempo. Esse paraíso raramente é confortante. No mais das vezes são coisas que preciso viver, e que minha vida de vigília não permite.

Já tentei escrever poesia com as histórias noturnas, mas elas mostram coisas demais. Não é possível escrever sobre algo tão nude, não é possível vencer essa barreira das coisas implícitas e claras dentro da mente.

A variação dos sentimentos, as coisas antigas tão profundas, e essa vontade de morrer, só para ter certeza de que, o que se vê nos sonhos, realmente existe em algum lugar.

Meu medo de dormir, é como um medo de dar um passo em frente ao abismo da morte. Aquilo é vida, porém não o sei. Estou a viver coisas tão insólitas, tão implausíveis, tão profundas na minha mente. Uma pena porém, que os protagonistas nada saibam, sequer existam neste mundo terreno, apenas estão ali, segundo meus desejos, assim acho.

É uma pena que os protagonistas jamais saibam que fazem parte das minhas premonições, dos meus medos e das coisas que cercam a aura do tempo noturno.
Contar um sonho é uma atividade frustrante, pois nunca podemos descrever as cenas que vimos, nunca haverá detalhes perfeitos, só os fragmentos. A mente nos obriga a esconder e creio que ela tenha lá suas razões.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

A sublimação do amor no romance Sra Dalloway

Sempre adorei aquele filme As Horas, que conta um pouco da história da escritora Virgínia Woolf e de suas personagens, porém nunca havia lido nenhum livro dessa escritora.
Agora que tenho acesso a uma das bibliotecas mais incríveis que já pude conhecer, as bibliotecas da UFRGS, pensei por que não começar a ler algum livro dessa mulher?
Comecei com o livro que inspira o filme. E me surpreendi muito pois as histórias não tem muita ligação, livro e filme neste caso, só se ligam através das horas. O resto corre por si mesmo.

Em Sra Dalloway há uma sublimação do amor. Através do tempo, através dos pensamentos, o amor vai se definindo e se transformando. O que só confirmou minhas suspeitas sobre o ato de amar.
Por experiência própria, sei que o amor jamais morre. Tudo passa, qualquer sentimento, seja ele raiva, atração, admiração, mesmo os mais fortes arroubos, com o tempo passam, terminam, mas o amor nunca passa.

Foi o que se passou nos pensamentos de dois amantes que, embora tenham partido, vivido cada um suas vidas e mesmo indo ao outro ponto do mundo, o amor esteve o tempo todo ali, na força da memória, na intensidade das lembranças e no poder da constatação de que nada é como o amor sentido. Nenhum sentimento se compara ao amor.

Fiz o juramento de que se um dia eu sentisse amor mais uma vez, jamais teria um dia sequer de mau humor em minha vida.
O amor quando é sublimado, transforma-se a cada dia, ao mesmo tempo que se mantém intacto, no espaço profundo da alma. O sentimento está vivo, no alto da torre, à espera de nada, à sombra do mundo, este mundo seco e sem sentido.

No caso dos personagens, eles pensam muito, e sentem através das memórias. É muito alegre a forma como o livro termina, e o seu fim para mim significa o ponto alto do amor. É essa alegria que te move a vida, que tem uma razão de ser, mesmo que não saibamos exatamente qual é.
Como o livro foi muito marcante, demorei para terminar a leitura. Eu tenho esse defeito. Quando algo é muito perfeito eu fico longe, pois tenho medo de ver o final. Mas o final deste livro foi melhor do que eu poderia esperar.
No filme me identifiquei completamente com a escritora. E o que eu continuo pensando é que neste caso, pelo menos, o filme é melhor do que o livro. A minha próxima leitura dessa escritora será Rumo ao Farol.



segunda-feira, 27 de novembro de 2017

a torre frágil

em frente ao espelho, no corredor do meu apartamento, está meu corpo a conferir se tudo está bem.
é essa a imagem que eu levo para a rua, mas há ainda mais, o que não passa pela minha visão.

à noite madrugada, acordo com a janela aberta, a lua no mais perfeito visual, coloco meus pés no chão.
estou sonhando, vou até meu espelho, e a imagem abre-se.

é tão sério, em tons escuros, a pele branca exposta, a alma muda. nada me diz, e eu nada quero saber.

está ali todo o tempo, eu juro que não sinto, juro também que não o percebo, ao longo dos dias e dias...
Matei muitas coisas ao meu redor na esperança de tirar essa coisa, entalhada na pedra fria que é meu coração.

passa por mim Desconhecido, eu atravesso a rua para evitar cruzar com aquele olhar
que sequer me verá.
nunca verá, pois também não sei mais ver.

fecho os olhos, converso outros assuntos, o sangue por dentro corre, corre a timidez, cai um véu sobre o tempo.

esse tempo que pesa sobre o ar, e pára precisamente agora. ao som de passos, firme decisão.
a manhã fria, não sou eu - são as plantas, as flores, o abismo.
o som dos passos, o som....o som......que sim, tem nome.
corro para o espelho, hoje algo que apenas quebra, a vida que está aqui.

inseparável da dor, está a autossuficiência, a busca por isolar-me, a noite como o mais alto milagre, de estar só, com o reflexo.


terça-feira, 1 de agosto de 2017

Las manos de mi madre


Las manos de mi madre
parecen pajaros en el aire
historias de cocina
entre sus alas heridas
de hambre.

Las manos de mi madre
saben que ocurre
por las mañanas
cuando amasa la vida
hornos de barro
pan de esperanza.



Las manos de mi madre
llegan al patio desde temprano
todo se vuelve fiesta
cuando ellas vuelan
junto a otros pajaros
junto a los pajaros
que aman la vida
y la construyen con los trabajos
arde la leña, harina y barro
lo cotidiano
se vuelve magico.


Las manos de mi madre
me representan un cielo abierto
y un recuerdo añorado
trapos calientes en los inviernos

Isso que ela tá pendurando no varal é massa para fazer macarrão em casa...



Ellas se brindan calidas
nobles, sinceras, limpias de todo
¿como seran las manos
del que las mueve
gracias al odio?


Mercedes Sosa



domingo, 16 de julho de 2017

A coragem

Agora é que está passando... Levantei da cama e fui direto ao banho... a água quente, muito quente, foi levando embora a dor.
Lembrei das palavras da amiga... "A primeira que deve te amar é tu mesma", enquanto lavava meus cabelos, e tentava saber como estava meu corpo, sentindo-me morta, apenas lembrando da vida, por causa da dor.
Dor é um sinal de vida, isso eu sei.

Há alguns meses venho buscando saber coisas sobre mim. O que eu sinto realmente, o que é influência externa, ou interna, mas que não é tão real assim.
Há coisas irreais em mim, preciso descobrí-las para abandoná-las, urgentemente, sob pena de continuar não sendo autêntica, enganando a mim mesma e até mesmo a outros...
Ficar aqui me possibilita isso. Deixar-me um pouco, esquecer os pensamentos, fixar-me no presente. Olhar pela janela a rua, a chuva e o vento fulminante, minhas plantas. Vou conferir se não caíram. Não podem cair, mesmo com o vento forte, me recuso a tirar-lhes da potência da tormenta....

Estudar, ouvir as gravações, a voz da professora recitando poemas, eu busco-os no livro do poeta que mais adoro. Como é perfeito seu modo de escrever. Ao ler seus versos não sinto-me tão só nos sentimentos. Identifico-me com tempos que não existem mais, com coisas que não estão mais ao meu alcance, pois agora, apenas restou este coração que apenas observa, e que pouco consegue sentir.

Uma criança disse no filme de 1961: "Como é triste quando alguém não tem tempo para você".
Vivemos ao longo da vida buscando confirmar se quem amamos nos pode doar seu tempo. Ao amor eu doei praticamente minha vida, e não me arrependo nenhum dia sequer.

Agora, como sempre, ainda não desejo mais saber, me fere o não, do mesmo modo que me fere o sim. Vou me recolher a esta não-vida que escolhi.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Onde mora minha alma

Todas as noites tenho sonhado com minha mãe. Estou na casa dela, e peço que ela fique uns dias comigo. Ela está tão viva e me diz que sim, irá ficar. E decerto ficará. Mas quando acordo, um desespero me atinge, ao lembrar que vivi em outra realidade, e nesta, ela está morta.
No portão da casa às vezes aparece meu amado de tantas eras. O rosto como de um cadáver, o aspecto de um morto, as mãos brancas e um silêncio que eu entendo. O coração batendo forte. Meus cabelos estão compridos, exatamente como estão agora, porém, nesta realidade, não há nada naquele portão, e o coração que pulsa é somente meu.

Esta casa que aparece em meus sonhos apenas me atormenta, é um lugar onde minha alma às vezes se aprisiona, de onde não consigo sair devido à saudade, à dor, à lembrança. Quero muito vê-la, quero desesperadamente sentí-la perto de mim, sei que isto não me é permitido, mas eu imploro à morte por favor, deixe-me ver minha mãe.
Mas eu tenho meu lar e meu templo. E hoje vou contar como ele é.
Moro em uma casa com janelas muito grandes. Minha vista é para onde nasce a lua. Bem em frente está um cemitério e suas árvores, todas aparentemente imóveis e silentes. Vejo essa paisagem todos os dias, foi por isso que escolhi morar aqui.
No outro oposto da casa é onde o Sol termina. A janela da minha sala recebe todos os dias as cores vermelhas, rosas e roxas do por do sol. E nas madrugadas é por ali que acompanho a trajetória da lua...
Aqui tem uma energia bonita, a minha paz e a paz da casa. As duas juntas formam um lugar onde eu adoro ficar.

A calma da casa é complementar ao ruído da rua. A combinação destas duas estão em perfeita ordem em minha vida. Eu adoro esta rua, eu idolatro minha casa. É uma rua simples, é uma casa antiga. As duas tem aspectos de mim mesma, por isso as amo.
A cozinha é unida à àrea de serviço. Arranquei a porta que as separava. Quero espaço! Tem ali outra janela, para o mesmo sol que eu sinto no entardecer.
O banheiro é ao lado do quarto, é grande e claro. E está cheio de livros, minha amiga me diz: esta casa está ficando a tua cara.
Há livros também na cozinha, na sala e principalmente no quarto, onde está provisoriamente minha biblioteca maior.

Na minha sala existe um painel na parede. É a ilustração de um parque com muitas árvores e um lago. Sempre quis ter esse tipo de painel na minha sala e, por 'coincidências' da vida, aí ele está.

Aqui passo os meus dias, mais precisamente os finais de tarde, as noites e também alguns fins de semanas...
Procuro não misturar a tristeza que se aproxima de mim em certos dias, ao aconchego de minha casa. Ao entrar aqui, procuro deixar lá fora minhas lástimas, porém nem sempre é possível, ao adormercer meus sonhos me despertam, e acordo todos os dias às três da manhã, com a memória forte de um desses sonhos... Eis a nova fase de minha vida, estranha e feliz. Estou simplesmente sendo eu, por fim!




terça-feira, 4 de julho de 2017

Encontrar as palavras certas

Estou cursando a faculdade de Letras, quase domino um novo idioma, porém, como é difícil comunicar-me. Escrever, é fácil, ser lido, do mesmo modo também é. Mas, na comunicação individual, onde reina o sentimento, minhas palavras são parcas, eu não consigo me expressar.
Nasci com o dom da escrita, eu sei. Sempre foi tão fácil organizar as palavras, quanto pensar, ou respirar. Sempre foi tão perfeito ler, entender e simplesmente amar o lido. Porém, diante do amor, as palavras são insuficientes, os idiomas não valem para nada, eu fico muda.

Escrevi uma carta de amor, mas, por ser de amor, ainda tenho minhas dúvidas se disse tudo o que deveria dizer. Ou se escrevi demais, ou se não falei o essencial.
Para falar dos sentimentos nunca fui boa.

Diante de minha mãe morta, não consegui dizer-lhe que a amava.
Diante do amado, nenhuma palavra jamais saiu. Eu só sabia escrever, cometer torpezas, falar com os gestos, fugir como uma condenada, de um sentimento que me arrebatava.

Eu tenho consciência de que esta vida é curta, e perco meus dias por nada dizer. Perco minhas horas por estar aqui, em minha auto suficiência de escritora, em apenas escrever o contrário do que sinto. Se estou tão viva, citarei a morte, se estou tão feliz, citarei a melancolia.

E, de metáforas tortas, vou fazendo, além da escrita, minha vida.




segunda-feira, 3 de julho de 2017

Visita à minha mãe

Sempre vejo em meus sonhos, a casa da minha mãe, dessa vez sem ruínas, pintada de branco, com as janelas marrons, e uma névoa silenciando o ambiente.
Eu fazendo promessas de visitá-la mais vezes, dormir naquela casa. Um lugar que só existe hoje em minha mente.


E lá, no sonho, ela estava tão viva, tão minha, tão profundamente real. Sentia imenso desejo de ficar ali com ela, só para conversar.

Suas coisas, seus pertences, quase nada existe mais. Seu corpo se foi morto, frio e roxo como todos os cadáveres... Ela deixou esse mundo, mas não deixa meus pensamentos. Todos os dias nesta casa, eu a encontro. A casa branca, as rosas no jardim, as roupas que eram dela, tudo o que foi de minha mãe.

Naquela casa, que hoje desaba sobre minha alma, há a memória do meu pai, há a trajetória do meu irmão. Eu também estou lá, de certa forma, naquele quarto solitário, naquela solidão que conheço tão bem, mas que hoje dói bem mais.

A morte corta tudo, nos tira tudo, só tenho algumas fotos, algumas roupas, um espelho, um perfume, e a lembrança da vida e da morte no seu corpo, que um dia me criou.

Eu nasci, daquela que hoje é simplesmente um nome em um túmulo. Eu era parte dela, e hoje carrego suas características dentro de mim. Minha mãe: agora me acho parecida contigo, na doçura e na teimosia, na tristeza, na desesperança, na alegria de viver, no cuidado com o outro.

Eu me abandonei algumas vezes, como você fez certa vez, eu desisti de algumas coisas, como você também desistiu, hoje me reflexo em seu olhar, pois sei tanto o que você passou. Eu luto todos os dias para orgulhar-te, eu escrevo estas linhas, para que possas ler... aí em algum lugar onde estejas.

Mãe, se leres isso, estou no melhor momento de minha vida. Estou percebendo as coisas que são realmente minhas, as que devo deixar para trás, e o que eu penso realmente, que não é influência de outros.
Só o que não muda são os sonhos, em que vou te visitar, aquela casa perturbadora, aquela saudade do que nunca mais será.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Saudade, essa palavra

Existem basicamente três tipos de saudade, as que eu sinto.

Sentir saudade de alguém que veremos em breve é bom. O alvo do sentimento está em nosso alcance, e logo iremos acabar com a falta, abraçar, estar perto. A saudade sequer acaba, ela está presente, nunca parece ser suficiente o tempo de estar com quem se ama.
Aquele corpo amado, a presença, a voz. A alma até esquece que neste mundo tudo parece estar errado. Não, não mais está. A presença apaga todas as marcas, e forma outras....
Fagner Canteiros


Existe aquela saudade dos fantasmas vivos. Aqueles que jamais voltarão.
Somente se percebe em sonhos, já que a razão compressa em esquecimento toda forma de expressão da saudade de quem afastamos por precaução, ou foi embora por que quis ir.

A esses eu os guardo em um lugar, que é como um cemitério. Não levo-lhes flores, não os lembro. Apenas ficam lá em silêncio, como um lembrete do que foram, do que fizeram.
Não, eu não sou perdão. Eu guardo em mim todas as coisas e para o que importa tenho memória.

Existe a saudade eterna. A saudade da mãe, a saudade da casa em que se viveu, a saudade do pai.
Essa saudade dói até para escrever.
É a saudade que a morte nos provoca, esse sentimento que apenas crava uma faca no peito, todos os dias. E para este sentir não há cura, nunca mais os verei.

Nunca mais verei o sorriso da minha mãe, seu rosto triste, seu jeito que era tão eu. Hoje eu sei.

Nem adianta eu morrer, não sei para onde irei. Talvez fique exatamente aqui, no mais obscuro silêncio do não mais. E nunca mais a verei. Minha mãe era linda, meu pai, era meu pai.
Quando penso neles só sinto dor.





Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...