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terça-feira, 11 de julho de 2017

Onde mora minha alma

Todas as noites tenho sonhado com minha mãe. Estou na casa dela, e peço que ela fique uns dias comigo. Ela está tão viva e me diz que sim, irá ficar. E decerto ficará. Mas quando acordo, um desespero me atinge, ao lembrar que vivi em outra realidade, e nesta, ela está morta.
No portão da casa às vezes aparece meu amado de tantas eras. O rosto como de um cadáver, o aspecto de um morto, as mãos brancas e um silêncio que eu entendo. O coração batendo forte. Meus cabelos estão compridos, exatamente como estão agora, porém, nesta realidade, não há nada naquele portão, e o coração que pulsa é somente meu.

Esta casa que aparece em meus sonhos apenas me atormenta, é um lugar onde minha alma às vezes se aprisiona, de onde não consigo sair devido à saudade, à dor, à lembrança. Quero muito vê-la, quero desesperadamente sentí-la perto de mim, sei que isto não me é permitido, mas eu imploro à morte por favor, deixe-me ver minha mãe.
Mas eu tenho meu lar e meu templo. E hoje vou contar como ele é.
Moro em uma casa com janelas muito grandes. Minha vista é para onde nasce a lua. Bem em frente está um cemitério e suas árvores, todas aparentemente imóveis e silentes. Vejo essa paisagem todos os dias, foi por isso que escolhi morar aqui.
No outro oposto da casa é onde o Sol termina. A janela da minha sala recebe todos os dias as cores vermelhas, rosas e roxas do por do sol. E nas madrugadas é por ali que acompanho a trajetória da lua...
Aqui tem uma energia bonita, a minha paz e a paz da casa. As duas juntas formam um lugar onde eu adoro ficar.

A calma da casa é complementar ao ruído da rua. A combinação destas duas estão em perfeita ordem em minha vida. Eu adoro esta rua, eu idolatro minha casa. É uma rua simples, é uma casa antiga. As duas tem aspectos de mim mesma, por isso as amo.
A cozinha é unida à àrea de serviço. Arranquei a porta que as separava. Quero espaço! Tem ali outra janela, para o mesmo sol que eu sinto no entardecer.
O banheiro é ao lado do quarto, é grande e claro. E está cheio de livros, minha amiga me diz: esta casa está ficando a tua cara.
Há livros também na cozinha, na sala e principalmente no quarto, onde está provisoriamente minha biblioteca maior.

Na minha sala existe um painel na parede. É a ilustração de um parque com muitas árvores e um lago. Sempre quis ter esse tipo de painel na minha sala e, por 'coincidências' da vida, aí ele está.

Aqui passo os meus dias, mais precisamente os finais de tarde, as noites e também alguns fins de semanas...
Procuro não misturar a tristeza que se aproxima de mim em certos dias, ao aconchego de minha casa. Ao entrar aqui, procuro deixar lá fora minhas lástimas, porém nem sempre é possível, ao adormercer meus sonhos me despertam, e acordo todos os dias às três da manhã, com a memória forte de um desses sonhos... Eis a nova fase de minha vida, estranha e feliz. Estou simplesmente sendo eu, por fim!




sábado, 15 de abril de 2017

estar sozinha x ser sozinha

Nestes últimos meses, em que enfrentei pela primeira vez a solidão da minha própria casa, mergulhei em uma faculdade nova, na verdade sobre uma vocação que eu sempre tive, eu percebi que nada é fácil e eu estou sozinha.

Por minhas próprias escolhas e também pelas escolhas do momento em que vivemos (no país), estou sem dinheiro, e isso também torna mais difícil até a convivência com outras pessoas.
Sabe aquela coisa: você precisa se arrumar para ser atraente aos demais, ir a restaurantes, bares, etc... e no momento não é possível.

Antes de me separar, eu imaginava que ao tomar essa decisão, enfrentaria muito machismo, mas eu achava que estava preparada para isso. Porém não. Nunca estamos preparadas para as atitudes machistas das outras mulheres, nunca estamos preparadas para ver as amizades se distanciando, as fofocas, não há como se preparar para isso.

Achei que a solidão que eu sinto fosse culpa do meu relacionamento amoroso recente, achei também que fosse culpa dos meus amigos (sim, a maioria some nos momentos de dificuldade ou sequer estão presentes na minha vida). Eu tenho uma amiga para conversar todos os dias, acho que mais ela me ouve do que o contrário...

Achei também que tudo fosse culpa das redes sociais, afinal é por causa delas que rolam as brigas, os ciúmes e as inseguranças. Sabe o que é você buscar o nome de alguém, e ver que a pessoa ou te bloqueou, ou recusa teu convite de amizade? Isso pode ser algo idiota ou sentimental para quem tem amigos de verdade, de anos, que é só chamar e eles estão ali para qualquer parada, mas para mim dói.
Também cansei de ver gente falando apenas de si mesmas, de como se amam, de como sua vida é tranquila e feliz. Eu sei, deve ser verdade, pois já fiz exatamente a mesma coisa. E hoje, me sinto horrível pois não tenho nada para mostrar.

Eu não tenho um ativismo para mostrar, pois praticamente fui forçada a sair dele.
Família é uma palavra que quando escrevo ou pronuncio me dá vontade de chorar. Pois sinto falta dos meus pais, e o que restou me deixa tão triste a ponto de querer sair dessa vida, acabar com 'tudo'.
Eu não tenho muita coisa a dizer sobre minha vida pessoal, sem me expor de forma que não me sentiria bem nem faria outras pessoas felizes.

Eu poderia dizer algo sobre meu recomeço de vida acadêmica, minha segunda faculdade e esta sim me causa mais orgulho do que a primeira, sobre como tudo o que os professores falam me toca profundamente, pois dizem respeito ao meu sonho, à minha vocação. Quase todos os livros que eles citam eu já li, ou pelo menos conheço e pretendo ler. Apenas as aulas de Espanhol me surpreendem, pois realmente estou FALANDO o idioma que escolhi, que conheço, mas que a vergonha me impedia de proferir em voz alta.

Mas não sei se isso é algo a ser dito. Ando pensando muito antes de publicar coisas minhas.
Um dos motivos é que não sei se elas importam tanto assim. Outro dos motivos é que realmente me sinto sozinha. Mais do que antes, mais do que nunca.

Não acho triste chegar na minha casa e perceber que moro só. O estranho é saber que tão poucas pessoas a visitam, e que nas próximas semanas ou quem sabe meses, não virá ninguém aqui.

E, como cansa ir atrás, como cansa só você ligar, só você querer saber, eu faço isso muitas vezes não só pelo sentimento que nutri pela pessoa, mas para não ter a consciência pesada, quando de fato chegar o dia em que não terei mais contato com aquela pessoa, nunca mais. Penso que pelo menos a minha parte eu fiz. Disse o que precisava ser dito, falei que sentia saudade. Pois prometi a mim mesma sempre dizer ao outro o que sinto e fazer de tudo para manter esse sentimento.

Para quem não conhece esse dia, o Nunca Mais existe, e a partir desse instante, não há mais o que dizer, nem ninguém lá (ou aqui) para ouvir.

É estranha e um pouco triste, minha nova cama de casal, eu durmo sozinha nela e a pessoa que estava ao meu lado, no dia que as coisas chegaram, não está mais.

Sabe, sempre dormi em cama de solteiro e a única vez que dormi nesse tipo de cama foi quando casei. Então, mesmo que eu tenha escolhido morar sozinha e essa minha escolha é para sempre, ainda sinto que uma cama muito grande é grande demais para mim.

Então, sobre o que escreverei? Elegi este assunto, que é melancólico e ninguém quer falar. Esse tema que é o que vivo diariamente. Estou sozinha, me sinto assim, e sei que isso aconteceu por escolhas que fiz, não culpo mais nada ou ninguém, mas sinceramente, o passado não me interessa mais.

Não sinto a menor saudade, acho que é mesmo por isso que me sinto só, antes ao menos eu cultivava lembranças, agora sequer me animo a buscá-las. Estão tão longe de mim, tão equivocadas na névoa da memória, que nem mesmo considero-as verdadeiras.
Mais são contos, mais são a minha versão de tudo o que me aconteceu.

Então, o que ando fazendo é esperar o nascer da lua, todos os dias, lá pelas 19:30 ou 20:00, faço um chimarrão e fico na janela esperando aquele espetáculo nascer. Ela está amarelada e gigante, e nasce atrás das árvores do cemitério, foi por isso que escolhi esta casa. Foi o prazer gótico de morar perto dos mortos que influenciou minha decisão.

Depois pego alguns livros, mais tarde, deito na cama, que é alta e dali fico observando minha janela e a vista linda que há nela.
Existem árvores que estão perdendo todas as suas flores. E tenho acompanhado desde o comecinho, o perfume das flores e agora a secura dos ramos nus.
Tenho alguns vizinhos que ficam nas sacadas ou janelas dos prédios em frente.

E enquanto observo meus vizinhos, a natureza, ou a mim mesma, fico pensando que nunca em minha vida me senti assim: completamente sozinha. Nunca aconteceu, eu sempre tinha alguém. Primeiro meus pais, depois amigos de colégio, amigos de faculdade, alguns namorados, depois marido e amigos de marido que hoje nem falam comigo, depois colegas de apto e até mesmo meu celular, agora deligo-o às vezes, não tenho usado o facebook como antes e acontece que quando vc some, ninguém se importa mais.

Agora é apenas eu e minha casa.

O mais incrível é que eu sabia que isso ia acontecer. E, embora tem dias que fico completamente mal, como ontem, hoje talvez, algumas vezes penso que isso é necessário e que assim mesmo eu percebo como é o mundo para comigo, e como eu sou para o mundo. Percebo que o que acontece comigo não é regra, tampouco é exceção, simplesmente acontece com algumas pessoas.

Daqui a alguns dias espero escrever novamente, para dizer que tudo isso passou, que não era bem assim, que é apenas uma percepção da realidade que eu tenho.
Mas não quero me culpar por tudo, cansei disso também!



segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Flores de novembro

Margaridas lembram minha tia e minha mãe.
 Leucanthemum vulgare e Coleostephus myconis
Essa margaridinha amarela é comum nascer espontaneamente em terrenos vazios e em cemitérios. Minha mãe me trazia essas flores, mesmo que durassem pouco no vaso, era tão bom tê-las ali comigo.
Hoje eu não recebo flores. Esse costume romântico acabou, mas não queria que acabasse.
Minha mãe era a única que regularmente enchia minha casa de flores. Rosas muito perfumadas, margaridas, flores que nunca mais eu vi.
Esse ano, levei flores para ela no cemitério, foi como se eu tivesse visitado sua casa, senti como se ela estivesse ali. Eu sempre levei flores aos vivos, mas os mortos de algum modo também precisam delas.
Sei que sua finalidade é outra. Sei que não é por isso que estão aqui. Nós as cortamos porque são lindas, essa beleza sedutora que conquista o polinizador.
Adivinha o que tem dentro? Muitas pétalas de uma rosa vermelha perfumada que minha mãe me deu, um ímã envolto em papel laminado, que ela colocou ali não sei porquê. E eu deixei. E umas pedrinhas prateadas bem pequenas... 
 Esse porta joia foi um presente do Avon para minha mãe, que sempre foi vendedora, mesmo antes de eu nascer. Esses dias eu tava numa conversa muito boa e nostálgica com minha amiga. E trocamos várias fotos de coisas antigas dessa marca, pois eu lembro que minha mãe vendia. Inclusive alguns objetos nem achei foto na Internet, talvez ninguém tenha guardado, mas eu lembro.
 Lembro de um dia, quando perguntei o nome dessa flor e minha mãe respondeu: É a alegria da noite, ou algo assim. As sempre vivas conheci através dela. As flores que jamais morrem.
Caliopsis - Elegans bicolor

Conhece essas flores lindas? Sempre-viva - Xerochrysum bracteatum (Todas as flores dessa postagem pertencem à família botânica Asteraceae)
Às vezes passo na rua e sinto um cheiro. Volto no tempo instantâneamente, pois são as flores de novembro. Flores da minha mãe.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Flores roxas, meu presente

Quase consigo fingir que não sei,
quando percebo minha frieza - a minha única arma -
quando percebo que tudo muda, 
e você se desmancha em emoção. 

Ignoro, olho para o lado. 

Não quero ver quem me quer tão bem.
Não creio haver sentido, em um sentimento que sempre foi apenas meu.
E agora o vejo refletido.

Preciso partir, meu sonho.
Você me carrega em seus pés, os cabelos vermelhos, as palavras que eu esqueci, 
de tão importantes que eram, para mim.

Te abracei, e sobre teus pés, andei assim, como uma criança.

Eu só andava, passo a passo, pés sobre pés, o poema assim construído
dentro de meus olhos fechados - o sonhar.
Preciso ir, 
nasci, para em seguida fenecer.
Essa cor verde que me impressiona, 
esse jeito de chorar.
Aquelas flores mortas, as saudades, o presente,
tudo tão triste.

Foi o lugar, foi a cidade, a metrópole dos mortos.

A janela aberta para o silêncio do lago,
um cemitério de lembranças,
ele tão quieto - a minha distância interior.
Porque a melancolia tem essa coisa que me devasta por dentro.

Eu preciso abrir os olhos, eu preciso acordar.
Nossos dias nos matam, eu sei.
Mas isso não é suficiente.

Chorei, quando te conheci. Porque sabia que não seria fácil. Porque sabia que meu mundo se quebraria, com o ruído do seu caminhar.

Ellen Augusta

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Um anjo como os outros

Olho para minha casa, grande, compartilhada. Olho para meu quarto, pequeno, tão meticulosamente feito por mim. 
Eu bebo, coloco a culpa no Inverno. Eu não consigo ficar só, coloco a culpa no frio. 
Vou percebendo que estou tão bem, como nunca estive. Eu estou comigo, e posso estar com quem eu quiser.
A morte me consola, sua ideia, seu aspecto silencioso e profano. Estou com ela, até que a vida se mostre mais atrativa, é um desafio.
Observo as pessoas com uma certa distância, seus problemas, sua previsibilidade. Estou acima das nuvens, estou no avião.
Aquele momento em que a paixão é apenas um sonho, o anjo inacessível, o tema das poesias, que me faz acordar atordoada, para logo me ocupar com o que interessa: o chá, o café, e o que vou comer.

Hoje faltou luz, e havia estrelas. A luneta, eu uso para ver outros apartamentos, vidas frias, distantes de mim, a casa, a decoração, o aspecto da vida que não vivo, como brincadeira que não se faz, porque é preciso ser adulto, é preciso ser frio.
Sem luz, eu desliguei minha mente para os canais de todos os dias, Facebook, Whatsapp, liguei o rádio à pilha e fui para a sala. Havia uma vela azul, e amigos.
Melhor viver com essa paz, do que ter aquela ansiedade perene, vinda do ruído que tem sido a vida tantas vezes. 
Eu não desejo mais nada, por desejar o tudo, aquilo que está tão distante de mim e tão morto. Apenas vivo meus dias, esperando a chuva passar, o supermercado abrir, a luz voltar.
Eu observo as atitudes das pessoas, tento entender sua solidão, suas angústias, como as minhas, eu vou até o fundo, eu desço de elevador.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Portas transparentes

Nas imagens que se abrem em meus olhos quando durmo,
fecho portas transparentes
estou só, através de vidros translúcidos,
minha casa é negra, com passagens de luz.

O Sonho ofereceu-me sua morada
A casa, névoa branca e cinza, eterna cortina de saudade
envolve objetos repletos de afeto,
o corpo sonambular,
as memórias apagadas.
A Criança diz teu nome
Não esperava e, fato é:
Abriu-se a percepção
amorosa.

Roubei teu livro no cemitério,
o lugar onde guardei tudo de ti.
Enfeitei com flores o nada, teu espírito e tudo que não mais sei como é,
e decretei morte à minha Assombração.

Acordo de madrugada,
com a solidade cortando meu peito,
feito sal na ferida sangrante.
Eu deveria levantar guerra, ferir-te como quem ama,
Mas nada existe de real.

Sonhos são sonhos,
A fenda de realidade,
que mostra uma profunda verdade.

Ocultada neste olhar, que só sente
Saudade.

Ellen Augusta

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Feliz Natal, pobre animal

Ao ver um cachorro rasgando uma sacola de lixo para conseguir pegar um osso, como não sentir nojo, repulsa, asco,

do animal humano?

Essa foi a cena que desagradou meu dia, e que trouxe lá do fundo do meu ser, a velha desesperança.

A mesma que ora enterro, ora vem à tona, conforme o dia lá fora, ou a minha disposição interior.
Eles perderam o rumo - domesticados, escravizados - e vagam pelas ruas, a procura de comida, abrigo e carinho. Era de nossa responsabilidade, o afeto e proteção. Hoje, é preciso permitir a liberdade aos animais. Devolver, deixar-lhes a paz, e antes disso, como numa guerra, lhes dar o mínimo necessário, comida, remédios e amor. Mas o que se faz, é o pouco, que não conseguimos sequer fazer a nós mesmos ou o muito, a maldade reflexa.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

A tumba da lealdade

Estava num de meus dias em que se misturavam a paixão e a desesperança, quando, procurava uma fotografia para meu blog, para um dos assuntos que virão a seguir. E encontrei esta,  a fotografia da tumba de Jeannette Ryder. Não a conhecia e, fui pesquisar e trazer aqui para o blog um pouco de sua história.

Ela era norteamericana e viveu no começo do século XX em Cuba, fundou a Sociedade Protetora de Crianças, Animais e Plantas, também conhecida como Bando de Piedad.

Criou um hospital para animais, combateu a utilização abusiva de animais para tiro e carga (carroças), também fazia campanhas para o controle de natalidade de animais e era contra às corridas de touros em seu país.

Típica protetora, sempre levava comida para cães e gatos nas ruas, não se importando com as críticas e zombarias do povo ignorante.

Quando foi enterrada, sua cachorra Rinti se instalou em seu túmulo, e nunca mais saiu de lá. Os visitantes lhe levavam comida, que ela sempre recusou, até que morreu de fome, sendo fiel à sua tutora, até o fim de seus dias, numa demonstração de amizade rara e tão próxima do amor.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Procurei a menina do cemitério e encontrei a mulher que luta pela paz

Eu procurava a muito tempo esta cantora. Ouvia uma música específica, anos oitenta, numa rádio maluca que toca músicas muito diferentes durante a madrugada. A rádio pode variar entre Cocteau Twins e Eros Ramazzotti. Mas havia uma música desta cantora. Este jeito meio Madonna. (Ou seja, linda! - eu fiz esse cabelo uma época, mas como o meu não é tão comprido que digamos, não ficou com esse efeito) Pois levei muitos anos até descobrir o nome dela. Sandra Ann Lauer. Sou muito lenta para nomes de música, na verdade não estou nem aí para nomes, estilos, eu amo música e ponto.
Depois, lendo sobre a cantora, fui descobrir que ela tem diversos sucessos, mas não curto ficar falando sobre música, pois quem entende de música e é músico é meu marido. Meu lance é ouvir e dançar. Ouçam agora a Little Girl, mas, quando eu vi o clipe, me apaixonei pela cantora.
Nas minhas pesquisas, vejam o que encontrei:
Sandra Ann Lauer fez campanhas contra os testes em animais
Ela faz músicas com letras fora do padrão da música pop, com temas como prostituição, amor aos animais, e uma das músicas fala claramente contra os testes em animais, ouça:

Ainda não encontrei a música que procuro desta cantora. É uma música parecida com a Little Girl, com um som de avião no começo. Toca de vez em quando nesta rádio durante a madrugada. Mas a dona da voz eu já conheci, e que grande encontro, por sinal!

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Flowers for the dead brother

Trancam o louco no quarto.
E voltam-se para a minha lucidez.
 Há alguma coisa errada
com a bondade de Deus.
A inocência é cortada com vidro. Um ursinho, objetos guardados em uma caixa. Para nunca mais.
Trasntornando palavras, amortecendo a dor. O amor sepultado, a poesia floresce.
Eu levo flores, mas não há nem vasos para as receber.
Eu roubo os vasos de outras tumbas. Ele nunca teve nem um quarto para dormir!
Você não sabe o que é viver só, neste imenso hospital.
Só sei o que mora em mim, o silencioso sabor do fim.
Silêncio e nada. O depois, o poema feito, das dores reformuladas. Todas as melancolias transformadas em palavras lúgubres, a morte transparecida, entrelaçada, recortada com o sangue roxo.
Abro a caixa. Ali, só pequeninas coisas, carentes de sentido para o mundo, que o abandonou, no seu nascimento e até hoje, sempre, na solidão eterna da loucura.
Esta solidão que também carrego dentro de mim.
A solidão da lucidez, da desventura.
Ellen Augusta
 

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Poema ao Não-Amor

Incólume, a buscar a água.
As ruas nuas, o vestido sujo, as rendas negras,
À borda do rio, as botas de cano alto, prontas para cair.
O fantasma sempre a me rondar,
Me salvou - me carregou.
Não pode morrer - quem morta está.
Não pode amar, quem amada é.

Rios opostos a correr. Em meus sonhos, suas lágrimas correm.
E caminham como pés descalços.
 

Jurei por fantasmas. Estavam todos aqui. Os religiosos? Cegos.
Meus olhos brilham, ao te ver.
Vivo, por teu nome, mortos, por tua dor.
Dorme pedra ferida, em um coração amigo. 
Ellen Augusta

domingo, 6 de julho de 2014

O coveiro

Aquele que queria ser coveiro. Profissão para homens. O cemitério sempre fica em lugares altos e ermos. Ela sempre foi lá sozinha. Havia quem conhecia, e os estranhos. Estes gostava mais, pois traziam o mistério do anonimato. A morte para todos, sem nomes.
Ainda vivo, ninguém o enxergava. Só os fantasmas sabem de sua função, especialmente no final da tarde, quando o Sol é o que  já sabemos, mas os mortos, estes não conhecemos.
Ele vaga pelas sepulturas, ela nunca o encontrava, mas o conhecia.
Nos seus olhos, o meu desejo.
O transcendente desejo de sumir.
Eu sofria, porque também não o via. Amo os cemitérios, mas o coveiro nunca está.
Um dia

Houve rumores de que tirou-se a vida...
Esse assunto incômodo.
Ninguém fala. As religiões só ameaçam. "O castigo é duro".
O desespero bate em tantas portas. Fechadas. Os números não param de crescer. Foi mais um? Se a mídia e as entidades tratassem desse assunto de forma madura? Há só um silêncio na sociedade.
Todos querem esconder, por medo de uma semente, plantada em si mesmos.
Mais uma vida se perdeu por causa do preconceito.
Por causa do silêncio dele, ou nosso.
O já invisível desapareceu!
Nunca se disse uma só palavra.
A curiosidade mórbida de quem não se importa, fez saber que ele não trabalhava mais lá.
E ainda estava entre os mortos.
Ellen Augusta

quarta-feira, 19 de março de 2014

Meus chás e minha vida gótica

Encontrei imagens lindas nas minhas pastas góticas lúgubres e estou organizando minhas músicas que se perderam com o tempo, raridades que eu tinha mas que emprestei e hoje só tenho em mp3, alguns CDs eu doei, outros nem sei onde foram parar. Minha relação com música é estranha. Eu me esqueço de ouvir. Não sei explicar. Quando me dou conta, estou a um tempão sem ouvir música, gosto mais de ouvir rádio. Meu MP3 Sony é maravilhoso. Tem um som de cristal. Está cheio de sons ótimos e coisas lindas que meu marido colocou para mim ouvir, mas sempre esqueço. Deve ser alguma falha da minha mente maluca...
Gosto de fotografar. Fui para o interior e fotografei os cemitérios de lá. Fiz algumas fotos legais. Acho importante produzir conteúdo para mostrar, mas gosto de admirar estas raridades como nosso deus Elvis tomando chá...
Estes chás eu comprei no Lubnan, restaurante que tem uma rodada vegana, a pedido nosso, pois somos clientes vip de lá, a muito tempo. Somos sempre muito bem atendidos. E o chá deles é muito interessante. O café, mais ainda. No estilo árabe verdadeiro.
Esse é um chá misto de flores de todos os tipos, rosas, tílias, calêndulas, prímulas e todo tipo de flores mimosas, por isso o gosto é neutro. Mas é muito bom. Tem pedrinhas de açúcar que eu, muito bruta, achei que fossem pedras de cristal e as separei e coloquei no sol.
No outro dia as formigas estavam felizes da vida, ao redor dos cristais - de açúcar. Deixei, pois elas merecem também comer!
 É lindo!
 O chá também possui folhas e raízes, no que é um complexo de energias positivas e delicadas...
 Vou comprar mais um para presentear minhas amigas...e guardar nas minhas latas chinesas...
 O vidro é uma lembrança da mãe.
Aqui está o chá de cavalo. Sim, por que tem essa cara de cavalo na caixa. Mas, embora tenha essa caixa, não me aguentei a curiosidade e comprei. É um chá do Ceilão, um chá preto, como o chá ao lado, o Tupi, que eu adoro! Só que o Tupi é baratex, custa R$3,40 e é produzido aqui mesmo. E o do Lubnan custou os olhos da cara. Da minha cara, não a do cavalo, claro está!
Aqui está o chá do Ceilão. Ele é de sabor médio para forte, como eu gosto. Prepara-se mais ou menos com uma colher de sobremesa, ou uma colher rasa de sopa das folhas. Para ficar fraco basta colocar mais água, ou colocar menos folhas.
 Com um chocolate vegano fica muito bom também...
 
Estou lendo muito nesse período... em breve mostrarei o quê.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

O dia dos mortos, Halloween e Beltane

O dia do encontro dos mundos é chamado de Halloween, é comemorado em diversos povos, com diferentes nomes.
 Nesse dia, há um contato entre o mundo dos vivos e o dos mortos.
O que também pode ser chamado de Samhain pelas bruxas modernas é conhecido como ano novo das bruxas. Neste dia se faz agradecimentos, pedidos e se lembram os que já partiram. Esta festa é celebrada no dia 31 de outubro no Hemisfério Norte, e em 1 de maio por aqui.
Essa é a noite em que o véu que separa o mundo material do mundo espiritual encontra-se mais fino e o contato com nossos ancestrais torna-se mais fácil. É também tradicional deixar uma vela acesa na janela da casa para ajudar a guiar os espíritos ao longo de sua caminhada ao nosso mundo para que possam encontrar o caminho de volta.
O día de los muertos, comemorado no México, por exemplo, é uma festa noturna em que se celebra a saudade dos entes falecidos. Levam-se doces e coisas que os mortos gostavam, lembra-se com alegria de quem já não está.
No México, entre tantas riquezas culturais, há o culto à Santa Muerte, a deusa da morte, ela própria, que vem buscar os mortais.
Hoje se comemora no Hemisfério Sul, dentro das festividades pagãs, ou Wicca, o que se chama Beltane, a festa antiga do fogo, que celebra a união dos deuses, feminino e masculino. Eu misturo tudo, celebro os dois, que são opostos. Não me apego em datas. Sempre decoro minha casa conforme as datas pagãs... e adoro decorar para o natal.
 Lojas decoradas para a festa Halloween
 As religiões que criticam o Halloween, não entendem que o que eles consideram 'deboche', é apenas uma forma alegre de encarar a morte. Para o religioso, a outra religião é sempre 'errada'. É importante entender essa sutileza. Ninguém está rindo dos mortos, estamos brincando com a possibilidade da morte. E amenizando a saudade.
Essas datas muito antigas se misturam e acabam sendo absorvidas pelas religiões conservadoras, não somente por ser uma demanda do povo, mas também com o intuito de chamar os fiéis, que desde os tempos remotos já comemoravam certas datas. Foi a partir daí que nasceu os Finados. Em Beltane se fazia o mastro de flores e fitas, onde entrelaçadas, lembram o casamento da Terra e do Sol. A confecção de guirlandas também acontece nesta data.
Culto a Santa Muerte. Os fiéis oferecem cigarros à deusa. Segundo estudos, essa divindade é herança de cultos dos antepassados mexicanos, de deuses da morte de diversas culturas pré hispânicas, misturadas a um forte catolicismo herdado dos colonizadores.
 As bruxas, perseguidas, discriminadas e mortas, hoje são símbolo de deboche, mas também do mistério feminino.
A bruxa é uma mulher sábia e misteriosa. Seus poderes estão no efeito que causam até hoje nas pessoas comuns.
A Santissima Muerte é adorada especialmente pelas pessoas mais simples. Devido à grande violência existente no México, cultuar a morte passa a ser um modo de lidar com a violência cada vez mais comum em cidades mexicanas. A Santa Muerte é conhecida como a santa de traficantes, prostitutas, guerrilheiros e máfias mexicanas.
As bruxas hoje são associadas com a sensualidade. Na época em que a perseguiam, também se considerava a mulher bruxa como uma tentação do demônio, que estava na Terra a fim de atrair os homens. Com uma mente cada vez mais tolhida por repressões sexuais, era fácil toda a sociedade projetar nessas mulheres, suas neuras e desejos reprimidos.
Não foram somente os homens que as queimaram. Muitas mulheres, no seu silêncio, também compactuaram com a bárbara inquisição, que torturou, estuprou, fez coisas inimagináveis com essas mulheres, simplesmente por que alguém as acusou de 'bruxaria', um termo tão vago quanto a 'fé'.
As festas existem para a diversão. Leve a sério somente o que lhe fizer feliz. Estas festividades nos lembram de um contato perdido com a natureza que está dentro de cada um, com o feminino selvagem que está em tudo, e com os rituais, que servem para nos fazer pensar de modo mais ameno sobre coisas sérias.
Ellen Augusta
"Dessa forma querendo festejar esta noite encantada de Beltane, acenda uma vela simbolizando o Sol, colha flores para simbolizar a fertilidade, e recite poemas em homenagem ao Deus e a Deusa.
Se for possível, passe a noite em claro e veja o amanhecer..."

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