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domingo, 10 de abril de 2016

Um coração cortado com sal

Coração dos comuns mesmo...
destes que por qualquer coisa sangra e chora, também fere o suficiente.
Porém, reveste-se de pedras, escondido com medo de ter revelado seu segredo.

Eu não sinto, e quando sinto, sei quanto dói perceber, admitir.
Não creio, nem em mim, nem em quem pode me amar.
Nego até a morte a possibilidade do sentimento,
pois espelha a possibilidade de sofrer,
doer mais do que o usual.
Um belo sofrimento, mas sim, dói como a vida.
A dor de todo o dia não é a mesma que sinto,
quando lembro dos teus olhos, da sensação de riso e alegria
que você me provoca.

Quando todas as vezes, tendo destruir o que me arrebata
Sou destruída pelo que tanto evitei em mim.

Olhando para trás, vi que o amor sempre andou comigo e eu o desprezei.
Ele me carregou no colo, me idolatrava. Eu era apenas medo.

A frieza de um metal, água e fogo cortado com sal.

A paixão crava na pele e é como uma tatuagem.
Mal sinto a dor e já gostaria de sentir o mesmo efeito,
As marcas dolorosas também podem ser boas... depois...
quando o tempo passa.

Agora, só quero que fique.

Ellen Augusta







segunda-feira, 23 de novembro de 2015

O jardim frio

Há tristezas que não podem ser mostradas. Elas são mais tristes, penosas e não são bonitas.
Tentativas de poesia para o fatídico não se encaixam no mais terrível destino, onde nada é tão penoso, tão sofrível, tão desastroso.

Ver o outro sofrer, estar preso em si mesmo, em um outro mundo.
Não é meu mundo, mas eu sofro tão profundamente, que mesmo gritando não consigo aplacar essa dor.
Seria preferível receber um recado dos mortos. Do que saber de certas coisas.
Saber, me faz gritar à noite. Me faz infeliz, me faz sofrer, me faz sozinha no mundo.

O outro. É a minha irmandade. É parte, que eu tentei ignorar. Mas nada pode ser esquecido, o que no fundo ficou e está.

Misturam-se tristeza com a dor do irmão/Misturam-se a lembrança do amigo com a temível cortina, o véu de ausência.

Tento trazer à luz o funesto, torná-lo bonito, pois assim sempre sobrevivi.

A um mundo insuportável,

Busquei palavras, amei cada uma delas. Procurei com cada letra,
a outra forma de morrer.

A cada dia, naquelas pedras batem os mesmos pensamentos, o ritual.
O ilusório, a morte, para esquecer a vida estúpida
que te faz infeliz.

Ellen Augusta

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Antena

Coluna de Marcio de Almeida Bueno
Para o Jornal Panorama Regional



• "É inaceitável que o compromisso mais ambicioso que Dilma assume para proteção das florestas e combate às mudanças climáticas seja tentar cumprir a lei. Mas foi exatamente isso o que ela fez em aguardada reunião com o presidente Barack Obama, em Washington: prometeu fazer o possível para combater o desmatamento ilegal no Brasil, sem dar prazo ou garantia concreta", diz nota do Greenpeace.

 • Sobre a decisão da Suprema Corte dos Eua, vale lembrar a similar posição do STF aqui no Brasil, em 2011. "Por que o homossexual não pode constituir uma família? Por força de duas questões que são abominadas pela Constituição: a intolerância e o preconceito", disse à época o ministro Luiz Fux. 


• Quero bem aos infelizes que têm vergonha de sua infelicidade, que não derramam na rua seus vasos cheios de miséria; que guardam no fundo de seu coração e nos lábios bastante bom gosto para dizer: 'devemos guardar com honra a nossa miséria, devemos escondê-la'. - Friedrich Nietzsche no livro 'Vontade de Potência'.


terça-feira, 30 de dezembro de 2014

N. Maria

Um sopro quase musical do vento a correr. Escorre o pranto.
Flores vermelhas, rosas negras. As rosas que eu recebi e as que te levei.
O sol brilhava nas folhas verdes.
Saudade botânica, infinita.
O passado existe apenas por detrás de meus olhos.
 A solidão hereditária
é uma flor interior
branca e perfumada. Alegre e cortante.

Sepultaste o amor em teu coração.
Quando perdeste o ar em teu peito.
Transparece em meus olhos teus traços.
A melancolia lastimosa de saber
que parte de mim também morreu.
Ellen Augusta

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Poema ao Não-Amor

Incólume, a buscar a água.
As ruas nuas, o vestido sujo, as rendas negras,
À borda do rio, as botas de cano alto, prontas para cair.
O fantasma sempre a me rondar,
Me salvou - me carregou.
Não pode morrer - quem morta está.
Não pode amar, quem amada é.

Rios opostos a correr. Em meus sonhos, suas lágrimas correm.
E caminham como pés descalços.
 

Jurei por fantasmas. Estavam todos aqui. Os religiosos? Cegos.
Meus olhos brilham, ao te ver.
Vivo, por teu nome, mortos, por tua dor.
Dorme pedra ferida, em um coração amigo. 
Ellen Augusta

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Me sinto ridícula - o amor adolescente

Para Marcio de Almeida Bueno
Com tesoura corto, tudo o que você me oferece
Paciência e Amor.
Ancestrais de outras eras, espelho de minhas tristezas.
Eu já perdi tanto
De minhas mãos
As palavras ácidas calam,
Escândalos tolos.
Sempre fui assim. O amor abrindo portas.
Meus pés pisando em pedras.
As lágrimas antigas brotam, do vazio profundo.
Me sinto ridícula/não sei escrever.
Exijo firulas, você me traz conforto.
Ellen Augusta

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Um sonho para um poema escrito na escuridão

 Eu tentava consertar a casa, a geladeira que não funcionava, a terra que estava no chão.
 Na mesa com os mortos estava. Não sabia, mas sempre estive com eles.

Meu alívio e tristeza foi quando descobri que estavam mortos como fantasmas.
E não mais precisavam da casa.
Uma criança sem pai nem mãe. Sem abraços, em profunda solidão.
Tentando consertar tudo, destruindo, restando apenas uma vela no escuro.
Raiva e pena, uma pena infinita, que não se pode entender.
Uma casa interna, com janelas de olhos de lágrimas, por todas as coisas que queria fazer.
Ela morreu de tristeza. A mataram. A casa também a matou.
A casa ruiu dentro de mim.
Pois sua dor se findou.

Ellen Augusta

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

A luz mais alta

Não consigo esquecer
A luz azul na noite escura
O farol a brilhar no oceano
Em meio a pedras e ondas brutais
É como minha alma em prantos
A solidão como a companheira [interior]
A luz que vela a escuridão
E sinaliza que em algum lugar
Pode existir vida
Um barco perdido
Uma canção soprada
Os ventos nas vagas
A força da dor

O sonho:

Eu quis proteger-te
Mas nunca consegui
Joguei-me contigo
Mas fiquei aqui

O quarto sofrido
Os sapatos inseguros
A ausência de amizade

A prova de História / O seu olhar encantador
A marca da tristeza
de nunca poder sair

Retorno encantadamente
aos meus vestidos e sapatos
ao abraço eterno do amigo
ao canto escuro de mim.
Ellen Augusta


sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Tarde demais

Esta é a foto da minha mãe com 18 anos feita pelo fotógrafo e poeta  Lino Estefano de Nes , que ganhou um prêmio com uma fotografia em que minha mãe segurava um filhote de pássaro na mão. Ele dedicava poemas à minha mãe. Ela guardava os livros e fotos dele com dedicatórias de amor.  Hoje é falecido. Não achei mais nada sobre sua obra e vida. Nada dessas coisas se preservaram, somente em minha lembrança. Descobri que existem peças dele no museu de Encantado RS.
Eu era uma criança no escuro
Você não teve culpa
Você não sabia
Nossa dor foi ter nascido
Eu te vi e sentia a mim mesma
O corpo tão frágil e sofrido
A dor da alma
Translúcida na falta do ar.

Como era inesperado!
Da morte feliz no mar profundo...
À uma cama de hospital
Com uma cruz na alma e a dor no corpo.

Eu não me perdoo
Ainda não
Eu quis morrer todos os dias
O oceano a me chamar
A luz de um farol a brilhar
Os pés na areia
Lágrimas de sal
À espera de um sonho
Que suplantasse todos os outros
Em que te vejo por dentro
Não. Fiquei aqui, só.
Quase, quase todos contra mim.
E a verdadeira versão dos fatos
Somente o que hoje é meu espelho
Soube!
Ellen Augusta


Meu mundo e nada mais - Guilherme Arantes

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Poema para Lorena


A vida como um imenso hospital
Pelos corredores um fim de tarde invade as vidraças
Ando à noite, escapo à visão dos estranhos
Que sensação é estar vivo em meio a doentes.
Lanço cacos de vidro ao chão. Deita-se em meio a fragmentos, tudo é dor.
Olhamos para as paredes de um mundo, estamos provisoriamente aqui, eu sei.
Presos em grades e acorrentados a conceitos estreitos.
O oceano está distante, a estrada perseguida outrora, a companhia de um amigo. Deixei tudo lá fora.
Neste sonho, enferma, conto as horas e lembro de histórias, passo o tempo a contar com colegas de quarto as angústias tais, que ninguém pode entender.
Sabemos certamente o que é ser sozinho, sabemos certamente o que é ser confinado mas um silêncio inteiro preenche a origem de tudo.
Não há nada além de um presente, um presente de vazio.
Quando percebi que estava ferida, não consegui levantar-me sozinha
Esperei um longo tempo até amanhecer, caminhei silenciosamente até que ninguém pudesse saber.
Pedi ao tempo que jamais fizesse lembrar e ele não pode atender meu pedido em virtude de minha capacidade de ser.
A cada olhar, a cada contato com a presença, com a lembrança, com a ausência, meu ser inteiro se desfazia e um mundo inteiro se fazia novo.
Ellen Augusta Valer

terça-feira, 18 de junho de 2013

Lúgubre

Esses dias negros que trazem a vontade
de sair do corpo que sofre
a solidão mais imperfeita a triste constatação.
Sim, jogar-me àquelas pedras, dentro ao mar que tanto amo.
Sim, perder-me de mim mesma, sentir o que há de pior.
Poetizar sobre o fim, solucionar a dor de não ser.
Sem amigos, somente a dor de seu peito vazio.
Ninguém sabe.
Ninguém ouve.
Somente há o som do oceano - aquele mundo diferente.
Quisera não ter mais nada e ser livre.
Quem pode entender? Precisa-se de luz. Não somente quem se vai, mas quem fica.
A luz fraca e triste daquele farol que nunca se apaga.
O som de um rádio eterno, que nunca pára de transmitir.
Ellen Augusta
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