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terça-feira, 6 de outubro de 2015

Das mil vidas escoadas como flores em lençóis escuros

Há lá dentro do ser, incompleto por si mesmo, 
um esqueleto, o imago, um ser espelhado.
Idealizado em estado de um brilho que voa,
mas permanece enraizado.
Ao passo que ainda há outro esqueleto venerável
A Santa Morte, 
A Santissima Niña Blanca, que, se não está internalizada, 
anda a rondar, como a poderosa, que é em si mesma.

O poema impronunciável, não pode ser nem mesmo recitado, pois suas palavras
embargam a voz.
Ele é mesmo um retrato. De tantos, de tudo, de cegos e de visionários.

Ellen Augusta


Agora, o soneto, eu o recito sempre a poucos que conheço, mas... já não mais consigo recitar, pois começo a chorar...

Soneto XVII

Da vez primeira em que me assassinaram
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, de cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha…

E hoje, dos meus cadáveres, eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada…
Arde um toco de vela, amarelada…
Como o único bem que me ficou!

Vinde, corvos, chacais, ladrões da estrada!
Ah! Desta mão, avaramente adunca,
Ninguém há de arrancar-me a luz sagrada!

Aves da noite! Asas do Horror! Voejai!
Que a luz, trêmula e triste como um ai,
A luz do morto não se apaga nunca!”

Mario Quintana

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

N. Maria

Um sopro quase musical do vento a correr. Escorre o pranto.
Flores vermelhas, rosas negras. As rosas que eu recebi e as que te levei.
O sol brilhava nas folhas verdes.
Saudade botânica, infinita.
O passado existe apenas por detrás de meus olhos.
 A solidão hereditária
é uma flor interior
branca e perfumada. Alegre e cortante.

Sepultaste o amor em teu coração.
Quando perdeste o ar em teu peito.
Transparece em meus olhos teus traços.
A melancolia lastimosa de saber
que parte de mim também morreu.
Ellen Augusta

sábado, 6 de setembro de 2014

Sombras Translúcidas


Esse vestido encontrei em um brechó, foi meu durante alguns dias e já não está mais comigo.
Embora eu tenha o sombrio dentro de mim. Nada me rotula facilmente. Não cumpro papel. E me divirto com quem tenta me taxar. Tenho a luz e a escuridão dentro de mim. Sim e não. Não sei.
Mas que é lindo um vestido translúcido como este, sim!
Minha vida é frugal, prática e urbana. Meu estilo de vestir, portanto, é outro. Mas guardo dentro de mim as noites de cemitérios, os gritos das corujas e todas as letras de meus poemas, todas as prosas poéticas, sem precisar me fantasiar de nada.
Se eu quiser, visto minhas cores soturnas, que pode ser o branco para alguns góticos, ou o preto, ou todas as cores... ou me dedico a escrever. O clima define. Amo todas as estações do ano. Não pago pau para o Inverno, mas prefiro-o, assim como os dias de temporal. Espero com nostalgia a chegada da Primavera.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Lançamento do livro Inventário de Cretinices, de Ezio Flavio Bazzo

Bazzo é meu escritor preferido! Ele é minha influência direta, é óbvio para quem lê qualquer texto meu. Eu adoro seus livros, tenho todos, ou quase todos, aqui na estante. São indescritíveis, suas notas de rodapé ocupam às vezes meia página, são ricos em detalhes, geniais em cada linha, suas referências são aprendizados para mim. Suas críticas, suas palavras afiadas, apontadas para todos os lados e para si mesmo, a liberdade total com relação a tudo e todos.
O libertário, panfletário, o livre pensar, o encantador e poético, o viajante, o erótico, o desbocado, tudo em um só livro e em todos os livros. Quando o conheci, não achava seus livros em lugar algum, suas publicações eram independentes, ele era um escritor underground, desconhecido por aqui, e eu sempre fiz questão de levá-lo comigo onde quer que eu fui, o escritor, a ideia, as citações, divulgar ao máximo o que ele tem a dizer.
Todos os seus livros e publicações podem ser conferidas aqui http://eziobazzo.blogspot.com.br/ e ontem tive a honra de ser convidada para o lançamento de seu último livro, Inventário de Cretinices. Abaixo está um pedacinho do livro, que terei em breve na minha estante, com muito orgulho.
"Voltar a escrever um livro ainda dá, mas uma orelha... Isto é sempre deprimente e terrível. É por aqui que o leitor (esse ser híbrido, bizarro e de outro mundo) começa a julgar-nos... e a amaldiçoar-nos.

O que esse bosta pensa que é? e o que está querendo dizer-nos? Já li as mesmas presunções no seu livro anterior! Nos acha uma cambada de dementes? E se estiver certo?!

Pensa que nos nutrimos apenas de estupidez? Que somos ocos, um poço de aleivosia e que, além de tripas, não levamos mais nada em nosso interior? Que eticamente estamos todos liquidados, sem exceção? Ou pensa que está numa romaria de cegos? E se estiver certo?!

E vejam como sempre quer se disfarçar com os roupões da modéstia! Como finge ser mais humilde do que os cães que estão nas gaiolas dos pets à espera de alguém que os adote... ao mesmo tempo em que escreve como se estivesse açoitando, como se quisesse ser considerado o sol negro dos trópicos! Que ardil canino e de bordel o desse sujeito! e que indignidade para um homem com mais de 40 anos! E dizem que já tem 64!

Desde quando, afinal, se inventou esse costume vulgar de escrever estas ditas orelhas nos livros? São resenhas? iscas? arapucas comerciais, sínteses ou engana-trouxas? Observem como elas levam sempre a assinatura de um sem-vergonha... de um poeta ou de um bacharel em qualquer coisa...

Anões? O que nos deve contar sobre eles neste Inventário de cretinices que cada um de nós já não saiba à exaustão? O prazer de jogar pérolas aos porcos? Claro que, para ele, os porcos somos nós! Sempre nos fala de desgraças! De onde lhe surgem essas macabras inspirações? Será um dos nossos ou um intruso que veio para confundir-nos? Para fazer-nos ferver o sangue? E baixar a crista?

Bem que os livreiros escondem seus livros! E que na sua presença os editores se mostram exaustos... Mas ainda respira. É necessário colocar-lhe um freio nas ventas, pregos novos nas ferraduras... um dedo no nariz...

No passado se apoiou em Samuel Rawet, em João do Rio, em Vargas Vila... agora não para de citar e de mencionar Albino Forjaz de Sampaio e Fialho d’Almeida... O que nos deixa cientes de que não tem amor pela humanidade. De que não ama ao próximo como a si mesmo... e de que muito provavelmente seja ateu. Que destino trágico para a pátria, para a espécie e para a suposta literatura!" Ezio Flavio Bazzo em seu novo livro Inventário de Cretinices

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Um disco voador na janela - A Lua Vermelha

Nessa madrugada, já quase amanhecendo, vi um clarão muito chamativo na janela do apartamento em frente ao meu. Chamei meu companheiro para ver. Peguei a luneta pois julguei ter visto algo raro. A luz tomava toda a janela, iluminava totalmente de branco os vidros, tudo era luz.
 Quando observei com a luneta percebi que era a Lua! Uma lua gigante em seu ocaso. Pudemos vê-la antes de sua partida. Ninguém mais viu.
 Nesta madrugada poderemos ver a Lua Vermelha.
A Lua Vermelha terá um detalhe especial. Do lado direito, um pouco acima, será possível ver Marte e a brilhante estrela Espiga. Evento começará a ser visto no país às 4h46min.

Na madrugada desta segunda (14) para a terça-feira (15), a Lua cheia terá um atrativo especial: um eclipse total deixará a Lua vermelha por 78 minutos. O fenômeno é chamado de Lua Vermelha ou Lua Sangrenta.
O eclipse lunar total é um fenômeno que acontece quando a Terra, a Lua e o Sol estão em perfeito alinhamento, cobrindo a Lua na sombra da Terra. No dia 15 de abril, quando a Lua entrar na sombra completa da Terra, o planeta vai espalhar a luz vermelha do Sol, que resultará na cor vermelha da Lua.
As coincidências da minha vida. Entrei aqui no blog para escrever sobre o disco voador que julguei ter visto. Fui procurar sobre a Lua na Internet e reencontrei o fenômeno que já observei em outras épocas, a Lua Vermelha. Todas as vezes que pesquiso sobre datas, fatos, as coisas coincidem, datas de mortes, nascimentos, reencontros, pessoas, fatos passados. No dia que pesquisei sobre a Noiva da praia de San Blas fazia aniversário de morte dela, no exato dia em que pesquisei sobre a sua vida. Sem nada saber sobre ela antes! Minhas conexões com a morte.
Ellen Augusta
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