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segunda-feira, 11 de maio de 2015

Um cinema a nascer e a morrer

 O Capitólio, era para mim um prédio velho, no caminho que eu fazia em alguns dias de minha vida, para algum lugar. Mas ele já foi um grande cinema. Agora recuperado, está assim. E, andando pela cidade, passeando ao lado do edifício, entramos como que caídos num túnel do tempo.
 Pois eu jamais havia entrado ali, nem estava a fim. Mas aquele que está sempre a meu lado insistiu. E eis que eu caí no túnel de um passado, lá mesmo onde quase sempre estou.
 Adoro o centro da cidade. Não sou muito aficcionada a cinema, mas me encanto com lugares antigos e estes merecem ser preservados.
 O espaço está ainda em obras. E há boatos de que está a caminhos de não conseguir se sustentar.
 Já no alto do edifício, encontramos a projecionista que nos viu admirados. E nos convidou para conhecer um lugar muito raro. Onde praticamente ninguém entra.
 A sala de projeção.
 É emocionante ver coisas antigas ainda valorizadas, sendo usadas, trabalhadas. Eu sou uma pessoa que valorizo muito os objetos, sem ser apegada. Considero que tudo tem seu valor, especialmente as coisas antigas, das quais as pessoas esquecem. Como os telefones públicos, os cinemas, as fotografias de papel.
 Mas minha contradição é que não costumo guardar nada, minha casa não é museu. Eu valorizo, uso meu velho celular até o fim, ainda tenho um telefone antigo, ou uso o telefone público, mas cultivo a liberdade do não ter.
 Não é tão fácil explicar, pois tenho por cá minhas coisitas, simbólicas, sei lá. Todos temos nossos fantasmas e cacos velhos. Vou limpando a mente, mas amo quando as coisas são preservadas: lá fora e sempre em bom estado.
 Aqui está Ângela.
 Um bom filme fica na memória por séculos. Não vi nenhum destes.
 A sala, uma delas, é simplesmente linda.
E aqui, outro cinema, este já posto. Morto. Eu vi aqui o filme do Paulo Coelho com meu marido. É um daqueles cinemas tão antigos que dava até medo de ficar lá dentro. Era como estar em um filme de terror, para assistir outro filme. Depois de sair do Capitólio, fomos neste cinema ver o quadro de filmes e nem acreditei quando o vi fechado. Para sempre.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Juliana

Um perfume de uma mulher.
Havia um espírito sensível dentro de olhos lacrimosos.
Nos conhecemos através das palavras.
Eu estudava a Antiguidade dos animais e ela a História dos ambientes.
Nos anos em que convivemos, a experiência foi completamente literária.
Livros e poesia, também amizade, em meio à Arqueologia daquele tempo.
Ela foi, mas sua marca sempre ficou.
Como ficam para sempre, as pessoas especiais na vida de qualquer um.
Uma mulher, quando é especial, é como um perfume. Seu efeito é imediato quando suas notas aparecem.
A lembrança é referência, como livros, leituras e símbolos, do mundo das letras.
Um mundo, que obviamente mantive dentro de mim através da escrita.
E carreguei em meu coração através do amor.
Para Juliana Soares

Ellen Augusta

domingo, 25 de maio de 2014

O irmão e o anjo alto que o levou

Um pequeno objeto encontrado em um museu, me lembrou que tive uma família.
O pai que era um senhor da ausência, a mãe como uma santa e só poderia sofrer.
O irmão dividido em dois:
um anjo alto e distante, incoerente. E ao mesmo tempo pequeno e frágil, dependente.
O qual eu não podia segurar, mas era responsável.
Tudo foi colocado em minhas mãos, como se eu fosse outra mãe.
Ao ver este objeto deslocado do lugar original, em outro tempo, em outro espaço. Lembrei que existiu um fio de ligação. Nada demais para tantos, tudo para se julgar, para muitos.
Mas para mim, difícil. Eu o vi, objeto fantástico, sorri, e não pude deixar de chorar depois.
Ellen Augusta

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

A luz mais alta

Não consigo esquecer
A luz azul na noite escura
O farol a brilhar no oceano
Em meio a pedras e ondas brutais
É como minha alma em prantos
A solidão como a companheira [interior]
A luz que vela a escuridão
E sinaliza que em algum lugar
Pode existir vida
Um barco perdido
Uma canção soprada
Os ventos nas vagas
A força da dor

O sonho:

Eu quis proteger-te
Mas nunca consegui
Joguei-me contigo
Mas fiquei aqui

O quarto sofrido
Os sapatos inseguros
A ausência de amizade

A prova de História / O seu olhar encantador
A marca da tristeza
de nunca poder sair

Retorno encantadamente
aos meus vestidos e sapatos
ao abraço eterno do amigo
ao canto escuro de mim.
Ellen Augusta


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