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sexta-feira, 24 de junho de 2016

Luz adormecida

Esse olhar turvo sem definição de tom
Só desperta em mim uma cor
e uma vontade.
Quando eu esperava de você o que eu mesma deveria sentir,
Era um ato desesperado de um coração já tão frio, pelo tempo.

Quando enfim eu era transparente como a água,
quando o Inverno gelou, por fim, minha alma,
só restou uma âncora no profundo do mar,
uma memória inalcançável, ferida de tanto sentir.

E o seu olhar era apenas curioso. "Como pode amar, a que morta já está?"
Eu pisei, e o chão se iluminou. Meus pés me levaram até o impossível, num ato de dor.
Era lindo e triste, era uma mentira que eu contei. Mas ela existe!

[Meu amor, meu anjo morto,
desperte deste sonho, por favor,
e olhe para mim]

Eu estou aqui, como quem apenas espera a morte ou seu reverso.
Pois desta vida, o amor já não mais serve,
já chegou, tão pesado, e nada deixou, além das lembranças, essas âncoras.

Eu caminhei e vi um chão de pura luz, tudo mudou, quando fiz o movimento.

Olhe-me, estou aqui. Tudo ao meu redor são gestos, palavras, solicitações,
mas só espero um único toque dos teus dedos e uma direção para este olhar

de quem para mim brilhava, entre todos, nesta multidão.

É tão profunda, tão enganosa, essa obsessão que até o mar percebeu, quando me viu chorar, tão distante, sem nunca voltar.
É um sonho, o que eu vejo neste espelho, como esta vida, também é.

Ellen Augusta

domingo, 10 de abril de 2016

Um coração cortado com sal

Coração dos comuns mesmo...
destes que por qualquer coisa sangra e chora, também fere o suficiente.
Porém, reveste-se de pedras, escondido com medo de ter revelado seu segredo.

Eu não sinto, e quando sinto, sei quanto dói perceber, admitir.
Não creio, nem em mim, nem em quem pode me amar.
Nego até a morte a possibilidade do sentimento,
pois espelha a possibilidade de sofrer,
doer mais do que o usual.
Um belo sofrimento, mas sim, dói como a vida.
A dor de todo o dia não é a mesma que sinto,
quando lembro dos teus olhos, da sensação de riso e alegria
que você me provoca.

Quando todas as vezes, tendo destruir o que me arrebata
Sou destruída pelo que tanto evitei em mim.

Olhando para trás, vi que o amor sempre andou comigo e eu o desprezei.
Ele me carregou no colo, me idolatrava. Eu era apenas medo.

A frieza de um metal, água e fogo cortado com sal.

A paixão crava na pele e é como uma tatuagem.
Mal sinto a dor e já gostaria de sentir o mesmo efeito,
As marcas dolorosas também podem ser boas... depois...
quando o tempo passa.

Agora, só quero que fique.

Ellen Augusta







terça-feira, 8 de março de 2016

Asas negras cores fortes

Perdi o medo de voar.
Na poesia sobre o mar, precisava morrer para encontrá-lo.
Essa morte para uma vida, um sufoco. Eu precisava de ar.
E ansiava por encontrar o mar.
Eu desejei tanto viajar, no fundo da alma só pensei nisso o tempo todo. Até que enfim, uma bela e amigável oportunidade surgiu.
E ver o mundo do alto novamente foi tão emocionante, pena que durou tão pouco tempo...
Quando cheguei à praia, o que aconteceu foi que eu vivi completamente o presente.
Algo que não andava fazendo, estava sempre distraída, longe daqui. Mas na praia não. Neste lugar, não havia tempo para fugir, eu estava sempre ali, focada em cada detalhe lindo da natureza.
Eu não tive tempo nem de pensar, pois diante da beleza o pensamento desaparece, tudo some, e existe apenas aquela paisagem perturbadora, a me chamar...
Incrível como aqui onde eu moro, existem tantas distrações, o celular principalmente, é como uma armadilha que carrego no bolso.
Mas lá meu tempo era apenas viver. Eu curti tanto cada passo que dei, mesmo que em determinados momentos algo antigo em mim voltava: o medo.
Medo de me perder, medo de esquecer essas memórias que carrego comigo, medo de não querer mais voltar.
E aqueles pensamentos mórbidos que me acompanham, sumiram simplesmente. O mar causa isso em mim: uma vontade de viver.
Diante do Oceano, daquela paisagem tão perfeita, eu senti como há muito tempo não sentia, uma vontade incrível de estar viva. E refleti, me perguntei, onde estavam aqueles pensamentos de morte, aquele meu dom para desejar tanto sumir da Terra quase que por encanto.
Esses pensamentos se calaram, entraram em férias, saíram das minhas férias... me deixaram em paz.
Para mim, pelo menos, é fácil amar a vida ao ver o mar e o céu em conjunto. Ao ver a Natureza exposta como uma ferida, para que se admire a vida que existe ali.
Eu presenciei um temporal magnífico, o mar ficando escuro, também a névoa branca que está sempre em meus sonhos...
 Não há nada mais lindo que o mar à noite, a névoa gelada cobrindo a areia, nossos passos sempre acompanhados por um fantasma amigo: um cão amigo que nos acompanhou enquanto nos perdemos.
 Quero voltar, tão logo puder. Meu desejo por viver só se renova aqui.
No último dia em que estava na Praia do Maço, um homem que estava por lá nos parou e disse:
"É possível levar consigo as emoções q se sentiu aqui."
Eu fiquei tão emocionada com essa frase que estou gravando ela aqui, e tentando reproduzir neste blog um pouco do que eu senti lá.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

O brilho do Sol faz minhas sombras mais belas

Eu não suporto a luz do Sol, fere meus olhos e queima minha pele, e prefiro-a branca, cada vez mais branca, como se fosse possível que fosse mais. Mas não posso escolher os dias e muitas vezes não há outro remédio que não sair de casa. O trabalho me obriga, e também a vida lá fora me chama, pois a morte é uma tentação, e não pretendo-a todos os dias.
Gosto de fotografar o Sol, nessas imagens, ele já não fica tão lúcido, as sombras ficam mais evidentes. São recursos da câmera para disfarçar a luz e contê-la dentro da fotografia. Eu prefiro os efeitos que ele causa nas sombras.
Quando a luz se projeta sobre as águas, parece que até influenciam no aroma, no movimento, em tudo ao redor. Como qualquer ser que pode usar a visão é assim que conheço as coisas. Mas sem as sombras, a luz apenas seria uma agressão sem sentido, uma queimadura a me ferir.
 Uma das coisas mais lindas que já vi, foi o amanhecer na praia. O dia chegando, ainda sendo noite. O desespero do sol sobre a inconstância das ondas... Aquela névoa refrescante da manhã e eu ali, sem saber o que ver primeiro, o que sentir, o que esperar.
Ou então o contrário, a luz que a lua projeta sobre as ondas que vem chegando até a borda.
O olhar solitário da lua sobre o absoluto impenetrável do mar.
Essa sensação é completamente agradável, sem ela jamais poderia saber o que é terra ou o que é oceano, eu amava essa luz. Agora, já não a tenho ou, se terei, não sei. Nunca mais vi o mar.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

As flores brancas

Sentido guardado
isolado.. em silêncio.
no ponto luminoso do farol
respiro o vento
quando traz o cheiro do mar, eu lembro.
meus cabelos crescem, eu os corto
no sonho vejo-os longos, as roupas de cores: azul, verde, violeta.
eu os corto, ainda não é  hora
uso o negro pois minha alma traz seu nome igual ao meu.

tenho nas mãos as marcas roxas do sono, as flores brancas do encanto
suspensas por todo o ar
como uma saudade que eu possa capturar
A chuva se aproximava e era de flores:

Por que estavam no ar, no meu corpo, na minha boca e por todo o lado que voltasse o olhar?

Por que brancas, sem em mim tudo é violáceo?
por quê? esses cruzamentos essa distância, esses pensamentos?
sonhos/ em que tudo são tormentos, guardam em si mesmos boas lembranças - porém!

Eu vivo como uma concha, tragando liberdades.
Cada pétala caída, cada flor colhida,
Morrem comigo, nas palavras, em um movimento de minhas mãos, covardes.

O medo, a solidão, esta flor branca , vive internamente.
Abre-se e chora.

Não consegue jamais desvencilhar-se
de uma condição.

Ellen Augusta

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Tormenta pressentida

Qual é o medo criança
do tremor desta casa
Se a janela balança
ao som do meu temporal?
Eu sentia falta dele
Era o meu tétrico amigo
Era o som afável do vento
Que nunca andava só

A lágrima que corria
O vento que aqui batia
Era a lamúria conjunta
luz sanguínea e o tremor do trovão
E também a chuva ruidosa

Correndo a madrugada
Tendo o amor como presente

Ao meu lado ele assim está agora
Eternamente ensimesmado

Nunca diz o que sente
Nunca sei o que sinto
Cai como meu corpo nas pedras
Chuva suicida
meu sono ausente
no profundo negrume
uma só palavra perpetua
Agora já morta: a saudade

Abre as janelas respira
o suave tormentoso
Meu espelho sorri.
Não mais sabe se está aqui.

Ellen Augusta

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Longe do mar

A insanidade, sintomas de minha loucura
é perder-me neste hospital, é queimar-me neste fogo do distanciamento
estar longe do que mais amo -
a umidade do sal.
Uma ave que pudesse voar
meu amor que soubesse viajar
Se eu pertencesse a algum lugar?
A visão do oceano me perturba
eu nem posso mais olhar
A vontade de estar lá e nunca mais/nunca mais voltar

Esteja dentro de minha alma, por favor.
Uma súplica líquida, de amor.

Volte para mim/Não se distancie.
-Eu estou distante, porque sou covarde.

A brutalidade do encontro com o mar
Na noite mais escura um coração cortado com sal
é essa distância covarde do que eu deixei para trás.

Minha morada, meu mar, meu farol
meus pés em cada grão de areia: teu corpo.

A água líquida, o fantasma.
O anjo negro que nunca mais me deixou.
Ellen Augusta

segunda-feira, 6 de julho de 2015

O frio atormentador

Caminho desnuda, o frio me congela,  os pés pouco mais flutuam, pois já não sentem.
Não há nada mais lindo que uma noite descalça.
O sonar das músicas, lá fora é madrugada.
As ondas batem nas pedras, respiro.
Da janela vem um pouco da lembrança, era ela.
Um jeito diferente de ser, uma mulher que outrora caminhava ali.
Era um fantasma de mim.

A mulher que de certa forma te ampara.

O sonho os pés nus de tanto chorar.
O mar continua a ser ameaçador, está tão tarde, preciso morrer.
Não é preciso ser louca, me basta dizer
teu nome.

Oceano!
Luar sobre as pedras, por que não vou ao teu encontro?
O frio do Inverno provoca-me delírio.
Não sei escrever.
Só sei inspirar novamente os mesmos devaneios,
impregnar-me com a mesma recordação.

Eu me vi no espelho das ondas. O espírito no mar noturno.
Nunca mais, eu me dizia.
Nem para a vida, nem para a morte.
Presa entre as vagas marinhas sem saber para onde ir.
Ellen Augusta

terça-feira, 9 de junho de 2015

Quando o Oceano te levou

À casa que se foi

O que caiu naquelas ondas. A minha morte em mar estranho.
A minha casa. O farol. A luz de outrora que nunca se apaga em meu olhar.
Aquela imagem de meus pés a caminhar. As palavras que escrevi para ti.
Camposanto de San Juan - Puerto Rico


Aguas de sal.
Areia pesada.
A horta, as flores que ela cultivava. A terra que nasceu comigo.
O amor que ele nunca me deixava.
O imaterial que estava naquelas coisas.
Nas pequenas e poucas coisas.
Camposanto de San Juan - Puerto Rico
Eu tive e não tive. Era meu, mas de quem seria?
Depois aos meus olhos, o luar, amanheceria.
O mar era meu confidente. As palavras amigo e amor.
O amor adolescente que estava sempre distante [como tudo sempre esteve]
Ela não planta mais suas flores,
De modo que não cultiva mais suas dores.
Ele não olha mais suas árvores, não colhe mais o que plantou.
Não tenho mais minha tristeza, ao menos esta. Só esta. Mas que pesava tanto.
O mar continua me chamando. Precisava morrer para vê-lo, pois sou tão covarde para ir ao seu encontro.
Ellen Augusta

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Almada de Lisboa

Quando meus pés estiverem sinuosos
para entrar em outros calçados.
Quando finalmente a cidade antiga puder me receber, pois anônima sou, como és...
As calçadas da Almada portuária.
Portugal
Me conservo como as pedras daquele farol.
Vou me deixando morrer enquanto há vida. Esperando algo de que já sei e busco.
O não lugar, porque não irei. Ele está dentro de mim. Caminho até seus cantos.
A cada dia que findo, se vai a existência, ao redor um banho de lágrimas.
É o mar, para quem o ama. Olhos molhados de sofrido ondular.
O santuário me espera, as construções semeadas de histórias, são fotografadas pelos meus olhos.
Capela de Ossos de Evora "Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos" 
Ellen Augusta

domingo, 3 de agosto de 2014

A alma do farol

Ando com os pés em dor na areia
o corpo está no farol, perdido, dentro do oceano.
A cabeça é um ponto de luz ofuscante e brilhante.
Uma pedra imensa em direção às águas, carrega os cabelos que crescem.
Eu os corto.
A mãe primeira, a que me salvou do mar, já não está aqui.
A que agora está em silêncio, não olha mais para as ondas.
A primeira mãe me levou aos livros. Pois era sua forma de sumir.
A poetisa, é minha segunda mãe.
Tem os cabelos dourados, como a primeira.
Brilhando como a luz noturna.
Eu os corto,
De minhas mãos só saem dores.

A segunda mãe, mostrou-me suas palavras.
De suas mãos, eu já vi rosas, poesias marítimas, e alguma lágrima de sal.
Chegam à praia e voltam,
ao profundo, um ventre de mar.

Desejo a morte porque nunca pude
jogar-me de um farol.
O medo é para quem não conhece.
O soturno espaço das ondas.
O contato entre o farol e o barco - o sinal luminoso.
As vagas - espelhos que refletem teu amigo, aquele esqueleto interno.


A mãe segunda ensina-me a separar palavras.
Cercar-me do farol e suas sombras.
Águas ensanguentadas, luas estranguladas.
Sondar a melancolia com ternura.

O fantasma ronda as pedras
sobe as escadas.
Conservo-o sagrado.
Uma chama interna.
Preservo a solidão dentro de mim.
Fecho-a junto à lâmpada do farol.
Os livros me libertaram das crendices nos deuses inúteis.
Cerco de velas, flores e cinzas, o sagrado destino das poetas que me fizeram mulher e escritora.
Ellen Augusta
Este poema é dedicado a Maria Helena Sleutjes

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Nordestina

Seguindo com a ideia de não pertencer a nada e ser de todo lugar, hoje senti saudade da viagem que fiz ao Nordeste, tempos atrás. Foi apenas 15 dias. Visitei parte de Recife e João Pessoa.
É praticamente um país dentro deste e é bem Brasil. Percebi que tinha sotaque lá.
"Pares de olhos tão profundos, que amargam as pessoas que fitar. Mas que bebem sua vida, sua alma, na altura que mandar."
Essa frase da música de Zé Ramalho traduz bem como é o povo sofrido do Nordeste e eu fui uma turista que chorou por lá.
As plantas e o centro histórico de João Pessoa são inesquecíveis. Tenho poucas fotos de lá. Mas está tudo bem vivo na memória. Fui numa exposição do Arnaldo Baptista lá mesmo, em uma das raras igrejinhas que visitei. Acho que a própria exposição foi uma raridade...
Teve várias coisas que não gostei no turismo do Nordeste. Pessoas mal intencionadas, preços caros, turismo que suga o turista e o meio ambiente, e vice-versa - turistas mal intencionados, que só querem chupar os lugares e deixar o rastro do seu uso e abuso. Um ar de que o que importa é tirar grana dos trouxas que entram no país. Basta olhar para a cara do ingênuo e dizer o preço. Assim que me senti lá. Mas, toda a viagem vale a pena por trazer em si os tesouros do conhecer, mesmo as coisas ruins.
 Lamento não ter ido numa festa de forró, o que considero o melhor ritmo do país. Não há nada melhor que o forró.
O CD Antologia acústica de Zé Ramalho com Dominguinhos, foi um presente que ganhei de um amigo do Nordeste, que, quando fui conhecê-lo, ele ficou com vergonha e fugiu de mim. A gente se conhecia desde os tempos de fanzine, mas acho que ele tinha namorada e na época, ela deve é ter ficado com ciúme. Não lembro o nome dele, e nem importa. O que importa é que foi um lindo presente pois esse CD representa, na minha opinião, a essência do Nordeste, a beleza e a poesia daquela região. A música Taxi Lunar, foi escrita na beira da praia, os malucos tinham na cabeça um som parecido com o refrão 'ta xi pa'... desse som esquisito saiu esta frase meio profética...
A música beira mar é quase uma oração.



Tive a felicidade de poder levar e ouvir esse CD na viagem e levo comigo até hoje a lembrança daqueles lugares, os faróis, trens, ruas, coqueiros e coisas bonitas de lá, que existem somente lá, e em todos os lugares.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Senhora do mar

Seu anel perolado
encontrei entre o mar
és uma senhora sentada, tão triste a pensar
Com um esqueleto ao colo, de tanto tempo a sonhar.
O mar é o velho de casa, é meu corpo, está em mim o tempo todo.
Estou perdida, entre as ondas - trago tranquila, a dor que outrora foi minha.
Entrego a ti, querida, todo o meu olhar. Espanta-me, vida e morte estão em tuas profundezas.
Ellen Augusta

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A irmandade do passado

Nos braços de uma longa amizade
Um amor de irmão nasceu
O que nunca tive, a família,
o tempo apagou
e esqueceu.
Eu não sabia o que era
Um abraço, uma lágrima.
Eu não sabia que sofria
A falta de uma humana flor.
Hoje o tempo brinda uma família, que é minha.
Insensata voz, a que conhece o grito.
A fala, através do amor, escreve.
A escolha certa, pelas minhas mãos, escolhe.
Sou ainda aquele farol no deserto oceânico
Minha alma sempre foi longe e sombria.
Meu amor sabe disso e mesmo assim me guia.

Uma mãe que é morta
Mesmo assim, é minha.
A saudade vai matando
a lembrança dos dias.
Por que temos que viver a morte?
Por que temos que morrer através dela?
Eu já havia morrido outra época, mas agora doeu mais forte.
A dor da perda é sempre nova, é sempre a mesma.
Mudam apenas os séculos.
Ellen Augusta
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