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quarta-feira, 6 de julho de 2016

Um anjo como os outros

Olho para minha casa, grande, compartilhada. Olho para meu quarto, pequeno, tão meticulosamente feito por mim. 
Eu bebo, coloco a culpa no Inverno. Eu não consigo ficar só, coloco a culpa no frio. 
Vou percebendo que estou tão bem, como nunca estive. Eu estou comigo, e posso estar com quem eu quiser.
A morte me consola, sua ideia, seu aspecto silencioso e profano. Estou com ela, até que a vida se mostre mais atrativa, é um desafio.
Observo as pessoas com uma certa distância, seus problemas, sua previsibilidade. Estou acima das nuvens, estou no avião.
Aquele momento em que a paixão é apenas um sonho, o anjo inacessível, o tema das poesias, que me faz acordar atordoada, para logo me ocupar com o que interessa: o chá, o café, e o que vou comer.

Hoje faltou luz, e havia estrelas. A luneta, eu uso para ver outros apartamentos, vidas frias, distantes de mim, a casa, a decoração, o aspecto da vida que não vivo, como brincadeira que não se faz, porque é preciso ser adulto, é preciso ser frio.
Sem luz, eu desliguei minha mente para os canais de todos os dias, Facebook, Whatsapp, liguei o rádio à pilha e fui para a sala. Havia uma vela azul, e amigos.
Melhor viver com essa paz, do que ter aquela ansiedade perene, vinda do ruído que tem sido a vida tantas vezes. 
Eu não desejo mais nada, por desejar o tudo, aquilo que está tão distante de mim e tão morto. Apenas vivo meus dias, esperando a chuva passar, o supermercado abrir, a luz voltar.
Eu observo as atitudes das pessoas, tento entender sua solidão, suas angústias, como as minhas, eu vou até o fundo, eu desço de elevador.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

A mulher translúcida - um desabafo

Eu costumava me esconder. Achava que assim sentiriam minha falta. Nunca usava o Facebook e evitava qualquer contato pois sempre pensei que causaria um incômodo. E eu temia tanto perder as pessoas.
Sempre quis ter amigos, sempre procurei ser presente, mas havia tanta efemeridade mas atitudes alheias.
Só que um dia eu decidi me libertar da opinião e pensar por mim mesma.
Eu percebi que o mundo era mesmo virtual e as pessoas eram rasas mas... nem todas assim são e nem por isso deixaria de ser profunda, de ser amiga, de ser feliz ou de expressar toda minha tristeza, a despeito do que eu encontraria diante de mim.
Eu abri a solidão de meu coração para quem quisesse ver.
Minha existência sinto agora como uma bandeira a tremular querendo dizer algo tão forte, mas que quase ninguém percebe.
Talvez exista algo que eu realmente esconda. Quanto mais revelo mais parece que há o que ninguém consegue ver.
Quanto não será apenas aspectos, atuações, devaneios e vontade de burlar com o lúcido.
Eu sei que brinco com a imaginação de quem não me conhece e também sei que quase ninguém, ou quiçá ninguém, me conhece realmente.
Mas hoje eu não estou me importando com a dor da despedida, não me importo mais com o fato de não haver com quem contar muitas vezes, nem com quem dividir momentos frívolos de humor e coisas do dia a dia como tomar um café e sentir o Alegre da vida.
Talvez sejam os "novos tempos", talvez não, talvez eu seja cega para quem gosta de mim, desencanei.
Agora eu expresso todo o meu ser, tudo o que ele quiser, conforme o instante dessa curta existência.
Sou toda a felicidade e toda a solidão, mas sou mais do que tudo, morte, ela sempre me acompanhou.
Estou como numa vitrine para o nada e resisto ao risco de que seja realmente nada.
Ellen Augusta

sexta-feira, 31 de julho de 2015

A lágrima que eu tentei segurar

Respirei e a segurei como pude
ao fechar os olhos
caiu

revelando minha dor.

Fecho a cortina escura do olhar
atrás da qual estão aquelas lembranças
o tempo morto através de meus olhos fechados.

E o presente no brilho da visão, que se nos toca.

A lágrima, um mar corre em mim
Odeio a vida porque te conheci.
e a cada correnteza, a cada ferida aberta
mais desejo morrer

para cerrar tantas portas e sepultar
o que tento tanto ocultar
A lágrima denuncia, denuncia o quê?
Um olhar denuncia, mas exatamente o quê?

Nenhuma resposta, visão líquida
Nenhuma resposta, coração indomado
A água salgada, escurecida pela maquiagem, corre pelo rosto
Leva algo, eu sempre soube. Hoje não mais.

Meu sonho revela, carrego a premonição em minhas mãos.
Todas as vezes, a vida inteira. E agora?
Os dedos pálidos sentem as palavras, que saem uma a uma detrás destes negros portais lacrimosos.
E agora?
Elas, lágrimas, já caíram e eu, que anseio tanto pelo fim,
ainda respiro.

Ellen Augusta


terça-feira, 28 de julho de 2015

Um sonho endemoniado

Na estação desconhecida
Não podia descrever
A quem me levava e não sabia
Palavra alguma me dizer

Profanações no silêncio, sua voz saia muda
O ambiente frívolo, uma curva de estrada
Me carregava, como um demônio.

Implorava por saber.

{Meu amor não estava lá, não poderia me dizer
Como eu faria para retornar
ao estado de lucidez.}

Presa desta forma, acorrentada
Ao telefone, a um toque destas mãos
Só confiava:
Em que meu corpo deixaria-me em paz
de que minha alma entregaria-me
à própria natureza, se eu pudesse livrar-me

Do inferno deste sonho.

{Senhoras ao meu redor sabiam, mas apenas me condenavam
Cercavam minha alma de não-sei}

O que sei: conheci a índole triste e doce de seu coração
Embora pareça, sei lá, embora seja, engano meu.

Meu desejo era de acordar, mas meus pés descem, descem...
O corpo flutua, só quer ficar.
Mas as lágrimas, negras lágrimas encantadas
Falsas, fantasias que acordam amanhã.

Ellen Augusta

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Longe do mar

A insanidade, sintomas de minha loucura
é perder-me neste hospital, é queimar-me neste fogo do distanciamento
estar longe do que mais amo -
a umidade do sal.
Uma ave que pudesse voar
meu amor que soubesse viajar
Se eu pertencesse a algum lugar?
A visão do oceano me perturba
eu nem posso mais olhar
A vontade de estar lá e nunca mais/nunca mais voltar

Esteja dentro de minha alma, por favor.
Uma súplica líquida, de amor.

Volte para mim/Não se distancie.
-Eu estou distante, porque sou covarde.

A brutalidade do encontro com o mar
Na noite mais escura um coração cortado com sal
é essa distância covarde do que eu deixei para trás.

Minha morada, meu mar, meu farol
meus pés em cada grão de areia: teu corpo.

A água líquida, o fantasma.
O anjo negro que nunca mais me deixou.
Ellen Augusta

terça-feira, 30 de junho de 2015

As lastimosas pétalas

Mirando ao Sol, as rosas vermelhas
Meus olhos coloridos as tornam roxas e negras flores.
Dorme em mim, envolto como um fantasma em meu esqueleto
Aquele guardião que nunca se afasta.
Nos sonhos suas mãos se entrelaçam às minhas, como se já soubesse.
Chamam para um passado, digo não.
Morta, para a saudade.
Chamam para a morte, digo não, sempre viva.
Afastando-me do afável destino solar. Que Já sabemos.
Até para as rosas que recebo, preciso vê-las fenecerem.
A cada dia que secam, mais lembro do que não cura.
das cores que um dia foram suas
das rosas que um dia foram minhas;
E que para sempre pertencem ao féretro.
Foram eternizadas no meu olhar, quando colorizadas em sangue.
Guardadas para sempre, quando entregues em minhas mãos.

A dor de sempre retorna cinza. Está novamente envolta em nuvens lá fora, não consigo mais nada fazer.

Por que fui nascer, por que fui sonhar com tantas flores, se mal para rosas sei escrever?
Retorno ao mesmo desencanto, ao medo de nunca tentar
Ao mar de prantos flutuar, repleto das rosas, das lástimas e angústias entrelaçadas.
Dos sonhos premonitórios, de espelhos do olhar
Perturbadores reflexos de minha natureza interior.
Ellen Augusta

sábado, 8 de novembro de 2014

Ajude o meu blog Desobediência Vegana

"Trabalho em cartório, mas sou escritor. Perdi minha pena, não sei qual foi o mês." Raul Seixas
Meus botões de pedir grana já estão prontos. E hoje vou contar uma história, que como tantas, são o motivo, o único motivo que me obriga a escrever: a revolta. A existência, descobri antes mesmo de saber que existia Émile Cioran, para mim é algo revoltante!
Uma história de suicídio, contada por alguém, sobre outra pessoa, que eu nunca vi. Isso já basta, para provocar em mim, um furacão de palavras. Foi apenas uma cena. O rapaz, empurrando seu pai, em uma cadeira de rodas. Ele tinha um problema. E cometeu suicídio.
Somente essa cena me fez derramar os rios de solidão que haviam dentro de mim e que ninguém imagina o quanto são tristes.
Uma cena, é um instante, não vivi. Não sei que pessoas são. Pensei. Se eu, assim mesmo como sou, já pensei em zarpar dessa umas vinte mil vezes, sinto compaixão por alguém, por essa cena, que se apresentou diante de mim. E que a sociedade finge que não existe, pois vive com o olho e o dedo em outro lugar.
No minuto seguinte estava rindo e comendo. Sou assim. Minhas trevas não impedem a serenidade. Nem a alegria.
Chorei à luz do dia. A dor não pode ser motivo de vergonha. Meus cinco ou seis leitores sabem que eu escrevo sobre dores, infantilidades, decoração ou meus brinquedos do Chaves e sobre muito mais, além. Pois é isso mesmo o que sei oferecer. Estou aprendendo. A inspiração, vem de séculos de escritores, que amo e admiro. Mas não me iludo de que me pareço com eles.
Quando criança, desenhava. As palavras hoje sangram de meus dedos e desenham o mundo, tomaram o lugar das imagens. O olho é o instantâneo choroso, o suicídio do objeto que eu não vi, mas vivenciei, pois aconteceu também em mim. Por isso é que sigo aqui e, por hora, ainda não parti, junto com o fato em si. O que sobrou foi a caneta, lápis, dedos no teclado - a dor da lembrança do que precisa sair em forma de -escrita.

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terça-feira, 14 de outubro de 2014

Verbos infantis - palavras transitivas: escrevendo para a criança morta

Para Erico

Chover pelas árvores, correr pelas calçadas, folhas e rosas esquecidas no olhar.
O guarda-chuva caminha e a música - sempre a voz - fere ouvidos emocionados.
Vou encontrar o mago.
Contar segredos...malditos.
Na sala dos sonhos, não tem velas acesas, nem incenso, nem toda aquela ritualística dos tempos ingênuos.
O que há ali é um imenso espelho a se partir, a rudez de quebrar pedras, atravessar portais translúcidos, com um corpo de nudez, e alma dilacerada.
As lágrimas no vidro dos olhos, vergonhosas mãos escondem a dor, tudo em frente de deus.

No outro lado da rua a criança chora com sua boneca nova. A mãe está atrás da porta. Ela - um conto de lágrimas. Sabe que chorará até o último dia, deste evento que chamamos de: 'sua vida', mas que é nada mais do que - morte - a cada minuto que deixamos para trás.
O bebê que a criança carrega, é de brinquedo. A criança que o adulto adormece dentro de si - chora e sangra.
Caminha por cemitérios enfeitados de rosas, névoa branca entre lápides, ela está morta.
É a melancolia infinita, de tempos remotos, de dores esquecidas. De bonecas partidas. De afetos que nunca existiram. A solitude necessitava o vazio, e seu direito ao amor. A mente viajava para o distante, buscando o domínio de si mesma - a menina poeta. Eu já sabia.
O amigo trouxe pela primeira vez o abraço - irmão - amado, em troca daquele que não foi.
Olhos de água escura, cujo fundo se perdia em ternura.
Jardim cuidado por mãos tristes, por lágrimas sem remédios.
A criança está sozinha. E hoje eu a vi chorar, por uma boneca que ficou para trás.
Ellen Augusta

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Violento viver

dedicado ao dia nacional da luta contra a violência à mulher
Roubaram-lhe o céu. Construíram um muro ao seu lado. Perdeu a vista dos prédios e das árvores... A mais velha, será arrancada.
A vizinha de baixo fuma o dia inteiro. Já teve câncer, mas acha que conseguiu superar. Até quando?
A churrasqueira começa a tostar a carne às nove da manhã, todo demoníaco dia.
As moscas sobem e entram pela cozinha.
A senhora que aparece na janela é uma vovó com seu cigarrillo, seus netos tossem. Suas filhas, mulheres, andam pela casa. São lindas.
Há um cão sozinho no apartamento de baixo.
Há gato curioso na janela da frente, pronto para voar ao chão, pois para ele não há proteção.
A dona do bar, recolhe as mesas, de olhos no balcão. Expressão envelhecida, roupas 'incorretas' para o padrão das outras mulheres.  Impassível, segue no ritmo do trabalho. Como são interessantes essas senhoras que peitam esse mundo masculino, esse reduto de solitários e bêbados.
As mulheres não confiam em outras mulheres.
'Ginecologista tem que ser homem'.
Afinal, ela se sente mais segura quando um homem autoriza seu corpo.
São bonecas nas mãos de um sistema que as tortura. São perfeitas no que fazem e fazem tudo, no papel que cumprem. Pensa que é livre, até onde aprendeu ser.
A violência mina as meninas.
As torna pequenas armadilhas de si mesmas.
O homem com sua arma de fogo. O pau é uma arma que a sociedade idolatra.
Ellen Augusta

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Um sonho para um poema escrito na escuridão

 Eu tentava consertar a casa, a geladeira que não funcionava, a terra que estava no chão.
 Na mesa com os mortos estava. Não sabia, mas sempre estive com eles.

Meu alívio e tristeza foi quando descobri que estavam mortos como fantasmas.
E não mais precisavam da casa.
Uma criança sem pai nem mãe. Sem abraços, em profunda solidão.
Tentando consertar tudo, destruindo, restando apenas uma vela no escuro.
Raiva e pena, uma pena infinita, que não se pode entender.
Uma casa interna, com janelas de olhos de lágrimas, por todas as coisas que queria fazer.
Ela morreu de tristeza. A mataram. A casa também a matou.
A casa ruiu dentro de mim.
Pois sua dor se findou.

Ellen Augusta

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

A quem nos observa

Sempre busco aquele silêncio de quem nada tem a dizer. Mas temos sempre muito a dizer. Ouvimos tanto, de todos. Há tanta gente frágil, tanta gente incapaz de ouvir a verdade. Pessoas que, ao saber de sua própria condição, talvez desmoronasse. Quem somos nós para dizer então, quiçá, apenas uma frase, um comentário, apenas uma observação?
Já, de tantas leituras, misturo os livros, já não lembro quem foram os autores de certas ideias, mas as nuances são perfeitas. Há quem diga que o sujeito que mente não se suportaria se soubesse da sua própria verdade. Será por isso que tanta gente não quer ver?
Estou cansada de perseguições, falsas, verdadeiras, fictícias, inventadas. Somos alvos, somos observados. Estamos para o bem, por isso não é fácil.
Retiradas estratégicas, voltas discretas, segredos, brincando com a tolice alheia...
Porque as pessoas acreditam em aparências, observam, mas não veem realmente. Adoram fofoca, mas nunca sabem de nada, nem sobre si mesmas, nem sobre o que as cercam. São pobres de espírito, por que pensam que sabem.
E mais do que nunca, por que me condeno tanto? Se ainda estou na fase sensível, de quem viu o que não era para ver. E agora segue com olhos em chamas?
Ellen Augusta

sábado, 16 de novembro de 2013

Livros livres

 Mais uma garimpada na feira do livro... todos grátis...
 Peguei esses bem juvenis, para presentear e também para vender. Não gosto de literatura de vampiros. Embora neste livro, tenha um conto muito bom.
 Um Neil Gaiman e o vampiresco...
 Essa coleção está me esperando. Quero ler todos. Especialmente o que fala sobre Maria Madalena e Jesus, continuando o clima do livro de José Saramago, que acabei de ler. (e amei muito, demais!)
 Esses também quero ler... O de etiqueta da Glória eu já li uns trechos na Internet.
 O Melancia comecei a ler. Não é meu estilo, mas fiquei curiosa. É aquela mulher 'largada do marido' que começa a vida do zero outra vez.

Olha que livro antigo mais lindo. Estou lendo. São histórias antigas, algumas reais...e estou gostando muito! Eu pretendia ler e trocar depois mas não vou trocar, ficarei com ele, pois adoro livros antigos. E estou montando minha biblioteca de livros de terror e suspense.
 Esses eu troquei hoje na feira.


sábado, 2 de novembro de 2013

O vento desgarrado

A música abaixo é a história da minha vida, exceto pela carne gorda e as esporas, a menos que sejam simbólicas...

Meu pai era só trabalho. Passou o tempo, primeiro apanhando dos pais, depois da vida.
Minha mãe começou a trabalhar muito cedo, meu nono era alcoólatra, minha nona, outra santa.

Minha tia acende os palheiros na porta... eu ia brincar com meus primos... amo essa saudade.
Minha outra tia era como eu, a revolta em si mesma! Não teve filhos e eu me via nela. Meu tio um coração gigante. Outros morreram e viraram causos na frente do fogão a lenha.

Mataram a ovelha companheira de minha mãe. Ela ouviu o choro e nunca mais pode comer a carne.
Ficou o lugar, na minha mente o vejo num piscar de olhos, as mesmas montanhas, as serras, os córregos e cachoeiras... a fonte cristalina onde minha outra nona lavava roupa e tirava a água.

Essa é uma pequena homenagem de Finados, a muita gente que, desta história, já não vive mais, e principalmente à minha mãe e meu pai, que sofreram do primeiro ao último dia de sua estada neste inferno.
Ellen Augusta

é claro que eu sou o vento desgarrado...
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