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domingo, 3 de agosto de 2014

A alma do farol

Ando com os pés em dor na areia
o corpo está no farol, perdido, dentro do oceano.
A cabeça é um ponto de luz ofuscante e brilhante.
Uma pedra imensa em direção às águas, carrega os cabelos que crescem.
Eu os corto.
A mãe primeira, a que me salvou do mar, já não está aqui.
A que agora está em silêncio, não olha mais para as ondas.
A primeira mãe me levou aos livros. Pois era sua forma de sumir.
A poetisa, é minha segunda mãe.
Tem os cabelos dourados, como a primeira.
Brilhando como a luz noturna.
Eu os corto,
De minhas mãos só saem dores.

A segunda mãe, mostrou-me suas palavras.
De suas mãos, eu já vi rosas, poesias marítimas, e alguma lágrima de sal.
Chegam à praia e voltam,
ao profundo, um ventre de mar.

Desejo a morte porque nunca pude
jogar-me de um farol.
O medo é para quem não conhece.
O soturno espaço das ondas.
O contato entre o farol e o barco - o sinal luminoso.
As vagas - espelhos que refletem teu amigo, aquele esqueleto interno.


A mãe segunda ensina-me a separar palavras.
Cercar-me do farol e suas sombras.
Águas ensanguentadas, luas estranguladas.
Sondar a melancolia com ternura.

O fantasma ronda as pedras
sobe as escadas.
Conservo-o sagrado.
Uma chama interna.
Preservo a solidão dentro de mim.
Fecho-a junto à lâmpada do farol.
Os livros me libertaram das crendices nos deuses inúteis.
Cerco de velas, flores e cinzas, o sagrado destino das poetas que me fizeram mulher e escritora.
Ellen Augusta
Este poema é dedicado a Maria Helena Sleutjes

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Alta e baixa estima

Sim, você leu isso. Nós, altas, magras, ou que achamos ser tudo isso também temos problemas com auto estima. Eu tenho. Já sabia há muito tempo. Mas na terapia o espelho é mais bonito e mais feio, porém sincero.
O sistema te faz pensar que essas mulheres não sofrem com os padrões de beleza, mas é puro engano.
Aliás, aprenda: o sistema te diz o que pensar!
A tendência é que as mulheres magras e altas não sofram tanto, pois tudo serve, tudo é para elas. Mas aí é que a armadilha está montada. Engorda-se um quilo e já. O pior é quando elas mesmas pensam que não sofrem nenhum tipo de pressão social, iludidas que estão no meio dessa purpurina montada pelo sistema machista e opressor em outros níveis.
Minha baixa auto estima passa ao largo dessa questão de peso, neste momento, mas já tive meus problemas sim.
Já sofri preconceito por ser magra.
Assim como gordos sofrem gordofobia a todo instante. Se uma mulher é gorda e não quer emagrecer e se sente feliz assim, pronto. Também sofre preconceito. Até a palavra gorda ofende. Curioso que a palavra correspondente - magra - não ofende.
Como se fosse obrigatório emagrecer. Não pensem que ser magra é menos ruim.
Você tem que ouvir todo o tipo de piadinha. E a mesma pessoa que te elogia ou fica em silêncio na tua frente, fala mal das outras mulheres magras, nas tuas costas. É a desunião secular feminina.
Para muitas mulheres a questão de perder peso é tudo o que importa na vida, pois é o que mais afeta sua psique. Para outras, no entanto, há muitas outras coisas igualmente torturantes. Tudo é triste sim, e nós sabemos o quanto dói. Mas a vida consiste em aprender todos os dias. E aqui vai mais um dia.
Não ser vista. Sentir-se invisível. Não receber um telefonema. O adeus de uma amiga. Uma carta não enviada. Um abraço esquecido. Um presente guardado. Palavras ditas no momento errado. Falta de palavras.
A indelicadeza de alguém.
Tantas vezes, mesquinharias vindas de pessoas que nem importam.
Mas o que sai ferida é a menina. Aquela menina da casa de sua mente. A casa vazia. A casa de espelhos.

Um toque sensível onde tudo se quebra. Em sonhos, um passo e tudo são cacos de vidro.
É assim a mente quando afetada pela baixa auto estima. Mas nem todo mundo é assim.
Como eu sofro desse problema, reconheço quem sofre, a quilômetros.
Algumas pessoas são arrogantes, ferem para não serem feridas. Outras se escondem. Outras ainda, gritam bem alto. Há quem seja apenas louco.
Mas não é fácil de admitir e não encontro quem admita. Pois há quem nem saiba.
Tenho coragem e vontade de publicar uma série de coisas aqui sobre esse sentimento ruim, justamente por que admito sofrer desse mal, e por que não entendo praticamente nada sobre esse assunto.
Alguém pode saber sobre isso, ser assim como eu, ou enviar um sinal. Como outro farol no oceano.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Tarde demais

Esta é a foto da minha mãe com 18 anos feita pelo fotógrafo e poeta  Lino Estefano de Nes , que ganhou um prêmio com uma fotografia em que minha mãe segurava um filhote de pássaro na mão. Ele dedicava poemas à minha mãe. Ela guardava os livros e fotos dele com dedicatórias de amor.  Hoje é falecido. Não achei mais nada sobre sua obra e vida. Nada dessas coisas se preservaram, somente em minha lembrança. Descobri que existem peças dele no museu de Encantado RS.
Eu era uma criança no escuro
Você não teve culpa
Você não sabia
Nossa dor foi ter nascido
Eu te vi e sentia a mim mesma
O corpo tão frágil e sofrido
A dor da alma
Translúcida na falta do ar.

Como era inesperado!
Da morte feliz no mar profundo...
À uma cama de hospital
Com uma cruz na alma e a dor no corpo.

Eu não me perdoo
Ainda não
Eu quis morrer todos os dias
O oceano a me chamar
A luz de um farol a brilhar
Os pés na areia
Lágrimas de sal
À espera de um sonho
Que suplantasse todos os outros
Em que te vejo por dentro
Não. Fiquei aqui, só.
Quase, quase todos contra mim.
E a verdadeira versão dos fatos
Somente o que hoje é meu espelho
Soube!
Ellen Augusta


Meu mundo e nada mais - Guilherme Arantes

terça-feira, 9 de outubro de 2012

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