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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Amanhecendo com o nascer do sol

Todos os dias é um tormento o não dormir. Me recuso a deixar o sono vencer.
A vida, é tão rara para mim, cada minuto importa. Mesmo um tempo gasto em nada, mesmo aquele no silêncio.

Desde criança eu tenho medo de dormir. O sono leva embora a possibilidade da lucidez, e de meu apego à vida, a esta vida mais concreta.

Eu mergulho na sombra dos sonhos, encontro fantasmas, criaturas da minha psique, lendas e coisas que li a muito tempo. Esse paraíso raramente é confortante. No mais das vezes são coisas que preciso viver, e que minha vida de vigília não permite.

Já tentei escrever poesia com as histórias noturnas, mas elas mostram coisas demais. Não é possível escrever sobre algo tão nude, não é possível vencer essa barreira das coisas implícitas e claras dentro da mente.

A variação dos sentimentos, as coisas antigas tão profundas, e essa vontade de morrer, só para ter certeza de que, o que se vê nos sonhos, realmente existe em algum lugar.

Meu medo de dormir, é como um medo de dar um passo em frente ao abismo da morte. Aquilo é vida, porém não o sei. Estou a viver coisas tão insólitas, tão implausíveis, tão profundas na minha mente. Uma pena porém, que os protagonistas nada saibam, sequer existam neste mundo terreno, apenas estão ali, segundo meus desejos, assim acho.

É uma pena que os protagonistas jamais saibam que fazem parte das minhas premonições, dos meus medos e das coisas que cercam a aura do tempo noturno.
Contar um sonho é uma atividade frustrante, pois nunca podemos descrever as cenas que vimos, nunca haverá detalhes perfeitos, só os fragmentos. A mente nos obriga a esconder e creio que ela tenha lá suas razões.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Flores roxas, meu presente

Quase consigo fingir que não sei,
quando percebo minha frieza - a minha única arma -
quando percebo que tudo muda, 
e você se desmancha em emoção. 

Ignoro, olho para o lado. 

Não quero ver quem me quer tão bem.
Não creio haver sentido, em um sentimento que sempre foi apenas meu.
E agora o vejo refletido.

Preciso partir, meu sonho.
Você me carrega em seus pés, os cabelos vermelhos, as palavras que eu esqueci, 
de tão importantes que eram, para mim.

Te abracei, e sobre teus pés, andei assim, como uma criança.

Eu só andava, passo a passo, pés sobre pés, o poema assim construído
dentro de meus olhos fechados - o sonhar.
Preciso ir, 
nasci, para em seguida fenecer.
Essa cor verde que me impressiona, 
esse jeito de chorar.
Aquelas flores mortas, as saudades, o presente,
tudo tão triste.

Foi o lugar, foi a cidade, a metrópole dos mortos.

A janela aberta para o silêncio do lago,
um cemitério de lembranças,
ele tão quieto - a minha distância interior.
Porque a melancolia tem essa coisa que me devasta por dentro.

Eu preciso abrir os olhos, eu preciso acordar.
Nossos dias nos matam, eu sei.
Mas isso não é suficiente.

Chorei, quando te conheci. Porque sabia que não seria fácil. Porque sabia que meu mundo se quebraria, com o ruído do seu caminhar.

Ellen Augusta

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

A atenção é um artigo raro em tempos de Whatsapp e redes "sociais"

Se tivesse um botão no Messenger que seria acionado a cada vez que alguém puxasse assunto comigo, descontando Um Real da conta do sujeito, as pessoas pensariam duas vezes antes de entrar para dizer merdas como 'Oi Linda', 'quer casar comigo', 'qual seu Whats' ou mandar foto de pau copiada do Google...

Esse tipo de conversa é previsível, você sabe como começa e onde termina, e não tem conteúdo algum, não tem propósito e ainda por cima é desmotivante. Quem é que não se sente um lixo, ao saber que tanta gente entra em contato com vc, mas na realidade, quase nada QUER realmente travar amizade ou revelar coisas importantes, ser útil, agradável?
Por outro lado, a reclamação geral é de falta de atenção.
Você marca um café, e sua amiga pega o celular e não fala mais com você. Você está com o boy e daqui a pouco ele pega o telefone (sim vc não é o único contato dele pra sair) e começa a usar na sua frente, como se não existisse mais ninguém ali.
Você tem muitos amigos no Whats, mas é vácuo em toda parte. Respostas vazias, silêncios, nadas, enfim, não preciso explicar muito o que a maioria já passou.

Que grande merda é a vida das pessoas em geral, pois precisam tanto de um telefone, e não conseguem fazer nada de verdade por muito tempo.

Depois que comprei meu Smartphone minha vida piorou. Só anexei ou excluí números na minha agenda. Pessoas que entram e saem, como em um bar, que depois fica vazio e sujo com as marcas de quem passou.
Gente que tá muito preocupada consigo mesma para construir algo aos poucos, e no mais profundo e difícil, com vc.

Esse desinteresse cansa, sobretudo porque é sempre igual. Eu espero surpreender-me, mas espero sentada, escrevendo aqui no blog.
Joguinhos do tipo "vou me fazer de difícil", não colam mais, todo mundo já sabe que é um jogo tolo e repetido, e o pior, todo mundo joga, então cadê a originalidade? Ou seja, se alguém tá se fazendo ou te tratando como segunda opção, você parte pra outra e transforma esse cara em segunda opção também. E assim a vida segue, igual e sem graça pra todo mundo.

Ser você mesmo, falar o que sente, assusta e leva essas pessoas para suas cascas frágeis, para aquela ilusão cotidiana de proteção.

E isso não vale só para crush, ficante, e afins. Também vale para gente orgulhosa, egoísta, que acha que as pessoas estarão sempre à disposição, é só ir ali e pegar no Whats.

Está cada vez mais difícil se envolver, pois as pessoas simplesmente estão confusas quanto ao que querem, ninguém se propõe a nada, melhor é estar em todos os lugares ao mesmo tempo, sendo um fantasma intelectualizado ou um boy magia, que não se dedica e não acrescenta nada a ninguém. É assim que eu vejo a maioria das pessoas que tentaram entrar em contato comigo.

Nas ruas as pessoa imploram por atenção. Nos trabalhos que faço nas ONGs que atuo, percebo o vazio, a falta de afeto e a desorientação das pessoas por toda a parte. Aí aparece o machismo, a carência, a negligência...

Todos, ou quase todos, querem um relacionamento, mas o que oferecem e o que existe são só migalhas, são só moedas.

Um amigo me disse: Se alguém fica/transa com todo mundo, é como se fossem várias moedas de um centavo que, juntas, não formam nem Um Real. Vários caras, não formam um homem inteiro.

Pois você não pode dizer a ele nem como se sente num dia de angústia.

Várias noites com meninas diferentes, e você é o mesmo merda que não conheceu ninguém pois ninguém se mostra em poucos momentos, na hora da cerveja, ou numa trepada sem a menor intimidade, pois não é fácil se apaixonar, tampouco se envolver com quem você viu umas vezes na hora da alegria, do cabelo arrumado, da make bem feita.


Fico pensando que um dia a ficha cai, ninguém é lindo, corpão sarado, rei da galera, ou líder, a vida inteira. Essa fase oba oba, essa ilusão de auto suficiência vai acabar geral e para todos um dia. Uma hora bate a solidão, aparecem os problemas, e você só tem  crush, ficante, amigos de bar, de trabalho ou de App, pois dedicou sua atenção apenas a essa vida estúpida que você leva e que vai te levar para a morte, como a todos nós.

domingo, 28 de agosto de 2016

Angústia

Adoro a palavra Angústia, e não consigo parar de sentí-la.
A perseguição começa quando estou bem. Vem sempre à noite, quando estou já desarmada. Está a me rondar neste momento. É um sentimento que anda de mãos dadas com outros, que nem ouso mencionar.

Se eu disser as palavras, se eu as formular, tenho medo de que escapem do meu coração ou, me prendam para sempre em seus significados.

Quando a noite chega, e com ela está a Angústia, eu sinto vontade de deitar embaixo do cobertor, e esperar o tempo passar, queria dormir, queria esquecer, das coisas lindas ou tristes que estão pairando no ar. Mas esse sentimento congela tudo, fixa tudo em algum lugar onde não alcanço.

Tudo começou quando abri uma fenda desta armadura. Eu não suporto o brilho da noite, tampouco a brancura serena do dia quando começa.


Esconder-me no sombrio me confortava. Minha vida estava bem até então.
O dia traz as cores do Sol, e a possibilidade de eu me sentir melhor, quem sabe. Mas, por que tudo é tão longe, por que é tão raro?

Eu caminhei pela manhã, percebendo a neblina gelada. Estou cansada. Minha vida, eu zerei, todas as possibilidades, já não me interessam. A beleza está ali, a vejo, mas será minha? Prefiro a certeza da morte, do que a brevidade incerta da vida.

Fugindo de tudo o que venero, passei a vida perdendo o que de mais sagrado conquistei.

Eu não quero mais viver de relações vazias, não quero ser mais uma opção na agenda de alguém. Uma companhia para o nada, um ser esquecido, como sempre fui.
Eu não quero mais jogar o jogo, esse jogo de vazios, de vácuos, de nadas que se completam.

Amanheci com o vestígio de um sonho ruim. Eram coisas a serem banidas, varridas, eram noites sem sentido, com o Oceano de fundo. Era um brilho de morte em toda essa praia vazia.

Eu penei, essas semanas eu senti toda a angústia possível, de quem espera descobrir algo. Meu corpo não responde a minha pergunta, só me fere com dores, estranhas sensações. Minha mente é apenas negação.

O que será que vai acontecer na minha vida? Serei só ou há algo mais em mim?




sábado, 30 de julho de 2016

A rua

Era um encontro ao acaso, os fantasmas lá fora, as coisas sempre nebulosas. Como é difícil lidar com a clareza, aí vamos para as sombras. Tão mais fácil é sonhar, quando me escondo do Sol.
Nada se compara à essa terrível timidez. Me deixa ora pálida, morta, outras vezes vermelha, como algo queimando no rosto. Eu não consigo mentir, fingir que não me importo.
É impossível formular uma palavra, o medo de que ela saia 'errada' e leve para longe, toda a possibilidade. Eu me concentro na beleza das coisas, até chego a amar a vida novamente, durante um segundo, a pureza de um instante me faz esquecer, de toda a tristeza anterior.
A rua se mostrava iluminada. Era final de tarde, havia tantas árvores e um brilho dourado por onde se passava. Eu só queria ir pra casa, me atormentava o medo, a insegurança, essa merda chamada vontade. Esses sentimentos, que ao sol de um final de dia ficam mais bonitos, nem parecem o que são.
Ontem, eu senti um certo orgulho de estar viva. Geralmente eu anseio pela morte, como uma forma de alívio. Geralmente a vida para mim não tem sentido.
E, dessa vez não é licença poética, eu já quis morrer tantas vezes quanto são os dias.
Mas, ontem, ali naquela praça, com aquelas árvores verde-brilhantes e pessoas andando para todos os lados... eu curti estar onde estava. Ali. E percebi que meu coração é vazio, das coisas banais esperadas por todos, mas é repleto, de coisas que nem mesmo sei, e me surpreende, por vezes.

Será que o amor que conheci, se transformou? Será que esse sentimento adentrou-se aqui dentro e me tornou isso? Outra coisa, outros sentimentos, mas todos parte desse, tão profundo e esperado?

Minha mãe

Faz alguns dias que sonho com minha mãe. Faz alguns dias que choro quando ouço RR. Sentir saudade de quem já partiu dessa vida estúpida é quase a mesma coisa que se torturar, não há corte mais profundo, nem mais infeliz, pois é inútil.
Só há uma sensação chamada ausência, As flores secas, a casa fechada, minha mãe completamente cinza, a cor dos fantasmas quando, por fim, estão mortos.
E essa presença soturna a me dizer o que devo carregar. Mas, por quê devo obedecer? Por que passar a vida a levar pesos, mágoas, formas de tapar grandes buracos na alma?

Não, mãe, eu desobedeço. Não levarei nada, partirei com a alma vazia, nada mais restou.


quinta-feira, 5 de maio de 2016

A Mãe

A Mãe, era assim que eu a chamava.
Seu nome, eu guardava.
Mãe era tão bom pronunciar.

Ela sentia um nó no peito, toda a vez que eu conhecia um cara.
Se sentisse uma coisa ruim, ela já disparava: Não vai dar certo. Eu ficava puta. Como assim mãe?

E era tão fatídico: o mais amado, ou o que mais me perseguia, sumia frente à intuição cristalina de um coração de mãe.
 E, se ela sentisse aquela pontada no coração, era questão de tempo. Não dava certo.
Mas, quando eu casei, perguntei a ela: Mãe, o que você sentiu dessa vez? E ela não havia sentido nada. Mãe, você não errou.

 Minha intuição não me diz mais nada, desde que não lhe dei ouvidos quando ela me chamava dia após dia e, nada fiz. Eu sou tão torpe, mal sei o que eu mesma sinto, meu coração é morto às vezes. Sofreu demais e hoje prefere o silêncio de nada saber.

Queria tanto ter essa intuição dolorida, essa dor no peito que dizia à minha mãe o que ia acontecer. Sempre fui fascinada pela morte. E mesmo sabendo que foi um alívio para ela, sair desse mundo de tristezas, que falta que minha mãe me faz!

Eu sonhei com ela essa noite. Acordei desolada, me sentindo tão órfão, perdida no mundo de um coração vazio. Sem dor, sem amor.

Queria que ela estivesse aqui. Não precisava falar nada, nem ser nada, pois exigia tanto dela quando era viva. Hoje só queria seu ser. Como era, com seus defeitos, qualidades, e sua presença. Nem mesmo no sonho a via direito.

Ela estava ausente. Essa ausência que senti a vida inteira. Me conforta saber que ela pode estar em silêncio. A mudez da morte, sem essa de "vida no além" pois o que mais queria era que ela ficasse em paz.

Fiquei com tão poucas coisas suas, as rosas, a solidão e o modo de amar, talvez. Ausente e profundo.
 Ellen Augusta

terça-feira, 8 de março de 2016

Asas negras cores fortes

Perdi o medo de voar.
Na poesia sobre o mar, precisava morrer para encontrá-lo.
Essa morte para uma vida, um sufoco. Eu precisava de ar.
E ansiava por encontrar o mar.
Eu desejei tanto viajar, no fundo da alma só pensei nisso o tempo todo. Até que enfim, uma bela e amigável oportunidade surgiu.
E ver o mundo do alto novamente foi tão emocionante, pena que durou tão pouco tempo...
Quando cheguei à praia, o que aconteceu foi que eu vivi completamente o presente.
Algo que não andava fazendo, estava sempre distraída, longe daqui. Mas na praia não. Neste lugar, não havia tempo para fugir, eu estava sempre ali, focada em cada detalhe lindo da natureza.
Eu não tive tempo nem de pensar, pois diante da beleza o pensamento desaparece, tudo some, e existe apenas aquela paisagem perturbadora, a me chamar...
Incrível como aqui onde eu moro, existem tantas distrações, o celular principalmente, é como uma armadilha que carrego no bolso.
Mas lá meu tempo era apenas viver. Eu curti tanto cada passo que dei, mesmo que em determinados momentos algo antigo em mim voltava: o medo.
Medo de me perder, medo de esquecer essas memórias que carrego comigo, medo de não querer mais voltar.
E aqueles pensamentos mórbidos que me acompanham, sumiram simplesmente. O mar causa isso em mim: uma vontade de viver.
Diante do Oceano, daquela paisagem tão perfeita, eu senti como há muito tempo não sentia, uma vontade incrível de estar viva. E refleti, me perguntei, onde estavam aqueles pensamentos de morte, aquele meu dom para desejar tanto sumir da Terra quase que por encanto.
Esses pensamentos se calaram, entraram em férias, saíram das minhas férias... me deixaram em paz.
Para mim, pelo menos, é fácil amar a vida ao ver o mar e o céu em conjunto. Ao ver a Natureza exposta como uma ferida, para que se admire a vida que existe ali.
Eu presenciei um temporal magnífico, o mar ficando escuro, também a névoa branca que está sempre em meus sonhos...
 Não há nada mais lindo que o mar à noite, a névoa gelada cobrindo a areia, nossos passos sempre acompanhados por um fantasma amigo: um cão amigo que nos acompanhou enquanto nos perdemos.
 Quero voltar, tão logo puder. Meu desejo por viver só se renova aqui.
No último dia em que estava na Praia do Maço, um homem que estava por lá nos parou e disse:
"É possível levar consigo as emoções q se sentiu aqui."
Eu fiquei tão emocionada com essa frase que estou gravando ela aqui, e tentando reproduzir neste blog um pouco do que eu senti lá.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Flores para o Solstício de Verão

O que eu faço com estas flores vivas?


Sonhei que minhas flores estavam vivas, prefiro
a eternidade das mortas
Elas que já tiveram um suspiro em minhas mãos
pertenceram ao vento, ao teu sorriso e um dia foram colhidas e destinadas a mim.

Acordam-me nos sonhos, brancas, roxas, sofrem em meu coração.
A concordância de serem frágeis, destinadas ao não ser.
À negação, ao féretro, ao perfume, à conquista efêmera de um momento.

Nunca soube ser nada além do corte.

A névoa de um balanço, as flores se movem no ar. Basta tua presença.
Sinto-me trêmula como as rosas.

Com a melancolia no olhar, ele as observa impassível, porque também é tão sensível
quanto uma flor.

Ellen Augusta

domingo, 1 de novembro de 2015

Día de los muertos: o povo que é feliz mesmo diante da morte


Este ano, será com toda certeza lembrada a morte de Chespirito no México. Lembra-se a alegria de tê-lo conhecido e a dor de ver sua partida. Essas comemorações são assim, uma mistura de dor e alegria. Aqui eu também vou fazer todas as minhas homenagens a ele.
Esse libreto é de Guadalupe Posada quem faz os famosos desenhos das Catrinas. São composições de poemas sobre a morte, em tom de deboche e alegria. Significam, no geral, que não importa o que você seja, rico ou pobre, esnobe ou simples, não importa o que você acredite ou não, no final você será uma simples caveira. E nada mais!
 É uma raridade, que veio como fanzine. Sempre em dias de Halloween e Día de los muertos, finados, sai das minhas coisas guardadas e vem á tona, para ser relembrado... de um espanhol diferente, antigo e lindo.
Os Mexicanos enfeitam tudo com flores coloridas, a morte pode ser preta, eu também considero-a branca. Mas o roxo é a sua cor preferida. Sempre os mortos ficam, no fim das contas, com essa cor. Dado que, é minha cor preferida. Antes de tudo, o ritual era a única coisa que eu sabia fazer, das poucas coisas, enfeitar algo inerte.

Quando um povo lida tanto com a tristeza, das coisas que ele sabe bem é se despedir.
Neste link aqui: http://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2014/11/dia-de-los-muertos.html falei mais especificamente sobre este dia no México. Mas gosto de fazer aqui em casa o meu altar, visto que sou muito fã de Chespirito e acabei estudando muitas coisas dessa cultura que é tão ligada à morte e às suas raízes antigas.
Não tenho crenças, portanto este altar é como um sacrilégio, heresia, nem mesmo sei o termo correto. Uma mistura de tudo que é coisas que tenho em casa, cada uma com um significado. Nem posso explicar tudo. La Santissima Muerte, essa é a minha santa preferida, uma divindade cultuada no México, e outras coisas curiosas que encontrei e guardei por aí.

 Há aqui até mesmo a fotografia de uma defunta, encontrei no lixo, é uma longa história que nem vou contar aqui. Estou escrevendo sobre ela, e seu passado. Foi parar no meu altar também. Afinal, foi abandonada, eu a encontrei...
 Aqui as pessoas só tatuam catrinas e usam camisetas da Fridas k. Eu sempre me interessei por todos os elementos do México e acho muito mais interessante outras entidades mexicanas, como o Senhor do Veneno, Jesus Malverde, Santa Morte e outras significações...
Angelines Fernandez, foi atriz, modelo, guerrilheira, ativista contra a ditadura, entre outras personalidades esquecidas, mulheres tão interessantes quanto pouco lembradas e falo hj apenas das mortas...
 Chespirito merece todas as homenagens, todo meu carinho e de seus fãs. Só uma pessoa que fez tão bem a tanta gente, pode receber tanto carinho e ser lembrado por tanto tempo, por tanta gente e em tantos lugares.
 Meu amor eterno, de todo coração, a esta pessoa tão querida e a todos os seus personagens, queridos atores já mortos.
 Este com a foto do Chespirito fica o ano inteiro pois é minha homenagem a ele desde sua morte.
 Vejam um altar mexicano onde também se homenageou Chespirito. Muito amor para essas pessoas.




Sobre José Guadalupe Posada e sobre México e suas ligações com a morte assista esse documentário maravilhoso cheio de música:



e a parte segunda:
Algumas postagens que eu fiz sobre essas épocas que eu considero as melhores do ano, antes do Verão. Pois para mim, não há nada mais lindo do que a Primavera, e esse ar sombrio:
Halloween e meu olhar 43: http://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2014/10/halloween-e-o-meu-mundo.html
O Día de los muertos, Halloween e Beltane: http://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2013/10/o-dia-dos-mortos-halloween-e-beltane.html
Comemorando o Halloween:http://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2012/10/comemorando-o-halloween.html

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

A quem puder lembrar de mim

Eu me sinto tão sozinha e, no entanto, andava tão 'acompanhada' por tanta coisa. Lembranças e gente ao meu redor, mas no fundo, ninguém.
Ele me observa a escrever, e adora. Eu também. E nossas conversas, não acabam mais, seguem pela noite.
As palavras seguem pelo cérebro como correntes. No papel é que elas param, depois seguem, intermitentes.

Em frente ao lago, aquele dia eu fui sozinha, para ver realmente o que sobrou de mim. Estou cansada de tanta coisa dentro de minha cabeça.
Aqui em frente ao lago tudo é turvo e verde, lembro do nosso amor, meio esquisito, um pouco sublime, um pouco terra e água.

Não. Não queria me isolar, mas a indiferença das pessoas me marca com um neon em vermelho vivo. E saio por aí estampando uma sensação que não queria ter.
Nas vezes em que sempre vivi sozinha e sempre amei isso, tudo bem, mas quando não quero, aí não é legal.

Agora, as pessoas encontram-se em um mundo onde é impossível o contato. Se têm muita coisa, muitas pessoas ao mesmo tempo mas elas não oferecem nada. E não querem nada. Não se tem qualidade no vazio deixado, não se tem palavras complexas, não se tem porra nenhuma.

Não vou mais falar de coisas práticas, de um convite para dar uma volta, tomar um café, ou falar de coisas mais profundas, pois isso ficou para a época em que se podia falar com a meia dúzia de loucos que me ouviam.

Hoje, é aquele policiamento alheio, uma falta social, uma solidão diferente.

Aquela solitude minha, a amiga que sempre tive, não está aqui mais. Hoje, se é refém de uma virtualidade inquietante, a que é boa, maravilhosa para quem a quer, mas tem fim ou não. Às vezes enche. Às vezes esvazia. Outras, cansa, pesa.
E, isso tudo gerou mais uma vez, pois não nasci ontem, aquela pergunta de sempre: o que nos sobra?
Eu não tenho mais família, somente fragmentos de memórias que faço questão de esquecer. O amor foi meu primeiro dano. Nunca soube como é.

Depois de tantas marcas neuronais, não se pode saber o que ficou de particular. Gostaria de poder isolar uma porção minha que não fosse tocado por tantas manchas, que não houvesse um desses rostos, a lembrança do mar, tanto as calmas quanto a vez em que ele tentou me matar.

Onde estaria este ser, se não fosse essas coisas, essa fixação eterna pela morte, pelas palavras e a escrita, que surgiu e não foi do nada, foi sim muito cedo, pelas dores cravadas aqui dentro?

Talvez exatamente por isso a ideia da morte e do silêncio depois dela me pareça tão reconfortante.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Das mil vidas escoadas como flores em lençóis escuros

Há lá dentro do ser, incompleto por si mesmo, 
um esqueleto, o imago, um ser espelhado.
Idealizado em estado de um brilho que voa,
mas permanece enraizado.
Ao passo que ainda há outro esqueleto venerável
A Santa Morte, 
A Santissima Niña Blanca, que, se não está internalizada, 
anda a rondar, como a poderosa, que é em si mesma.

O poema impronunciável, não pode ser nem mesmo recitado, pois suas palavras
embargam a voz.
Ele é mesmo um retrato. De tantos, de tudo, de cegos e de visionários.

Ellen Augusta


Agora, o soneto, eu o recito sempre a poucos que conheço, mas... já não mais consigo recitar, pois começo a chorar...

Soneto XVII

Da vez primeira em que me assassinaram
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, de cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha…

E hoje, dos meus cadáveres, eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada…
Arde um toco de vela, amarelada…
Como o único bem que me ficou!

Vinde, corvos, chacais, ladrões da estrada!
Ah! Desta mão, avaramente adunca,
Ninguém há de arrancar-me a luz sagrada!

Aves da noite! Asas do Horror! Voejai!
Que a luz, trêmula e triste como um ai,
A luz do morto não se apaga nunca!”

Mario Quintana

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

A poesia familiar do peso obscuro

Leva a mala negra e pesada, ali dentro vai o morto.
Que se há de fazer?
Italo Zetti (1913-1978), Portrait of a woman, 1933
Irmandade perdida
Algo há que eu não tenha feito.
Nem o mundo nos escolheu.

A solidão nos deixará na porta, daquela casa esquecida.

Eu sangro de dor em algumas tardes tristes,

Pois não sei onde você deve estar.
Eu sei que não quero saber. E não vou.
A negação é sempre a forma de se cortar por dentro.
E o intento de morrer é a tentativa de punir
a vida.
Vida cretina que levou o que eu tive a conta-gotas.
E carrego comigo os fantasmas de uma família de sombras.
Anseio esquecer.
Não a tenho mais.

Ellen Augusta

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

A casa assombrada, o gato preto e minha morte em qualquer rede

Quando nasci neste mundo, não imaginava que um dia talvez poderei me sentir traída por ele e por meu corpo. Ou, nos meus ataques de lucidez, ter simplesmente desejos imensos de abandonos de mim mesma.

A casa que vi, ao contrário, só me traz conforto. Sua solidão e o vazio que representa, é como um túmulo para a alma. Ali eu queria ficar por uns momentos. A poesia dos filmes de terror, mas sem o medo.
A sua solidão e o vazio, não ter mais a neurose humana, as limpezas, os ruídos, as regurgitações de um corpo vivo. Não, ela é um templo de pedra. Já é posta.
O gato negro. Curioso pelo contato humano. O símbolo da magia da força e da solitude. O poder que se sente quando se está íntegro consigo mesmo. Os gatos não precisam da massa, eles se bastam a si mesmos. Gostam de companhia, mas amam a noite e a solidão de suas almas agradáveis.

O gato estava lá, pois foi o lugar que encontrou para morar. E que lugar!
O espírito do assombro. A alma da casa.

A palabra assombro tem um significado lindo. Mas hoje em épocas de mentes estreitas, ninguém sabe a profundidade das palavras, nem querem procurar saber. Ficam no raso e já lhes basta. A misantropia, o cinismo, são palavras que tem mais de um significado e às vezes eu prefiro nem usar estas palavras nos seus sentidos belos ou outros, pois sei que a gentalha só entende os sentidos torpes e entende-os fora dos contextos dos textos. É preciso aprender a ler. Mas não.

As redes sociais entorpecem, minimizam o cérebro.

As redes onde escolho morrer:
Recebi no Facebook a opção de escolher uma pessoa querida para ficar no meu lugar quando eu morrer. Ela pode ficar postando coisas para mim. Adorei a ideia e já escolhi alguém.
Na hora, minutos depois da escolha, me deu um medo idiota, supersticioso, do tipo: "será que isso não é uma espécie de aviso de que eu vou morrer logo?"
Eu, que amo a morte e sua ideia, me encagaçando com uma bobagem idiota de rede social medíocre. Mas que levamos à sério a ponto de perder tempo. Acontece, que não é a morte que me assusta, óbvio. E sim, o antes. O porquê, o como.

Uma coisa é você apagar a luz e sair dessa espelunca, outra coisa é não saber como vai sair dessa idiotice que é viver.

A vontade de sumir é algo completamente natural. Das redes, dos olhos das pessoas. Da vida.
Estou cansada dessa vigilância, desse policiamento constante, essa coisa de que tudo é proibido, essa nova onda de caça às bruxas onde já se perdeu os parâmetros do ridículo e cada vírgula precisa ser contestada, discutida, apontada com um dedo sujo e nojento. Antigamente era moda falar do phalo. Tudo que era pontudo e tinha forma de falo era apontado como símbolo fálico. (Sim, ressucitaram Freud) Aí você não podia andar com um guarda chuva, que já era interpretado como que andando com um pau (pênis) na mão. Era moda. Mas não existia rede social.
Hoje, é moda falar de certas coisas. Tudo é sexismo, tudo é machismo. Tudo é um falar mal do veganismo. Então as pessoas rasas falam, pois ouvem os outros falar. Ou seja, são os mesmos otários de sempre, apenas seguem a corrente, seguem a moda.
Veem uma foto de uma mulher, só porque é mulher, já consideram sexismo. Puta merda, tem que ter muita vontade de torcer as coisas, muita vontade de exorcizar, para ver o mal em tudo. Curiosamente, onde tem sexismo, é cega que nem uma porta. Conheço pessoalmente esses tipinhos. São tão vítimas do machismo e do sexismo, mas no Facebook adoram vociferar.
Não vão lá, onde o sexismo impera, fazer um barraco pessoalmente. São covardes. Vão ali, onde não há sexismo, torcer os fatos, porque viram os outros fazerem isso. Absolutamente manipuláveis, até os ossos.
Outro tipo de pessoa detestável são as que pensam que você quer saber sobre sua religião, você posta uma fotografia que não tem absolutamente nada a ver com o assunto e a pessoa vem surtar com "argumentos" esotéricos e acham que todo mundo está interessado.
Não peço palavras de nenhum sistema de crença, pois isso só faz sentido dentro daquele sistema, fora dele, simplesmente não tem sentido, mas isso as pessoas não se dão conta. Elas acham que todas as outras pessoas pensam como ela. Não pensam, o vizinho do lado, tem outro sistema e pensa o contrário.
Aliás, é por causa da religião que tem havido muitos refugiados no mundo inteiro, mas quem dá um pio a respeito?
Existe sim, quem eu respeito por viver a religião de forma verdadeira, dedicando sua vida inteira ao que crê, diferente de tudo o que vejo nos indivíduos comuns. A religião, como me disse uma dessas pessoas, "é uma linguagem".
Sou atéia, e tenho pavor quando alguém vem impor, e de modo ofensivo, suas palavras de "energia do bem" e, curioso que é sempre em tom de briga e sempre é gente surtada. Por isso, desconfio sempre dos positivos, quanto mais impõe suas palavras de "energia" ou suposta "sabedoria" mais escondem um monstro dentro de si.
E, quem disse que o negativo é ruim? Quem disse que o negro, o obscuro, o preto, é ruim? Quem disse? Por que você aprendeu que no escuro é que estão as coisas negativas? Eu me sinto bem no escuro, adoro a noite. Aprendi desde sempre que o lusco fusco do amanhecer é mais bonito do que o dia, que o por do sol e o começo da noite é poesia.
Que o melhor escritor de todos os tempos (gosto meu) é Edgar Allan Poe, que fala quase totalmente de obscuridades, do soturno, das coisas escuras da vida e descreve os alcoólatras, os doentes e as pessoas solitárias como ninguém.
E, nem por isso deixo de ser criança, deixo de ser alegre, de ser a mulher sensual e bonita, bem como escolhi para mim mesma, de ter as boas energias (acredito sim que existe, mas não dessa forma idiota que essas pessoas amargas ficam jogando na tua cara.).

O negativo é como o filme de uma fotografia antiga. Ali está a alma das coisas. Nela está o esqueleto de tudo o que é vivo. Eu queria muito ver um fantasma nas janelas daquela casa. Não tenho medo.
Tenho repulsa é da vigilância dos vivos, que já estão mortos, de medo.
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