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segunda-feira, 29 de junho de 2015

O que não posso ter dentro de mim

As minhas árvores que estão naquela praça
crescem de um modo estranho em mim

Preciso de um tempo para saber quais foram
quais morreram e quais vivem
e ainda por que dizem tanto ao meu coração.

Uma delas é minha preferida
Seu aspecto lindo me chamou a atenção.

Tem um ar fantasmagórico
À noite se torna branca
em plena escuridão.

Ela não tem nome e eu não preciso saber
Botanicamente sim, eu sei.

Eu estava a andar sem rumo mesmo
Pois o parque possui muitos caminhos
A saudade me levou a tantas sombras, de minha memória botânica
O perfume úmido do lago, me faz lembrar que foi ontem

Que a obscuridade, a luz destas árvores e o calor deste mesmo sol que eu odeio, é o que me trouxe de volta de onde nem mesmo sabia...
Ellen Augusta

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Poema ao Não-Amor

Incólume, a buscar a água.
As ruas nuas, o vestido sujo, as rendas negras,
À borda do rio, as botas de cano alto, prontas para cair.
O fantasma sempre a me rondar,
Me salvou - me carregou.
Não pode morrer - quem morta está.
Não pode amar, quem amada é.

Rios opostos a correr. Em meus sonhos, suas lágrimas correm.
E caminham como pés descalços.
 

Jurei por fantasmas. Estavam todos aqui. Os religiosos? Cegos.
Meus olhos brilham, ao te ver.
Vivo, por teu nome, mortos, por tua dor.
Dorme pedra ferida, em um coração amigo. 
Ellen Augusta

A luz antiga do farol

São espelhos, sozinhas
Durante a noite, frias
uma para a outra - amigas.
A luz antiga, vem do farol e ilumina, os espelhos malditos, de navios abandonados.
A neblina da noite, cega.
Elas se perderam na estrada, que levam àquela casa.
Sempre que escorre pelas mãos, a saudade.
O amor esquecido não fala ao telefone.
Letras apagadas, porque doeram ao serem formadas,
O amor antigo ficou só, no estranho dos sonhos.
Encontrei-o, no navio...ajudou-me a fugir das ondas.
Com mãos feridas, deixei-o partir.
Lágrimas de saudade, dores de infância, desejos de irmã.
A angústia das ondas, a saga das estrelas. Os passos da solidão. Chuvosos, sapatos altos, sonhadores pés, atravessando a ponte, o navio entre as ondas, as mãos a me segurar.
A ternura, tem nome, e tem olhar.
Ellen Augusta

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Almada de Lisboa

Quando meus pés estiverem sinuosos
para entrar em outros calçados.
Quando finalmente a cidade antiga puder me receber, pois anônima sou, como és...
As calçadas da Almada portuária.
Portugal
Me conservo como as pedras daquele farol.
Vou me deixando morrer enquanto há vida. Esperando algo de que já sei e busco.
O não lugar, porque não irei. Ele está dentro de mim. Caminho até seus cantos.
A cada dia que findo, se vai a existência, ao redor um banho de lágrimas.
É o mar, para quem o ama. Olhos molhados de sofrido ondular.
O santuário me espera, as construções semeadas de histórias, são fotografadas pelos meus olhos.
Capela de Ossos de Evora "Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos" 
Ellen Augusta

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Me sinto ridícula - o amor adolescente

Para Marcio de Almeida Bueno
Com tesoura corto, tudo o que você me oferece
Paciência e Amor.
Ancestrais de outras eras, espelho de minhas tristezas.
Eu já perdi tanto
De minhas mãos
As palavras ácidas calam,
Escândalos tolos.
Sempre fui assim. O amor abrindo portas.
Meus pés pisando em pedras.
As lágrimas antigas brotam, do vazio profundo.
Me sinto ridícula/não sei escrever.
Exijo firulas, você me traz conforto.
Ellen Augusta

domingo, 3 de agosto de 2014

A alma do farol

Ando com os pés em dor na areia
o corpo está no farol, perdido, dentro do oceano.
A cabeça é um ponto de luz ofuscante e brilhante.
Uma pedra imensa em direção às águas, carrega os cabelos que crescem.
Eu os corto.
A mãe primeira, a que me salvou do mar, já não está aqui.
A que agora está em silêncio, não olha mais para as ondas.
A primeira mãe me levou aos livros. Pois era sua forma de sumir.
A poetisa, é minha segunda mãe.
Tem os cabelos dourados, como a primeira.
Brilhando como a luz noturna.
Eu os corto,
De minhas mãos só saem dores.

A segunda mãe, mostrou-me suas palavras.
De suas mãos, eu já vi rosas, poesias marítimas, e alguma lágrima de sal.
Chegam à praia e voltam,
ao profundo, um ventre de mar.

Desejo a morte porque nunca pude
jogar-me de um farol.
O medo é para quem não conhece.
O soturno espaço das ondas.
O contato entre o farol e o barco - o sinal luminoso.
As vagas - espelhos que refletem teu amigo, aquele esqueleto interno.


A mãe segunda ensina-me a separar palavras.
Cercar-me do farol e suas sombras.
Águas ensanguentadas, luas estranguladas.
Sondar a melancolia com ternura.

O fantasma ronda as pedras
sobe as escadas.
Conservo-o sagrado.
Uma chama interna.
Preservo a solidão dentro de mim.
Fecho-a junto à lâmpada do farol.
Os livros me libertaram das crendices nos deuses inúteis.
Cerco de velas, flores e cinzas, o sagrado destino das poetas que me fizeram mulher e escritora.
Ellen Augusta
Este poema é dedicado a Maria Helena Sleutjes

domingo, 6 de julho de 2014

O coveiro

Aquele que queria ser coveiro. Profissão para homens. O cemitério sempre fica em lugares altos e ermos. Ela sempre foi lá sozinha. Havia quem conhecia, e os estranhos. Estes gostava mais, pois traziam o mistério do anonimato. A morte para todos, sem nomes.
Ainda vivo, ninguém o enxergava. Só os fantasmas sabem de sua função, especialmente no final da tarde, quando o Sol é o que  já sabemos, mas os mortos, estes não conhecemos.
Ele vaga pelas sepulturas, ela nunca o encontrava, mas o conhecia.
Nos seus olhos, o meu desejo.
O transcendente desejo de sumir.
Eu sofria, porque também não o via. Amo os cemitérios, mas o coveiro nunca está.
Um dia

Houve rumores de que tirou-se a vida...
Esse assunto incômodo.
Ninguém fala. As religiões só ameaçam. "O castigo é duro".
O desespero bate em tantas portas. Fechadas. Os números não param de crescer. Foi mais um? Se a mídia e as entidades tratassem desse assunto de forma madura? Há só um silêncio na sociedade.
Todos querem esconder, por medo de uma semente, plantada em si mesmos.
Mais uma vida se perdeu por causa do preconceito.
Por causa do silêncio dele, ou nosso.
O já invisível desapareceu!
Nunca se disse uma só palavra.
A curiosidade mórbida de quem não se importa, fez saber que ele não trabalhava mais lá.
E ainda estava entre os mortos.
Ellen Augusta

domingo, 25 de maio de 2014

O irmão e o anjo alto que o levou

Um pequeno objeto encontrado em um museu, me lembrou que tive uma família.
O pai que era um senhor da ausência, a mãe como uma santa e só poderia sofrer.
O irmão dividido em dois:
um anjo alto e distante, incoerente. E ao mesmo tempo pequeno e frágil, dependente.
O qual eu não podia segurar, mas era responsável.
Tudo foi colocado em minhas mãos, como se eu fosse outra mãe.
Ao ver este objeto deslocado do lugar original, em outro tempo, em outro espaço. Lembrei que existiu um fio de ligação. Nada demais para tantos, tudo para se julgar, para muitos.
Mas para mim, difícil. Eu o vi, objeto fantástico, sorri, e não pude deixar de chorar depois.
Ellen Augusta

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Madrugada de chuva, tormenta de aviões

Uma saudade do tempo, foi o que sonhei. As portas estavam abertas, a chuva entrava com todas as coisas do céu. Eu tentava fechar tudo. Mas o que são meus braços contra o céu e seus aviões.
O anjo do passado, que tanto ensinava sobre a amizade passou por mim, mas já não podia falar-lhe.
E há coisas ainda por arrumar. Há sempre alguém a quem telefonar.
O irmão é tão pequeno e frágil. Que eu poderia levar nas mãos. Um anjo tão alto o carrega ao lado, pois são a mesma coisa, afinal.
Um sonho, assim como a poesia, não há como entender. Nem quem sonha, nem quem escreve, menos ainda quem lê, pode imaginar o que se passa no interior das palavras. Dentro de nossos olhares.
O anjo alto passa por mim em silêncio e sabe-se que nunca mais irá falar.
Há algo que precisa me encontrar, mas não sei se irei.
Você já sonhou com o tempo e acordou com o mesmo céu? Aquele céu obscuro e nublado, e mesmo assim amou o que viu? Pois é a saudade do passado, que mesmo triste, é a sua história.
São pessoas que, embora ainda vivas, estão mortas. São lugares que, embora existam, estão mudados. 
E sabe-se lá por que vivem desta forma em você. Ellen Augusta

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Poema que ganhei da Maria Helena, escritora e poeta

Maria Helena Sleutjes, que recentemente foi agraciada com o prêmio Mulheres de Expressão - Ricardo Cavalcanti, fez este poema para mim! Adorei a gentileza, muito obrigada. Eu nunca mais escrevi poemas, por isso não me atrevo a retribuir com um. Obrigada de coração...



Maria Helena Sleutjes
http://veusdemaya.com/
http://www.facebook.com/mariahelena.sleutjes

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Saramago enche a vida de poesia!

José Saramago apareceu em minha vida em um sonho. Sério. Eu sonhei com o nome dele em um jornal. Ao acordar, perguntei à minha amiga quem era o tal nome. E a partir daí tornei-me leitora, amiga de seus livros, admiradora de sua obra.
Ele é daqueles escritores que não te deixam respirar até o próximo ponto final. Geralmente quando chegamos ao ponto, temos que parar para assimilar a genialidade do que foi dito.

Já li vários livros dele. O primeiro que li, A caverna, não o li até o final, pois ainda não estava acostumada com seu português-português, se é que me entendem.
Ele publica seus livros em português de Portugal e pede que as editoras mantenham assim.
Dessa forma é muito mais emocionante entrar no mundo de suas histórias profundas e bonitas. Extremamente locais e universais, ao mesmo tempo.

O segundo livro que li, Memorial do convento, é uma obra prima de sensibilidade. Os personagens estão ainda dentro de mim como seres que depois de descobertos ficam para sempre na memória. Blimunda e Sete Sóis, a capacidade de captar o que há dentro de cada um. A passarola e outras histórias dentro da história.

O Ensaio sobre a cegueira foi lido numa sexta-feira à noite. Só quem leu sabe. Ainda não vi o filme.

Outros livros dele passaram por mim. Como História do cerco de Lisboa, que são duas histórias em uma, contadas ao mesmo tempo. Todos os nomes, e outros. Pretendo ler toda sua obra, pois é garantia de mergulho em águas profundas.

Ganhei de presente do meu marido, o que é considerado um dos melhores livros dele.
O evangelho segundo Jesus Cristo.
Já comecei a leitura. Sempre tive curiosidade para saber como Saramago escreveria este livro. E agora ele está em minhas mãos.
Já tive que ouvir (de pessoal da área de Letras) gente que não gosta de Saramago. Pois minha opinião sobre isso (com base nas pessoas que me disseram isso) é que a pessoa não leu de verdade o autor, não entendeu o que leu, ou tem preconceito pelo fato de ele ser ateu.

Saramago deve ser lido com atenção, pois seu estilo de escrita não é convencional. Há detalhes que vão sendo construídos ao longo da leitura, então o gaiato que lê uma página ou a aba do livro, vai achar péssimo.
E também há um rico diálogo com o leitor. Ele escreve várias histórias em uma, personagens que fazem chorar de tão humanos. Reflexões bombásticas em meio a sutilezas.
Sugestão de leitura imperdível.
Ellen Augusta
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