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sábado, 20 de maio de 2017

Por que preciso dizer que sou magra e tenho cabelo liso – e me gosto assim:

Eu nasci naturalmente magra e com o cabelo liso.
Quando era criança, tinha aquele cabelo de tigelinha, como as crianças orientais. Nenhum enfeite parava na cabeça, escorria pelos meus fios de cabelos.
E, para o espanto de muita gente, que não se coloca no lugar do outro, sim, sofri muito por ser assim.
Eu queria ter o cabelo encaracolado, e não queria ser magra. Não achava bonito, pois eu era assim e via que outras meninas eram diferentes. Queria ser como uma colega que tinha corpão e cabelão todo crespo. E entrei na adolescência usando roupas largas pois tinha vergonha do meu corpo.
Esses dias revi uma foto antiga onde eu usava um camisetão e pensei: ‘que pena, eu escondia meu corpo. Se eu soubesse o que sei hoje sobre ele, jamais esconderia’.
Foi com algum custo e também através dos elogios que recebi de quem gostava de mim, que fui desencanando do meu corpo e aceitando: sou assim e não tem nada de mais. Eu comecei a pensar que, se alguém gostava de mim mesmo com as pernas finas, com meus defeitos também, talvez não fosse tão ruim assim ser magra.

Foi o amor, o elogio, o afeto e sobretudo a amizade, que me fizeram mudar minha opinião sobre mim mesma.
E o que acontece agora com o feminismo de Facebook? Parece que é preciso desmerecer os atributos físicos de outras mulheres para fortalecer certos estereótipos que são alvo de preconceito.
Sinceramente, não vou aceitar isso. Não preciso desmerecer ninguém. Quem é magra, porque nasceu magra, portanto tem vantagens em nossa sociedade de consumo e objetificação, não necessariamente tem a culpa por isso. Quem é magra por que quer ser, por que malha e tem corpão de modelo, faz isso por diversas razões, suas razões, e não temos o direito de desmotivá-la.
Afinal, estamos em 2017 e mulher faz o que quer, meu bem. E portanto, você pode continuar fazendo esse tipo de campanha depreciativa, sim. Mas o que ganha com isso é nada. Não conquistamos nada, retrocedemos todos juntos. Para ser feminista, temos que admirar as mulheres. Nós temos muitos defeitos que mais são na esfera do comportamento, precisamos falar sobre eles também, mas sem ofender ninguém.
Ainda somos vítimas do auto desprezo: o desprezo a si mesma e o desprezo ao próprio gênero.
Aprenda: podemos nos amar sem deixar de admirar as outras...
As outras mulheres diferentes de nós, todas elas são seres humanos. Se queremos nos autoafirmar, que seja através da beleza que vemos em nós e nas outras mulheres. Para mostrar algo bonito, não precisamos exemplificar mostrando o que consideramos ‘feio’ até por que gosto é gosto, afinal.
Eu não me relaciono com determinados tipos de caras. Não faço isso porque não quero. O meu não querer é tão forte como meu querer. Se não quero algo, simplesmente é não. Ninguém vai decidir sobre o tipo de homem (ou mulher) que irá atrair o meu desejo, em outras palavras eu faço o que eu quiser!
É triste ver feministas escrevendo sobre o cabelo liso das outras mulheres, como se fosse algo ruim, apenas com o objetivo de elevar o que parece ser (pois não tenho certeza se é) o contrário de liso – o crespo.
Vejo como insegurança pura, mulheres desprezarem as magras apenas para poder elevar o orgulho de ser gorda. Já escrevi sobre isso aqui no blog e considero que quem faz isso de maneira ostensiva nas redes sociais, é uma pessoa insegura, que precisa se comparar com as outras.
Devemos elogiar as mulheres, quando vemos algo bonito nelas e não inferiorizar se, por acaso, não achamos ela bonita.
Se você tem orgulho de ser o que é, fale isso e principalmente seja o que fala, mas sem inferiorizar os outros.
Pois ao inferiozar as mulheres diferentes, apenas estamos repetindo o padrão que queremos combater.
Não é legal trocar um padrão de beleza por outro, isso é apenas repetir o que faz o patriarcado.
A riqueza consiste em que tudo seja ou não padrão, conforme a vontade ou momento de cada um.


quinta-feira, 29 de outubro de 2015

A reunião das bruxas amigas e meu conceito de amizade

Hoje eu passei na frente de um restaurante e vi algumas mulheres vestidas de bruxas cortando um bolo.
Aquela cena me emocionou bastante. Pois eu não vivo algo parecido com essa confraternização há algum tempo.
Saudade de quem se importa. Eu sou amiga de verdade.
Mas como me decepcionei ao ver ao longo de minha vida, mulheres desaparecendo, lentamente, no sumidouro dos dias iguais, no casamento-instituição, que algumas ainda exibem como único troféu, nas definições parcas de amizade que se desmancham assim que o "motivo" termina: Se consegue namorado, se casa, o bebê nasce, aparecem outras amizades que preenchem mais o status social, etc.
Não importa o quanto na minha vida estive ocupada, sempre existe um espaço online ou presente, para falar com um amigo.
Mas a mulher é foda. Não é só comigo não. Não sou especial, pois já vi mulher verter lágrima pela amiga que desapareceu no pior momento de sua vida. Naquele dia me senti mal, pois vi que estava sozinha não apenas no meu próprio mundo, mas no mundo inteiro, pois esse era portanto, um padrão que se repetia novamente e novamente...
Mulheres são desunidas. Uma mágoa que carrego por ser mulher e, apesar de amar minha solidão, ser gregária e fiel.
A técnica que mais funciona para um sistema ser dominado é provocar nos submetidos a competição e a desunião.

Entre as mulheres não é preciso provocar mais nada.

Alguém que me conhece a muito tempo, disse que meu conceito de amizade é muito elevado. Considero a amizade o sentimento mais nobre de todos, talvez esteja aí o meu erro. Não, não estou errada. Eu li o que os filósofos escreveram sobre a amizade. Eu quero essa amizade. Não quero fragmentos.
Nada precisa ser perfeito, mas não quero merdas.
As mulheres passam a vida inteira buscando a paixão e o amor, não estão talvez, preocupadas em aperfeiçoar a amizade, em mantê-las, em se preocupar com o outro?















E quando as pessoas se isolam na sua vidinha de cidadão autosuficiente?  escrevi sobre isso aqui: http://desobedienciavegana.blogspot.com/2014/10/para-que-janelas-tao-grandes-se-estao.html
No show do Ratos de Porão, por exemplo, as duas pessoas que fiz amizade eram de cidades diferentes. Fizeram amizade do nada e eles próprios nem se conheciam.

Hoje fui fazer um exame chato. Ecografia mamária. É desagradável ver um homem passando um bagulho com gel nos seus seios. Sempre tenho a impressão que o cara tá ali se aproveitando de nossa condição de mulher. Só escolho médica mulher, mas não deu dessa vez. Na sala de espera, um monte de mulheres mudas. Até que a chave do armário estragou... todas ficaram amigas.
Não precisamos esperar uma merda acontecer para nos aproximar.

Na época da inquisição, as bruxas escondiam suas crenças e afazeres, justamente porque, se falassem, estavam expondo sua vida. Expor segredos, expor a vida era ameaçador! Ser mulher era um crime!
As próprias mulheres às vezes, foram as que traíram as bruxas, por isso as feiticeiras escondiam a sete chaves seus códigos.

Só que até hoje, ainda existe no ar essa aura de desconfiança.
Não podemos confiar nas mulheres?
Eu sempre confiei. Talvez um dia chegará o momento de parar. Alguém me disse que tenho que focar nas pessoas que me admiram e ignorar quem não merece. Talvez. Mas por que faço o contrário?

Hoje o fenômeno acontece também de outra forma. Poucos querem se envolver. A ameaça é que sua dor a contagie de alguma forma (como se amizade fosse só nos momentos tristes) ou que a sua vida lhe tire a sua alegria (os mesquinhos). Ser solidário está fora de moda.
Até mesmo as religiões propagam essa ideia, especialmente as de cunho esotérico espiritualista. Você nunca deve se envolver. Fique nesse seu casulo idiota, vendo tudo passar ao seu redor. Seja positivo, para você mesmo. Não importa se o mundo está ruindo ao seu redor. Não veem que isso é de um egocentrismo perceptível.

Só que, sentir a dor do outro é natural e, pasme, se você se contagiar, vai ser normal no outro dia. Vai ser mais forte. E não essa besta mortificada sorridente que não se envolve em nada.

Esses dias eu estava nos piores momentos, me sentindo estranha, horrível. Não tinha ninguém para conversar. Não temos ligações femininas, nossas mães e avós muitas vezes perderam esse contato, e, portanto, nós perdemos nossas ligações ancestrais, como eu li no livro "Mulheres que correm com os lobos".
Minha mãe já morreu. Família, não tenho, e mesmo que tivesse, melhor para minha saúde é estar longe. A melhor coisa que aconteceu foi uma amiga minha ter me ligado. E ela ainda me perguntou desapontada: Ah, eu te acordei???
Só que ela ainda não sabe (vou encontrar ela amanhã) que foi a melhor coisa ter me acordado. Eu estava a dias sem querer ver a luz do sol, sem vontade alguma. Para quê? Mas uma simples ligação foi suficiente. Às vezes a simples presença. Um interesse. Um simples estar ali já basta.
Não quero nada da amizade, apenas que ela exista.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Para conversinha de ex

 ou suas consortes
 ou para qualquer um que já vai se achando, meu recado.

Escuta, baby, seu umbigo não é o Sol.
Embora às vezes alguém goste de incensar ali.
E eu, por diversão, goste de provocar as vaidades de quem as tem de sobra.
E os homens, não os que leem meu blog, pois são os inteligentes, mas cá para nós: alguns outros.
Como é chato alguns caras que puxam assunto comigo. A primeira ou segunda coisa que perguntam é se sou casada. Puxa, já uso um sinal na minha mão esquerda. E, quando a conversa é virtual, tenho no meu perfil bem claro, escrito "casada" e outras descrições sutis.

Esta pergunta é extremamente ofensiva pois parece indicar que, conforme minha resposta, a conversa irá se bifurcar em dois caminhos diferentes.

E, fico chateada, não por mim, pois não me interessa esse tipo de conversa, deixo o simplório sozinho. Mas, me choca saber que, sou casada há quase dez anos e,

nada mudou!

Isso é um indício de várias coisas.
Um, as mulheres ainda se contentam com isso.
Pois se os caras ainda acham que essa conversinha atrai algum tipo de continuidade, seja para amizade ou algo mais, é porque tem gente que adora.
Não tem como ser amigo de alguém que não leu nada sobre você, que pergunta coisas banais, mesmo que isso esteja escrito em todo o lugar! Mas deixa de perguntar coisas importantes.

Dois, os homens não seduzem. E ninguém se importa. As mulheres gostam de sedução. Na verdade todos gostam, mas ninguém se importa mais. A carência fala mais alto.


E, o que considero mais importante e grave: qualquer demonstração de afeto, conforme o tipo de pessoa, já é visto com maus olhos. Se você trava amizade com um homem, pronto. Já tem gente que acha que você está querendo dar para o cara. Já tem homem que acha que você está a fim. Não meu filho, ninguém está a fim. Hoje a mulher faz o que quiser, ri alto, puxa assunto, fala palavrão, é sensual sem querer dar para ninguém. E, pode ser casada e, ao mesmo tempo conversar com outro homem.


Estou lendo um livro maravilhoso sobre sedução. Mas não é aquela bobagem de mulher se vestir de enfermeira para conquistar o marido de cuecão.

Note que a maioria dos libros com a tag "sedução" é isso: a mulher se preparando para conquistar, nunca o contrário. "Vista uma lingerie (o mercado está cheio delas), dance maravilhosamente, faça cursos, etc". Eu amo calcinhas provocantes, fio dental amor, adoro dançar, não faço o tipo de ser contra isso não, mas:
Não se acha um livro ensinando o macho a ser menos grosseiro, a enviar flores, a ser educado e observador.
Se tem mulher que não acha isso importante, ok, que bom, pois a mulher tem toda a liberdade de gostar do que quiser sim. Só que eu acho e homem para mim, só se for assim. Senão, solteira.
Não, é um livro que fala sobre como ser sedutor, para ambos os sexos. E sedução, para este livro (e para mim), não significa sexo, nem se detém apenas a namoro. A sedução se aplica além disso. É um jogo de delicadezas, é ser observador, educado, etc.
O livro tem mais de 600 páginas e é um livro para se usar a inteligência e a astúcia. Está para além da arte, amizade, a sedução existe na política e encanta em todo o lugar.
Eu ainda não sei se irei falar sobre o livro, pois estou lendo-o ainda.

Mas me incomodou muito essa coisa frívola de papinho perscrutador, enquanto existe um mundo de possibilidades (amizade, claro está) que pode existir entre as pessoas, sem nenhuma malícia. Mas, quem quer ser além dessa secura, dessa carência sem fim?

Sempre foi assim. As mulheres reclamam dos homens, mas são elas que selecionam esse tipo de comportamento. Nunca dão um basta. E eles apenas vão lá e aplicam essas "técnicas de conquista" baratas e velhas, na próxima vítima carente que achará o máximo, e parece que quanto mais idiota, mais gente tem para considerar o cara, visto que essas pintas estão sempre com alguém. Portanto, meu recado já está dado.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

As sogras e os animais

As mulheres lidam à séculos com o preconceito à sua volta. São chamadas de bruxas, loucas, santas, putas, e são consideradas tudo isso ao mesmo tempo. Elas mesmas se apontam como tal, se menosprezam quando podem e muitas o fazem por merecer. Mas, como é bom poder levantar a cabeça, seguir adiante, passando por cima do macharedo e das lambedoras de botas e dos paga paus. Como é bom poder encontrar lutadoras, poder abraçar pelo caminho, mulheres que lutam, de olhos fechados para o falatório maldoso, para a fofoca, apenas fazem. Apenas vão lá e mãos à obra. Pois atitude é algo notório, digno e altivo.

Eis abaixo um comentário que reproduzo, de uma leitora de meu artigo, que escrevi sobre minha sogra. Pretendi  desmistificar o preconceito que existe contra as mães dos homens que escolhemos.

A minha, a sogra, é uma grande protetora de uma cidade. Só existe ela lá, indo atrás daquilo que as pessoas deixaram para trás - animais.
Obrigada leitora por compartilhar sua angústia e revolta, pode crer, que de revolta, nós mulheres, pelo menos algumas, estamos bem, e, quer saber?

É bem bom se revoltar de vez em quando!
(E nascer com a revolta no couro, como no meu caso) ;)

Leia o Comentário de Maria de Lourdes do grupo Amigos de Pêlo

"PARABÉNS, parabéns pelo texto e pela homenagem feita à sua sogra, é um texto muito fiel, ao dia-a-dia de uma protetora. Eu cuido de + de 120 animais entre cães. gatos. papagaio, tartarugas e carpas, todos vindos de abandono pelas pessoas que no impulso buscam um pet para brincar e se distrair - mas descobrem que eles não são brinquedos e aí cai a ficha e o mais fácil é abandonar. Lógico que acabam vindo parar em nossas mãos e não damos as costas e por isso somos chamados de *acumuladores de animais*, muitas vezes, pelos mesmos que os abandonaram.
Textos como esse, deveriam ser mais divulgados para que os sem noção possam acordar para uma realidade que eles fazem questão de fazer vistas grossas, para não tomar conhecimento desse mundo paralelo.
Paralelo, porque o mundo gira em torno das baladas, das viagens, das festas, do consumismo, e aí deparo com pessoas que para se projetar dizem **Eu ajudo, ou eu quero ajudar** e quando você pergunta, quantas vezes você ajudou, ou qual abrigo você ajuda, a resposta é desanimadora, porque quando tem coragem de admitir - ajudaram 1 ou 2 vezes no máximo.
Por isso, pelo reconhecimento e pelo trabalho que sua sogra ou todos nós fazemos em pról de salvar vidas, eu digo Parabéns pela sua sensibilidade e pelo seu bom carater, e que isso seja repassado para seus decendentes e que muita Luz brilhe em seu caminho"

Conheça seu trabalho e o grupo aqui no seu blog: http://www.amigosdepelo.blogspot.com.br/

O artigo sobre minha sogra está aqui: http://www.olharanimal.org/pensata-animal/autores/ellen-augusta/4038-a-sua-sogra-e-um-inferno-a-minha-salva-animais

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Quem está no lado negro da força? Ou meu black bloc diário

A moral está torta. Especialmente aqui neste país, parece que quem está errado é que é o certo. Pois, o lado negro da força pertence aos subversivos, aos que usam a raiva para construir, aos que estão cansados de falsidades e do estrago que o mal "dos bons" e dos cínicos causam na sociedade.
Se uma pessoa reclama, é ela, sim, ela é o centro das atenções. Ela é que ousou falar. O outro, o errado, apenas é mais um esperto, mais um otário que errou, portanto, o coitadinho, ou o malandro. Chega a ser até atraente, aos olhos de tantos. Ou tantas.
Pois estou cansada. Cansei de ser, muitas vezes, a única a fazer um favor, na rua, quando todos estão fingindo não ver. Cansei de ver algo e perceber que ninguém viu.
E nós, do lado negro da força, somos os poucos, os do lado obscuro, que, se não somos nós, nada acontece. Pois a maioria, os da luz, está ofuscada pela alienação.
A palavra negro, até mesmo a palavra, está sempre carregada de preconceito. A escuridão, a morte, o obscuro, só tem beleza. Todos morrem de medo da morte, mas nada, nenhum livro, filme, nada, é tão belo, se não houver estes elementos! Olhe meu título e lembre. Em todos os bons filmes, os personagens obscuros são fascinantes.
Eu amo a morte. Estudo-a. Ela está presente nos livros inesquecíveis, em todos os bons romances e nas melhores poesias. Nada é melhor do que morrer, pois ninguém se atreve a tal.
Me assusta o preconceito das pessoas com o que desconhece, mas tem muito palpite. O que é ainda mais espantoso,  é a coleção de preconceitos, que tende à maldade, que há no interior de quem se propõe um ser de luminosidade.
Pois nós, os subversivos, os do lado negro da força, estamos aí, fazendo nosso ativismo, sem nenhuma modéstia, que isso é para os da luz. E eu cansei desse cinismo que nada realiza.
Ellen Augusta

Leia agora a coluna de Marcio de Almeida Bueno - publicada no Jornal Panorama Regional que conta a história de alguém que ousou reclamar de um infrator de trânsito.

• Na terça à noite eu dava uma caminhada perto do Parcão, quando um carro parou no sinal fechado. O automóvel estava em cima da faixa de segurança, e o motorista falava ao celular. Um rapaz levava o cachorro para passear, atravessou e precisou contornar o veículo, expondo-se inclusive a ser atropelado por quem vinha na transversal. Reclamou ao motorista, que obviamente respondeu de forma desdenhosa. O rapaz, já na calçada, puxou uma câmera e fez fotos do motorista. O playboy debochou, mas arrancou mesmo no sinal vermelho, e parou metros adiante, talvez para esperar o rapaz passar por ele na calçada. Como o sinal demorou a abrir, ele acabou indo embora.
 • No supermercado próximo de minha casa há uma vaga de uso exclusivo para pessoas com deficiência. Repito, uso exclusivo. Diariamente a vaga é ocupada por caminhonetes-tanque-de-guerra e outros carrões imponentes. De dentro, salta sempre um 'doutor' ou uma 'madame'. Jamais vi um carrinho pobre usando indevidamente a vaga. Já fiz fotos, remeti à empresa, que até respondeu de forma sensata.
 • Mas o problema são as pessoas. O bullying no trânsito, a soberba, descontar as frustrações da vida na buzina, ter o automóvel maior que o do motorista ao lado, e 'saiam da frente'.
 • Todos exigem isso e aquilo dos governantes, honestidade dos políticos, conduta exemplar dos empregados, etc, mas na hora do próprio comportamento, aí vale a lei do tacape maior.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Nefertiti: a mais poderosa do Egito - a mulher faraó

Um livro chamou meu olhar, pois me interessa sobremaneira tudo o que é ligado aos mortos. E, nada como ler sobre o Egito, o povo que andou de braços dados e de maneira admirável com a morte.
Akhenaton E Nefertiti - Uma história Amarniana, é uma ficção sobre este período misterioso, onde pouco se sabe sobre estes dois faraós, um homem e uma mulher que reinaram juntos no Egito Antigo.
Ela, a misteriosa Nefertiti foi rainha e posteriormente teve o posto de faraó, algo totalmente inédito na História, governando lado a lado com seu esposo.
O maravilhoso busto de Nefertiti com mais ou menos 3500 anos - como não se apaixonar por essa mulher?
Akhenaton pretendia fazer de seu Deus Áton o único, e acabar com a crença em outros deuses. Por volta do século XIV a.C ele foi ousado, afrontando a corrupta casta sacerdotal egípcia que cultuava o deus tebano Amon. Eles fundaram a cidade chamada Akhetaton batizada depois de Tell-el-Amarna pelos árabes.
A figura foi levada para a Alemanha, escondida. Provavelmente o pesquisador, apaixonado pela descoberta, preferiu deixá-la em seu país, sob seus cuidados. Como sabemos, os tesouros da humanidade sempre foram levados de cá para lá, daqui para acolá. E muitas das coisas que permaneceram nos seus lugares de origem, foram saqueadas e destruídas por governos corruptos e ignorantes. De qualquer forma, o triste é que ela ficou longe da figura de seu esposo, que se encontra no Cairo.
O livro conta um pouco dessa história fascinante, misturando os fatos com a fantasia, para nos fazer imaginar como poderia ter sido os dias desse reinado de curta duração.
Os estudos sobre este casal apaixonado, retratado de forma incomum em figuras de amor sensual e carinho paterno e materno, receberam por vezes um olhar machista, como aliás, recebem outras áreas da ciência.
Um beijo do pai chegou até a ser interpretado como cegueira deste, motivo pelo qual a rainha teria assumido o papel de faraó!
Estou escrevendo um artigo sobre Arqueologia, apoiada sobre o estudo de um biólogo/arqueólogo que desmonta a fantasia machista do homem caçador. E me pergunto: quantas outras mentiras com a visão masculina, nos contaram?

Pois, uma das teorias sobre Nefertiti é que ela era um homem disfarçado de mulher, ou que ela era um homem e que Akhenatom era homossexual, ou que ela foi colocada como faraó pois seu esposo era débil e não poderia mais assumir. Esta ideia surgiu pois em algumas figuras ele aparece com contornos afeminados.


A teoria moderna defendida pelo egiptólogo Carl Nicholas Reeves é que ela é sim uma mulher, pois aparece bravamente lutando ao lado do faraó, utilizando de roupas e apetrechos que só os faraós usavam, e também que os traços afeminados nas estátuas do faraó Akhenaton eram apenas símbolos de fertilidade atribuídas ao Deus Átón, e os faraós eram representações vivas dos deuses. O livro explora bastante essa teoria. Quando retrata um Akhenaton pacifista, bastante apaixonado por sua esposa, porém extremamente devotado a seu Deus, a ponto de abandonar tudo, e denominar sua esposa para tratar dos assuntos políticos para que ele então pudesse se dedicar exclusivamente à sua religião.

Os boatos então naquela época, em torno de sua figura, era realmente de um homem afeminado, por conta de suas estátuas, e por conta de que, a contragosto, o povo era obrigado a crer em um deus desconhecido. Com certeza preferiam debochar do faraó, o caracterizando dessa forma.
Akhenaton tinha um rosto alongado, com traços equinos, esta é a teoria que provavelmente fazia seus pais o escoderem ou demonstrarem pouco afeto. Também poderia ser pelo fato de que os faraós deveriam educar os filhos para a guerra e este, desde menino apresentava características pacifistas.
No declínio de seu reinado, a própria Nefertiti se tornou por assim dizer, atéia, descrendo totalmente em seu único Deus, quando ele levou suas filhas, dominadas pela peste. Os inimigos da nova religião fizeram de tudo para enfraquecer seu domínio, até mesmo espalhar doenças pelo Nilo, de modo que o povo duvidasse dos poderes de seu novo deus.
"Áton não existe, como não existe Amon nenhum, nem Ísis alguma, nem Toth algum, nem ser milagroso algum que nos possa salvar da maldade humana!" Assim retrata o livro, um trecho em que o desespero de uma mãe, após perder a terceira de suas seis filhas, se torna insuportável. A partir de então, ela apenas dedicou-se ao projeto político a fim de salvar a vida de seus filhos.
O seu filho Tutankhaton, precisou chamar-se então Tutankhamon, por conta da negociação para restabelecer a antiga religião. Ele tornou-se faraó, governou por mais ou menos nove anos e morreu jovem, aos 19 anos. Descobriu-se recentemente que ele é realmente filho verdadeiro de Nefertiti. E não filho de uma suposta segunda esposa ou até mesmo de uma irmã de Akhenaton, como se acreditava.
No documentário da BBC, mostra-se que o féretro de Tutankhamon se deu às pressas e que algumas das peças de sua câmara mortuária foram retiradas das câmaras de sua mãe e de seu pai, por seu avô, Aye.
Também é sabido que a rainha faraona Nefertiti utilizou-se de outros nomes durante seu reinado e talvez por isso o mistério e a dificuldade de encontrá-la.
Os autores são dois portoalegrenses que escrevem juntos! Carmen Seganfredo e A.S. Franchini
Entre as múmias encontradas, se esperava encontrar a de Nefertiti.
Bem à esquerda, está a real consorte de Amenotep III, a rainha Tiy (mãe de Akhenaton), com longos cabelos, cuja beleza ainda chama a atenção. O menino do meio pode ser irmão de Akhenaton e a múmia da direita tentava-se provar que fosse Nefertiti. Também li que esta tumba era exclusiva para homens, mas elas estavam ali.
Um exame de DNA, porém, revelou que a múmia correspondente a ela, era na verdade de sua irmã.
Mais do que a própria beleza de Nefertiti - "A bela que chegou" como diz seu nome, o que impressiona é o trabalho de Tuthmose, o escultor.
 O livro tem uma escrita interessante e teve a capacidade de me deixar enlevada. Todo bom livro tem este poder e outros mais. Depois que eu o termino de ler, a magia fica alguns dias pairando no ar. 
E saio a procurar por mais informações, respostas ou um contato a mais. Me encantei pelo faraó e sua rainha co-regente ou melhor, faraona, essa figura impressionante e poderosa do mundo antigo, que a morte conseguiu torná-la ainda mais bela e eterna.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

A sua sogra é um inferno? A minha salva animais

Publicado no Dia da Mulher, em 2010, em minha coluna na ANDA - Agência de Notícias de Direitos Animais
Ellen Augusta Valer de Freitas

Mulheres guerreiras sempre foram uma raridade. Isto por diversos motivos. Seja por que a sociedade tende a menosprezar o trabalho bem feito de uma mulher, chamando-a de histérica ou radical, seja por que as próprias mulheres muitas vezes se comportam como minoria, sendo que são maioria em muitos lugares do mundo.
A minha sogra é  uma mulher guerreira que enfrenta uma cidade. Ela batalha pelo bem-estar de animais abandonados nas ruas, numa cidade em que as pessoas não se comprometem com essa questão (mas querem que seja resolvida). Isso é uma realidade em muitos pontos do país, e em cada ponto há alguém fazendo algo, mesmo que discretamente.

Embora animais de rua sejam um problema claramente ambiental e de saúde pública, nem todos os “ambientalistas” pensam assim. E ocorre de as secretarias do meio ambiente em diversas cidades ignorarem essa questão, que está prevista em lei.
Ela faz suas batalhas publicamente, busca ajuda, sai de casa todos os dias e vai cuidar dos cães que a esperam correndo e muito alegres. Busca comida em locais que doam restos, algumas vezes presencia o desprezo de algumas pessoas. Leva lá e serve, depois de separar e preparar os pratos. Faz a limpeza, arruma as casinhas e quase nunca dá tempo de fazer tudo.

A Vivânia Caser Bueno é uma batalhadora que vive em Veranópolis, a terra da longevidade. E, de lá, ela mantém de forma corajosa um canil com 40 cães em média. Trabalhando praticamente sozinha e com pouco apoio da população.

Todos sabemos que o cão é um animal extremamente ligado ao ser humano. Ele é carente e dependente, e é muito cruel quando o abandonam depois de o acostumar na companhia humana. Ele gosta de brincar com bola, vem nos abraçar, demonstra que querem estar próximo de nós e nos é fiel. Mas a humanidade o trai de forma vergonhosa, toda vez que o deixa num depósito, ou o abandona na rua.

Espalha-se a ideia de que as ONGs ganham muito dinheiro, mas a verdade é que nem todas têm a atenção que mereceriam. Os demagogos que sugerem que devemos cuidar de criancinhas carentes geralmente são os inúteis que não fazem nada, nem pelas crianças e nem pelos animais. Mas acham que nós é que temos de nos preocupar com toda a causa. Como se ajudar animais fosse diminuir a cota de amor aos outros seres vivos. Muito ao contrário.
A Vivânia Caser ganhou uma condecoração na cidade, pelo trabalho que faz. Exibe orgulhosamente na sua sala. E com toda a razão. É um reconhecimento pelo ótimo trabalho que vem fazendo sozinha todos os dias do ano. Um ato de solidariedade que raramente se vê.

É um privilégio saber que, quando vou visitar minha sogra, vou fazer trabalho voluntário com ela ali no canil. Me sinto importante no mundo, pois sei que eles olham para a gente com esperança.
Quem não gostaria de ter uma sogra assim? Por isso admiro as protetoras de animais.
Em vez de fazer fofoca e cuidar da vida alheia como muitos fazem, vão fazer algo pela vida.
Admiro-as, pois eu não tenho coragem de catar um cachorro todo quebrado, pegar um cavalo que foi humilhado fisicamente e tem aquela vida miserável que todos nós sabemos como é, salvar um gato de donos cruéis e psicopatas.
Eu não tenho coragem. Minha coragem está aqui nas minhas palavras. E nas minhas atitudes diante da turba que insiste em seguir outro rumo diferente do meu, que é respeitar os animais de forma ativa e genuína, no prato também.
Admiro-a por ser mãe (e mãe do meu marido!) e ao mesmo tempo ter muitos filhos cães, que com certeza são bem cuidados. As doações dos animais sempre são feitas com muitas considerações. Geralmente quem vai ao canil são famílias humildes, à procura de um companheiro para seus filhos. O Humberto, o cão gigante e brincalhão, foi doado na semana em que eu estava ajudando. Ela chorou muito, pois ele era o mais antigo dali. Por ser de grande porte, era mais difícil de ser doado. E muitos o queriam para pôr numa corrente, o que é um pecado, pois ele adora correr. Foi doado a uma família que tem um grande sítio.
Ela também acolhe gatos, e os doa mais facilmente. A dificuldade maior está em adotar cães que são geralmente de portes variados e idades variadas. Os mais feios, os castigados pela vida ninguém quer. Conhecemos exemplo semelhante em outro lugar? Sim. Crianças também são desprezadas, depois que passam dos primeiros anos de idade. As pessoas declaradamente só querem os branquinhos que acabaram de nascer. Isto as que algum dia pensaram em adotar.
Mas a vida nos mostra que em toda generalização existem as exceções. E foi o que vimos ao constatar que muitas pessoas apareciam lá e levavam cães mais velhos. Outras preferiam os filhotes. E tem gente que liga perguntando se tem siamês, ou pequinês. Estas são as que nada sabem da realidade do canil. Querem chow chow, poodle. Obviamente estes cães também são abandonados e merecem respeito, mas não é o comum.
As rádios da cidade sempre a convidam para dar entrevista e colaboram para que o tema entre nas casas das pessoas.
Ela diz que poderia estar jogando cartas com as amigas, em vez de enfrentar tantos problemas. Ao perguntar se estaria feliz jogando carta com as amigas ela responde: não.
Ela  é feliz fazendo o que gosta e é o que mais importa.

Por que eu não posso correr pelada?

Mulheres que correm com sua nudez
Por Ellen Augusta Valer de Freitas.
publicado no blog Hipocondria da Antipolìtica News http://hipocondriaantipol.wix.com
No Brasil, tudo o que se refere à nudez feminina vem carregado de uma malícia bruta, tarada, masculinizada. As mulheres remam para o mesmo lado, dando força aos homens.
Os últimos protestos de mulheres correndo solitárias pelas ruas da cidade têm provocado as reações mais óbvias possíveis.
Os profissionais de saúde ouvidos em meios de comunicação foram patéticos ao chamarem as pessoas de doentes e até de imorais.
Apenas corroboram o quanto a mídia pode ser fraca ao propagar uma moralidade baixa, carregada de desinformação.
Se é uma propaganda e se há um carro esperando lá na esquina para pegar a mulher, que mal tem? Quantos protestos nosso coletivo fez e no final do dia peganos um táxi ou carona para levar nossas coisas... que mal tem nisso?

Quando os ciclistas de Porto Alegre se reuniram pelados para protestar, poucos foram os que criticaram nas redes sociais. Hoje, ser ciclista bonitinho está na moda. Mas quando ter bicicleta era coisa de louco, a coisa era bem diferente.

As pessoas se calam quando algo está na moda. Mas por que uma mulher não pode exercer seu direito ao protesto individual, da maneira que bem entender?
As suas razões, neste caso, não importam. O que incomoda as pessoas é o fato de seus pêlos pubianos aparecerem. Sim, pois seios todos estão acostumados a ver na TV, até mesmo nos protestos feministas. Mas os velados pêlos são notóriamente alvo de medo, um tabu até mesmo das minhas companheiras mulheres. Não é revoltante?
Deborah de Robertis, en plena 'performance' frente al cuadro 'El origen del mundo', de Courbet.
Então leia esta: este ano um quadro da britânica Leena McCall foi censurado, e não foi o primeiro caso, por causa de seus pêlos à mostra, enquanto que cenas de sexo, violência contra animais e outras imagens do calibre são aceitas e, por que não, elogiadas por pessoas com aquela 'cara de entendido'.

Na causa animal, há muito tempo na Europa os protestos com nudez são usados e muito bem, para chocar e chamar a atenção. A maldade pode estar estampada nos olhos de algum maldoso ou maldosa, mas o geral é mesmo o choque, o objetivo é a agenda midiática desta ação.

Aqui neste país de moralistas, onde o sexo é praticado mas escamoteado, onde há abuso de crianças e de animais, a coisa é diferente. Eu temo pela segurança dessas mulheres que saem sozinhas, neste país de violência descarada. Mulheres debocham de nossas companheiras que querem protestar - não importam suas motivações, querem sair correndo, se mostrar, mostrar o que têm a dizer, com seus corpos, sim, mas algo dizem. Talvez digam que essa sociedade ainda precisa amadurecer e se ligar para a realidade de que nem tudo é sexo, e de que um corpo feminino é realmente poderoso, é um alvo. Um fascinante alvo.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Gordofobia e magrofobia - quando as palavras segregam

A solidariedade bate em um muro chamado dicionário.
Quando você sofre preconceito e quer ser solidária com outras mulheres, mas é segregada por elas, é discriminada por causa de detalhes, de ranços, teorias que saem do plano prático e beiram ao delírio. Para mim chega. Esses dias eu li numa postagem de alguém que magrofobia não existe. Abaixo os comentários eram debochados, perversos. Pensei: "Ih, acho que entrei no Clube da Luluzinha errado. Aqui é para gordas, eu não posso falar".

No post Eu também sou gorda, que você pode ler aqui: http://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2013/10/eu-tambem-sou-gorda.html eu escrevo sobre o que passei na adolescência, e sobre como me identifico com o problema que muitas meninas passam hoje, a discriminação. Pelo visto, nada mudou. Continuo sendo a magra, discriminada. Não tenho direito de abrir minha boca. Parece que magra não pode falar.
Nesta outra postagem, falo sobre as dietashttp://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2014/08/gordofofia-se-combate-com-sabedoria.html
Sobre os problemas com a baixa auto estima, que não é exclusividade só de alguns tipos físicos escolhidos por deus, você pode ler aqui: http://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2014/06/alta-e-baixa-estima.html.
Quando um segmento feminino toma para si os problemas do mundo e acha que ninguém mais tem o direito de tê-los, a coisa torna-se complicada.
Só as gordas sofrem? Homem não pode ter o direito de se aliar às mulheres? Ou seja, o 'inimigo' deverá ser eternamente o inimigo. As magras, estão condenadas a serem as 'eleitas', mesmo sofrendo em silêncio.

Quem nunca leu um livro feminista não sabe que não é bem assim. Naomi Wolf, antes de inventarem o Facebook, já incluía as magras no sistema de exploração da beleza.
Eu estou, no momento, lendo só as feministas veganas. Não acredito em tudo o que vejo, nem em tudo o que está escrito.
Já conheci feminista com preconceito contra as travestis! Que idiota. Minorias contra minorias...

Magrofobia, gordofobia e outros termos (recentes) do gênero: 
Algumas feministas dizem que não existe o termo magrofobia. Talvez não exista porque alguém chegou [antes] e deu um nome para algo mais evidente dentro da sociedade de consumo atual, que valoriza a magra bonita, mas não a magra feia e, para o resto, deu o nome de bullying.
Então você ignora que exista magrofobia? O que dizer então sobre o bullying contra crianças magras por exemplo, que foi o que eu sofri a infância inteira e adolescência? Vamos fingir que isso não existiu e não existe mais, só por que sua dor é mais importante?
Na escola, muitas formas de discriminação são praticadas hoje, contra meninas gordas e magras. Palavras novas, como tais, ainda precisam ser pensadas. Vamos deixar os meninos de lado? A infância precisa ser dividida?
Na minha época, havia preconceito na escola contra as magras, pois o padrão de beleza era ligeiramente diferente. Existia sim, o culto à beleza 'magra' em alguns setores sociais, mas existia um culto à beleza curvilínea. As 'secas' como eu, eram ridicularizadas. Eu era uma criança, e já sofria isso.
E, se um segmento não quer compartilhar a dor com ninguém, algo está errado.
E aí parece que a 'magra' precisa ser excluída, o 'homem' precisa ser execrado.
Puxa, eu sei bem o que sofri, quis ser solidária com uma feminista que estava escrevendo sobre o fato de ser gorda, mas não fui 'aceita'. Pois parece que não existe sofrimento no mundo das magras.
Que torpe isso.
É por essa razão que a mulher continua sendo dividida para ser explorada, assim como toda a mercadoria a ser manipulada pelo sistema que os 'libertários' querem combater com "palavras", "termos", mas não com união e sabedoria.

Eu não pertenço a nada - o título feminista ali em cima do blog é para provocar algumas feministas que sempre me olham na rua de cima a baixo, e ficam procurando na minha roupa, cabelo e corpo, algo para me enquadrar, e também para provocar o povo de direita que fica puto da vida com minhas ideias -

Quando assisto de longe essa situação, essas mulheres cumprindo estereótipos, brigando entre si, e me corrigindo toda a vez que eu vou falar algo, desabafar, ser solidária, manifestar meu feminismo natural e justo, eu vejo, nitidamente, como nos tempos de colégio, os velhos grupos de meninas divididos entre si.
As gordas contra as magras, brigando por causa de meninos, por causa de comida, por causa de inveja, por causa de notas ou atenção de professores. Eu vejo apenas mudados os ambientes, mas a mesma infantilidade, nesse ar de reprovação, de negação, em que as mulheres se reprovam umas às outras.

O uso exagerado de palavras inventadas não me convence pois separam, provocam o mesmo efeito que querem combater.
Palavras novas não me convencem, quando as atitudes de segregação, ainda são as mesmas. É o velho jogo de meninas. 
Não me interessa saber sobre as origens das palavras, dos termos, pois simplesmente detesto apegos ao dicionário, polícia das palavras, vigia dos vocábulos, colocar o X ali ou acolá me parece neura ou TOC. Acho ridículo alguém ir buscar nas grades de sua cela a liberdade, e querer usar os cadeados como peças de libertação. Me cansa ver alguém mudando as palavras de lugar o tempo todo, como se isso fosse garantia de alguma liberdade, e não apenas um teatro de sua inutilidade frente a um mundo opressor, que ri de tudo isso. O dicionário, assim como qualquer tipo de controlador da linguagem ou do que quer que seja, é um objeto repressor tão forte quanto qualquer outro, e é apenas mais um, controlador!

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Violento viver

dedicado ao dia nacional da luta contra a violência à mulher
Roubaram-lhe o céu. Construíram um muro ao seu lado. Perdeu a vista dos prédios e das árvores... A mais velha, será arrancada.
A vizinha de baixo fuma o dia inteiro. Já teve câncer, mas acha que conseguiu superar. Até quando?
A churrasqueira começa a tostar a carne às nove da manhã, todo demoníaco dia.
As moscas sobem e entram pela cozinha.
A senhora que aparece na janela é uma vovó com seu cigarrillo, seus netos tossem. Suas filhas, mulheres, andam pela casa. São lindas.
Há um cão sozinho no apartamento de baixo.
Há gato curioso na janela da frente, pronto para voar ao chão, pois para ele não há proteção.
A dona do bar, recolhe as mesas, de olhos no balcão. Expressão envelhecida, roupas 'incorretas' para o padrão das outras mulheres.  Impassível, segue no ritmo do trabalho. Como são interessantes essas senhoras que peitam esse mundo masculino, esse reduto de solitários e bêbados.
As mulheres não confiam em outras mulheres.
'Ginecologista tem que ser homem'.
Afinal, ela se sente mais segura quando um homem autoriza seu corpo.
São bonecas nas mãos de um sistema que as tortura. São perfeitas no que fazem e fazem tudo, no papel que cumprem. Pensa que é livre, até onde aprendeu ser.
A violência mina as meninas.
As torna pequenas armadilhas de si mesmas.
O homem com sua arma de fogo. O pau é uma arma que a sociedade idolatra.
Ellen Augusta

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

As mulheres e a poesia

Participei de um encontro de escritoras poetas no MARGS.
O recital era destinado à apresentação dos poemas da Beatriz Barbisam, mas todos tiveram a oportunidade de declamar seus poemas e até eu!

Encontrei a poeta que admiro bastante, chamada Gerci Oliveira Godoy.
Essas duas poetas participam de um grupo de escritores e são super receptivos, e pude recitar um poema que fiz para minha amiga, poeta e escritora, Maria Helena Sleutjes.
Eu estava muito tímida, portanto o tom do texto ficou totalmente diferente do que deveria estar, mas valeu para uma primeira recitação poética... Eu que estou acostumada a falar em público, já fui professora por mais de dez anos... mas para um poema, fiquei trêmula. O poder do outro.
Todos os poemas recitados eram, em sua maioria, doces, cotidianos, nessa linha. Quando entrou o meu, eu senti que era o sombrio que entrava pela janela. E gostei. Já anoitecia, de qualquer forma. Amo a poesia das sombras. Adoro o singelo, mas chamo o obscuro. E admiro os poetas que mesclam as coisas lindas e frescas com a morte e a solidão, como Mário Quintana, que muita gente ainda não entendeu.


Recitei o poema A alma do farol em homenagem à Maria Helena Sleutjes. Ao meu lado está a escritora poeta Beatriz Barbisam, o encontro era dedicado a ela e seus poemas.

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terça-feira, 8 de julho de 2014

Woman is The Nigger of The World

Quando John Lennon fez essa música, ele foi acusado de machismo e racismo.
É impressionante que, quando alguém toca com os dedos os céus, sempre tem alguém que não entende, porque tem o olhar vendado.
Mulheres do Congo
Uma figura foi censurada, pois foi foi considerada especista e machista. A foto era justamente uma crítica ao especismo e ao machismo. Ela foi postada numa rede social. Mas as pessoas, acostumadas a não saber interpretar, entenderam o contrário.
Laerte fez um quadrinho em que sua família ia se revelando outra, como um sonho, e quando se deu conta, acordou na pele de uma pessoa negra. Sua crítica social foi mal interpretada e ele foi chamado de racista.
Quem nunca esteve no lugar do outro? Quem nunca se colocou no lugar daquele que sofre preconceito não tem compaixão nem alteridade. Não pode dizer-se humanitário.
John Lennon e Yoko Ono tinham essa liberdade, a de desafiar o mundo e libertarem-se dele. Muita gente não entendeu. Ela foi acusada de muitas coisas em relação aos Beatles. Como se ele não tivesse personalidade para decidir. Mais um sinal de machismo, que as pessoas sempre jogam em cima da mulher, novamente. Yoko Ono já era uma grande mulher quando conheceu John. E ele sempre foi um grande homem e sempre pensou por si mesmo, nunca precisou da influencia de uma mulher.
Mas a sensível música, talvez tenha sido mal traduzida para o Português, porque os carolas tem medo de traduzir a palavra nigger. Todas as traduções para o português usam a palavra 'negro', o que não é exatamente o que ele queria expressar.
Ele não usou a palavra em inglês que corresponderia a negro. Lennon usou um termo extremamente ofensivo e racista, propositadamente, para fazer uma crítica, e dizer que a mulher é considerada assim, perante o mundo. Quando se queria ofender um negro, usava-se a palavra 'nigger'. Por isso ele fez essa crítica.
Eu não vou colocar o link da música pois sempre depois de um tempo ele fica quebrado, pois os canais saem do ar, então espero que alguém busque ouvir na Internet. A letra é uma profunda percepção de onde estamos no mundo. Portanto busque você por este entendimento, pois eu também estou buscando. E quem sabe, se os homens nos colocam nesta posição, nós mesmas também estamos deste lado, trabalhamos nas instituições onde eles estão exercendo poder, sem nunca nos questionar se estamos a cumprir o papel que nos foi destinado. Quem sabe ainda estamos 'frágeis' ou 'tapadas', para seguir permitindo que mais frágeis sigam sofrendo: animais, homens pobres, negros, travestis, crianças, idosos, e quem sabe quantos mais, seres sensíveis que sofrem nas mãos de outros, sempre que se tem poder e força. Abaixo um link de um fato que acontece a muito tempo. Na primeira vez que fiquei sabendo disso, na presença de minha mãe ainda viva, choramos. Algo tão escancarado e dilacerado fere profundamente minha alma. Somos parte da culpa quando coniventes, de modo que nunca mais pude ficar em silêncio. Mas minha forma de gritar é outra.
Por gentileza, não leia somente, esse link abaixo:

http://www.dw.de/as-crian%C3%A7as-com-sangue-rebelde-da-rep%C3%BAblica-democr%C3%A1tica-do-congo/a-17238993

P.S.
Esperei para escrever este artigo depois da copa, pois torcia para os países pobres da América Latina e países africanos. São times pobres com bons jogadores. Até nisso o futebol é um jogo machista e excludente. Não tenho TV. Adoro narração de futebol por rádio embora não entenda nada, e não me importa. O futebol, que é um jogo apenas, é tomado por mãos poderosas, o povo cumpre o papel, as mulheres cumprem o papel, e se torna o que é.
Ellen Augusta

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Alta e baixa estima

Sim, você leu isso. Nós, altas, magras, ou que achamos ser tudo isso também temos problemas com auto estima. Eu tenho. Já sabia há muito tempo. Mas na terapia o espelho é mais bonito e mais feio, porém sincero.
O sistema te faz pensar que essas mulheres não sofrem com os padrões de beleza, mas é puro engano.
Aliás, aprenda: o sistema te diz o que pensar!
A tendência é que as mulheres magras e altas não sofram tanto, pois tudo serve, tudo é para elas. Mas aí é que a armadilha está montada. Engorda-se um quilo e já. O pior é quando elas mesmas pensam que não sofrem nenhum tipo de pressão social, iludidas que estão no meio dessa purpurina montada pelo sistema machista e opressor em outros níveis.
Minha baixa auto estima passa ao largo dessa questão de peso, neste momento, mas já tive meus problemas sim.
Já sofri preconceito por ser magra.
Assim como gordos sofrem gordofobia a todo instante. Se uma mulher é gorda e não quer emagrecer e se sente feliz assim, pronto. Também sofre preconceito. Até a palavra gorda ofende. Curioso que a palavra correspondente - magra - não ofende.
Como se fosse obrigatório emagrecer. Não pensem que ser magra é menos ruim.
Você tem que ouvir todo o tipo de piadinha. E a mesma pessoa que te elogia ou fica em silêncio na tua frente, fala mal das outras mulheres magras, nas tuas costas. É a desunião secular feminina.
Para muitas mulheres a questão de perder peso é tudo o que importa na vida, pois é o que mais afeta sua psique. Para outras, no entanto, há muitas outras coisas igualmente torturantes. Tudo é triste sim, e nós sabemos o quanto dói. Mas a vida consiste em aprender todos os dias. E aqui vai mais um dia.
Não ser vista. Sentir-se invisível. Não receber um telefonema. O adeus de uma amiga. Uma carta não enviada. Um abraço esquecido. Um presente guardado. Palavras ditas no momento errado. Falta de palavras.
A indelicadeza de alguém.
Tantas vezes, mesquinharias vindas de pessoas que nem importam.
Mas o que sai ferida é a menina. Aquela menina da casa de sua mente. A casa vazia. A casa de espelhos.

Um toque sensível onde tudo se quebra. Em sonhos, um passo e tudo são cacos de vidro.
É assim a mente quando afetada pela baixa auto estima. Mas nem todo mundo é assim.
Como eu sofro desse problema, reconheço quem sofre, a quilômetros.
Algumas pessoas são arrogantes, ferem para não serem feridas. Outras se escondem. Outras ainda, gritam bem alto. Há quem seja apenas louco.
Mas não é fácil de admitir e não encontro quem admita. Pois há quem nem saiba.
Tenho coragem e vontade de publicar uma série de coisas aqui sobre esse sentimento ruim, justamente por que admito sofrer desse mal, e por que não entendo praticamente nada sobre esse assunto.
Alguém pode saber sobre isso, ser assim como eu, ou enviar um sinal. Como outro farol no oceano.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Palestra da filósofa Sônia T. Felipe

Ontem fui à palestra da filósofa Sônia T. Felipe, a filósofa feminista e animalista, que apresentou um resumo do seu livro 'Galactolatria - mau deleite'.
O livro é um trabalho de mais de dez anos sobre a ilusão do leite puro de vaca, da exploração de fêmeas e dos diversos efeitos ambientais e na saúde da extração de leite, os excrementos, a destinação de alimentos nobres à pecuária, o uso irrestrito da água e a toda a omissão da sociedade.
Sua fala é simplesmente perfeita. Ela é uma mulher bonita, forte, e sabe do que está falando. Sua inteligência é marcante, ela é um exemplo de pessoa porque leva uma vida frugal, consome produtos naturais e é vegana.

No final de sua apresentação, ela respondeu a algumas perguntas e falou sobre seu trabalho como feminista vegana.

Na defesa internacional dos animais, sempre é defendido o macho. Ela citou exemplos de touradas (touro), farra do boi (boi), rinha de galo (galo), rinha de cães (cão). E dentro dessa insinuante preocupação com machos somente, ela pretendeu defender as fêmeas, galinhas, vacas, porcas, etc. Dentro do etc estão também os invertebrados.
Então ela confessou que sentia um certo incômodo ao ver esse machismo entre as feministas e entre os animalistas e que queria desmontar esse preconceito. Por isso seus livros abordam assuntos que mexem na estrutura social. E profundamente.

Em todos os seus livros o feminismo é respirante. Em suas palavras sempre há a libertação. Sou verdadeiramente fã de seus trabalhos.
Sônia explicando que o leite de mulher é ideal para o bebê humano. Que entre o nascido e sua mãe há uma interação perfeita, sendo o leite produzido especificamente para as necessidades daquele dia, daquela hora e daquela fase do bebê. Essa interação entre mãe e filho se dá mesmo depois do nascimento, pois eles estão intimamente ligados. O leite de vaca possui fósforo, sódio e proteína em excesso, prejudicando a formação do cérebro humano, que em nossa espécie é crucial o seu desenvolvimento nessa fase da vida. Foto Geraldine Hennemann Leão
Esse livro provavelmente é o mais importante trabalho sobre o leite no Brasil. Não há nada igual e mais perturbador.

Coisa de fã:
Insisti para a convidarmos para jantar. Fui junto com ela no carro e jantamos pizza vegana e xis vegano. Na mesa estavam somente pessoas que adoro. Foi uma noite muito alegre e divertida. Ela me disse que escreve seus livros para que os ativistas tenham materiais, para que usem e que esse é o papel do filósofo.

terça-feira, 17 de julho de 2012

A mulher que não suportava a bondade


Vi recentemente um filme de terror extremo, do famoso diretor de cinema Takashi Miike, conhecido pelos filmes de terror insuportáveis. Apesar de gostar muito de filme de terror, não costumo gostar deste tipo de filme, mas o filme que vi dele é muito bonito.
Chama-se ImPrint, e conta a história de um americano que volta a uma ilha de prostituição japonesa para buscar uma mulher pelo qual se apaixonou e lá encontra coisas inacreditáveis.
O filme mostra de uma forma singela e ao mesmo tempo terrível, o lado negro de todas as mulheres, suas doenças, fantasias, mentiras e bizarrices. A pobreza que condena milhares de mulheres à prostituição, que é ignorada pela quase totalidade de homens e mulheres que apenas fingem que isso não existe. O aborto como símbolo do feminino esquecido, renegado, e como símbolo de um machismo que permeia toda a sociedade.
A violência e crueldade feminina é mostrada com toda força neste filme, onde as cenas são de tal forma chocantes, que em muitas saí da sala para não ver.
O filme jamais nos faz esperar algo, pelo contrário, tudo o que esperaríamos das pessoas se corrompe, pois nada é o que parece.
Takashi Miike

Nada mal para uma realidade em que tudo se parece, mas que no fundo está corrompido por fantasias, inveja, canalhices de todos os tipos. O autor do filme apenas mostra que nem tudo o que esperamos de fato irá acontecer e que a maldade está mais arraigada do que podemos admitir.
Ellen Augusta 

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Materiais da ONU Mulheres: Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres

 Recebi do meu marido estes materiais. É de um curso promovido pela ONU.
 Este é um livreto sobre o ano internacional dos afrodescendentes, que é comemorado em 2011.O material é desenvolvido pela UNIFEM (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher) que faz parte da ONU Mulheres
 Achei muito interessante o estilo do livreto.
 O livro é uma espécie de poesia, com relatos e informações.
 Também ganhei uma caneta importada dos Estados Unidos. Ela é mini, para ter sempre na bolsa.
 Abaixo um jornal com uma matéria sobre mídia e deficiência. Distribuímos diversos exemplares pela cidade, em hospitais, salas de espera, bibliotecas e entidades afins com o tema.


Estes são panfletos da ONU Mulheres, com dados interessantes.
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