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domingo, 10 de abril de 2016

Um coração cortado com sal

Coração dos comuns mesmo...
destes que por qualquer coisa sangra e chora, também fere o suficiente.
Porém, reveste-se de pedras, escondido com medo de ter revelado seu segredo.

Eu não sinto, e quando sinto, sei quanto dói perceber, admitir.
Não creio, nem em mim, nem em quem pode me amar.
Nego até a morte a possibilidade do sentimento,
pois espelha a possibilidade de sofrer,
doer mais do que o usual.
Um belo sofrimento, mas sim, dói como a vida.
A dor de todo o dia não é a mesma que sinto,
quando lembro dos teus olhos, da sensação de riso e alegria
que você me provoca.

Quando todas as vezes, tendo destruir o que me arrebata
Sou destruída pelo que tanto evitei em mim.

Olhando para trás, vi que o amor sempre andou comigo e eu o desprezei.
Ele me carregou no colo, me idolatrava. Eu era apenas medo.

A frieza de um metal, água e fogo cortado com sal.

A paixão crava na pele e é como uma tatuagem.
Mal sinto a dor e já gostaria de sentir o mesmo efeito,
As marcas dolorosas também podem ser boas... depois...
quando o tempo passa.

Agora, só quero que fique.

Ellen Augusta







terça-feira, 8 de março de 2016

Asas negras cores fortes

Perdi o medo de voar.
Na poesia sobre o mar, precisava morrer para encontrá-lo.
Essa morte para uma vida, um sufoco. Eu precisava de ar.
E ansiava por encontrar o mar.
Eu desejei tanto viajar, no fundo da alma só pensei nisso o tempo todo. Até que enfim, uma bela e amigável oportunidade surgiu.
E ver o mundo do alto novamente foi tão emocionante, pena que durou tão pouco tempo...
Quando cheguei à praia, o que aconteceu foi que eu vivi completamente o presente.
Algo que não andava fazendo, estava sempre distraída, longe daqui. Mas na praia não. Neste lugar, não havia tempo para fugir, eu estava sempre ali, focada em cada detalhe lindo da natureza.
Eu não tive tempo nem de pensar, pois diante da beleza o pensamento desaparece, tudo some, e existe apenas aquela paisagem perturbadora, a me chamar...
Incrível como aqui onde eu moro, existem tantas distrações, o celular principalmente, é como uma armadilha que carrego no bolso.
Mas lá meu tempo era apenas viver. Eu curti tanto cada passo que dei, mesmo que em determinados momentos algo antigo em mim voltava: o medo.
Medo de me perder, medo de esquecer essas memórias que carrego comigo, medo de não querer mais voltar.
E aqueles pensamentos mórbidos que me acompanham, sumiram simplesmente. O mar causa isso em mim: uma vontade de viver.
Diante do Oceano, daquela paisagem tão perfeita, eu senti como há muito tempo não sentia, uma vontade incrível de estar viva. E refleti, me perguntei, onde estavam aqueles pensamentos de morte, aquele meu dom para desejar tanto sumir da Terra quase que por encanto.
Esses pensamentos se calaram, entraram em férias, saíram das minhas férias... me deixaram em paz.
Para mim, pelo menos, é fácil amar a vida ao ver o mar e o céu em conjunto. Ao ver a Natureza exposta como uma ferida, para que se admire a vida que existe ali.
Eu presenciei um temporal magnífico, o mar ficando escuro, também a névoa branca que está sempre em meus sonhos...
 Não há nada mais lindo que o mar à noite, a névoa gelada cobrindo a areia, nossos passos sempre acompanhados por um fantasma amigo: um cão amigo que nos acompanhou enquanto nos perdemos.
 Quero voltar, tão logo puder. Meu desejo por viver só se renova aqui.
No último dia em que estava na Praia do Maço, um homem que estava por lá nos parou e disse:
"É possível levar consigo as emoções q se sentiu aqui."
Eu fiquei tão emocionada com essa frase que estou gravando ela aqui, e tentando reproduzir neste blog um pouco do que eu senti lá.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

O brilho do Sol faz minhas sombras mais belas

Eu não suporto a luz do Sol, fere meus olhos e queima minha pele, e prefiro-a branca, cada vez mais branca, como se fosse possível que fosse mais. Mas não posso escolher os dias e muitas vezes não há outro remédio que não sair de casa. O trabalho me obriga, e também a vida lá fora me chama, pois a morte é uma tentação, e não pretendo-a todos os dias.
Gosto de fotografar o Sol, nessas imagens, ele já não fica tão lúcido, as sombras ficam mais evidentes. São recursos da câmera para disfarçar a luz e contê-la dentro da fotografia. Eu prefiro os efeitos que ele causa nas sombras.
Quando a luz se projeta sobre as águas, parece que até influenciam no aroma, no movimento, em tudo ao redor. Como qualquer ser que pode usar a visão é assim que conheço as coisas. Mas sem as sombras, a luz apenas seria uma agressão sem sentido, uma queimadura a me ferir.
 Uma das coisas mais lindas que já vi, foi o amanhecer na praia. O dia chegando, ainda sendo noite. O desespero do sol sobre a inconstância das ondas... Aquela névoa refrescante da manhã e eu ali, sem saber o que ver primeiro, o que sentir, o que esperar.
Ou então o contrário, a luz que a lua projeta sobre as ondas que vem chegando até a borda.
O olhar solitário da lua sobre o absoluto impenetrável do mar.
Essa sensação é completamente agradável, sem ela jamais poderia saber o que é terra ou o que é oceano, eu amava essa luz. Agora, já não a tenho ou, se terei, não sei. Nunca mais vi o mar.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

O jardim frio

Há tristezas que não podem ser mostradas. Elas são mais tristes, penosas e não são bonitas.
Tentativas de poesia para o fatídico não se encaixam no mais terrível destino, onde nada é tão penoso, tão sofrível, tão desastroso.

Ver o outro sofrer, estar preso em si mesmo, em um outro mundo.
Não é meu mundo, mas eu sofro tão profundamente, que mesmo gritando não consigo aplacar essa dor.
Seria preferível receber um recado dos mortos. Do que saber de certas coisas.
Saber, me faz gritar à noite. Me faz infeliz, me faz sofrer, me faz sozinha no mundo.

O outro. É a minha irmandade. É parte, que eu tentei ignorar. Mas nada pode ser esquecido, o que no fundo ficou e está.

Misturam-se tristeza com a dor do irmão/Misturam-se a lembrança do amigo com a temível cortina, o véu de ausência.

Tento trazer à luz o funesto, torná-lo bonito, pois assim sempre sobrevivi.

A um mundo insuportável,

Busquei palavras, amei cada uma delas. Procurei com cada letra,
a outra forma de morrer.

A cada dia, naquelas pedras batem os mesmos pensamentos, o ritual.
O ilusório, a morte, para esquecer a vida estúpida
que te faz infeliz.

Ellen Augusta

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

As flores brancas

Sentido guardado
isolado.. em silêncio.
no ponto luminoso do farol
respiro o vento
quando traz o cheiro do mar, eu lembro.
meus cabelos crescem, eu os corto
no sonho vejo-os longos, as roupas de cores: azul, verde, violeta.
eu os corto, ainda não é  hora
uso o negro pois minha alma traz seu nome igual ao meu.

tenho nas mãos as marcas roxas do sono, as flores brancas do encanto
suspensas por todo o ar
como uma saudade que eu possa capturar
A chuva se aproximava e era de flores:

Por que estavam no ar, no meu corpo, na minha boca e por todo o lado que voltasse o olhar?

Por que brancas, sem em mim tudo é violáceo?
por quê? esses cruzamentos essa distância, esses pensamentos?
sonhos/ em que tudo são tormentos, guardam em si mesmos boas lembranças - porém!

Eu vivo como uma concha, tragando liberdades.
Cada pétala caída, cada flor colhida,
Morrem comigo, nas palavras, em um movimento de minhas mãos, covardes.

O medo, a solidão, esta flor branca , vive internamente.
Abre-se e chora.

Não consegue jamais desvencilhar-se
de uma condição.

Ellen Augusta

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

A quem puder lembrar de mim

Eu me sinto tão sozinha e, no entanto, andava tão 'acompanhada' por tanta coisa. Lembranças e gente ao meu redor, mas no fundo, ninguém.
Ele me observa a escrever, e adora. Eu também. E nossas conversas, não acabam mais, seguem pela noite.
As palavras seguem pelo cérebro como correntes. No papel é que elas param, depois seguem, intermitentes.

Em frente ao lago, aquele dia eu fui sozinha, para ver realmente o que sobrou de mim. Estou cansada de tanta coisa dentro de minha cabeça.
Aqui em frente ao lago tudo é turvo e verde, lembro do nosso amor, meio esquisito, um pouco sublime, um pouco terra e água.

Não. Não queria me isolar, mas a indiferença das pessoas me marca com um neon em vermelho vivo. E saio por aí estampando uma sensação que não queria ter.
Nas vezes em que sempre vivi sozinha e sempre amei isso, tudo bem, mas quando não quero, aí não é legal.

Agora, as pessoas encontram-se em um mundo onde é impossível o contato. Se têm muita coisa, muitas pessoas ao mesmo tempo mas elas não oferecem nada. E não querem nada. Não se tem qualidade no vazio deixado, não se tem palavras complexas, não se tem porra nenhuma.

Não vou mais falar de coisas práticas, de um convite para dar uma volta, tomar um café, ou falar de coisas mais profundas, pois isso ficou para a época em que se podia falar com a meia dúzia de loucos que me ouviam.

Hoje, é aquele policiamento alheio, uma falta social, uma solidão diferente.

Aquela solitude minha, a amiga que sempre tive, não está aqui mais. Hoje, se é refém de uma virtualidade inquietante, a que é boa, maravilhosa para quem a quer, mas tem fim ou não. Às vezes enche. Às vezes esvazia. Outras, cansa, pesa.
E, isso tudo gerou mais uma vez, pois não nasci ontem, aquela pergunta de sempre: o que nos sobra?
Eu não tenho mais família, somente fragmentos de memórias que faço questão de esquecer. O amor foi meu primeiro dano. Nunca soube como é.

Depois de tantas marcas neuronais, não se pode saber o que ficou de particular. Gostaria de poder isolar uma porção minha que não fosse tocado por tantas manchas, que não houvesse um desses rostos, a lembrança do mar, tanto as calmas quanto a vez em que ele tentou me matar.

Onde estaria este ser, se não fosse essas coisas, essa fixação eterna pela morte, pelas palavras e a escrita, que surgiu e não foi do nada, foi sim muito cedo, pelas dores cravadas aqui dentro?

Talvez exatamente por isso a ideia da morte e do silêncio depois dela me pareça tão reconfortante.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Longe do mar

A insanidade, sintomas de minha loucura
é perder-me neste hospital, é queimar-me neste fogo do distanciamento
estar longe do que mais amo -
a umidade do sal.
Uma ave que pudesse voar
meu amor que soubesse viajar
Se eu pertencesse a algum lugar?
A visão do oceano me perturba
eu nem posso mais olhar
A vontade de estar lá e nunca mais/nunca mais voltar

Esteja dentro de minha alma, por favor.
Uma súplica líquida, de amor.

Volte para mim/Não se distancie.
-Eu estou distante, porque sou covarde.

A brutalidade do encontro com o mar
Na noite mais escura um coração cortado com sal
é essa distância covarde do que eu deixei para trás.

Minha morada, meu mar, meu farol
meus pés em cada grão de areia: teu corpo.

A água líquida, o fantasma.
O anjo negro que nunca mais me deixou.
Ellen Augusta

segunda-feira, 6 de julho de 2015

O frio atormentador

Caminho desnuda, o frio me congela,  os pés pouco mais flutuam, pois já não sentem.
Não há nada mais lindo que uma noite descalça.
O sonar das músicas, lá fora é madrugada.
As ondas batem nas pedras, respiro.
Da janela vem um pouco da lembrança, era ela.
Um jeito diferente de ser, uma mulher que outrora caminhava ali.
Era um fantasma de mim.

A mulher que de certa forma te ampara.

O sonho os pés nus de tanto chorar.
O mar continua a ser ameaçador, está tão tarde, preciso morrer.
Não é preciso ser louca, me basta dizer
teu nome.

Oceano!
Luar sobre as pedras, por que não vou ao teu encontro?
O frio do Inverno provoca-me delírio.
Não sei escrever.
Só sei inspirar novamente os mesmos devaneios,
impregnar-me com a mesma recordação.

Eu me vi no espelho das ondas. O espírito no mar noturno.
Nunca mais, eu me dizia.
Nem para a vida, nem para a morte.
Presa entre as vagas marinhas sem saber para onde ir.
Ellen Augusta

terça-feira, 9 de junho de 2015

Quando o Oceano te levou

À casa que se foi

O que caiu naquelas ondas. A minha morte em mar estranho.
A minha casa. O farol. A luz de outrora que nunca se apaga em meu olhar.
Aquela imagem de meus pés a caminhar. As palavras que escrevi para ti.
Camposanto de San Juan - Puerto Rico


Aguas de sal.
Areia pesada.
A horta, as flores que ela cultivava. A terra que nasceu comigo.
O amor que ele nunca me deixava.
O imaterial que estava naquelas coisas.
Nas pequenas e poucas coisas.
Camposanto de San Juan - Puerto Rico
Eu tive e não tive. Era meu, mas de quem seria?
Depois aos meus olhos, o luar, amanheceria.
O mar era meu confidente. As palavras amigo e amor.
O amor adolescente que estava sempre distante [como tudo sempre esteve]
Ela não planta mais suas flores,
De modo que não cultiva mais suas dores.
Ele não olha mais suas árvores, não colhe mais o que plantou.
Não tenho mais minha tristeza, ao menos esta. Só esta. Mas que pesava tanto.
O mar continua me chamando. Precisava morrer para vê-lo, pois sou tão covarde para ir ao seu encontro.
Ellen Augusta

domingo, 3 de agosto de 2014

A alma do farol

Ando com os pés em dor na areia
o corpo está no farol, perdido, dentro do oceano.
A cabeça é um ponto de luz ofuscante e brilhante.
Uma pedra imensa em direção às águas, carrega os cabelos que crescem.
Eu os corto.
A mãe primeira, a que me salvou do mar, já não está aqui.
A que agora está em silêncio, não olha mais para as ondas.
A primeira mãe me levou aos livros. Pois era sua forma de sumir.
A poetisa, é minha segunda mãe.
Tem os cabelos dourados, como a primeira.
Brilhando como a luz noturna.
Eu os corto,
De minhas mãos só saem dores.

A segunda mãe, mostrou-me suas palavras.
De suas mãos, eu já vi rosas, poesias marítimas, e alguma lágrima de sal.
Chegam à praia e voltam,
ao profundo, um ventre de mar.

Desejo a morte porque nunca pude
jogar-me de um farol.
O medo é para quem não conhece.
O soturno espaço das ondas.
O contato entre o farol e o barco - o sinal luminoso.
As vagas - espelhos que refletem teu amigo, aquele esqueleto interno.


A mãe segunda ensina-me a separar palavras.
Cercar-me do farol e suas sombras.
Águas ensanguentadas, luas estranguladas.
Sondar a melancolia com ternura.

O fantasma ronda as pedras
sobe as escadas.
Conservo-o sagrado.
Uma chama interna.
Preservo a solidão dentro de mim.
Fecho-a junto à lâmpada do farol.
Os livros me libertaram das crendices nos deuses inúteis.
Cerco de velas, flores e cinzas, o sagrado destino das poetas que me fizeram mulher e escritora.
Ellen Augusta
Este poema é dedicado a Maria Helena Sleutjes

sexta-feira, 2 de maio de 2014

La perla del Pacífico

Uma saudade, A melancolia
O espectro de sombra, O amigo soturno
no mar deixado para sempre.
Para lá jamais regressado.


O silêncio, A agonia
te entendo tanto
A luz solar de uma cidade antiga
tão linda, está tão longe
de mim.
Guayaquil Ecuador
Um Sol guardado por dentro,
Um mar sangrando no escuro,
A saudade de sentir a calçada,
Pois a muito o som de tudo me deixou longe.
A voz da espanhola me chamou e me encantou de saudade.
De um lugar que jamais conheci.
Ele estava no canto do mundo, escondido de tantas palavras.
Ellen Augusta

segunda-feira, 17 de março de 2014

Uma amiga me deu um farol!

Você já ganhou um farol de uma amiga? Pois eu sim! E é uma das coisas que mais amo na vida.
Eu amo farol e nunca consegui achar nada relacionado a isso, pois aqui no Brasil não é fácil encontrar imagens de faróis, diferente do que acontece no exterior, onde é comum existir um monte de artefatos sobre este assunto, que encanta muita gente.
Minha paixão por faróis não tem nada a ver com o objeto fálico, como tem gente que já pensa de primeira. A ideia do farol é ser um sinal luminoso, é ser um ponto solitário no mar, um sinal de comunicação para barcos e para caminhantes nas praias do mundo. Há muitos significados para um farol. Existem também o chamado rádio-farol, que é um outro tipo de sinal, mais complicado, que não vou explicar nesta postagem. Mas o fato é que esta simbologia é intrigante e define muita coisa em mim, por isso me encanta.
Pois minha amiga Mírian Martins também é amante de faróis assim como eu e me mandou essa ilustração que eu amei muito. O tipo de material em si é outra coisa que também adoro. Aquelas figuras que são duas em uma, que possuem duas imagens em uma. Antigamente esse tipo de figura era chamado 3d e só existia no Japão. Depois se tornou popular e hoje se encontra em todo o lado, mas de farol eu nunca vi...

Eu tentei tirar uma foto da outra imagem, que é um rio entre duas pedras grandes, mas não consegui... tudo bem!@ Abaixo aparece levemente...
 A gatinha ficou toda contente quando chegou o envelope, adivinha por quê?
Por que minha amiga também tem gatinhos e eles se reconhecem pelo cheiro...Já fizeram amizade...
Muito obrigada amiga pelo presente. Este farol ficará aqui comigo para sempre. Obrigada.
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