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quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Flores roxas, meu presente

Quase consigo fingir que não sei,
quando percebo minha frieza - a minha única arma -
quando percebo que tudo muda, 
e você se desmancha em emoção. 

Ignoro, olho para o lado. 

Não quero ver quem me quer tão bem.
Não creio haver sentido, em um sentimento que sempre foi apenas meu.
E agora o vejo refletido.

Preciso partir, meu sonho.
Você me carrega em seus pés, os cabelos vermelhos, as palavras que eu esqueci, 
de tão importantes que eram, para mim.

Te abracei, e sobre teus pés, andei assim, como uma criança.

Eu só andava, passo a passo, pés sobre pés, o poema assim construído
dentro de meus olhos fechados - o sonhar.
Preciso ir, 
nasci, para em seguida fenecer.
Essa cor verde que me impressiona, 
esse jeito de chorar.
Aquelas flores mortas, as saudades, o presente,
tudo tão triste.

Foi o lugar, foi a cidade, a metrópole dos mortos.

A janela aberta para o silêncio do lago,
um cemitério de lembranças,
ele tão quieto - a minha distância interior.
Porque a melancolia tem essa coisa que me devasta por dentro.

Eu preciso abrir os olhos, eu preciso acordar.
Nossos dias nos matam, eu sei.
Mas isso não é suficiente.

Chorei, quando te conheci. Porque sabia que não seria fácil. Porque sabia que meu mundo se quebraria, com o ruído do seu caminhar.

Ellen Augusta

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

A quem puder lembrar de mim

Eu me sinto tão sozinha e, no entanto, andava tão 'acompanhada' por tanta coisa. Lembranças e gente ao meu redor, mas no fundo, ninguém.
Ele me observa a escrever, e adora. Eu também. E nossas conversas, não acabam mais, seguem pela noite.
As palavras seguem pelo cérebro como correntes. No papel é que elas param, depois seguem, intermitentes.

Em frente ao lago, aquele dia eu fui sozinha, para ver realmente o que sobrou de mim. Estou cansada de tanta coisa dentro de minha cabeça.
Aqui em frente ao lago tudo é turvo e verde, lembro do nosso amor, meio esquisito, um pouco sublime, um pouco terra e água.

Não. Não queria me isolar, mas a indiferença das pessoas me marca com um neon em vermelho vivo. E saio por aí estampando uma sensação que não queria ter.
Nas vezes em que sempre vivi sozinha e sempre amei isso, tudo bem, mas quando não quero, aí não é legal.

Agora, as pessoas encontram-se em um mundo onde é impossível o contato. Se têm muita coisa, muitas pessoas ao mesmo tempo mas elas não oferecem nada. E não querem nada. Não se tem qualidade no vazio deixado, não se tem palavras complexas, não se tem porra nenhuma.

Não vou mais falar de coisas práticas, de um convite para dar uma volta, tomar um café, ou falar de coisas mais profundas, pois isso ficou para a época em que se podia falar com a meia dúzia de loucos que me ouviam.

Hoje, é aquele policiamento alheio, uma falta social, uma solidão diferente.

Aquela solitude minha, a amiga que sempre tive, não está aqui mais. Hoje, se é refém de uma virtualidade inquietante, a que é boa, maravilhosa para quem a quer, mas tem fim ou não. Às vezes enche. Às vezes esvazia. Outras, cansa, pesa.
E, isso tudo gerou mais uma vez, pois não nasci ontem, aquela pergunta de sempre: o que nos sobra?
Eu não tenho mais família, somente fragmentos de memórias que faço questão de esquecer. O amor foi meu primeiro dano. Nunca soube como é.

Depois de tantas marcas neuronais, não se pode saber o que ficou de particular. Gostaria de poder isolar uma porção minha que não fosse tocado por tantas manchas, que não houvesse um desses rostos, a lembrança do mar, tanto as calmas quanto a vez em que ele tentou me matar.

Onde estaria este ser, se não fosse essas coisas, essa fixação eterna pela morte, pelas palavras e a escrita, que surgiu e não foi do nada, foi sim muito cedo, pelas dores cravadas aqui dentro?

Talvez exatamente por isso a ideia da morte e do silêncio depois dela me pareça tão reconfortante.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

O que não posso ter dentro de mim

As minhas árvores que estão naquela praça
crescem de um modo estranho em mim

Preciso de um tempo para saber quais foram
quais morreram e quais vivem
e ainda por que dizem tanto ao meu coração.

Uma delas é minha preferida
Seu aspecto lindo me chamou a atenção.

Tem um ar fantasmagórico
À noite se torna branca
em plena escuridão.

Ela não tem nome e eu não preciso saber
Botanicamente sim, eu sei.

Eu estava a andar sem rumo mesmo
Pois o parque possui muitos caminhos
A saudade me levou a tantas sombras, de minha memória botânica
O perfume úmido do lago, me faz lembrar que foi ontem

Que a obscuridade, a luz destas árvores e o calor deste mesmo sol que eu odeio, é o que me trouxe de volta de onde nem mesmo sabia...
Ellen Augusta
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