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segunda-feira, 6 de julho de 2015

O frio atormentador

Caminho desnuda, o frio me congela,  os pés pouco mais flutuam, pois já não sentem.
Não há nada mais lindo que uma noite descalça.
O sonar das músicas, lá fora é madrugada.
As ondas batem nas pedras, respiro.
Da janela vem um pouco da lembrança, era ela.
Um jeito diferente de ser, uma mulher que outrora caminhava ali.
Era um fantasma de mim.

A mulher que de certa forma te ampara.

O sonho os pés nus de tanto chorar.
O mar continua a ser ameaçador, está tão tarde, preciso morrer.
Não é preciso ser louca, me basta dizer
teu nome.

Oceano!
Luar sobre as pedras, por que não vou ao teu encontro?
O frio do Inverno provoca-me delírio.
Não sei escrever.
Só sei inspirar novamente os mesmos devaneios,
impregnar-me com a mesma recordação.

Eu me vi no espelho das ondas. O espírito no mar noturno.
Nunca mais, eu me dizia.
Nem para a vida, nem para a morte.
Presa entre as vagas marinhas sem saber para onde ir.
Ellen Augusta

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Faço terapia! (minha poesia concreta)

A cada vez que saio por aquela porta, o oceano do inconsciente vai ficando cada vez mais cristalino, as ondas cada vez mais agitadas, o sofrer entendido, as profundezas sendo reveladas.
O anjo, um velho sábio, uma amiga de outros séculos, uma faca no coração. O sangue escorrendo pelos olhos.
Quando comecei a entrar neste mundo, meu medo era de ser descoberta.
Como o que perfeitamente descreveu Florbela em seu poema, que é um verdadeiro arquétipo:

A minha tragédia
Florbela Espanca

Tenho ódio à luz e raiva à claridade
Do sol, alegre, quente, na subida.
Parece que minh'alma é perseguida
Por um carrasco cheio de maldade!

Ó minha vã, inútil mocidade,
Trazes-me embriagada, entontecida!...
Duns beijos que me deste noutra vida,
Trago em meus lábios roxos, a saudade!...

Eu não gosto do sol, eu tenho medo
Que me leiam nos olhos o segredo
De não amar ninguém, de ser assim!

Gosto da Noite imensa, triste, preta,
Como esta estranha e doida borboleta
Que eu sinto sempre a voltejar em mim!...
A Florbela me descreve despudoradamente, descreve o que é comum e universal, por ser ela, um ser sensível à sua própria dor.
Salva-me agora, as profundas ondas daquele oceano, onde sempre quis morrer.
Quando as lágrimas caem, levam pesos, presos e abafados, levam dores e as trazem à tona.
Quando caminhava à margem, não tinha ideia.
Caminho tão leve até o ponto de voar. A tristeza é tão profunda que a morte seria a solução. Mas não!

Quando entro neste lugar, vejo-me nos olhos de mim mesma, as palavras não tem mais o mesmo sentido, me proponho a não mais reagir como uma criança.
E quando tomo minha vida em mãos, percebo que ela é comum e finita. Não sou nada além de mim mesma. Os delírios sociais não cabem aqui dentro.
É por isso que é preciso caminhar à margem, para depois mergulhar sem medo.
Nas profundezas de minha mente, descubro que aquela mulher já está morta.
Ellen Augusta

terça-feira, 2 de julho de 2013

VALSINHA DO MARAJÓ Waldemar Henrique

(procuro esta música a anos e encontrei!)

Quando a lua tão formosa, tão serena, banha de esplendor a praia, com seus raios sobre o mar.
Uma esteira de luz guia a canoa, que na noite constelada, vai singrando o mar!
Eu me lembro de um bravo canoeiro, que no mar seu cativeiro, passa horas a cantar.
O murmúrio vem de tão distante, canoeiro errante, teu amor é o mar!
Lembro da jornada alegre e matutina, a canoa parte pequenina num adeus, que a própria brisa doce carregou.
Mas triste é quando se aproxima o temporal, e o canoeiro bravo, que partiu, e ainda não voltou!


Onda, porque choras lágrimas cantantes. Tuas vagas rolam soluçantes, sobre a alvura dessas praias cheias de luar. Escuta aquela voz que vem lá do infinito, canto tão bonito que parece ser o próprio mar!
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