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segunda-feira, 20 de julho de 2015

Tormenta pressentida

Qual é o medo criança
do tremor desta casa
Se a janela balança
ao som do meu temporal?
Eu sentia falta dele
Era o meu tétrico amigo
Era o som afável do vento
Que nunca andava só

A lágrima que corria
O vento que aqui batia
Era a lamúria conjunta
luz sanguínea e o tremor do trovão
E também a chuva ruidosa

Correndo a madrugada
Tendo o amor como presente

Ao meu lado ele assim está agora
Eternamente ensimesmado

Nunca diz o que sente
Nunca sei o que sinto
Cai como meu corpo nas pedras
Chuva suicida
meu sono ausente
no profundo negrume
uma só palavra perpetua
Agora já morta: a saudade

Abre as janelas respira
o suave tormentoso
Meu espelho sorri.
Não mais sabe se está aqui.

Ellen Augusta

segunda-feira, 6 de julho de 2015

O frio atormentador

Caminho desnuda, o frio me congela,  os pés pouco mais flutuam, pois já não sentem.
Não há nada mais lindo que uma noite descalça.
O sonar das músicas, lá fora é madrugada.
As ondas batem nas pedras, respiro.
Da janela vem um pouco da lembrança, era ela.
Um jeito diferente de ser, uma mulher que outrora caminhava ali.
Era um fantasma de mim.

A mulher que de certa forma te ampara.

O sonho os pés nus de tanto chorar.
O mar continua a ser ameaçador, está tão tarde, preciso morrer.
Não é preciso ser louca, me basta dizer
teu nome.

Oceano!
Luar sobre as pedras, por que não vou ao teu encontro?
O frio do Inverno provoca-me delírio.
Não sei escrever.
Só sei inspirar novamente os mesmos devaneios,
impregnar-me com a mesma recordação.

Eu me vi no espelho das ondas. O espírito no mar noturno.
Nunca mais, eu me dizia.
Nem para a vida, nem para a morte.
Presa entre as vagas marinhas sem saber para onde ir.
Ellen Augusta

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Mulher, dá para tirar esses olhos invejosos de cima de mim?


A maioria das mulheres, quando vê outra na rua, olha para os seios, barriga e bunda, principalmente no Verão. Como se a outra se reduzisse ao que ela inveja ou deseja.
E isso não tem a ver com o grau de instrução ou idade. É desagradável andar pela rua e ver uma mulher olhando descaradamente para seu traseiro, chegando a virar as costas. Na praia isso é comum também e quando estou de bom humor eu dou 'Oi', para que a pessoa perceba que eu tenho uma cabeça em cima dos seios.
O que falta nessas mulheres é auto estima. Todas nós temos imperfeições, todas.
E por que seguimos nessa idiotice de olhar o outro como uma extensão de nosso egoísmo?
Será que não percebem que isso é um atestado de, no mínimo, falta de educação?

O pior é quando uma mulherzinha quer te imitar em tudo, até no corte de cabelo, nas roupas e no 'modus operandi'.  A pessoa fala mal de ti aos quatro ventos, te desqualifica intelectualmente, mas lá no fundo e descaradamente, pois nem disfarça, tem uma espécie de 'amor' e uma fixação no que eu faço. Por que não admira? A essas pessoas, lhes resta o ódio.

Pois no meu caso, acontece muito. Estou andando na rua e são as mulheres que olham com esse olhar para mim. No que eu concluo que estou 'causando'... e não posso evitar agora uma boa gargalhada....

Sim, por que os homens, no mais das vezes, olham com olhares de admiração ou aquela curiosidade masculina diante de qualquer mulher, sendo ela bonita ou feia. Claro está que não me refiro aos tarados e velhos nojentos, que para estes, tanto faz se somos mulheres, crianças ou travestis.

Eu me inspiro em poucas que quebraram o mito da beleza inalcançável, e não tem vergonha de mostrar a barriga flácida, usar as roupas que lhe apetecem, fio dental mesmo tendo a bunda bem grande ou mesmo que a achem feia, sendo sensuais ou bem masculinas (eu curto os dois estilos), possuem ideias radicais e assumem o que são. A essas eu admiro e dou todo meu apoio.

Quando eu vejo uma mulher com a barriga toda flácida, ou pernas grossas à mostra, não faço caras e bocas de desprezo, eu admiro, acho legal. Pois essa pessoa quebra paradigmas, usa o que está a fim. Eu faço o mesmo. Tinha vergonha das minhas pernas finas. Sofria com isso. Hoje eu uso que quero, tenho vergonha de outras coisas, nem menciono. Mas quebro os padrões, mesmo que mulheres idiotas e incultas fiquem me olhando. Talvez algumas aprendam com isso. Outras possam admirar.

Eu engordei apenas cinco quilos depois que me tornei adulta (o melhor período de minha vida) e sinto na pele o mito da beleza, a preocupação com a opinião das 'outras', o medo de envelhecer, e me tornar substituível. Só quem faz terapia e é feminista torna-se sensível para perceber certas sutilezas sociais. Mas nem isso nos garante. O que é preciso é se assumir.

Todas as mulheres se deixaram cair no mito da beleza, ideal criado pela sociedade machista e mercantilista, que as mulheres abraçaram com toda a sua insegurança e medo da solidão.

No livro de mesmo nome, da feminista Naomi Wolf, de que sou fã, ela faz uma proposta para quebrar esse paradigma:

Quando passares na rua, olhe nos olhos de sua companheira de jornada, pois todas as mulheres são humanas, têm defeitos, sentem dor e solidão. Elas, assim como você, também são vítimas e protagonistas do machismo que cultivam a séculos.

Está mais do que na hora de a mulher parar de atuar como minoria, pois é maioria absoluta em todas as profissões e cidades do mundo. Votam em homem, contratam homens, desconfiam dos serviços femininos, pois reconhecem na outra a sua inferioridade.

Ellen Augusta

Aqui está o PDF do livro, se eu fosse você, leria.
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