A Caverna é o livro que iniciou minha paixão pela literatura de José Saramago, e ela tem uma longa história. Vou contar porque é bonita.
A Caverna, como começou
Logo que meu pai morreu eu sonhei com ele. Nesse sonho meu pai me disse para ler um livro do José Saramago e então quando acordei, procurei descobrir quem era esse escritor.
Ao falar com uma amiga, ela me emprestou A caverna, e eu comecei a ler. Porém na época, como era de se esperar, não consegui me concentrar em seu modo de leitura. Saramago tem um jeito peculiar de escrever, misturados a gírias, expressões portuguesas, modos e estilos. É um tipo de texto que é necessário atenção para que seja compreendido em plenitude.
Pois bem, desisti. Mas, logo pensei que não deveria desistir do escritor, pois sonhei, e levo meus sonhos à sério.
Comecei a leitura de outros livros, o primeiro é o Memorial do Convento e daí se seguiu História do Cerco de Lisboa, Todos os Nomes, Ensaio Sobre a Cegueira, entre outros... Montei minha biblioteca com alguns de seus livros, o melhor, até hoje? O Evangelho Segundo Jesus Cristo.
No ano passado fui visitar uma linda praia e fiquei hospedada em uma casa que ficava na beira do mar.
Nesta casa havia uma biblioteca abandonada, os livros jogados de qualquer maneira, a leitora não residia na casa, e os atuais residentes descuidavam desse espaço.
Tenho essa mania de querer ver as coisas em ordem. Tenho esse espírito virginiano de achar que, em melhorando o espaço, as coisas todas se ordenam. Pois fui organizar os livros, desempoeirá-los, colocar todos em uma ordem, a minha.
Quando percebi, havia muitos livros do Saramago, e entre eles, A Caverna.
Era o livro simbólico, por onde tudo começou. Decidi começar sua leitura.
Nos braços do meu então companheiro, bastava eu olhar pela janela que ali estaria o mar. E então, muitas lágrimas caíram pois o livro era outro! Não era o mesmo livro de difícil leitura de muitos anos atrás. Era sim, uma literatura que queria me dizer algo. Assim eu supunha, pois havia sonhado com o escritor, e procurei saber o que este livro tem a me dizer.
Como tenho essa tendência a deixar as coisas pela metade, larguei o livro de mão logo e voltei para a vida na capital .
Mas o livro veio junto comigo e ficou ali à espera de sua leitura. Prometi para mim que o devolveria após sua leitura, mas sinceramente, não sei como irei fazer isso. Um dos motivos é que ainda não o terminei.
Por incrível que pareça, o livro ainda está sendo lido. E, na época de sua partida da estante, jamais imaginaria que um dia estaria cursando Letras na federal, que estaria cursando a faculdade para a qual talvez (talvez) eu tenha sido destinada e que hoje é como um alívio para meu mundo.
Quando escolhi fazer a cadeira Estudos de José Saramago, percebi que uma das leituras obrigatórias é este livro. E estou em plena leitura, faltando apenas algumas páginas para seu final.
Agora, minha visão sobre seu significado é completamente outro. E a curtição é muito maior.
A História
O livro conta a história de um pai e uma filha. Ele é um oleiro e tem uma filha, um genro e logo encontra um cão. A filha neste ponto do livro está grávida. O conflito acontece em torno do Centro Comercial, que é um espaço que praticamente o obriga a questionar seu modo de vida, pois sua profissão agora se torna obsoleta. As pessoas trocaram os utensílios de barro pelos objetos plásticos e descartáveis.
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quinta-feira, 10 de maio de 2018
O livro roubado
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segunda-feira, 27 de novembro de 2017
a torre frágil
em frente ao espelho, no corredor do meu apartamento, está meu corpo a conferir se tudo está bem.
é essa a imagem que eu levo para a rua, mas há ainda mais, o que não passa pela minha visão.
à noite madrugada, acordo com a janela aberta, a lua no mais perfeito visual, coloco meus pés no chão.
estou sonhando, vou até meu espelho, e a imagem abre-se.
é tão sério, em tons escuros, a pele branca exposta, a alma muda. nada me diz, e eu nada quero saber.
está ali todo o tempo, eu juro que não sinto, juro também que não o percebo, ao longo dos dias e dias...
Matei muitas coisas ao meu redor na esperança de tirar essa coisa, entalhada na pedra fria que é meu coração.
passa por mim Desconhecido, eu atravesso a rua para evitar cruzar com aquele olhar
que sequer me verá.
nunca verá, pois também não sei mais ver.
fecho os olhos, converso outros assuntos, o sangue por dentro corre, corre a timidez, cai um véu sobre o tempo.
esse tempo que pesa sobre o ar, e pára precisamente agora. ao som de passos, firme decisão.
a manhã fria, não sou eu - são as plantas, as flores, o abismo.
o som dos passos, o som....o som......que sim, tem nome.
corro para o espelho, hoje algo que apenas quebra, a vida que está aqui.
inseparável da dor, está a autossuficiência, a busca por isolar-me, a noite como o mais alto milagre, de estar só, com o reflexo.
é essa a imagem que eu levo para a rua, mas há ainda mais, o que não passa pela minha visão.
à noite madrugada, acordo com a janela aberta, a lua no mais perfeito visual, coloco meus pés no chão.
estou sonhando, vou até meu espelho, e a imagem abre-se.
é tão sério, em tons escuros, a pele branca exposta, a alma muda. nada me diz, e eu nada quero saber.
está ali todo o tempo, eu juro que não sinto, juro também que não o percebo, ao longo dos dias e dias...
Matei muitas coisas ao meu redor na esperança de tirar essa coisa, entalhada na pedra fria que é meu coração.
passa por mim Desconhecido, eu atravesso a rua para evitar cruzar com aquele olhar
que sequer me verá.
nunca verá, pois também não sei mais ver.
fecho os olhos, converso outros assuntos, o sangue por dentro corre, corre a timidez, cai um véu sobre o tempo.
esse tempo que pesa sobre o ar, e pára precisamente agora. ao som de passos, firme decisão.
a manhã fria, não sou eu - são as plantas, as flores, o abismo.
o som dos passos, o som....o som......que sim, tem nome.
corro para o espelho, hoje algo que apenas quebra, a vida que está aqui.
inseparável da dor, está a autossuficiência, a busca por isolar-me, a noite como o mais alto milagre, de estar só, com o reflexo.
segunda-feira, 3 de julho de 2017
Visita à minha mãe
Sempre vejo em meus sonhos, a casa da minha mãe, dessa vez sem ruínas, pintada de branco, com as janelas marrons, e uma névoa silenciando o ambiente.
Eu fazendo promessas de visitá-la mais vezes, dormir naquela casa. Um lugar que só existe hoje em minha mente.
E lá, no sonho, ela estava tão viva, tão minha, tão profundamente real. Sentia imenso desejo de ficar ali com ela, só para conversar.
Suas coisas, seus pertences, quase nada existe mais. Seu corpo se foi morto, frio e roxo como todos os cadáveres... Ela deixou esse mundo, mas não deixa meus pensamentos. Todos os dias nesta casa, eu a encontro. A casa branca, as rosas no jardim, as roupas que eram dela, tudo o que foi de minha mãe.
Naquela casa, que hoje desaba sobre minha alma, há a memória do meu pai, há a trajetória do meu irmão. Eu também estou lá, de certa forma, naquele quarto solitário, naquela solidão que conheço tão bem, mas que hoje dói bem mais.
A morte corta tudo, nos tira tudo, só tenho algumas fotos, algumas roupas, um espelho, um perfume, e a lembrança da vida e da morte no seu corpo, que um dia me criou.
Eu nasci, daquela que hoje é simplesmente um nome em um túmulo. Eu era parte dela, e hoje carrego suas características dentro de mim. Minha mãe: agora me acho parecida contigo, na doçura e na teimosia, na tristeza, na desesperança, na alegria de viver, no cuidado com o outro.
Eu me abandonei algumas vezes, como você fez certa vez, eu desisti de algumas coisas, como você também desistiu, hoje me reflexo em seu olhar, pois sei tanto o que você passou. Eu luto todos os dias para orgulhar-te, eu escrevo estas linhas, para que possas ler... aí em algum lugar onde estejas.
Mãe, se leres isso, estou no melhor momento de minha vida. Estou percebendo as coisas que são realmente minhas, as que devo deixar para trás, e o que eu penso realmente, que não é influência de outros.
Só o que não muda são os sonhos, em que vou te visitar, aquela casa perturbadora, aquela saudade do que nunca mais será.
Eu fazendo promessas de visitá-la mais vezes, dormir naquela casa. Um lugar que só existe hoje em minha mente.
E lá, no sonho, ela estava tão viva, tão minha, tão profundamente real. Sentia imenso desejo de ficar ali com ela, só para conversar.
Suas coisas, seus pertences, quase nada existe mais. Seu corpo se foi morto, frio e roxo como todos os cadáveres... Ela deixou esse mundo, mas não deixa meus pensamentos. Todos os dias nesta casa, eu a encontro. A casa branca, as rosas no jardim, as roupas que eram dela, tudo o que foi de minha mãe.
Naquela casa, que hoje desaba sobre minha alma, há a memória do meu pai, há a trajetória do meu irmão. Eu também estou lá, de certa forma, naquele quarto solitário, naquela solidão que conheço tão bem, mas que hoje dói bem mais.
A morte corta tudo, nos tira tudo, só tenho algumas fotos, algumas roupas, um espelho, um perfume, e a lembrança da vida e da morte no seu corpo, que um dia me criou.
Eu nasci, daquela que hoje é simplesmente um nome em um túmulo. Eu era parte dela, e hoje carrego suas características dentro de mim. Minha mãe: agora me acho parecida contigo, na doçura e na teimosia, na tristeza, na desesperança, na alegria de viver, no cuidado com o outro.
Eu me abandonei algumas vezes, como você fez certa vez, eu desisti de algumas coisas, como você também desistiu, hoje me reflexo em seu olhar, pois sei tanto o que você passou. Eu luto todos os dias para orgulhar-te, eu escrevo estas linhas, para que possas ler... aí em algum lugar onde estejas.
Mãe, se leres isso, estou no melhor momento de minha vida. Estou percebendo as coisas que são realmente minhas, as que devo deixar para trás, e o que eu penso realmente, que não é influência de outros.
Só o que não muda são os sonhos, em que vou te visitar, aquela casa perturbadora, aquela saudade do que nunca mais será.
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quinta-feira, 13 de outubro de 2016
Flores roxas, meu presente
Quase consigo fingir que não sei,
quando percebo minha frieza - a minha única arma -
quando percebo que tudo muda,
e você se desmancha em emoção.
Ignoro, olho para o lado.
Não quero ver quem me quer tão bem.
Não creio haver sentido, em um sentimento que sempre foi apenas meu.
E agora o vejo refletido.
Preciso partir, meu sonho.
Você me carrega em seus pés, os cabelos vermelhos, as palavras que eu esqueci,
de tão importantes que eram, para mim.
Te abracei, e sobre teus pés, andei assim, como uma criança.
Eu só andava, passo a passo, pés sobre pés, o poema assim construído
dentro de meus olhos fechados - o sonhar.
Eu só andava, passo a passo, pés sobre pés, o poema assim construído
dentro de meus olhos fechados - o sonhar.
Preciso ir,
nasci, para em seguida fenecer.
Essa cor verde que me impressiona,
esse jeito de chorar.
Aquelas flores mortas, as saudades, o presente,
tudo tão triste.
Foi o lugar, foi a cidade, a metrópole dos mortos.
tudo tão triste.
Foi o lugar, foi a cidade, a metrópole dos mortos.
A janela aberta para o silêncio do lago,
um cemitério de lembranças,
um cemitério de lembranças,
ele tão quieto - a minha distância interior.
Porque a melancolia tem essa coisa que me devasta por dentro.
Eu preciso abrir os olhos, eu preciso acordar.
Nossos dias nos matam, eu sei.
Mas isso não é suficiente.
Eu preciso abrir os olhos, eu preciso acordar.
Nossos dias nos matam, eu sei.
Mas isso não é suficiente.
Chorei, quando te conheci. Porque sabia que não seria fácil. Porque sabia que meu mundo se quebraria, com o ruído do seu caminhar.
Ellen Augusta
Ellen Augusta
sexta-feira, 24 de junho de 2016
Luz adormecida
Esse olhar turvo sem definição de tom
Só desperta em mim uma cor
e uma vontade.
Quando eu esperava de você o que eu mesma deveria sentir,
Era um ato desesperado de um coração já tão frio, pelo tempo.
Quando enfim eu era transparente como a água,
quando o Inverno gelou, por fim, minha alma,
só restou uma âncora no profundo do mar,
uma memória inalcançável, ferida de tanto sentir.
E o seu olhar era apenas curioso. "Como pode amar, a que morta já está?"
Eu pisei, e o chão se iluminou. Meus pés me levaram até o impossível, num ato de dor.
Era lindo e triste, era uma mentira que eu contei. Mas ela existe!
[Meu amor, meu anjo morto,
desperte deste sonho, por favor,
e olhe para mim]
Eu estou aqui, como quem apenas espera a morte ou seu reverso.
Pois desta vida, o amor já não mais serve,
já chegou, tão pesado, e nada deixou, além das lembranças, essas âncoras.
Eu caminhei e vi um chão de pura luz, tudo mudou, quando fiz o movimento.
Olhe-me, estou aqui. Tudo ao meu redor são gestos, palavras, solicitações,
mas só espero um único toque dos teus dedos e uma direção para este olhar
de quem para mim brilhava, entre todos, nesta multidão.
É tão profunda, tão enganosa, essa obsessão que até o mar percebeu, quando me viu chorar, tão distante, sem nunca voltar.
É um sonho, o que eu vejo neste espelho, como esta vida, também é.
Ellen Augusta
Só desperta em mim uma cor
e uma vontade.
Quando eu esperava de você o que eu mesma deveria sentir,
Era um ato desesperado de um coração já tão frio, pelo tempo.
Quando enfim eu era transparente como a água,
quando o Inverno gelou, por fim, minha alma,
só restou uma âncora no profundo do mar,
uma memória inalcançável, ferida de tanto sentir.
E o seu olhar era apenas curioso. "Como pode amar, a que morta já está?"
Eu pisei, e o chão se iluminou. Meus pés me levaram até o impossível, num ato de dor.
Era lindo e triste, era uma mentira que eu contei. Mas ela existe!
[Meu amor, meu anjo morto,
desperte deste sonho, por favor,
e olhe para mim]
Eu estou aqui, como quem apenas espera a morte ou seu reverso.
Pois desta vida, o amor já não mais serve,
já chegou, tão pesado, e nada deixou, além das lembranças, essas âncoras.
Eu caminhei e vi um chão de pura luz, tudo mudou, quando fiz o movimento.
Olhe-me, estou aqui. Tudo ao meu redor são gestos, palavras, solicitações,
mas só espero um único toque dos teus dedos e uma direção para este olhar
de quem para mim brilhava, entre todos, nesta multidão.
É tão profunda, tão enganosa, essa obsessão que até o mar percebeu, quando me viu chorar, tão distante, sem nunca voltar.
É um sonho, o que eu vejo neste espelho, como esta vida, também é.
Ellen Augusta
quinta-feira, 5 de maio de 2016
A Mãe
A Mãe, era assim que eu a chamava.
Seu nome, eu guardava.
Mãe era tão bom pronunciar.
Ela sentia um nó no peito, toda a vez que eu conhecia um cara.
Se sentisse uma coisa ruim, ela já disparava: Não vai dar certo. Eu ficava puta. Como assim mãe?
E era tão fatídico: o mais amado, ou o que mais me perseguia, sumia frente à intuição cristalina de um coração de mãe.
E, se ela sentisse aquela pontada no coração, era questão de tempo. Não dava certo.
Mas, quando eu casei, perguntei a ela: Mãe, o que você sentiu dessa vez? E ela não havia sentido nada. Mãe, você não errou.
Minha intuição não me diz mais nada, desde que não lhe dei ouvidos quando ela me chamava dia após dia e, nada fiz. Eu sou tão torpe, mal sei o que eu mesma sinto, meu coração é morto às vezes. Sofreu demais e hoje prefere o silêncio de nada saber.
Queria tanto ter essa intuição dolorida, essa dor no peito que dizia à minha mãe o que ia acontecer. Sempre fui fascinada pela morte. E mesmo sabendo que foi um alívio para ela, sair desse mundo de tristezas, que falta que minha mãe me faz!
Eu sonhei com ela essa noite. Acordei desolada, me sentindo tão órfão, perdida no mundo de um coração vazio. Sem dor, sem amor.
Queria que ela estivesse aqui. Não precisava falar nada, nem ser nada, pois exigia tanto dela quando era viva. Hoje só queria seu ser. Como era, com seus defeitos, qualidades, e sua presença. Nem mesmo no sonho a via direito.
Ela estava ausente. Essa ausência que senti a vida inteira. Me conforta saber que ela pode estar em silêncio. A mudez da morte, sem essa de "vida no além" pois o que mais queria era que ela ficasse em paz.
Fiquei com tão poucas coisas suas, as rosas, a solidão e o modo de amar, talvez. Ausente e profundo.
Ellen Augusta
Seu nome, eu guardava.
Mãe era tão bom pronunciar.
Ela sentia um nó no peito, toda a vez que eu conhecia um cara.
Se sentisse uma coisa ruim, ela já disparava: Não vai dar certo. Eu ficava puta. Como assim mãe?
E era tão fatídico: o mais amado, ou o que mais me perseguia, sumia frente à intuição cristalina de um coração de mãe.
E, se ela sentisse aquela pontada no coração, era questão de tempo. Não dava certo.
Mas, quando eu casei, perguntei a ela: Mãe, o que você sentiu dessa vez? E ela não havia sentido nada. Mãe, você não errou.
Minha intuição não me diz mais nada, desde que não lhe dei ouvidos quando ela me chamava dia após dia e, nada fiz. Eu sou tão torpe, mal sei o que eu mesma sinto, meu coração é morto às vezes. Sofreu demais e hoje prefere o silêncio de nada saber.
Queria tanto ter essa intuição dolorida, essa dor no peito que dizia à minha mãe o que ia acontecer. Sempre fui fascinada pela morte. E mesmo sabendo que foi um alívio para ela, sair desse mundo de tristezas, que falta que minha mãe me faz!
Eu sonhei com ela essa noite. Acordei desolada, me sentindo tão órfão, perdida no mundo de um coração vazio. Sem dor, sem amor.
Queria que ela estivesse aqui. Não precisava falar nada, nem ser nada, pois exigia tanto dela quando era viva. Hoje só queria seu ser. Como era, com seus defeitos, qualidades, e sua presença. Nem mesmo no sonho a via direito.
Ela estava ausente. Essa ausência que senti a vida inteira. Me conforta saber que ela pode estar em silêncio. A mudez da morte, sem essa de "vida no além" pois o que mais queria era que ela ficasse em paz.
Fiquei com tão poucas coisas suas, as rosas, a solidão e o modo de amar, talvez. Ausente e profundo.
Ellen Augusta
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
Portas transparentes
Nas imagens que se abrem em meus olhos quando durmo,
fecho portas transparentes
estou só, através de vidros translúcidos,
minha casa é negra, com passagens de luz.
O Sonho ofereceu-me sua morada
A casa, névoa branca e cinza, eterna cortina de saudade
envolve objetos repletos de afeto,
o corpo sonambular,
as memórias apagadas.
A Criança diz teu nome
Não esperava e, fato é:
Abriu-se a percepção
amorosa.
Roubei teu livro no cemitério,
o lugar onde guardei tudo de ti.
Enfeitei com flores o nada, teu espírito e tudo que não mais sei como é,
e decretei morte à minha Assombração.
Acordo de madrugada,
com a solidade cortando meu peito,
feito sal na ferida sangrante.
Eu deveria levantar guerra, ferir-te como quem ama,
Mas nada existe de real.
Sonhos são sonhos,
A fenda de realidade,
que mostra uma profunda verdade.
Ocultada neste olhar, que só sente
Saudade.
Ellen Augusta
fecho portas transparentes
estou só, através de vidros translúcidos,
minha casa é negra, com passagens de luz.
A casa, névoa branca e cinza, eterna cortina de saudade
envolve objetos repletos de afeto,
o corpo sonambular,
as memórias apagadas.
A Criança diz teu nome
Não esperava e, fato é:
Abriu-se a percepção
amorosa.
Roubei teu livro no cemitério,
o lugar onde guardei tudo de ti.
Enfeitei com flores o nada, teu espírito e tudo que não mais sei como é,
e decretei morte à minha Assombração.
Acordo de madrugada,
com a solidade cortando meu peito,
feito sal na ferida sangrante.
Eu deveria levantar guerra, ferir-te como quem ama,
Mas nada existe de real.
Sonhos são sonhos,
A fenda de realidade,
que mostra uma profunda verdade.
Ocultada neste olhar, que só sente
Saudade.
Ellen Augusta
domingo, 3 de janeiro de 2016
Imago fantasma
Quando nasce de dentro essa sensação.
O imago ressurge do espaço nuvem do meu espírito
um companheiro cruel, que nunca me deixou,
trazendo o mal estar da saudade tão sofrida, de lembranças doloridas.
Lembrar é igual a viver
o sentimento sonhado é igual ao deixado, ao perdido,
feito farrapo por mãos iludidas,
por palavras alternadas entre o pensar e o falar, negar e permitir.
Sonhar é como morrer
E eu, que já estou morta, estou farta de sonhos,
mórbidos, em que o passado,
vem, vem, como um fantasma,
assombra-me de novo e sempre....
o anjo denso como um esqueleto
que carrego fechado dentro de mim.
Este, que já não está, não vive na casa da minha mente, não existe....
só viveu no passado, só existiu na trégua da dor,
só atormenta meu ser, quando preciso sofrer...
Mas há, há algo de sua névoa, que sempre aparece,
e quando dói, é como qualquer coisa que crava a pele,
é como se rasgasse uma mortalha
com a sombra da vida.
Ellen Augusta
O imago ressurge do espaço nuvem do meu espírito
um companheiro cruel, que nunca me deixou,
trazendo o mal estar da saudade tão sofrida, de lembranças doloridas.
Lembrar é igual a viver
o sentimento sonhado é igual ao deixado, ao perdido,
feito farrapo por mãos iludidas,
por palavras alternadas entre o pensar e o falar, negar e permitir.
Sonhar é como morrer
E eu, que já estou morta, estou farta de sonhos,
mórbidos, em que o passado,
vem, vem, como um fantasma,
assombra-me de novo e sempre....
o anjo denso como um esqueleto
que carrego fechado dentro de mim.
Este, que já não está, não vive na casa da minha mente, não existe....
só viveu no passado, só existiu na trégua da dor,
só atormenta meu ser, quando preciso sofrer...
Mas há, há algo de sua névoa, que sempre aparece,
e quando dói, é como qualquer coisa que crava a pele,
é como se rasgasse uma mortalha
com a sombra da vida.
Ellen Augusta
sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
Branco nos meus sonhos
Eu chorava imensamente, dentro do sonho e quando acordei.
E dizia para quem estava, lá dentro
e para a música que ouvia, aqui fora:
Que, o problema aqui, não é bem a distância que nos separa, talvez bem mais seja a melancolia interior.
Essa angústia, ferida, que nos separou a alma.
Eu atravesso ruas perigosas, os carros passam, voam por cima de mim, não há ordem em nada.
Há algo vermelho e terroso por todo o lugar. Como é diferente meu íntimo, das coisas que eu tenho em meu pensamento.
Como é diferente a minha cor, dos tons que guardo em meu inconsciente.
Um lençol branco imenso
cobria pedras com rachaduras profundas, meus pés eram tão frágeis, pois sei, quase sempre não tenho chão.
Eu via aquela criança, de camiseta branca, sentada a me olhar.
A dor antiga, impossível resgate. A doçura infantil espelhada num disfarce.
Ao meu lado, tentando me fazer lembrar.
E estava sentado, sobre as pedras, como alguém que simplesmente tenta oferecer ajuda.
A inocente infantil tentativa.
Como sou. Senti o carinho dentro de mim, sentimentos de uma mulher morta.
Mas o menino ficou para trás, quando acordei.
Buscava recolher todas as coisas. Objetos do chão, símbolos oníricos.
Fecho meus olhos. Ignoro o que guardo em mim.
Só podia dizer aquelas palavras.
A figura inquietante, a me torturar,
O irmão, a criança.
E a lembrança, a cor que persiste em cada sonho.
Ellen Augusta
E dizia para quem estava, lá dentro
e para a música que ouvia, aqui fora:
Que, o problema aqui, não é bem a distância que nos separa, talvez bem mais seja a melancolia interior.
Essa angústia, ferida, que nos separou a alma.
Há algo vermelho e terroso por todo o lugar. Como é diferente meu íntimo, das coisas que eu tenho em meu pensamento.
Como é diferente a minha cor, dos tons que guardo em meu inconsciente.
cobria pedras com rachaduras profundas, meus pés eram tão frágeis, pois sei, quase sempre não tenho chão.
Eu via aquela criança, de camiseta branca, sentada a me olhar.
A dor antiga, impossível resgate. A doçura infantil espelhada num disfarce.
Ao meu lado, tentando me fazer lembrar.
E estava sentado, sobre as pedras, como alguém que simplesmente tenta oferecer ajuda.
A inocente infantil tentativa.
Como sou. Senti o carinho dentro de mim, sentimentos de uma mulher morta.
Mas o menino ficou para trás, quando acordei.
Buscava recolher todas as coisas. Objetos do chão, símbolos oníricos.
Fecho meus olhos. Ignoro o que guardo em mim.
Só podia dizer aquelas palavras.
A figura inquietante, a me torturar,
O irmão, a criança.
E a lembrança, a cor que persiste em cada sonho.
Ellen Augusta
sábado, 22 de agosto de 2015
Animus e Anima
Ele me assombra todas as noites.
Como vingança
Sou o peso morto
Não sobre seu coração
Este eu já conquistei
}desde hace mucho{
Mas abraço sua alma inteira
sou um anjo assombrado por teus sonhos.
Minha alma está em silêncio
aí, em algum canto de ti!
Ellen Augusta
Como vingança
Sou o peso morto
Não sobre seu coração
Este eu já conquistei
}desde hace mucho{
Mas abraço sua alma inteira
sou um anjo assombrado por teus sonhos.
Minha alma está em silêncio
aí, em algum canto de ti!
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segunda-feira, 20 de julho de 2015
Tormenta pressentida
Qual é o medo criança
do tremor desta casa
Se a janela balança
ao som do meu temporal?
Eu sentia falta dele
Era o meu tétrico amigo
Era o som afável do vento
Que nunca andava só
A lágrima que corria
O vento que aqui batia
Era a lamúria conjunta
luz sanguínea e o tremor do trovão
E também a chuva ruidosa
Correndo a madrugada
Tendo o amor como presente
Ao meu lado ele assim está agora
Eternamente ensimesmado
Nunca diz o que sente
Nunca sei o que sinto
Cai como meu corpo nas pedras
Chuva suicida
meu sono ausente
no profundo negrume
uma só palavra perpetua
Agora já morta: a saudade
Abre as janelas respira
o suave tormentoso
Meu espelho sorri.
Não mais sabe se está aqui.
Ellen Augusta
do tremor desta casa
Se a janela balança
ao som do meu temporal?
Eu sentia falta dele
Era o meu tétrico amigo
Era o som afável do vento
Que nunca andava só
A lágrima que corria
O vento que aqui batia
Era a lamúria conjunta
luz sanguínea e o tremor do trovão
E também a chuva ruidosa
Correndo a madrugada
Tendo o amor como presente
Ao meu lado ele assim está agora
Eternamente ensimesmado
Nunca diz o que sente
Nunca sei o que sinto
Cai como meu corpo nas pedras
Chuva suicida
no profundo negrume
uma só palavra perpetua
Agora já morta: a saudade
Abre as janelas respira
o suave tormentoso
Meu espelho sorri.
Não mais sabe se está aqui.
Ellen Augusta
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sexta-feira, 27 de junho de 2014
O frio a faz respirar
Estava com ela na claridade.
As vozes entram pela janela
Ela sozinha em meio à luz noturna, o frio luminar.
Eu saí do quarto a buscar o som, precisava das sombras, e jamais pude retornar.
As portas fechadas, abertas escuras, o interruptor alternava entre sim e não. Mas era sempre obscuro.
Os quartos escuros não me assustam, pois já estão dentro de mim.
O fantasma se ramificou em meu esqueleto, portanto.
Deixei suas mãos.
Lux.
Escuridão.
Eu buscando as sombras. O frio a faz respirar.
(Só ela soube porquê.)
A luz protegia os moribundos.
Mortem - Uma perna te enlaça. A que te pertence não teme.
Eu que te pertenço. Sou o medo em si.
Anda na casa vazia do tempo. Sólida e distante, melancólica e sombria. A amiga. A amada.
A esquecida estava no quarto escuro.
Acordei viva, deixei a-morta, deixei a-morte.
Nos sonhos perturbadora.
Companheira no vislumbre diurno.
Ellen Augusta
As vozes entram pela janela
Ela sozinha em meio à luz noturna, o frio luminar.
Eu saí do quarto a buscar o som, precisava das sombras, e jamais pude retornar.
As portas fechadas, abertas escuras, o interruptor alternava entre sim e não. Mas era sempre obscuro.
O fantasma se ramificou em meu esqueleto, portanto.
Deixei suas mãos.
Lux.
Escuridão.
Eu buscando as sombras. O frio a faz respirar.
(Só ela soube porquê.)
A luz protegia os moribundos.
Mortem - Uma perna te enlaça. A que te pertence não teme.
Eu que te pertenço. Sou o medo em si.
A esquecida estava no quarto escuro.
Nos sonhos perturbadora.
Companheira no vislumbre diurno.
Ellen Augusta
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quarta-feira, 21 de maio de 2014
Madrugada de chuva, tormenta de aviões
Uma saudade do tempo, foi o que sonhei. As portas estavam abertas, a chuva entrava com todas as coisas do céu. Eu tentava fechar tudo. Mas o que são meus braços contra o céu e seus aviões.
O anjo do passado, que tanto ensinava sobre a amizade passou por mim, mas já não podia falar-lhe.
E há coisas ainda por arrumar. Há sempre alguém a quem telefonar.
O irmão é tão pequeno e frágil. Que eu poderia levar nas mãos. Um anjo tão alto o carrega ao lado, pois são a mesma coisa, afinal.
Um sonho, assim como a poesia, não há como entender. Nem quem sonha, nem quem escreve, menos ainda quem lê, pode imaginar o que se passa no interior das palavras. Dentro de nossos olhares.
O anjo alto passa por mim em silêncio e sabe-se que nunca mais irá falar.
Há algo que precisa me encontrar, mas não sei se irei.
Você já sonhou com o tempo e acordou com o mesmo céu? Aquele céu obscuro e nublado, e mesmo assim amou o que viu? Pois é a saudade do passado, que mesmo triste, é a sua história.
São pessoas que, embora ainda vivas, estão mortas. São lugares que, embora existam, estão mudados.
E sabe-se lá por que vivem desta forma em você. Ellen Augusta
O anjo do passado, que tanto ensinava sobre a amizade passou por mim, mas já não podia falar-lhe.
E há coisas ainda por arrumar. Há sempre alguém a quem telefonar.
Um sonho, assim como a poesia, não há como entender. Nem quem sonha, nem quem escreve, menos ainda quem lê, pode imaginar o que se passa no interior das palavras. Dentro de nossos olhares.
O anjo alto passa por mim em silêncio e sabe-se que nunca mais irá falar.
Há algo que precisa me encontrar, mas não sei se irei.
Você já sonhou com o tempo e acordou com o mesmo céu? Aquele céu obscuro e nublado, e mesmo assim amou o que viu? Pois é a saudade do passado, que mesmo triste, é a sua história.
São pessoas que, embora ainda vivas, estão mortas. São lugares que, embora existam, estão mudados.
E sabe-se lá por que vivem desta forma em você. Ellen Augusta
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