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segunda-feira, 23 de novembro de 2015

O jardim frio

Há tristezas que não podem ser mostradas. Elas são mais tristes, penosas e não são bonitas.
Tentativas de poesia para o fatídico não se encaixam no mais terrível destino, onde nada é tão penoso, tão sofrível, tão desastroso.

Ver o outro sofrer, estar preso em si mesmo, em um outro mundo.
Não é meu mundo, mas eu sofro tão profundamente, que mesmo gritando não consigo aplacar essa dor.
Seria preferível receber um recado dos mortos. Do que saber de certas coisas.
Saber, me faz gritar à noite. Me faz infeliz, me faz sofrer, me faz sozinha no mundo.

O outro. É a minha irmandade. É parte, que eu tentei ignorar. Mas nada pode ser esquecido, o que no fundo ficou e está.

Misturam-se tristeza com a dor do irmão/Misturam-se a lembrança do amigo com a temível cortina, o véu de ausência.

Tento trazer à luz o funesto, torná-lo bonito, pois assim sempre sobrevivi.

A um mundo insuportável,

Busquei palavras, amei cada uma delas. Procurei com cada letra,
a outra forma de morrer.

A cada dia, naquelas pedras batem os mesmos pensamentos, o ritual.
O ilusório, a morte, para esquecer a vida estúpida
que te faz infeliz.

Ellen Augusta

sexta-feira, 27 de junho de 2014

O frio a faz respirar

Estava com ela na claridade.
As vozes entram pela janela
Ela sozinha em meio à luz noturna, o frio luminar.
Eu saí do quarto a buscar o som, precisava das sombras, e jamais pude retornar.
As portas fechadas, abertas escuras, o interruptor alternava entre sim e não. Mas era sempre obscuro.
Os quartos escuros não me assustam, pois já estão dentro de mim.
O fantasma se ramificou em meu esqueleto, portanto.
Deixei suas mãos.
Lux.
Escuridão.
Eu buscando as sombras. O frio a faz respirar.
(Só ela soube porquê.)
A luz protegia os moribundos.
Mortem - Uma perna te enlaça. A que te pertence não teme.
Eu que te pertenço. Sou o medo em si.
Anda na casa vazia do tempo. Sólida e distante, melancólica e sombria. A amiga. A amada.

A esquecida estava no quarto escuro.

Acordei viva, deixei a-morta, deixei a-morte.
Nos sonhos perturbadora.
Companheira no vislumbre diurno.
Ellen Augusta

domingo, 25 de maio de 2014

O irmão e o anjo alto que o levou

Um pequeno objeto encontrado em um museu, me lembrou que tive uma família.
O pai que era um senhor da ausência, a mãe como uma santa e só poderia sofrer.
O irmão dividido em dois:
um anjo alto e distante, incoerente. E ao mesmo tempo pequeno e frágil, dependente.
O qual eu não podia segurar, mas era responsável.
Tudo foi colocado em minhas mãos, como se eu fosse outra mãe.
Ao ver este objeto deslocado do lugar original, em outro tempo, em outro espaço. Lembrei que existiu um fio de ligação. Nada demais para tantos, tudo para se julgar, para muitos.
Mas para mim, difícil. Eu o vi, objeto fantástico, sorri, e não pude deixar de chorar depois.
Ellen Augusta

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Madrugada de chuva, tormenta de aviões

Uma saudade do tempo, foi o que sonhei. As portas estavam abertas, a chuva entrava com todas as coisas do céu. Eu tentava fechar tudo. Mas o que são meus braços contra o céu e seus aviões.
O anjo do passado, que tanto ensinava sobre a amizade passou por mim, mas já não podia falar-lhe.
E há coisas ainda por arrumar. Há sempre alguém a quem telefonar.
O irmão é tão pequeno e frágil. Que eu poderia levar nas mãos. Um anjo tão alto o carrega ao lado, pois são a mesma coisa, afinal.
Um sonho, assim como a poesia, não há como entender. Nem quem sonha, nem quem escreve, menos ainda quem lê, pode imaginar o que se passa no interior das palavras. Dentro de nossos olhares.
O anjo alto passa por mim em silêncio e sabe-se que nunca mais irá falar.
Há algo que precisa me encontrar, mas não sei se irei.
Você já sonhou com o tempo e acordou com o mesmo céu? Aquele céu obscuro e nublado, e mesmo assim amou o que viu? Pois é a saudade do passado, que mesmo triste, é a sua história.
São pessoas que, embora ainda vivas, estão mortas. São lugares que, embora existam, estão mudados. 
E sabe-se lá por que vivem desta forma em você. Ellen Augusta

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A irmandade do passado

Nos braços de uma longa amizade
Um amor de irmão nasceu
O que nunca tive, a família,
o tempo apagou
e esqueceu.
Eu não sabia o que era
Um abraço, uma lágrima.
Eu não sabia que sofria
A falta de uma humana flor.
Hoje o tempo brinda uma família, que é minha.
Insensata voz, a que conhece o grito.
A fala, através do amor, escreve.
A escolha certa, pelas minhas mãos, escolhe.
Sou ainda aquele farol no deserto oceânico
Minha alma sempre foi longe e sombria.
Meu amor sabe disso e mesmo assim me guia.

Uma mãe que é morta
Mesmo assim, é minha.
A saudade vai matando
a lembrança dos dias.
Por que temos que viver a morte?
Por que temos que morrer através dela?
Eu já havia morrido outra época, mas agora doeu mais forte.
A dor da perda é sempre nova, é sempre a mesma.
Mudam apenas os séculos.
Ellen Augusta
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