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sábado, 24 de junho de 2017

Não consigo ficar sozinha!

Apesar de adorar a solidão, eu não consigo estar sozinha. Será que sou anormal?

Adoro minha casa, adoro meu ser, minhas poesias, meu universo interior.  Mas até mesmo lá dentro há alguém, mesmo um fantasma...que não sou eu.

A companhia que se instalou aqui é quase um espírito amado, que tão entrelaçado em mim está, que já não sei o que sou eu, e o que são aquelas palavras antigas, as marcas impregnadas.

Mas essa minha mania de emendar uma história na outra, quando irá acabar? Quando me dedicarei a alguém, da mesma forma que dedico ao meu fantasma os meus poemas?

Não é culpa só minha, amar não é para qualquer um. E eu que sei bem como é o amor, não vou ficar aqui parada, no vazio dos dias... eu vou sim é viver, desse jeito torto, o que há pra fazer.
Ser doce e carinhosa é a melhor coisa que existe. Nunca me furtarei a isso.

Desde que me separei (antes também era assim) minha vida tem sido um relacionamento logo após outro, sem sequer um dia para respirar. Não consigo ficar só, alguns dias....eu emendo mesmo. Não consigo parar.

Ás vezes eu acho que isso é apenas um alimento para a vaidade. Ter o olhar de alguém em sua direção, alguém que pensa em você, mesmo que você nem esteja tão envolvida assim. Ter companhia para conversar todos os dias, um cara que te liga, num mundo em que ninguém se importa.

Isso eu poderia ter com amigos? Sim, mas não da mesma forma. Amigos eu tenho poucos e não gosto de incomodá-los com minhas carências. E eu adoro conquistar, ser conquistada.
A amizade é uma outra forma de conquista, tão bela, mas que para mim é muito mais sagrada.

Outras vezes eu penso que apenas amadureci e encarei esta verdade sobre mim: sou assim, sempre serei. Não acho interessante o que todos dizem "devemos ter um tempo para si mesmos e só depois nos relacionarmos outra vez". Por quê?

Me conheço o suficiente para não precisar me isolar de ninguém. Sei sobre mim o tanto que preciso, até este ponto, para não precisar me afastar de nada. As confusões sobre mim e sobre meus sentimentos, nada tem a ver com os outros, com a proximidade ou distância. Eu tenho dificuldades para amar sim, mas eu tento, tento muito.

Por que não posso aprender sobre quem eu sou através de outra pessoa? O aprendizado, afinal, é meu apenas. Não necessito tanto assim do outro, ou tanto assim da solidão. Juntos aprendemos muito mais a conviver, a ter paciência, a ser feliz mesmo com os pequenos defeitos de cada um. (E as diferenças!)

O outro pode ser um espelho para meu reflexo, mas também posso vê-lo, através dessa imagem.
Eu levei muito tempo para reconhecer na imagem que vejo no espelho, o amor de toda minha vida. Essa conquista é minha e de mais ninguém.

Já fiz a experiência, já fui muito solitária em determinado período, minha infância. E, por ser muito jovem, nada aprendi, nada acrescentou em mim não ter nada, viver em um deserto. Dali em diante, eu segui com aquilo que colhi, em todas as pessoas que nutri algum afeto. E tenho certeza de que nelas deixei, um pouco do amor que senti, tão fragmentado, mas completamente sincero.




quarta-feira, 21 de maio de 2014

Madrugada de chuva, tormenta de aviões

Uma saudade do tempo, foi o que sonhei. As portas estavam abertas, a chuva entrava com todas as coisas do céu. Eu tentava fechar tudo. Mas o que são meus braços contra o céu e seus aviões.
O anjo do passado, que tanto ensinava sobre a amizade passou por mim, mas já não podia falar-lhe.
E há coisas ainda por arrumar. Há sempre alguém a quem telefonar.
O irmão é tão pequeno e frágil. Que eu poderia levar nas mãos. Um anjo tão alto o carrega ao lado, pois são a mesma coisa, afinal.
Um sonho, assim como a poesia, não há como entender. Nem quem sonha, nem quem escreve, menos ainda quem lê, pode imaginar o que se passa no interior das palavras. Dentro de nossos olhares.
O anjo alto passa por mim em silêncio e sabe-se que nunca mais irá falar.
Há algo que precisa me encontrar, mas não sei se irei.
Você já sonhou com o tempo e acordou com o mesmo céu? Aquele céu obscuro e nublado, e mesmo assim amou o que viu? Pois é a saudade do passado, que mesmo triste, é a sua história.
São pessoas que, embora ainda vivas, estão mortas. São lugares que, embora existam, estão mudados. 
E sabe-se lá por que vivem desta forma em você. Ellen Augusta

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

A luz mais alta

Não consigo esquecer
A luz azul na noite escura
O farol a brilhar no oceano
Em meio a pedras e ondas brutais
É como minha alma em prantos
A solidão como a companheira [interior]
A luz que vela a escuridão
E sinaliza que em algum lugar
Pode existir vida
Um barco perdido
Uma canção soprada
Os ventos nas vagas
A força da dor

O sonho:

Eu quis proteger-te
Mas nunca consegui
Joguei-me contigo
Mas fiquei aqui

O quarto sofrido
Os sapatos inseguros
A ausência de amizade

A prova de História / O seu olhar encantador
A marca da tristeza
de nunca poder sair

Retorno encantadamente
aos meus vestidos e sapatos
ao abraço eterno do amigo
ao canto escuro de mim.
Ellen Augusta


sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Tarde demais

Esta é a foto da minha mãe com 18 anos feita pelo fotógrafo e poeta  Lino Estefano de Nes , que ganhou um prêmio com uma fotografia em que minha mãe segurava um filhote de pássaro na mão. Ele dedicava poemas à minha mãe. Ela guardava os livros e fotos dele com dedicatórias de amor.  Hoje é falecido. Não achei mais nada sobre sua obra e vida. Nada dessas coisas se preservaram, somente em minha lembrança. Descobri que existem peças dele no museu de Encantado RS.
Eu era uma criança no escuro
Você não teve culpa
Você não sabia
Nossa dor foi ter nascido
Eu te vi e sentia a mim mesma
O corpo tão frágil e sofrido
A dor da alma
Translúcida na falta do ar.

Como era inesperado!
Da morte feliz no mar profundo...
À uma cama de hospital
Com uma cruz na alma e a dor no corpo.

Eu não me perdoo
Ainda não
Eu quis morrer todos os dias
O oceano a me chamar
A luz de um farol a brilhar
Os pés na areia
Lágrimas de sal
À espera de um sonho
Que suplantasse todos os outros
Em que te vejo por dentro
Não. Fiquei aqui, só.
Quase, quase todos contra mim.
E a verdadeira versão dos fatos
Somente o que hoje é meu espelho
Soube!
Ellen Augusta


Meu mundo e nada mais - Guilherme Arantes

terça-feira, 18 de junho de 2013

Lúgubre

Esses dias negros que trazem a vontade
de sair do corpo que sofre
a solidão mais imperfeita a triste constatação.
Sim, jogar-me àquelas pedras, dentro ao mar que tanto amo.
Sim, perder-me de mim mesma, sentir o que há de pior.
Poetizar sobre o fim, solucionar a dor de não ser.
Sem amigos, somente a dor de seu peito vazio.
Ninguém sabe.
Ninguém ouve.
Somente há o som do oceano - aquele mundo diferente.
Quisera não ter mais nada e ser livre.
Quem pode entender? Precisa-se de luz. Não somente quem se vai, mas quem fica.
A luz fraca e triste daquele farol que nunca se apaga.
O som de um rádio eterno, que nunca pára de transmitir.
Ellen Augusta
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