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segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Enlevo

Por que fui conhecer o medo
diante de seus olhos fechados
onde estava minha loucura
precisava dela ali.


a saudade inventa traços
descrevendo o que cai pela janela - um céu negro imensurável
a caneta escreve o inegável, por dentro
o sonho de ser teu corpo

Encantada pelas lembranças de tuas palavras,
o invólucro da presença,
é suicídio, mas para quem quer morrer
é alívio.

É o contrário, mas para minha poesia, precisa ser assim.

A recordação, caminha com os pés em direção às marés
carregada de cortadas dores, eróticos pensamentos,
lágrimas incômodas
a falta doentia levo-a e jamais voltará.

se tudo o que escrevo inexiste, eu mesma nem sei
se alguma coisa restou
o que sinto, já não entendo,
a noite, a nuvem quando cai,
é por ter adormecido
dentro da história que eu sou.

Ellen Augusta





quarta-feira, 21 de maio de 2014

Madrugada de chuva, tormenta de aviões

Uma saudade do tempo, foi o que sonhei. As portas estavam abertas, a chuva entrava com todas as coisas do céu. Eu tentava fechar tudo. Mas o que são meus braços contra o céu e seus aviões.
O anjo do passado, que tanto ensinava sobre a amizade passou por mim, mas já não podia falar-lhe.
E há coisas ainda por arrumar. Há sempre alguém a quem telefonar.
O irmão é tão pequeno e frágil. Que eu poderia levar nas mãos. Um anjo tão alto o carrega ao lado, pois são a mesma coisa, afinal.
Um sonho, assim como a poesia, não há como entender. Nem quem sonha, nem quem escreve, menos ainda quem lê, pode imaginar o que se passa no interior das palavras. Dentro de nossos olhares.
O anjo alto passa por mim em silêncio e sabe-se que nunca mais irá falar.
Há algo que precisa me encontrar, mas não sei se irei.
Você já sonhou com o tempo e acordou com o mesmo céu? Aquele céu obscuro e nublado, e mesmo assim amou o que viu? Pois é a saudade do passado, que mesmo triste, é a sua história.
São pessoas que, embora ainda vivas, estão mortas. São lugares que, embora existam, estão mudados. 
E sabe-se lá por que vivem desta forma em você. Ellen Augusta
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