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sábado, 11 de fevereiro de 2017

Você já se sentiu traído?

A sensação é de perda total do chão. Não apenas por que a pessoa que lhe traiu fez o mal, mas porque se perde a confiança nos demais, e até mesmo na vida.
Em quem confiar agora? A gente se pergunta, mas sempre haverá alguém.
Mas, se você pensar por outro lado, o traidor algumas vezes é o mais infeliz. Precisou ser sacana, precisou mentir, ocultar, ser duas caras. Quem quer ser assim?

Se para nós que não acreditamos (ou ainda é difícil acreditar) em algo maior ser indecente com os outros é algo impensável, imagine para quem acredita? O que é o caso da maior parte dos traíras.

Fazem a maldade e depois vão lá pedir perdão. Não deve ser fácil. Tenhamos piedade por quem precisa tripudiar para se sentir melhor. Nós.... nós não precisamos de nada disso. Apenas seguir em frente. Com a verdade.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Translucidez

Não mereço
a lucidez, se,
enquanto a penso
meu irmão sofre sua falta.
O meu castigo
é ser como Blimunda.
É ver a maldade nos corações
É ver a bondade em quem julguei ser somente o mal.

Ser como a mãe que sofre mais
Ser também o filho
Ser também a dor.
Sofrer pelo outro, que é o meu outro.

Ser tão louca quanto.
Ser tão triste e sozinha quanto.
Não mereço.

O espelho que é igual a mim.
Não mereçe.
Sofrer e ver sofrer. Nada poder fazer.

Pedir um perdão quando não há como perdoar.
Pedir perdão a um universo que jamais perdoará.

Meu irmão, me perdoe.
Sei que não há...
Só a tristeza de quem sabe o que se passa.
Me perdoe, por que minha dor não é nada
perto da sua.
E eu, que nunca soube perdoar, jamais poderei pedir perdão.
Ellen Augusta

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Tarde demais

Esta é a foto da minha mãe com 18 anos feita pelo fotógrafo e poeta  Lino Estefano de Nes , que ganhou um prêmio com uma fotografia em que minha mãe segurava um filhote de pássaro na mão. Ele dedicava poemas à minha mãe. Ela guardava os livros e fotos dele com dedicatórias de amor.  Hoje é falecido. Não achei mais nada sobre sua obra e vida. Nada dessas coisas se preservaram, somente em minha lembrança. Descobri que existem peças dele no museu de Encantado RS.
Eu era uma criança no escuro
Você não teve culpa
Você não sabia
Nossa dor foi ter nascido
Eu te vi e sentia a mim mesma
O corpo tão frágil e sofrido
A dor da alma
Translúcida na falta do ar.

Como era inesperado!
Da morte feliz no mar profundo...
À uma cama de hospital
Com uma cruz na alma e a dor no corpo.

Eu não me perdoo
Ainda não
Eu quis morrer todos os dias
O oceano a me chamar
A luz de um farol a brilhar
Os pés na areia
Lágrimas de sal
À espera de um sonho
Que suplantasse todos os outros
Em que te vejo por dentro
Não. Fiquei aqui, só.
Quase, quase todos contra mim.
E a verdadeira versão dos fatos
Somente o que hoje é meu espelho
Soube!
Ellen Augusta


Meu mundo e nada mais - Guilherme Arantes

sexta-feira, 22 de março de 2013

Mãe

A dor de sua partida é como uma faca rasgando o peito infinitamente. Não acredito em nenhum momento que não estás mais lá em casa, como sempre, presente na vida da gente. A mãe sempre estava presente, mesmo distante. Sei que a vida vai passando e não podemos deter o tempo, mas não acreditava que você um dia pudesse partir. Em algum lugar da minha mente infantil, você era sempre a mesma, nunca aparentava a idade e tinha uma saúde de ferro. Mas um dia você ficou doente e partiu.
Peço perdão pelas vezes que te fiz sofrer e sei que foram muitas. Mas era ansiosa, sem tratamento, tudo era questão do medo da vida. Hoje percebo que foi tudo em vão. Não é preciso ter medo, mas temos.
O que mais foi triste foi ver você sofrendo, por isso, pedi aos médicos que não fizessem você sofrer de modo desnecessário. Eles foram muito atenciosos, os enfermeiros e técnicos também, mesmo sendo SUS, tivemos um bom atendimento. Digo tivemos, pois eu também estava doente, minha alma estava sentindo toda sua dor, ou parte dela, pois sei que você sofreu muito mais.

Na terça feira cheguei na hora exata. Você sabe do que estou falando. Mas lamento o tempo que estive longe. Eu tinha levado aparatos para lhe fazer as unhas e cuidar um pouco mais de ti, mas não deu tempo.
No funeral foi lindo, consegui organizar tudo, com ajuda de muitas pessoas, pois você é tão querida e possui muitos amigos. Quem me dera um dia ter tanta gente assim me apoiando. Levei flores do seu jardim, as mesmas flores que você sempre me levava quando vinha aqui em casa. Estas flores sempre enfeitavam minha casa, sempre saía de sua casa com a sacola cheia de vida, de flores e frutas.

A cerimônia foi feita com o padre que é nosso primo e com as pessoas da igreja dos Mormons que te ajudaram muitas vezes, até mesmo pagando os custos de exames e apoiando você neste momento. Tenho muito a agradecer a eles. Foi um funeral diferente, com duas religiões, mas entendo que você assim quis. E que a linguagem espiritual tem muitas faces, sou assim como você, flexível para entender as diferentes linguagens espirituais e mesmo a ausência de crença. Coloquei em suas mãos geladas, uma cartinha que achei entre seus documentos, escrevi ela em 1998 e lá estava exatamente o que poderia te dizer hoje. Lembro que você guardou com tanto carinho junto com seus documentos mais importantes.
Levarei flores coloridas, velas perfumadas e farei o melhor que puder e conseguir para fazer com que o sofrimento que você passou aqui na Terra seja recompensado.

Escrevi esta mensagem virtual, pois acredito que a Internet seja uma mente coletiva, e que esta mensagem estará de certa forma gravada, para que você possa receber, mesmo que seja diretamente de meu coração.
A mãe sempre me visitava, trazendo coisas da sua horta. E voltava com a mesma sacola cheia de presentes. Tudo que eu comprava, pensava em dar para minha mãe também. Tomar chimarrão, ver o Chaves e o Chapolin a tarde, ir na horta pegar limão. A saudade é imensa ao pensar que nunca mais teremos estes momentos, que antes eram cotidianos. Gostei muito do tempo que moramos juntas e das vezes que fui te visitar.
Ellen Augusta
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