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segunda-feira, 12 de maio de 2014

As tranças para fios translúcidos

A mãe:
Quando vi a morte em seu corpo
Percebi o que se passaria.
Como poderia te contar? Que não nos libertaríamos juntas, das crenças nos deuses inúteis, ilusórios?
Que não morreríamos no mar?
Você me disse que o mar era deus. E só. Em você acreditei.
E que depois da morte tudo se acabava.
Pois hoje eu sei que tudo se vai através dela.

La Santa Muerte:
Depois do fim, o fim.
Da natureza de toda sua dor.
A morte, lúgubre deusa.
A que, com toda certeza, existe.
Pois a vi, estive com ela, e a senti em mim.
A translucidez entre os mundos.
O poético e o luto.
O fatídico e o distanciamento.
A solidão e as lágrimas.

A mãe:
Ela carregava a morte em seu corpo como uma pequena chama, que a consumiu por completo.

El camposanto:
Eu prometo a mim
que estarei lúcida,
livre de deuses e crenças.
Não importa o que digam, quero estar só.
Como um farol no meio do oceano,
para escrever sobre aquela que conseguiu ir.
Sozinha, deste mundo, para o começo do silêncio.

Ellen Augusta

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Translucidez

Não mereço
a lucidez, se,
enquanto a penso
meu irmão sofre sua falta.
O meu castigo
é ser como Blimunda.
É ver a maldade nos corações
É ver a bondade em quem julguei ser somente o mal.

Ser como a mãe que sofre mais
Ser também o filho
Ser também a dor.
Sofrer pelo outro, que é o meu outro.

Ser tão louca quanto.
Ser tão triste e sozinha quanto.
Não mereço.

O espelho que é igual a mim.
Não mereçe.
Sofrer e ver sofrer. Nada poder fazer.

Pedir um perdão quando não há como perdoar.
Pedir perdão a um universo que jamais perdoará.

Meu irmão, me perdoe.
Sei que não há...
Só a tristeza de quem sabe o que se passa.
Me perdoe, por que minha dor não é nada
perto da sua.
E eu, que nunca soube perdoar, jamais poderei pedir perdão.
Ellen Augusta
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