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terça-feira, 16 de junho de 2015

La Pascualita, a eterna noiva mexicana

La Pascualita ou Chonita é considerada A Noiva mais bonita de Chihuahua!

Estes dois meses, maio e junho, são meses considerados especiais para noivas e namorados. Também maio é o mês em que os mortos se encontram com os vivos, segundo algumas tradições, e junho é o mês do Inverno.

Por isso deixei para agora este assunto que uma amiga me enviou a muito tempo, a lenda da noiva embalsamada, que vive em uma vitrine da loja mais antiga do centro histórico de Chihuahua, no México. Sempre o México, este povo que está definitivamente preso à morte! Por isso os quero tanto!

Esta lenda era alimentada pela dona da loja, mãe de Pascualita, que não desmentiu os boatos de que teria sua filha morrido no dia de seu casamento por uma picada de escorpião, e dilacerada pela dor, a embalsamara para tê-la para sempre em sua loja. Mas com o tempo revelou que se tratava de um manequim de cera com cabelos, sombrancelhas e cílios naturais. A dona da loja inclusive dava banho na manequim com xampu, por conta de seus atributos naturais implantados. Por isso mesmo até a polícia um dia investigou o caso.
Mesmo assim, quem se convence?

Quando chegou à vitrine, a manequim era tão real que logo atraiu a atenção das pessoas, dizem que ela se movimenta à noite, chora, e sorri para as pessoas nas ruas. Tendo acontecido até, um caso em que Pascualita salvou uma moça de um cara que iria violentá-la, quando a jovem gritou: "Pascualita, ajuda-me!" E o homem se afastou dela.
As mulheres quando vão se casar, querem escolher o modelo de vestido que Pascualita está vestindo, pois assim creem que ela está escolhendo o que lhes dará sorte na vida de casada que terão.
E, como não pensar que este é um arquétipo feminino em que as mulheres se inspiram, na falta de modelos reais, em quem confiar?
Não se tem quase nada de real, em quem se inspirar. Aquelas mulheres jovens, olham para os lados e veem o que?
As suas mães e antepassadas com seus casamentos aos farrapos, sozinhas? As suas amigas colocando-as para baixo? Sumindo aos poucos assim que arrumam machos para casar? Elas possuem poucos e fracos símbolos femininos e sobra o que para essas meninas e mulheres mexicanas?
Uma manequim fantasma?
E será que é isso mesmo?

O povo mexicano é maravilhosamente crente em coisas sobrenaturais, eles veneram o feminino de uma forma peculiar, diferente de tudo que eu já vi, ou quis ver. Diferente de tantas culturas que veneram o masculino e ficam só nisso.

Vestem a morte de noiva:
La Santissima Muerte
Veneram a morte, as Catrinas, fazem festa aos defuntos, no meio da rua, misturam catolicismo com as venerações do feminino, sem medo, não estão nem aí. É um povo sofrido que perde a vida todos os dias, sabem a morte como ninguém, sendo amarga ou doce.


domingo, 2 de novembro de 2014

Día de Los Muertos

Estava na casa de um amigo e olhei para a parede. Quando levantei os olhos e vi o quadro ilustrando a Festa de Día de Los Muertos, do México, meu olhar brilhou para sempre. Naquela época eu era uma mistura de gótica, dark, poeta, triste e sensível, a melancolia inspirada nas coisas ligadas à morte. Como a religião não me bastava para exorcizar os demônios internos, deixei-os dominar-me inteiramente, através das delícias de estudar este tipo de assunto, atraente, fascinante e sem fim.
Eu amei aquela imagem, a noite iluminada, o cemitério cheio de pessoas, luzes por toda a parte, comida, e imaginei também as conversas, música e danças talvez e o aspecto da morte por todos os lados.
A festa é realizada no México e também nos Estados Unidos, por conta da grande parcela de mexicanos residentes ali. É tanto realizada por indígenas quanto pela população urbana ou rural. Sabemos todos que os mexicanos tem uma ligação fenomenal com a morte e com a religiosidade. Talvez por viverem num país extremamente violento, mas principalmente por manterem muito vivas suas ligações ancestrais, isso sim!
Pois a festa é celebrada muito antes da colonização hispânica. Daí vem o culto à Santissima Muerte, que a religião católica abomina. Mas que, porém, o povo jamais abandona, identificando nela, a mãe que leva as almas e protege a todos durante a vida. Alguns mexicanos desabafam dizendo que a igreja católica nunca lhes ajudaram em nada e, ainda, lhes tiraram a possibilidade de ter sua crença. A Santa Muerte é uma devoção tão forte e interessante, que na rua mesmo, a santa é adornada com cabelos humanos, flores e artefatos mexicanos. Já citei a Santa Morte muitas vezes neste blog, em breve farei alguma postagem sobre ela aqui. Pois obviamente, sendo ela uma divindade feminina, mexicana, e sendo a morte, sou sua fã!
No dia primeiro de novembro, é o dia de los muertos chiquitos, das almas pequeninas. E no dia dois, é o dia dos mortos adultos. Em algumas regiões, o dia 28 é o dia de quem morreu de acidentes, o dia 30 é o dia que se espera a chegada das crianças que vem do limbo, ou seja, daquelas crianças que não tiveram batismo. Não tem relação alguma com o Helloween, embora seja muito semelhante a ideia. Nossa velha tentativa de dar as mãos aos mortos e dizer um olá para a Morte.
Eu enfeito a casa pouco antes do dia 31, que é comemorado o Helloween na tradição americana, por gostar da ritualística toda. Obviamente, não estou interessada na religião original desta data (no Hemisfério Sul, Helloween/Samhain é comemorado em maio, e eu enfeito a casa da mesma forma pois adoro coisas ligadas à morte) mas no conteúdo simbólico e icônico. E já estendo toda a ideia até o dia 2 de novembro. A casa então está cheia de velas eletrônicas (aquelas que funcionam à pilha), abóboritas pequeninas, caveirinhas, um altar para a Santa Morte, pimentas, flores, meu mundo gótico de sempre e um pequeno fanzine que reproduz um poema de catrinas, antigo, que meu marido arrumou dos fanzineiros. Devo ter postado por aí no blog. É uma das minhas raridades. O poema é muito verdadeiro, e diz que de qualquer forma que você seja agora, um dia você se tornará uma simples caveira.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

As tranças para fios translúcidos

A mãe:
Quando vi a morte em seu corpo
Percebi o que se passaria.
Como poderia te contar? Que não nos libertaríamos juntas, das crenças nos deuses inúteis, ilusórios?
Que não morreríamos no mar?
Você me disse que o mar era deus. E só. Em você acreditei.
E que depois da morte tudo se acabava.
Pois hoje eu sei que tudo se vai através dela.

La Santa Muerte:
Depois do fim, o fim.
Da natureza de toda sua dor.
A morte, lúgubre deusa.
A que, com toda certeza, existe.
Pois a vi, estive com ela, e a senti em mim.
A translucidez entre os mundos.
O poético e o luto.
O fatídico e o distanciamento.
A solidão e as lágrimas.

A mãe:
Ela carregava a morte em seu corpo como uma pequena chama, que a consumiu por completo.

El camposanto:
Eu prometo a mim
que estarei lúcida,
livre de deuses e crenças.
Não importa o que digam, quero estar só.
Como um farol no meio do oceano,
para escrever sobre aquela que conseguiu ir.
Sozinha, deste mundo, para o começo do silêncio.

Ellen Augusta
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