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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Flores de novembro

Margaridas lembram minha tia e minha mãe.
 Leucanthemum vulgare e Coleostephus myconis
Essa margaridinha amarela é comum nascer espontaneamente em terrenos vazios e em cemitérios. Minha mãe me trazia essas flores, mesmo que durassem pouco no vaso, era tão bom tê-las ali comigo.
Hoje eu não recebo flores. Esse costume romântico acabou, mas não queria que acabasse.
Minha mãe era a única que regularmente enchia minha casa de flores. Rosas muito perfumadas, margaridas, flores que nunca mais eu vi.
Esse ano, levei flores para ela no cemitério, foi como se eu tivesse visitado sua casa, senti como se ela estivesse ali. Eu sempre levei flores aos vivos, mas os mortos de algum modo também precisam delas.
Sei que sua finalidade é outra. Sei que não é por isso que estão aqui. Nós as cortamos porque são lindas, essa beleza sedutora que conquista o polinizador.
Adivinha o que tem dentro? Muitas pétalas de uma rosa vermelha perfumada que minha mãe me deu, um ímã envolto em papel laminado, que ela colocou ali não sei porquê. E eu deixei. E umas pedrinhas prateadas bem pequenas... 
 Esse porta joia foi um presente do Avon para minha mãe, que sempre foi vendedora, mesmo antes de eu nascer. Esses dias eu tava numa conversa muito boa e nostálgica com minha amiga. E trocamos várias fotos de coisas antigas dessa marca, pois eu lembro que minha mãe vendia. Inclusive alguns objetos nem achei foto na Internet, talvez ninguém tenha guardado, mas eu lembro.
 Lembro de um dia, quando perguntei o nome dessa flor e minha mãe respondeu: É a alegria da noite, ou algo assim. As sempre vivas conheci através dela. As flores que jamais morrem.
Caliopsis - Elegans bicolor

Conhece essas flores lindas? Sempre-viva - Xerochrysum bracteatum (Todas as flores dessa postagem pertencem à família botânica Asteraceae)
Às vezes passo na rua e sinto um cheiro. Volto no tempo instantâneamente, pois são as flores de novembro. Flores da minha mãe.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Memento Mori

Essa frase, do Latim, significa "Recorda que irás morrer". Algumas pessoas interpretam como "momento da morte" pois foram associadas às fotografias feitas na época Vitoriana, no momento da morte ou enterro de alguém.
Era um ato de homenagem aos mortos. As suas coisas eram reunidas em sua volta, como brinquedos, livros, até animais de estimação eram fotografados em seu féretro, deitados em um sofá, ou com familiares.
Eu não acredito na explicação que muitos usam, de que a fotografia era caríssima naquela época e que só por isso os mortos eram fotografados.
Pois bastaria fotografar as pessoas em outro período qualquer. O gasto seria o mesmo. E, de qualquer forma, pelos cenários de tais imagens, não consigo imaginar que aquelas pessoas fossem pobres. Muitas fotos eram feitas em estúdio com toda preparação.
Não. O motivo de tais fotos, por mais que hoje se queira negar, é simplesmente uma homenagem fúnebre, uma lembrança post mortem.
Hoje as pessoas, especialmente aqui no Brasil, entram naquela coisa carola de ir no cemitério somente nos finados, morrendo de medo de um dia estar lá, no mesmo lugar que seus familiares já postos. Não elaboram a morte, não pensam nisso um dia sequer e ao contrário, a negam como se a vida fosse eterna, ou iludem-se com promessas de outras vidas, outros mundos.

A morte, essa coisa seca e presente, esse nada poético, a fuga desse inferno, é negada como se não existisse.
Se hoje, ao morrer alguém, jogamos fora todas as suas coisas e até tem aqueles que acham que dá azar guardar coisas de defuntos, naquela época conviver com a morte e com os mortos era muito mais normal. Bebês nasciam e morriam aos milhares, pessoas morriam muito jovens, e a morte era companhia diária.
Hoje ela ainda nos acompanha. Aliás, mora dentro de cada um de nós.
Há um ano atrás encontrei no lixo uma caixa de fotografias de uma mulher morta. Havia toda sua vida ali. Desde seu nascimento, viagens pelo mundo, filhos, festas, cartas, até sua velhice e por fim a fotografia de sua lápide, o que me deu certeza de que era um descarte por essa razão.
Isso na época vitoriana seria uma ofensa terrível, pois era natural conviver com os pertences dos mortos.
Algumas fotos que circulam na Internet são atribuídas como se fossem post mortem e não são. Por isso escolhi apenas as que dá para ter certeza. Mesmo assim esta última me deixa dúvidas. De todo modo, como suas mãos estão na posição clássica dos mortos, pode ser sim. 
Existem diversos tipos dessas fotos, algumas muito tristes, outras assustadoras. Anos atrás, dediquei bom tempo a pesquisar sobre esse assunto. E deixo aqui a música de um cantor que ouvia muito naquela época e que de alguma forma associei ao sentimento que me invade toda vez que olho para essas fotos.

domingo, 1 de novembro de 2015

Día de los muertos: o povo que é feliz mesmo diante da morte


Este ano, será com toda certeza lembrada a morte de Chespirito no México. Lembra-se a alegria de tê-lo conhecido e a dor de ver sua partida. Essas comemorações são assim, uma mistura de dor e alegria. Aqui eu também vou fazer todas as minhas homenagens a ele.
Esse libreto é de Guadalupe Posada quem faz os famosos desenhos das Catrinas. São composições de poemas sobre a morte, em tom de deboche e alegria. Significam, no geral, que não importa o que você seja, rico ou pobre, esnobe ou simples, não importa o que você acredite ou não, no final você será uma simples caveira. E nada mais!
 É uma raridade, que veio como fanzine. Sempre em dias de Halloween e Día de los muertos, finados, sai das minhas coisas guardadas e vem á tona, para ser relembrado... de um espanhol diferente, antigo e lindo.
Os Mexicanos enfeitam tudo com flores coloridas, a morte pode ser preta, eu também considero-a branca. Mas o roxo é a sua cor preferida. Sempre os mortos ficam, no fim das contas, com essa cor. Dado que, é minha cor preferida. Antes de tudo, o ritual era a única coisa que eu sabia fazer, das poucas coisas, enfeitar algo inerte.

Quando um povo lida tanto com a tristeza, das coisas que ele sabe bem é se despedir.
Neste link aqui: http://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2014/11/dia-de-los-muertos.html falei mais especificamente sobre este dia no México. Mas gosto de fazer aqui em casa o meu altar, visto que sou muito fã de Chespirito e acabei estudando muitas coisas dessa cultura que é tão ligada à morte e às suas raízes antigas.
Não tenho crenças, portanto este altar é como um sacrilégio, heresia, nem mesmo sei o termo correto. Uma mistura de tudo que é coisas que tenho em casa, cada uma com um significado. Nem posso explicar tudo. La Santissima Muerte, essa é a minha santa preferida, uma divindade cultuada no México, e outras coisas curiosas que encontrei e guardei por aí.

 Há aqui até mesmo a fotografia de uma defunta, encontrei no lixo, é uma longa história que nem vou contar aqui. Estou escrevendo sobre ela, e seu passado. Foi parar no meu altar também. Afinal, foi abandonada, eu a encontrei...
 Aqui as pessoas só tatuam catrinas e usam camisetas da Fridas k. Eu sempre me interessei por todos os elementos do México e acho muito mais interessante outras entidades mexicanas, como o Senhor do Veneno, Jesus Malverde, Santa Morte e outras significações...
Angelines Fernandez, foi atriz, modelo, guerrilheira, ativista contra a ditadura, entre outras personalidades esquecidas, mulheres tão interessantes quanto pouco lembradas e falo hj apenas das mortas...
 Chespirito merece todas as homenagens, todo meu carinho e de seus fãs. Só uma pessoa que fez tão bem a tanta gente, pode receber tanto carinho e ser lembrado por tanto tempo, por tanta gente e em tantos lugares.
 Meu amor eterno, de todo coração, a esta pessoa tão querida e a todos os seus personagens, queridos atores já mortos.
 Este com a foto do Chespirito fica o ano inteiro pois é minha homenagem a ele desde sua morte.
 Vejam um altar mexicano onde também se homenageou Chespirito. Muito amor para essas pessoas.




Sobre José Guadalupe Posada e sobre México e suas ligações com a morte assista esse documentário maravilhoso cheio de música:



e a parte segunda:
Algumas postagens que eu fiz sobre essas épocas que eu considero as melhores do ano, antes do Verão. Pois para mim, não há nada mais lindo do que a Primavera, e esse ar sombrio:
Halloween e meu olhar 43: http://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2014/10/halloween-e-o-meu-mundo.html
O Día de los muertos, Halloween e Beltane: http://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2013/10/o-dia-dos-mortos-halloween-e-beltane.html
Comemorando o Halloween:http://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2012/10/comemorando-o-halloween.html

domingo, 2 de novembro de 2014

Día de Los Muertos

Estava na casa de um amigo e olhei para a parede. Quando levantei os olhos e vi o quadro ilustrando a Festa de Día de Los Muertos, do México, meu olhar brilhou para sempre. Naquela época eu era uma mistura de gótica, dark, poeta, triste e sensível, a melancolia inspirada nas coisas ligadas à morte. Como a religião não me bastava para exorcizar os demônios internos, deixei-os dominar-me inteiramente, através das delícias de estudar este tipo de assunto, atraente, fascinante e sem fim.
Eu amei aquela imagem, a noite iluminada, o cemitério cheio de pessoas, luzes por toda a parte, comida, e imaginei também as conversas, música e danças talvez e o aspecto da morte por todos os lados.
A festa é realizada no México e também nos Estados Unidos, por conta da grande parcela de mexicanos residentes ali. É tanto realizada por indígenas quanto pela população urbana ou rural. Sabemos todos que os mexicanos tem uma ligação fenomenal com a morte e com a religiosidade. Talvez por viverem num país extremamente violento, mas principalmente por manterem muito vivas suas ligações ancestrais, isso sim!
Pois a festa é celebrada muito antes da colonização hispânica. Daí vem o culto à Santissima Muerte, que a religião católica abomina. Mas que, porém, o povo jamais abandona, identificando nela, a mãe que leva as almas e protege a todos durante a vida. Alguns mexicanos desabafam dizendo que a igreja católica nunca lhes ajudaram em nada e, ainda, lhes tiraram a possibilidade de ter sua crença. A Santa Muerte é uma devoção tão forte e interessante, que na rua mesmo, a santa é adornada com cabelos humanos, flores e artefatos mexicanos. Já citei a Santa Morte muitas vezes neste blog, em breve farei alguma postagem sobre ela aqui. Pois obviamente, sendo ela uma divindade feminina, mexicana, e sendo a morte, sou sua fã!
No dia primeiro de novembro, é o dia de los muertos chiquitos, das almas pequeninas. E no dia dois, é o dia dos mortos adultos. Em algumas regiões, o dia 28 é o dia de quem morreu de acidentes, o dia 30 é o dia que se espera a chegada das crianças que vem do limbo, ou seja, daquelas crianças que não tiveram batismo. Não tem relação alguma com o Helloween, embora seja muito semelhante a ideia. Nossa velha tentativa de dar as mãos aos mortos e dizer um olá para a Morte.
Eu enfeito a casa pouco antes do dia 31, que é comemorado o Helloween na tradição americana, por gostar da ritualística toda. Obviamente, não estou interessada na religião original desta data (no Hemisfério Sul, Helloween/Samhain é comemorado em maio, e eu enfeito a casa da mesma forma pois adoro coisas ligadas à morte) mas no conteúdo simbólico e icônico. E já estendo toda a ideia até o dia 2 de novembro. A casa então está cheia de velas eletrônicas (aquelas que funcionam à pilha), abóboritas pequeninas, caveirinhas, um altar para a Santa Morte, pimentas, flores, meu mundo gótico de sempre e um pequeno fanzine que reproduz um poema de catrinas, antigo, que meu marido arrumou dos fanzineiros. Devo ter postado por aí no blog. É uma das minhas raridades. O poema é muito verdadeiro, e diz que de qualquer forma que você seja agora, um dia você se tornará uma simples caveira.

sábado, 2 de novembro de 2013

O vento desgarrado

A música abaixo é a história da minha vida, exceto pela carne gorda e as esporas, a menos que sejam simbólicas...

Meu pai era só trabalho. Passou o tempo, primeiro apanhando dos pais, depois da vida.
Minha mãe começou a trabalhar muito cedo, meu nono era alcoólatra, minha nona, outra santa.

Minha tia acende os palheiros na porta... eu ia brincar com meus primos... amo essa saudade.
Minha outra tia era como eu, a revolta em si mesma! Não teve filhos e eu me via nela. Meu tio um coração gigante. Outros morreram e viraram causos na frente do fogão a lenha.

Mataram a ovelha companheira de minha mãe. Ela ouviu o choro e nunca mais pode comer a carne.
Ficou o lugar, na minha mente o vejo num piscar de olhos, as mesmas montanhas, as serras, os córregos e cachoeiras... a fonte cristalina onde minha outra nona lavava roupa e tirava a água.

Essa é uma pequena homenagem de Finados, a muita gente que, desta história, já não vive mais, e principalmente à minha mãe e meu pai, que sofreram do primeiro ao último dia de sua estada neste inferno.
Ellen Augusta

é claro que eu sou o vento desgarrado...

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

O dia dos mortos, Halloween e Beltane

O dia do encontro dos mundos é chamado de Halloween, é comemorado em diversos povos, com diferentes nomes.
 Nesse dia, há um contato entre o mundo dos vivos e o dos mortos.
O que também pode ser chamado de Samhain pelas bruxas modernas é conhecido como ano novo das bruxas. Neste dia se faz agradecimentos, pedidos e se lembram os que já partiram. Esta festa é celebrada no dia 31 de outubro no Hemisfério Norte, e em 1 de maio por aqui.
Essa é a noite em que o véu que separa o mundo material do mundo espiritual encontra-se mais fino e o contato com nossos ancestrais torna-se mais fácil. É também tradicional deixar uma vela acesa na janela da casa para ajudar a guiar os espíritos ao longo de sua caminhada ao nosso mundo para que possam encontrar o caminho de volta.
O día de los muertos, comemorado no México, por exemplo, é uma festa noturna em que se celebra a saudade dos entes falecidos. Levam-se doces e coisas que os mortos gostavam, lembra-se com alegria de quem já não está.
No México, entre tantas riquezas culturais, há o culto à Santa Muerte, a deusa da morte, ela própria, que vem buscar os mortais.
Hoje se comemora no Hemisfério Sul, dentro das festividades pagãs, ou Wicca, o que se chama Beltane, a festa antiga do fogo, que celebra a união dos deuses, feminino e masculino. Eu misturo tudo, celebro os dois, que são opostos. Não me apego em datas. Sempre decoro minha casa conforme as datas pagãs... e adoro decorar para o natal.
 Lojas decoradas para a festa Halloween
 As religiões que criticam o Halloween, não entendem que o que eles consideram 'deboche', é apenas uma forma alegre de encarar a morte. Para o religioso, a outra religião é sempre 'errada'. É importante entender essa sutileza. Ninguém está rindo dos mortos, estamos brincando com a possibilidade da morte. E amenizando a saudade.
Essas datas muito antigas se misturam e acabam sendo absorvidas pelas religiões conservadoras, não somente por ser uma demanda do povo, mas também com o intuito de chamar os fiéis, que desde os tempos remotos já comemoravam certas datas. Foi a partir daí que nasceu os Finados. Em Beltane se fazia o mastro de flores e fitas, onde entrelaçadas, lembram o casamento da Terra e do Sol. A confecção de guirlandas também acontece nesta data.
Culto a Santa Muerte. Os fiéis oferecem cigarros à deusa. Segundo estudos, essa divindade é herança de cultos dos antepassados mexicanos, de deuses da morte de diversas culturas pré hispânicas, misturadas a um forte catolicismo herdado dos colonizadores.
 As bruxas, perseguidas, discriminadas e mortas, hoje são símbolo de deboche, mas também do mistério feminino.
A bruxa é uma mulher sábia e misteriosa. Seus poderes estão no efeito que causam até hoje nas pessoas comuns.
A Santissima Muerte é adorada especialmente pelas pessoas mais simples. Devido à grande violência existente no México, cultuar a morte passa a ser um modo de lidar com a violência cada vez mais comum em cidades mexicanas. A Santa Muerte é conhecida como a santa de traficantes, prostitutas, guerrilheiros e máfias mexicanas.
As bruxas hoje são associadas com a sensualidade. Na época em que a perseguiam, também se considerava a mulher bruxa como uma tentação do demônio, que estava na Terra a fim de atrair os homens. Com uma mente cada vez mais tolhida por repressões sexuais, era fácil toda a sociedade projetar nessas mulheres, suas neuras e desejos reprimidos.
Não foram somente os homens que as queimaram. Muitas mulheres, no seu silêncio, também compactuaram com a bárbara inquisição, que torturou, estuprou, fez coisas inimagináveis com essas mulheres, simplesmente por que alguém as acusou de 'bruxaria', um termo tão vago quanto a 'fé'.
As festas existem para a diversão. Leve a sério somente o que lhe fizer feliz. Estas festividades nos lembram de um contato perdido com a natureza que está dentro de cada um, com o feminino selvagem que está em tudo, e com os rituais, que servem para nos fazer pensar de modo mais ameno sobre coisas sérias.
Ellen Augusta
"Dessa forma querendo festejar esta noite encantada de Beltane, acenda uma vela simbolizando o Sol, colha flores para simbolizar a fertilidade, e recite poemas em homenagem ao Deus e a Deusa.
Se for possível, passe a noite em claro e veja o amanhecer..."

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