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quinta-feira, 16 de julho de 2015

Longe do mar

A insanidade, sintomas de minha loucura
é perder-me neste hospital, é queimar-me neste fogo do distanciamento
estar longe do que mais amo -
a umidade do sal.
Uma ave que pudesse voar
meu amor que soubesse viajar
Se eu pertencesse a algum lugar?
A visão do oceano me perturba
eu nem posso mais olhar
A vontade de estar lá e nunca mais/nunca mais voltar

Esteja dentro de minha alma, por favor.
Uma súplica líquida, de amor.

Volte para mim/Não se distancie.
-Eu estou distante, porque sou covarde.

A brutalidade do encontro com o mar
Na noite mais escura um coração cortado com sal
é essa distância covarde do que eu deixei para trás.

Minha morada, meu mar, meu farol
meus pés em cada grão de areia: teu corpo.

A água líquida, o fantasma.
O anjo negro que nunca mais me deixou.
Ellen Augusta

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Poema ao Não-Amor

Incólume, a buscar a água.
As ruas nuas, o vestido sujo, as rendas negras,
À borda do rio, as botas de cano alto, prontas para cair.
O fantasma sempre a me rondar,
Me salvou - me carregou.
Não pode morrer - quem morta está.
Não pode amar, quem amada é.

Rios opostos a correr. Em meus sonhos, suas lágrimas correm.
E caminham como pés descalços.
 

Jurei por fantasmas. Estavam todos aqui. Os religiosos? Cegos.
Meus olhos brilham, ao te ver.
Vivo, por teu nome, mortos, por tua dor.
Dorme pedra ferida, em um coração amigo. 
Ellen Augusta

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Translucidez

Não mereço
a lucidez, se,
enquanto a penso
meu irmão sofre sua falta.
O meu castigo
é ser como Blimunda.
É ver a maldade nos corações
É ver a bondade em quem julguei ser somente o mal.

Ser como a mãe que sofre mais
Ser também o filho
Ser também a dor.
Sofrer pelo outro, que é o meu outro.

Ser tão louca quanto.
Ser tão triste e sozinha quanto.
Não mereço.

O espelho que é igual a mim.
Não mereçe.
Sofrer e ver sofrer. Nada poder fazer.

Pedir um perdão quando não há como perdoar.
Pedir perdão a um universo que jamais perdoará.

Meu irmão, me perdoe.
Sei que não há...
Só a tristeza de quem sabe o que se passa.
Me perdoe, por que minha dor não é nada
perto da sua.
E eu, que nunca soube perdoar, jamais poderei pedir perdão.
Ellen Augusta

terça-feira, 25 de maio de 2010

O Abraço de Nietzsche

"Um ano antes de morrer, Nietzsche foi decretado louco. Sua insanidade irreversível teve a gota d’água constatada por causa de um abraço na manhã do dia três de janeiro de 1889. Quem testemunhou a estranha conduta do filósofo alemão disse que ele caminhava pela Praça Carlo Alberto, em Turim, quando viu um cavalo sendo açoitado pelo tutor. Então, como se sentisse a dor do animal, o abraçou e chorou aos soluços. O gesto foi devidamente justificado pelos médicos: Nietzsche tinha a constituição nervosa extremamente sensível e deveria ser internado com urgência.
Tanta estranheza causada por um gesto de amor a um animal, em detrimento da comodidade humana, pode ser justificada por fé e razão. Pois a gênese da Bíblia, dita sagrada, comprova que o ser humano foi criado para imperar sobre os outros animais e a ciência de Descartes nos diz que o cavalo por quem Nietzsche chorou era machinae animatae. Engrenagem que não sente. Se recorrermos à constituição brasileira, veremos que os animais não são titulares de direito, ou seja, não tem direito subjetivo, personalidade jurídica. São, basicamente, propriedade humana."
http://www.anda.jor.br/?p=62614
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