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sábado, 7 de novembro de 2015

Eu como sem culpa porque sou livre e o filme Terráqueos - uma aula sobre a liberdade

O cozinheiro é meu marido, e minha função é comer. Adoro.

 Estou resgantando as fotos de uns CDs antigos e salvando no meu HD, achei essas fotos.
Enquanto isso, estou ouvindo palestras do de um professor de história que costuma comparar Shakespeare com Facebook. Mas já tirei-as daqui do blog, desde que ele começou a falar que células são animais, plantas sentem dor e que Hitler era vegetariano, da dor das cenouras, etc, depois dessas falácias, infelizmente, não levei mais a sério.

Se ele fala assim, de coisas que conheço, sou bióloga, como vou saber se o resto é confiável? Bem, ele estava falando sobre utopia quando citou o exemplo de um aluno que queria salvar os cães dos testes em animais, aí ele disse: "por que não salva também os animais unicelulares?" (hã) Disse que nas mãos havia milhares de animais unicelulares. Desliguei o Youtube.
Antes disso, curiosamente ele estava falando dos sintomas da velhice. Só que este, é um sintoma típico de velho. A desesperança, as falácias de que, não se pode fazer nada por uns, se não fizermos por todo um conjunto, por todo o planeta, e ao mesmo tempo agora, temos que ser um velho chato que só reclama "no meu tempo era bom" ou apenas comer a carne que mata, se acostumar, silenciar, o é pior!!!! Senilidade chegando.

Depois ele veio com uma lenda de que Hitler era vegetariano. O livro Der totale Rausch (O delírio total), de Norman Ohler mostra um ditador que usava drogas, e não era natureba como se pensa. No livro Hitler, Not vegetarian, Not Animal lover, de Rinn Berry, o autor mostra Hitler como não vegetariano e tampouco amigo dos animais como se fez crer pelos seus adoradores. Mas como a propaganda nazista foi tão forte, seus retardados até hoje a reproduzem por aí nos fóruns e redes. E até esse professor de HISTORIA não é capaz de saber a verdade.
Essas fotos são do tempo em que eu me preocupava mais com a casa...é sempre assim. Houve tempos, há tempos...em que as coisas te culpam. Você tem que ser como a sociedade te ensina.
E encontrei essas fotografias de comidas, as comidas alegres que meu marido prepara.
Com o tempo a gente foi simplificando a vida e gastando cada vez menos. Para não ter que se matar correndo atrás da máquina. E poder viver a vida. Sem a culpa de cumprir as regras. E o melhor de tudo, poder ajudar os animais.
Hoje tudo é diferente, não tenho tanta preocupação com coisas da casa e dedico meu tempo ao que interessa. E às vezes perco a noção do que importa mais. Meus livros às vezes ficam parados, nem sei onde parei de ler. Eu volto e busco o que eu amei mais. Fica o que brilha.
Me tornei uma espécie de criança que não tem mais a noção do tempo. Mas amadureci para a flexibilidade e o domínio do meu ócio. Nunca mais vou vender minha vida para ninguém, em trabalhos que matem meu tempo. Trabalhar só naquilo que vale a pena. Seu Madruga, meu ídolo maior.
Essas comidas simples e baratas são coisas que a gente faz sem gastar muito.
A comida vegana é barata, e assim você economiza tempo e dinheiro.
Além de tudo, obriga-se a procurar, pesquisar, aprender.. tudo em função de um estilo de vida em que a preocupação é, ao menos deve ser, pelos animais. É a minha!
Ser vegano é o maior ato de liberdade que tomei até hoje. Das melhores decisões da minha vida.
É por isso que sempre recomendo o filme Terráqueos que mudou minha vida.
É forte, sim. Mas é a lembrança, daquilo que acontece à luz do dia, e que não posso esquecer. A trilha sonora é maravilhosa. Emocionante. Eu nunca o vejo como algo triste. Não. Foi triste no primeiro dia. Foi ele que me fez vegana, direto. Mas hoje eu tenho ele como um sinal de quem eu fui. Um marco. Não o vejo como triste.
Esse documentário é o filme da minha vida, é a memória do dia em que me tornei vegana. Minha tomada de liberdade. E o retrato da falta de liberdade dos animais, que a tirania humana tomou.
Recomendo a todos como um marco do antes e depois para uma vida verdadeiramente livre. Um lembrete para quando alguém vacilar, lembrar daquilo que viu ali, milhares de animais sendo torturados e a culpa é sua. Não é de alguém "lá fora" é de cada um que compactua com isso.
Assista aqui depois: http://www.terraqueos.org/
RECADO OU PS para você que acha que esses detalhes sobre conhecimentos gerais são banais. É uma pena que um professor de História não saiba nada sobre uma cenoura, e ainda acredite como a maioria dos idiotas, que ela sente a mesma dor que um animal. Os vegetais não sentem dor. Os animais são torturados e seria preciso comparar, na frente desse ser que aparentemente é culto, mas bruto nesse aspecto, como as plantas são na sua maior parte, não comestíveis, mas os animais, são massacrados pela humanidade - para os mais diversos fins.

Desde a alimentação, até o abuso sexual

Então, ele deveria ter calado a boca e ter usado um outro exemplo, não um exemplo atrasado. Que aliás, todos usam. Todos! Infelizmente. Não conheci, até hoje, uma pessoa - senso comum - , que não veio com algum desses argumentos cretinos para cima de mim, quando veio "argumentar".

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

A reunião das bruxas amigas e meu conceito de amizade

Hoje eu passei na frente de um restaurante e vi algumas mulheres vestidas de bruxas cortando um bolo.
Aquela cena me emocionou bastante. Pois eu não vivo algo parecido com essa confraternização há algum tempo.
Saudade de quem se importa. Eu sou amiga de verdade.
Mas como me decepcionei ao ver ao longo de minha vida, mulheres desaparecendo, lentamente, no sumidouro dos dias iguais, no casamento-instituição, que algumas ainda exibem como único troféu, nas definições parcas de amizade que se desmancham assim que o "motivo" termina: Se consegue namorado, se casa, o bebê nasce, aparecem outras amizades que preenchem mais o status social, etc.
Não importa o quanto na minha vida estive ocupada, sempre existe um espaço online ou presente, para falar com um amigo.
Mas a mulher é foda. Não é só comigo não. Não sou especial, pois já vi mulher verter lágrima pela amiga que desapareceu no pior momento de sua vida. Naquele dia me senti mal, pois vi que estava sozinha não apenas no meu próprio mundo, mas no mundo inteiro, pois esse era portanto, um padrão que se repetia novamente e novamente...
Mulheres são desunidas. Uma mágoa que carrego por ser mulher e, apesar de amar minha solidão, ser gregária e fiel.
A técnica que mais funciona para um sistema ser dominado é provocar nos submetidos a competição e a desunião.

Entre as mulheres não é preciso provocar mais nada.

Alguém que me conhece a muito tempo, disse que meu conceito de amizade é muito elevado. Considero a amizade o sentimento mais nobre de todos, talvez esteja aí o meu erro. Não, não estou errada. Eu li o que os filósofos escreveram sobre a amizade. Eu quero essa amizade. Não quero fragmentos.
Nada precisa ser perfeito, mas não quero merdas.
As mulheres passam a vida inteira buscando a paixão e o amor, não estão talvez, preocupadas em aperfeiçoar a amizade, em mantê-las, em se preocupar com o outro?















E quando as pessoas se isolam na sua vidinha de cidadão autosuficiente?  escrevi sobre isso aqui: http://desobedienciavegana.blogspot.com/2014/10/para-que-janelas-tao-grandes-se-estao.html
No show do Ratos de Porão, por exemplo, as duas pessoas que fiz amizade eram de cidades diferentes. Fizeram amizade do nada e eles próprios nem se conheciam.

Hoje fui fazer um exame chato. Ecografia mamária. É desagradável ver um homem passando um bagulho com gel nos seus seios. Sempre tenho a impressão que o cara tá ali se aproveitando de nossa condição de mulher. Só escolho médica mulher, mas não deu dessa vez. Na sala de espera, um monte de mulheres mudas. Até que a chave do armário estragou... todas ficaram amigas.
Não precisamos esperar uma merda acontecer para nos aproximar.

Na época da inquisição, as bruxas escondiam suas crenças e afazeres, justamente porque, se falassem, estavam expondo sua vida. Expor segredos, expor a vida era ameaçador! Ser mulher era um crime!
As próprias mulheres às vezes, foram as que traíram as bruxas, por isso as feiticeiras escondiam a sete chaves seus códigos.

Só que até hoje, ainda existe no ar essa aura de desconfiança.
Não podemos confiar nas mulheres?
Eu sempre confiei. Talvez um dia chegará o momento de parar. Alguém me disse que tenho que focar nas pessoas que me admiram e ignorar quem não merece. Talvez. Mas por que faço o contrário?

Hoje o fenômeno acontece também de outra forma. Poucos querem se envolver. A ameaça é que sua dor a contagie de alguma forma (como se amizade fosse só nos momentos tristes) ou que a sua vida lhe tire a sua alegria (os mesquinhos). Ser solidário está fora de moda.
Até mesmo as religiões propagam essa ideia, especialmente as de cunho esotérico espiritualista. Você nunca deve se envolver. Fique nesse seu casulo idiota, vendo tudo passar ao seu redor. Seja positivo, para você mesmo. Não importa se o mundo está ruindo ao seu redor. Não veem que isso é de um egocentrismo perceptível.

Só que, sentir a dor do outro é natural e, pasme, se você se contagiar, vai ser normal no outro dia. Vai ser mais forte. E não essa besta mortificada sorridente que não se envolve em nada.

Esses dias eu estava nos piores momentos, me sentindo estranha, horrível. Não tinha ninguém para conversar. Não temos ligações femininas, nossas mães e avós muitas vezes perderam esse contato, e, portanto, nós perdemos nossas ligações ancestrais, como eu li no livro "Mulheres que correm com os lobos".
Minha mãe já morreu. Família, não tenho, e mesmo que tivesse, melhor para minha saúde é estar longe. A melhor coisa que aconteceu foi uma amiga minha ter me ligado. E ela ainda me perguntou desapontada: Ah, eu te acordei???
Só que ela ainda não sabe (vou encontrar ela amanhã) que foi a melhor coisa ter me acordado. Eu estava a dias sem querer ver a luz do sol, sem vontade alguma. Para quê? Mas uma simples ligação foi suficiente. Às vezes a simples presença. Um interesse. Um simples estar ali já basta.
Não quero nada da amizade, apenas que ela exista.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Uma voz sozinha, por jaulas vazias

Hoje eu falei para muitos biólogos. Mas eu estava só.
Embora como professora seja ótima para falar, sou tímida para falar em público. Mas o que eu tinha a dizer, só eu diria.

O tema do debate era o futuro do Zoológico da região metropolitana do Estado do Rio Grande do Sul.
O temor que gira entre o público e o privado ante o mistério do que será feito com os funcionários e trâmites gerais sobre o Zoológico, que pertence à Fundação Zoobotânica.
O que se disse no início da reunião é que ela se dava sob o ponto de vista dos animais, mas não foi o que percebi. 
O que mais aconteceu eram elogios ao bom trabalho até então realizado pelos funcionários do Zoo.

As imagens passadas no telão me causavam tudo, revolta, asco, tristeza. Mas a intenção era mostrar o quão lindo são os animais e o trabalho educacional/resgate/conservação e manejo genético de espécies.
 22 imagens de animais enlouquecendo em zoos pelo mundo - sou contra todas as jaulas, inclusive para humanos. O comportamento de olhar para parede indica algo como perturbação, loucura.
Essa mania de aprimorar genes, colecionar animais, troca troca de figurinhas (animais), emprestar, importar (como aconteceu com a girafa que tanto tivemos que lutar para impedir), garantir, aprisionar, colocá-los em uma jaula com piso de cimento e depois chamar tudo isso de tratamento adequado, é romanceado pelos meus colegas biólogos, presentes em massa neste evento.

Na platéia, onde eu estava, havia veterinários, biólogos, professores e defensores de animais. Atrás de mim, dois babacas falando de carne sem parar, como quem fala de partes do corpo de uma mulher, e elogiando grandes empresas de frigoríficos.
Ao meu lado um grande professor que tive, cuja frase levo até hoje em minha vida. Numa aula, disse que o biólogo deve estar no ambiente urbano, onde os problemas começam, e não lá longe, no meio do mato. Nunca mais esqueci disso.

Depois fui chamada à mesa para falar de algo "diferente": fechar essas jaulas e abrir santuários, tendência no Exterior. Aqui ainda se discute para quem se passa a chave da cadeia.
ISSO é tão ultrajante, que parece uma irônica instalação de arte, um absurdo, uma brincadeira de mau caratismo.
A desculpa da educação ambiental mais uma vez coloca o peso no colo das crianças. A pedagogia do cárcere, minimiza o animal como aquele que já perdeu tudo e é um arremedo de si mesmo.
Temos que aprender a não olhar para os animais como objetos.

A educação vegana respeita-os e os considera íntegros em seus próprios ambientes. Os animais resgatados precisam de santuários, longe da vista nociva do humano.
Os professores, e eu tenho mais de dez anos de prática didática sem essa bobagem, que se virem para encontrar formas mais interessantes e menos opressoras de educação.
Aprendam a respeitar, antes de olhar. E não é preciso ver o que não é daqui.
Nunca vi os seres vivos das Zonas Abissais do Pacífico, e minha erudição não ficou comprometida. Mas o mesmo não posso dizer de tantos outros que vivem fazendo churrascada e bebendo no parque zoológico como pretexto de ver os animais.

A educação ambiental há muito precisa ser questionada, aliás, no que se refere aos animais.
Em vez daquelas reuniões enfadonhas de professores, por que não refrescar a didática nesse sentido meus caros colegas?
Faltam propostas efetivas pois ainda se usam os mesmos métodos a séculos, ensinando as crianças a serem especistas e criando-se a cultura da jaula, da exploração, do uso dos animais como artefato, como diversão, e como se fosse obrigação deles estarem ali, como objeto de nosso estudo.

Não são. Eles não tem interesse em estar ali. Não querem nossa presença e não há nenhum benefício para os animais na visitação humana. Por isso é necessário a criação de santuários para a sua proteção e não para nosso deleite visual nem científico.

O fato de um determinado lugar que sim, permite a visitação de humanos, ser "modelo", não significa que ele seja ético. Os animais precisam ser deixados em paz. Chega da intervenção humana em demasia. Eles precisam dos cuidados básicos, do resgate, da reintegração, na medida do possível. Mas, dado isso, basta!
Basta dessa coisa de horda de pessoas enchendo o saco, visitas sem fim, sob pretextos mil. Uma vez na vida deixe-os em paz e em silêncio.

O curioso é constatar o romantismo dos meus colegas, pois é sempre a mesma conversa, ninguém sai do jargão. Todos estavam mais interessados é em seus empregos. Nunca há um outro questionamento. E eu me senti orgulhosa de mim, por estar aqui, e não lá, no meio deles.
Por ter falado contra a corrente a única coisa que importava, por ter dito o que ninguém provavelmente queria, ou esperava ouvir. E o que falei é algo baseado em bibliografia e em princípios filosóficos. Pois muitos pensam que, por usar jaleco, ser especialista em qualquer coisa ou ter doutorado, sabem mais. Nem sempre. Fiquei orgulhosa por saber intimamente, que, mesmo sendo voto vencido, eu estava ali para marcar presença e ser o que realmente sou: justa comigo e com os animais. Sou bióloga de verdade pois sigo meu juramento.

Ps.: No momento que você compactua com o troca troca de figurinhas entre os zoológicos, saiba que está compactuando com a perpetuação disso: Fotos chocantes do “Zoológico da Morte”, na Indonésia, evidenciam os horrores sofridos pelos animais
http://www.anda.jor.br/30/05/2014/fotos-chocantes-zoologico-morte-indonesia-evidenciam-horrores-sofridos-animais

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Apoio o fim da exploração animal

Tenho a honra de participar como colunista do site Olhar Animal .
Para ler meu depoimento em Apoio o fim da exploração animal, entre aqui e confira o depoimento de outros colunistas da Pensata Animal.
Em breve meus textos estarão no site e compartilharei com meus leitores aqui também.

Apoio o fim da exploração animal
É preciso destruir a ideia incutida no genoma de nossa espécie de que temos direito à tirania e ao poder sobre outros animais.

A maior prova de que essa pretensão não passa de ilusão, delírio ou fantasia coletiva, reside em que esse mau caratismo só tem trazido à humanidade mais problemas, desequilíbrios ambientais, desordens mentais e quase nada de significativo no processo de cura, saúde ou 'equilíbrio' de qualquer natureza, seja econômica ou de relações, advinda dessa exploração sem limites e dessa cadeia (prisão, jaula) generalizada que escraviza homens, animais e o conhecimento.

O uso de animais é inadmissível, não importa a forma nem a razão. Hoje os animais estão submetidos a uma infinidade de 'usos', seja na alimentação, no vestuário, como objeto sexual ou para suprir carências afetivas, moeda ou mercadoria, etc.

É preciso deixar o orgulho de lado, usar a mente e a ética, que tanto é pregada nas universidades e nos livros, e aprender que se você quer viver bem, se vire sozinho, descubra formas corretas, não use o outro como meio.

Ellen Augusta
Fundadora da Vanguarda Abolicionista, revisora, produtora de conteúdo Web, blogueira, vegana, feminista, defensora dos direitos humanos, atéia, escritora, poeta, colaboradora em ONG e licenciada em Biologia.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Brasília de ontem - Copa do mundo de hoje - Uma leitura da biografia do Renato Russo

Tom Jobim e Vinícius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector e outros se desmancharam de amores pela nova cidade.
Somente quem veio de fora é que pôde lançar um ar de lucidez sobre o delírio que estava por nascer.
Aldous Huxley extranhou o fato de cientistas sociais não terem sido consultados durante a construção da capital.
"Uma cidade nova é um problema de vida e portanto de antropologia, de sociologia e de biologia. De modo algum, um problema apenas de arquitetura."
Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre também estiveram pensando sobre a cidade.
Ela considerou a "loucura de  erguer uma cidade tão artificial em meio a um deserto."
Em visita ao lugar fantástico ela revelou que guardara a impressão de ter presenciado "o nascer de um monstro cujos corações e pulmões funcionavam artificialmente, graças a processos de um custo mirabolante", considerou a obra como "a mais demente lucubração que o cérebro humano jamais concebeu."
"Essa cidade jamais terá alma, coração, carne ou sangue."
A história do surgimento de Brasília é o começo do livro da vida de Renato Russo. O contexto social do país, onde estou lendo no momento o período da ditadura militar. A imposição do silêncio, o delírio dos gastos desnecessários, o consumo a todo vapor e uma sensação de insegurança para os jovens. Muita gente alienada, até mesmo na juventude, como verificou Caetano.
Numa visita da rainha Elizabeth II o prefeito de Brasília a presenteia com duas onças. Onças vivas amigos! Esse é nosso Brasil. E não pense que hoje é diferente, só por que você está mergulhado no contexto. Visto de longe tudo é absurdo, mas dentro da coisa achamos tudo normal.
É só ver a reação das pessoas contra as manifestações sociais neste período da copa, outro delírio histórico. Compare as fotos (http://www.sul21.com.br/jornal/fotos-da-semana-10/) dos torcedores abraçados nas bandeiras com as fotos dos manifestantes, de quem você tem mais pena? Eu tenho mais pena dos torcedores, resignados, que depois de aceitar as migalhas, pegam o ônibus para voltar para a casa. Só ingênuos acham que se uma pessoa abaixar a cabeça e apenas trabalhar sem se queixar de nada, como disse para o filho aquele Pai-Padrão-FIFA (assim apelidou Ezio Flavio Bazzo àquele pai que foi lá tirar o filho do seu direito de se revoltar), vai ficar rico e contribuir para alguma coisa neste país.
O livro é bastante completo pois mostra esse contexto histórico em detalhes, antes de mostrar o homem que não se conformava com a situação do Brasil e com a injustiça. Vamos lá que a leitura está ótima!

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Carne: os Estados Unidos vão salvar a humanidade

Ellen Augusta Valer de Freitas
colunista da ANDA - Agência de Notícias de Direitos Animais http://www.anda.jor.br
Um site que espalha memes com frases de apologia à violência tem uma imagem com a conhecida afirmação de que a humanidade está no topo da cadeia alimentar. Uma espécie que tem a prepotência de se colocar acima de outras, mas que depende completamente de elementos frágeis para sobreviver, pode estar em qualquer lugar. Menos no topo.

Sem energia elétrica, em menos de um ano o caos estará completo. Se faltar água, o virá mais cedo ainda. Comer uns aos outros é questão de tempo.

A tirania humana se apoia em bases muito fracas e em um orgulho idiota e pouco inteligente. A espécie é onívora, mas age como carnívora e não quer se sentir responsável por isso. Não quer se culpar por nenhum de seus atos. Um filósofo de gabinete me perguntou, certa vez, se não seria responsabilidade demais para a humanidade. Mas se com esta questão específica – comer carne – não precisamos nos preocupar, também outras questões, como transar com qualquer pessoa sem consentimento, roubar, matar, estariam fora do debate?

Para o que é conveniente e cômodo vale esse argumento torpe de que não é preciso se responsabilizar demais? E tudo isso esquecendo-se de que há outras espécies em jogo, outras vidas, a quem sugamos como vampiros.

Temos que nos virar, conquistar a independência em todos os níveis, inclusive o alimentar, libertando as outras espécies e a natureza. E acabar com a ideia paternalista de que, se algo terrível acontecer com o planeta, os Estados Unidos irão nos salvar.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Uma aula diferente - para saber de verdade o que é Justiça e para que servem as leis

O professor chegou e antes que alguém falasse algo, expulsou um aluno sentado na primeira fila...


  Primeiro dia de aula, o professor de 'introdução ao direito' entrou na sala e a primeira coisa que fez foi
perguntar o nome a um aluno que estava sentado na primeira fila:
        _Qual é o seu nome?
        _Chamo-me Nelson, senhor.
        _Saia de minha aula e não volte nunca mais! _ gritou o desagradável professor.
         Nelson ficou desconcentrado. Quando voltou a si, levantou-se rapidamente, recolheu suas coisas 
e saiu da sala.
        Todos estavam assustados e indignados, porém ninguém falou nada.
        _ Agora sim! _ vamos começar. Para que servem as leis? Perguntou o professor. Os alunos assustados ainda, ficaram quietos, porém pouco a pouca e timidamente começaram a responder à sua pergunta.
        _ Para que haja uma ordem em nossa sociedade.
        _ Não! respondeu o professor.
        _ Para cumpri-las.
        _ Não!
        _ Para que as pessoas erradas paguem por seus atos.
        _ Não! Será que ninguém consegue responder essa pergunta básica?!
        _ Para que haja justiça _ falou timidamente uma garota.
        _ Até que enfim! _ exclamou o brabo professor. É isso , para que haja justiça. E agora para que serve a justiça?
      Todos começaram a ficar incomodados pela atitude tão grosseira daquele professor desconhecido, ainda mais que era a sua primeira aula. Porém seguíamos respondendo:
        _ Para salvaguardar os direitos humanos...
        _ Bem, que mais? _ Perguntou o professor.
        _ para diferenciar o certo do errado, para premiar a quem faz o bem..
        _ Bom, não está mal, porém respondam a esta pergunta: "Agi corretamente ao expulsar Nelson
 da sala de aula?"
        Todos ficaram calados, ninguém respondeu.
        _ Quero uma resposta decidida e unânime!
        _ Não! _ responderam todos de uma só voz.
        _ Poderiam dizer que cometi uma injustiça?
        _ Sim!
        _ E por que ninguém fez nada a respeito? Para que queremos leis e regras se não dispomos de vontade necessárias para praticá-las e exigir que a pratiquem? Cada um de vocês tem a obrigação de reclamar quando presenciar  uma injustiça. Todos. A omissão  é tão grave quanto a injustiça. Não voltem a ficar calados, nunca mais!
     _ O conceito a ser aprendido: "Quando não defendemos nosso direito, perdemos a dignidade e a dignidade não se negocia". Certo?
     Por favor, alguém vá buscar o Nelson, ele está do lado de fora, ao lado da porta. Afinal, ele é o professor, eu sou aluno de outro período e só vim ajudar nesta primeira aula. Abraços e bom dia.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Campanha Laço Branco e livro feminista

A Campanha Laço Branco objetiva o fim da violência contra a mulher. É celebrada sempre no dia 6 de dezembro. Leia sobre em http://lacobrancobrasil.blogspot.com.br/
Hoje eu escrevo para contar que recebi de presente da filósofa Sônia T. Felipe um livro seu chamado O Corpo Violentado - Estupro e atentado violento ao pudor. Este livro faz parte de seu extenso trabalho feminista, além de suas publicações sobre direitos animais e veganismo.

Os direitos humanos básicos devem ser garantidos à todas as pessoas, devemos lutar para que todos possam ter esse princípio respeitado.
A violência não somente pode ser física, portanto fique sempre atenta, não permita ser violentada sob hipótese alguma e busque ajuda.

Não deixe de ajudar ninguém na rua, mesmo um mendigo, um bêbado ou 'suspeito' ou 'mal encarado' tem direito à atendimento médico, não importa o que diga a SAMU. É famosa a má vontade pública, tenha voz firme e faça valer sua força cidadã.

Não seja mais um negligente, pior que a maldade é a indiferença - eu considero pior.

Jesus Cristo também ajudou um Samaritano, e hoje muitos mendigos, assim como cavalos e crianças andam invisíveis pelas ruas. É a cegueira que li na história de Saramago...

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Cinco anos escrevendo para Anda

Comecei a escrever para a ANDA de uma forma curiosa. A Silvana me convidou e convidou meu marido sem saber que nós éramos casados. Foi muito engraçado. Ela ligou para ele e contou que havia me convidado e perguntou se ele me conhecia. E ele brincou "dizem que só se conhece uma pessoa quando se dorme e acorda junto com ela..."
A Anda começou e começamos juntos. Escrevendo sobre direitos animais, me sinto importante, ajudando, sendo lida, podendo expressar o que sinto e penso.
Abaixo transcrevo alguns depoimentos, que fizemos para o site. Parabéns Silvana, sua atitude faz a diferença na divulgação dessa causa.
http://www.anda.jor.br/28/11/2013/cinco-anos-anda-revolucao-humano

Cinco anos de trabalho sério, pautado na perspectiva ética animalista abolicionista, noticiando para o Brasil e o mundo os fatos relacionados ao modo pelo qual os seres humanos ainda tratam os animais que não têm sua configuração biológica e genômica. Esse trabalho é um divisor de águas no jornalismo brasileiro. Parabéns à ANDA, especialmente à pessoa da jornalista Silvana Andrade, por criar esse espaço de expressão da causa animal e por sustentar com seu trabalho diuturno e suas finanças pessoais, mesmo beirando seus limites contábeis, essa instituição sem a qual as brasileiras e os brasileiros estariam há léguas da compreensão do dever de consideração ética por todos os animais. Parabéns também a todos os colegas colunistas, que ofereceram nesses cinco anos, seu trabalho de produção de texto para compor a galeria na qual as reflexões éticas animalistas estão expostas em todos os tons e nuances. É com orgulho que tenho feito parte desse grupo. Minha gratidão a toda gente e aos que visitam essa página diariamente, de todos os países do mundo e de todas as regiões brasileiras.
Sonia T., coluna Questão de Ética

“É com imenso orgulho que escrevo, através de uma coluna, artigos sobre desobediência vegana. Desobedecer o sistema de exploração imposto, desobedecer padrões alimentares, educacionais, sistemas econômicos que sugam animais e sociedades, preconceitos vigentes, ideologias camufladas, através da alimentação e do estilo de vida vegano. A ANDA é uma agência de notícias focada nos animais. Posso escrever sobre temas que, em outros lugares, seriam censurados ou ignorados. A importância desse canal está em conquistar leitores do mundo inteiro para o respeito aos animais, para a mudança de atitude em relação ao modo como tratamos nossos semelhantes, não importa a raça, espécie, condição social ou sexo. Estamos mostrando aos leitores que existem novas fronteiras a serem exploradas, quando falamos em respeito ao próximo.”
Ellen Augusta, coluna Desobediência Vegana

“Sem desobediência não há mudança. Algo assim foi o que li recentemente na Internet, e achei bacana. A ANDA está conseguindo modificar um paradigma pétreo na Imprensa brasileira, o de publicar notícia sobre animais ou na seção de agronegócio, ou como inusitado / superação / ‘ai-que-amor’. Engatinha-se em nova editorias – com o respectivo impacto e debate por parte do público. Em um planeta midiático, no caleidoscópio desta sociedade da informação, nada melhor do que a luz dos holofotes para instigar, deixar as pessoas desconfortáveis em suas cadeiras, e tratar do ora incômodo tema dos direitos animais. Sabemos que o bombardeio do ‘outro lado’ é pesado e constante, com seu orçamento ilimitado, mas a ANDA se tornou uma trincheira que não é mais possível se ignorar. ‘Com um só palito, para o motor’, dizia Raul Seixas.”
Marcio de Almeida Bueno, coluna Vanguarda Abolicionista

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Palestra da filósofa Sônia T. Felipe

Ontem fui à palestra da filósofa Sônia T. Felipe, a filósofa feminista e animalista, que apresentou um resumo do seu livro 'Galactolatria - mau deleite'.
O livro é um trabalho de mais de dez anos sobre a ilusão do leite puro de vaca, da exploração de fêmeas e dos diversos efeitos ambientais e na saúde da extração de leite, os excrementos, a destinação de alimentos nobres à pecuária, o uso irrestrito da água e a toda a omissão da sociedade.
Sua fala é simplesmente perfeita. Ela é uma mulher bonita, forte, e sabe do que está falando. Sua inteligência é marcante, ela é um exemplo de pessoa porque leva uma vida frugal, consome produtos naturais e é vegana.

No final de sua apresentação, ela respondeu a algumas perguntas e falou sobre seu trabalho como feminista vegana.

Na defesa internacional dos animais, sempre é defendido o macho. Ela citou exemplos de touradas (touro), farra do boi (boi), rinha de galo (galo), rinha de cães (cão). E dentro dessa insinuante preocupação com machos somente, ela pretendeu defender as fêmeas, galinhas, vacas, porcas, etc. Dentro do etc estão também os invertebrados.
Então ela confessou que sentia um certo incômodo ao ver esse machismo entre as feministas e entre os animalistas e que queria desmontar esse preconceito. Por isso seus livros abordam assuntos que mexem na estrutura social. E profundamente.

Em todos os seus livros o feminismo é respirante. Em suas palavras sempre há a libertação. Sou verdadeiramente fã de seus trabalhos.
Sônia explicando que o leite de mulher é ideal para o bebê humano. Que entre o nascido e sua mãe há uma interação perfeita, sendo o leite produzido especificamente para as necessidades daquele dia, daquela hora e daquela fase do bebê. Essa interação entre mãe e filho se dá mesmo depois do nascimento, pois eles estão intimamente ligados. O leite de vaca possui fósforo, sódio e proteína em excesso, prejudicando a formação do cérebro humano, que em nossa espécie é crucial o seu desenvolvimento nessa fase da vida. Foto Geraldine Hennemann Leão
Esse livro provavelmente é o mais importante trabalho sobre o leite no Brasil. Não há nada igual e mais perturbador.

Coisa de fã:
Insisti para a convidarmos para jantar. Fui junto com ela no carro e jantamos pizza vegana e xis vegano. Na mesa estavam somente pessoas que adoro. Foi uma noite muito alegre e divertida. Ela me disse que escreve seus livros para que os ativistas tenham materiais, para que usem e que esse é o papel do filósofo.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Todos já fomos crianças, mas a época de viver a infância é agora

Minha infância não foi uma coisa que se diga "puxa, que infância teve essa moça!" Hoje conheço essa criança através da psicoterapia, essa criança que eu sempre quis esconder de mim mesma.
A maturidade trouxe comigo a vontade de viver de verdade minha juventude e minha infância.
Desobedecer é comigo! Não 'tenho' que ser adulta todo o tempo.
Hoje, indo a pé em direção ao centro de Porto Alegre, encontrei um mendigo caminhando calmamente entre os carros, rindo de todos eles.
A moça do Correio me disse: quando temos medo, aí é que as coisas ruins acontecem!
Quando cheguei ao centro, encontrei alguém vestido de Quico, com a bola e tudo! Depois vi um vendedor de cofrinhos para crianças, um dos cofres era do Chaves...Logo após estava a Minie e o Pica-pau na frente de uma loja de celular... No meio do mercadão estava nada mais que uma banda alemã tocando e muitas pessoas dançando!
Com exceção de um mal humorado que gritou "isso é desculpa para não trabalhar!", todos adoraram a banda, até mesmo um funcionário de uma banca de erva mate, que pegou o manequim fantasiado de gaúcho com chapéu de caipira e começou a dançar com ele, numa cena insólita que só onde existe povo e música poderia acontecer!

Se fala muito na infância, mas as crianças são esquecidas. Os pequeninos escontram um mundo falho em educá-los e amá-los.
Há muito romantismo quando as mulheres e políticos falam sobre crianças, mas elas continuam sendo espancadas, abusadas, esquecidas, geradas sem responsabilidade ou por egoísmo. Houve mudanças boas, a fome e a morte infantil praticamente zerou no Brasil. Nesse mesmo país, há um número imenso de crianças trabalhando.

O trabalho escravo e infantil na pecuária está em primeiro lugar aqui no Brasil. São dados da ONU, que são escamoteados.
Tenho muita pena das crianças pobres da América Latina e dos países pobres do terceiro mundo. Mas sei que crianças do mundo inteiro sofrem nesse momento de abusos que só esse inferno que é o mundo, pode normatizar.
Ellen Augusta
Chaves não tem brinquedos e tem fome, apesar disso tem uma infância feliz!
Fontes para saber mais sobre a infância e sobre como são os adultos:

A Lógica dos Devassos

Mendigos - Párias Ou Heróis da Cultura?

ambos de Ezio Flavio Bazzo

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Leitura essencial para a clareza mental


Estou lendo, entre outros livros que em breve mostrarei aqui este genial livro de Wilhelm Reich chamado Escute, zé-ninguém!

"Você difere de um grande homem sob apenas um aspecto: o grande homem foi um dia um zé-ninguém, mas desenvolveu uma única qualidade importante. Reconheceu a pequenez e a estreiteza dos seus atos e pensamentos. (...)"

Como ele define o zé-ninguém:

"Esconde sua insignificância e estreiteza por trás de ilusões de força e grandeza, da força e da grandeza de alguma outra pessoa. Sente orgulho dos seus grandes generais, mas não de si mesmo. Admira uma idéia que não teve, não uma idéia que teve. Quanto menos entender alguma coisa, mais firme é sua crença nela. E, quanto melhor entende uma idéia, menos acreditará nela."

Compre aqui: http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-679379681-wilheim-reich-escute-ze-ninguem-cult-orgone-terapia-sexo-_JM

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Educação Vegana

Educação Vegana - Leon Denis

Analfabetismo funcional animalista

20 de junho de 2011

Leon Denis - Professor de Filosofia da rede estadual de ensino do Estado de São Paulo, autor do projeto Arte Suave na escola e co-autor do projeto Mens sana in corpore sano, pioneiro no ensino de Direito Animal e Veganismo em escolas públicas no Brasil. Membro fundador da Sociedade Vegana, membro do conselho editorial da Pensata Animal – Revista de Direitos Animais, e pesquisador do núcleo de direitos animais do Laboratório de Estudos sobre a Intolerância da Universidade de São Paulo (LEI-USP).

Uma questão que há muito tempo vem me incomodando no movimento de defesa animal no Brasil é a falta de fundamentação teórica dos ativistas dos direitos animais. É impressionante o analfabetismo funcional animalista que os ativistas estão mergulhados. Para essas pessoas o que importa é agir, é tirar os animais não-humanos daquela situação de sofrimento imediatamente. Não conseguem entender que o que colocou os animais ali foi nada menos que 2.500 anos de Filosofia, Teologia e Ciência especistas.
Ação sem fundamento teórico, sem reflexão crítica, não passa de emotivismo. Os animais não-humanos precisam de muito mais que nossa compaixão, amor e atitudes no calor da emoção, eles precisam do nosso respeito.  É mais do que sabido os limites das visões do respeito por amor e compaixão na defesa dos direitos animais1.
O que falta para nossos ativistas é o que tinha de sobra nesses dois ativistas que pegarei como exemplo, mesmo sendo antagônicos.
Primeiro, Ernesto Che Guevara, que arisco afirmar ter sido o maior apologista da revolução armada, não só a defendia em palavras como foi para as vias de fato, ou seja, era um homem de ação no sentido mais amplo do termo, talvez o único homem que levou a sério o conceito de práxis marxiano. No entanto, era um leitor voraz dos principais teóricos do socialismo e do comunismo e, não menos das teorias sacralizadoras do deus capital. “Como líder da guerrilha em Sierra Maestra, Che dava aulas de alfabetização a seus recrutas camponeses, e ocasionalmente lia para eles, de fontes como Cervantes, Robert Louis Stevenson e a poesia de Pablo Neruda. Conta-se que ao retornar à sua barraca, lia Proust, Faulkner, Sartre e Milton. No Congo, dava aulas de francês e de swahili às tropas congolesas, além de aulas de “cultura geral”. Em Cuba, durante a revolução, Che ensinava seus “descamisados” a ler e escrever. E para aqueles que já possuíam a base da lecto-escrita (…) criou círculos de estudos”2 sobre a historia de Cuba, doutrina militar e marxismo. Conta-se que nos momentos de descanso da expedição no começo da campanha boliviana, Che trazia consigo “a Historia da Estória da Liberdade, de Benedeto Croce, a Revolução Permanente e A Historia da Revolução Russa, de Trotsky, e As Origens do Homem Americano, de Paul Rivet”3, e é possível que “tenha lido as memórias de guerras de Charles de Gaulle, ou as de Winston Churchill, bem como A Fenomenologia do Espírito de Hegel e alguma coisa de Diderot”4.
O segundo, Martin Luther King Jr., na esteira de Gandhi, um grande líder do ativismo pacifico, da ação não-violenta. No entanto, não só tinha uma bela formação acadêmica como também era um leitor voraz, recorria a autores de varias áreas para fortalecer sua pregação. Ao falar do período que conheceu King, Coretta Scott – futura esposa – diz que “sentiu-se atraída por aquele rapaz que debatia a doutrina de Gandhi e as filosofias de Thoreau e Hegel com a mesma facilidade com que ridicularizava as pretensões dos pregadores do rádio. Além disso, ele adorava ópera e jazz. E, embora já fizesse parte da elite acadêmica, queria cuidar dos problemas cotidianos de uma igreja negra do Sul”5. Perto de terminar sua tese de doutoramento sobre “Uma Comparação do conceito de Deus no Pensamento de Paul Tillich e Henry Nelson Wieman”, King, com apenas 25 anos, assume como pastor na igreja Batista da avenida Dexter em Montgomery, com o objetivo de fazer um bom trabalho, dedicava dois dias para a preparação dos sermões dominicais. “No inicio, seus sermões eram muito intelectualizados e um tanto áridos, mas, a medida que King foi conhecendo melhor os fieis, começou a dar maior atenção às teorias de seu pai quanto a pregação”6. King dinamizou suas pregações e seus “sermões fluíam sem nenhum esforço, sem nunca reduzir a platéia ao silêncio. O reverendo citava os maiores pensadores ocidentais e orientais, mas de um modo claro e ritmado, que pedia respostas, as quais vinham naturalmente seguindo o ritmo do próprio sermão”7.
Ambos os ativistas e militantes deixaram registrados através de seus escritos e discursos às multidões, a importância de uma boa fundamentação teórica. Foram homens da práxis, seja pela via pacifica cristã, seja pela luta armada ateia. Para Hosea Williams, “Martin Luther King Jr. é o maior batalhador do século XX”, para Sartre, Che era “o mais completo ser humano de nossa época”.
Essa questão do analfabetismo funcional Animalista me incomoda em demasia pelo simples fato de que vejo o educador vegano como um ativista. Não há lugar melhor para se fazer um ativismo pelos direitos animais que uma sala de aula. É aqui que a situação complica. O educador vegano não deve fundamentar sua pratica político-pedagógica apenas tendo a “Libertação Animal” do Singer e o “Jaulas Vazias” do Regan como base. São obras importantes, mas não bastam.
Uma reclamação comum que ouço é a de que não temos traduzidos para o português nem 3% da grande produção animalista de língua inglesa. E quem disse que eu preciso de 30%, 50% ou 100% da produção teórica animalista britânica e estadunidense? Meu caro educador vegano, quem tem Sônia T. Felipe, Bruno Muller, Luciano C. Cunha, Paula Brugger, Daniel B. Lourenço, entre outros, não precisa ficar refém dos companheiros do hemisfério norte. Se souber ler em inglês, ótimo, leia-os. Se não sabe, sem problemas, temos uma substancial literatura brasileira à disposição, pode ser pouca, mas com um forte conteúdo reflexivo. Volto a afirmar, a obra “Direitos dos Animais: Fundamentação e Novas Perspectivas” do professor Daniel B. Lourenço deve ser leitura de cabeceira do educador vegano.
Outra questão que não posso deixar de ressaltar é, com toda a produção filosófica, científica e jurídica nos países de língua inglesa sobre os direitos animais, eles não têm o que nos temos: educadores veganos que introduzem os direitos animais e sua fundamentação moral, o modo de vida vegano, nas escolas de nível fundamental e médio. O Brasil é pioneiro em educação vegana formal. Nosso país é o único lugar que alguns educadores veganos tiveram a coragem (característica essencial de um ativista) de romper com o currículo oficial (e oculto) especista e introduzir de modo sistemático um ensino antiespecista. Somos poucos? Sim. Mas, somos fortes. De onde vem essa força? Da teoria ética animalista. Leitura, leitura e mais leitura. Diálogo e mais diálogo com os pensadores desse movimento. Só seremos capazes de combater os argumentos, clichês e frases feitas especistas oriundos do capital cultural antropocêntrico, com a força de um raciocínio ético apurado, crítico e autocrítico.
O educador vegano, esse ativista da Ágora quadrada que é a sala de aula, tem o dever moral de se fundamentar teoricamente. O educador vegano precisa constantemente buscar seu aprimoramento espiritual através do desfazer as pregas, rugas, dobras e vincos morais tradicionais. As virtudes que devem nortear o educador vegano são: “discernimento, coerência, justiça, propósito existencial sincero de não-violência contra qualquer ser capaz de sofrer, coragem, serenidade, persistência, humildade, e… vontade sincera de aprender muito sobre a vida dos outros animais”8.
Isso significa que todo educador vegano precisa estudar Etologia? Sim, não só precisa, deve. E nutrição vegetariana, também. Ética animal e ambiental são simplesmente indispensáveis, conhecer a historia do especismo, dos direitos animais e do veganismo é uma obrigação. Todo educador vegano precisa ter consciência que sua ação político-pedagógica não é qualquer ativismo. É uma luta constante contra a epistemofobia e a livrofobia que está no DNA da maioria da população brasileira. Num país onde sua população tem como alimento espiritual futebol e novela, pouco ou nenhum valor tem os tratados de ética e sua aplicabilidade. Por isso a necessidade do projeto político-pedagógico vegano ser coerente, justo e corajoso; o que exige um propósito de vida do educador vegano consciente de que somente com muita persistência ele se efetivará. Dissertando sobre o comprometimento que o ato de ensinar exige o teórico da educação brasileira, Paulo Freire, diz:
“Minha presença de professor, que não pode passar despercebida dos alunos na classe e na escola, é uma presença em si política. Enquanto presença não posso ser uma omissão, mas um sujeito de opções. Devo revelar aos alunos a minha capacidade de analisar, de comparar, de avaliar, de decidir, de optar, de romper. Minha capacidade de fazer justiça, de não falhar à verdade. Ético, por isso mesmo, tem que ser o meu testemunho”9.
O educador vegano não pode se deixar acomodar, acreditando que só por ser vegano “já está bom demais”. O aprimoramento deve ser constante, ininterrupto. A aversão da maioria esmagadora dos ativistas ao maçante trabalho de debruçar sobre teorias éticas desenvolvidas durante séculos, não pode fazer parte da vida do educador vegano. É a preguiça intelectual que leva ao analfabetismo funcional animalista.
Notas:
1. CUNHA, Luciano C. Está tão na cara que é difícil de enxergar (parte VII). In: WWW.pensataanimal.net/
2. MCLAREN, Peter. A pedagogia de Che Guevara – Pedagogia crítica e globalização trinta anos depois de Che. In: Utopias Provisórias. Petrópolis, RJ: Vozes, 1999. p. 99-100.
3. Id. p. 100.
4. id. p. 100.
5. SHUKER, Nancy. Martin Luther King. São Paulo: Nova Cultural, 1985. p. 31-32.
6. Id. p.35.
7. Id. p.36.
8. FELIPE, Sônia T. Direitos Animais: desdobramentos das pregas morais. In: ANDRADE, Silvana (org.). Visão Abolicionista: ética e direitos animais. São Paulo: Libra três, 2010. p. 17.
9. FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 1996. p.98.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Comprinhas básicas!

Alguns produtos veganos são o que há de melhor no mercado. É o caso do shampoo da Surya, que possui fórmula orgânica e é maravilhoso para os cabelos. Sem Parabenos e sem óleo mineral. Possui sempre um óleo orgânico de alguma coisa muito perfumada. Neste caso, é óleo de laranja.
O Phitoervas sempre foi vegano, com exceção de uma de suas apresentações, que possui colágeno. E, por pressão de ativistas, começou a colocar em seu rótulo a informação de que não contém produtos de origem animal na sua formulação e que não faz testes em animais.
Este, para cabelos oleosos, é muito perfumado. Tem essência de menta, aquiléia (mil folhas) e gengibre. É muito bom!
Leia: um deleite para os veganos é encontrar informações precisas!
Aqui está o Surya, um dos shampoos mais perfumados que existem...
Reparem nos selos: certificado Vegan e o Não testamos em animais (o do coelho), acima o da Abrapan. Não é um shampoo caro. Outros muito mais caros muitas vezes testam em animais e mesmo assim provocam alergias em humanos, além de não atenderem a expectativa quanto ao uso.
Sanduba feito com bife de glúten da Superbom e o "yogurte" de soja da Batavo, sabor morango. (Não possui cochonilha)

O Veg, é uma bebida de soja que substitui o leite de vaca. Este pagamos mais caro pois compramos em mercadinho, o que necessariamente é mais caro. Mas ele custa a metade do preço nos supermercados e em qualidade é muito superior ao leite de vaca. Algumas marcas são enriquecidas com mais cálcio do que a soja normalmente já tem. E outras vitaminas. Sem falar que o leite de soja é mais limpo, pois o leite de vaca é uma secreção (para quem não sabe)...É ideal para quem tem intolerância à lactose (uma grande parte da população possui e não sabe, passa mal, tem dores de cabeça mas nunca cogitou a possibilidade). E também para quem quer tirar do cardápio o uso de animais.
Aqui um sanduíche feito com queijo vegetal e bife de glúten, com molho de mostarda à L'Ancienne, que é um tipo de mostarda que adoro, embora seja caríssima. Me dei este luxo, e daí?
Agora com pepinos
Aqui o arsenal para o sanduíche
Ficou muito bom.
Aqui está outro shampoo que comprei há um tempo atrás, não conheço a marca e me proponho a escrever para a empresa para saber se testam em animais, pois não sei. Achei interessante a proposta da embalagem e o conteúdo. Sem falar que fez bem ao meu cabelo.
mais detalhes.
este é sem sal também, como os shampoos acima.
Aqui a linha vintage da Granado ( Ou toda a Granado é vintage?). Encontrei numa Panvel chique na Rua Padre Chagas em POA. Este de benjoim tem um cheiro de incenso... mas é suave.
Os sabonetes tem 120g e custam quase cinco Reais. Vale muito comprá-los por que duram muito e possuem base 100% vegetal. Sabonete "Super Fino" achei um amor...
A Salomé (este não é o nome da mulher que encantou os filósofos Nietzsche e Rée??) Sim, a poderosa Lou Salomé ( que foi meio esquecida pelo machismo filosófico/acadêmico). Deixo uma frase dela aqui: "Ousa tudo. Não tenha necessidade de nada"
Imagino que o sabonete não tenha nada a ver com ela, mas este nome me fascina por causa dessa personagem que deixou todos estes homens de quatro.
Aqui o conjunto de sabonetes.
Maracujá que comprei para experimentar uma receita de chá que descobri. Maracujá com gengibre... um dia conto a receita...

E os wafers que podem ser consumidos pelos veganos pois não possuem traços de leite e nem leite.
São os baratex do supermercado. Os mais abaixo na prateleira. Um detalhe importante: de todos os wafers que li os rótulos apenas esta marca tem frutos desidratados em sua composição. O de morango tem morango, o de chocolate tem cacau e os demais sabores também.
O sabor morango não possui o corante cochonilha (insetos esmagados)
Aqui junto com o frapê de coco feito por uma amiga nossa. Logicamente vegano.


Este wafer possui frutas desidratadas em sua composição. Enquanto as outras marcas apenas possuem aromatizantes artificiais, corantes e muiito leite, que é para "aumentar" a receita. Gostei desta marca por ser simples e barata. De vez em quando é bom comer uma "besteirinha", mas até nisso podemos ter consciência.
Todos os que comprei.
salgadinho da Vitao (alguns sabores sao veganos outros não).
Esta batata tinha selo vegan, mas perdeu pois é fabricada por empresa que faz testes em animais. Mas na composição não possui nada de origem animal.
Este é o leite achocolatado de Soja da Olvebra, que afirma não usar soja trangênica na fabricação. Eu particularmente gosto dela e o sabor mudou muito. Está muito melhor. A embalagem é muito linda, e contém informações para vegetarianos ( o cuidado que a marca tem com este público cada vez mais crescente).

Dica: estamos usando lenços de pano. É super ecológico e chique! Estes comprei numa loja muito moderna que abriu aqui perto. Pode ser lavado e reutilizado eternamente e são bonitos demais.
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