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terça-feira, 25 de novembro de 2014

Não aguento esses veganos

Por Ellen Augusta Valer de Freitas
publicado originalmente no site Olhar Animal - Revista Pensata Animal no link: Coluna Ellen Augusta
O sujeito nem me conhece, chega e puxa papo na rua, mas não gosta de ninguém. Não aguenta 'aqueles veganos', não gosta dos punks, não suporta essa ou aquela cena. Eu, que não pertenço a nada, só observo. Daí ele começa a se desculpar, dizendo que adoraria ser vegano, mas que não concorda com as atitudes do fulano, ou com o jeito do beltrano. Até então, eu estava a fim de conversar sobre fanzines.

Quando as pessoas pedem informações sobre veganismo, eu respondo e converso numa boa. Mas parece que a pessoa estava a fim de exorcizar. Cara, por que você não faz as coisas por você mesmo?

Curioso é que o resolvido vem com um papo de que não aguenta 'esses veganos' e, por isso, voltou a comer carne. Mas a sociedade está cheia de gente chata, te impondo o consumo dessa mesma droga que você voltou a enfiar goela abaixo. Está cheia de bêbados chatos, e nem por isso você parou de encher a cara e ficar chato como eles.

Você segue fazendo o que todo mundo faz. Igual.

E, pior, segue repetindo o padrão, seguindo o que a sociedade te impõe, repetindo o que todo mundo repete: que os veganos é que são os chatos. Ahã. Fica indignado com um comportamento qualquer 'fora do normal', vindo dos 'radicais'.

Os veganos, de repente, devem suportar o título da coerência eterna. Alguns veganos, inclusive, se arvoram disso, se colocando o chapéu de perfeitos: problema deles. Pois bem, não vá pelos outros, aja pelas suas ideias, se é que você já decidiu se as tem. Não seja escravo do método, do sistema. Tampouco seja escravo das pessoas.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Apoio o fim da exploração animal

Tenho a honra de participar como colunista do site Olhar Animal .
Para ler meu depoimento em Apoio o fim da exploração animal, entre aqui e confira o depoimento de outros colunistas da Pensata Animal.
Em breve meus textos estarão no site e compartilharei com meus leitores aqui também.

Apoio o fim da exploração animal
É preciso destruir a ideia incutida no genoma de nossa espécie de que temos direito à tirania e ao poder sobre outros animais.

A maior prova de que essa pretensão não passa de ilusão, delírio ou fantasia coletiva, reside em que esse mau caratismo só tem trazido à humanidade mais problemas, desequilíbrios ambientais, desordens mentais e quase nada de significativo no processo de cura, saúde ou 'equilíbrio' de qualquer natureza, seja econômica ou de relações, advinda dessa exploração sem limites e dessa cadeia (prisão, jaula) generalizada que escraviza homens, animais e o conhecimento.

O uso de animais é inadmissível, não importa a forma nem a razão. Hoje os animais estão submetidos a uma infinidade de 'usos', seja na alimentação, no vestuário, como objeto sexual ou para suprir carências afetivas, moeda ou mercadoria, etc.

É preciso deixar o orgulho de lado, usar a mente e a ética, que tanto é pregada nas universidades e nos livros, e aprender que se você quer viver bem, se vire sozinho, descubra formas corretas, não use o outro como meio.

Ellen Augusta
Fundadora da Vanguarda Abolicionista, revisora, produtora de conteúdo Web, blogueira, vegana, feminista, defensora dos direitos humanos, atéia, escritora, poeta, colaboradora em ONG e licenciada em Biologia.

domingo, 14 de setembro de 2014

Lei Arouca: as bases genéticas da falta de percepção

Ellen Augusta Valer de Freitas

publicado na ANDA - Agência de Notícias de Direitos Animais http://www.anda.jor.br/category/colunistas/ellen-augusta-valer-de-freitas  e
na Pensata Animal nº 15 - Setembro de 2008 - www.pensataanimal.net

No primeiro semestre deste ano, a senadora Marina Silva defendeu o ensino do criacionismo nas escolas, após participar de um simpósio sobre o assunto, ainda como ministra do Meio Ambiente. Pois o criacionismo, que é uma das inúmeras crenças religiosas a respeito do surgimento da vida, passaria a ser comparado à Evolução, ciência que explica por meio de claras evidências ao longo da história, e na própria composição dos organismos atuais, a trajetória da formação de novas espécies ao longo dos milhares de anos. O criacionismo é apenas um dos mitos sobre a criação do mundo e do ser humano, e deve ser respeitado como qualquer outro de qualquer religião, mas nunca comparado a uma teoria que é base da Biologia e de tantas outras ciências, até hoje nunca refutada. Muito ao contrário, com as descobertas mais recentes sobre o código genético, a teoria de Charles Darwin fica a cada dia mais consistente e fascinante.

As descobertas do naturalista Darwin seguem até hoje como uma espada que corta, provoca e derruba nosso orgulho mais básico. Concordo com os pesquisadores Richard Wrangham e Dale Peterson, que escreveram o livro ‘O Macho Demoníaco: As Origens da Agressividade Humana', que talvez o orgulho seja a principal característica dos grandes primatas - e, neste grupo, estamos incluídos. Uma característica que turva a percepção.

Aí entra a aprovação da Lei Arouca. Pois como explicar que ainda hoje, em face de tantas tecnologias e formas de obter novos conhecimentos, ainda se pratique a barbárie do uso de animais sencientes em pesquisas científicas - de caráter nem sempre claro, nem para os próprios pesquisadores? E como explicar que, embora existam muitas alternativas ao uso de animais de laboratório, e que na Europa estas já venham sendo usadas em diversos hospitais, centros de pesquisas e centros veterinários, aqui no nosso Terceiro Mundo preferimos pagar mais caro por ‘modelos vivos' que dão lucro à imensa indústria de animais?

Uma explicação para que a humanidade siga sobrepujando os animais, negando-lhes o estado de direito, humilhando suas necessidades mais básicas, pode ser a vergonha de admitir que os animais pertencem à mesma natureza humana ou que o ser humano é, enfim, um animal. O ser humano nega estender os direitos morais por diversas razões, desde o preconceito chamado especismo, até por que reconhecer que os animais têm direitos fere mais uma vez o orgulho humano, como muitas vezes na história já aconteceu. Desde o século de Darwin, é deveras difícil assimilar e admitir que não somos o centro do Universo e, se requeremos direitos de sermos respeitados e valorizados nos nossos instintos mais básicos, nada mais natural que estender esses direitos a animais que, como nós, ou como muitos de nós, sentem medo, dor, afeto e possuem até capacidade de abstração.

Nada mais lógico que, se nos regalamos seres dotados de capacidade intelectual, devemos por essa mesma razão aguçar nossa percepção para as necessidades dos outros animais, e não continuar seguindo no egoísmo puramente preconceituoso de colocar a humanidade em primeiro lugar. De fato, colocar o ser humano em primeiro plano não contribuiu para que o mesmo ficasse ileso das conseqüências de seus atos diante da Natureza. A cada dia, percebemos que nossas ações, ao contrário do que gostaríamos, nos coloca como seres frágeis diante de um cataclisma ambiental.

Imaginar que o criacionismo deva ser ensinado nas escolas junto com as idéias evolucionistas, desprezando as demais crenças religiosas e misturando-as com fatos comprováveis e básicos da ciência, é querer preservar o pseudo-poder que nos arrogamos há muitos séculos atrás, quando tais disparates até eram admissíveis em face da ignorância da época. Mas, hoje, não.

Ora, quem hoje considera plausível a teoria de Charles Darwin - e ela é, pois é a base da Biologia e de muitos estudos a ela relacionados - certamente precisa considerar as implicações morais desta brilhante descoberta. Tom Regan defende que não é apenas o sofrimento que infligimos aos animais que está errado. "O que está fundamentalmente errado, em vez, é o sistema inteiro, e não seus detalhes. Pela mesma razão que mulheres não existem para servir aos homens, os pobres para os ricos, e os fracos para os fortes, os animais também não existem para nos servir", aponta. Que já nos serviram, e muito, durante o desenvolvimento humano, não é justificativa para que sigamos explorando, mesmo com tecnologia e inteligência suficientes para utilizar alternativas - que já existem - e criar novas. Não há justificativa moral para a traição que lhes causamos.

Nossa responsabilidade moral por sermos sujeitos que modificam o mundo não nos confere o direito da tirania sobre os animais. Muito ao contrário, nos coloca a obrigação moral de libertar e reparar, se é que é possível, nossos erros. Mas, para tanto, é preciso percebê-los.

BIBLIOGRAFIA

RACHELS, J. Created from animals: the moral implication of Darwinism. Oxford: Oxford University Press, 1990.

WRANGHAM, R., PETERSON, D. O Macho Demoníaco: As Origens da Agressividade Humana. Comportamento, 1998.

REGAN, T. The Philosophy of Animal Rights by Dr. Tom Regan. Em: www.cultureandanimals.org/animalrights.

"DIREITO DOS ANIMAIS - PERGUNTAS E RESPOSTAS", em http://www.vegetarianismo.com.br

NACONECY, C. M. Ética e Animais: um guia de argumentação filosófica. EDIPUCRS, 2006.

Ellen Augusta Valer de Freitas
ellenaugusta@gmail.com
Licenciada em Biologia, com formação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos - Unisinos. Foi bolsista de Iniciação Científica pelo CNPq no Instituto Anchietano de Pesquisas. Tem experiência na área de Ecologia com ênfase em Zooarqueologia, atuando principalmente nos seguintes temas: captação de recursos aquáticos, gerenciamento recursos hídricos, estudo da alimentação de povos indígenas, educação e pesquisa em arqueofauna em alguns sítios arqueológicos do Projeto Corumbá - Pantanal. Trabalha atualmente com educação de jovens e adultos em escola particular, com enfoque para o assunto: ética e animais.
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