Mostrando postagens com marcador professor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador professor. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Educação medíocre e educação vegana, quem vencerá?

Enquanto trabalhei como professora, falei abertamente sobre veganismo para meus alunos, adultos e adolescentes. Agora cansei e dei uma parada. Mas vou voltar, quando estiver afim, e vamos ver qual é!
Considero obrigação do biólogo e dos professores de qualquer área, informar sobre os impactos da criação de animais para consumo e as implicações éticas dessa merda que as pessoas fazem com estes seres, que não são nossa propriedade.
Nunca fui questionada pelos meus diretores. Sim, havia professores invejosos, ficava sabendo das fofocas. Sim, faziam cara feia. Havia alunos que não gostavam. Ninguém nunca está satisfeito, bem vindo ao mundo. Nem ligava para isso, na verdade me divertia com isso. Adoro. Mas eu recebia elogios pelo meu trabalho. Tenho certeza de que foi um bom trabalho.
Mas, hoje, o veganismo está crescendo. E os educadores veganos, estão começando a incomodar.

Um professor vegano foi proibido de lecionar por três anos em Minas Gerais, por ensinar sobre direitos animais em sala de aula.
Já escrevi crônicas e ensaio participando de livros com ele. É um professor de Filosofia admirável, desses que gostaria de ter. Ele chama-se Leon Denis: Aqui estão seus artigos sobre educação

Pois das aulas de Filosofia que tive no meu Segundo Grau, não me lembro de nada. Perdão, professores que tive, mas, se estiverem lendo este blog, é isso mesmo. Fui ler filosofia depois, e com os podres ou os bons, os escritores obscuros e os alternativos que escrevem do jeito que querem e como querem.

Hoje, ser bom professor na opinião dessa gentinha, é cumprir o papel. É falar do mesmo, é ser como sempre foi. Desde o tempo em que eu estudava no colégio e faculdade, nada mudou. Aqueles professores idiotas que tive, que não sabiam a diferença entre eu, que era inteligente (e hoje sou mais, bem mais inteligente que naquela época), e a nulidade ao meu lado. Um ou dois professores bons que tive tinham que se cuidar para não serem expulsos da escola. E no Primeiro Grau tive um professor que foi expulso da escola porque estava entre um monte de mulheres (professorinhas de merda) que não estavam habituadas a conviver com um professor, ou seja, por ele ser homem. Pode crer, eu vivi para ver isso. E nem entro em detalhes aqui, pois hoje mais adulta, sei que só pode ser por isso e, quero que aquela gente se exploda.

Enquanto lecionei nas escolas e projetos com adultos e adolescentes passei documentários como Terráqueos, A carne é fraca, Não Matarás, e fiz trabalhos com meus alunos, chamei palestrantes de grupos ativistas, tudo quanto fosse didático e pudesse chamar a atenção para um conteúdo atual e necessário para o conhecimento dos alunos. E isso não agride ninguém. Ao contrário, muito interesse surgiu.

O professor Leon Denis, como filósofo, questiona e ensina os alunos a  olhar o mundo que gira em torno de valores sexistas, opressores e violentos. Essa sociedade, banhada em sangue, precisa se manter como está, e cala a boca de quem a questiona. Tudo pelo prazer de comer a carne morta com dor, da conivência com a violência institucionalizada, que começa em casa.

Para ver lixos violentos, sexistas ou pornográficos na TV e no celular todo mundo tem capacidade e acha o máximo, mas para ver um vídeo sobre a realidade que enfia na boca e ajuda a financiar, aí fica nervoso, fragilizado? Não. Esses materiais e outros são recursos pedagógicos, usado na dose certa, no momento certo, para a faixa etária correspondente. Não estamos lidando com retardados. E somos bons professores.

Justamente na Filosofia, onde deveria ser o local onde os alunos aprendem a questionar a vida, a ver a verdade sobre as coisas, essas pessoas, pais alienados, sociedade idiotizante, querem silenciar.

Existem diversos tipos de censura no Brasil, algumas vem de cima, outras estão bem aqui, dentro de cada uma dessas pessoas, ao redor de todos nós.

Leia a matéria completa sobre o que aconteceu aqui

terça-feira, 1 de julho de 2014

Se essa rua fosse minha - a estante pública estava viva

revista encontrada no lixo, a poucos metros da estante demolida
A educação brasileira falhou em não ensinar a compartilhar e a entender o conceito de público.

Hoje fui fazer minhas caminhadas e levar livros e materiais na estante pública, que encontro pelo caminho. Ela é uma das últimas que havia restado em Porto Alegre.
Mas, hoje eu encontrei isso. Ela foi demolida e em seu lugar foi construída uma parada de metal.
A minha estante, a sua e nossa estante morreu. Mas isso doeu mais em mim. Pois sei que boa parte dos vizinhos nem abriu a janela para ver o que aconteceu. Muitos estavam mesmo era preocupados com o fato de aquela árvore ser uma ameaça para a sagrada família que habita o lar de cada um. A parada de ônibus estava a meses sem lixeira, e ninguém ligou para pedir uma. Estranho... será que eu moro em outro país? Na frente da sua casa não tem lixeira pública e você não faz nada?
Eu levava uma sacola e juntava o lixo jogado na estante e levava nas lixeiras particulares (que ficam nas calçadas - públicas)...
Para aqueles que acham que penso mais nos livros que na árvore: Sim, acertaram. Gostaria de lembrar que há milhares de velhas árvores na cidade. Pobres, caem ou são obrigadas a cair por causa de um vizinho chato, ou por causa dessas chuvas fortes. Eu sempre liguei para pedir a reposição dessas Senhoras Gertrudes e sempre me atenderam em todas as vezes. E entendo disso porque sou da área. Me formei em Biologia e Botânica é meu forte.
A estante morta é um sintoma. Que neste país, as pessoas querem apenas VER. Mas ver de uma forma idiota. Ver o que não interessa. Ver sem entender, ver sem interpretar. Sem fazer uma leitura das coisas. Leitura, não é somente ler livros. Mas para quê explicar algo que neste país nem é ensinado em muitas escolas?
Um país dominado pela Televisão, por poucas famílias que dominam toda a comunicação em rádio de TV.
Na Internet, as pessoas acessam sempre o mesmo recurso. Não lembram mais o que é navegar. Você fala de um site, de uma leitura e a pessoa pergunta se tem ali, na mesma rede de sempre. Internet já virou sinônimo de rede social. Igual a TV. #medo.
Toda a América Latina lê muito mais que o nosso país.
Minha cidade tem essa característica: vizinhos que jamais abrem as janelas, não falam uns com os outros, não compartilham nada. Essa pose de superioridade, é falsa e está escancarada, dá vontade de rir.
Mais tarde, na velhice, os que agora estão com o nariz empinado, viram poços de carência, pois não amadureceram para a amizade.
Eu fiz amizade com uma pessoa no supermercado, ela perguntou o que era minha sacola. Contei a história da estante. Dei parte dos livros para ela.
Como aquela rua não é minha, cada um tem o lugar que merece. Na frente da minha casa tem a árvore que eu pedi para ser plantada e cuido. Eu estou doando toda a minha biblioteca. Já comecei a doar parte do material que tenho em inglês para um projeto de inglês nas favelas. O material sobre direitos humanos já tem rumo, vai para o MJDH. Sempre faço doações regularmente pois recebo muitos materiais do exterior e daqui também por conta de ser professora.
E vou seguindo com a estante pública.
Da minha estante particular, para os outros.
Esta foto mostra bem o padrão portoalegrense. Conheci uma pessoa que leu livros na estante, que deixou material lá e adorou a ideia. Conheci projetos semelhantes, conheci gente diferente desse padrão.
A atitude mais subversiva consiste em ser idealista, eu acredito no panfletário, nesta minoria com poder de maioria. A estante foi derrubada, porque a maioria  não se interessou por ela, mas nas ruas, a arte urbana tem muito a dizer. O desinteresse é muitas vezes uma inabilidade em saber o que fazer. Muita gente descia do ônibus, via a estante e nem sabia o que era. Eu explicava, as pessoas ficavam meio envergonhadas. Falhou a educação, as pessoas tem medo do público. O espaço público, para elas, pertence ao prefeito. A culpa é da presidente, o prefeito vai pagar, etc... é por isso que as pessoas torcem para o time, mas no outro dia esquecem do país.
Ellen Augusta

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Um bom dia aos professores!


É muito bom ser professor. Nossos alunos são filhos que nos deixam lembranças eternas. Agradeço aos bons professores que tive e parabenizo a todos os professores, educadores populares, voluntários, momentâneos, múltiplos e a todos que trabalham com a educação de uma forma ou de outra.
Gostaria que vissem um material que recebi e que trabalho com alunos sempre nos primeiros dias de aulas ou em momentos específicos. É uma coleção de vídeos sobre compaixão, bondade, educação e outros.
Este material foi preparado pela Fundação Para Uma Vida Melhor e é emocionante!
Para educadores, no exterior existe um kit com tradução para diversos idiomas! Os vídeos também estão no site.
Aproveite e passe adiante!
http://www.umavidamelhor.org/

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Exemplos de atividades educacionais sobre direitos animais e veganismo

Colégio da Região Metropolitana promove palestras sobre vegetarianismo

Nesta segunda-feira, dia 16 de junho, o Colégio Saint Germain, localizado em Sapucaia do Sul, Região Metropolitana de Porto Alegre, promoveu um ciclo de palestras e exibição de vídeos sobre vegetarianismo, para alunos de diversos níveis. A partir de uma iniciativa da professora de Biologia Ellen Augusta, que elaborou o tema Pecuária e Aquecimento Global, foi convidado o coordenador da SVB Poa - Sociedade Vegetariana Brasileira de Porto Alegre, Rafael Bán Jacobsen, que deu cinco palestras durante todo o dia. O objetivo foi despertar nos alunos do EJA - Educação para Jovens e Adultos - o questionamento frente aos hábitos alimentares do dia-a-dia, o tratamento dispensado aos animais destinados ao consumo, a bioética e, em especial, a destruição do meio ambiente, já que educandário havia proposto um projeto denominado Diversidade e Aquecimento Global. Estudantes de idades que variavam de 18 a 50 anos puderam assistir o documentário A Carne É Fraca, produzido pelo Instituto Nina Rosa, que liga a destruição de florestas e recursos naturais com a produção de carne, além de apresentar uma dolorosa verdade sobre a criação e abate de frangos e gado. Houve quem se emocionasse, e até mesmo deixasse o local. Em seguida, Jacobsen apresentava um painel sobre alimentação vegetariana, relacionando conceitos, respondendo perguntas e esclarecendo questões. "A atividade na escola foi bastante rica, sob vários aspectos. Com a exibição do vídeo e a palestra, além das atividades desenvolvidas pela professora Ellen, a grande maioria dos alunos teve seu primeiro contato com o vegetarianismo", comentou o palestrante. "Estou certo de que foi um primeiro e importante passo apresentar para tantos as vantagens da alimentação vegetariana para a saúde, a questão dos direitos animais e, é claro, o que era o foco central do projeto: o impacto de uma dieta centrada na carne sobre o meio ambiente".

Fotos: Ellen Augusta


Coordenador da SVB foi o responsável pelo ciclo de palestras na segunda-feira

Os alunos não esconderam a surpresa diante das informações trazidas pelo ministrante, e também pelo documentário, que não recebem a devida divulgação pela mídia. O resultado foi um perceptível volume de perguntas, com grande interação entre platéia e palestrante. "Foram perguntas dos mais variados tipos, mas que podem ser agrupadas em duas categorias: aquelas motivadas pelo desejo de saber mais e, talvez, mudar os hábitos, e aquelas defensivas, de quem ainda tentava salvar o hábito de comer carne com alguma possível justificativa", apontou Rafael Jacobsen.

Alunos trabalharam com o jornal Bem Estar, que trazia a matéria Uma Outra Verdade Inconveniente, sobre pecuária e aquecimento global Para a professora Ellen Augusta Valer de Freitas, o evento foi complementar a diversas questões levantadas em sala de aula. "É obrigação do profissional de Biologia, e também de outras áreas, informar que o hábito de comer carne contribui significativamente para as mudanças climáticas", explicou. Sendo ela própria vegetariana, e integrante do GAE - Grupo pela Abolição do Especismo, teve a satisfação de poder levar ao conhecimento dos estudantes uma realidade escondida atrás das propagandas e das paredes dos abatedouros. "Muitos alunos demonstraram interesse na dieta vegetariana, por compaixão aos animais, saúde e preocupação com o ambiente. Pediram receitas, cópias do vídeo para mostrar a amigos e materiais impressos. A educação-cidadã não deve ignorar fatos contundentes e convincentes, e exige a real transformação da realidade, sem promover a mera compilação de informações", conclui. * Marcio de Almeida Bueno, jornalista (Mtb 9669)

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Doação de livros para presídio agrícola

 Sempre fui contra os presídios, que sinalizam muito bem nossa hipocrisia e incompetência social. E apoio um modo de pagar a pena com trabalho, como é o caso deste presídio agrícola, o qual já fizemos doações de livros para sua biblioteca. Os presos têm acesso aos livros e têm aulas também.
 Recebi três caixas de material sobre drogas. Por conta de ser professora, acabo recebendo muita coisa. Muitos professores deixam os materiais em casa, acumulando pó e desatualização. Mas eu gosto de repassar tudo o que recebo ou aproveitar ao máximo nas minhas aulas. Pois tudo fica velho e devemos nos atualizar sempre.
 O material contém um livro do professor, vídeo, cartazes, e muitas caixinhas, uma espécie de kit com todas as drogas e informações sobre cada uma delas.
 Um lugar como um presídio é o local ideal para receber este material, que com certeza será aproveitado pelos professores e colaboradores do lugar.
 Essas são as caixas com livretos sobre todas as drogas. Já fizemos doação de livros para essa mesma instituição no ano passado. Recebemos até uma carta de agradecimento, com fotos dos trabalhos realizados lá. Acho importante o reconhecimento, pois tem lugares que fizemos doação e depois ficamos sabendo que os livros nem foram catalogados, ou foram jogados fora. É, no Brasil temos isso sim!
Então, não é fazer o bem sem olhar a quem e sim fazer o bem para quem irá aproveitar e semear o bem. A intenção aqui é fazer com que o bem se espalhe e não morra.
Para doar, abaixo está o endereço. Escolhi este, mas existem muitos locais precisando de materiais. E coisas como estas sempre são bem vindas.
Aliás, foi no Twitter que conheci essa opção para doação. Lá temos muitas notícias boas e links do bem.

Associação Justiça Social
Rua Des. Homero Mafra, 60
Enseada do Suá - Vitória/ES

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Educação Vegana

Educação Vegana - Leon Denis

Analfabetismo funcional animalista

20 de junho de 2011

Leon Denis - Professor de Filosofia da rede estadual de ensino do Estado de São Paulo, autor do projeto Arte Suave na escola e co-autor do projeto Mens sana in corpore sano, pioneiro no ensino de Direito Animal e Veganismo em escolas públicas no Brasil. Membro fundador da Sociedade Vegana, membro do conselho editorial da Pensata Animal – Revista de Direitos Animais, e pesquisador do núcleo de direitos animais do Laboratório de Estudos sobre a Intolerância da Universidade de São Paulo (LEI-USP).

Uma questão que há muito tempo vem me incomodando no movimento de defesa animal no Brasil é a falta de fundamentação teórica dos ativistas dos direitos animais. É impressionante o analfabetismo funcional animalista que os ativistas estão mergulhados. Para essas pessoas o que importa é agir, é tirar os animais não-humanos daquela situação de sofrimento imediatamente. Não conseguem entender que o que colocou os animais ali foi nada menos que 2.500 anos de Filosofia, Teologia e Ciência especistas.
Ação sem fundamento teórico, sem reflexão crítica, não passa de emotivismo. Os animais não-humanos precisam de muito mais que nossa compaixão, amor e atitudes no calor da emoção, eles precisam do nosso respeito.  É mais do que sabido os limites das visões do respeito por amor e compaixão na defesa dos direitos animais1.
O que falta para nossos ativistas é o que tinha de sobra nesses dois ativistas que pegarei como exemplo, mesmo sendo antagônicos.
Primeiro, Ernesto Che Guevara, que arisco afirmar ter sido o maior apologista da revolução armada, não só a defendia em palavras como foi para as vias de fato, ou seja, era um homem de ação no sentido mais amplo do termo, talvez o único homem que levou a sério o conceito de práxis marxiano. No entanto, era um leitor voraz dos principais teóricos do socialismo e do comunismo e, não menos das teorias sacralizadoras do deus capital. “Como líder da guerrilha em Sierra Maestra, Che dava aulas de alfabetização a seus recrutas camponeses, e ocasionalmente lia para eles, de fontes como Cervantes, Robert Louis Stevenson e a poesia de Pablo Neruda. Conta-se que ao retornar à sua barraca, lia Proust, Faulkner, Sartre e Milton. No Congo, dava aulas de francês e de swahili às tropas congolesas, além de aulas de “cultura geral”. Em Cuba, durante a revolução, Che ensinava seus “descamisados” a ler e escrever. E para aqueles que já possuíam a base da lecto-escrita (…) criou círculos de estudos”2 sobre a historia de Cuba, doutrina militar e marxismo. Conta-se que nos momentos de descanso da expedição no começo da campanha boliviana, Che trazia consigo “a Historia da Estória da Liberdade, de Benedeto Croce, a Revolução Permanente e A Historia da Revolução Russa, de Trotsky, e As Origens do Homem Americano, de Paul Rivet”3, e é possível que “tenha lido as memórias de guerras de Charles de Gaulle, ou as de Winston Churchill, bem como A Fenomenologia do Espírito de Hegel e alguma coisa de Diderot”4.
O segundo, Martin Luther King Jr., na esteira de Gandhi, um grande líder do ativismo pacifico, da ação não-violenta. No entanto, não só tinha uma bela formação acadêmica como também era um leitor voraz, recorria a autores de varias áreas para fortalecer sua pregação. Ao falar do período que conheceu King, Coretta Scott – futura esposa – diz que “sentiu-se atraída por aquele rapaz que debatia a doutrina de Gandhi e as filosofias de Thoreau e Hegel com a mesma facilidade com que ridicularizava as pretensões dos pregadores do rádio. Além disso, ele adorava ópera e jazz. E, embora já fizesse parte da elite acadêmica, queria cuidar dos problemas cotidianos de uma igreja negra do Sul”5. Perto de terminar sua tese de doutoramento sobre “Uma Comparação do conceito de Deus no Pensamento de Paul Tillich e Henry Nelson Wieman”, King, com apenas 25 anos, assume como pastor na igreja Batista da avenida Dexter em Montgomery, com o objetivo de fazer um bom trabalho, dedicava dois dias para a preparação dos sermões dominicais. “No inicio, seus sermões eram muito intelectualizados e um tanto áridos, mas, a medida que King foi conhecendo melhor os fieis, começou a dar maior atenção às teorias de seu pai quanto a pregação”6. King dinamizou suas pregações e seus “sermões fluíam sem nenhum esforço, sem nunca reduzir a platéia ao silêncio. O reverendo citava os maiores pensadores ocidentais e orientais, mas de um modo claro e ritmado, que pedia respostas, as quais vinham naturalmente seguindo o ritmo do próprio sermão”7.
Ambos os ativistas e militantes deixaram registrados através de seus escritos e discursos às multidões, a importância de uma boa fundamentação teórica. Foram homens da práxis, seja pela via pacifica cristã, seja pela luta armada ateia. Para Hosea Williams, “Martin Luther King Jr. é o maior batalhador do século XX”, para Sartre, Che era “o mais completo ser humano de nossa época”.
Essa questão do analfabetismo funcional Animalista me incomoda em demasia pelo simples fato de que vejo o educador vegano como um ativista. Não há lugar melhor para se fazer um ativismo pelos direitos animais que uma sala de aula. É aqui que a situação complica. O educador vegano não deve fundamentar sua pratica político-pedagógica apenas tendo a “Libertação Animal” do Singer e o “Jaulas Vazias” do Regan como base. São obras importantes, mas não bastam.
Uma reclamação comum que ouço é a de que não temos traduzidos para o português nem 3% da grande produção animalista de língua inglesa. E quem disse que eu preciso de 30%, 50% ou 100% da produção teórica animalista britânica e estadunidense? Meu caro educador vegano, quem tem Sônia T. Felipe, Bruno Muller, Luciano C. Cunha, Paula Brugger, Daniel B. Lourenço, entre outros, não precisa ficar refém dos companheiros do hemisfério norte. Se souber ler em inglês, ótimo, leia-os. Se não sabe, sem problemas, temos uma substancial literatura brasileira à disposição, pode ser pouca, mas com um forte conteúdo reflexivo. Volto a afirmar, a obra “Direitos dos Animais: Fundamentação e Novas Perspectivas” do professor Daniel B. Lourenço deve ser leitura de cabeceira do educador vegano.
Outra questão que não posso deixar de ressaltar é, com toda a produção filosófica, científica e jurídica nos países de língua inglesa sobre os direitos animais, eles não têm o que nos temos: educadores veganos que introduzem os direitos animais e sua fundamentação moral, o modo de vida vegano, nas escolas de nível fundamental e médio. O Brasil é pioneiro em educação vegana formal. Nosso país é o único lugar que alguns educadores veganos tiveram a coragem (característica essencial de um ativista) de romper com o currículo oficial (e oculto) especista e introduzir de modo sistemático um ensino antiespecista. Somos poucos? Sim. Mas, somos fortes. De onde vem essa força? Da teoria ética animalista. Leitura, leitura e mais leitura. Diálogo e mais diálogo com os pensadores desse movimento. Só seremos capazes de combater os argumentos, clichês e frases feitas especistas oriundos do capital cultural antropocêntrico, com a força de um raciocínio ético apurado, crítico e autocrítico.
O educador vegano, esse ativista da Ágora quadrada que é a sala de aula, tem o dever moral de se fundamentar teoricamente. O educador vegano precisa constantemente buscar seu aprimoramento espiritual através do desfazer as pregas, rugas, dobras e vincos morais tradicionais. As virtudes que devem nortear o educador vegano são: “discernimento, coerência, justiça, propósito existencial sincero de não-violência contra qualquer ser capaz de sofrer, coragem, serenidade, persistência, humildade, e… vontade sincera de aprender muito sobre a vida dos outros animais”8.
Isso significa que todo educador vegano precisa estudar Etologia? Sim, não só precisa, deve. E nutrição vegetariana, também. Ética animal e ambiental são simplesmente indispensáveis, conhecer a historia do especismo, dos direitos animais e do veganismo é uma obrigação. Todo educador vegano precisa ter consciência que sua ação político-pedagógica não é qualquer ativismo. É uma luta constante contra a epistemofobia e a livrofobia que está no DNA da maioria da população brasileira. Num país onde sua população tem como alimento espiritual futebol e novela, pouco ou nenhum valor tem os tratados de ética e sua aplicabilidade. Por isso a necessidade do projeto político-pedagógico vegano ser coerente, justo e corajoso; o que exige um propósito de vida do educador vegano consciente de que somente com muita persistência ele se efetivará. Dissertando sobre o comprometimento que o ato de ensinar exige o teórico da educação brasileira, Paulo Freire, diz:
“Minha presença de professor, que não pode passar despercebida dos alunos na classe e na escola, é uma presença em si política. Enquanto presença não posso ser uma omissão, mas um sujeito de opções. Devo revelar aos alunos a minha capacidade de analisar, de comparar, de avaliar, de decidir, de optar, de romper. Minha capacidade de fazer justiça, de não falhar à verdade. Ético, por isso mesmo, tem que ser o meu testemunho”9.
O educador vegano não pode se deixar acomodar, acreditando que só por ser vegano “já está bom demais”. O aprimoramento deve ser constante, ininterrupto. A aversão da maioria esmagadora dos ativistas ao maçante trabalho de debruçar sobre teorias éticas desenvolvidas durante séculos, não pode fazer parte da vida do educador vegano. É a preguiça intelectual que leva ao analfabetismo funcional animalista.
Notas:
1. CUNHA, Luciano C. Está tão na cara que é difícil de enxergar (parte VII). In: WWW.pensataanimal.net/
2. MCLAREN, Peter. A pedagogia de Che Guevara – Pedagogia crítica e globalização trinta anos depois de Che. In: Utopias Provisórias. Petrópolis, RJ: Vozes, 1999. p. 99-100.
3. Id. p. 100.
4. id. p. 100.
5. SHUKER, Nancy. Martin Luther King. São Paulo: Nova Cultural, 1985. p. 31-32.
6. Id. p.35.
7. Id. p.36.
8. FELIPE, Sônia T. Direitos Animais: desdobramentos das pregas morais. In: ANDRADE, Silvana (org.). Visão Abolicionista: ética e direitos animais. São Paulo: Libra três, 2010. p. 17.
9. FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 1996. p.98.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Selos de Portugal e José Saramago

 Adoro Portugal, também gosto de selos, Correios e tudo que remete a correspondência...
 Não coleciono selos, mas conheço quem colecionou a um tempo atrás e hoje nos cedeu sua coleção lindíssima para que a colocássemos à venda.
 Eu não me apego tanto no ter, mas sim no fotografar, registrar. Nestes tempos de câmera digital, internet, não há por que ter caixas de fotos, coleções de papel paradas e escondidas... Há que mostrarmos estas coisas lindas e históricas... É um "exibicionismo" saudável, mais ecológico e divertido.
 O dinheiro será revertido para coisas mais práticas. E ainda faremos o material circular por aí, nas mãos de quem realmente se interessa por este tipo de coleção. Professores, por exemplo: tive um professor que nos dava selos lindos quando tirávamos notas boas. Era de ciências. Hoje sou uma bióloga acho que graças às suas aulas.
 Comecei por Portugal, pela minha predileção pela terra portuguesa e suas belezas. Estou lendo no momento o livro "Todos os Nomes" de José Saramago e me identifico muito com suas histórias. O personagem José coleciona recortes de jornal de pessoas famosas. É um obsecado, que se depara com uma desconhecida e dirige sua vida a pesquisar sobre a vida dela. Ele trabalha na Conservatória Geral, cheia de papéis, burocracia e ordem. É um solitário e me identifiquei muito com ele, não sei porquê.
 Mais embaixo a descrição dos selos para os curiosos. Aqui as fotos de detalhes.
 Alguns fanzines eram pagos com selos, nas épocas onde não existia internet, celular...apenas os sonhadores que se mandavam suas poesias, contos, montagens, etc... Meu marido era fanzineiro, eu me correspondia com muita gente de fanzine, das fitas k7 demo, flier de bandas góticas, ai que tempos....
 Eu tinha uma caixa cheia de cartas, fitas, fliers, jornalecos, fanzines, fotos também... mas joguei tudo fora, na época não tinha câmera digital e conforme o tempo ia passando, aquilo ia fazendo parte do passado.
 Hoje temos os fanzines que meu marido recebeu, alguns de gente famosa hoje, que na época eram zé-ninguéns adolescentes...uma hora posto aqui.
Cartela com 4 selos comemorativo 5° centenário da subida ao trono de D. João II - Correio de Portugal, primeiro dia de circulação. Direto de Lisboa para colecionadores e amantes dessas obras de arte. O conjunto é composto por quatro selos juntos, com imagens de aviação. LubraPex 82 O selos: Vôo da amizade, TAP/PANAIR 1960; Travessia aérea do Atlântico Sul - 1922; TAP Air - Portugal 1974 e 1° travessia nocturna do Atlântico Sul - 1927.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Dia do Professor

Dedico este selo acima a todos os professores, pelo seu dia. É muito legal ser professora, embora já tenha pensado em não mais ser. Acabei voltando a dar aulas e por enquanto estou gostando muito.
Os alunos são como filhos, não importa a idade. Esta relação é algo muito importante e gratificante.
Abaixo o trabalho que fiz com meus alunos do ProJovem: Arte Postal
É legal lembrar de professores que marcaram nossa vida. Alguns nos direcionam, outros ensinam com exemplos, positivos e negativos.
Procuro ser o melhor possível pois sei da importância do que ensino, e mais ainda do exemplo e do caráter que é o mais importante de tudo.
Eu sempre ensinei Biologia, Ciências, Botânica no máximo jardinagem e paisagismo. Mas como amadora, na época de estudante já dei aulas particulares de matemática, português, genética e biologia molecular...ai!
O "lixo" que fizemos na hora, pois na sala não havia lixeira.
Aprendi com o professor Jackson Müller, sobre a importância da "terapia de choque" na educação, a força da imagem ao vivo, do exemplo, da prática em sala de aula e fora dela. E com um professor de antropologia (Arno), numa visita ao lixão da minha cidade, aprendi o que é a terapia de choque na prática. A gente muda, nunca mais esquece o que vê.
É por isso que valorizo e ensino sobre a defesa dos animais na educação, mostrando quando possível, vídeos sobre a situação dos animais no mundo, o tráfico de animais, o uso de animais como coisa, como comida, como brinquedos, etc.
Cada aluno fez no mínimo 2 cartas, uma para alguém de sua família, uma para seu colega de aula.
estes trabalhos foram inéditos para mim. Nunca havia pensado em fazer arte postal, embora soubesse da existência dessa modalidade que circula pelo mundo e inspira muita gente.
Anotei o endereço dos meus alunos para mandar postais para eles. Sou fã de cartas, é algo muito nostalgico e bonito.















Os trabalhos serão expostos na aula inaugural do ProJovem no dia 20 de outubro.
Palestra dos Bombeiros sobre segurança do trabalho, minha aluna experimentando os equipamentos de segurança do corpo de bombeiros.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...