Enquanto trabalhei como professora, falei abertamente sobre veganismo para meus alunos, adultos e adolescentes. Agora cansei e dei uma parada. Mas vou voltar, quando estiver afim, e vamos ver qual é!
Considero obrigação do biólogo e dos professores de qualquer área, informar sobre os impactos da criação de animais para consumo e as implicações éticas dessa merda que as pessoas fazem com estes seres, que não são nossa propriedade.
Nunca fui questionada pelos meus diretores. Sim, havia professores invejosos, ficava sabendo das fofocas. Sim, faziam cara feia. Havia alunos que não gostavam. Ninguém nunca está satisfeito, bem vindo ao mundo. Nem ligava para isso, na verdade me divertia com isso. Adoro. Mas eu recebia elogios pelo meu trabalho. Tenho certeza de que foi um bom trabalho.
Mas, hoje, o veganismo está crescendo. E os educadores veganos, estão começando a incomodar.
Um professor vegano foi proibido de lecionar por três anos em Minas Gerais, por ensinar sobre direitos animais em sala de aula.
Já escrevi crônicas e ensaio participando de livros com ele. É um professor de Filosofia admirável, desses que gostaria de ter. Ele chama-se Leon Denis: Aqui estão seus artigos sobre educação
Pois das aulas de Filosofia que tive no meu Segundo Grau, não me lembro de nada. Perdão, professores que tive, mas, se estiverem lendo este blog, é isso mesmo. Fui ler filosofia depois, e com os podres ou os bons, os escritores obscuros e os alternativos que escrevem do jeito que querem e como querem.
Hoje, ser bom professor na opinião dessa gentinha, é cumprir o papel. É falar do mesmo, é ser como sempre foi. Desde o tempo em que eu estudava no colégio e faculdade, nada mudou. Aqueles professores idiotas que tive, que não sabiam a diferença entre eu, que era inteligente (e hoje sou mais, bem mais inteligente que naquela época), e a nulidade ao meu lado. Um ou dois professores bons que tive tinham que se cuidar para não serem expulsos da escola. E no Primeiro Grau tive um professor que foi expulso da escola porque estava entre um monte de mulheres (professorinhas de merda) que não estavam habituadas a conviver com um professor, ou seja, por ele ser homem. Pode crer, eu vivi para ver isso. E nem entro em detalhes aqui, pois hoje mais adulta, sei que só pode ser por isso e, quero que aquela gente se exploda.
Enquanto lecionei nas escolas e projetos com adultos e adolescentes passei documentários como Terráqueos, A carne é fraca, Não Matarás, e fiz trabalhos com meus alunos, chamei palestrantes de grupos ativistas, tudo quanto fosse didático e pudesse chamar a atenção para um conteúdo atual e necessário para o conhecimento dos alunos. E isso não agride ninguém. Ao contrário, muito interesse surgiu.
O professor Leon Denis, como filósofo, questiona e ensina os alunos a olhar o mundo que gira em torno de valores sexistas, opressores e violentos. Essa sociedade, banhada em sangue, precisa se manter como está, e cala a boca de quem a questiona. Tudo pelo prazer de comer a carne morta com dor, da conivência com a violência institucionalizada, que começa em casa.
Para ver lixos violentos, sexistas ou pornográficos na TV e no celular todo mundo tem capacidade e acha o máximo, mas para ver um vídeo sobre a realidade que enfia na boca e ajuda a financiar, aí fica nervoso, fragilizado? Não. Esses materiais e outros são recursos pedagógicos, usado na dose certa, no momento certo, para a faixa etária correspondente. Não estamos lidando com retardados. E somos bons professores.
Justamente na Filosofia, onde deveria ser o local onde os alunos aprendem a questionar a vida, a ver a verdade sobre as coisas, essas pessoas, pais alienados, sociedade idiotizante, querem silenciar.
Existem diversos tipos de censura no Brasil, algumas vem de cima, outras estão bem aqui, dentro de cada uma dessas pessoas, ao redor de todos nós.
Leia a matéria completa sobre o que aconteceu aqui
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quarta-feira, 21 de outubro de 2015
quinta-feira, 9 de julho de 2015
Uma voz sozinha, por jaulas vazias
Hoje eu falei para muitos biólogos. Mas eu estava só.
Embora como professora seja ótima para falar, sou tímida para falar em público. Mas o que eu tinha a dizer, só eu diria.
Embora como professora seja ótima para falar, sou tímida para falar em público. Mas o que eu tinha a dizer, só eu diria.
O tema do debate era o futuro do Zoológico da região metropolitana do Estado do Rio Grande do Sul.
O temor que gira entre o público e o privado ante o mistério do que será feito com os funcionários e trâmites gerais sobre o Zoológico, que pertence à Fundação Zoobotânica.
O que se disse no início da reunião é que ela se dava sob o ponto de vista dos animais, mas não foi o que percebi.
O que mais aconteceu eram elogios ao bom trabalho até então realizado pelos funcionários do Zoo.
As imagens passadas no telão me causavam tudo, revolta, asco, tristeza. Mas a intenção era mostrar o quão lindo são os animais e o trabalho educacional/resgate/conservação e manejo genético de espécies.
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| 22 imagens de animais enlouquecendo em zoos pelo mundo - sou contra todas as jaulas, inclusive para humanos. O comportamento de olhar para parede indica algo como perturbação, loucura. |
Essa mania de aprimorar genes, colecionar animais, troca troca de figurinhas (animais), emprestar, importar (como aconteceu com a girafa que tanto tivemos que lutar para impedir), garantir, aprisionar, colocá-los em uma jaula com piso de cimento e depois chamar tudo isso de tratamento adequado, é romanceado pelos meus colegas biólogos, presentes em massa neste evento.
Na platéia, onde eu estava, havia veterinários, biólogos, professores e defensores de animais. Atrás de mim, dois babacas falando de carne sem parar, como quem fala de partes do corpo de uma mulher, e elogiando grandes empresas de frigoríficos.
Ao meu lado um grande professor que tive, cuja frase levo até hoje em minha vida. Numa aula, disse que o biólogo deve estar no ambiente urbano, onde os problemas começam, e não lá longe, no meio do mato. Nunca mais esqueci disso.
Depois fui chamada à mesa para falar de algo "diferente": fechar essas jaulas e abrir santuários, tendência no Exterior. Aqui ainda se discute para quem se passa a chave da cadeia.
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| ISSO é tão ultrajante, que parece uma irônica instalação de arte, um absurdo, uma brincadeira de mau caratismo. |
Temos que aprender a não olhar para os animais como objetos.
A educação vegana respeita-os e os considera íntegros em seus próprios ambientes. Os animais resgatados precisam de santuários, longe da vista nociva do humano.
Os professores, e eu tenho mais de dez anos de prática didática sem essa bobagem, que se virem para encontrar formas mais interessantes e menos opressoras de educação.
Aprendam a respeitar, antes de olhar. E não é preciso ver o que não é daqui.
Nunca vi os seres vivos das Zonas Abissais do Pacífico, e minha erudição não ficou comprometida. Mas o mesmo não posso dizer de tantos outros que vivem fazendo churrascada e bebendo no parque zoológico como pretexto de ver os animais.
Em vez daquelas reuniões enfadonhas de professores, por que não refrescar a didática nesse sentido meus caros colegas?
Faltam propostas efetivas pois ainda se usam os mesmos métodos a séculos, ensinando as crianças a serem especistas e criando-se a cultura da jaula, da exploração, do uso dos animais como artefato, como diversão, e como se fosse obrigação deles estarem ali, como objeto de nosso estudo.
Não são. Eles não tem interesse em estar ali. Não querem nossa presença e não há nenhum benefício para os animais na visitação humana. Por isso é necessário a criação de santuários para a sua proteção e não para nosso deleite visual nem científico.
O fato de um determinado lugar que sim, permite a visitação de humanos, ser "modelo", não significa que ele seja ético. Os animais precisam ser deixados em paz. Chega da intervenção humana em demasia. Eles precisam dos cuidados básicos, do resgate, da reintegração, na medida do possível. Mas, dado isso, basta!
Basta dessa coisa de horda de pessoas enchendo o saco, visitas sem fim, sob pretextos mil. Uma vez na vida deixe-os em paz e em silêncio.
O curioso é constatar o romantismo dos meus colegas, pois é sempre a mesma conversa, ninguém sai do jargão. Todos estavam mais interessados é em seus empregos. Nunca há um outro questionamento. E eu me senti orgulhosa de mim, por estar aqui, e não lá, no meio deles.
Por ter falado contra a corrente a única coisa que importava, por ter dito o que ninguém provavelmente queria, ou esperava ouvir. E o que falei é algo baseado em bibliografia e em princípios filosóficos. Pois muitos pensam que, por usar jaleco, ser especialista em qualquer coisa ou ter doutorado, sabem mais. Nem sempre. Fiquei orgulhosa por saber intimamente, que, mesmo sendo voto vencido, eu estava ali para marcar presença e ser o que realmente sou: justa comigo e com os animais. Sou bióloga de verdade pois sigo meu juramento.
Ps.: No momento que você compactua com o troca troca de figurinhas entre os zoológicos, saiba que está compactuando com a perpetuação disso: Fotos chocantes do “Zoológico da Morte”, na Indonésia, evidenciam os horrores sofridos pelos animais
http://www.anda.jor.br/30/05/2014/fotos-chocantes-zoologico-morte-indonesia-evidenciam-horrores-sofridos-animais
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quarta-feira, 15 de outubro de 2014
Seu Madruga professor e o educador que todos nós somos
Os tipos de professores que somos
Quem não gostaria de ter um profE como o Seu Magruga, neste episódio?
Don Ramón mostra toda sua experiência de vida, sua malandragem, e seu saber, nos poucos minutos de aula, enquanto o professor Girafales precisa sair.
Porém o professor Linguiça tem seu método de aula e eu não considero enfadonho. É apenas seu jeito.
Não acho que um professor deva ser um show, um apresentador. Isso acabou virando moda por causa dos cursinhos de pré-vestibular.
Eu não aprendi nada com esses cursinhos. Só vi palhaços na minha frente. Não considero bom professor, o sujeito que vive cheio de sorrisos, ou o simpaticão, ou a amigona. Nao! Ao contrário. A vida já me ensinou muito bem que quem vive de sorrisos nem sempre está verdadeiramente feliz.
O bom professor é autêntico. Ele é o que é. Não dá nada de graça e nos ensina a buscar. E se não conseguimos, nos auxilia, empresta sua mão.
Por isso este episódio é tão sensível. Os dois professores estão aí, para alunos torpes, um é o clássico, o outro é o simplório. Chaves não tem os pais para levá-lo até a sala de aula.
E Chespirito tem alma para criticar como é idiota esse cartesianismo escolar, que obriga, todo dia das mães, todo dia dos pais, todo dia santo, enquadrar crianças que não tem mãe, não tem pai, não tem crença, nestes moldes cretinos. E lá vai Chavito, sozinho, com fome, sem incentivo de ninguém, estudar. Quem? nunca? esteve no lugar? E se você estudou sempre em escolas douradas, acorde para a realidade de países da América Latina, onde se lê mais que no Brasil, e há crianças pobres, com fome e dificuldades. As escolas públicas podem ter lá suas dificuldades, mas nem sempre são tão horríveis como costuma pensar a classe média. Existem sim, bons professores, bons projetos, livros, empolgação e cultura nestes lugares. Eu sempre estudei em escolas públicas. Tenho sim más lembranças de professores medíocres, ok. Nada que depois não tenha encontrado no particular aos montes. Mas ali, no ambiente público, encontrei preciosos mestres, muito conteúdo, livros, bibliotecas e gente disposta também. Comi merenda, não tinha vergonha. E tinha proteína de soja. Ninguém sabia o que era. E não tinha frescura. Então, para quem é pobre, não fique naquela tristeza de não poder pagar uma escola particular. Entre numa escola pública e participe dela. Existe gente boa por lá.
Para meus leitores, para nós professores, e para todos nós eternos alunos, deixo estes episódios do Chaves, em Espanhol, que é para treinar outro idioma. Depois façam o exercício do pensar e lembrem de seus professores, todos nós temos alguns, dentro do coração.
Quem não gostaria de ter um profE como o Seu Magruga, neste episódio?
Don Ramón mostra toda sua experiência de vida, sua malandragem, e seu saber, nos poucos minutos de aula, enquanto o professor Girafales precisa sair.
Porém o professor Linguiça tem seu método de aula e eu não considero enfadonho. É apenas seu jeito.
Não acho que um professor deva ser um show, um apresentador. Isso acabou virando moda por causa dos cursinhos de pré-vestibular.
Eu não aprendi nada com esses cursinhos. Só vi palhaços na minha frente. Não considero bom professor, o sujeito que vive cheio de sorrisos, ou o simpaticão, ou a amigona. Nao! Ao contrário. A vida já me ensinou muito bem que quem vive de sorrisos nem sempre está verdadeiramente feliz.
O bom professor é autêntico. Ele é o que é. Não dá nada de graça e nos ensina a buscar. E se não conseguimos, nos auxilia, empresta sua mão.
Por isso este episódio é tão sensível. Os dois professores estão aí, para alunos torpes, um é o clássico, o outro é o simplório. Chaves não tem os pais para levá-lo até a sala de aula.
E Chespirito tem alma para criticar como é idiota esse cartesianismo escolar, que obriga, todo dia das mães, todo dia dos pais, todo dia santo, enquadrar crianças que não tem mãe, não tem pai, não tem crença, nestes moldes cretinos. E lá vai Chavito, sozinho, com fome, sem incentivo de ninguém, estudar. Quem? nunca? esteve no lugar? E se você estudou sempre em escolas douradas, acorde para a realidade de países da América Latina, onde se lê mais que no Brasil, e há crianças pobres, com fome e dificuldades. As escolas públicas podem ter lá suas dificuldades, mas nem sempre são tão horríveis como costuma pensar a classe média. Existem sim, bons professores, bons projetos, livros, empolgação e cultura nestes lugares. Eu sempre estudei em escolas públicas. Tenho sim más lembranças de professores medíocres, ok. Nada que depois não tenha encontrado no particular aos montes. Mas ali, no ambiente público, encontrei preciosos mestres, muito conteúdo, livros, bibliotecas e gente disposta também. Comi merenda, não tinha vergonha. E tinha proteína de soja. Ninguém sabia o que era. E não tinha frescura. Então, para quem é pobre, não fique naquela tristeza de não poder pagar uma escola particular. Entre numa escola pública e participe dela. Existe gente boa por lá.
Para meus leitores, para nós professores, e para todos nós eternos alunos, deixo estes episódios do Chaves, em Espanhol, que é para treinar outro idioma. Depois façam o exercício do pensar e lembrem de seus professores, todos nós temos alguns, dentro do coração.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
A terapia de choque na educação –parte 1
Ellen Augusta Valer de Freitas
Minha experiência como professora nos seis anos em que trabalhei com jovens e adultos de uma escola particular, mostram que alunos nessa faixa etária aceitam muito bem novas idéias, querem conhecimento novo e fresco, atualizado e contextualizado.
Trabalhei durante esse tempo com turmas de adultos que chegam cansados dos seus trabalhos e vão direto para a sala de aula. Apresentei a eles o vegetarianismo, a realidade da alimentação convencional, com todas as suas críticas e pontos positivos. Fiz seminários e mostras de filmes. Trabalhos focados no interesse deles. Muitos dos alunos eram interessados na “alimentação saudável”, alguns queriam saber sobre os animais.
Na faculdade, um dos raros professores que me inspirava a ficar até o último minuto na aula, dizia que todo aluno deve passar por uma “terapia de choque”, o choque com a realidade que ele não conhece. Somente assim é que ele pode aprender, ou pelo menos nunca mais esquecer. Eu fui uma das alunas que nunca mais esqueceu estas palavras, e lembro bem das inúmeras vezes em sala de aula que eu mesma me deparei com algo “chocante” demais, real demais, mas que era a nossa realidade sórdida.
A minha primeira pesquisa num lixão, para a cadeira de Antropologia na faculdade, foi um destes choques. Embora eu tivesse lido os livros mais revolucionários para minha idade, ainda desconhecia o paradeiro do lixo, depois que o descartamos. Foi algo que mudou minha vida e a forma como lido com isto.
O fato do aluno deparar-se com o novo, com o polêmico, pode incomodar as pessoas mais conservadoras e até mesmo aqueles que pouco sabem de sua área para poder arriscar em assuntos mais interdisciplinares, como muitas vezes já ocorreu. É um grande risco falar de temas que envolvem grandes assuntos, interesses econômicos e os sentimentos das pessoas. O vegetarianismo é um tema assim. Incomoda por ter quase zero de contra argumentos, é muito fácil argumentar a favor do vegetarianismo abordando a compaixão, a moral, a saúde humana e do planeta. Difícil é achar contra-argumentos.
Abordei diversos assuntos sempre incorporado ao cronograma da escola, sempre misturado aos conhecimentos da Biologia, esta ciência lindíssima, que basicamente está baseada nas idéias de Darwin. E posso garantir que as aulas ficam muito interessantes assim.
Não podemos ter a certeza de que aqueles alunos vão mudar seu estilo de vida. Assim como muitas coisas que ouvi de professores e que mudaram minha vida, não posso saber se tiveram o mesmo efeito nos meus colegas. Pois a mente humana tem muitas defesas, mas o professor tem obrigação de apresentar a verdade. Ou pelo menos o que não é exposto pela grande mídia, pelos interesses das grandes corporações.
Se pelo menos a reflexão do momento é boa, podemos ter esperança numa mudança gradual. Melhor do que nada, ou do que a mesmice que não muda a realidade.
Na próxima coluna, mostrarei alguns trabalhos apresentados e a reação dos alunos diante de coisas que eles jamais sabiam que poderiam existir.
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Ellen Augusta Valer de Freitas,
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