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sábado, 18 de março de 2017

Por que você ainda usa produtos testados em animais?

DESOBEDIÊNCIA VEGANA - ELLEN AUGUSTA VALER DE FREITAS

Por que você ainda usa produtos testados em animais?

Artigo publicado na ANDA - Agência de notícias de direitos animais
na minha coluna Desobediência Vegana


Os efeitos da publicidade sobre nossas escolhas são perceptíveis, mas nem sempre são óbvios. Não é somente no ato da aquisição que estamos sucumbindo à influência da mídia, mas muitas vezes junto com o produto compramos ideias, atitudes e não raro há quem defenda-as como parte de sua própria identidade.

No mercado existem o que é chamada de marcas líderes, que geralmente investem em propaganda pesada, tentando transmitir uma ideia de que aquele produto é o melhor de todos, já que está no topo das vendas e das marcas mais pensadas pela população.

O vegano não é um consumidor comum, que come o que sua família lhe impõe pois aprendeu que aquilo era o padrão e segue repetindo o que pai e mãe ensinaram nos primeiros anos de idade até a velhice, sem nunca refletir.

O vegano escolhe o que irá comer, o que irá vestir e até mesmo como irá se expressar, com consciência e atitude política.
Não só é um consumidor ativo do mercado formal, como também cria sua própria alimentação e produtos, inventa pratos novos, adapta receitas velhas ao olhar novo.

Ao tornar-se vegana, uma pessoa começa a tarefa de fazer a leitura de rótulos dos produtos que irá consumir.

No começo, tarefa árdua, depois até divertida.

É preciso ler os conteúdos/ingredientes dos produtos para saber se há elementos de origem animal como carnes, ovos, leite, seda, extrato de pérola etc. E também saber se aquela empresa realiza testes em animais.

As listas de empresas que realizam testes em animais são muito fluidas, mudam constantemente. Devido a contratos, muitas empresas unem-se a outras que testam, unindo capital e potencial.

O boicote é uma das armas do ativista vegano. Não podemos nos deixar levar por impulsos consumistas de pegar a marca mais famosa, mais fácil na prateleira. Marcas essas que muitas vezes são romantizadas pelos próprios ativistas como fundamentais. Difícil entender porquê uma pessoa precisa pagar pau para um determinado produto, se não receberá nada por isso.

E as discussões em defesa de marcas que testam em animais e ainda contém elementos de origem animal beiram o ridículo. As pessoas defendem abertamente nas redes sociais produtos fúteis como bolachinha recheada, coisas absolutamente desnecessárias e com muitas opções na concorrência que não realizam testes e possuem ingredientes veganos. Aparentemente é impossível entender o porquê de tamanha ignorância, mas pensando mais profundamente, percebe-se a grande influência da propaganda na mente de pessoas manipuláveis e sem senso crítico.

Quando você ouvir aquele otário que repete sem parar “I love bacon” para provocar os veganos, não fique com raiva. Ele é apenas um idiota manipulado por algo que aconteceu há décadas atrás, mas como é um imbecil, jamais irá na origem para saber por que ele precisa tanto se auto afirmar através de uma provocação meio retardada, uma frase clichê.

A Revista Galileu publicou estes tempos uma matéria muito interessante intitulada: ‘A “moda do bacon” foi orquestrada pela indústria de carne de porco nos EUA’

Foram as grandes indústrias que fizeram as famílias acreditarem que era saudável comer ovos e bacon no café da manhã. Até hoje há matérias no Google, falsas, sobre a dieta do bacon para emagrecer.

Edward Bernays, sobrinho de Freud, é conhecido como o pai das Relações Públicas e Publicidade/Propaganda modernas e ajudou a inculcar na cabeça das pessoas, que este ‘alimento’ era necessário.

Nos últimos dez anos, a propaganda massificada a favor do bacon fez as pessoas acreditarem que esse é um alimento indispensável na alimentação.

E não é. Carne de animais são completamente desnecessárias e não apenas em termos de saúde ou sabor. A maior razão para não comer animais é que eles são indivíduos que possuem dignidade. Eles não são objetos.

Mas e quando o sujeito é “vegano” e mesmo assim insiste em usar produtos testados em animais? Como entender esse paradoxo? Os testes realizados em animais são tão cruéis, exploratórios e degradantes quanto a morte e exploração de animais para consumo. As cobaias são mantidas de formas inimagináveis (há ampla literatura e fotos sobre o assunto), sendo usadas como objetos de pesquisa, de testes de produtos dos mais variados tipos, para depois serem descartadas e mortas, assim como o animal que vai para o abatedouro. Então, o que há de vegano em parar de consumir animais mas seguir usando produtos testados? Não há nada.

Está na hora de ter um pouco mais de senso crítico antes de comprar produtos testados. Procure saber como são os testes. A maior parte dos veganos deve saber, suponho. Portanto, relembre. E reassuma o compromisso com os animais. São testes doloridos, cruéis, e mesmo os que porventura não o são, exploram a vida, a dignidade do animal, que não pediu para estar ali, à disposição dessa praga, chamada humanidade.
fontes
Livro Propaganda, de Edward Bernays
http://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2014/10/moda-do-bacon-foi-orquestrada-pela-industria-de-carne-de-porco-nos-eua.html
http://www.viajonarios.com.br/como-ovos-e-bacon-se-tornaram-o-cafe-da-manha-americano/

terça-feira, 8 de março de 2016

Asas negras cores fortes

Perdi o medo de voar.
Na poesia sobre o mar, precisava morrer para encontrá-lo.
Essa morte para uma vida, um sufoco. Eu precisava de ar.
E ansiava por encontrar o mar.
Eu desejei tanto viajar, no fundo da alma só pensei nisso o tempo todo. Até que enfim, uma bela e amigável oportunidade surgiu.
E ver o mundo do alto novamente foi tão emocionante, pena que durou tão pouco tempo...
Quando cheguei à praia, o que aconteceu foi que eu vivi completamente o presente.
Algo que não andava fazendo, estava sempre distraída, longe daqui. Mas na praia não. Neste lugar, não havia tempo para fugir, eu estava sempre ali, focada em cada detalhe lindo da natureza.
Eu não tive tempo nem de pensar, pois diante da beleza o pensamento desaparece, tudo some, e existe apenas aquela paisagem perturbadora, a me chamar...
Incrível como aqui onde eu moro, existem tantas distrações, o celular principalmente, é como uma armadilha que carrego no bolso.
Mas lá meu tempo era apenas viver. Eu curti tanto cada passo que dei, mesmo que em determinados momentos algo antigo em mim voltava: o medo.
Medo de me perder, medo de esquecer essas memórias que carrego comigo, medo de não querer mais voltar.
E aqueles pensamentos mórbidos que me acompanham, sumiram simplesmente. O mar causa isso em mim: uma vontade de viver.
Diante do Oceano, daquela paisagem tão perfeita, eu senti como há muito tempo não sentia, uma vontade incrível de estar viva. E refleti, me perguntei, onde estavam aqueles pensamentos de morte, aquele meu dom para desejar tanto sumir da Terra quase que por encanto.
Esses pensamentos se calaram, entraram em férias, saíram das minhas férias... me deixaram em paz.
Para mim, pelo menos, é fácil amar a vida ao ver o mar e o céu em conjunto. Ao ver a Natureza exposta como uma ferida, para que se admire a vida que existe ali.
Eu presenciei um temporal magnífico, o mar ficando escuro, também a névoa branca que está sempre em meus sonhos...
 Não há nada mais lindo que o mar à noite, a névoa gelada cobrindo a areia, nossos passos sempre acompanhados por um fantasma amigo: um cão amigo que nos acompanhou enquanto nos perdemos.
 Quero voltar, tão logo puder. Meu desejo por viver só se renova aqui.
No último dia em que estava na Praia do Maço, um homem que estava por lá nos parou e disse:
"É possível levar consigo as emoções q se sentiu aqui."
Eu fiquei tão emocionada com essa frase que estou gravando ela aqui, e tentando reproduzir neste blog um pouco do que eu senti lá.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Feliz Natal, pobre animal

Ao ver um cachorro rasgando uma sacola de lixo para conseguir pegar um osso, como não sentir nojo, repulsa, asco,

do animal humano?

Essa foi a cena que desagradou meu dia, e que trouxe lá do fundo do meu ser, a velha desesperança.

A mesma que ora enterro, ora vem à tona, conforme o dia lá fora, ou a minha disposição interior.
Eles perderam o rumo - domesticados, escravizados - e vagam pelas ruas, a procura de comida, abrigo e carinho. Era de nossa responsabilidade, o afeto e proteção. Hoje, é preciso permitir a liberdade aos animais. Devolver, deixar-lhes a paz, e antes disso, como numa guerra, lhes dar o mínimo necessário, comida, remédios e amor. Mas o que se faz, é o pouco, que não conseguimos sequer fazer a nós mesmos ou o muito, a maldade reflexa.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Feministas Emancipadas e Feministas Ressentidas

Um artigo de Bruno Frederico Müller

"Aquele que vive para combater um inimigo tem interesse na continuidade de sua existência"
Friedrich Nietzsche

PREÂMBULO

Sempre foi minha política não me envolver em debates feministas. Por três motivos. Primeiro, porque como homem, provavelmente não seria bem-vindo e talvez eu mesmo não me sentiria à vontade. Segundo, porque o feminismo tem várias vertentes, e assumir uma posição apenas significaria sair queimado e chamuscado com o rótulo de "machista" pelas outras vertentes diferentes daquela à qual eu me alinhasse. Terceiro porque tenho aquele péssimo hábito do... pensamento crítico. Nunca compro NENHUMA teoria na sua integralidade, e não sem antes analisá-la minuciosamente, microscopicamente, em todos os seus detalhes.
Pois bem. Meu silêncio se encerra agora. Não é do meu feitio acovardar-me por muito tempo, e quem me julgar a partir deste texto estará dizendo mais sobre si do que sobre mim. "Conhece-te a ti mesmo". Eu sei quem sou e não vai ser um ente exterior que vai me colar o rótulo de machista - não sem um excelente arcabouço teórico e muitas evidências para sustentá-lo.
Enfim, depois da publicação da minha TRILOGIA MALDITA, que sequer era endereçada particularmente a elas, eu me vi sendo atacado por feministas virulentas me chamando não só de machista, mas de racista e até explorador de animais. Eu ri. Ri, e refleti. Pois graças aos meus textos também conheci ou estreitei laços com feministas que concordavam com eles e não se sentiram ofendidas na sua feminilidade.

E eu, como estou numa onda criativa de deduzir hipóteses mágicas que se corroboram a si mesmas sem qualquer esforço do investigador (eu), decidi forçar um pouco a minha sorte e formular mais uma hipótese.

Há dois tipos de feministas: as feministas emancipadas, e as feministas ressentidas.

FEMINISTAS EMANCIPADAS

As feministas emancipadas* são aquelas que não veem os homens como inimigos. Elas combatem o machismo como um fenômeno social, mas não guardam mágoas nem cobram "dívidas históricas". Elas sabem que a cor da pele e os genitais não ditam o caráter e as ideias de uma pessoa. Elas mantêm relações estreitas com indivíduos de todos os gêneros, e mantêm amizades e até relações íntimas e saudáveis com indivíduos do sexo masculino, sempre em relação de parceria. Elas buscam um diálogo construtivo. Elas olham para o futuro, o futuro sem discriminações, e não para o passado que não pode ser mudado.

No concernente aos animais, as feministas emancipadas de modo algum se sentem diminuídas quando expostas ao sofrimento, tortura e morte de fêmeas de outras espécies. Porque, emancipadas que são, elas têm aquela sensibilidade, aquela solidariedade que leva a desejar que sua condição livre seja a de a todos os outros seres - como dizia Simone de Beauvoir, com a exceção desta restringir-se à espécie humana. Elas entendem que a liberdade é mais do que uma necessidade de quem está acorrentado ou enjaulado - é, como dizia Jean-Paul Sartre, a própria condição do ser; de novo, com a exceção deste restringir-se à espécie humana. Assim, elas querem a liberdade animal tanto quanto a de si mesmas, quanto de seus irmãos e irmãs de jornada. Elas não querem reverter a ordem - elas querem subvertê-la.
Se amanhã, por mágica, o machismo desaparecesse, as feministas emancipadas se veriam felizes, realizadas, plenas. Sua energia criativa floresceria e voltar-se-ia para outras formas de ação ou diálogo construtivo.

FEMINISTAS RESSENTIDAS

As feministas ressentidas**, por outro lado, não conseguem conceber-se senão como vítimas de um sistema patriarcal opressivo. Elas não se percebem portadoras daquilo que Sartre denominava de "liberdade ontológica". Elas negam a própria liberdade e, assim, incorrem no que o mesmo pensador denominava de "má-fé" - pois podemos negar nossa liberdade, mas jamais renunciar a ela. Em outras palavras, elas ESCOLHEM se postar no papel de vítimas. Por mais que tenhamos efetivamente sofrido na vida, temos a liberdade de usar a dor de forma construtiva ou destrutiva, de modo que nos fortaleça ou nos torne ainda mais vulneráveis. Em outras palavras: emancipação ou vitimização.

Vítimas que são, as ressentidas odeiam seus opressores com todas as forças possíveis. E projetam seu ódio no opressor - denominando os homens de misóginos. É claro que existe misoginia - como existe misandria, o que muitas delas negam. Mas será que o ódio às mulheres está tão amplamente disseminada na sociedade (lembrando que machismo e misoginia não são intercambiáveis, e o segundo é provavelmente mais grave)? Ou será que a simples divergência perante conceitos e práticas das feministas ressentidas pode levar um homem a ser acusado de misoginia? Eu arrisco dizer que a misoginia (diferente do machismo), a despeito do perigo que representa às mulheres, está restrita a uma minoria dos homens. Digressões à espera de pesquisas que elucidem a questão...

Retomando: elas odeiam os homens e tudo que eles representam. O homem opressor. O falo opressor. Todo homem como potencial estuprador. E logo disseminam conceitos como "toda penetração é um estupro". Castração e puritanismo estão sempre à espreita no horizonte de uma feminista ressentida. A amizade ou intimidade torna-se problemática e disfuncional. E, suspeito eu, dificilmente em parceria, mas em condições de dominação de uma das partes.

Elas enxergam tudo como uma relação de poder, e não veem outra alternativa senão reverter tal correlação de forças - de modo que o diálogo igualitário com qualquer indivíduo do sexo masculino é inviável. Ou eles aceitam o debate nos termos por elas ditados, ou eles serão escorraçados e para sempre estigmatizados com o rótulo de "machista" e/ou "misógino". Aliás, consegue a feminista ressentida conceber qualquer homem, mesmo um submisso, como sendo nada além de um machista? Tenho minhas dúvidas...

Encontrando-se assim envenenadas pelo ressentimento, elas não percebem que se tornam presas do sistema que dizem combater. Elas necessitam do machismo como o soldado, da guerra. Elas reproduzem o machismo ao negar-se ao diálogo igualitário, ao separar de forma maniqueísta homens e mulheres (e negros e brancos, ocidentais e orientais, e todas essas falsas e superficiais dicotomias que não conseguem enxergar o conteúdo por detrás do invólucro). Elas tiram toda sua força e legitimidade do machismo e da misoginia. Elas dependem deles para sobreviver. Daí minha afirmação de que essa modalidade de feminista VENERA O MACHISMO***.

Disso resulta que a feminista ressentida não admite ser "comparada" com vacas, cabras, galinhas e fêmeas de outras espécies. Elas o veem como uma afronta, mais uma manifestação de misoginia, de ódio dos homens às mulheres, pois tais "comparações" seriam mais uma forma de humilhação, depreciação de seu gênero. Outro meio de submetê-las a esse sistema patriarcal opressor do qual só podem escapar pela reversão das forças de poder. Elas falam de empatia, mas somente com as "irmãs" e os "submissos" e aqueles que elas percebem como "oprimidos". Qualquer outro será enquadrado - ou silenciado - em nome da... empatia, termo que já percebi extremamente comum entre os ressentidos, mas que não poderia estar mais distante de sua prática.

Em conclusão, se o machismo acabasse amanhã, por mágica, as ressentidas estariam perdidas. A quem odiar? Quais forças de poder reverter? Como destruir o inimigo - se não há mais inimigo? Toda sua energia tóxica, venenosa, carcinogênica, elas teriam de dirigir para outro inimigo, ou para si mesmas, mergulhando em depressão profunda, pois a única coisa que cultivavam, que as mantinha vivas e altivas, subitamente se fez obsoleta - o ressentimento.

NOTAS

* Falo de "emancipadas" em vez de "empoderadas" por vários motivos: primeiro, porque são palavras próximas em significado, e é sempre preferível, neste caso, usar um termo consagrado a um neologismo. Segundo, porque de todo modo eu odeio neologismos, especialmente quando advindos de traduções tati-bitati de idiomas estrangeiros. Terceiro, porque "empoderar" é um verbo feio de dar dó.
** Emprego o conceito de ressentimento, neste breve ensaio, inspirado no sentido a ele atribuído por Friedrich Nietzsche, em Genealogia da Moral.
*** Afirmação que serviu de pretexto para meu banimento do grupo Veganismo e que, à primeira leitura, pode parecer não mais do que um insulto proferido no calor do momento. Ao contrário, ele foi muito pensado e refletido após o que testemunhei naquele mesmo grupo, por parte de feministas supostamente veganas. Tanto que só postei a dita afirmação no dia seguinte.

Bruno Frederico Müller é historiador e escritor.

sábado, 7 de novembro de 2015

Eu como sem culpa porque sou livre e o filme Terráqueos - uma aula sobre a liberdade

O cozinheiro é meu marido, e minha função é comer. Adoro.

 Estou resgantando as fotos de uns CDs antigos e salvando no meu HD, achei essas fotos.
Enquanto isso, estou ouvindo palestras do de um professor de história que costuma comparar Shakespeare com Facebook. Mas já tirei-as daqui do blog, desde que ele começou a falar que células são animais, plantas sentem dor e que Hitler era vegetariano, da dor das cenouras, etc, depois dessas falácias, infelizmente, não levei mais a sério.

Se ele fala assim, de coisas que conheço, sou bióloga, como vou saber se o resto é confiável? Bem, ele estava falando sobre utopia quando citou o exemplo de um aluno que queria salvar os cães dos testes em animais, aí ele disse: "por que não salva também os animais unicelulares?" (hã) Disse que nas mãos havia milhares de animais unicelulares. Desliguei o Youtube.
Antes disso, curiosamente ele estava falando dos sintomas da velhice. Só que este, é um sintoma típico de velho. A desesperança, as falácias de que, não se pode fazer nada por uns, se não fizermos por todo um conjunto, por todo o planeta, e ao mesmo tempo agora, temos que ser um velho chato que só reclama "no meu tempo era bom" ou apenas comer a carne que mata, se acostumar, silenciar, o é pior!!!! Senilidade chegando.

Depois ele veio com uma lenda de que Hitler era vegetariano. O livro Der totale Rausch (O delírio total), de Norman Ohler mostra um ditador que usava drogas, e não era natureba como se pensa. No livro Hitler, Not vegetarian, Not Animal lover, de Rinn Berry, o autor mostra Hitler como não vegetariano e tampouco amigo dos animais como se fez crer pelos seus adoradores. Mas como a propaganda nazista foi tão forte, seus retardados até hoje a reproduzem por aí nos fóruns e redes. E até esse professor de HISTORIA não é capaz de saber a verdade.
Essas fotos são do tempo em que eu me preocupava mais com a casa...é sempre assim. Houve tempos, há tempos...em que as coisas te culpam. Você tem que ser como a sociedade te ensina.
E encontrei essas fotografias de comidas, as comidas alegres que meu marido prepara.
Com o tempo a gente foi simplificando a vida e gastando cada vez menos. Para não ter que se matar correndo atrás da máquina. E poder viver a vida. Sem a culpa de cumprir as regras. E o melhor de tudo, poder ajudar os animais.
Hoje tudo é diferente, não tenho tanta preocupação com coisas da casa e dedico meu tempo ao que interessa. E às vezes perco a noção do que importa mais. Meus livros às vezes ficam parados, nem sei onde parei de ler. Eu volto e busco o que eu amei mais. Fica o que brilha.
Me tornei uma espécie de criança que não tem mais a noção do tempo. Mas amadureci para a flexibilidade e o domínio do meu ócio. Nunca mais vou vender minha vida para ninguém, em trabalhos que matem meu tempo. Trabalhar só naquilo que vale a pena. Seu Madruga, meu ídolo maior.
Essas comidas simples e baratas são coisas que a gente faz sem gastar muito.
A comida vegana é barata, e assim você economiza tempo e dinheiro.
Além de tudo, obriga-se a procurar, pesquisar, aprender.. tudo em função de um estilo de vida em que a preocupação é, ao menos deve ser, pelos animais. É a minha!
Ser vegano é o maior ato de liberdade que tomei até hoje. Das melhores decisões da minha vida.
É por isso que sempre recomendo o filme Terráqueos que mudou minha vida.
É forte, sim. Mas é a lembrança, daquilo que acontece à luz do dia, e que não posso esquecer. A trilha sonora é maravilhosa. Emocionante. Eu nunca o vejo como algo triste. Não. Foi triste no primeiro dia. Foi ele que me fez vegana, direto. Mas hoje eu tenho ele como um sinal de quem eu fui. Um marco. Não o vejo como triste.
Esse documentário é o filme da minha vida, é a memória do dia em que me tornei vegana. Minha tomada de liberdade. E o retrato da falta de liberdade dos animais, que a tirania humana tomou.
Recomendo a todos como um marco do antes e depois para uma vida verdadeiramente livre. Um lembrete para quando alguém vacilar, lembrar daquilo que viu ali, milhares de animais sendo torturados e a culpa é sua. Não é de alguém "lá fora" é de cada um que compactua com isso.
Assista aqui depois: http://www.terraqueos.org/
RECADO OU PS para você que acha que esses detalhes sobre conhecimentos gerais são banais. É uma pena que um professor de História não saiba nada sobre uma cenoura, e ainda acredite como a maioria dos idiotas, que ela sente a mesma dor que um animal. Os vegetais não sentem dor. Os animais são torturados e seria preciso comparar, na frente desse ser que aparentemente é culto, mas bruto nesse aspecto, como as plantas são na sua maior parte, não comestíveis, mas os animais, são massacrados pela humanidade - para os mais diversos fins.

Desde a alimentação, até o abuso sexual

Então, ele deveria ter calado a boca e ter usado um outro exemplo, não um exemplo atrasado. Que aliás, todos usam. Todos! Infelizmente. Não conheci, até hoje, uma pessoa - senso comum - , que não veio com algum desses argumentos cretinos para cima de mim, quando veio "argumentar".

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Dia de faxina na casa e na alma

Esses tempos, uma amiga mandou oito minutos de uma palestra sobre o Facebook e Shakespeare, o que me fez entrar em depressão, sei lá quando vou sair.
Esse palestrante, que depois falou merda sobre quem salva animais, sem ter conhecimento, falou dobre coisas que eu tenho vivido, sobre a solidão, sobre o vazio das pessoas e outras questões. Depois de ouvir aqueles oito minutos, eu saí de casa e fui a uma praça...
Para escrever... e pensar porque a minha vida é assim. Estamos numa sociedade que não entende de coisas profundas e, embora valorize a quantidade de amigos e a aprovação dos outros, tem medo de se relacionar.
Hoje assisti outra palestra, agora completa sobre Shakespeare. É uma apresentação do escritor, cuja obra conheço tão pouco, e depois começa a comparação com os dias atuais, tão vagos e solitários, tão carentes de sentido.
Shakespeare: eu conheci, quando li numa tarde, um livro de poemas de amor... suas poesias me deixaram simplesmente com vergonha! Sim. As poesias atuais são fracas, em face dessas palavras tão penetrantes.
Pois em face dos poemas que tenho lido, esses poemas apaixonados e elaborados me deixaram encantada. São poemas eternos, primorosos e cultos. Não costumo fazer comparações. Como sempre digo, os mortos são melhores.

Shakespeare melancólico, veste-se de preto e assume sua tristeza. Shakespeare gótico!
Ser solitário não é ruim. Solidão nunca foi incômodo para mim. O que incomoda é a indiferença, a futilidade das pessoas, as máscaras e o machismo dos homens e mulheres. O modo como elas valorizam muito mais as coisas masculinas. E como tudo é voltado para os homens, às vezes. Ainda.
De como eu tenho, porque sou mulher, de me esforçar muito mais, para algo meu ser aceito, compartilhado, lido, publicado. De como algo, dependendo do assunto, é mais palatável quando é meu marido que escreve. Mas o mesmo seria se fosse eu que escrevesse? Será impressão minha? Talvez paranoia?
Lembro quando uma determinada crônica minha causou muito alvoroço, teve gente que não aceitou a hipótese de que alguém pudesse falar palavrão, ser 'agressiva' e, para atacar a minha pessoa, taxou, tudo de 'machista' misógino, etc. Para estas pessoas, é inadmissível que uma mulher
entre no mundo literário com modos "masculinos" ou seja, diga o que pense, não se preocupe com o Português de colégio, e a ingenuidade do politicamente carola, e não tenha a mão cheia de dedos para não ofender... Dito isso, não é fácil para essas pessoas aceitarem mulher escrevendo o que quer nesse mundo ainda hoje, em 2015. Foi isso que eu senti, naquela época, no meio de um monte de gente 'libertária'. Minha experiência foi muito boa, pois a maioria das pessoas adorou essa crônica,

mas a desilusão que a realidade me causou foi que também muitos, ainda se incomodam com a posição feminina na literatura, seja por não saber o que é Literatura, por não entender, ou simplesmente porque nas redes sociais, falta inteligência para ler uma crônica, saber do que se trata, e consideram tudo pelo seu viés mesquinho e pouco culto... aí tudo é "machismo", "misoginia" "coisa do PT" ou o contrário conforme os grupelhos, e outros linchamentos típicos de Facebook e redes similares.

Eu hoje mostro um lado meu, frágil, não tenho vergonha disso, de quem está de saco cheio dessa palhaçada que é fingir felicidade nas redes sociais. Nunca fingi nada. Será? Mas cansei de estar no meio dessa maré. Pois às vezes você se pega a quase pensar que está nisso também e que tem que fazer isso, senão não terá nada.

A palestra foi publicada no blog do escritor, de onde me inspiro para escrever, quero ser como ele, sou fã absoluta de seu modo de escrever: http://eziobazzo.blogspot.com.br/

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Educação medíocre e educação vegana, quem vencerá?

Enquanto trabalhei como professora, falei abertamente sobre veganismo para meus alunos, adultos e adolescentes. Agora cansei e dei uma parada. Mas vou voltar, quando estiver afim, e vamos ver qual é!
Considero obrigação do biólogo e dos professores de qualquer área, informar sobre os impactos da criação de animais para consumo e as implicações éticas dessa merda que as pessoas fazem com estes seres, que não são nossa propriedade.
Nunca fui questionada pelos meus diretores. Sim, havia professores invejosos, ficava sabendo das fofocas. Sim, faziam cara feia. Havia alunos que não gostavam. Ninguém nunca está satisfeito, bem vindo ao mundo. Nem ligava para isso, na verdade me divertia com isso. Adoro. Mas eu recebia elogios pelo meu trabalho. Tenho certeza de que foi um bom trabalho.
Mas, hoje, o veganismo está crescendo. E os educadores veganos, estão começando a incomodar.

Um professor vegano foi proibido de lecionar por três anos em Minas Gerais, por ensinar sobre direitos animais em sala de aula.
Já escrevi crônicas e ensaio participando de livros com ele. É um professor de Filosofia admirável, desses que gostaria de ter. Ele chama-se Leon Denis: Aqui estão seus artigos sobre educação

Pois das aulas de Filosofia que tive no meu Segundo Grau, não me lembro de nada. Perdão, professores que tive, mas, se estiverem lendo este blog, é isso mesmo. Fui ler filosofia depois, e com os podres ou os bons, os escritores obscuros e os alternativos que escrevem do jeito que querem e como querem.

Hoje, ser bom professor na opinião dessa gentinha, é cumprir o papel. É falar do mesmo, é ser como sempre foi. Desde o tempo em que eu estudava no colégio e faculdade, nada mudou. Aqueles professores idiotas que tive, que não sabiam a diferença entre eu, que era inteligente (e hoje sou mais, bem mais inteligente que naquela época), e a nulidade ao meu lado. Um ou dois professores bons que tive tinham que se cuidar para não serem expulsos da escola. E no Primeiro Grau tive um professor que foi expulso da escola porque estava entre um monte de mulheres (professorinhas de merda) que não estavam habituadas a conviver com um professor, ou seja, por ele ser homem. Pode crer, eu vivi para ver isso. E nem entro em detalhes aqui, pois hoje mais adulta, sei que só pode ser por isso e, quero que aquela gente se exploda.

Enquanto lecionei nas escolas e projetos com adultos e adolescentes passei documentários como Terráqueos, A carne é fraca, Não Matarás, e fiz trabalhos com meus alunos, chamei palestrantes de grupos ativistas, tudo quanto fosse didático e pudesse chamar a atenção para um conteúdo atual e necessário para o conhecimento dos alunos. E isso não agride ninguém. Ao contrário, muito interesse surgiu.

O professor Leon Denis, como filósofo, questiona e ensina os alunos a  olhar o mundo que gira em torno de valores sexistas, opressores e violentos. Essa sociedade, banhada em sangue, precisa se manter como está, e cala a boca de quem a questiona. Tudo pelo prazer de comer a carne morta com dor, da conivência com a violência institucionalizada, que começa em casa.

Para ver lixos violentos, sexistas ou pornográficos na TV e no celular todo mundo tem capacidade e acha o máximo, mas para ver um vídeo sobre a realidade que enfia na boca e ajuda a financiar, aí fica nervoso, fragilizado? Não. Esses materiais e outros são recursos pedagógicos, usado na dose certa, no momento certo, para a faixa etária correspondente. Não estamos lidando com retardados. E somos bons professores.

Justamente na Filosofia, onde deveria ser o local onde os alunos aprendem a questionar a vida, a ver a verdade sobre as coisas, essas pessoas, pais alienados, sociedade idiotizante, querem silenciar.

Existem diversos tipos de censura no Brasil, algumas vem de cima, outras estão bem aqui, dentro de cada uma dessas pessoas, ao redor de todos nós.

Leia a matéria completa sobre o que aconteceu aqui

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Nós veganos temos que dar muita satisfação

A fragilidade de um ser ao auxiliar

Eu tive dificuldades de ver algumas coisas, mas nunca fui estúpida. Depois de vir morar nessa cidade, e, depois de entrar nas redes sociais, conheci pessoas maravilhosas e me aproximei delas. Mas conheci também muita gente indiferente - meus vizinhos. E muita gente estúpida - meus vizinhos virtuais.

Uma vez fui com uma vizinha lá na outra cidade onde nasci, num asilo para ajudar. Tive muita dificuldade pois sofri. Havia lá um carro de uma padaria, iam todo o domingo e levavam doces, salgadinhos, sucos. Eu já me questionava pois cada um dos idosos deixava a sua aposentadoria ali. Porém o lugar era precário. Onde estava o dinheiro? Eu tinha dificuldade de ver, mas nunca fui estúpida...

Nunca mais pude voltar ao lugar. Não conseguia. Para certas coisas não tenho coragem. Sou sim corajosa e tenho bondade porém respeito minhas limitações. Deixo para quem sim peita com bravura e vai lá. Mas tem que ir! Não ficar no sofá latindo sem parar. Eu nunca mais esqueci o que vi. E me fiz muitas perguntas, críticas, tanto para um lado, quanto para um outro.

Aqueles pais que fazem filho "para os cuidar na velhice" e todo mundo some, aqueles maus pais, que depois querem atenção, etc...tudo me passou pela cabeça mas tive compaixão.

Pois não sou ingênua. Posso ter dificuldades para ver algumas coisas, mas não sou cega. E eu sei, que vejo mais que a maior parte das pessoas.

Nós veganos temos que dar muita satisfação. Só que eu não dou. Pó Chorá.

Ninguém vai perguntar ao dono do frigorífico por que ele não está fazendo nada pelas pessoas. Ele apenas está matando. Ganhando dinheiro e vendendo carne. Não é só isso, ele está fazendo muito mais estrago. Mas ninguém pergunta nada para ele. Ao contrário, alguns até defendem.

Mas todo mundo vem tirar satisfação com os veganos. Somos culpados, somos responsáveis por tudo.
Nós não podemos errar nunca.

Eu poderia não fazer nada. Eu poderia também não escrever. Não.

Eu ajudo por revolta.
Porque odeio a vida.
Porque odeio este mundo.
Não suporto injustiça.

Por que quero dar a cada pessoa uma possibilidade de ter algo, com que curar suas feridas, assim como eu tenho todos os dias, um remédio para, senão curar, pelo menos amenizar as minhas.

Sou afortunada e feliz. Não sou como a maioria das pessoas que aparenta muita felicidade e esconde rancor e mágoa. Eu não perdoo.
E não vou morrer sem dizer o que penso na cara de todo mundo. Adoro ser espelho do que ninguém quer ver. Dessas pessoas que se arvoram libertárias, mas que no fundo são mais reacionárias do que os ditadores, seus argumentos se encostam.
Mas aqui na minha frente, ninguém vai bancar o que não é, porque eu vou escrever e desvelar.

É fazer comida e levar pra rua
Neste domingo nós fomos distribuir comida ali no centro. O lance é fazer comida vegana em casa, ir pra rua. E a ideia era ir ao encontro deles. Mas não precisou. Eles chegaram. Tinha gente de todo o tipo, cadeirante, pessoas sem calçado nos pés, gente com muita fome, outros que estavam com sede, menina, senhora, os vida loka, e alguns que vieram pegar roupas e já levavam uma quentinha para a casa. Nós fizemos comida na hora. Estava quente, saborosa. Nutritiva e vegana. Com todo o capricho, e mais do que tudo, demos atenção, pois sabemos que são pessoas solitárias.

E eu entendo bastante de solidão.

Os andantes que tinham animais de estimação foram orientados, os bichos receberam ração, também remédios. E a gente ficou um tempo ali servindo comida e conversando, até que a comida acabou.
É emocionante ver as pessoas comendo. É como quando eu vejo Chaves com sua fome sendo saciada. Chaves como símbolo de tantas crianças com fome. Chespirito, o autor do Chaves e sua turma, me definiu nos personagens pois ele criou a vizinhança pobre, como a minha família humilde.
Eu nunca passei fome, mas minha família, lá da parte de meus avós eram muito pobres e minha mãe sempre ajudava-os, vi a pobreza de perto. Não ter chuveiro elétrico, e nem luz, essas coisas. Não sofro com isso, nem romantizo, pois acho idiota romantizar qualquer coisa. As pessoas que hoje tenho contato, muitas não passaram por isso. Talvez não entendam o que é ser pobre, não ter quase nada. E choram quando perdem o celular.
Outros ficam nas redes sociais dando palpite, nos pedindo explicação e nos acusando de tudo, chamando os veganos de "elite" enquanto suas contas (e a sua universidade que só 1% da elite desse país tem acesso) é paga pelos pais ou pelo governo.
Amo Chaves pois ele torna universal e ensina a quem nunca viveu o que é ser pequeno e simples. Por isso me emocionei ao ver aquelas pessoas comendo.
Comer é um ato universal, todo ser vivo se alimenta.
Um senhor que comeu nossa comida, nos deu um passe de sua religião. Eu, mesmo descrente nas religiões e nos deuses, que nos traíram a muito tempo, fiquei muito emocionada perante a gratidão dele e em sua bênção, claro que aceitei! Pois a bondade é com certeza essa divindade que cultuamos dentro de nós.
Quando o segundo rapaz chegou, dei para ele a comida bem quentinha e um garfo, ele me pediu desculpas e perguntou se podia comer com a tampa, pois estava com muita fome.
Eu, por traz daqueles meus óculos "de policial" verti umas lágrimas.. Mas segui firme, pois era só o começo.
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