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segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

A tumba da lealdade

Estava num de meus dias em que se misturavam a paixão e a desesperança, quando, procurava uma fotografia para meu blog, para um dos assuntos que virão a seguir. E encontrei esta,  a fotografia da tumba de Jeannette Ryder. Não a conhecia e, fui pesquisar e trazer aqui para o blog um pouco de sua história.

Ela era norteamericana e viveu no começo do século XX em Cuba, fundou a Sociedade Protetora de Crianças, Animais e Plantas, também conhecida como Bando de Piedad.

Criou um hospital para animais, combateu a utilização abusiva de animais para tiro e carga (carroças), também fazia campanhas para o controle de natalidade de animais e era contra às corridas de touros em seu país.

Típica protetora, sempre levava comida para cães e gatos nas ruas, não se importando com as críticas e zombarias do povo ignorante.

Quando foi enterrada, sua cachorra Rinti se instalou em seu túmulo, e nunca mais saiu de lá. Os visitantes lhe levavam comida, que ela sempre recusou, até que morreu de fome, sendo fiel à sua tutora, até o fim de seus dias, numa demonstração de amizade rara e tão próxima do amor.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Feministas Emancipadas e Feministas Ressentidas

Um artigo de Bruno Frederico Müller

"Aquele que vive para combater um inimigo tem interesse na continuidade de sua existência"
Friedrich Nietzsche

PREÂMBULO

Sempre foi minha política não me envolver em debates feministas. Por três motivos. Primeiro, porque como homem, provavelmente não seria bem-vindo e talvez eu mesmo não me sentiria à vontade. Segundo, porque o feminismo tem várias vertentes, e assumir uma posição apenas significaria sair queimado e chamuscado com o rótulo de "machista" pelas outras vertentes diferentes daquela à qual eu me alinhasse. Terceiro porque tenho aquele péssimo hábito do... pensamento crítico. Nunca compro NENHUMA teoria na sua integralidade, e não sem antes analisá-la minuciosamente, microscopicamente, em todos os seus detalhes.
Pois bem. Meu silêncio se encerra agora. Não é do meu feitio acovardar-me por muito tempo, e quem me julgar a partir deste texto estará dizendo mais sobre si do que sobre mim. "Conhece-te a ti mesmo". Eu sei quem sou e não vai ser um ente exterior que vai me colar o rótulo de machista - não sem um excelente arcabouço teórico e muitas evidências para sustentá-lo.
Enfim, depois da publicação da minha TRILOGIA MALDITA, que sequer era endereçada particularmente a elas, eu me vi sendo atacado por feministas virulentas me chamando não só de machista, mas de racista e até explorador de animais. Eu ri. Ri, e refleti. Pois graças aos meus textos também conheci ou estreitei laços com feministas que concordavam com eles e não se sentiram ofendidas na sua feminilidade.

E eu, como estou numa onda criativa de deduzir hipóteses mágicas que se corroboram a si mesmas sem qualquer esforço do investigador (eu), decidi forçar um pouco a minha sorte e formular mais uma hipótese.

Há dois tipos de feministas: as feministas emancipadas, e as feministas ressentidas.

FEMINISTAS EMANCIPADAS

As feministas emancipadas* são aquelas que não veem os homens como inimigos. Elas combatem o machismo como um fenômeno social, mas não guardam mágoas nem cobram "dívidas históricas". Elas sabem que a cor da pele e os genitais não ditam o caráter e as ideias de uma pessoa. Elas mantêm relações estreitas com indivíduos de todos os gêneros, e mantêm amizades e até relações íntimas e saudáveis com indivíduos do sexo masculino, sempre em relação de parceria. Elas buscam um diálogo construtivo. Elas olham para o futuro, o futuro sem discriminações, e não para o passado que não pode ser mudado.

No concernente aos animais, as feministas emancipadas de modo algum se sentem diminuídas quando expostas ao sofrimento, tortura e morte de fêmeas de outras espécies. Porque, emancipadas que são, elas têm aquela sensibilidade, aquela solidariedade que leva a desejar que sua condição livre seja a de a todos os outros seres - como dizia Simone de Beauvoir, com a exceção desta restringir-se à espécie humana. Elas entendem que a liberdade é mais do que uma necessidade de quem está acorrentado ou enjaulado - é, como dizia Jean-Paul Sartre, a própria condição do ser; de novo, com a exceção deste restringir-se à espécie humana. Assim, elas querem a liberdade animal tanto quanto a de si mesmas, quanto de seus irmãos e irmãs de jornada. Elas não querem reverter a ordem - elas querem subvertê-la.
Se amanhã, por mágica, o machismo desaparecesse, as feministas emancipadas se veriam felizes, realizadas, plenas. Sua energia criativa floresceria e voltar-se-ia para outras formas de ação ou diálogo construtivo.

FEMINISTAS RESSENTIDAS

As feministas ressentidas**, por outro lado, não conseguem conceber-se senão como vítimas de um sistema patriarcal opressivo. Elas não se percebem portadoras daquilo que Sartre denominava de "liberdade ontológica". Elas negam a própria liberdade e, assim, incorrem no que o mesmo pensador denominava de "má-fé" - pois podemos negar nossa liberdade, mas jamais renunciar a ela. Em outras palavras, elas ESCOLHEM se postar no papel de vítimas. Por mais que tenhamos efetivamente sofrido na vida, temos a liberdade de usar a dor de forma construtiva ou destrutiva, de modo que nos fortaleça ou nos torne ainda mais vulneráveis. Em outras palavras: emancipação ou vitimização.

Vítimas que são, as ressentidas odeiam seus opressores com todas as forças possíveis. E projetam seu ódio no opressor - denominando os homens de misóginos. É claro que existe misoginia - como existe misandria, o que muitas delas negam. Mas será que o ódio às mulheres está tão amplamente disseminada na sociedade (lembrando que machismo e misoginia não são intercambiáveis, e o segundo é provavelmente mais grave)? Ou será que a simples divergência perante conceitos e práticas das feministas ressentidas pode levar um homem a ser acusado de misoginia? Eu arrisco dizer que a misoginia (diferente do machismo), a despeito do perigo que representa às mulheres, está restrita a uma minoria dos homens. Digressões à espera de pesquisas que elucidem a questão...

Retomando: elas odeiam os homens e tudo que eles representam. O homem opressor. O falo opressor. Todo homem como potencial estuprador. E logo disseminam conceitos como "toda penetração é um estupro". Castração e puritanismo estão sempre à espreita no horizonte de uma feminista ressentida. A amizade ou intimidade torna-se problemática e disfuncional. E, suspeito eu, dificilmente em parceria, mas em condições de dominação de uma das partes.

Elas enxergam tudo como uma relação de poder, e não veem outra alternativa senão reverter tal correlação de forças - de modo que o diálogo igualitário com qualquer indivíduo do sexo masculino é inviável. Ou eles aceitam o debate nos termos por elas ditados, ou eles serão escorraçados e para sempre estigmatizados com o rótulo de "machista" e/ou "misógino". Aliás, consegue a feminista ressentida conceber qualquer homem, mesmo um submisso, como sendo nada além de um machista? Tenho minhas dúvidas...

Encontrando-se assim envenenadas pelo ressentimento, elas não percebem que se tornam presas do sistema que dizem combater. Elas necessitam do machismo como o soldado, da guerra. Elas reproduzem o machismo ao negar-se ao diálogo igualitário, ao separar de forma maniqueísta homens e mulheres (e negros e brancos, ocidentais e orientais, e todas essas falsas e superficiais dicotomias que não conseguem enxergar o conteúdo por detrás do invólucro). Elas tiram toda sua força e legitimidade do machismo e da misoginia. Elas dependem deles para sobreviver. Daí minha afirmação de que essa modalidade de feminista VENERA O MACHISMO***.

Disso resulta que a feminista ressentida não admite ser "comparada" com vacas, cabras, galinhas e fêmeas de outras espécies. Elas o veem como uma afronta, mais uma manifestação de misoginia, de ódio dos homens às mulheres, pois tais "comparações" seriam mais uma forma de humilhação, depreciação de seu gênero. Outro meio de submetê-las a esse sistema patriarcal opressor do qual só podem escapar pela reversão das forças de poder. Elas falam de empatia, mas somente com as "irmãs" e os "submissos" e aqueles que elas percebem como "oprimidos". Qualquer outro será enquadrado - ou silenciado - em nome da... empatia, termo que já percebi extremamente comum entre os ressentidos, mas que não poderia estar mais distante de sua prática.

Em conclusão, se o machismo acabasse amanhã, por mágica, as ressentidas estariam perdidas. A quem odiar? Quais forças de poder reverter? Como destruir o inimigo - se não há mais inimigo? Toda sua energia tóxica, venenosa, carcinogênica, elas teriam de dirigir para outro inimigo, ou para si mesmas, mergulhando em depressão profunda, pois a única coisa que cultivavam, que as mantinha vivas e altivas, subitamente se fez obsoleta - o ressentimento.

NOTAS

* Falo de "emancipadas" em vez de "empoderadas" por vários motivos: primeiro, porque são palavras próximas em significado, e é sempre preferível, neste caso, usar um termo consagrado a um neologismo. Segundo, porque de todo modo eu odeio neologismos, especialmente quando advindos de traduções tati-bitati de idiomas estrangeiros. Terceiro, porque "empoderar" é um verbo feio de dar dó.
** Emprego o conceito de ressentimento, neste breve ensaio, inspirado no sentido a ele atribuído por Friedrich Nietzsche, em Genealogia da Moral.
*** Afirmação que serviu de pretexto para meu banimento do grupo Veganismo e que, à primeira leitura, pode parecer não mais do que um insulto proferido no calor do momento. Ao contrário, ele foi muito pensado e refletido após o que testemunhei naquele mesmo grupo, por parte de feministas supostamente veganas. Tanto que só postei a dita afirmação no dia seguinte.

Bruno Frederico Müller é historiador e escritor.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Educação medíocre e educação vegana, quem vencerá?

Enquanto trabalhei como professora, falei abertamente sobre veganismo para meus alunos, adultos e adolescentes. Agora cansei e dei uma parada. Mas vou voltar, quando estiver afim, e vamos ver qual é!
Considero obrigação do biólogo e dos professores de qualquer área, informar sobre os impactos da criação de animais para consumo e as implicações éticas dessa merda que as pessoas fazem com estes seres, que não são nossa propriedade.
Nunca fui questionada pelos meus diretores. Sim, havia professores invejosos, ficava sabendo das fofocas. Sim, faziam cara feia. Havia alunos que não gostavam. Ninguém nunca está satisfeito, bem vindo ao mundo. Nem ligava para isso, na verdade me divertia com isso. Adoro. Mas eu recebia elogios pelo meu trabalho. Tenho certeza de que foi um bom trabalho.
Mas, hoje, o veganismo está crescendo. E os educadores veganos, estão começando a incomodar.

Um professor vegano foi proibido de lecionar por três anos em Minas Gerais, por ensinar sobre direitos animais em sala de aula.
Já escrevi crônicas e ensaio participando de livros com ele. É um professor de Filosofia admirável, desses que gostaria de ter. Ele chama-se Leon Denis: Aqui estão seus artigos sobre educação

Pois das aulas de Filosofia que tive no meu Segundo Grau, não me lembro de nada. Perdão, professores que tive, mas, se estiverem lendo este blog, é isso mesmo. Fui ler filosofia depois, e com os podres ou os bons, os escritores obscuros e os alternativos que escrevem do jeito que querem e como querem.

Hoje, ser bom professor na opinião dessa gentinha, é cumprir o papel. É falar do mesmo, é ser como sempre foi. Desde o tempo em que eu estudava no colégio e faculdade, nada mudou. Aqueles professores idiotas que tive, que não sabiam a diferença entre eu, que era inteligente (e hoje sou mais, bem mais inteligente que naquela época), e a nulidade ao meu lado. Um ou dois professores bons que tive tinham que se cuidar para não serem expulsos da escola. E no Primeiro Grau tive um professor que foi expulso da escola porque estava entre um monte de mulheres (professorinhas de merda) que não estavam habituadas a conviver com um professor, ou seja, por ele ser homem. Pode crer, eu vivi para ver isso. E nem entro em detalhes aqui, pois hoje mais adulta, sei que só pode ser por isso e, quero que aquela gente se exploda.

Enquanto lecionei nas escolas e projetos com adultos e adolescentes passei documentários como Terráqueos, A carne é fraca, Não Matarás, e fiz trabalhos com meus alunos, chamei palestrantes de grupos ativistas, tudo quanto fosse didático e pudesse chamar a atenção para um conteúdo atual e necessário para o conhecimento dos alunos. E isso não agride ninguém. Ao contrário, muito interesse surgiu.

O professor Leon Denis, como filósofo, questiona e ensina os alunos a  olhar o mundo que gira em torno de valores sexistas, opressores e violentos. Essa sociedade, banhada em sangue, precisa se manter como está, e cala a boca de quem a questiona. Tudo pelo prazer de comer a carne morta com dor, da conivência com a violência institucionalizada, que começa em casa.

Para ver lixos violentos, sexistas ou pornográficos na TV e no celular todo mundo tem capacidade e acha o máximo, mas para ver um vídeo sobre a realidade que enfia na boca e ajuda a financiar, aí fica nervoso, fragilizado? Não. Esses materiais e outros são recursos pedagógicos, usado na dose certa, no momento certo, para a faixa etária correspondente. Não estamos lidando com retardados. E somos bons professores.

Justamente na Filosofia, onde deveria ser o local onde os alunos aprendem a questionar a vida, a ver a verdade sobre as coisas, essas pessoas, pais alienados, sociedade idiotizante, querem silenciar.

Existem diversos tipos de censura no Brasil, algumas vem de cima, outras estão bem aqui, dentro de cada uma dessas pessoas, ao redor de todos nós.

Leia a matéria completa sobre o que aconteceu aqui

sábado, 29 de agosto de 2015

Porcos no Rodoanel: as feministas especistas e o baile da ignorância

por Ellen Augusta Valer de Freitas
Artigo publicado na Vanguarda Abolicionista, na ANDA - Agência de Notícias de Direitos Animais e no Olhar Animal - Pensata Animal e replicado onde mais as pessoas encheram o saco e ligaram o foda-se.

Estou a cada dia mais chocada com o retrocesso das mulheres nos tempos atuais. Mas não são todas as mulheres não. Existem muitas mulheres, batalhadoras, as do dia a dia, que estão pouco se lixando para essa troupe que agora quero me ater. Falo das feministas reacionárias, disfarçadas de pseudolibertárias. Esse tipinho facista que vem invadindo as redes sociais, para atacar o ativismo vegano.

Nossa luta já é árdua, mas temos que ficar às voltas com um povo atrasado com pinta de libertário, posando com roupas de gosto duvidoso e ideias que o grupo aprova.
Os reaças clássicos nem precisam fazer mais nada. Não. Pois essa gente está fazendo mais estrago. Estão entranhandos dentro dos movimentos, dando opiniões errôneas, equivocadas, insistentes e facistas, pois querem que todos sigam sua cartilha autoritária, sob a pena de ser barrado do baile dos politicamente corretos.
São opiniões perigosas pois passam por 'certas', pois têm apelo entre os do grupinho, tem vocabulário, jargão instrumentalizado, e são movidas por preconceitos enraizados, disfarçados de "teorias" só por que são bem ditas.
Essas feministas obedientes no fundo são as mais machistas, elas defendem macho. Estavam aos montes, nas postagens da Rodoanel, defendendo os motoristas, e não os animais. Elas defendem o status quo e não os vulneráveis. São umas mulherzinhas que tomam leite e comem ovos por que o pai ensinou. E muitas delas, com seus namorados, usaram imagens minhas e de minha amiga feminista vegana, para debochar de nossas imagens, mas não souberam peitar nossas ideias. Não foram "machas" para me bancar, é preciso fazer o jogo social de desqualificar mulher. Feminista de araque. Libertário de merda.

Sabemos que os animais tem emoções, desde Darwin. Ele escreveu um livro sobre isso, chamado: "A expressão das emoções nos homens e nos animais". Mas os argumentos dessas mulheres é que a diferença entre "as mulheres" e os animais é que estes não podem saber das agressões que sofrem. Oi? Me senti no supletivo. Sou professora e tive alunos melhores.
Agora sabemos por que ainda existe violência contra a mulher e por que ela está aumentando a olhos vistos diante da passividade das 'feministas', que só sabem postar xingamentos, e porque hoje o movimento pelos direitos animais está tão avançado passando até o movimento feminista, que se arrasta, diante desse marasmo mental. Pois essas pessoas nem aulas de Biologia frequentaram, pouco sabem de leituras mas se criou essa cultura do muito falar, sem critério, sem conteúdo. Nas postagens sobre direitos animais, elas chamam homens para as defender, chamam 'galeras' e apelam para baixarias, ideias falsas, falácias facilmente derrubáveis, tudo para negar o óbvio: que a exploração de animais e o consumo de laticínios é essa cultura machista e retrógrada onde elas estão enfiadas até o pescoço, estão adorando o mito da beleza, coisa que nunca ouviram falar, e estão cultuando o deus machista que tanto querem derrubar na outra, mas cultuam tão forte dentro delas mesmas.

Não suportam ver uma mulher vegana livre, que não se importa, que está ao lado do seu marido, dizendo foda-se eu não participo da cultura da morte. Não, elas precisam atacar com raiva e um pouquinho de inveja. Não suportam ver as ativistas ajudando animais, pois não suportam quem ajude algo que não seja seu próprio umbigo narcisista. As feministas chegaram ao ponto de defender os funcionário da Rodoanel, se colocando contra as mulheres que estavam lá ajudando os animais. Com aquele papinho de que o coitadinho estava sendo explorado, parece coisa de mãe defendendo o filho mais velho. Todo mundo conhece o arquétipo de mãe machista frente ao filho e à filha.

Nós somos contra todo o sistema que explora o funcinário, o motorista da rodoanel, o açougueiro, o assassino e a mulherzinha que vai no açougue bancar o assassinato.

Por isso nessa hora não nos interessa pagar pau para macho, nos interessa tirar os animais dali. Depois sim, o funcionário, é uma pessoa explorada sim, como qualquer outra pessoa do sistema que justamente usamos como argumento para que essa mesma 'feminista' pare de comer carne leite ovos, e ela curiosamente tão preocupada com isso, não para. Usamos sempre desse mesmo argumento, para que esses trabalhadores tenham trabalho melhores, pois a pecuária hoje é uma das áreas que mais tem trabalho escravo e degradante no país.

Uma outra se deu o trabalho de comparar um caso grave de violência doméstica que aconteceu aqui na Região Metropolitana onde uma mulher teve mãos e pés decepados com o caso dos porcos na rodoanel e óbvio que a culpa é "dos veganos". Achei o cumulo da falta de respeito. A pessoa só falava em cumprir metas. Fiquei pensando se, em vez de porcos fossem crianças, ou seus filhos, ela não calaria sua boca. Especista e cruel com a vida dos outros e usando o nome de outra mulher. Eu ajudei essa mulher com dinheiro que eu nem podia gastar. Não ajudei no caso dos porcos pois meu trabalho na causa animal é muito bom obrigada. Não tenho que dar satisfação. Mas neste caso falo, pois achei mesquinho da parte dessas feministas, que muito provavelmente não ajudaram com um real, mas tiveram disposição para fazer um meme, entrar na comunidade dos veganos, como se todo o dinheiro doado aos porcos viessem dos veganos. E sabemos que as doações vieram também da sociedade comum.

Esse ódio direcionado faz parte desse incômodo provocado pela consciência de que se está participando da sociedade da crueldade, do machismo, da cultura machista e retrógrada, mas como não se quer admitir, é preciso direcionar na outra o ranço, a raiva, a inveja daquela que já pode considerar-se livre das amarras machistas. É o velho jogo de ver a outra com um lindo vestido e querer jogar lama para o sujar. É ver a mulher magra e querer a desqualificar. É querer diminuir as outras causas para engrandecer sua causa, parada no tempo por falta de atualização, por falta de leitura e afinação com a ampliação do círculo moral que inclui os animais, especialmente as fêmeas.
Deve dar muita raiva ver que estamos livres e não precisamos escravizar fêmeas durante sua vida inteira, nem tiramos seus filhos, não usamos mais outros seres como objeto, não objetificamos outros animais, não somos hipócritas, falando em liberdade humana com animais sob nossos pés, e não somos ignorantes pois temos argumentos para nossa decisão.

sábado, 1 de agosto de 2015

Clube dos curiosos

Artigo de Ellen Augusta Valer de Freitas publicado na ANDA - Agência de Notícias de Direitos Animais
Você pode ler este e meus outros artigos aqui: http://www.anda.jor.br/category/colunistas/ellen-augusta-valer-de-freitas

PETA uma vez fez um site cujo link insinuava uma temática sexual. Lá onde divulgamos o site, a horda de pessoas mal informadas, bem antes de abrir a página, já começou a tecer toda a sorte de críticas ao PETA, chamando-o de machistas, etc. Ou seja, o preconceito está na cabeça de quem vê, sem ler, se informar.

O site estava assim: Peta.xxx

O site era de receitas veganas, com alguma pitada de humor. Foi o maior sucesso e foi formulado justamente para impactar e acabar com este preconceito idiota contra a comida e contra o sexo.
Que gente mais puritana! Hoje o mesmo site tem uma outra surpresa e continua lá.

As pessoas no geral não podem ver uma vagina - ou buceta - já se escandalizam. Acham que tudo é machismo, veem em tudo sexualidade. No Brasil tudo é bunda. E as mulheres sempre são vistas do ponto de vista sexual.
Seios e nu feminino tudo bem. Até as mulheres aceitam, porque são machistas.

As campanhas do PETA com alguma nudez ou semi aqui não dão certo pois os homens foram educados (por quem mesmo?) para ver nas mulheres esse lado sexual, mas é preciso chocar um pouco e quebrar tabus. É preciso, associar, sim senhoras, com educação, e não com cerveja.

PETA http://www.peta.org/international/ é uma organização conhecida por realizar ações bastante diversificadas num mundo em que é melhor fazer do que apenas ficar criticando. E eles fazem muito. Mas é preciso fazer ainda muito mais. Só que é mais fácil um babaca, zé ninguém entrar no W. Zap/Face e ficar enchendo o saco, já que ele nada faz por ninguém.

O site do PETA não tinha imagens de sexo, apenas o título chamava a atenção, justamente para tirar uma onda com aquele que está acostumado a nada ler e a tudo julgar. Mas, francamente, se tivesse um apelo sexual? Para quê tanto puritanismo? As pessoas estão acostumadas com propagandas machistas durante vinte e quatro horas de seus dias e consideram natural. O próprio ato de comer carne é associado a uma cultura machista.

E mais uma pergunta: Só por que é sexo, necessariamente precisa ser machista? Claro que não.

Eu nunca escrevo sobre sexo, porque acho um saco este assunto. Só por isso. Acho infantil falar disso. Considero enfadonho ler sobre sexo e é raro um escritor escrever bem sobre isso, do que tenho lido um ou outro em minha vida que soube dar um pitada picante de erotismo em seus textos. O resto não me atrai. Acho que lerei Glauco Mattoso, mas ele é podre demais e a maioria piraria com seus textos, eu não.

Você tem tanto medo assim que algo esteja associado com putaria? Somos educadas a sempre baixar a bola, a baixar a saia, a nos portar como mulheres sérias, pois isso nos tira a oportunidade de casar, de ter bom emprego.
Isso se aplica a grandes temas. Tudo o que tem a palavra sexo fica manchado.
Porém é foda ter sempre que fazer pose de séria no momento errado, não poder rir, ter sempre que ser essa coisa que muitas vezes esperam de nós. Por um lado bonequinhas, por outro, sérias demais.
Não tenho medo de velho babão, nem de mulherzinha invejosa.
Sou absolutamente contra a pornografia e contra a prostituição. Porém não sou contra alusão ao sexo em campanhas.
Acho mesmo que o país precisa de gente que arrisque colocar mais lenha na fogueira. Por que aqui tem muito moralismo, e as pessoas adoram moralizar e depois ir fazer tudo às escondidas.

Em qualquer lugar, homens e mulheres devem sim poder fazer algo mais descontraído nos manifestos, nas palavras, no português menos ortográfico, com menos termos ginecológicos.
Deve-se usar de todas as formas para cativar as pessoas.

E, se você se considera adulto para ter consciência dos prazeres da carne, também pode ter noção das dores que provoca nos animais ao usá-los como objetos de seu egoísmo. Portanto, bem vindo ao clube dos curiosos.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Uma voz sozinha, por jaulas vazias

Hoje eu falei para muitos biólogos. Mas eu estava só.
Embora como professora seja ótima para falar, sou tímida para falar em público. Mas o que eu tinha a dizer, só eu diria.

O tema do debate era o futuro do Zoológico da região metropolitana do Estado do Rio Grande do Sul.
O temor que gira entre o público e o privado ante o mistério do que será feito com os funcionários e trâmites gerais sobre o Zoológico, que pertence à Fundação Zoobotânica.
O que se disse no início da reunião é que ela se dava sob o ponto de vista dos animais, mas não foi o que percebi. 
O que mais aconteceu eram elogios ao bom trabalho até então realizado pelos funcionários do Zoo.

As imagens passadas no telão me causavam tudo, revolta, asco, tristeza. Mas a intenção era mostrar o quão lindo são os animais e o trabalho educacional/resgate/conservação e manejo genético de espécies.
 22 imagens de animais enlouquecendo em zoos pelo mundo - sou contra todas as jaulas, inclusive para humanos. O comportamento de olhar para parede indica algo como perturbação, loucura.
Essa mania de aprimorar genes, colecionar animais, troca troca de figurinhas (animais), emprestar, importar (como aconteceu com a girafa que tanto tivemos que lutar para impedir), garantir, aprisionar, colocá-los em uma jaula com piso de cimento e depois chamar tudo isso de tratamento adequado, é romanceado pelos meus colegas biólogos, presentes em massa neste evento.

Na platéia, onde eu estava, havia veterinários, biólogos, professores e defensores de animais. Atrás de mim, dois babacas falando de carne sem parar, como quem fala de partes do corpo de uma mulher, e elogiando grandes empresas de frigoríficos.
Ao meu lado um grande professor que tive, cuja frase levo até hoje em minha vida. Numa aula, disse que o biólogo deve estar no ambiente urbano, onde os problemas começam, e não lá longe, no meio do mato. Nunca mais esqueci disso.

Depois fui chamada à mesa para falar de algo "diferente": fechar essas jaulas e abrir santuários, tendência no Exterior. Aqui ainda se discute para quem se passa a chave da cadeia.
ISSO é tão ultrajante, que parece uma irônica instalação de arte, um absurdo, uma brincadeira de mau caratismo.
A desculpa da educação ambiental mais uma vez coloca o peso no colo das crianças. A pedagogia do cárcere, minimiza o animal como aquele que já perdeu tudo e é um arremedo de si mesmo.
Temos que aprender a não olhar para os animais como objetos.

A educação vegana respeita-os e os considera íntegros em seus próprios ambientes. Os animais resgatados precisam de santuários, longe da vista nociva do humano.
Os professores, e eu tenho mais de dez anos de prática didática sem essa bobagem, que se virem para encontrar formas mais interessantes e menos opressoras de educação.
Aprendam a respeitar, antes de olhar. E não é preciso ver o que não é daqui.
Nunca vi os seres vivos das Zonas Abissais do Pacífico, e minha erudição não ficou comprometida. Mas o mesmo não posso dizer de tantos outros que vivem fazendo churrascada e bebendo no parque zoológico como pretexto de ver os animais.

A educação ambiental há muito precisa ser questionada, aliás, no que se refere aos animais.
Em vez daquelas reuniões enfadonhas de professores, por que não refrescar a didática nesse sentido meus caros colegas?
Faltam propostas efetivas pois ainda se usam os mesmos métodos a séculos, ensinando as crianças a serem especistas e criando-se a cultura da jaula, da exploração, do uso dos animais como artefato, como diversão, e como se fosse obrigação deles estarem ali, como objeto de nosso estudo.

Não são. Eles não tem interesse em estar ali. Não querem nossa presença e não há nenhum benefício para os animais na visitação humana. Por isso é necessário a criação de santuários para a sua proteção e não para nosso deleite visual nem científico.

O fato de um determinado lugar que sim, permite a visitação de humanos, ser "modelo", não significa que ele seja ético. Os animais precisam ser deixados em paz. Chega da intervenção humana em demasia. Eles precisam dos cuidados básicos, do resgate, da reintegração, na medida do possível. Mas, dado isso, basta!
Basta dessa coisa de horda de pessoas enchendo o saco, visitas sem fim, sob pretextos mil. Uma vez na vida deixe-os em paz e em silêncio.

O curioso é constatar o romantismo dos meus colegas, pois é sempre a mesma conversa, ninguém sai do jargão. Todos estavam mais interessados é em seus empregos. Nunca há um outro questionamento. E eu me senti orgulhosa de mim, por estar aqui, e não lá, no meio deles.
Por ter falado contra a corrente a única coisa que importava, por ter dito o que ninguém provavelmente queria, ou esperava ouvir. E o que falei é algo baseado em bibliografia e em princípios filosóficos. Pois muitos pensam que, por usar jaleco, ser especialista em qualquer coisa ou ter doutorado, sabem mais. Nem sempre. Fiquei orgulhosa por saber intimamente, que, mesmo sendo voto vencido, eu estava ali para marcar presença e ser o que realmente sou: justa comigo e com os animais. Sou bióloga de verdade pois sigo meu juramento.

Ps.: No momento que você compactua com o troca troca de figurinhas entre os zoológicos, saiba que está compactuando com a perpetuação disso: Fotos chocantes do “Zoológico da Morte”, na Indonésia, evidenciam os horrores sofridos pelos animais
http://www.anda.jor.br/30/05/2014/fotos-chocantes-zoologico-morte-indonesia-evidenciam-horrores-sofridos-animais

terça-feira, 9 de junho de 2015

Pelos 43 estudantes desaparecidos no México

No dia 7 de junho participamos do Dia Mundial Pela Defesa dos Direitos Animais que está postado aqui: https://www.facebook.com/media/set/set=a.876949335718522.1073741865.145774425502687&type=1
Depois, o organizador emprestou seu equipamento de som para a Caravana Sudamérica 43 Brasil, Uruguay Y Argentina em memória dos 43 estudantes desaparecidos no México. Um dos sobreviventes estava na manifestação.
No México, assim como aqui no Brasil, a censura, o desconhecimento do que significa Direitos Humanos, a desinformação, a força do narcotráfico, a corrupção na polícia, são os principais motivos da impunidade e da tristeza que nos assola.

Não podemos pensar que estamos a salvo, visto que na época da Copa do Mundo, com tantos crimes e coisas que temos para resolver, teve gente que foi presa, detida e censurada, sem ter cometido crime algum. E, saímos de uma ditadura praticamente ontem. Só os ingênuos e incautos acham que vivemos livres.

E teve desavisado que nada tinha a ver com a manifestação do México que chegou no evento e já veio discutir com o nosso grupo, sendo que nós havíamos emprestado o equipamento para os mexicanos. Novamente o preconceito por que somos uma entidade a favor dos animais. Isso não impede que nossa luta se estenda para todos. Nem significa que todos da causa animal sejam santos.
Mas o babaca já veio com pedras na mão. Depois fui lá perguntar se ele era da organização, pois eu estava fazendo fotos para este blog.
Não só o trouxa não era, como depois de fazer os gestos histriônicos típicos de esquerda, foi embora. Ou seja, ele ficou dois minutos. Nós estamos nas causas, lutando a um tempão. E estes idiotas chegam para falar, sem saber de nada. O cara era um viandante (transeunte), um portoalegrense típico de nariz empinado, dos que tenho conhecido vários, desde que vim morar aqui.

É um ou dois apenas quem faz chilique, mas como não poderia deixar de falar em meu blog, pois aqui não é só flores nem puxo saco, deixo sempre registrado. Não fico calada diante das injustiças. Quem deixa quieto é conivente e é mais culpado, é mais covarde ainda.

O resto das pessoas estava lá prestando atenção, não apenas em nossa manifestação, que foi um sucesso, mas nesta, que merece ser ouvida.

Para saber mais sobre este assunto, pesquise no Google do México os 43 normalistas de Ayotzinapa.

Eles merecem que, pelo menos, a gente deixe de ser tacanho aqui no Brasil e comece a ler sobre Direitos Humanos.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Procurei a menina do cemitério e encontrei a mulher que luta pela paz

Eu procurava a muito tempo esta cantora. Ouvia uma música específica, anos oitenta, numa rádio maluca que toca músicas muito diferentes durante a madrugada. A rádio pode variar entre Cocteau Twins e Eros Ramazzotti. Mas havia uma música desta cantora. Este jeito meio Madonna. (Ou seja, linda! - eu fiz esse cabelo uma época, mas como o meu não é tão comprido que digamos, não ficou com esse efeito) Pois levei muitos anos até descobrir o nome dela. Sandra Ann Lauer. Sou muito lenta para nomes de música, na verdade não estou nem aí para nomes, estilos, eu amo música e ponto.
Depois, lendo sobre a cantora, fui descobrir que ela tem diversos sucessos, mas não curto ficar falando sobre música, pois quem entende de música e é músico é meu marido. Meu lance é ouvir e dançar. Ouçam agora a Little Girl, mas, quando eu vi o clipe, me apaixonei pela cantora.
Nas minhas pesquisas, vejam o que encontrei:
Sandra Ann Lauer fez campanhas contra os testes em animais
Ela faz músicas com letras fora do padrão da música pop, com temas como prostituição, amor aos animais, e uma das músicas fala claramente contra os testes em animais, ouça:

Ainda não encontrei a música que procuro desta cantora. É uma música parecida com a Little Girl, com um som de avião no começo. Toca de vez em quando nesta rádio durante a madrugada. Mas a dona da voz eu já conheci, e que grande encontro, por sinal!

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

O cérebro das vacas e sua falta de maturidade – ou educação

Coluna Desobediência Vegana - Ellen Augusta Valer de Freitas
Você entra no açougue e não se importa de comprar carne. Ou lida com pedaços de animais, embutidos, ou traços deles por toda a parte. Mas sente repugnância quando está diante de partes específicas como rins, tripas, cabeça?

Ou não! Não sente nada disso, você é a macha, ou o machão, mas fica cheio de dedos pois acha que esses assuntos devem ser tratados com ‘cuidado’, com ‘educação’, com ‘mimos’, como se todo mundo fosse idiotizado, como se ninguém pudesse ter maturidade para falar abertamente sobre temas fortes e para maiores de 18 anos?

Pois vamos falar de maturidade e de nojeiras. Vamos falar de miolos de vacas, de tripas, de rins.

No açougue, são vendidas cabeças de vacas, cabeças de porcos, com seus cérebros intactos, congelados. Os olhos esbugalhados, nos olhando. Muitas vezes observei atentamente os consumidores. Se é na zona nobre, eles compram as partes nobres, pois é o que há. Se é na zona simples, eles compram tudo, pois tudo pode ser comido. Eu mesma, nos meus tempos de comer carne, pois não nasci vegana, já comi algumas dessas coisas. Meu pai ia ao matadouro, que provavelmente era clandestino. Rins, fígado, tripas, que se chama ‘educadamente’ para as madames e gentlemen de mondongo ou dobradinha. E não tenho nojo de nada. Sou vegana há muitos anos, desde o primeiro momento, por ética e revolta.
Meu talento é este, é o que sei oferecer, falar sobre corações de vacas, tripas, fortaleza, através do bizarro, do obscuro, da crítica a tudo o que me fere. Procurar a justiça. Quem entra por mim há milênios e se choca com o mesmo muro, forte, mas frágil por dentro, suave e limpo, pois me conheço muito bem, e ainda assim se incomoda, deve procurar aquela esquina ali, e dobrar. E voltar sempre que, lá fora, encontrar a mesma falsidade disfarçada de bobagem de auto-ajuda.

Escândalos do leite sujo e contaminado, seguidas por propagandas cada vez mais insistentes, abusivas, e você ainda acredita? Pois siga… dobre a esquina. Abra esse pacote que te levou ao vício, compre esse combo de especismo, essa maravilha de palavras doces, açucaradas e corrigidas pelo dicionário do cinismo, e compre leite, ovos caipiras, carne colorida, branca, vermelha, incolor.

E é preciso ter maturidade e perceber que o sujeito pode criar para si armadilhas, mas pode também libertar-se. E isso não tem só relação com o consumo de carne, ou a procura do que ler. É impactante a visão de alguém preso. Amarrado a relacionamentos imbecis, a amizades com gente perigosa, vícios, sensação de poder, bagulhos dentro de casa que o torna prisioneiro de si mesmo, doenças e síndromes que o sistema oferece. Tudo dentro de uma bandeja, para depois ir buscar no comércio a solução.

A ilusão de que uma opinião é sabedoria, de que um objeto é riqueza, de que uma sensação é um sentimento, só traz mais sofrimento aos animais. Pois é assim que se escolhe: no açougue e na vida.

publicado na ANDA - Agência de Notícias de Direitos Animais
 http://www.anda.jor.br/11/11/2014/cerebro-vacas-falta-maturidade-educacao

sábado, 1 de novembro de 2014

Direitos humanos são para o ladrão ou animais são feitos para isso?

Publicado originalmente na ANDA em 7 de abril de 2012

As condições dos presídios no Brasil são péssimas e me choca ver pessoas com curso superior no velho discurso demagógico de que presos não merecem ter comida, condições de higiene, etc. Que esse dinheiro deveria ser empregado em outras áreas sociais.
É o velho clichê que todo ativista pelos animais já ouviu: por que se preocupar com animais se há tanta criança passando fome?
Por que a sociedade rapidamente opina sobre o que mal conhece, mas na hora de tomar uma atitude prefere ficar calada e omissa? No começo do ano houve uma consulta popular para a melhora nas condições dos presídios no país. Há dinheiro para isso assim como há dinheiro para a educação, mas por falta de interesse social, a educação está em último lugar na hora dos investimentos políticos. A consulta popular mal foi divulgada nas redes sociais… Por outro lado, nas mesmas redes, diversas imagens apontam para conceitos atrasados e reacionários sobre este e outros assuntos que são tabu no Brasil, mas que na hora das eleições sempre voltam à tona, não para serem discutidos, mas para servirem de apoio a este ou àquele candidato.
Por que na hora de exigir direitos pessoais todos são categóricos, mas na hora de colaborar socialmente ninguém quer começar?
A sociedade brasileira há muito tempo precisa acordar para algo muito sensível: o fato de um preso não ter um colchão podre e um prato de comida jamais irá minimizar a dor de quem teve um filho assassinado ou um ente querido ferido.
O tempo das cavernas e do olho por olho há muito tempo já passou. Há muita gente nos presídios, muitas dessas pessoas entram para o mundo do crime por causa da própria sociedade e não por que nasceu com uma ‘alma terrível’. E existem criminosos fora dos presídios que a população elege e os aceita como governantes. É quanto a isso que deveríamos refletir. E é claro que quem comete um crime contra os direitos humanos deve pagar mas não com outra violação, desta vez, de seus direitos.
Quando eu era criança, costumava desenhar tudo o que via. Quando visitava pessoas em situação de miséria, ao chegar em casa fazia um desenho da situação.
Hoje, não posso deixar de retratar as coisas que vejo e que considero injusta. Na causa animal já temos coisas demais com que lidar, uma incompreensão tremenda de nossa própria condição de animais humanos.
Para esta sociedade, ver um animal como coisa, como objeto a ser devorado não é nada absurdo, é apenas consequência de anos de condicionamento cartesiano, pois a mesma sociedade vê o outro como coisa e o vigia incessantemente.
Não consegui assistir até o fim o documentário Justiça, da cineasta Maria Augusta Ramos, mas sugiro para aprofundamento deste assunto.

Para terminar convido o leitor a conhecer este artigo do escritor Ezio Flavio Bazzo:

Os filhos do Ocaso/Ou o Caje é nossa Treblinka…
Entender porque os duzentos e tantos internos que estão confinados no CAJE cometeram tais e quais crimes e transgressões sociais não é difícil, o problema mesmo é compreender como é que uma sociedade que se diz religiosa, trabalhadora, democrata, moderna e altruísta (até socialista!) consegue seguir respirando e cagando ao redor de uma instituição dessas que, nos moldes de Treblinka, mantém enjauladas tantas crianças.
Não se agite funcionariozinho público ou comerciantezinho de bagatelas que vai se confessar todos os domingos, pois já sei tua opinião sobre esse assunto:
– Deviam era fuzilar esses bandidos! Não é verdade?
Pensas assim por ignorância e porque não consegues admitir que se teus filhos tivessem nascido no inferno onde nasceram esses “pequenos prisioneiros” estariam todos, como eles, atrás das grades e mais, pelos mesmos delitos. Ou segues acreditando que o problema deles é genético? Que pode ser explicado pelo espiritismo?
Há décadas os políticos juram que vão dar um jeito nesse aborto prisional e nada. Nos finais de semana as mesmas mães estão lá junto às cercas de arame farpado para, pelo menos, dar um abraço semanal em seus pequenos heróis. E saibam: os crimes daquelas crianças, quase sempre são expressões do desejo até de seus bisavós que, como elas, passaram e suportaram infernos semelhantes…
Apesar de todas as demagogias fascistas em contrário, manter um homem numa jaula é um crime. E um crime muito pior que qualquer outro, já que ele é sempre consciente, planejado, vingativo e arquitetado pelo Estado e por seus lacaios… Somos um povo lesado e atrasado, não conseguimos fazer nada objetivamente. Perdemos nossas vidas em reuniões inúteis e presunçosas e precisamos de anos para mudar uma mesa ou uma janela de lugar.
O CAJE (e a escada rolante da rodoviária) são os exemplos mais estapafúrdios. Com o dinheiro que (supostamente) já jogaram ali naqueles calabouços daria para terem instalado água potável, saneamento básico e orquestras sinfônicas em todas as bibocas nacionais de onde é procedente a maioria desses pobres infratores.

Para ajudar um presídio (sim, e dá para continuar a ser ativista pelos animais) clique neste link: http://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2011/08/doacao-de-livros-para-presidio-agricola.html

Obs.: publicado originalmente na ANDA, na data de 7 de abril de 2012, em minha coluna mensal. Sob muitos comentários ofensivos, preconceituosos, xexelentos e de baixa qualidade. Esse ponto me marcou, não por que eu leia comentários de portais, jamais leio e jamais comento. Não. Me contaram. Pouco me importo com opinião. Mas me chocou constatar o nível mental e até mesmo o caráter do tipo de pessoa que se considera instruída e capaz de 'opinar'.

domingo, 14 de setembro de 2014

Lei Arouca: as bases genéticas da falta de percepção

Ellen Augusta Valer de Freitas

publicado na ANDA - Agência de Notícias de Direitos Animais http://www.anda.jor.br/category/colunistas/ellen-augusta-valer-de-freitas  e
na Pensata Animal nº 15 - Setembro de 2008 - www.pensataanimal.net

No primeiro semestre deste ano, a senadora Marina Silva defendeu o ensino do criacionismo nas escolas, após participar de um simpósio sobre o assunto, ainda como ministra do Meio Ambiente. Pois o criacionismo, que é uma das inúmeras crenças religiosas a respeito do surgimento da vida, passaria a ser comparado à Evolução, ciência que explica por meio de claras evidências ao longo da história, e na própria composição dos organismos atuais, a trajetória da formação de novas espécies ao longo dos milhares de anos. O criacionismo é apenas um dos mitos sobre a criação do mundo e do ser humano, e deve ser respeitado como qualquer outro de qualquer religião, mas nunca comparado a uma teoria que é base da Biologia e de tantas outras ciências, até hoje nunca refutada. Muito ao contrário, com as descobertas mais recentes sobre o código genético, a teoria de Charles Darwin fica a cada dia mais consistente e fascinante.

As descobertas do naturalista Darwin seguem até hoje como uma espada que corta, provoca e derruba nosso orgulho mais básico. Concordo com os pesquisadores Richard Wrangham e Dale Peterson, que escreveram o livro ‘O Macho Demoníaco: As Origens da Agressividade Humana', que talvez o orgulho seja a principal característica dos grandes primatas - e, neste grupo, estamos incluídos. Uma característica que turva a percepção.

Aí entra a aprovação da Lei Arouca. Pois como explicar que ainda hoje, em face de tantas tecnologias e formas de obter novos conhecimentos, ainda se pratique a barbárie do uso de animais sencientes em pesquisas científicas - de caráter nem sempre claro, nem para os próprios pesquisadores? E como explicar que, embora existam muitas alternativas ao uso de animais de laboratório, e que na Europa estas já venham sendo usadas em diversos hospitais, centros de pesquisas e centros veterinários, aqui no nosso Terceiro Mundo preferimos pagar mais caro por ‘modelos vivos' que dão lucro à imensa indústria de animais?

Uma explicação para que a humanidade siga sobrepujando os animais, negando-lhes o estado de direito, humilhando suas necessidades mais básicas, pode ser a vergonha de admitir que os animais pertencem à mesma natureza humana ou que o ser humano é, enfim, um animal. O ser humano nega estender os direitos morais por diversas razões, desde o preconceito chamado especismo, até por que reconhecer que os animais têm direitos fere mais uma vez o orgulho humano, como muitas vezes na história já aconteceu. Desde o século de Darwin, é deveras difícil assimilar e admitir que não somos o centro do Universo e, se requeremos direitos de sermos respeitados e valorizados nos nossos instintos mais básicos, nada mais natural que estender esses direitos a animais que, como nós, ou como muitos de nós, sentem medo, dor, afeto e possuem até capacidade de abstração.

Nada mais lógico que, se nos regalamos seres dotados de capacidade intelectual, devemos por essa mesma razão aguçar nossa percepção para as necessidades dos outros animais, e não continuar seguindo no egoísmo puramente preconceituoso de colocar a humanidade em primeiro lugar. De fato, colocar o ser humano em primeiro plano não contribuiu para que o mesmo ficasse ileso das conseqüências de seus atos diante da Natureza. A cada dia, percebemos que nossas ações, ao contrário do que gostaríamos, nos coloca como seres frágeis diante de um cataclisma ambiental.

Imaginar que o criacionismo deva ser ensinado nas escolas junto com as idéias evolucionistas, desprezando as demais crenças religiosas e misturando-as com fatos comprováveis e básicos da ciência, é querer preservar o pseudo-poder que nos arrogamos há muitos séculos atrás, quando tais disparates até eram admissíveis em face da ignorância da época. Mas, hoje, não.

Ora, quem hoje considera plausível a teoria de Charles Darwin - e ela é, pois é a base da Biologia e de muitos estudos a ela relacionados - certamente precisa considerar as implicações morais desta brilhante descoberta. Tom Regan defende que não é apenas o sofrimento que infligimos aos animais que está errado. "O que está fundamentalmente errado, em vez, é o sistema inteiro, e não seus detalhes. Pela mesma razão que mulheres não existem para servir aos homens, os pobres para os ricos, e os fracos para os fortes, os animais também não existem para nos servir", aponta. Que já nos serviram, e muito, durante o desenvolvimento humano, não é justificativa para que sigamos explorando, mesmo com tecnologia e inteligência suficientes para utilizar alternativas - que já existem - e criar novas. Não há justificativa moral para a traição que lhes causamos.

Nossa responsabilidade moral por sermos sujeitos que modificam o mundo não nos confere o direito da tirania sobre os animais. Muito ao contrário, nos coloca a obrigação moral de libertar e reparar, se é que é possível, nossos erros. Mas, para tanto, é preciso percebê-los.

BIBLIOGRAFIA

RACHELS, J. Created from animals: the moral implication of Darwinism. Oxford: Oxford University Press, 1990.

WRANGHAM, R., PETERSON, D. O Macho Demoníaco: As Origens da Agressividade Humana. Comportamento, 1998.

REGAN, T. The Philosophy of Animal Rights by Dr. Tom Regan. Em: www.cultureandanimals.org/animalrights.

"DIREITO DOS ANIMAIS - PERGUNTAS E RESPOSTAS", em http://www.vegetarianismo.com.br

NACONECY, C. M. Ética e Animais: um guia de argumentação filosófica. EDIPUCRS, 2006.

Ellen Augusta Valer de Freitas
ellenaugusta@gmail.com
Licenciada em Biologia, com formação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos - Unisinos. Foi bolsista de Iniciação Científica pelo CNPq no Instituto Anchietano de Pesquisas. Tem experiência na área de Ecologia com ênfase em Zooarqueologia, atuando principalmente nos seguintes temas: captação de recursos aquáticos, gerenciamento recursos hídricos, estudo da alimentação de povos indígenas, educação e pesquisa em arqueofauna em alguns sítios arqueológicos do Projeto Corumbá - Pantanal. Trabalha atualmente com educação de jovens e adultos em escola particular, com enfoque para o assunto: ética e animais.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Quem tem gato precisa ter redes nas janelas - quem tem crianças também

Quantas vezes fui em casas de pessoas com crianças, onde as casas eram entulhadas de lixo, insalubres e sem espaços para brincar. Daí concluía que aquelas pessoas eram tudo, menos gente que estava preocupada com crianças... Mas se você falar... passa por chato, inconveniente... E com relação aos animais, pior ainda. Ninguém quer saber.
Exemplo de rede - diferente do conceito da maioria, considero super decorativo e mais, acho um indicativo de que a pessoa se importa (com gatos, cães, crianças, idosos, etc) quando vejo da rua que sua casa possui redes nas janelas. Super alto astral!
Eu saída do lugar com uma sensação de claustrofobia. O lugar cheio de móveis escuros, coisas entulhadas, e pouco espaço para as pobres crianças. Por que ter filhos se você não tem nem espaço para eles?

Nós temos redes em todas as janelas do nosso apartamento, menos em uma janela da cozinha, que ficou sempre fechada até hoje. Nessa semana iremos colocar. Estou feliz pois é mais um espaço onde os gatos podem ficar à vontade, olhar a rua e eu também a usarei. Não é possível abrir janelas quando se tem gatos em casa e se mora no terceiro andar, sem redes de proteção.
algumas ideias para gatos
Gatos são animais que buscam aventuras em qualquer fase da vida, eles não desistem de buscar gravetos, insetos, aves e fantasias de suas mentes de felinos por isso não racionalize, chame um instalador de redes. Custará pouco para instalar na minha janela aqui. Os custos com acidentes envolvendo caídas de felinos em prédios são salgados, mas a dor que eles sentem não tem preço e deixam sequelas neurológicas e/ou físicas. Mas eles nada dizem.
 brinquedos divertidos para gatos...invente! Eles adoram...

Se você tivesse um filho, deixaria a lei da selva gerir seus passos? Eu chamaria o conselho tutelar, no mínimo. Por isso, é importante pensar bem antes de decidir por ter animais de estimação em apartamentos. Existem prós e contras e não basta apenas 'amar'. O respeito aos animais inclui o cuidado com sua saúde, bem estar, desde seu nascimento até a velhice e mesmo a sua morte. Seus instintos prevalecem mesmo depois de castrados. E é importante a castração para que sua vida seja longa.

Ao sair, não podem ficar trancados no banheiro ou coisa parecida. Precisam de cuidados. Nós deixamos que a Taís Duranti venha visitá-los, quando vamos viajar. Ela vai nas casas e cuida de gatos. https://www.facebook.com/tais.pereira.9634340?fref=ts  Os gatos gostam dela, já fizeram amizade e tudo! E a gente fica em paz, pois tem sempre a companhia dela, além de que ela cuida mesmo, dá água, comida, olha para ver onde eles estão, pois gato sempre está aprontando alguma, SOBRETUDO quando não estamos por perto...
 Divertimentos para gatos custam pouco. Colchonete comprei em brechó. Fica no canto extremo da casa.
 Caixa encontrada no lixo é o brinquedo preferido do Bob. O tapete é do brechó da Gelcira e ele adora.
Achei duas caixas de vinho argentino como essa no lixo! Claaaro que peguei para colocar os libros que estou lendo, mas o Bob se adonou de uma.
Para que essa conversa vá além de uma postagem, é interessante consultar um veterinário de confiança e se informar sobre vacinas e sobre higiene também. 
Ele adora essa caixa pois se sente protegido. Tem papelão no fundo e ele fica raspando com a unha, é sua maior diversão.
Os brinquedos são simples, mas a comida e a saúde nós procuramos dar o melhor possível. Indico a Clínica do Gato, pois atenderam sempre bem e entendem mesmo de bichanos. Não adianta 'pagar barato' e depois gastar em dobro ou perder a vida de um animal querido.
Só compreendo protetoras e protetores que bravamente precisam atender muitos animais e aí sim, claramente, precisando de doações, qualquer marca de ração tá valendo, o dinheiro é sempre pouco e o veterinário faz o bastantão. Nós ajudamos algumas e sabemos como é! Mas tem muita gente que não está nessa situação, portanto, essas pessoas podem economizar no supérfluo que sempre é muito às vezes, e dedicar ao que importa mais. Organizando-se pode-se dedicar um pouco mais de atenção a estes seres, já que não foi escolha deles estarem em nossa casa. Temos essa responsabilidade.
Só adote se for com responsabilidade. Não compre animais!

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Sobre o ato de escrever parte dois

Uma coisa nunca esquecerei. Apenas uma coisa me chocou muito e fiquei profundamente magoada. Quando escrevi um artigo na Anda relacionando os direitos humanos aos direitos animais. Como educadora, considero essencial a correlação. É importante, até para a manutenção da inteligência, a capacidade de correlacionar assuntos que, aparentemente estão distantes, mas tem tudo a ver!

Nós ativistas dos direitos animais, sempre somos acusados de nada fazer em relação às pessoas. Somos acusados, justamente por pessoas que geralmente nada fazem quanto aos humanos. Elas adoram apontar, justamente por que se sentem incomodadas por notar que alguém faz, seja o que for.
Pois notei que ao escrever este texto, houve uma repercussão muito negativa. Isso me levou a crer que as pessoas de um modo geral foram rasteiras e pequenas, criticaram de uma forma tacanha. Eu em nenhum momento entrei no meu artigo para ler e responder os comentários. Isso foi feito por outra pessoa. Não me dei este trabalho.
Essa classe média que entrou lá, que nunca teve sua porta chutada pela polícia, que nunca perdeu um filho na mão de torturador/todos sabem quem tortura, né?, que nunca chorou de fome, não sabe o que é viver na pobreza, portanto, critica sem ter base. Não lê e não sabe do que fala. Se lesse, se soubesse, se vivesse na pele, não falaria, escreveria coisas boas ou pelo menos, ficaria em silêncio. Quem sabe, quem leu decências na vida, foi quem entrou lá para defender, para acreditar e para escrever coisas legais, ponderar, fazer pensar e refletir. Não quero que as pessoas concordem com tudo o que digo, nem era para isso o texto. Mas me choquei muito em saber que a maioria ( sim, generalizo, por que é e pensa dessa forma, de uma forma mesquinha, e sem pensar a fundo, sobre a questão humana, a maioria da população) pensa dessa forma sobre sua própria condição, achando que está pensando sobre a condição do outro.

Pois a questão dos direitos humanos, seu classe média preconceituoso, vale para você também. E eu luto para que ela valha para você e para mim. Tanto e de igual forma. E que ela se estenda para os outros animais. Pois já existe o conceito de 'pessoa humana' e 'pessoa animal'.

Hoje, eu não tenho mais mágoa. Mas não esqueço e não perdoo. Pois sei que essa gente agressiva vota, faz filho, faz escolhas e julga, assim como eu estou julgando agora e de forma proposital.

No interior de cidadezinhas, polícia-padre-empresas-política são estruturas sempre bem azeitadas para cooperarem entre si. Todos os favores bem servidos, para alguns. Toda a comunidade em silêncio. Ninguém fala nada, os animais, as crianças e o povo todo assistem as decisões. Por que ninguém pensa a respeito disso? Os pobres pagando a conta da visita do papa ao país. O teatro todo lá no campo da 'fé' no último minuto, tirou a oportunidade de um monte de gente de, pelo menos, tirar um troquinho, daquela palhaçada toda, mas nem isso!
Não! Ainda nós, pobres terceiromundistas, é que bancamos tudo, até o prejuízo.

A possibilidade de fazer essas e outras correlações é importante para que o ser humano possa ser mais humano e não essa coisa que só sabe xingar,  espernear, contorcer-se entre demandas que nunca acabam...Onde terminará isso? Não haverá nunca a real comunicação entre os humanos, dessa forma.
Para todos nós 'outros', que não temos classe, cor, etnia, nem dinheiro, posição, nem mesmo importa a espécie, fica a pergunta: será que os direitos valerão para nós no dia em que deles precisarmos? para você que fica praguejando, nesse negativismo em frente à TV, essa 'coisa do demo', como dizem, pense bem, se vale a pena desqualificar o discurso dos pacifistas e ativistas, toda a vez que alguém fala em direitos humanos, ou direitos animais. E você que pensa que está 'de um lado' ou de outro, saiba que não existe lado. É tudo invenção de sua cabeça esquizóide. As lutas são uma só. E torça para não ser preso por terrorismo, por lutar por sua causa, pois aí haverão outros gritando o mesmo que você grita agora, só que do outro lado.
Ellen Augusta
preso por defender os direitos humanos
Filme que definiu minha forma de pensar sobre a vida. Quero viver e morrer como ela. E sou como o garoto que só pensa em cometer piadas práticas sobre suicídio, visita cemitérios e não sabe ainda o que é a vida... amo os dois!

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Cinco anos escrevendo para Anda

Comecei a escrever para a ANDA de uma forma curiosa. A Silvana me convidou e convidou meu marido sem saber que nós éramos casados. Foi muito engraçado. Ela ligou para ele e contou que havia me convidado e perguntou se ele me conhecia. E ele brincou "dizem que só se conhece uma pessoa quando se dorme e acorda junto com ela..."
A Anda começou e começamos juntos. Escrevendo sobre direitos animais, me sinto importante, ajudando, sendo lida, podendo expressar o que sinto e penso.
Abaixo transcrevo alguns depoimentos, que fizemos para o site. Parabéns Silvana, sua atitude faz a diferença na divulgação dessa causa.
http://www.anda.jor.br/28/11/2013/cinco-anos-anda-revolucao-humano

Cinco anos de trabalho sério, pautado na perspectiva ética animalista abolicionista, noticiando para o Brasil e o mundo os fatos relacionados ao modo pelo qual os seres humanos ainda tratam os animais que não têm sua configuração biológica e genômica. Esse trabalho é um divisor de águas no jornalismo brasileiro. Parabéns à ANDA, especialmente à pessoa da jornalista Silvana Andrade, por criar esse espaço de expressão da causa animal e por sustentar com seu trabalho diuturno e suas finanças pessoais, mesmo beirando seus limites contábeis, essa instituição sem a qual as brasileiras e os brasileiros estariam há léguas da compreensão do dever de consideração ética por todos os animais. Parabéns também a todos os colegas colunistas, que ofereceram nesses cinco anos, seu trabalho de produção de texto para compor a galeria na qual as reflexões éticas animalistas estão expostas em todos os tons e nuances. É com orgulho que tenho feito parte desse grupo. Minha gratidão a toda gente e aos que visitam essa página diariamente, de todos os países do mundo e de todas as regiões brasileiras.
Sonia T., coluna Questão de Ética

“É com imenso orgulho que escrevo, através de uma coluna, artigos sobre desobediência vegana. Desobedecer o sistema de exploração imposto, desobedecer padrões alimentares, educacionais, sistemas econômicos que sugam animais e sociedades, preconceitos vigentes, ideologias camufladas, através da alimentação e do estilo de vida vegano. A ANDA é uma agência de notícias focada nos animais. Posso escrever sobre temas que, em outros lugares, seriam censurados ou ignorados. A importância desse canal está em conquistar leitores do mundo inteiro para o respeito aos animais, para a mudança de atitude em relação ao modo como tratamos nossos semelhantes, não importa a raça, espécie, condição social ou sexo. Estamos mostrando aos leitores que existem novas fronteiras a serem exploradas, quando falamos em respeito ao próximo.”
Ellen Augusta, coluna Desobediência Vegana

“Sem desobediência não há mudança. Algo assim foi o que li recentemente na Internet, e achei bacana. A ANDA está conseguindo modificar um paradigma pétreo na Imprensa brasileira, o de publicar notícia sobre animais ou na seção de agronegócio, ou como inusitado / superação / ‘ai-que-amor’. Engatinha-se em nova editorias – com o respectivo impacto e debate por parte do público. Em um planeta midiático, no caleidoscópio desta sociedade da informação, nada melhor do que a luz dos holofotes para instigar, deixar as pessoas desconfortáveis em suas cadeiras, e tratar do ora incômodo tema dos direitos animais. Sabemos que o bombardeio do ‘outro lado’ é pesado e constante, com seu orçamento ilimitado, mas a ANDA se tornou uma trincheira que não é mais possível se ignorar. ‘Com um só palito, para o motor’, dizia Raul Seixas.”
Marcio de Almeida Bueno, coluna Vanguarda Abolicionista

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Eu também sou gorda

Quando leio em sites de dietas malucas as meninas de 12 anos ou menos ainda, preocupadas com seu peso, sinto que a escola está muito pior do que na época em que estudava. Eu sempre detestei a escola regular e os professores medíocres que ali estavam. Quando me tornei professora, prometi não ser como eles.
Não pense que as magras estão salvas. O preconceito é reverso. As pessoas pensam que você está sempre de dieta, ou que não come, ou que não se gosta assim. E o fato é que sempre me gostei magra. Não gostava era de minhas pernas finas...Hoje elas são lindas para mim e não as depilo. Não gostava dos meus dentes tortos. Com o tempo recebi elogios de pessoas especiais e hoje adoro o que tenho. Minha dentista disse-me que não preciso usar aparelho se eu não quiser. E eu não quero.

E o preconceito contra os gordos?
Mitos como o de que o gordo é uma pessoa sedentária, que vive comendo o dia todo ou que não faz exercícios é o mais comum.
E o mais curioso, eu sempre comi muito e sempre tive uma vida sedentária. E mesmo assim sempre fui magra.
Outro mito é de que o gordo é uma pessoa doente. Eu conheço muita gente magra que tem vários problemas atribuídos ao gordo, como o diabetes.
Você já percebeu que as lojas não têm roupas nem sapatos para a realidade brasileira? Eu já.

Quando digo que tenho uma dieta vegana, as pessoas imediatamente se tornam 'nutricionistas', 'conselheiros espirituais', 'médicos', 'psiquiatras', chatos.
As 'dicas' passam sempre pelo óbvio: faça exercícios, não coma massa ou gorduras...
As dicas também passam pelo ridículo: o leite é a única fonte de cálcio, você precisa comer carne, peixe é um alimento saudável, onde você encontra proteínas?, a comida vegana é cara, a pecuária é uma 'fonte de empregos e riquezas para o país'...
Minha dieta não é por saúde nem por estética. É por respeito a mim mesma, por respeito aos animais, pois não quero ser um túmulo nem uma prisão para eles, só por que meu vício e meu egoísmo são maiores. Não é por religião, pois, por ser baseada em crenças antropocêntricas, é egoico. Não é pelo meio ambiente porque não sou ambientalista. Sou bióloga.

A dieta vegana oferece muitos benefícios físicos para quem, por que o médico sentenciou, precisa parar de comer carne e derivados.
Também oferece um equilíbrio e um estilo de vida interessante para quem, por uma crença em algo maior ou por um espírito forte, que pode ser ateu, deseja parar de fazer uso de animais (não somente os Vertebrados) e todos os seus derivados.
E para aqueles que, por redução de impacto ambiental, já se deram conta de que esse é o único estilo de vida ecológico.

Mas é triste ler sobre dietas que incluem comidas industrializadas, frango e peixe, estes, conhecidos pelos potenciais tóxicos, ou laticínios, produtores de muco e outras coisas indesejáveis.
As 'carnes magras e brancas' já dizem tudo sobre o preconceito a que estamos sujeitas.
Essas dietas geralmente são genéricas e óbvias, ou seja, elas dizem tudo o que as pessoas querem ouvir. Que você não precisa mudar nada na sua vida.
Se fosse assim, todo mundo estaria magro.

Eu tenho uma dificuldade astronômica em mudar algumas coisas.
Mas para outras, bastou a percepção. Explore isso em você. Tente descobrir quais as coisas mais fáceis de mudar, por que nestas a percepção é mais forte. O resto é mais difícil, mas teve um começo.
Mergulhar de cara no impossível não é produtivo. Nem ficar se comparando. Eu sempre fui a de nariz empinado, a magra de ruim, mas sempre gostei de ser eu. Me comparei com alguém sim, mas hoje jamais seria aquela pessoa. Jamais.
Ellen Augusta
A proud feminist quote: “Yes, I’m fat. Yes, this is a bikini. Never thought I’d ever get the confidence that I have today to wear this. I’m really proud of the beautiful woman I’ve grown into. “

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Exemplos de atividades educacionais sobre direitos animais e veganismo

Colégio da Região Metropolitana promove palestras sobre vegetarianismo

Nesta segunda-feira, dia 16 de junho, o Colégio Saint Germain, localizado em Sapucaia do Sul, Região Metropolitana de Porto Alegre, promoveu um ciclo de palestras e exibição de vídeos sobre vegetarianismo, para alunos de diversos níveis. A partir de uma iniciativa da professora de Biologia Ellen Augusta, que elaborou o tema Pecuária e Aquecimento Global, foi convidado o coordenador da SVB Poa - Sociedade Vegetariana Brasileira de Porto Alegre, Rafael Bán Jacobsen, que deu cinco palestras durante todo o dia. O objetivo foi despertar nos alunos do EJA - Educação para Jovens e Adultos - o questionamento frente aos hábitos alimentares do dia-a-dia, o tratamento dispensado aos animais destinados ao consumo, a bioética e, em especial, a destruição do meio ambiente, já que educandário havia proposto um projeto denominado Diversidade e Aquecimento Global. Estudantes de idades que variavam de 18 a 50 anos puderam assistir o documentário A Carne É Fraca, produzido pelo Instituto Nina Rosa, que liga a destruição de florestas e recursos naturais com a produção de carne, além de apresentar uma dolorosa verdade sobre a criação e abate de frangos e gado. Houve quem se emocionasse, e até mesmo deixasse o local. Em seguida, Jacobsen apresentava um painel sobre alimentação vegetariana, relacionando conceitos, respondendo perguntas e esclarecendo questões. "A atividade na escola foi bastante rica, sob vários aspectos. Com a exibição do vídeo e a palestra, além das atividades desenvolvidas pela professora Ellen, a grande maioria dos alunos teve seu primeiro contato com o vegetarianismo", comentou o palestrante. "Estou certo de que foi um primeiro e importante passo apresentar para tantos as vantagens da alimentação vegetariana para a saúde, a questão dos direitos animais e, é claro, o que era o foco central do projeto: o impacto de uma dieta centrada na carne sobre o meio ambiente".

Fotos: Ellen Augusta


Coordenador da SVB foi o responsável pelo ciclo de palestras na segunda-feira

Os alunos não esconderam a surpresa diante das informações trazidas pelo ministrante, e também pelo documentário, que não recebem a devida divulgação pela mídia. O resultado foi um perceptível volume de perguntas, com grande interação entre platéia e palestrante. "Foram perguntas dos mais variados tipos, mas que podem ser agrupadas em duas categorias: aquelas motivadas pelo desejo de saber mais e, talvez, mudar os hábitos, e aquelas defensivas, de quem ainda tentava salvar o hábito de comer carne com alguma possível justificativa", apontou Rafael Jacobsen.

Alunos trabalharam com o jornal Bem Estar, que trazia a matéria Uma Outra Verdade Inconveniente, sobre pecuária e aquecimento global Para a professora Ellen Augusta Valer de Freitas, o evento foi complementar a diversas questões levantadas em sala de aula. "É obrigação do profissional de Biologia, e também de outras áreas, informar que o hábito de comer carne contribui significativamente para as mudanças climáticas", explicou. Sendo ela própria vegetariana, e integrante do GAE - Grupo pela Abolição do Especismo, teve a satisfação de poder levar ao conhecimento dos estudantes uma realidade escondida atrás das propagandas e das paredes dos abatedouros. "Muitos alunos demonstraram interesse na dieta vegetariana, por compaixão aos animais, saúde e preocupação com o ambiente. Pediram receitas, cópias do vídeo para mostrar a amigos e materiais impressos. A educação-cidadã não deve ignorar fatos contundentes e convincentes, e exige a real transformação da realidade, sem promover a mera compilação de informações", conclui. * Marcio de Almeida Bueno, jornalista (Mtb 9669)

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Ativismo prático

Materiais recebidos do grupo Vida Universal, da Alemanha

 É muito bom receber correspondência, e quando é de alguém que admiramos muito, ainda melhor.
 O grupo tem um material completo sobre todos os assuntos referente aos direitos animais



 Uma matéria interessante sobre os peixes em seu novo informe, totalmente em português.
 Materiais completos sobre vivissecção...
 Livros traduzidos para várias línguas e distribuidos em todo o mundo
 a casa fica bagunçada, mas o que importa é a alegria de receber estes materiais que serão muito bem aproveitados aqui.
 Agradeço muito ao grupo Vida Universal pela amizade e colaboração constante. Obrigada.
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