por Ellen Augusta Valer de Freitas
Artigo publicado na Vanguarda Abolicionista, na ANDA - Agência de Notícias de Direitos Animais e no Olhar Animal - Pensata Animal e replicado onde mais as pessoas encheram o saco e ligaram o foda-se.
Estou a cada dia mais chocada com o retrocesso das mulheres nos tempos atuais. Mas não são todas as mulheres não. Existem muitas mulheres, batalhadoras, as do dia a dia, que estão pouco se lixando para essa troupe que agora quero me ater. Falo das feministas reacionárias, disfarçadas de pseudolibertárias. Esse tipinho facista que vem invadindo as redes sociais, para atacar o ativismo vegano.
Nossa luta já é árdua, mas temos que ficar às voltas com um povo atrasado com pinta de libertário, posando com roupas de gosto duvidoso e ideias que o grupo aprova.
Os reaças clássicos nem precisam fazer mais nada. Não. Pois essa gente está fazendo mais estrago. Estão entranhandos dentro dos movimentos, dando opiniões errôneas, equivocadas, insistentes e facistas, pois querem que todos sigam sua cartilha autoritária, sob a pena de ser barrado do baile dos politicamente corretos.
São opiniões perigosas pois passam por 'certas', pois têm apelo entre os do grupinho, tem vocabulário, jargão instrumentalizado, e são movidas por preconceitos enraizados, disfarçados de "teorias" só por que são bem ditas.
Essas feministas obedientes no fundo são as mais machistas, elas defendem macho. Estavam aos montes, nas postagens da Rodoanel, defendendo os motoristas, e não os animais. Elas defendem o status quo e não os vulneráveis. São umas mulherzinhas que tomam leite e comem ovos por que o pai ensinou. E muitas delas, com seus namorados, usaram imagens minhas e de minha amiga feminista vegana, para debochar de nossas imagens, mas não souberam peitar nossas ideias. Não foram "machas" para me bancar, é preciso fazer o jogo social de desqualificar mulher. Feminista de araque. Libertário de merda.
Sabemos que os animais tem emoções, desde Darwin. Ele escreveu um livro sobre isso, chamado: "A expressão das emoções nos homens e nos animais". Mas os argumentos dessas mulheres é que a diferença entre "as mulheres" e os animais é que estes não podem saber das agressões que sofrem. Oi? Me senti no supletivo. Sou professora e tive alunos melhores.
Agora sabemos por que ainda existe violência contra a mulher e por que ela está aumentando a olhos vistos diante da passividade das 'feministas', que só sabem postar xingamentos, e porque hoje o movimento pelos direitos animais está tão avançado passando até o movimento feminista, que se arrasta, diante desse marasmo mental. Pois essas pessoas nem aulas de Biologia frequentaram, pouco sabem de leituras mas se criou essa cultura do muito falar, sem critério, sem conteúdo. Nas postagens sobre direitos animais, elas chamam homens para as defender, chamam 'galeras' e apelam para baixarias, ideias falsas, falácias facilmente derrubáveis, tudo para negar o óbvio: que a exploração de animais e o consumo de laticínios é essa cultura machista e retrógrada onde elas estão enfiadas até o pescoço, estão adorando o mito da beleza, coisa que nunca ouviram falar, e estão cultuando o deus machista que tanto querem derrubar na outra, mas cultuam tão forte dentro delas mesmas.
Não suportam ver uma mulher vegana livre, que não se importa, que está ao lado do seu marido, dizendo foda-se eu não participo da cultura da morte. Não, elas precisam atacar com raiva e um pouquinho de inveja. Não suportam ver as ativistas ajudando animais, pois não suportam quem ajude algo que não seja seu próprio umbigo narcisista. As feministas chegaram ao ponto de defender os funcionário da Rodoanel, se colocando contra as mulheres que estavam lá ajudando os animais. Com aquele papinho de que o coitadinho estava sendo explorado, parece coisa de mãe defendendo o filho mais velho. Todo mundo conhece o arquétipo de mãe machista frente ao filho e à filha.
Nós somos contra todo o sistema que explora o funcinário, o motorista da rodoanel, o açougueiro, o assassino e a mulherzinha que vai no açougue bancar o assassinato.
Por isso nessa hora não nos interessa pagar pau para macho, nos interessa tirar os animais dali. Depois sim, o funcionário, é uma pessoa explorada sim, como qualquer outra pessoa do sistema que justamente usamos como argumento para que essa mesma 'feminista' pare de comer carne leite ovos, e ela curiosamente tão preocupada com isso, não para. Usamos sempre desse mesmo argumento, para que esses trabalhadores tenham trabalho melhores, pois a pecuária hoje é uma das áreas que mais tem trabalho escravo e degradante no país.
Uma outra se deu o trabalho de comparar um caso grave de violência doméstica que aconteceu aqui na Região Metropolitana onde uma mulher teve mãos e pés decepados com o caso dos porcos na rodoanel e óbvio que a culpa é "dos veganos". Achei o cumulo da falta de respeito. A pessoa só falava em cumprir metas. Fiquei pensando se, em vez de porcos fossem crianças, ou seus filhos, ela não calaria sua boca. Especista e cruel com a vida dos outros e usando o nome de outra mulher. Eu ajudei essa mulher com dinheiro que eu nem podia gastar. Não ajudei no caso dos porcos pois meu trabalho na causa animal é muito bom obrigada. Não tenho que dar satisfação. Mas neste caso falo, pois achei mesquinho da parte dessas feministas, que muito provavelmente não ajudaram com um real, mas tiveram disposição para fazer um meme, entrar na comunidade dos veganos, como se todo o dinheiro doado aos porcos viessem dos veganos. E sabemos que as doações vieram também da sociedade comum.
Esse ódio direcionado faz parte desse incômodo provocado pela consciência de que se está participando da sociedade da crueldade, do machismo, da cultura machista e retrógrada, mas como não se quer admitir, é preciso direcionar na outra o ranço, a raiva, a inveja daquela que já pode considerar-se livre das amarras machistas. É o velho jogo de ver a outra com um lindo vestido e querer jogar lama para o sujar. É ver a mulher magra e querer a desqualificar. É querer diminuir as outras causas para engrandecer sua causa, parada no tempo por falta de atualização, por falta de leitura e afinação com a ampliação do círculo moral que inclui os animais, especialmente as fêmeas.
Deve dar muita raiva ver que estamos livres e não precisamos escravizar fêmeas durante sua vida inteira, nem tiramos seus filhos, não usamos mais outros seres como objeto, não objetificamos outros animais, não somos hipócritas, falando em liberdade humana com animais sob nossos pés, e não somos ignorantes pois temos argumentos para nossa decisão.
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sábado, 29 de agosto de 2015
Porcos no Rodoanel: as feministas especistas e o baile da ignorância
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terça-feira, 27 de janeiro de 2015
Casa própria carro e carne - às custas de trabalho escravo
O governo de direita aqui do Estado no primeiro momento de estreia, fechou quase todas as secretarias de apoio aos Direitos Humanos.
Uma das primeiras a serem fechadas foi a de apoio à mulher. A Secretaria dos Direitos Humanos da Presidencia da República sobreviverá a um governo de direita?
É muito fácil para o pensador de direita, aquele papinho de que "todo mundo tem o direito de ter seu próprio carro", como esses dias eu ouvi um chinelão falando no rádio. Um palhaço classe média pagando prestação de carro, com discurso ensinado, acha fácil que todos tenham o seu. Mas essa ideia não funciona para o outro lado, o de quem não consegue pagar, ou o lado de quem não quer ter carro.
Dentro da lógica da 'livre concorrencia', é muito fácil o direitoso ter esse pensamento, mas, o livre é até certo ponto. Quando começa a liberdade incomodar, começam as regras, a favor da elite, é claro.
Não acho que todos tenham que ter carro. Ao contrário, que sejam até mesmo implantados limites ao consumo desenfreado de veículos, até o dia em que as pessoas aprendam a dirigir e sejam responsáveis pelo destino das carcaças dos automóveis, ou pelo menos, cobrem as empresas por isso. Como é feito em outros países, aliás.
Considero de uma tremenda descessecidade a conversa inútil sobre os buracos nas estradas, eterna pauta dos motoristas que, com a cidade voltada para eles, esquecem do restante do viver. O eterno jogo do empresariado afoito por melhores estradas por onde escoar sua produção, o cidadão com os olhos no chão de asfalto, anotando no papel cada buraco e cobrando do Estado uma solução.
O mundo não é apenas teu carro idiota, teu chão de borracha, teu celular de petróleo.
O trabalho escravo, assunto esquecido da maior parte das pessoas, é algo que acontece no silêncio das engrenagens industriais, na pecuária para o carnista comer carne quando lhe aprouver, no mercado das construtoras para o sonho do apegado à casa-própria a qualquer preço, mesmo que custe uma fortuna!
Como ninguém está interessado, e nem mesmo sabe o que é Direitos Humanos, pessoas escravizadas ficam à própria sorte. A PEC do trabalho escravo custa a ser regulamentada pois vai contra muitos interesses. Claro, como grande parte dos fazendeiros de grandes e de até mesmo de pequenas propriedades empregam toda a família e inclusive crianças, as fazem trabalhar de graça, a troco de comida e favores, ninguém quer meter a colher nesta briga. Isso deixa em aberto uma grande brecha.
Cínicos.
A ideia de que os Direitos Humanos defende ladrão, foi um atraso para o brasileiro.
Foi um trabalho muito bem feito pelos torturadores, pelos manipuladores de marionetes analfabetas, a fim de desviar para sempre o entendimento desta área. O idiotizado tem em mente apenas esse conceito: "direitos humanos é para o ladrão". Ele não sabe o que significa ladrão, nem direitos, nem humanos.
Não sabe que Direitos Humanos significa apoio às mulheres, crianças, jovens, pessoas com qualquer tipo de deficiência, fragilidades sociais, dificuldades financeiras, qualquer atitude que possa levar dignidade à pessoa humana. Meu blog fala de Direitos Humanos o tempo inteiro. Mas, o otário só fala "Direitos Humanos" de forma pejorativa, se ele se depara com uma notícia policial, ou com um fato relacionado à pena de morte, assuntos associados rasteiramente a essas duas palavras.
É preciso ter entendimento, e muito do entender passa por leitura, a busca por informações de fontes confiáveis e não tendenciosas.
E lembrar sempre: todos nós precisamos de direitos humanos.
A omissão da lista suja do trabalho escravo virou notícia no mundo inteiro pois é um fato vergonhoso.
Agora, as empresas sujas, entre elas, os grandes frigoríficos, terão o direitos de ter seus nomes protegidos, no anonimato. O consumidor brasileiro não é muito adepto ao boicote, o que é lastimável, mas a lista é de suma importancia para qualquer tomada de atitude em relação a investigação, invetimentos no setor, informação aos trabalhadores e à população, etc.
O ato foi aprovado em dezembro no STF. E a Lei de Livre Acesso à Informação? (Lei nº 12527)
A presidenta Dilma, se fosse a mulher dos velhos tempos, teria feito algo antes de ter chegado ao STF.
O povão, que não se importa, se não pensou nada antes do natal, agora é que não vai usar o cérebro até depois do carnaval e, quiçá, ligue os motores das têmporas depois.
Sobra então para os Direitos Humanos, lutar pelas milhares de pessoas vivendo em condições degradantes, sem comer, endividadas, trabalhando para super empresas, pecuaristas de merda, incorporadoras do milagre imobiliário, enquanto o cidadão médio, o medíocre, este que, por ter estudo, por ter dinheiro, por ter informação - deveria se importar e não ser omisso - só sabe ter um comportamento bovino.
Leia mais na Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República - que existe, ainda bem!
http://www.sdh.gov.br/noticias/2015/janeiro/suspensao-da-2018lista-suja-do-trabalho-escravo2019-no-brasil-e-destaque-na-midia-internacional
Saiba mais sobre as más condições de trabalho nos frigoríficos (a pecuária é campeã na lista suja, seguindo das construtoras): http://moendogente.org.br/
Uma das primeiras a serem fechadas foi a de apoio à mulher. A Secretaria dos Direitos Humanos da Presidencia da República sobreviverá a um governo de direita?
É muito fácil para o pensador de direita, aquele papinho de que "todo mundo tem o direito de ter seu próprio carro", como esses dias eu ouvi um chinelão falando no rádio. Um palhaço classe média pagando prestação de carro, com discurso ensinado, acha fácil que todos tenham o seu. Mas essa ideia não funciona para o outro lado, o de quem não consegue pagar, ou o lado de quem não quer ter carro.
Dentro da lógica da 'livre concorrencia', é muito fácil o direitoso ter esse pensamento, mas, o livre é até certo ponto. Quando começa a liberdade incomodar, começam as regras, a favor da elite, é claro.
Não acho que todos tenham que ter carro. Ao contrário, que sejam até mesmo implantados limites ao consumo desenfreado de veículos, até o dia em que as pessoas aprendam a dirigir e sejam responsáveis pelo destino das carcaças dos automóveis, ou pelo menos, cobrem as empresas por isso. Como é feito em outros países, aliás.
Considero de uma tremenda descessecidade a conversa inútil sobre os buracos nas estradas, eterna pauta dos motoristas que, com a cidade voltada para eles, esquecem do restante do viver. O eterno jogo do empresariado afoito por melhores estradas por onde escoar sua produção, o cidadão com os olhos no chão de asfalto, anotando no papel cada buraco e cobrando do Estado uma solução.
O mundo não é apenas teu carro idiota, teu chão de borracha, teu celular de petróleo.
O trabalho escravo, assunto esquecido da maior parte das pessoas, é algo que acontece no silêncio das engrenagens industriais, na pecuária para o carnista comer carne quando lhe aprouver, no mercado das construtoras para o sonho do apegado à casa-própria a qualquer preço, mesmo que custe uma fortuna!
Como ninguém está interessado, e nem mesmo sabe o que é Direitos Humanos, pessoas escravizadas ficam à própria sorte. A PEC do trabalho escravo custa a ser regulamentada pois vai contra muitos interesses. Claro, como grande parte dos fazendeiros de grandes e de até mesmo de pequenas propriedades empregam toda a família e inclusive crianças, as fazem trabalhar de graça, a troco de comida e favores, ninguém quer meter a colher nesta briga. Isso deixa em aberto uma grande brecha.
Cínicos.
A ideia de que os Direitos Humanos defende ladrão, foi um atraso para o brasileiro.
Foi um trabalho muito bem feito pelos torturadores, pelos manipuladores de marionetes analfabetas, a fim de desviar para sempre o entendimento desta área. O idiotizado tem em mente apenas esse conceito: "direitos humanos é para o ladrão". Ele não sabe o que significa ladrão, nem direitos, nem humanos.
Não sabe que Direitos Humanos significa apoio às mulheres, crianças, jovens, pessoas com qualquer tipo de deficiência, fragilidades sociais, dificuldades financeiras, qualquer atitude que possa levar dignidade à pessoa humana. Meu blog fala de Direitos Humanos o tempo inteiro. Mas, o otário só fala "Direitos Humanos" de forma pejorativa, se ele se depara com uma notícia policial, ou com um fato relacionado à pena de morte, assuntos associados rasteiramente a essas duas palavras.
É preciso ter entendimento, e muito do entender passa por leitura, a busca por informações de fontes confiáveis e não tendenciosas.
E lembrar sempre: todos nós precisamos de direitos humanos.
A omissão da lista suja do trabalho escravo virou notícia no mundo inteiro pois é um fato vergonhoso.
Agora, as empresas sujas, entre elas, os grandes frigoríficos, terão o direitos de ter seus nomes protegidos, no anonimato. O consumidor brasileiro não é muito adepto ao boicote, o que é lastimável, mas a lista é de suma importancia para qualquer tomada de atitude em relação a investigação, invetimentos no setor, informação aos trabalhadores e à população, etc.
O ato foi aprovado em dezembro no STF. E a Lei de Livre Acesso à Informação? (Lei nº 12527)
A presidenta Dilma, se fosse a mulher dos velhos tempos, teria feito algo antes de ter chegado ao STF.
O povão, que não se importa, se não pensou nada antes do natal, agora é que não vai usar o cérebro até depois do carnaval e, quiçá, ligue os motores das têmporas depois.
Sobra então para os Direitos Humanos, lutar pelas milhares de pessoas vivendo em condições degradantes, sem comer, endividadas, trabalhando para super empresas, pecuaristas de merda, incorporadoras do milagre imobiliário, enquanto o cidadão médio, o medíocre, este que, por ter estudo, por ter dinheiro, por ter informação - deveria se importar e não ser omisso - só sabe ter um comportamento bovino.
Leia mais na Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República - que existe, ainda bem!
http://www.sdh.gov.br/noticias/2015/janeiro/suspensao-da-2018lista-suja-do-trabalho-escravo2019-no-brasil-e-destaque-na-midia-internacional
Saiba mais sobre as más condições de trabalho nos frigoríficos (a pecuária é campeã na lista suja, seguindo das construtoras): http://moendogente.org.br/
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
Entrevista para a TV UCS de Caxias do Sul sobre meu artigo: Aquecimento Global - o fim do conforto garantido.
Entrevista para a TV UCS de Caxias do Sul sobre meu artigo: Aquecimento Global - o fim do conforto garantido.
o artigo pode ser lido aqui: http://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2014/10/aquecimento-global-o-fim-do-conforto.html
o artigo pode ser lido aqui: http://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2014/10/aquecimento-global-o-fim-do-conforto.html
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quinta-feira, 10 de julho de 2014
Por que a fábula do beija flor é uma farsa e a coragem de fazer mais que isso
A esposa de Amarildo, também sumida, foi encontrada em depressão profunda. Usuária de álcool, ela desaparece na multidão, enquanto o país grita 'um gol' contra sete que levou, nesta copa que pagou.
O álcool foi liberado dentro dos estádios. A venda continuará depois da copa. A lei não tem valor.
O Brasil enche a cara, porque não sabe perder.
Amarildo perdeu a vida, porque sumiu, ninguém nunca mais o viu.
Por muito grito, a mídia ouviu. Depois de um ano, ela ainda espera a punição para os policiais.
Estou lendo a biografia de Renato Russo, cujo tema recorrente é Brasília, cidade que tem como favorito nas pesquisas para as eleições, nada menos que José Roberto Arruda. Ele aparece em primeiro lugar nas intenções de voto.
E sabem por quê? Pois ele tem no seu currículo dois escândalos éticos na sua carreira política, depois se envolveu no chamado Mensalão do DEM, já foi preso, já teve seu mandato cassado, etc.
E a mesma fonte onde pesquisei diz que o povo de Brasília considera que "Ser ético e honesto é o atributo mais importante para um futuro governador."
Se você perguntar a um eleitor o que é ética ou, o que é honestidade, o que ele lhe responderá?
Agora você, que está aí com seu celular na mão, você que fala mal dos direitos humanos e acha que 'fazer sua parte' é dar roupas que você não tem onde guardar a alguém no final do ano, olhe para esse panorama e me responda:
É fácil fazer o bem?
É arrogância querer realizar uma mudança de grande impacto?
Já está na hora de amadurecer para a ideia de que a fábula do beija-flor que apaga o incêndio com o bico na floresta, além de completamente ingênua, é uma farsa, porque os animais são inteligentes o suficiente para desaparecer antes mesmo da fumaça surgir, ou morrem consumidos quando não conseguem se livrar do fogo.
E porque, numa sociedade intrincada, uma pessoa faz sim muitas coisas, mas todos fazem mais. Falar bonito e agir como um idiota não resolve.
Cada um fazer sua parte funciona, claro. Assim como funciona toda a maldade, fazendo o dobro, do outro lado.
Portanto, cada um levando sua caneca, por exemplo, enquanto existe uma montadora de carros, uma fábrica de plásticos e uma empresa de máquinas de café e você faz parte desse todo, sua xícara de café acaba sendo só uma parte mesmo, se você não fizer mais que isso. Trazendo para perto de si muitas pessoas, através de exemplos e atitudes, mudamos contextos maiores. E então, desabando estruturas, o pouco que se faz também é válido.
É parar de comer carne, parar de ir no açougue, parar de compactuar com o trabalho escravo nas indústrias da pecuária onde existem milhares de pessoas em situação de degradação humana. Isso sim é fazer sua parte, mas exige coragem.
É preciso fazer muito. Fazer certo e aprender. E propor-se a isso. Educar-se para fazer o bem e praticar todos os dias, como um sábio.
Pois fazer pouco e fazer errado até prejudica, como podem ver neste panorama chamado 'país'.
Isso é bem diferente de cada um exercer o seu dom, ou o que tem de melhor, pois é a partir daí que se conquista o maior de todos os bens.
E sem humildade. Por que a humildade é a religião dos fracos, já disse Nietzsche.
E como já disse nosso filósofo Renato Russo, "Esse é o nosso mundo.
O que é demais nunca é o bastante. E a primeira vez é sempre a última chance".
E para você brasileiro, que acha que pátria é alguma coisa, já lhe aviso, para mim, pátria é nada. É só uma linha em um papel. Um mapa construído através de guerras e mortes.
Eu acredito em povos, internacionalidades, etnias, línguas e dialetos, não sou obrigada a torcer por um time, e torço para todos. Não tenho uma preferência, adoro certos aspectos daqui e não há país perfeito.
Para você que se deliciou com os estrangeiros visitantes, lhes apresento abaixo um link com outros estrangeiros vivendo dramas bem aqui debaixo de nossos narizes:
Leia querido leitor e obrigada pela visita a este blog:
http://www.cartacapital.com.br/revista/803/onde-ala-nao-influencia-3446.html
Ellen Augusta
O álcool foi liberado dentro dos estádios. A venda continuará depois da copa. A lei não tem valor.
O Brasil enche a cara, porque não sabe perder.
Amarildo perdeu a vida, porque sumiu, ninguém nunca mais o viu.
Por muito grito, a mídia ouviu. Depois de um ano, ela ainda espera a punição para os policiais.
Estou lendo a biografia de Renato Russo, cujo tema recorrente é Brasília, cidade que tem como favorito nas pesquisas para as eleições, nada menos que José Roberto Arruda. Ele aparece em primeiro lugar nas intenções de voto.
E sabem por quê? Pois ele tem no seu currículo dois escândalos éticos na sua carreira política, depois se envolveu no chamado Mensalão do DEM, já foi preso, já teve seu mandato cassado, etc.
E a mesma fonte onde pesquisei diz que o povo de Brasília considera que "Ser ético e honesto é o atributo mais importante para um futuro governador."
Se você perguntar a um eleitor o que é ética ou, o que é honestidade, o que ele lhe responderá?
Agora você, que está aí com seu celular na mão, você que fala mal dos direitos humanos e acha que 'fazer sua parte' é dar roupas que você não tem onde guardar a alguém no final do ano, olhe para esse panorama e me responda:
É fácil fazer o bem?
É arrogância querer realizar uma mudança de grande impacto?
Já está na hora de amadurecer para a ideia de que a fábula do beija-flor que apaga o incêndio com o bico na floresta, além de completamente ingênua, é uma farsa, porque os animais são inteligentes o suficiente para desaparecer antes mesmo da fumaça surgir, ou morrem consumidos quando não conseguem se livrar do fogo.
E porque, numa sociedade intrincada, uma pessoa faz sim muitas coisas, mas todos fazem mais. Falar bonito e agir como um idiota não resolve.
![]() |
| ca. 1880s, [cabinet card, occupational portrait of three butchers preparing a steer]. Alfred Atkinson |
Portanto, cada um levando sua caneca, por exemplo, enquanto existe uma montadora de carros, uma fábrica de plásticos e uma empresa de máquinas de café e você faz parte desse todo, sua xícara de café acaba sendo só uma parte mesmo, se você não fizer mais que isso. Trazendo para perto de si muitas pessoas, através de exemplos e atitudes, mudamos contextos maiores. E então, desabando estruturas, o pouco que se faz também é válido.
É parar de comer carne, parar de ir no açougue, parar de compactuar com o trabalho escravo nas indústrias da pecuária onde existem milhares de pessoas em situação de degradação humana. Isso sim é fazer sua parte, mas exige coragem.
É preciso fazer muito. Fazer certo e aprender. E propor-se a isso. Educar-se para fazer o bem e praticar todos os dias, como um sábio.
Pois fazer pouco e fazer errado até prejudica, como podem ver neste panorama chamado 'país'.
Isso é bem diferente de cada um exercer o seu dom, ou o que tem de melhor, pois é a partir daí que se conquista o maior de todos os bens.
E sem humildade. Por que a humildade é a religião dos fracos, já disse Nietzsche.
E como já disse nosso filósofo Renato Russo, "Esse é o nosso mundo.
O que é demais nunca é o bastante. E a primeira vez é sempre a última chance".
E para você brasileiro, que acha que pátria é alguma coisa, já lhe aviso, para mim, pátria é nada. É só uma linha em um papel. Um mapa construído através de guerras e mortes.
Eu acredito em povos, internacionalidades, etnias, línguas e dialetos, não sou obrigada a torcer por um time, e torço para todos. Não tenho uma preferência, adoro certos aspectos daqui e não há país perfeito.
Para você que se deliciou com os estrangeiros visitantes, lhes apresento abaixo um link com outros estrangeiros vivendo dramas bem aqui debaixo de nossos narizes:
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http://www.cartacapital.com.br/revista/803/onde-ala-nao-influencia-3446.html
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domingo, 12 de janeiro de 2014
Esse país nunca mais terá meu voto
Esqueça campanha política, esqueça minha admiração pela Dilma. Depois da vergonha da aliança da família Sarney com a Dilma, me tapei de nojo. Muita coisa desconhecia, por ignorância política, mas agora perdi mais um pouco da inocência.
http://eziobazzo.blogspot.com.br/2014/01/uma-republica-movida-cachaca-e-cesta.html
É triste viver num país em que as pessoas compactuam com os ricos, te analisam pela aparência e só pensam em dinheiro. Choram e lutam por dinheiro.
As organizações que lutam pelos direitos humanos precisam pedir ajuda à ONU internacional pois aqui neste país a presidência não pode ajudar, pois é aliada da família Sarney e para não manchar sua campanha permite que em seu país atrocidades cometidas contra pessoas seja praticada a anos sob o silêncio de todos.
O escândalo da família Collor já foi esquecido. E continua sendo! Cinco ou seis, quiçá sete famílias que controlam a carne que todos os 'ingênuos' consomem ou a TV que as famílias assistem cegas, também tem seus emaranhados de paga-paus que as defendem de graça, pelo puro prazer de puxar o saco. Pouco ou nada se ganha com isso. Aliás, muito se perde. Se perde a dignidade, o direito de se viver em paz com a consciência.
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É triste viver num país em que as pessoas compactuam com os ricos, te analisam pela aparência e só pensam em dinheiro. Choram e lutam por dinheiro.
As organizações que lutam pelos direitos humanos precisam pedir ajuda à ONU internacional pois aqui neste país a presidência não pode ajudar, pois é aliada da família Sarney e para não manchar sua campanha permite que em seu país atrocidades cometidas contra pessoas seja praticada a anos sob o silêncio de todos.
O escândalo da família Collor já foi esquecido. E continua sendo! Cinco ou seis, quiçá sete famílias que controlam a carne que todos os 'ingênuos' consomem ou a TV que as famílias assistem cegas, também tem seus emaranhados de paga-paus que as defendem de graça, pelo puro prazer de puxar o saco. Pouco ou nada se ganha com isso. Aliás, muito se perde. Se perde a dignidade, o direito de se viver em paz com a consciência.
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quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
Para estar com a família, encha a pança de carne
As estatísticas não mentem, no natal, a família brasileira gastou os tubos em carne.
Algo está errado quando, nestas datas, os números batem recordes em vendas e depois as pessoas vem encher o saco, com medo da morte e falando em dieta e saúde sem parar.
É aquele papinho egoísta. Nada de compaixão. Nada.
E eu é que sou incoerente não?
Eu, que desde o primeiro dia em que virei vegana tenho que dar explicação sobre o porquê de isso ou aquilo, como se minha atitude 'radical' fosse crime. Como se todos estivessem certos e eu estivesse ali, cometendo gafes.
O quanto você é 'radical' no que você acredita? Será que você tem medo de ser radical? Ou de ser taxado de radical por essas pessoas? Desde a ditadura que essa palavra e também a palavra 'subversivo' vem sendo usada com propósitos bem direcionados...não entre nessa...
Sabe, cansei.
Não vou mais pedir licença.
Algo está errado, se, para se reunir com essa 'família', é preciso encher o rabo de carne. Algo não está certo se eu preciso me sentir incomodada toda vez que me reunir com alguém diferente de mim, por que essas pessoas não são capazes de compreender. Algo não pode estar bem, se, o certo é visto como o errado e o errado está em todo o lugar como o certo.
Eu saio de casa para relaxar e.... pronto, parece que alguém se incomodou com o fato de eu ser vegana e já! Começa o jogo do espelho. Não gosto disso. Uma coisa é quando escrevo os artigos. Outra é quando estamos descontraídos, e você tem de dar uma de professora, ou ainda, ter de dar explicações, ser colocada em posições desconfortáveis. Acho isso muito deselegante e até falta de educação.
Eu lembro da primeira vez que passei o ano novo, logo que havia virado vegetariana, com uma amiga. Na casa dela, a idosa pirou quando soube que eu ia comer comida diferente do que era servido. O piá reaça, veio com um papo idiota de pecuária. Detalhe - para justificar a comilança, a pessoa inventa, puxa saco, baba ovo, mas não sabe que esse negócio aqui no país é tocado por meia dúzia de famílias que ele sequer irá conhecer, mas que, desde baixo de sua servidão de classe média satisfeito, aprendeu que é assim que deve fazer: cumprir seu papel - ir no açougue, comprar e bajular.
E assim, passei o ano novo com uma amiga que amo, mas que preferiria tê-la anos depois, quando já tinha atitude e leitura para mandar às favas e saber dizer não com letras mais garrafais.
Amigos, não é preciso ser condescendente com ninguém. Essa acusação de 'intolerância' que por vezes você pode ouvir, é feita geralmente por pessoas extremamente intolerantes, que não suportam conhecer pessoas com atitude.
Todos merecem respeito e todos devem respeitar sua escolha.
Ninguém vai em festa judaica com um leitão, não? Seria um sem noção, uma pessoa muito desagradável. Mas, no caso dos veganos, parece que, não só temos que admitir isso, mas até ficarmos meio que sofrendo por que a pessoa precisa comer carne na nossa frente, etc etc... não, não pode ser assim.
Esse tipo de pessoa que citei nos casos acima, creio que nunca mais passou pelo meu caminho e, se passou, acho que a fiz calar. Pois não mais saí com pessoas inconvenientes, que fazem perguntas sem noção, ou que te colocam em situações constrangedoras, como algumas pessoas às vezes me contam. Isso é algo que ninguém pode permitir, nunca.
Em nenhuma ocasião, seja no trabalho, no relacionamento amoroso, nas amizades ou outra relação, uma pessoa tem liberdade para ferir sua escolha ética de ser vegano. Isso foi sua escolha.
Se fosse por religião ou por saúde todos respeitariam não?
Algo está errado quando, nestas datas, os números batem recordes em vendas e depois as pessoas vem encher o saco, com medo da morte e falando em dieta e saúde sem parar.
É aquele papinho egoísta. Nada de compaixão. Nada.
E eu é que sou incoerente não?
Eu, que desde o primeiro dia em que virei vegana tenho que dar explicação sobre o porquê de isso ou aquilo, como se minha atitude 'radical' fosse crime. Como se todos estivessem certos e eu estivesse ali, cometendo gafes.
O quanto você é 'radical' no que você acredita? Será que você tem medo de ser radical? Ou de ser taxado de radical por essas pessoas? Desde a ditadura que essa palavra e também a palavra 'subversivo' vem sendo usada com propósitos bem direcionados...não entre nessa...
Sabe, cansei.
Não vou mais pedir licença.
Algo está errado, se, para se reunir com essa 'família', é preciso encher o rabo de carne. Algo não está certo se eu preciso me sentir incomodada toda vez que me reunir com alguém diferente de mim, por que essas pessoas não são capazes de compreender. Algo não pode estar bem, se, o certo é visto como o errado e o errado está em todo o lugar como o certo.
Eu saio de casa para relaxar e.... pronto, parece que alguém se incomodou com o fato de eu ser vegana e já! Começa o jogo do espelho. Não gosto disso. Uma coisa é quando escrevo os artigos. Outra é quando estamos descontraídos, e você tem de dar uma de professora, ou ainda, ter de dar explicações, ser colocada em posições desconfortáveis. Acho isso muito deselegante e até falta de educação.
Eu lembro da primeira vez que passei o ano novo, logo que havia virado vegetariana, com uma amiga. Na casa dela, a idosa pirou quando soube que eu ia comer comida diferente do que era servido. O piá reaça, veio com um papo idiota de pecuária. Detalhe - para justificar a comilança, a pessoa inventa, puxa saco, baba ovo, mas não sabe que esse negócio aqui no país é tocado por meia dúzia de famílias que ele sequer irá conhecer, mas que, desde baixo de sua servidão de classe média satisfeito, aprendeu que é assim que deve fazer: cumprir seu papel - ir no açougue, comprar e bajular.
E assim, passei o ano novo com uma amiga que amo, mas que preferiria tê-la anos depois, quando já tinha atitude e leitura para mandar às favas e saber dizer não com letras mais garrafais.
Amigos, não é preciso ser condescendente com ninguém. Essa acusação de 'intolerância' que por vezes você pode ouvir, é feita geralmente por pessoas extremamente intolerantes, que não suportam conhecer pessoas com atitude.
Todos merecem respeito e todos devem respeitar sua escolha.
Ninguém vai em festa judaica com um leitão, não? Seria um sem noção, uma pessoa muito desagradável. Mas, no caso dos veganos, parece que, não só temos que admitir isso, mas até ficarmos meio que sofrendo por que a pessoa precisa comer carne na nossa frente, etc etc... não, não pode ser assim.
Esse tipo de pessoa que citei nos casos acima, creio que nunca mais passou pelo meu caminho e, se passou, acho que a fiz calar. Pois não mais saí com pessoas inconvenientes, que fazem perguntas sem noção, ou que te colocam em situações constrangedoras, como algumas pessoas às vezes me contam. Isso é algo que ninguém pode permitir, nunca.
Em nenhuma ocasião, seja no trabalho, no relacionamento amoroso, nas amizades ou outra relação, uma pessoa tem liberdade para ferir sua escolha ética de ser vegano. Isso foi sua escolha.
Se fosse por religião ou por saúde todos respeitariam não?
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quarta-feira, 21 de setembro de 2011
O CONSUMO QUE ASSUSTA
imagem: Gifake
por : Washington Novaes
Não faltam estudos para deixar com os cabelos de pé (os que os têm) quem se preocupa com o futuro da espécie humana neste planeta. Num deles, "Marine Ecology Progress Series", da Universidade do Havaí, Camilo Mora afirma que, com o ritmo atual do consumo de recursos no mundo, chegaremos a 2050 com uma população acima de 9 bilhões de pessoas, que precisará, para abastecê-la, de 27 planetas como a Terra. Quem olhar uma publicação recente da revista National Geographic (maio de 2011) talvez encontre ali reforço para a tese, ao saber qual foi o número de animais mortos em um único ano (2009) para serem transformados em alimentos: 52 bilhões de frangos, 2,6 bilhões de patos, 1,3 bilhão de porcos, 1,1 bilhão de coelhos, 633 milhões de perus, 518 milhões de ovelhas, 398 milhões de cabras, 293 milhões de bois, 24 milhões de búfalos asiáticos e 1,7 milhão de camelos.
Thomas Lovejoy, o respeitadíssimo biólogo norte-americano, acha que já estamos consumindo 50% de recursos além do que o planeta pode repor ( Ideia Sustentável , março de 2011). Outros estudos, inclusive da ONU, falam em "mais de 30%". Estes afirmam que a disponibilidade média de área e recursos para atender às necessidades de uma pessoa estaria em 1,8 hectare; mas o uso tem estado em 2,7 hectares (no Brasil, 2,1; nos Estados Unidos, 10 hectares; no Haiti, menos de um hectare). O uso excessivo leva à aridificação e desertificação de terras, problemas com água, exaustão de certos recursos.
Na conferência de Nagoya, no ano passado, estabeleceu-se como meta chegar a 17% das terras e 10% dos oceanos em áreas protegidas - o que parece pouco provável, já que as metas para 2010, menores, não foram cumpridas, embora haja 100 mil áreas protegidas, com 17 milhões de quilômetros quadrados de terras (o dobro do território brasileiro) e 2 milhões de quilômetros quadrados de áreas oceânicas. Mesmo nessas áreas, entretanto, há desgastes fortes na biodiversidade, por causa de impactos climáticos e contaminação.
Mas o problema não está só na área da biodiversidade. Segundo a publicação BrasilPnuma (junho/julho de 2011), também chegaremos a 2050 consumindo 140 milhões de toneladas anuais de minérios, combustíveis fósseis e biomassa, três vezes mais do que hoje - o que envolve outros riscos de esgotamento. Mesmo hoje já nos aproximamos do limite de muitos minérios fundamentais para tecnologias de uso intensivo, como computadores, celulares e outras. Nos países industrializados, o consumo médio anual por habitante nessa área dos minérios é de 16 toneladas (40 em alguns); em 2000, era de 8 a 10 toneladas; em 1900, de 4 a 5.
Na área dos alimentos, o problema não é diferente. Diz a ONU (AP, 27/10/10) que também a biodiversidade em matéria de alimentos está ameaçada. Em 100 anos, 75% das espécies de plantas alimentares já desapareceram; até 2050, mais 22% podem ter o mesmo destino, inclusive variedades de batata, feijão e nozes - e neste caso o clima é uma das questões centrais. Por isso mesmo, a Embrapa tenta produzir variedades de culturas resistentes ao calor, como soja, feijão e milho, pois as variedades atuais já estão sendo afetadas pelo aumento da temperatura, especialmente no Centro-Oeste. E convém não esquecer que o café, que dominou a economia agrícola de São Paulo e Norte do Paraná durante mais de um século, teve de migrar para regiões mais altas, principalmente em Minas Gerais, por causa do aumento de mais de um grau na temperatura (que leva a flor do cafeeiro a cair prematuramente, com redução da produtividade).
É em meio a esse panorama que chegam as notícias de que mais uma vez o desmatamento na Amazônia voltou a crescer, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - mais 28% no mês de julho, comparado com o mesmo período do ano passado, e mais 35% comparando 11 meses de 2010/11 com igual período anterior. Certamente o total de um ano ficará acima de 7 mil quilômetros quadrados, embora o governo federal tenha até criado uma força especial para conter o abate de árvores. É grave, até mesmo porque a floresta absorve um terço das emissões de dióxido de carbono, cerca de 2,4 bilhões de toneladas anuais ( Science/France Presse , 17/7/11). E seu papel é decisivo no Brasil, onde mudanças no uso do solo, desmatamentos e queimadas respondem por quase 60% do total das emissões brasileiras que afetam o clima.
Mas fora do Brasil os sinais também não são animadores. Já se sabe que a próxima reunião da Convenção do Clima, na África do Sul, No fim do ano, não levará a nenhum acordo global. Da mesma forma que o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012 e permite a países industrializados e suas empresas financiar projetos que levem a reduções de emissões em outros países e contabilizar as reduções em seus balanços. As lógicas financeiras continuam a prevalecer, agora ainda mais, no meio da gigantesca crise financeira mundial.
Mas o futuro está em jogo. Não há como escapar às graves questões planetárias que assustam a ciência.
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