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quinta-feira, 10 de julho de 2014

Por que a fábula do beija flor é uma farsa e a coragem de fazer mais que isso

A esposa de Amarildo, também sumida, foi encontrada em depressão profunda. Usuária de álcool, ela desaparece na multidão, enquanto o país grita 'um gol' contra sete que levou, nesta copa que pagou.
O álcool foi liberado dentro dos estádios. A venda continuará depois da copa. A lei não tem valor.
O Brasil enche a cara, porque não sabe perder.
Amarildo perdeu a vida, porque sumiu, ninguém nunca mais o viu.
Por muito grito, a mídia ouviu. Depois de um ano, ela ainda espera a punição para os policiais.
Estou lendo a biografia de Renato Russo, cujo tema recorrente é Brasília, cidade que tem como favorito nas pesquisas para as eleições, nada menos que José Roberto Arruda. Ele aparece em primeiro lugar nas intenções de voto.
E sabem por quê? Pois ele tem no seu currículo dois escândalos éticos na sua carreira política, depois se envolveu no chamado Mensalão do DEM, já foi preso, já teve seu mandato cassado, etc.
E a mesma fonte onde pesquisei diz que o povo de Brasília considera que "Ser ético e honesto é o atributo mais importante para um futuro governador."
Se você perguntar a um eleitor o que é ética ou, o que é honestidade, o que ele lhe responderá?
Agora você, que está aí com seu celular na mão, você que fala mal dos direitos humanos e acha que 'fazer sua parte' é dar roupas que você não tem onde guardar a alguém no final do ano, olhe para esse panorama e me responda:
É fácil fazer o bem?
É arrogância querer realizar uma mudança de grande impacto?
Já está na hora de amadurecer para a ideia de que a fábula do beija-flor que apaga o incêndio com o bico na floresta, além de completamente ingênua, é uma farsa, porque os animais são inteligentes o suficiente para desaparecer antes mesmo da fumaça surgir, ou morrem consumidos quando não conseguem se livrar do fogo.
E porque, numa sociedade intrincada, uma pessoa faz sim muitas coisas, mas todos fazem mais. Falar bonito e agir como um idiota não resolve.
ca. 1880s, [cabinet card, occupational portrait of three butchers preparing a steer]. Alfred Atkinson
Cada um fazer sua parte funciona, claro. Assim como funciona toda a maldade, fazendo o dobro, do outro lado.
Portanto, cada um levando sua caneca, por exemplo, enquanto existe uma montadora de carros, uma fábrica de plásticos e uma empresa de máquinas de café e você faz parte desse todo, sua xícara de café acaba sendo só uma parte mesmo, se você não fizer mais que isso. Trazendo para perto de si muitas pessoas, através de exemplos e atitudes, mudamos contextos maiores. E então, desabando estruturas, o pouco que se faz também é válido.
É parar de comer carne, parar de ir no açougue,  parar de compactuar com o trabalho escravo nas indústrias da pecuária onde existem milhares de pessoas em situação de degradação humana. Isso sim é fazer sua parte, mas exige coragem.
É preciso fazer muito. Fazer certo e aprender. E propor-se a isso. Educar-se para fazer o bem e praticar todos os dias, como um sábio.
Pois fazer pouco e fazer errado até prejudica, como podem ver neste panorama chamado 'país'.
Isso é bem diferente de cada um exercer o seu dom, ou o que tem de melhor, pois é a partir daí que se conquista o maior de todos os bens.
E sem humildade. Por que a humildade é a religião dos fracos, já disse Nietzsche.
E como já disse nosso filósofo Renato Russo, "Esse é o nosso mundo.
O que é demais nunca é o bastante. E a primeira vez é sempre a última chance".
E para você brasileiro, que acha que pátria é alguma coisa, já lhe aviso, para mim, pátria é nada. É só uma linha em um papel. Um mapa construído através de guerras e mortes.
Eu acredito em povos, internacionalidades, etnias, línguas e dialetos, não sou obrigada a torcer por um time, e torço para todos. Não tenho uma preferência, adoro certos aspectos daqui e não há país perfeito.
Para você que se deliciou com os estrangeiros visitantes, lhes apresento abaixo um link com outros estrangeiros vivendo dramas bem aqui debaixo de nossos narizes:
 Leia querido leitor e obrigada pela visita a este blog:
http://www.cartacapital.com.br/revista/803/onde-ala-nao-influencia-3446.html

Ellen Augusta

terça-feira, 8 de julho de 2014

Woman is The Nigger of The World

Quando John Lennon fez essa música, ele foi acusado de machismo e racismo.
É impressionante que, quando alguém toca com os dedos os céus, sempre tem alguém que não entende, porque tem o olhar vendado.
Mulheres do Congo
Uma figura foi censurada, pois foi foi considerada especista e machista. A foto era justamente uma crítica ao especismo e ao machismo. Ela foi postada numa rede social. Mas as pessoas, acostumadas a não saber interpretar, entenderam o contrário.
Laerte fez um quadrinho em que sua família ia se revelando outra, como um sonho, e quando se deu conta, acordou na pele de uma pessoa negra. Sua crítica social foi mal interpretada e ele foi chamado de racista.
Quem nunca esteve no lugar do outro? Quem nunca se colocou no lugar daquele que sofre preconceito não tem compaixão nem alteridade. Não pode dizer-se humanitário.
John Lennon e Yoko Ono tinham essa liberdade, a de desafiar o mundo e libertarem-se dele. Muita gente não entendeu. Ela foi acusada de muitas coisas em relação aos Beatles. Como se ele não tivesse personalidade para decidir. Mais um sinal de machismo, que as pessoas sempre jogam em cima da mulher, novamente. Yoko Ono já era uma grande mulher quando conheceu John. E ele sempre foi um grande homem e sempre pensou por si mesmo, nunca precisou da influencia de uma mulher.
Mas a sensível música, talvez tenha sido mal traduzida para o Português, porque os carolas tem medo de traduzir a palavra nigger. Todas as traduções para o português usam a palavra 'negro', o que não é exatamente o que ele queria expressar.
Ele não usou a palavra em inglês que corresponderia a negro. Lennon usou um termo extremamente ofensivo e racista, propositadamente, para fazer uma crítica, e dizer que a mulher é considerada assim, perante o mundo. Quando se queria ofender um negro, usava-se a palavra 'nigger'. Por isso ele fez essa crítica.
Eu não vou colocar o link da música pois sempre depois de um tempo ele fica quebrado, pois os canais saem do ar, então espero que alguém busque ouvir na Internet. A letra é uma profunda percepção de onde estamos no mundo. Portanto busque você por este entendimento, pois eu também estou buscando. E quem sabe, se os homens nos colocam nesta posição, nós mesmas também estamos deste lado, trabalhamos nas instituições onde eles estão exercendo poder, sem nunca nos questionar se estamos a cumprir o papel que nos foi destinado. Quem sabe ainda estamos 'frágeis' ou 'tapadas', para seguir permitindo que mais frágeis sigam sofrendo: animais, homens pobres, negros, travestis, crianças, idosos, e quem sabe quantos mais, seres sensíveis que sofrem nas mãos de outros, sempre que se tem poder e força. Abaixo um link de um fato que acontece a muito tempo. Na primeira vez que fiquei sabendo disso, na presença de minha mãe ainda viva, choramos. Algo tão escancarado e dilacerado fere profundamente minha alma. Somos parte da culpa quando coniventes, de modo que nunca mais pude ficar em silêncio. Mas minha forma de gritar é outra.
Por gentileza, não leia somente, esse link abaixo:

http://www.dw.de/as-crian%C3%A7as-com-sangue-rebelde-da-rep%C3%BAblica-democr%C3%A1tica-do-congo/a-17238993

P.S.
Esperei para escrever este artigo depois da copa, pois torcia para os países pobres da América Latina e países africanos. São times pobres com bons jogadores. Até nisso o futebol é um jogo machista e excludente. Não tenho TV. Adoro narração de futebol por rádio embora não entenda nada, e não me importa. O futebol, que é um jogo apenas, é tomado por mãos poderosas, o povo cumpre o papel, as mulheres cumprem o papel, e se torna o que é.
Ellen Augusta

sexta-feira, 4 de julho de 2014

A filha camareira - o filho hóspede

Quem nunca viu essa combinação em uma casa ou na sua cidade, tem sorte ou venda nos olhos.
Visitar um amigo e ver que a mãe lhe servia café e passava margarina no pão. Na cozinha a irmã esfregava panelas. E fazia tudo o mais.
Esse era o modelo de educação. Em muitos lugares ainda segue sendo.
A eterna desunião feminina começa neste egoísmo maternal. Nessa euforia de amar o homem a qualquer preço.
Passa por uma adolescência distanciada do ensinamento das mães, das avós.
É a sua amiga conversando mais com seu marido. E não com você.
É o casamento distanciando as mulheres, mais que o trabalho, este que deveria uni-las em projetos, não em competição.
Ficam isoladas, considerando que mais vale um homem que a riqueza da partilha.
 - Focando na limpeza da casa - talvez a única coisa que aprenderam com as mães e avós. -
Se encontram uma mulher admirável, em vez de se aproximar, secam, invejam, se afastam.
Conheci mulheres que moraram juntas, por determinado tempo, para criar os filhos. Por isso elas são tão alegres e inteligentes. São mulheres expansivas. Aprenderam que a vida não é o combo machista que as mulheres compram logo depois da adolescência.
Um egoísmo sem tamanho é uma mãe dar atenção a um dos filhos, deixando outro trabalhando. O paparicado, por sua vez, nem sempre é beneficiado, sendo pois prejudicado até mesmo intelectualmente.
Quem se interessaria por um sujeito inábil para tarefas simples, que garantem a sobrevivência em qualquer lugar do mundo? Bem, a maior parte de nossa geração anterior foi feita de homens que no máximo aprendiam a fazer 'churrasco' ou 'carreteiro', demonstrando que tem gosto para tudo e que não se teve escolha em maior parte das vezes.
Hoje, apesar do modelo antigo andar por aí, conheço mães, homens e mulheres diferentes que resolveram seguir um modelo novo, talvez por terem sofrido essa agressão, querendo mudar o futuro, talvez por terem aprendido a amar melhor, ou pela vontade de quebrar essa corrente, pelo menos em algum ponto. Só faz bem para a alma pensar no outro.
Ellen Augusta

sábado, 21 de junho de 2014

Medo da Polícia, trânsido idiotizado e o que seu iPod tem a ver com isso

Numa conhecida área da cidade, onde ninguém respeita as regras de trânsito, havia hoje uma viatura da polícia.  Bem ali, onde costumo passar todos os dias, hoje foi diferente. No sinal verde, os carros estavam paraditos, esperando eu passar. Eu era a única pedestre. Só que eu, que sempre espero minha vez de passar, hoje com mais prazer ainda, esperei minha vez e só quando foi o sinal verde para o pedestre (eu), passei. Ainda fiz meu lero-lero para esses motoristas (pois faço meu protesto animado para quem merece), que em dias normais, desrespeitam um monte de gente que passa ali todos os dias.
As pessoas passam o sinal verde para o pedestre diariamente, já ajudei deficientes visuais e um ônibus passou na nossa frente. Taxi, carrões que mais parecem lanchas, todo o tipo de otário-do-carro que só por que pagou suas prestações monumentais, acha que pode sair por aí, dominando a cidade.
O sujeito que respeita as regras é quase linchado diante dos outros companheiros que buzinam sem parar atrás dele.

Mas é só aparecer um policial e pronto, o tradicional brasileiro, que aprendeu a crer que a polícia é para bater em pobre e proteger o Estado e os ricos, já obedece.
Que triste um país que pensa no conceito de público como algo que se pode usar como particular, quem tem seu salário garantido não se importa com quem não tem nem onde dormir, uma classe média contra a pobreza, como bem definiu os jornalistas do Exterior que de fora, tem um bom panorama dessa realidade. Um deles, veio cobrir a copa, viu tanta merda que se mandou daqui antes que o evento iniciasse, dizendo que não iria compactuar.
Quem vai se manifestar apanha. Quem usa um tênis da marca Fulana, é rechaçado pelo mesmo idiota que tem o computador da marca Ciclano ou Beltrano e o celular 'Iplode' ou 'SmartePlutone', mas não mexe o bundão da cadeira por que está tranquilo. Esquece que é de dentro do sistema que temos que lutar, que é daqui que fizemos algo, o que podemos. Os que não fazem nada só lamentam. Eu fui a única pessoa do quarteirão, junto com meu marido que reclamou a um supermercado, para que fosse cobrado uma fiscalização mais efetiva quanto ao estacionamento para deficientes, que era sempre desrespeitado! Usamos Computador, Internet, Telefone. Tudo são multinacionais, mas é daí que mudamos o mundo e somos contra tudo isso meu irmão.
Eles mudaram a placa, colocaram uma bem grande exigindo documento, colocaram um cone na frente. Toda vez que vejo um carro com o adesivo para deficiente (antes não via) naquele supermercado e nessa rede, sei que foi por causa de nosso ativismo pela justiça.
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