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terça-feira, 15 de novembro de 2016

Poesia, Literatura, Amor - Legião Urbana e a Professora de Português

O mundo anda tão complicado

Não lembro quando comecei a gostar de escrever, mas sim dos momentos em que colocar no papel o que eu sentia ou pensava era algo que me possibilitava um bem estar sem igual. Nada das minhas outras atividades era como ler e escrever.
Eu tinha uma professora de Português e Literatura que um dia fez uma atividade com música. Tínhamos que ouvir e escrever tudo o que ela representava para cada um.

Eu sinto que naquele dia algo despertou em mim. Um clique e tomei conhecimento de que escrever liberta os pensamentos, organiza aquelas ideias mais profundas, dá formas à coisas disformes.

A música era 'O mundo anda tão complicado' e eu, naquela época, nem tinha vivido tudo o que hoje sei sobre a letra dessa canção. Eu só tinha a melodia, a composição seca. Sem vivência, era uma criança, apenas fui deixando-me levar pelo fluxo carinhoso da história. E me recordo de muito escrever, sem parar, até a música acabar.

Eu não sabia o que era ver o outro dormir, mudar-se para a casa de alguém, ou trazer alguém para meu lar, viver o cotidiano amoroso. A minha vida, naquela época, era mais um misto de tristeza e vazio. Depois, não muito tempo depois (eu estava na quinta série, acho) eu fui descobrir que o outro é este ser fascinante, que se deseja como a si mesmo. Aquele ser amado, com o qual queremos estar na mesma casa, na mesma vida. Ou não...mas eu queria.

Mas naquela época meio criança, meio adolescente, eu não tinha ideia do que era amar.

Meninos e Meninas

O Renato Russo foi aquele amor adolescente impossível, entre tantos que eu tive. Tudo o que ele dizia era sagrado para mim. Uma palavra estranha, e eu corria para o dicionário. Ele era o conforto poético para este mundo sem solução.
Quando hoje, retorno a estudar o Português para o meu segundo vestibular, vêm à mente aquela frase, como todas, genial:

"Eu canto em Português errado,
Acho que o Imperfeito não Participa do Passado
Troco as Pessoas, troco os Pronomes."

Esse ano, por força de um destino, uma breve paixão, decidi fazer minha segunda faculdade e primeira vocação. Até agora não consigo entender por que neguei por tanto tempo que isso era meu caminho. Eu só posso explicar com uma frase: eu fujo do amor e das coisas que amo, por medo de perdê-las depois.
Só que o amor não foge de mim, ele está aqui o tempo todo. E não irá embora. E não sei se isso é bom.


Se fiquei esperando meu amor passar

Até hoje, algumas frases dessa música são enigmáticas para mim. Eu simplesmente não as entendi.
Mas, nesse momento de minha vida, eu estou caminhando muito e ouvindo Legião Urbana regularmente. Um dia, ao voltar dessas caminhadas, sozinha, eu pensava justamente sobre o amor e nem me dei conta de que tocava essa música no meu MP3.
E uma das frases brilhou para mim. Eu acho que entendi, pelo menos o que pode ser uma interpretação minha...
Eu sempre quis entender o verbo amar, fazer a palavra amor ter um sentido. E no fim das contas percebi que o sentimento está sempre aqui dentro, não importa como está, nem por quem está. Ele nunca saiu, nunca passou. Eu sei que não é fácil encontrar o eco lá fora para as coisas que estão no coração, eu sempre sonhei com um espelho, o qual parece que ainda está longe de mim.

Nos meus sonhos ele aparece, bizarramente, como uma jaguatirica que mordeu o meu braço. Eu senti a carne sendo perfurada por aqueles dentes terríveis, sem sangue desta vez, mas aquele ser era tão lindo, que eu deixei.

sábado, 30 de julho de 2016

A rua

Era um encontro ao acaso, os fantasmas lá fora, as coisas sempre nebulosas. Como é difícil lidar com a clareza, aí vamos para as sombras. Tão mais fácil é sonhar, quando me escondo do Sol.
Nada se compara à essa terrível timidez. Me deixa ora pálida, morta, outras vezes vermelha, como algo queimando no rosto. Eu não consigo mentir, fingir que não me importo.
É impossível formular uma palavra, o medo de que ela saia 'errada' e leve para longe, toda a possibilidade. Eu me concentro na beleza das coisas, até chego a amar a vida novamente, durante um segundo, a pureza de um instante me faz esquecer, de toda a tristeza anterior.
A rua se mostrava iluminada. Era final de tarde, havia tantas árvores e um brilho dourado por onde se passava. Eu só queria ir pra casa, me atormentava o medo, a insegurança, essa merda chamada vontade. Esses sentimentos, que ao sol de um final de dia ficam mais bonitos, nem parecem o que são.
Ontem, eu senti um certo orgulho de estar viva. Geralmente eu anseio pela morte, como uma forma de alívio. Geralmente a vida para mim não tem sentido.
E, dessa vez não é licença poética, eu já quis morrer tantas vezes quanto são os dias.
Mas, ontem, ali naquela praça, com aquelas árvores verde-brilhantes e pessoas andando para todos os lados... eu curti estar onde estava. Ali. E percebi que meu coração é vazio, das coisas banais esperadas por todos, mas é repleto, de coisas que nem mesmo sei, e me surpreende, por vezes.

Será que o amor que conheci, se transformou? Será que esse sentimento adentrou-se aqui dentro e me tornou isso? Outra coisa, outros sentimentos, mas todos parte desse, tão profundo e esperado?

Minha mãe

Faz alguns dias que sonho com minha mãe. Faz alguns dias que choro quando ouço RR. Sentir saudade de quem já partiu dessa vida estúpida é quase a mesma coisa que se torturar, não há corte mais profundo, nem mais infeliz, pois é inútil.
Só há uma sensação chamada ausência, As flores secas, a casa fechada, minha mãe completamente cinza, a cor dos fantasmas quando, por fim, estão mortos.
E essa presença soturna a me dizer o que devo carregar. Mas, por quê devo obedecer? Por que passar a vida a levar pesos, mágoas, formas de tapar grandes buracos na alma?

Não, mãe, eu desobedeço. Não levarei nada, partirei com a alma vazia, nada mais restou.


sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Livros que eu terminei de ler A biografia do Renato Russo

Já falei deste livro algumas vezes neste blog.
Nesta postagem apresento o livro de Renato Russo: http://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2015/04/legiao-urbana-e-o-livro-de-renato-russo.html e neste link: http://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2014/06/brasilia-de-ontem-copa-do-mundo-de-hoje.html falo sobre o contexto de Brasília e a Copa do Mundo.
materiais do seu acervo
Hoje por fim, o termino de ler. Foi triste a leitura, por isso demorei. Junto com ele estou lendo A Gaia Ciência e um livro sobre sedução. Mas este livro, foi doído a cada minuto, foi de partir o coração, foi a vida do meu ídolo de adolescência, o meu ídolo de sangue.

E por coincidência este mês é aniversário de morte dele, peguei o livro de vez e resolvi terminá-lo, pois havia parado de ler nos momentos difíceis de sua vida.
Quantas vezes havia uma lágrima nas coisas que eu escrevi. 
Eu aprendi muito com RR, desde palavras, tosco (uso para substituir 'burro' e não ofender os animais), Thanatus, como bandas, onde ia correndo escutar. Li livros só porque ele citava alguma coisa sobre, ou porque era o nome de suas músicas, como Andrea Doria. E, como no caso de Chespirito, o meu ídolo maior, fui aprendendo mais sobre o mundo, além do meu.
Uma letra falando de dois amigos que iriam lhe salvar de afundar num mundo triste da noite, bebedeiras e solidão
Ele era para mim, naquela época adolescente, o que era para todo fã de Legião, um irmão mais velho, um amigo. Eu era apaixonada, queria me casar com ele. Acho ele perfeito, lindo. Desde que comecei a gostar de homem, era aquele tipo de homem, usando barba numa época em que poucos usavam, de um jeito meigo e inteligente, sempre fora do padrão, mas paradoxalmente querendo ser aceito, isso só foi sendo revelado mais claramente na leitura deste livro, porém, sentia isso, pois eu era assim.
Coisas pessoais, diários de suas angústias, igualzinho aos meus... eu escrevia essas coisas tb.
Quando ele revelou ser homossexual eu fiquei triste. Como uma criança, não podia aceitar a ideia de que aquele homem, que eu queria me casar de tanto que o amava, não gostava de mulheres! Depois, aceitei. Desde cedo aprendi a tentar compreender a pessoa que eu amo do jeito que ela é. A partir daí, ficou igual, amei aquela pessoa da mesma forma, era o mesmo cara, inteligente, sensível, melhor que os outros homens.
Esse poema, eu fui ler em voz alta para ouvir meu Inglês, que não é essas coisas.... chorei um monte, de tão triste seu significado... 
Nunca fui uma fã idealizadora. Nunca idealizei homem. Sempre soube que todas as pessoas possuem defeitos e aqueles que mais amamos, os tem ainda mais. Mas sabia que ele era especial, sempre foi, foi mal compreendido e não é clichê dizer isso, mesmo que fosse, é pura verdade.
Um filme onde Renato Russo atuou, um cadáver de um afogado que apareceu na beira da praia e Renato com mais outro casal o encontram, e suas reações diante do esperado...
Nos trechos mais gritantes de sua biografia aparecem um Renato fragilizado, abandonado à solidão, e, entre pessoas que o ignoraram. Sei muito bem o que é isso.
Viver invisível, transparente, e, no caso dele, sendo de matéria tão profunda, tão significante.

Desprezei cada uma dessas pessoas, algumas bem famosas da música ou da cultura brasileira, porém, como saber o que se passa com o outro?

É melancólico, a ponto de eu deixar o livro tantas vezes, e não poder retornar, mas o fiz.
O mais importante no livro é que o autor fez uma pesquisa e tanto, musicalmente, historicamente, com muito respeito e sabedoria.

#Digam o que disserem
O mal do século é a solidão
Cada um de nós imerso em sua própria
arrogância

Esperando por um pouco de afeição#

É impressionante como um jovem pudesse ter tantas qualidades, ser tão profundo, e ao mesmo tempo ter tanta dor, tanta coisa a dizer, tanta vontade de ser amado.
É de se esperar que a humanidade, medíocre,lhe tenha negado tanta coisa, o mal do século, tenha lhe afetado, como afeta a mim e a tantas pessoas... a solidão na alma e nos ossos.


#Não, não, não, viver é uma dádiva fatal.
No fim das contas, ninguém sai vivo daqui.#

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Marcelo Bonfá e as músicas da Legião Urbana

Marcelo Bonfá é compositor de muitas músicas da Legião Urbana, em parceria com Dado Villa Lobos e Renato Russo. Manda bem na bateria e na voz. Ficou muito bom este vídeo que assisti! E não é para qualquer um cantar e tocar bateria ao mesmo tempo. Sempre fã.

Confira o seu site: http://www.marcelobonfa.com.br/

Enviado pelo meu marido nestes dias de pura agonia:




Legião Urbana e o livro de Renato Russo

Estou terminando de ler a biografia de Renato Russo. Deixei o epílogo por terminar. Quando algo é tão triste para mim, fica o término para um outro momento. Mas está ali na sala, à espera deste momento, que está para estes dias.

Já falei deste livro neste post: http://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2014/06/brasilia-de-ontem-copa-do-mundo-de-hoje.html
O autor descreve toda a vida do meu ídolo e também o cenário do país, o momento histórico onde ele cresceu e se tornou o que é. Um gênio fluente nas palavras, nas idéias e na língua inglesa. Um poeta que eu amei com todos os seus defeitos, pois eram obscuros e mínimos perto de sua perfeição.
No livro, muitas raridades, músicas inéditas e as fragilidades, lágrimas que caíram no papel, poética e visivelmente. Não sei se era isso que ele queria, ver suas coisas expostas. Mas, pelo menos neste livro, tudo foi feito com respeito.

Meu marido me mandou hoje um especial da Rádio Transamérica de 1992. Algumas músicas quase nunca foram tocadas ao vivo.  Saudades.

sábado, 11 de outubro de 2014

Pais e Filhos - Legião Urbana: ouça no volume máximo

Homenagem ao dia da criança. Música Pais e Filhos, disco As Quatro Estações - Legião Urbana

Por que existe o Dia das Meninas

Hoje é o Dia da Menina
Descobri por acaso, fazendo minhas leituras, por aí.
O comércio, e as pessoas, deliram com o dia das crianças. Sem qualquer critério. Eu penso que toda criança merece presentes e mais que tudo, afeto. Mas isso nada tem a ver com o ilusionismo que ocorre nesta data.
Acontece um egocentrismo sem limites, uma falta de percepção. Cada um por si. E isso quando as próprias crianças não são esquecidas. Irmão contra irmão, parentes chatos, funções inúteis, paparicos deseducantes, segregações entre crianças, só para dar alguns exemplos.
Já fui criança e tive infância, e sei a diferença entre o que é bom e o que é ruim. E posso falar sobre infância com toda a autoridade.
Sim, pois não pense que só quem é mãe, pai, ou seja lá que profissão especialista em crianças, pode falar sobre infância. É preconceito querer tornar sectária a experiência. E Não me refiro a questões técnicas. Falo do povo que quer monopolizar o assunto, proibindo os outros de ajudar. Tipo, homem não poder participar do feminismo.
Esqueceram o dia das meninas. E foi preciso criar este dia, pode crer.
Elas são 'dadas' em casamento, são obrigadas a se casar com animais (vide religiões orientais e indianas, para quem ainda 'mistifica' essas coisas), são prostituídas, são escravas do lar, trabalham na rua, são abusadas sexualmente são, como as mulheres em geral, submetidas ao machismo. A lista é longa e acontece também com meninos. Mas até nisso as meninas perdem. Mães tendem a preferir meninos. (não inventei nada, pergunte ao Freud, ele costuma explicar tudo) E daí existe uma série de meninas obrigadas a trabalhar, serem esquecidas, abortadas, a sofrerem violência doméstica, abandono, etc. Meu texto, que você pode ler aqui: A filha camareira, o filho hóspede, revela todo meu asco a esse tipo de preferência, que mostra mães imaturas, machistas, que parecem ter filhos apenas para satisfazer desejos egoístas, narcisistas.
Lembre das meninas neste dia. E se você foi uma menina. Parabéns por ter sobrevivido neste mundo, pintado por Renato Russo, nesta homenagem feita pela Vanguarda Abolicionista.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Por que a fábula do beija flor é uma farsa e a coragem de fazer mais que isso

A esposa de Amarildo, também sumida, foi encontrada em depressão profunda. Usuária de álcool, ela desaparece na multidão, enquanto o país grita 'um gol' contra sete que levou, nesta copa que pagou.
O álcool foi liberado dentro dos estádios. A venda continuará depois da copa. A lei não tem valor.
O Brasil enche a cara, porque não sabe perder.
Amarildo perdeu a vida, porque sumiu, ninguém nunca mais o viu.
Por muito grito, a mídia ouviu. Depois de um ano, ela ainda espera a punição para os policiais.
Estou lendo a biografia de Renato Russo, cujo tema recorrente é Brasília, cidade que tem como favorito nas pesquisas para as eleições, nada menos que José Roberto Arruda. Ele aparece em primeiro lugar nas intenções de voto.
E sabem por quê? Pois ele tem no seu currículo dois escândalos éticos na sua carreira política, depois se envolveu no chamado Mensalão do DEM, já foi preso, já teve seu mandato cassado, etc.
E a mesma fonte onde pesquisei diz que o povo de Brasília considera que "Ser ético e honesto é o atributo mais importante para um futuro governador."
Se você perguntar a um eleitor o que é ética ou, o que é honestidade, o que ele lhe responderá?
Agora você, que está aí com seu celular na mão, você que fala mal dos direitos humanos e acha que 'fazer sua parte' é dar roupas que você não tem onde guardar a alguém no final do ano, olhe para esse panorama e me responda:
É fácil fazer o bem?
É arrogância querer realizar uma mudança de grande impacto?
Já está na hora de amadurecer para a ideia de que a fábula do beija-flor que apaga o incêndio com o bico na floresta, além de completamente ingênua, é uma farsa, porque os animais são inteligentes o suficiente para desaparecer antes mesmo da fumaça surgir, ou morrem consumidos quando não conseguem se livrar do fogo.
E porque, numa sociedade intrincada, uma pessoa faz sim muitas coisas, mas todos fazem mais. Falar bonito e agir como um idiota não resolve.
ca. 1880s, [cabinet card, occupational portrait of three butchers preparing a steer]. Alfred Atkinson
Cada um fazer sua parte funciona, claro. Assim como funciona toda a maldade, fazendo o dobro, do outro lado.
Portanto, cada um levando sua caneca, por exemplo, enquanto existe uma montadora de carros, uma fábrica de plásticos e uma empresa de máquinas de café e você faz parte desse todo, sua xícara de café acaba sendo só uma parte mesmo, se você não fizer mais que isso. Trazendo para perto de si muitas pessoas, através de exemplos e atitudes, mudamos contextos maiores. E então, desabando estruturas, o pouco que se faz também é válido.
É parar de comer carne, parar de ir no açougue,  parar de compactuar com o trabalho escravo nas indústrias da pecuária onde existem milhares de pessoas em situação de degradação humana. Isso sim é fazer sua parte, mas exige coragem.
É preciso fazer muito. Fazer certo e aprender. E propor-se a isso. Educar-se para fazer o bem e praticar todos os dias, como um sábio.
Pois fazer pouco e fazer errado até prejudica, como podem ver neste panorama chamado 'país'.
Isso é bem diferente de cada um exercer o seu dom, ou o que tem de melhor, pois é a partir daí que se conquista o maior de todos os bens.
E sem humildade. Por que a humildade é a religião dos fracos, já disse Nietzsche.
E como já disse nosso filósofo Renato Russo, "Esse é o nosso mundo.
O que é demais nunca é o bastante. E a primeira vez é sempre a última chance".
E para você brasileiro, que acha que pátria é alguma coisa, já lhe aviso, para mim, pátria é nada. É só uma linha em um papel. Um mapa construído através de guerras e mortes.
Eu acredito em povos, internacionalidades, etnias, línguas e dialetos, não sou obrigada a torcer por um time, e torço para todos. Não tenho uma preferência, adoro certos aspectos daqui e não há país perfeito.
Para você que se deliciou com os estrangeiros visitantes, lhes apresento abaixo um link com outros estrangeiros vivendo dramas bem aqui debaixo de nossos narizes:
 Leia querido leitor e obrigada pela visita a este blog:
http://www.cartacapital.com.br/revista/803/onde-ala-nao-influencia-3446.html

Ellen Augusta

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Brasília de ontem - Copa do mundo de hoje - Uma leitura da biografia do Renato Russo

Tom Jobim e Vinícius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector e outros se desmancharam de amores pela nova cidade.
Somente quem veio de fora é que pôde lançar um ar de lucidez sobre o delírio que estava por nascer.
Aldous Huxley extranhou o fato de cientistas sociais não terem sido consultados durante a construção da capital.
"Uma cidade nova é um problema de vida e portanto de antropologia, de sociologia e de biologia. De modo algum, um problema apenas de arquitetura."
Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre também estiveram pensando sobre a cidade.
Ela considerou a "loucura de  erguer uma cidade tão artificial em meio a um deserto."
Em visita ao lugar fantástico ela revelou que guardara a impressão de ter presenciado "o nascer de um monstro cujos corações e pulmões funcionavam artificialmente, graças a processos de um custo mirabolante", considerou a obra como "a mais demente lucubração que o cérebro humano jamais concebeu."
"Essa cidade jamais terá alma, coração, carne ou sangue."
A história do surgimento de Brasília é o começo do livro da vida de Renato Russo. O contexto social do país, onde estou lendo no momento o período da ditadura militar. A imposição do silêncio, o delírio dos gastos desnecessários, o consumo a todo vapor e uma sensação de insegurança para os jovens. Muita gente alienada, até mesmo na juventude, como verificou Caetano.
Numa visita da rainha Elizabeth II o prefeito de Brasília a presenteia com duas onças. Onças vivas amigos! Esse é nosso Brasil. E não pense que hoje é diferente, só por que você está mergulhado no contexto. Visto de longe tudo é absurdo, mas dentro da coisa achamos tudo normal.
É só ver a reação das pessoas contra as manifestações sociais neste período da copa, outro delírio histórico. Compare as fotos (http://www.sul21.com.br/jornal/fotos-da-semana-10/) dos torcedores abraçados nas bandeiras com as fotos dos manifestantes, de quem você tem mais pena? Eu tenho mais pena dos torcedores, resignados, que depois de aceitar as migalhas, pegam o ônibus para voltar para a casa. Só ingênuos acham que se uma pessoa abaixar a cabeça e apenas trabalhar sem se queixar de nada, como disse para o filho aquele Pai-Padrão-FIFA (assim apelidou Ezio Flavio Bazzo àquele pai que foi lá tirar o filho do seu direito de se revoltar), vai ficar rico e contribuir para alguma coisa neste país.
O livro é bastante completo pois mostra esse contexto histórico em detalhes, antes de mostrar o homem que não se conformava com a situação do Brasil e com a injustiça. Vamos lá que a leitura está ótima!

domingo, 15 de junho de 2014

As três mulheres - em defesa de dois meninos - uma caminhada na Redenção

Elas iam descendo a rua, e eu fiz o sinal para o ônibus. Achei que pegariam este. Não pegaram.
Eu estava ouvindo Legião Urbana, e aquela música linda que tem a frase "Ter bondade é ter coragem".
Depois elas me perguntaram sobre um ônibus que era exatamente o que eu pegaria. Não deu tempo de avisá-las que o ônibus já estava vindo, pois elas já estavam de saída. Eu já estava dentro do ônibus e elas me abanaram.
Fui passear no BrechóCão que estava acontecendo no Brique da Redenção. Conversei com protetoras e protetores, ativistas que ajudam animais, que encaram a coragem de frente.
Na volta para casa encontrei as três mulheres na parada de ônibus. Eu não as reconheci. O que vi antes foi uns cartazes com dizeres sobre uns meninos e me interessei. Ia já perguntar sobre o que era. Pois se é sobre ajudar um ser humano, se é sobre justiça, já quero saber, já quero ajudar. Pois o que é injusto me fere.

Me sinto ferida quando alguém é injustiçado. Não por que poderia ser comigo. Não. Mas por que foi com aquela pessoa.
Não ajudo por que penso em 'recompensa' depois da morte. Estou pouco me importando com o depois, pois não creio em nada. Ajudo por ativismo. Por revolta. Por achar que é minha obrigação, a única coisa que importa mesmo nessa Terra, é fazer algo.
Acho mais bonito ajudar por revolta do que por esperar algo em troca, mesmo que seja um reconhecimento de seu Deus e religião.
As mulheres me reconheceram, uma delas veio na minha direção e me agradeceu por eu ter avisado sobre o ônibus, me contou que elas estavam num protesto contra a morte do menino Bernardo Boldrini e estavam representando o Movimento contra a violência doméstica infantil Diogo Nascente.
Nos encontramos por coisas em comum. Essa senhora ajuda muitas causas, ajuda pessoas, crianças, entidades e adora teatro! Eu ajudo animais, ajudo pessoas, não gosto muito de teatro, mas amo a cultura como um todo e adoro ler e escrever. Gostei muito delas, trocamos telefones e descobrimos que até moramos perto.
O mundo é muito pequeno e hoje fui ouvindo Legião Urbana e pensando sempre nas letras, pois fiquei anos sem ouvir suas músicas.
Duas frases para hoje, e muitas mais para outros dias.
 " É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar pra pensar, na verdade não há." E "Lá em casa tem um poço, mas a água é muito limpa."
Vou colocando um pé na água, com coragem.

sábado, 14 de junho de 2014

Aborto Elétrico

Esses dias ouvi um grupo de feministas cantoras, com um nome até bem menos chocante que este, mas as letras e o nome gerou contorções e caras de espantos, teve até jornalistas demitidos. E isso aconteceu nos dias de hoje!
...
O Aborto Elétrico foi a primeira banda do Renato Russo. Uma banda punk de Brasília. Aquela cidade onde nada acontece. Muitas bandas ótimas saíram de lá.
E isso aconteceu naquela época!
...
Letras lindas, sensíveis, vindas da mente de um adolescente. Um som pesado, forte, para quebrar com tudo e acabar com aquele tédio!
Estou lendo sua biografia.
A vida de Renato Russo não pode ser contada sem que se conte também a história de Brasília e do país, por isso o livro é muito interessante.
Pois hoje eu vi o filme Somos Tão Jovens, com meu marido.
http://www.youtube.com/watch?v=2QOOvy3MQfU
O filme é super legal. Emocionante, contou um pouco sobre a vida daquele que seria o gênio sensível, o irmão mais velho, como muita gente assim o considera, pois uma geração de jovens é fã de suas músicas e o seguia.
Eu vou confessar (mais) uma coisa.
Fiquei tão profundamente triste com a morte dele que por alguns bons anos não pude ouvir mais os discos.
Ouvia uma música aqui e outra ali. Ouvia um CD e parava. Ficava uma semana com as músicas na cabeça.
Depois de sua morte fiquei muito tempo sem ler coisas sobre ele.
O solo em italiano Equilíbrio Distante me faz chorar do começo ao fim. É simplesmente a voz perfeita para músicas tristes e sensíveis. E o solo em inglês The Stonewall Celebration Concert mostra toda a potência vocal. No CD há um encarte com endereços de ONGs de Direitos Humanos para as pessoas buscarem ajuda.
Ganhei o CD Trovador Solitário como presente de noivado. Esse CD foi o período em que ele cantou sozinho. O produtor e pesquisador musical Marcelo Fróes, juntou esse material caseiro de 1982. Tenho toda sua discografia. Ganhei um livro de entrevistas, de um colega de trabalho, há muito tempo. Uma pessoa simples, mas que percebeu, na época, como eu era apaixonada pelo Renato. Eu era tão apaixonada, que de tão infantil, queria me casar com ele! Dessa paixão infantil e verdadeira, nasceu o amor e admiração.
Eu voltei a ouvir sua voz. Vi o filme, comecei a ler o livro. Vou contando aqui no blog minhas considerações.
E espero que todos possam ler o livro também. Mas acima de tudo, possam ouvir Legião Urbana!

domingo, 1 de dezembro de 2013

Saber dizer não e... espantar os inconvenientes

A maior prova de respeito ao outro é quando você diz não.

Hoje, na caminhada de domingo, o papo foi este. Do desafio maior de dizer não. De mandar às favas.

De como é difícil dizer não e,
o mais incrível é que,
as pessoas que mais te exigem são as mais sem noção,
as inconvenientes
as egoístas
as que não querem saber de ti e sim, de si mesmas,
é para essas pessoas que temos de 'dar satisfação'
que temos de nos preocupar em 'não sermos intolerantes', sendo que estas mesmas são monstros de intolerância e falta de compaixão.

Sim. Na parada de ônibus eu ficava olhando para os sapatos das meninas, todos inadequados, apertados, altos demais, sem meias... roupas esquisitas, gurizada desorientada... penso que eu também fui assim. Éramos gente a buscar um caminho. Mas eu busquei e estou no que encontrei. Muita gente da minha época parou no tempo. Caras que eu admirava, hoje tenho até vergonha de dizer, pois viraram uns bananas, uns chatos, ou o que é pior, uns reaças...

Neste fim de semana tenho que ir num lugar, onde provavelmente terei de encontrar gente inquisidora. E, sim, você não tem a menor ideia de onde é.
Terei que armar muito bem meu arsenal de 'não'. Ou seja, vou descobrir mesmo se realmente sei cortar conversa e fazer essa gente sem noção, sem semancol se colocar no seu lugar. Vou aprender a colocar as pessoas no seu devido lugar.

**Você não precisa responder tudo. Você não 'tem que' fazer tudo, nem saber tudo. Nem sempre precisamos divulgar nosso telefone/celular, nem estar disponível sempre. Temos que deixar claro que temos limites, não podemos ser sugados por pessoas irresponsáveis. Não pense que sei tudo isso, estou aprendendo com alguém mais evoluído que eu!
""Sim, minha mãe morreu. É triste. Acontece na vida das pessoas."" É isso que irei dizer!
No velório de minha mãe, o corpo dela estava no caixão, e muita gente estava às minhas voltas já bisbilhotando sobre os trâmites familiares, como se meu irmão fosse um animal de estimação (que eu valorizo, mas para essas pessoas é como um objeto), e tivesse que dar um fim ou jogar no lixo.

Meu irmão tem uma doença séria e ninguém, absolutamente ninguém, nem mesmo Deus, pelo que se viu, esteve em meu lugar ou no lugar do meu irmão, para saber da dor que se sentiu. Mas palpite todo mundo deu!


Então, caros amigos, hoje entendo uma música do Renato Russo, que é uma letra verdadeira, retrata a ausência quando mais precisamos de um abraço ou de um olhar apenas. Mas que no minuto seguinte vem aquele vizinho/parente maldoso ou fofoqueiro te fazer mil perguntas, para depois levar quentinho para os outros, para ficarem de leva e traz. Ah, mas essa gente não pode comigo, tiro o maior sarro com esse povo e boto todo mundo para correr...
Ellen Augusta

É triste, mas é o que ele, pobre Renato, nosso gênio, sentiu:

"Quando não há compaixão
Ou mesmo um gesto de ajuda
O que pensar da vida
E daqueles que sabemos que amamos ?..."



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