Ellen Augusta
“Lembrando que é sempre dentro de ti onde militam os verdugos mais nefastos e onde deve iniciar o primeiro ato revolucionário”
(Ezio Flavio Bazzo, Manifesto aberto à estupidez humana)
Ilustração: Yosuke Ueno

Um dos mantras mais repetidos, porém pouco usado, é tentar ver o lado
bom das coisas. Mas somente ver o lado bom não é suficientemente seguro
para uma vida melhor. Isto porque tantas vezes vemos o lado bom, mas o
descartamos, em favor de negativismos, de perder tempo com pessoas que
roubam nossa criatividade, por serem vazias.
A injustiça é um tema recorrente em nosso trabalho. Lutamos contra
toda e qualquer injustiça contra animais e também contra a sociedade. E
todos sabem o quanto é desgastante lidar com injustiças.
É importante focar nos objetivos e não perder tempo com pessoas mesquinhas, com fofocas, com falsidades.
Da mesma forma que uma empolgação impensada é nociva para um trabalho sério, o pessimismo também é nocivo e pode matar.
Um ativista doente, estressado, mal-humorado ou instável pouco pode acrescentar à causa, e até mesmo àqueles ao seu redor.

É importante sempre festejar as conquistas, por pequenas que sejam, e
as grandes também. Essas conquistas são ferramentas que nos ensinam,
nos estimulam a continuar e servem de exemplo a novos ativistas.
Sempre devemos acolher com carinho os novos ativistas e entender aqueles que, por motivos pessoais, seguiram outro caminho.
Educação, repito aqui o que escrevi em outros artigos, nunca é
demais, porém é raridade e deve ser cultivada, independentemente se, no
seu meio, você é um dos poucos a usá-la.
Não é porque o outro é um idiota que você tem que ser igual. A fineza, além de elegante, faz bem ao coração.
Vejo que pessoas desagradáveis, mentirosas, fofoqueiras, rancorosas
estão aí justamente para servir de exemplo do que não fazer, do que não
ser, e até mesmo do que se afastar, caso necessário. Não devemos dar
crédito a essas pessoas, mas sim pensar naquelas que contribuem, que têm
energia boa, que trabalham pensando nos animais de verdade. Elas
existem e, se você ainda não as viu, cuidado, pois pode estar sendo
pessimista demais ou se juntando à pessoas ruins.
O trabalho de ativismo pode ser feito por uma única pessoa sozinha,
ou por muitas. Mas é a seriedade desse trabalho que conta e o tempo
mostra os resultados.
Procure pessoas de alto astral, com sorriso sincero, sem ‘respostas
prontas’, que seu trabalho como ativista será bem mais fácil. Não é
preciso ser ‘amigo de fé’, mas é preciso que haja respeito. Já temos
problemas demais para lidar em nossa luta pela conquista dos direitos
animais. Devemos focar no trabalho e não em problemas pessoais. Aliás, é
recorrente o abandono da causa em virtude de qualquer instabilidade
pessoal.
Quando alguém faz algo legal, é interessante estimular seu trabalho, e
não pichar, denegrir ou boicotar, simplesmente porque não é o seu
trabalho. Há diversas formas de ativismo, e há algumas pouco
reconhecidas, por serem anônimas, mas não menos importantes.

De outra forma, é importante escrever, publicar livros, fazer o seu
trabalho ser lido e ser eternizado em páginas de papel. É fundamental a
leitura, inclusive daquilo que você não concorda, pois pode mudar de
ideia e é bom mudar, desde que seja para o bem daqueles por quem você
luta. Lembrando que ter material publicado em livros e revistas é
importante para sua carreira pessoal e também para o ativismo.
Não leia apenas o mesmo assunto, ativistas devem ser inteligentes,
independentes, ter ideias próprias e trazer ao mundo novas correlações,
entre o ativismo animal e outros assuntos.
Por fim, considero que devemos estar bem com nós mesmos para realizar
um ativismo sério, devemos investir na profissão, na formação, e
devemos ter orgulho de ver nosso trabalho publicado, por que não? É
importante estarmos preparados, de bem com a vida, pois isso vai gerar
lá na ponta um trabalho bem feito.
Talvez um dia as pessoas aprendam que a bondade não é algo tão fácil
assim e que é preciso preparar-se para ser bondoso com os demais
(incluindo aqui todos mesmo, animais, humanos, Terra), a fim de não
transformar um ato de ajuda em maldade.
Bibliografia
GUEVARA, Che. La Guerra de Guerrillas. La Habana: Dep. de Instrucción del MINFAR, 1960. baixado no site Angelfire.com.
BAZZO, Ezio Flavio. Manifesto aberto à estupidez humana. 1979, Ed.
LGE, 2007. Lido pela primeira vez em espanhol em site publicado no
México, com posterior re-publicação em português.
COELHO, Paulo. O Manual do Guerreiro da Luz. Ed. Planeta, 2006.
FALUDI, Susan. Blacklash – O contra ataque na guerra não declarada contra as mulheres. Ed. Rocco, 2001.
WATSON, Paul. Earthforce! Um guia de estratégia para o guerreiro da Terra, Ed. Tomo, 2010.