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quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Reacionários da Grande mídia minimizam o direito à moradia

Os moradores das Ocupações urbanas aqui da região metropolitana e de Porto Alegre estão fazendo manifestações nas rodovias e parando o trânsito da cidade, na Zona Norte e no Tribunal de Justiça do Estado.
Ouvi numa rádio essa manhã um absurdo. O comentarista, um reaça bem conhecido, insuportável, dizendo (nas palavras dele): que os motoristas 'não tem nada a ver com isso' e que as pessoas estão atrapalhando o trânsito para requisitar, vejam só que absurdo, 'moradia'!
A maneira como ele falou, foi de uma forma tão jocosa, que mais parecia que as pessoas estavam pedindo doces, roupas melhores, mais músicos nas praças, mais fogos de artifícios à noite. Foi asqueroso.
E há um pequeno detalhe:
Você motorista bundão, tem parte neste problema sim.
Cada vez que você pega seu carro que mais parece uma lancha, cada vez que você sai de casa, alienado a tudo, cada vez que você liga sua TV multimídia ou seu celular indispensável, você tem parte em tudo que acontece. Cada vez que você está ausente de tudo e não sabe quem é o desembargador, o juiz e mal sabe o que se passa com quem está acima de nossas cabeças, com o serviço público, você é culpado.
Cada vez que você escolhe com seu voto de merda, políticos incompetentes, picaretas como aqueles  que são 'suspeitos' de cobrarem metade do salário dos funcionários (Celso Jancke (PP), José Francisco Nunes, o Francisco da Mensagem (PSB), e Doutor Pompeo (PTB) em Canoas, logo ali, aqui afinal ), cada vez que você concorda com esses comentarístas sem vergonhas que minimizam os problemas humanos, você é culpado por essa gente não ter casa. Eu pago aluguel. Seu eu soubesse disso antes, estava lá com eles. Tem gente ali, que é da cidade que eu morei durante anos.
Cada vez que você, sentado nesse carro, ignora os problemas sociais e até dá graças a deus por não ter que se envolver em nada, você é conivente, é abjeto e ainda vem com esse papo de que 'não tem nada a ver com isso'.........
Mas sonega impostos, colabora com patrão explorador, pode ser até o dono daquele monte de terras inúteis, cabanheiro, pecuarista, explorador de trabalho degradante, e depois: ainda defende expointer, ainda defende comer carne, ainda defende, defende.... sem saber e diz:

"não tenho nada a ver com o fato dessa gente não ter onde morar".
Pense bem meu amigo e amiga.

Greves e manifestações sempre existiram, são direitos presentes na constituição. É uma falta de respeito a forma de como esses jornalistas reaças tratam as pessoas pobres, dizem que 'a maioria da população está naquela região', o que é mentira, porque a maioria da população não está naquelas ruas, ele fala assim por que é classe média e tem carro. Ele acha que todos são ricos e todos tem carro e todos estão naquele momento, naquele lugar, ou seja, sujeitinho com o umbigo no centro.

E tem um detalhe bem interessante, que os donos de carro e os comentaristas da mídia reaça parecem não saber. Quando é para o povão a justiça é bem lenta, por isso o povo precisa protestar, mas quando é para os ricos a coisa anda bem rápida. E quando é para fuder (ou foder para os gramáticos) as pessoas, aí a coisa é rápida e anda mesmo. Aí mostram serviço.
Veja esse documentário para se colocar no lugar dos outros:

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Black bloc - caixa preta e a mania brasileira de acusar sem provas

No exterior ninguém acreditou na mídia brasileira, na época da copa, quando gargantearam bastante sobre a 'segurança' durante dos jogos.
E hoje leio no site Rádio Voz da Rússia, que a embaixada russa no Brasil divulgou na segunda-feira, 21, uma Carta de Repúdio a informações precipitadas da imprensa brasileira sobre a tragédia do Boeing malaio. O documento diz que "as acusações infundadas contra a Rússia e seu presidente na ausência de quaisquer provas e resultados de investigação nos deixam perplexos e indignados".
Não conseguem ficar neutros. Tomam partido. Para saber das coisas você precisa ler sites do exterior.
As escutas colocadas nos celulares dos advogados dos ativistas detidos pelas manifestações no Instituto de Defesa dos Direitos Humanos é um alerta para o fato de que este é um local que serve para defender casos de violência e pessoas ameaçadas, entre outras coisas importantes. Mas nem neste lugar estaremos a salvo?
Em outra notícia assusta os termos usados nos autos dos processos contra ativistas supostamente envolvidos em atos violentos na época das manifestações. Eram os mesmos usados na época da ditadura, mostrando que a chama ainda arde.
O inquérito acusa o Instituto de Defensores de Direitos Humanos (IDDH) de "questionar a ordem vigente distribuindo o terror".
A morosidade no país é notória, mas quando querem, resolvem até mesmo o mais irresoluto dos mistérios policiais, dignos de um filme de suspense ou quem sabe até de terror.
Quem acreditou no conto do cambista mais famoso do mundo que saiu pelos fundos, filmado por câmeras, e mais ninguém viu? E sinceramente, era preciso perder tantos meses só nesse caso como se o Brasil não tivesse mais nada a fazer?
É. Mas se é a galera do rolezinho os empresário pira mano.
Enquanto isso, depois da copa do mundo, o país ficou com as obras inacabadas, os estádios inúteis, contas para pagar e um futebol para discutir, como se importasse tanto assim.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Brasília de ontem - Copa do mundo de hoje - Uma leitura da biografia do Renato Russo

Tom Jobim e Vinícius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector e outros se desmancharam de amores pela nova cidade.
Somente quem veio de fora é que pôde lançar um ar de lucidez sobre o delírio que estava por nascer.
Aldous Huxley extranhou o fato de cientistas sociais não terem sido consultados durante a construção da capital.
"Uma cidade nova é um problema de vida e portanto de antropologia, de sociologia e de biologia. De modo algum, um problema apenas de arquitetura."
Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre também estiveram pensando sobre a cidade.
Ela considerou a "loucura de  erguer uma cidade tão artificial em meio a um deserto."
Em visita ao lugar fantástico ela revelou que guardara a impressão de ter presenciado "o nascer de um monstro cujos corações e pulmões funcionavam artificialmente, graças a processos de um custo mirabolante", considerou a obra como "a mais demente lucubração que o cérebro humano jamais concebeu."
"Essa cidade jamais terá alma, coração, carne ou sangue."
A história do surgimento de Brasília é o começo do livro da vida de Renato Russo. O contexto social do país, onde estou lendo no momento o período da ditadura militar. A imposição do silêncio, o delírio dos gastos desnecessários, o consumo a todo vapor e uma sensação de insegurança para os jovens. Muita gente alienada, até mesmo na juventude, como verificou Caetano.
Numa visita da rainha Elizabeth II o prefeito de Brasília a presenteia com duas onças. Onças vivas amigos! Esse é nosso Brasil. E não pense que hoje é diferente, só por que você está mergulhado no contexto. Visto de longe tudo é absurdo, mas dentro da coisa achamos tudo normal.
É só ver a reação das pessoas contra as manifestações sociais neste período da copa, outro delírio histórico. Compare as fotos (http://www.sul21.com.br/jornal/fotos-da-semana-10/) dos torcedores abraçados nas bandeiras com as fotos dos manifestantes, de quem você tem mais pena? Eu tenho mais pena dos torcedores, resignados, que depois de aceitar as migalhas, pegam o ônibus para voltar para a casa. Só ingênuos acham que se uma pessoa abaixar a cabeça e apenas trabalhar sem se queixar de nada, como disse para o filho aquele Pai-Padrão-FIFA (assim apelidou Ezio Flavio Bazzo àquele pai que foi lá tirar o filho do seu direito de se revoltar), vai ficar rico e contribuir para alguma coisa neste país.
O livro é bastante completo pois mostra esse contexto histórico em detalhes, antes de mostrar o homem que não se conformava com a situação do Brasil e com a injustiça. Vamos lá que a leitura está ótima!
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