No supermercado, a dama com cabelo de abatjour, não pode esperar cinco minutos na fila. Saiu nervosa, fez uma diagonal, furou a fila de uma forma insuportável e passou na frente de todas as pessoas, com uma banana verde, orgânica, na mão.
A desculpa dela, suponho, era sua pressa e sua banana.
Fiquei imaginando que tipo de boleta provoca esse efeito hilariante, que faz uma pessoa ter tanta pressa e falta de noção, a essa hora da manhã, e fazer esse papelão, ali, na frente de todo mundo. A ponto de a dondoca não poder esperar.
A sociedade não fala uma palavra. Porque ela tem determinada aparência.
Gosto de desenhar estes quadros de deselegância, de mostrar essas grotescas formas de vida, para que vejam, como são os estereótipos, que todos ajudaram a construir - e reforçar.
As regras de etiqueta não serviram para nada.
De que adianta ter uma aparência de 'pessoa bem sucedida', ir ao cabelereiro e ter aquela 'aura' de sucesso, mas ter uma atitude desequilibrada?
Para nossa sociedade adianta sim. Esse modelo é aceito e reforçado. Todo mundo fica em silêncio. A atendente não se negou a atender. A pessoa anterior não disse nada.
Depois o mesmo sujeito, mesquinho no dia a dia, mau caráter até, vai dar uma de Brasileiro Patriota, quer dar uma de consciente. Vai ali na rede social se meter de cientista social. Não tira aquele dedo idiota do celular, mesmo dirigindo, ou conversando com alguém. Só fala merda e quer dar uma de ativista, fazendo aquele papelão de pedir a volta da ditadura, com direito a manifestações, com o adesivão do seu candidato de direita reaça na bunda do carrão. Querem pedir a anulação das eleições, pois a candidata que eles não escolheram, venceu.
Conheço bem seu perfil, e isso é o que me dá mais asco, quando este tipo de pessoa, comete um ato de deselegância ali, na frente de todos.
Ficam duas perguntas para meus leitores perspicazes:
Ela come banana orgânica pois se preocupa com sua saúde egoísta, ou por que tem medo de morrer?
E, em qual vaga será que ela estacionou, já que, ia ficar só alguns minutos ali dentro?
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segunda-feira, 3 de novembro de 2014
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
Saudades do Orkut quando ainda não era cadáver e os amigos que fiz
As redes sociais viram febres e sugam o tempo das pessoas. Ninguém percebe. As pessoas usam na sua frente, não há mais a mesma naturalidade, qualidade no conversar. Você está contando uma coisa, e não te escutam mais. Isto é hoje. Na época do Orkut não era diferente, mas era menos. As coisas vão 'evoluindo' para pior, e a gente vai sentindo até saudade.
Mentes brilhantes que poderiam até já ter lançado livros estão lá, perdendo tempo em barbudices, brigas eternas, guetos inúteis, que nada acrescentam à nada, pois não saem do 'papel' - o papelão que fazem ali, no virtual. E escrevem para o nada, as coisas vão para o sumidouro de uma 'linha de tempo'.
Dentro e fora tem gente que precisa de ajuda. E livros, jornais, coisas a serem esclarecidas...pessoas a serem ouvidas, vistas. Quem está fora do Face é ignorado muitas vezes. Literalmente. Experimente sair.
Redes são teias de ligação, conectam e tecem. A Internet é a mente humana em grandes proporções. Mas uma rede idiota não serve. Tem gente que não usa mais a Web, esqueceu.
E o mais triste é que isso as deixa torpes. Ignorantes, acham que tudo é exagero, generalização. Não sabem mais ler e interpretar um texto forte. Aprenderam não mais que dissertação. Assumi, estou pouco cagando para dicionários e regras idiotas. Estou aqui para escrever sobre revolta, oferecer absurdos.
Há quem só fale de paz e amor e seja beligerante.
Nunca deixo fácil. Cabe ao leitor saber ler, interpretar e buscar por si só ideias sobre o que foi lido. Sem esperar por respostas preconceituadas e dentro do bom senso. Nem quando era paga por isso eu dava de graça. Agora menos.
E não pense que sou como aqueles professores chatos que ficam em reuniões piando sobre a Internet, tecendo desculpas para suas aulas enfadonhas e sem sentido. As minhas melhores aulas foram com o uso da Internet e com memes do Chapolin.
Orkut:
Eu conheci meu marido Marcio basicamente pelo Orkut. Eu já era vegana. Nos víamos pessoalmente.
Mas foi pela rede que travamos mais contato. E eu adorava o MSN também.
Conheci a escritora Maria Helena Sleutjes. Na comunidade sobre Ezio Flavio Bazzo. Eu entrava lá para defender esse escritor, que sou fã, dos bobalhões que entravam para, sem ler a obra do escritor, sem conhecer seu estilo de escrever - que não é previsível -, ter 'opiniões', (coisa típica de redes sociais). E então fiz amizade com esta escritora, por termos o que dizer, por termos afinidades.
E desta amizade, destes contatos:
Eu me casei com o Marcio, vegano, ativista, blogueiro e escritor.
E troco cartas, presentes, livros com essa escritora, Maria Helena, até hoje. Leio seus livros, estão todos aqui na minha estante. Ainda não nos conhecemos pessoalmente, mas nosso contato é como nos tempos de fanzines. Materiais subversivos enviados pelo Correio? Talvez! Num mundo em que é estranho escrever com caneta, mandar cartas, escrever poesias.
Mandamos panfletos, cartões postais, livros diferentes, revistas feministas.
Antes de existir Orkut, ele me enviou o primeiro livro que pedi, com selo simples, antes de eu pagar.
Quando o Facebook acabar, (mais de um já se debandou) vou contar que conheci mais pessoas, que até saí para tomar café, chá, com quem add, e eu estou perdendo a vergonha de gente. Mas não é fácil. As pessoas tem medo de contato pessoal. E, detalhe, existem outras redes. Muitas.
Como é o cérebro rede-social
As redes funcionam no cérebro como um jogo de caça níqueis, arruma fotos, posta polêmicas, ursinhos fofos, confere a cada minuto o que o outro conferiu, o que o outro aprovou, silencia, aprova, reprova, confere, apaga, coloca mais fotos, edita, agora a fulana me bloqueou, claro ela morre de inveja do meu cabelo, o beltrano então! me boicota, mas eu não ligo mais, é um pobre coitado, será que ele tá a fim, e aquele vagabundo?, aquela piranha fica me perseguindo, não me adicionou, por que será que me segue, ai não conheço quem será (tem mais de mil amigos, mas se alguém puxa papo se espanta), fake, vírus, falso, falsidade, eu curto mesmo meu perfil, indiretas, romance, amigos, saudade, adolescência, distorções, direitos humanos é para o ladrão, ignorância, preconceitos, o Brasil é o único país do mundo, Na Índia todo mundo é vegetariano, não sei, ativismo verdadeiro, jornalismo, ferramenta para divulgação, [uma das] fontes de estudos, território, encontrei amigos que há tanto tempo não via!, saudade do passado, meu amigo não está lá, bloqueia família, não entende nem foto, só leu o título, preguiça de ler até o fim, o chefe não viu, encontrei fãs do Chaves, meme.
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sábado, 21 de junho de 2014
Medo da Polícia, trânsido idiotizado e o que seu iPod tem a ver com isso
Numa conhecida área da cidade, onde ninguém respeita as regras de trânsito, havia hoje uma viatura da polícia. Bem ali, onde costumo passar todos os dias, hoje foi diferente. No sinal verde, os carros estavam paraditos, esperando eu passar. Eu era a única pedestre. Só que eu, que sempre espero minha vez de passar, hoje com mais prazer ainda, esperei minha vez e só quando foi o sinal verde para o pedestre (eu), passei. Ainda fiz meu lero-lero para esses motoristas (pois faço meu protesto animado para quem merece), que em dias normais, desrespeitam um monte de gente que passa ali todos os dias.
As pessoas passam o sinal verde para o pedestre diariamente, já ajudei deficientes visuais e um ônibus passou na nossa frente. Taxi, carrões que mais parecem lanchas, todo o tipo de otário-do-carro que só por que pagou suas prestações monumentais, acha que pode sair por aí, dominando a cidade.
O sujeito que respeita as regras é quase linchado diante dos outros companheiros que buzinam sem parar atrás dele.
Mas é só aparecer um policial e pronto, o tradicional brasileiro, que aprendeu a crer que a polícia é para bater em pobre e proteger o Estado e os ricos, já obedece.
Que triste um país que pensa no conceito de público como algo que se pode usar como particular, quem tem seu salário garantido não se importa com quem não tem nem onde dormir, uma classe média contra a pobreza, como bem definiu os jornalistas do Exterior que de fora, tem um bom panorama dessa realidade. Um deles, veio cobrir a copa, viu tanta merda que se mandou daqui antes que o evento iniciasse, dizendo que não iria compactuar.
Quem vai se manifestar apanha. Quem usa um tênis da marca Fulana, é rechaçado pelo mesmo idiota que tem o computador da marca Ciclano ou Beltrano e o celular 'Iplode' ou 'SmartePlutone', mas não mexe o bundão da cadeira por que está tranquilo. Esquece que é de dentro do sistema que temos que lutar, que é daqui que fizemos algo, o que podemos. Os que não fazem nada só lamentam. Eu fui a única pessoa do quarteirão, junto com meu marido que reclamou a um supermercado, para que fosse cobrado uma fiscalização mais efetiva quanto ao estacionamento para deficientes, que era sempre desrespeitado! Usamos Computador, Internet, Telefone. Tudo são multinacionais, mas é daí que mudamos o mundo e somos contra tudo isso meu irmão.
Eles mudaram a placa, colocaram uma bem grande exigindo documento, colocaram um cone na frente. Toda vez que vejo um carro com o adesivo para deficiente (antes não via) naquele supermercado e nessa rede, sei que foi por causa de nosso ativismo pela justiça.
As pessoas passam o sinal verde para o pedestre diariamente, já ajudei deficientes visuais e um ônibus passou na nossa frente. Taxi, carrões que mais parecem lanchas, todo o tipo de otário-do-carro que só por que pagou suas prestações monumentais, acha que pode sair por aí, dominando a cidade.
O sujeito que respeita as regras é quase linchado diante dos outros companheiros que buzinam sem parar atrás dele.
Mas é só aparecer um policial e pronto, o tradicional brasileiro, que aprendeu a crer que a polícia é para bater em pobre e proteger o Estado e os ricos, já obedece.
Que triste um país que pensa no conceito de público como algo que se pode usar como particular, quem tem seu salário garantido não se importa com quem não tem nem onde dormir, uma classe média contra a pobreza, como bem definiu os jornalistas do Exterior que de fora, tem um bom panorama dessa realidade. Um deles, veio cobrir a copa, viu tanta merda que se mandou daqui antes que o evento iniciasse, dizendo que não iria compactuar.
Quem vai se manifestar apanha. Quem usa um tênis da marca Fulana, é rechaçado pelo mesmo idiota que tem o computador da marca Ciclano ou Beltrano e o celular 'Iplode' ou 'SmartePlutone', mas não mexe o bundão da cadeira por que está tranquilo. Esquece que é de dentro do sistema que temos que lutar, que é daqui que fizemos algo, o que podemos. Os que não fazem nada só lamentam. Eu fui a única pessoa do quarteirão, junto com meu marido que reclamou a um supermercado, para que fosse cobrado uma fiscalização mais efetiva quanto ao estacionamento para deficientes, que era sempre desrespeitado! Usamos Computador, Internet, Telefone. Tudo são multinacionais, mas é daí que mudamos o mundo e somos contra tudo isso meu irmão.
Eles mudaram a placa, colocaram uma bem grande exigindo documento, colocaram um cone na frente. Toda vez que vejo um carro com o adesivo para deficiente (antes não via) naquele supermercado e nessa rede, sei que foi por causa de nosso ativismo pela justiça.
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