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quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Saudades do Orkut quando ainda não era cadáver e os amigos que fiz

Não te vá Orkut
As redes sociais viram febres e sugam o tempo das pessoas. Ninguém percebe. As pessoas usam na sua frente, não há mais a mesma naturalidade, qualidade no conversar. Você está contando uma coisa, e não te escutam mais. Isto é hoje. Na época do Orkut não era diferente, mas era menos. As coisas vão 'evoluindo' para pior, e a gente vai sentindo até saudade.
Mentes brilhantes que poderiam até já ter lançado livros estão lá, perdendo tempo em barbudices, brigas eternas, guetos inúteis, que nada acrescentam à nada, pois não saem do 'papel' - o papelão que fazem ali, no virtual. E escrevem para o nada, as coisas vão para o sumidouro de uma 'linha de tempo'.
Dentro e fora tem gente que precisa de ajuda. E livros, jornais, coisas a serem esclarecidas...pessoas a serem ouvidas, vistas. Quem está fora do Face é ignorado muitas vezes. Literalmente. Experimente sair.
Redes são teias de ligação, conectam e tecem. A Internet é a mente humana em grandes proporções. Mas uma rede idiota não serve. Tem gente que não usa mais a Web, esqueceu.
E o mais triste é que isso as deixa torpes. Ignorantes, acham que tudo é exagero, generalização. Não sabem mais ler e interpretar um texto forte. Aprenderam não mais que dissertação. Assumi, estou pouco cagando para dicionários e regras idiotas. Estou aqui para escrever sobre revolta, oferecer absurdos.
Há quem só fale de paz e amor e seja beligerante.
Nunca deixo fácil. Cabe ao leitor saber ler, interpretar e buscar por si só ideias sobre o que foi lido. Sem esperar por respostas preconceituadas e dentro do bom senso. Nem quando era paga por isso eu dava de graça. Agora menos.
E não pense que sou como aqueles professores chatos que ficam em reuniões piando sobre a Internet, tecendo desculpas para suas aulas enfadonhas e sem sentido. As minhas melhores aulas foram com o uso da Internet e com memes do Chapolin.

Orkut:
Eu conheci meu marido Marcio basicamente pelo Orkut. Eu já era vegana. Nos víamos pessoalmente.
Mas foi pela rede que travamos mais contato. E eu adorava o MSN também.
Conheci a escritora Maria Helena Sleutjes. Na comunidade sobre Ezio Flavio Bazzo. Eu entrava lá para defender esse escritor, que sou fã, dos bobalhões que entravam para, sem ler a obra do escritor, sem conhecer seu estilo de escrever - que não é previsível -, ter 'opiniões', (coisa típica de redes sociais). E então fiz amizade com esta escritora, por termos o que dizer, por termos afinidades.

E desta amizade, destes contatos:
Eu me casei com o Marcio, vegano, ativista, blogueiro e escritor.
E troco cartas, presentes, livros com essa escritora, Maria Helena, até hoje. Leio seus livros, estão todos aqui na minha estante. Ainda não nos conhecemos pessoalmente, mas nosso contato é como nos tempos de fanzines. Materiais subversivos enviados pelo Correio? Talvez! Num mundo em que é estranho escrever com caneta, mandar cartas, escrever poesias.
Mandamos panfletos, cartões postais, livros diferentes, revistas feministas.
O Bazzo também encontrei pela Internet. Escritor maldito, underground, acredita que a Internet derrubará o controle das editoras pois temos liberdade.
Antes de existir Orkut, ele me enviou o primeiro livro que pedi, com selo simples, antes de eu pagar.
Quando o Facebook acabar, (mais de um já se debandou) vou contar que conheci mais pessoas, que até saí para tomar café, chá, com quem add, e eu estou perdendo a vergonha de gente. Mas não é fácil. As pessoas tem medo de contato pessoal. E, detalhe, existem outras redes. Muitas.

Como é o cérebro rede-social
As redes funcionam no cérebro como um jogo de caça níqueis, arruma fotos, posta polêmicas, ursinhos fofos, confere a cada minuto o que o outro conferiu, o que o outro aprovou, silencia, aprova, reprova, confere, apaga, coloca mais fotos, edita, agora a fulana me bloqueou, claro ela morre de inveja do meu cabelo, o beltrano então! me boicota, mas eu não ligo mais, é um pobre coitado, será que ele tá a fim, e aquele vagabundo?, aquela piranha fica me perseguindo, não me adicionou, por que será que me segue, ai não conheço quem será (tem mais de mil amigos, mas se alguém puxa papo se espanta), fake, vírus, falso, falsidade, eu curto mesmo meu perfil, indiretas, romance, amigos, saudade, adolescência, distorções, direitos humanos é para o ladrão, ignorância, preconceitos, o Brasil é o único país do mundo, Na Índia todo mundo é vegetariano, não sei, ativismo verdadeiro, jornalismo, ferramenta para divulgação, [uma das] fontes de estudos, território, encontrei amigos que há tanto tempo não via!, saudade do passado, meu amigo não está lá, bloqueia família, não entende nem foto, só leu o título, preguiça de ler até o fim, o chefe não viu, encontrei fãs do Chaves, meme.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Se essa rua fosse minha - a estante pública estava viva

revista encontrada no lixo, a poucos metros da estante demolida
A educação brasileira falhou em não ensinar a compartilhar e a entender o conceito de público.

Hoje fui fazer minhas caminhadas e levar livros e materiais na estante pública, que encontro pelo caminho. Ela é uma das últimas que havia restado em Porto Alegre.
Mas, hoje eu encontrei isso. Ela foi demolida e em seu lugar foi construída uma parada de metal.
A minha estante, a sua e nossa estante morreu. Mas isso doeu mais em mim. Pois sei que boa parte dos vizinhos nem abriu a janela para ver o que aconteceu. Muitos estavam mesmo era preocupados com o fato de aquela árvore ser uma ameaça para a sagrada família que habita o lar de cada um. A parada de ônibus estava a meses sem lixeira, e ninguém ligou para pedir uma. Estranho... será que eu moro em outro país? Na frente da sua casa não tem lixeira pública e você não faz nada?
Eu levava uma sacola e juntava o lixo jogado na estante e levava nas lixeiras particulares (que ficam nas calçadas - públicas)...
Para aqueles que acham que penso mais nos livros que na árvore: Sim, acertaram. Gostaria de lembrar que há milhares de velhas árvores na cidade. Pobres, caem ou são obrigadas a cair por causa de um vizinho chato, ou por causa dessas chuvas fortes. Eu sempre liguei para pedir a reposição dessas Senhoras Gertrudes e sempre me atenderam em todas as vezes. E entendo disso porque sou da área. Me formei em Biologia e Botânica é meu forte.
A estante morta é um sintoma. Que neste país, as pessoas querem apenas VER. Mas ver de uma forma idiota. Ver o que não interessa. Ver sem entender, ver sem interpretar. Sem fazer uma leitura das coisas. Leitura, não é somente ler livros. Mas para quê explicar algo que neste país nem é ensinado em muitas escolas?
Um país dominado pela Televisão, por poucas famílias que dominam toda a comunicação em rádio de TV.
Na Internet, as pessoas acessam sempre o mesmo recurso. Não lembram mais o que é navegar. Você fala de um site, de uma leitura e a pessoa pergunta se tem ali, na mesma rede de sempre. Internet já virou sinônimo de rede social. Igual a TV. #medo.
Toda a América Latina lê muito mais que o nosso país.
Minha cidade tem essa característica: vizinhos que jamais abrem as janelas, não falam uns com os outros, não compartilham nada. Essa pose de superioridade, é falsa e está escancarada, dá vontade de rir.
Mais tarde, na velhice, os que agora estão com o nariz empinado, viram poços de carência, pois não amadureceram para a amizade.
Eu fiz amizade com uma pessoa no supermercado, ela perguntou o que era minha sacola. Contei a história da estante. Dei parte dos livros para ela.
Como aquela rua não é minha, cada um tem o lugar que merece. Na frente da minha casa tem a árvore que eu pedi para ser plantada e cuido. Eu estou doando toda a minha biblioteca. Já comecei a doar parte do material que tenho em inglês para um projeto de inglês nas favelas. O material sobre direitos humanos já tem rumo, vai para o MJDH. Sempre faço doações regularmente pois recebo muitos materiais do exterior e daqui também por conta de ser professora.
E vou seguindo com a estante pública.
Da minha estante particular, para os outros.
Esta foto mostra bem o padrão portoalegrense. Conheci uma pessoa que leu livros na estante, que deixou material lá e adorou a ideia. Conheci projetos semelhantes, conheci gente diferente desse padrão.
A atitude mais subversiva consiste em ser idealista, eu acredito no panfletário, nesta minoria com poder de maioria. A estante foi derrubada, porque a maioria  não se interessou por ela, mas nas ruas, a arte urbana tem muito a dizer. O desinteresse é muitas vezes uma inabilidade em saber o que fazer. Muita gente descia do ônibus, via a estante e nem sabia o que era. Eu explicava, as pessoas ficavam meio envergonhadas. Falhou a educação, as pessoas tem medo do público. O espaço público, para elas, pertence ao prefeito. A culpa é da presidente, o prefeito vai pagar, etc... é por isso que as pessoas torcem para o time, mas no outro dia esquecem do país.
Ellen Augusta

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

A quem nos observa

Sempre busco aquele silêncio de quem nada tem a dizer. Mas temos sempre muito a dizer. Ouvimos tanto, de todos. Há tanta gente frágil, tanta gente incapaz de ouvir a verdade. Pessoas que, ao saber de sua própria condição, talvez desmoronasse. Quem somos nós para dizer então, quiçá, apenas uma frase, um comentário, apenas uma observação?
Já, de tantas leituras, misturo os livros, já não lembro quem foram os autores de certas ideias, mas as nuances são perfeitas. Há quem diga que o sujeito que mente não se suportaria se soubesse da sua própria verdade. Será por isso que tanta gente não quer ver?
Estou cansada de perseguições, falsas, verdadeiras, fictícias, inventadas. Somos alvos, somos observados. Estamos para o bem, por isso não é fácil.
Retiradas estratégicas, voltas discretas, segredos, brincando com a tolice alheia...
Porque as pessoas acreditam em aparências, observam, mas não veem realmente. Adoram fofoca, mas nunca sabem de nada, nem sobre si mesmas, nem sobre o que as cercam. São pobres de espírito, por que pensam que sabem.
E mais do que nunca, por que me condeno tanto? Se ainda estou na fase sensível, de quem viu o que não era para ver. E agora segue com olhos em chamas?
Ellen Augusta
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