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sábado, 18 de março de 2017

Por que você ainda usa produtos testados em animais?

DESOBEDIÊNCIA VEGANA - ELLEN AUGUSTA VALER DE FREITAS

Por que você ainda usa produtos testados em animais?

Artigo publicado na ANDA - Agência de notícias de direitos animais
na minha coluna Desobediência Vegana


Os efeitos da publicidade sobre nossas escolhas são perceptíveis, mas nem sempre são óbvios. Não é somente no ato da aquisição que estamos sucumbindo à influência da mídia, mas muitas vezes junto com o produto compramos ideias, atitudes e não raro há quem defenda-as como parte de sua própria identidade.

No mercado existem o que é chamada de marcas líderes, que geralmente investem em propaganda pesada, tentando transmitir uma ideia de que aquele produto é o melhor de todos, já que está no topo das vendas e das marcas mais pensadas pela população.

O vegano não é um consumidor comum, que come o que sua família lhe impõe pois aprendeu que aquilo era o padrão e segue repetindo o que pai e mãe ensinaram nos primeiros anos de idade até a velhice, sem nunca refletir.

O vegano escolhe o que irá comer, o que irá vestir e até mesmo como irá se expressar, com consciência e atitude política.
Não só é um consumidor ativo do mercado formal, como também cria sua própria alimentação e produtos, inventa pratos novos, adapta receitas velhas ao olhar novo.

Ao tornar-se vegana, uma pessoa começa a tarefa de fazer a leitura de rótulos dos produtos que irá consumir.

No começo, tarefa árdua, depois até divertida.

É preciso ler os conteúdos/ingredientes dos produtos para saber se há elementos de origem animal como carnes, ovos, leite, seda, extrato de pérola etc. E também saber se aquela empresa realiza testes em animais.

As listas de empresas que realizam testes em animais são muito fluidas, mudam constantemente. Devido a contratos, muitas empresas unem-se a outras que testam, unindo capital e potencial.

O boicote é uma das armas do ativista vegano. Não podemos nos deixar levar por impulsos consumistas de pegar a marca mais famosa, mais fácil na prateleira. Marcas essas que muitas vezes são romantizadas pelos próprios ativistas como fundamentais. Difícil entender porquê uma pessoa precisa pagar pau para um determinado produto, se não receberá nada por isso.

E as discussões em defesa de marcas que testam em animais e ainda contém elementos de origem animal beiram o ridículo. As pessoas defendem abertamente nas redes sociais produtos fúteis como bolachinha recheada, coisas absolutamente desnecessárias e com muitas opções na concorrência que não realizam testes e possuem ingredientes veganos. Aparentemente é impossível entender o porquê de tamanha ignorância, mas pensando mais profundamente, percebe-se a grande influência da propaganda na mente de pessoas manipuláveis e sem senso crítico.

Quando você ouvir aquele otário que repete sem parar “I love bacon” para provocar os veganos, não fique com raiva. Ele é apenas um idiota manipulado por algo que aconteceu há décadas atrás, mas como é um imbecil, jamais irá na origem para saber por que ele precisa tanto se auto afirmar através de uma provocação meio retardada, uma frase clichê.

A Revista Galileu publicou estes tempos uma matéria muito interessante intitulada: ‘A “moda do bacon” foi orquestrada pela indústria de carne de porco nos EUA’

Foram as grandes indústrias que fizeram as famílias acreditarem que era saudável comer ovos e bacon no café da manhã. Até hoje há matérias no Google, falsas, sobre a dieta do bacon para emagrecer.

Edward Bernays, sobrinho de Freud, é conhecido como o pai das Relações Públicas e Publicidade/Propaganda modernas e ajudou a inculcar na cabeça das pessoas, que este ‘alimento’ era necessário.

Nos últimos dez anos, a propaganda massificada a favor do bacon fez as pessoas acreditarem que esse é um alimento indispensável na alimentação.

E não é. Carne de animais são completamente desnecessárias e não apenas em termos de saúde ou sabor. A maior razão para não comer animais é que eles são indivíduos que possuem dignidade. Eles não são objetos.

Mas e quando o sujeito é “vegano” e mesmo assim insiste em usar produtos testados em animais? Como entender esse paradoxo? Os testes realizados em animais são tão cruéis, exploratórios e degradantes quanto a morte e exploração de animais para consumo. As cobaias são mantidas de formas inimagináveis (há ampla literatura e fotos sobre o assunto), sendo usadas como objetos de pesquisa, de testes de produtos dos mais variados tipos, para depois serem descartadas e mortas, assim como o animal que vai para o abatedouro. Então, o que há de vegano em parar de consumir animais mas seguir usando produtos testados? Não há nada.

Está na hora de ter um pouco mais de senso crítico antes de comprar produtos testados. Procure saber como são os testes. A maior parte dos veganos deve saber, suponho. Portanto, relembre. E reassuma o compromisso com os animais. São testes doloridos, cruéis, e mesmo os que porventura não o são, exploram a vida, a dignidade do animal, que não pediu para estar ali, à disposição dessa praga, chamada humanidade.
fontes
Livro Propaganda, de Edward Bernays
http://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2014/10/moda-do-bacon-foi-orquestrada-pela-industria-de-carne-de-porco-nos-eua.html
http://www.viajonarios.com.br/como-ovos-e-bacon-se-tornaram-o-cafe-da-manha-americano/

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Para onde vão tantos presentes?

Enquanto meu marido fazia trabalho voluntário com moradores de rua e crianças pobres, sem brinquedos, sem quase nada, eu estava trabalhando temporariamente em um shopping, cercada de gente fina, ou nem tanto, com crianças falando coisas do tipo: "Essa loja tem nos Estados Unidos?"
(lembrando que eu não tenho essa doença dos colonizados, de achar que estamos sendo perseguidos pelos Estates. Eles, francamente, nem ligam para nós...Falar isso usando calça jeans, me soa tão bobo. Resolvemos nosso problema com o patriarcado aqui dentro, primeiro).
Essa diferença brutal não me fez mal, pois eu sei que fizemos milhares de coisas o ano inteiro e que, trabalhar assim foi o que precisei fazer, neste momento.
Ver o outro lado, ou seja, ser quem atende e não quem é atendido, é o que muita gente precisaria vivenciar.
Tenho experiência dos dois lados. Direito do consumidor é comigo. E vendo bem. Eu trabalho com praticamente todas as áreas. Mas sou absolutamente contra o trabalho. Só quando gostamos do que fazemos.
Desta vez, minha experiência foi ser vendedora em uma Pharmácia antiga, de produtos maravilhosos, não testados em animais, a maior parte deles de origem vegetal, com embalagens vintage. Portanto, já a conhecia e já tinha larga experiência em tudo ali dentro. Não precisei de treinamento. Foi entrar e vender.
Você conhece o mundo, ou parte dele, nos tipos que entram numa loja. Quanto mais perto do natal, mais arrogantes se tornam as pessoas. Mais fúteis e mais baratinhos se tornam os presentes. Foi triste, mas nada diferente do que eu já sabia dobre as pessoas. Apenas constatamos como funciona a mecânica em que as pessoas compactuam mutuamente.
O irritante nem sempre são as pessoas, por vezes são os estereótipos. Às vezes, quando eu achava que eram as mesmas pessoas, via que apenas eram os mesmos 'esquemas' que estavam entrando no estabelecimento. As mesmas roupas, os mesmos cabelos. As senhoras entrando em pares, os casais gays, os homens solteiros meio tarados, as mães desesperadas, as indecisas, as 'pin ups' se achando as super alternativas com aqueles cabelos coloridos, os caras da música, os de preto, as pessoas pão duras, a lista é muito grande, incluindo muitas pessoas incríveis, onde a conversa ia se estendendo a ponto de o ato de vender, ser apenas o segundo item do "trabalho".
Não me importo com nada disso, eu também entro e saio de roupas estilos e modos de ser.
O triste é ser escravo e 'se achar' superior aos outros.
Quanto mais pertinho da hora de fechar da Pharmácia mais tolos iam entrando e quanto mais perto do natal, quando a fila ia chegando até perto da porta de entrada, apareciam pessoas para trocar um sabonetinho, por que não gostavam da cor. O shopping num caos total, até luz faltou. Mas para o sem noção, não importa.
Os "problemas" como a falta de embalagens para presentes, geram fúria nos clientes que descontam o ódio nos funcionários.
Acham que a moça do caixa é a 'dona' da empresa. E 'que estranho' que todos os produtos sumiram das prateleiras!!!! (Não exisita a tal crise que o Aécio N3ves vivia falando, não???)
Acham que a culpa é do moço do estoque. Sim, a culpa é dele.
O natal significa essas pessoas.
As que compram presentes falsos para quem nem conhece.
As que participam de amigos secretos, forçados.
Tenho terror de amigo-secreto. Amigo você conhece e sabe o nome.
Eu conheci ali pessoas que presentearam quem nem gostavam! Gente estúpida.
Tive sorte, mas creio que não foi sorte, foi peito, pois só peitei um ou dois sem noção.
Mas teve mais de mil dando chilique no caixa da loja, onde eu não trabalhei, por bem de meu coração.
Gente sem empatia, que depois vai segurar o presépio e comer o tender.
Acham que o empregado da loja é seu criado, pois a cultura do Brasil ainda é escravagista, a começar pela polícia, e pelos shoppings da cidade, que selecionam bem quem entra ali dentro.
Experimentei o lado humano do consumo. Pois o hiponga acha que tudo é ruim no ato de consumir. Não é não. Presentear quem você ama é um ato de coragem, é mais legal que ganhar presentes. Embora eu ame receber presentes, obviamente.
Para um senhor de cadeira de rodas, bem velhinho, li toda a história da Pharmácia desde sua origem, produtos e embalagens, do livro que ficava em cima da bancada. Pois ele não acreditava que aquele local era tão antigo e estava ali, dentro de um shopping!
Com outro, de mesma idade, que não podia falar, tive que sinalizar. E assim nos comunicamos um com o outro, preços, cor e cheiros.  A linguagem é sempre universal.
Uma outra senhora me contava como adorava presentear sua nora. Não se aguentava e entregava os presentes antes da hora - como eu sempre fazia para minha mãe - comprava muitos presentes por onde ia, lembrando sempre da esposa de seu filho.
Lembrei da minha sogra, e lhe contei que ela era assim! Ficamos conversando e lhe disse que ela era como minha segunda mãe. E assim lhe ajudei a escolher seu presente pensando em mim mesma como referência.
Entrou na loja um casal de veganos a perguntar sobre os sabonetes vegetais! E eu lhes disse, todos são, com exceção de um com lanolina, outro com mel e um outro produto com seda... alguns produtos também contém agentes químicos de origem animal, mas vou lendo para vocês os rótulos. Pois eu também não uso nada de origem animal e entendo tudo de rótulos. Até então eu não sabia que eles eram veganos.
Depois conversamos e descobri que eram do interior e estavam a procura de produtos veganos. A experiência foi muito legal. A poucos anos atrás, não só não existia nada para nós, como era esquisito a própria palabra vegano, e mais raro ainda era você encontrar um vegano!
Uma noite, já muito tarde, um senhor foleando o livro antigo que havia em cima da bancada de produtos vintage, ia me perguntando se eu conhecia a pomada de tal marca, outros rótulos antigos, etc No fim da conversa até para meu marido ele mandou um abraço. Por fim um cara me mostrou a foto de sua sobrinha e me pediu para montar um presente rock' in roll. Você passa a conhecer um pouco da vida de cada pessoa quando há um contato legal.
O contrário, quando há grosseria, a pessoa sai da loja, deixando um rastro de amargo. Fico pensando que ela leva consigo essa vida, no trabalho, na vida amorosa. Como uma grosseira que comprou um presente para homem e se emputeceu por que simplesmente queria abrir todas as embalagens ali mesmo, antes de comprar o produto e, ao ouvir um não, ficou um uma cara de enojada, a ponto de sair da loja enfurecida. Uma mulher muito bonita entrou com um cão numa bolsa chique. Outras duas começaram a falar mal dela, pelo fato de entrar numa loja portanto animais. Eu ouvi, mas percebi que o que as incomodava mais, era o fato da outra ser extremamente bonita e não tanto o cachorro. Eu acho deplorável o ato de levar animais como enfeite, em bolsas, etc. Mas não pude deixar de notar a inveja estampada na cara de duas mulheres e o ódio que manifestavam contra os animais.
Qualidades dos sexos - agora vou dividir, exatamente como as pessoas se comportam e como o comércio sacou e se preparou bem para isso.

O homem tem a qualidade de chegar e levar. Compram caro, não são mesquinhos no gastar e práticos quando gastam. Os pão duros, quando existem, não aparecem nestes lugares, ainda bem. Pois não suporto mesquinhos. Mas as mulheres mesquinhas aparecem.
Todos os homens que atendi se comportaram desta maneira, práticos, rápidos. Você não perde tempo com eles, eles não perdem tempo. E compram coisas legais, perguntam a opinião da vendedora, o que achei interessante, pois se importam tanto com a pessoa que vai receber o presente, como com quem está vendendo. Também é sinal de que admitem que não entendem essa minuciosidade que a mulher entende muito bem. O que é sim uma qualidade da mulher, a escolha.
Todos os Xiliques vieram das mulheres. Lá no caixa da loja, ouvia de longe as reclamações. Quando ouviam um não, não podiam suportar e faziam novamente a mesma pergunta. Ou fechavam a cara, como crianças mimadas. Mostrando que, para superar o machismo, ainda falta o que amadurecer.
A indecisão para comprar desde um sabonete, até o produto mais caro, partiu delas. Algumas deixaram crianças soltas, enchendo o saco. Outra simplesmente deixou a criança sozinha no carrinho, perto da porta, enquanto se perdia nas prateleiras. Houve ainda quem não se incomodasse nem um pouco quando suas criaturas destruiam toda a loja.
 Deve ser por essa razão que o comércio é praticamente voltado para as minhas companheiras.

(E, para quem desembarcou no meu blog hoje, lembro que é óbvio que eu estou falando do que vivencio, que há exceções, etc etc. Interprete o texto.)
Se me encanto com estes bons velhinhos, é por que não tive muita infância, que digamos. Conferi bem os pelegos do papai noel e dos ursinhos fofos antes de bater essa fotografia, fiquem tranquilos, não é pele de animais!!!!
Um feliz natal a meus leitores.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Aquecimento Global - o fim do conforto garantido

artigo de Ellen Augusta Valer de Freitas publicado na ANDA - Agência de Notícias de Direitos Animais, em diversos sites, jornais e em revistas de saúde.
De todas as mudanças que a espécie humana realizou na Terra, talvez a climática seja a mais marcante, e também a mais negada de todos os tempos. No texto escrito em 2001 por George Marshall chamado ‘A psicologia da negação’, na revista The Ecologist sobre mudanças climáticas, o autor mostra o quanto a humanidade nega e disfarça o envolvimento com as mudanças ambientais mais drásticas que estamos acompanhando, como a destruição da camada de ozônio, primeiro estágio para um planeta mais quente.

Entre as diversas formas de contribuição humana para o aquecimento global está uma das indústrias mais rentáveis do mundo: a pecuária. Em relatórios da ONU e em pesquisas divulgadas em todo o mundo, podemos saber de algo escondido. A indústria da carne é responsável por significativos índices de desmatamento, para a criação de gado e para a plantação de soja, que é destinada em sua quase total maioria ao gado.


Na Costa Rica, na Colômbia, no Brasil, na Malásia, na Tailândia e na Indonésia, as florestas tropicais são destruídas para se conseguir terra para pastagens, explica Peter Singer. Sabe-se que 70% da soja brasileira é destinada apenas a animais, e qualquer estudante de Ecologia é capaz de constatar que a energia vem diretamente dos vegetais e dos organismos fotossintetizantes


Desperdiçar alimentos – solo, água – através do consumo de animais gera uma perda energética bem maior que se os mesmos fossem consumidos por humanos. Entre outros alimentos que são plantados exclusivamente para animais está a aveia, o milho, o linho e o sorgo.


A população de bovinos no Brasil já ultrapassou a humana, com mais de 190 milhões de cabeças de gado; no mundo o número chega a 20 bilhões incluindo as aves. A criação de animais gera a poluição e o uso sistemático de muitos litros de água.

A suinocultura, só em Santa Catarina, já rende por dia 37.835.803,2 litros de dejetos. Os ruminantes em geral, no caso, os bovinos, emitem grandes quantidades de gás metano, que é 23 vezes mais poderoso que o CO2 para o efeito estufa. Ruminantes também produzem o óxido nitroso, 296 vezes mais potente que o CO2.

A pecuária ainda emite amônia, causadora da chuva ácida. Sem falar no transporte de animais vivos ou mortos, que gera consumo de combustíveis fósseis, já que em muitos países do primeiro mundo não se trabalha mais com pecuária – preferem deixar esse trabalho dispendioso e anti-ecológico para os países do Terceiro Mundo que não contabilizam gastos ecológicos ao exportar carne.

A FAO, órgão da ONU onde se pode obter essas e outras informações, concluiu que a pecuária contribui mais que os automóveis para o aquecimento global. Mas por que estas informações não são populares? Desde a década de 30 sabe-se por diversas pesquisas que há diversas fontes de aminoácidos e nutrientes diversos em todos os vegetais, e que a carne não é necessária para a alimentação humana.
Por que essas informações não são tão divulgadas e os mitos continuam sendo transmitidos como verdade, até por alguns médicos? Hoje existem alimentos saborosos, infinitamente superiores em qualidade nutricional e sabor, e ainda baratos, mas poucos sabem disso.

Além do prejuízo ambiental, há um outro prejuízo que talvez seja irreparável: o ético. Ao consumir-se alimentos de origem animal, não somente o ambiente físico está em risco, mas o sofrimento e exploração de milhões de animais que simplesmente são ignorados pela maioria das pessoas.
Alguns procedimentos realizados nos animais de consumo seriam crimes, se fossem realizados em cães e gatos. O fato é que não é crime mutilar um animal vivo, nem privá-lo dos movimentos básicos, não é crime utilizar-se de procedimentos sem anestesia e tudo isso por que esses animais são considerados como ‘coisas’, e não como seres em si mesmos. São destinados ao mercado de consumo e serão mortos de forma cruel, avidamente consumidos por milhões de pessoas em todo o mundo, as mesmas pessoas que dizem preocupar-se ‘com os animais e com o aquecimento global’.

As pessoas estão preocupadas com o aquecimento global, mas não querem mudar seus hábitos nem mesmo questionar a vida massificada em que estão imersas, sem perceber. Um olhar mais atento, uma conversa mais aprofundada, revela as defesas e justificativas sempre infundadas de quem se diz interessado pelas questões do mundo, mas não muda nada em seu próprio mundo e, ao contrário, viabiliza a forma de manter tudo como está.

Basicamente é possível fazer algo, como apagar as luzes da casa, fechar a torneira enquanto se escova os dentes, reciclar o papel e o óleo de cozinha. Todos esses procedimentos são essenciais até mesmo para nossa economia pessoal, mas o que é isto em larga escala, se em outras questões estamos pagando, e bem caro, para que a poluição continue?

Deveríamos pensar em outros hábitos menos questionados, onde estão a maior parte do mal que causamos ao ambiente, e não queremos admitir sob pena de ter que mudar as coisas. Todos se interessam pelos animais, dizem aos quatro ventos que amam os animais, mas não vemos os números da exploração animal diminuir. Ao contrário, da mesma forma que ocorre com as crianças, seres indefesos, os animais vêm sofrendo as mais terríveis formas de traição e escravidão.


Embora estejamos em um século de tecnologia avançada, ainda estamos no tempo das cavernas no que se refere ao respeito pelos semelhantes e pelas diferenças, especialmente os mais indefesos. Ao mesmo tempo em que se jogam crianças pela janela, da mesma forma animais perecem na escuridão de uma cultura que os ignora. E as elucidações, os congressos, as análises, os livros sobre o assunto não páram de crescer, embora pareçam não contribuir em nada para mudar as coisas – isto porque a mudança é algo mais profundo que uma simples leitura da realidade, sem ações efetivas.


Os animais são ainda a última instância, em se tratando de ética e respeito aos seres vivos. Agora que já não é mais aceitável escravizar índios, negros, pobres ou oprimir – pelo menos abertamente – as mulheres, ainda é possível que o mesmo seja feito aos animais. Ainda é aceitável que tudo em nossa cultura, especialmente a linguagem e a alimentação, sejam de modo a inferiorizar os animais. Com esse ato, a espécie humana torna-se lamentavelmente inimiga de si mesma, seja por acabar com a própria casa onde habita, seja por inferiorizar outros seres, esquecendo-se de que também é um animal, e como todos os outros, depende de uma cadeia ecológica baseada principalmente na cooperação.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Antena - coluna de Marcio de Almeida Bueno

arte de Albert Guasch enviada pela amiga Tati Cabrera
• Na hora da propaganda política, vale tudo. Ouço as maiores incoerências. Candidatos que se apresentam como A, mas sua atuação no Legislativo é B, para quem acompanha. Mas como muita gente gosta mesmo é de aparências ou fama, nem toma conhecimento e vota assim mesmo, para não desagradar. Vide o desastre Collor, 25 anos atrás.
 • Segundo dados, a maior parte das milionárias doações para campanhas eleitorais veio de empreiteiras e da Friboi. Teve construtora que distribuiu R$ 50 milhões. Quanto interesse pela democracia e desapego ao dinheiro, não é?
arte de Albert Guasch enviada pela amiga Tati Cabrera
 • Já o Tribunal Regional do Trabalho divulgou recentemente lista com os maiores devedores do Rio Grande do Sul. Na geral ou por Município, é surpreendente ver o nome de determinadas empresas ou Prefeituras que são campeãs. Em não pagar o que ficaram devendo a funcionários. As listagens estão em trt4.jus.br.
 • De 29 de setembro a 5 de outubro, a Associação Médica do Rio Grande do Sul vai sediar a VI Semana Ufológica de Porto Alegre. Palestras, painéis, debates, vigília, vídeos e depoimentos, inclusive de membros da Aeronáutica, estão na programação. O site é semanaufologica.com.br.
Marcio de Almeida Bueno para o Jornal Panorama Regional

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Carne: os Estados Unidos vão salvar a humanidade

Ellen Augusta Valer de Freitas
colunista da ANDA - Agência de Notícias de Direitos Animais http://www.anda.jor.br
Um site que espalha memes com frases de apologia à violência tem uma imagem com a conhecida afirmação de que a humanidade está no topo da cadeia alimentar. Uma espécie que tem a prepotência de se colocar acima de outras, mas que depende completamente de elementos frágeis para sobreviver, pode estar em qualquer lugar. Menos no topo.

Sem energia elétrica, em menos de um ano o caos estará completo. Se faltar água, o virá mais cedo ainda. Comer uns aos outros é questão de tempo.

A tirania humana se apoia em bases muito fracas e em um orgulho idiota e pouco inteligente. A espécie é onívora, mas age como carnívora e não quer se sentir responsável por isso. Não quer se culpar por nenhum de seus atos. Um filósofo de gabinete me perguntou, certa vez, se não seria responsabilidade demais para a humanidade. Mas se com esta questão específica – comer carne – não precisamos nos preocupar, também outras questões, como transar com qualquer pessoa sem consentimento, roubar, matar, estariam fora do debate?

Para o que é conveniente e cômodo vale esse argumento torpe de que não é preciso se responsabilizar demais? E tudo isso esquecendo-se de que há outras espécies em jogo, outras vidas, a quem sugamos como vampiros.

Temos que nos virar, conquistar a independência em todos os níveis, inclusive o alimentar, libertando as outras espécies e a natureza. E acabar com a ideia paternalista de que, se algo terrível acontecer com o planeta, os Estados Unidos irão nos salvar.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Entrevista - Ezio Flavio Bazzo


Entrevista - Ezio Flavio Bazzo

Não somos uma espécie saudável. As relações entre nós mesmos não deixam dúvidas.
26 de fevereiro de 2014 às 7:40

Por Marcio de Almeida Bueno e Ellen Augusta Valer de Freitas

“Estou profundamente convicto de que uma civilização e uma sociedade que é contra a pena de morte para os homens, mas que segue matando todas as outras espécies para se alimentar, para vender seus chifres, seus dentes, sua pele, sua banha, seus hormônios etc., é uma civilização e uma sociedade narcisista, chauvinista e hipócrita que, cedo ou tarde (mais cedo do que tarde), destroçar-se-á e comerá a si própria”. A frase é do psicólogo Ezio Flavio Bazzo, em seu livro ‘Toaletes e Guilhotinas: uma epistemologia da merda e da vingança’. O autor já lançou quase 30 obras, desconhecidas do grande público, mas com um fiel séquito de leitores, aficcionados pela verborragia contundente, politicamente desconfortável e boca-suja. Temas espinhosos como pedofilia, zoofilia, miséria humana, prostituição, seca no Nordeste, morte, sexo, religião e escatologia são tratados com o mesmo fôlego. Em meio a tudo isso, aparecem os animais não-humanos, em sua sina de serem presos e arrebentados. Bazzo não poupa o leitor, que muitas vezes sente-se como um idiota reprimido e repressor. Haja fôlego, haja estômago.

ANDA – Seu livro ‘Ecce Bestia – Libertinagem Com Animais’, aborda de maneira inédita essa abjeta exploração animal, a zoofilia. “Fazem tanta questão de colocar-se bem acima das bestas, inconscientemente, e na intimidade precisam buscar lá no estábulo ou lá no galinheiro a sua autoestima, o seu gozo e a realização dos seus desejos”, diz um trecho. Por que a zoofilia ainda persiste, e adquiriu a aura de tabu?

Ezio – Todas as críticas que comumente faço à exploração dos homens sobre os animais são baseadas muito mais num certo idealismo, numa certa ideia de como deveria ser, do que na esperança de que as coisas venham a ser diferentes. Não somos uma espécie saudável. As relações entre nós mesmos não deixam dúvidas. Se não precisássemos comer, talvez nossas transações com os outros animais até fossem mais tranquilas. Mas o que se pode esperar de um ser que precisa comer quatro vezes por dia? De uma sociedade ou de uma civilização que para manter-se viva precisa matar milhares de vacas, de galinhas, porcos, coelhos e etc, cotidianamente? Nada! E como viemos assim pelos séculos afora, sem mudanças, ou até piorando, não há chances de que venhamos a ser diferentes. Uns veganos aqui, uns vegetarianos ali, uns abstêmios acolá, mas isso não significa nada diante da imensa horda de carnívoros que mobilizam os açougues e os matadouros todos os dias. Nossa tirania (e também a da grande maioria dos outros animais) começa no estômago. A existência é uma comilança sem fim. E, sinceramente, não acho menos patético e menos absurdo que um tigre, para seguir existindo, precise comer um jacaré, que um gavião devore um sabiá, que uma serpente engula um rato e etc. Toda essa guerra interminável e maliciosa é terrível, sintoma de um projeto de mundo que não tem sentido algum. A zoofilia, diante da barbaridade da matança, não é nada, apenas mais uma das exóticas variáveis do conflito sexual que nos caracteriza…

ANDA - Em um livro seu, menciona uma visita a um canil, repleto de “adotados, adestrados, amados, rejeitados, abusados, escravizados, enjaulados, acorrentados, feitos de cobaia e por fim encaminhados ao matadouro”. O egoísmo humano contabiliza esses ‘depósitos’ de vidas sencientes?

Ezio – Esse cenário é quase diário pelo mundo afora. Como entre nós já somos quase oito bilhões, entre os cães também não há controle de natalidade. Eles também são traídos pelo próprio instinto e engravidam, e se reproduzem, e se arrastam famintos e mendigos pelas cidades até serem eliminados. Sem falar do mais ou menos recente incremento dos mercados pet, filhotes com intenções mercantilistas. Mais ou menos como uma fábrica ficar doando impressoras para ter como vender cartuchos e papel. A cidade está repleta de animais. Cada solitário e cada velhinha(o) se dá o direito de ter um com o pretexto de que ele amenizará sua solidão. E uma indústria mafiosa de medicamentos, comidas, brinquedos, hormônios e etc, tudo com preços superfaturados, cresce vertiginosamente ao lado desse grande zôo que são as casas e as cidades. Que fazer? Quando tudo é mascarado e confundido com gestos de amor?

ANDA - Em nota de rodapé, em uma de suas obras, recomenda o documentário ‘A Carne é Fraca’. Triturar vivos os filhotes de outras espécies – como denunciado neste filme – atesta o que, a respeito desta sociedade?

Ezio – O documentário mostra o horror e a carnificina que acontece diariamente na esquina de nossas casas e nos arredores de nossas cidades, com nosso consentimento, nosso silêncio, nossa cumplicidade e nossa impotência, e deixa bem claro que nossas tripas comandam nossa vida bem mais que nosso cérebro. E o pior é que, apesar de nossa arcada dentária e de outros argumentos dos teóricos do vegetarianismo, o pior é que suspeito que na origem, nos primórdios, tenhamos sido carnívoros como os esquimós e todas as tribos das quais temos notícias. A doença seria incurável e o absurdo vem de longe! A única diferença entre nós e os outros animais (razão de nossa culpa e de nosso sofrimento) é que nós temos consciência desse absurdo e dessa sangueira…



ANDA - “De minhas lembranças infantis, lembro com horror dos dias em que imolavam um porco. Seus gritos, seus dentes e seus olhos em desespero. Alguém enfiando-lhe uma faca na direção do coração, o primeiro jato de sangue jorrando a distância e o restante recolhido num balde”. Essa vivência enquanto criança ajudou a moldar sua visão de mundo?

Ezio – Evidentemente. Apesar de sempre compartilhar dos banquetes e dos festins, apesar de não rejeitar os torresmos, os salames, as chuletas e etc., acho que secretamente fazia cumplicidade com os porcos! Aqueles animaizinhos pelos quais os próprios matadores pareciam ter afeto. Lembro que os outros porcos faziam um silêncio quase sepulcral depois dos gritos e do sacrifício. E nada poderia ser mais terrível para aquela criança do que a morte. Duas horas antes estava lá, duas horas depois já não existia. Que diferenças significativas poderia haver entre os homens e os porcos? E nas paredes, às vezes até ao lado do animal esquartejado, sempre um crucifixo. Por coincidência, nele também havia um ser sangrando. Um Deus! Um deus e um porco ensanguentados! As labaredas sob o tacho, tragos de graspa, e de uma antiga radiola alguém, indiferente, cantando ‘Torna Sorriento’.

ANDA - “Lembro-me perfeitamente bem das mãos grotescas do homem que enfiava a lâmina na direção do coração dos porcos, e que eu estava sempre do lado dos suínos, torcendo para que eles, num último ataque de desespero, conseguissem devorar a mão ou pelo menos o joelho dos matadores”, trecho de Toalete e Guilhotinas.

Ezio - Algo parecido aconteceu numa cidade do Nepal, onde assisti o sacrifício de um búfalo para uma divindade daquela gente. O homem da faca arrancou-lhe a carótida, ainda vivo, e com ela esguichou todo o seu sangue sobre uma estátua da divindade que estava sendo homenageada… Sem nenhuma demagogia, tive mais empatia com aquele animal do que com todas as populações ao redor do Himalaia.

ANDA - “Vou me dando conta de como é impressionante o estágio de indiferença em que nos encontramos. Como é possível viver no meio de uma chacina e de um genocídio animal desses, sem desesperar-se? Frangos, porcos, vacas, peixes, patos, rãs, camarões, coelhos, faisões, ovelhas, nenhuma espécie escapa da fome sanguinária dos homens, desses barrigudos inúteis que saem dos restaurantes de Montmartre palitando os dentes e arrotando”. Toaletes e Guilhotinas.

Ezio – Sem falar do foie gras. Os gansos e os patos usados como fabricas de fígados. Mas não adianta lamentar-se. Esse é o que se chama conflito existencial. Ter consciência do absurdo que é estar aqui, ter que ser cúmplice de todas essas barbaridades e sem saber para quê e por quê. Como dizia um escritor argentino, “nascer é um pacto monstruoso, mas estar vivo é a única maravilha possível”. A monstruosidade que fazemos com os animais fazemos, mais sutilmente, também com os de nossa própria espécie. Uma grande parte das pessoas do continente africano, ou aqui da periferia de Brasília, por exemplo, está morrendo à mingua, sem que isso nos abale para nada. Nossa indiferença é quase assustadora. E é quase uma sandice querer que os animais sejam tratados por esses mesmos personagens de maneira que não conseguimos tratar nem nossas crianças…

ANDA - Você já esteve na Índia, e presenciou o sacrifício de um touro a Vishnu. “Quem é que ainda consegue entregar-se de um filet mignon? Os olhos do animal sacrificado eram mais puros que os de seus verdugos e inclusive que o dos deuses a quem estava sendo oferecido, mas assim mesmo a plateia se acotovelada para ver as mãos dos dois matadores”.

Ezio - Isso foi no Nepal. Todo mundo queria presenciar o sangue daquele animal desesperado sendo lançado sobre a estátua… Um capricho, um sadismo, uma nostalgia da ferocidade que hiberna por dentro de nossos ossos? Não podemos esquecer que muitos de nossa espécie foram até canibais. E em termos de inconsciente, isto foi ontem. Dois, três, cinco mil anos não querem dizer nada neste particular. Alguns anos fora dos ‘protocolos civilizatórios’ e pronto: voltamos a nos despedaçar outra vez com os dentes…

ANDA - “Ah, criadorzinho de vacas que derrubas uma floresta secular para plantar soja ou para criar rebanhos! … É sintomático que no teu país haja mais vacas de que gente. E que tua nação seja um imenso e cruel matadouro. Tu que acreditas piamente num céu após a morte, podes estar certo de que quando chegares lá darás de cara com milhões de vacas, em fila, todas esperando avidamente para enfiar-te os cornos no rabo”. Manifesto Aberto a Estupidez Humana.

Ezio – É curioso que mesmo os religiosos mais fanáticos, de toda e qualquer religião, não se abalam com a matança de animais, com o sangue e a traição que essa mortandade representa para com o outro, seja ele um homem ou um cão. Aliás, algumas religiões até sacrificam animais em seus rituais, outras simbolizam o sangue de seu deus durante a missa e etc. Haverá maior perversão do que esta? Em quase todos os livros ‘sagrados’ há autorização explicita para explorar, matar e comer os outros animais, dando pistas de que o tal deus, também era chegado num sadismo e num churrasco!

ANDA - Em seu livro ‘Mendigos: Párias ou Heróis da Cultura?’, você apresenta Caim como o primeiro vegetariano da história, e o primeiro a usar métodos substitutivos ao sacrifício de animais. E Abel como quem inaugurava os futuros malefícios dos grandes rebanhos, da reprodução planejada de animais para a carnificina dos açougues, para a comilança de carne e para a sangueira que é hoje o mundo”. Quem defende os animais por Ética precisa, necessariamente, enfrentar o mundo e ser condenado por ele?

Ezio - Aproveitei a fábula de Caim e Abel para brincar com a ideia de que aquele que ofereceu raízes e ervas a Deus (um naturista) foi rejeitado, induzido ao assassinato, expulso da família, amaldiçoado e condenado, ao contrário daquele que não se comoveu em assassinar um filhote de ovelha para o mesmo fim. A fábula deixa claro que Deus preferiu a carne.

Quanto à defesa dos animais, será sempre uma luta frustrante, individual, romântica e solitária já que, na verdade, não tem muito sentido salvar uma vaca, quando sabemos que milhões delas estão sendo sacrificadas no mesmo dia nos matadouros da esquina e sem que se possa fazer nada para impedi-lo. É difícil contentar-se com a defesa de uma galinha que ia ser sacrificada numa macumba, quando no abatedouro dos fundos, só na mesma noite, foram degoladas duas, três mil. Massacre que não se pode interditar. Por que defender um gato e massacrar os ratos? Com que argumentos pisoteamos as baratas, as pulgas, os pernilongos e queremos defender um beija-flor? E depois, os corpos, os dentes, os estômagos e as tripas das pessoas estão viciadas na carne e no sangue, mais ou menos como as veias dos alcoólicos estão viciadas no álcool. Além de asqueroso, é triste o papel devorador que nos foi atribuído na existência. Um criador minimamente sensível e inteligente, teria nos feito movidos a energia solar.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Para estar com a família, encha a pança de carne

As estatísticas não mentem, no natal, a família brasileira gastou os tubos em carne.
Algo está errado quando, nestas datas, os números batem recordes em vendas e depois as pessoas vem encher o saco, com medo da morte e falando em dieta e saúde sem parar.
 É aquele papinho egoísta. Nada de compaixão. Nada.
E eu é que sou incoerente não?
Eu, que desde o primeiro dia em que virei vegana tenho que dar explicação sobre o porquê de isso ou aquilo, como se minha atitude 'radical' fosse crime. Como se todos estivessem certos e eu estivesse ali, cometendo gafes.
O quanto você é 'radical' no que você acredita? Será que você tem medo de ser radical? Ou de ser taxado de radical por essas pessoas? Desde a ditadura que essa palavra e também a palavra 'subversivo' vem sendo usada com propósitos bem direcionados...não entre nessa...
Sabe, cansei.
Não vou mais pedir licença.

Algo está errado, se, para se reunir com essa 'família', é preciso encher o rabo de carne. Algo não está certo se eu preciso me sentir incomodada toda vez que me reunir com alguém diferente de mim, por que essas pessoas não são capazes de compreender. Algo não pode estar bem, se, o certo é visto como o errado e o errado está em todo o lugar como o certo.
Eu saio de casa para relaxar e.... pronto, parece que alguém se incomodou com o fato de eu ser vegana e já! Começa o jogo do espelho. Não gosto disso. Uma coisa é quando escrevo os artigos. Outra é quando estamos descontraídos, e você tem de dar uma de professora, ou ainda, ter de dar explicações, ser colocada em posições desconfortáveis. Acho isso muito deselegante e até falta de educação.

Eu lembro da primeira vez que passei o ano novo, logo que havia virado vegetariana, com uma amiga. Na casa dela, a idosa pirou quando soube que eu ia comer comida diferente do que era servido. O piá reaça, veio com um papo idiota de pecuária. Detalhe - para justificar a comilança, a pessoa inventa, puxa saco, baba ovo, mas não sabe que esse negócio aqui no país é tocado por meia dúzia de famílias que ele sequer irá conhecer, mas que, desde baixo de sua servidão de classe média satisfeito, aprendeu que é assim que deve fazer: cumprir seu papel - ir no açougue, comprar e bajular.
E assim, passei o ano novo com uma amiga que amo, mas que preferiria tê-la anos depois, quando já tinha atitude e leitura para mandar às favas e saber dizer não com letras mais garrafais.

Amigos, não é preciso ser condescendente com ninguém. Essa acusação de 'intolerância' que por vezes você pode ouvir, é feita geralmente por pessoas extremamente intolerantes, que não suportam conhecer pessoas com atitude.
Todos merecem respeito e todos devem respeitar sua escolha.
Ninguém vai em festa judaica com um leitão, não? Seria um sem noção, uma pessoa muito desagradável. Mas, no caso dos veganos, parece que, não só temos que admitir isso, mas até ficarmos meio que sofrendo por que a pessoa precisa comer carne na nossa frente, etc etc... não, não pode ser assim.
Esse tipo de pessoa que citei nos casos acima, creio que nunca mais passou pelo meu caminho e, se passou, acho que a fiz calar. Pois não mais saí com pessoas inconvenientes, que fazem perguntas sem noção, ou que te colocam em situações constrangedoras, como algumas pessoas às vezes me contam. Isso é algo que ninguém pode permitir, nunca.

Em nenhuma ocasião, seja no trabalho, no relacionamento amoroso, nas amizades ou outra relação, uma pessoa tem liberdade para ferir sua escolha ética de ser vegano. Isso foi sua escolha.

Se fosse por religião ou por saúde todos respeitariam não?

quarta-feira, 25 de maio de 2011

O sacrifício de cachorros na periferia de SP e a cachorrada humana

Difícil entender por que a mesma população que se arquejou de espanto e em vômitos com a descoberta de um matadouro clandestino de cães e de gatos na periferia de SP não está nem aí para os abatedouros públicos de vacas, cabras, porcos, galinhas, rãs, coelhos, faisões etc. Paradoxalmente, esses mesmos hipócritas que se escandalizaram com a natureza do negócio e com o tipo de carnificina são os mesmos que estão todos os dias em fila diante dos mercados e dos açougues para comprar peles, sangue e tripas de porcos, costelas de bezerros, coxas e corações de galinhas, miolos, fígado e língua de bois. Repito: para comprar pele, fígado e língua de bois! Ora! E, além disso, foi exatamente essa gentalha que fez escárnio e escândalo sobre o cardápio e sobre o canibalismo dos tupinambás! Outra hipocrisia, pois é evidente que quem come um pato laqueado seria capaz de comer uma criança laqueada. Que quem come um bode ou um porco no espeto, dependendo das circunstâncias, seria capaz de fazer um churrasco com um irmão, um primo, o pai ou um vizinho. Então, em quê os coreanos e os outros orientais que encomendavam e consumiam as carnes e as vísceras de cães e de gatos capturados nas ruas e assassinados, seriam mais bárbaros e mais desprezíveis do que os que devoram uma ou duas vacas por ano? Dez ou doze frangos por mês? Meio porco a cada fim de semana? Quilos e mais quilos de caranguejos a cada veraneio e dois ou três perus a cada natal? Até uma criança de cinco anos seria capaz de perceber que a voracidade patológica, a ausência de ética e o mau caráter desses personagens são exatamente os mesmos. Um idiota com quem conversava sobre o assunto me dizia: Mas não comer cachorro e nem gato é lei! Lei? A lei é mais desprezível ainda. Vejam o que diz o texto da tal lei: [Animais domésticos, aqueles de convívio do ser humano, dele dependentes, e que não repelem o jugo humano (e que não repelem o jugo humano) não podem ser criados para o consumo]. Ou seja: aquilo que não for domesticável pode ser devorado!
Ezio Flavio Bazzo
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