Coluna Desobediência Vegana - Ellen Augusta Valer de Freitas
Você entra no açougue e não se importa de comprar carne. Ou lida com pedaços de animais, embutidos, ou traços deles por toda a parte. Mas sente repugnância quando está diante de partes específicas como rins, tripas, cabeça?
Ou não! Não sente nada disso, você é a macha, ou o machão, mas fica cheio de dedos pois acha que esses assuntos devem ser tratados com ‘cuidado’, com ‘educação’, com ‘mimos’, como se todo mundo fosse idiotizado, como se ninguém pudesse ter maturidade para falar abertamente sobre temas fortes e para maiores de 18 anos?
Pois vamos falar de maturidade e de nojeiras. Vamos falar de miolos de vacas, de tripas, de rins.
No açougue, são vendidas cabeças de vacas, cabeças de porcos, com seus cérebros intactos, congelados. Os olhos esbugalhados, nos olhando. Muitas vezes observei atentamente os consumidores. Se é na zona nobre, eles compram as partes nobres, pois é o que há. Se é na zona simples, eles compram tudo, pois tudo pode ser comido. Eu mesma, nos meus tempos de comer carne, pois não nasci vegana, já comi algumas dessas coisas. Meu pai ia ao matadouro, que provavelmente era clandestino. Rins, fígado, tripas, que se chama ‘educadamente’ para as madames e gentlemen de mondongo ou dobradinha. E não tenho nojo de nada. Sou vegana há muitos anos, desde o primeiro momento, por ética e revolta.
Meu talento é este, é o que sei oferecer, falar sobre corações de vacas, tripas, fortaleza, através do bizarro, do obscuro, da crítica a tudo o que me fere. Procurar a justiça. Quem entra por mim há milênios e se choca com o mesmo muro, forte, mas frágil por dentro, suave e limpo, pois me conheço muito bem, e ainda assim se incomoda, deve procurar aquela esquina ali, e dobrar. E voltar sempre que, lá fora, encontrar a mesma falsidade disfarçada de bobagem de auto-ajuda.
Escândalos do leite sujo e contaminado, seguidas por propagandas cada vez mais insistentes, abusivas, e você ainda acredita? Pois siga… dobre a esquina. Abra esse pacote que te levou ao vício, compre esse combo de especismo, essa maravilha de palavras doces, açucaradas e corrigidas pelo dicionário do cinismo, e compre leite, ovos caipiras, carne colorida, branca, vermelha, incolor.
E é preciso ter maturidade e perceber que o sujeito pode criar para si armadilhas, mas pode também libertar-se. E isso não tem só relação com o consumo de carne, ou a procura do que ler. É impactante a visão de alguém preso. Amarrado a relacionamentos imbecis, a amizades com gente perigosa, vícios, sensação de poder, bagulhos dentro de casa que o torna prisioneiro de si mesmo, doenças e síndromes que o sistema oferece. Tudo dentro de uma bandeja, para depois ir buscar no comércio a solução.
A ilusão de que uma opinião é sabedoria, de que um objeto é riqueza, de que uma sensação é um sentimento, só traz mais sofrimento aos animais. Pois é assim que se escolhe: no açougue e na vida.
publicado na ANDA - Agência de Notícias de Direitos Animais
http://www.anda.jor.br/11/11/2014/cerebro-vacas-falta-maturidade-educacao
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quinta-feira, 13 de novembro de 2014
O cérebro das vacas e sua falta de maturidade – ou educação
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
Palestra da filósofa Sônia T. Felipe
Ontem fui à palestra da filósofa Sônia T. Felipe, a filósofa feminista e animalista, que apresentou um resumo do seu livro 'Galactolatria - mau deleite'.
O livro é um trabalho de mais de dez anos sobre a ilusão do leite puro de vaca, da exploração de fêmeas e dos diversos efeitos ambientais e na saúde da extração de leite, os excrementos, a destinação de alimentos nobres à pecuária, o uso irrestrito da água e a toda a omissão da sociedade.
Sua fala é simplesmente perfeita. Ela é uma mulher bonita, forte, e sabe do que está falando. Sua inteligência é marcante, ela é um exemplo de pessoa porque leva uma vida frugal, consome produtos naturais e é vegana.
No final de sua apresentação, ela respondeu a algumas perguntas e falou sobre seu trabalho como feminista vegana.
Na defesa internacional dos animais, sempre é defendido o macho. Ela citou exemplos de touradas (touro), farra do boi (boi), rinha de galo (galo), rinha de cães (cão). E dentro dessa insinuante preocupação com machos somente, ela pretendeu defender as fêmeas, galinhas, vacas, porcas, etc. Dentro do etc estão também os invertebrados.
Então ela confessou que sentia um certo incômodo ao ver esse machismo entre as feministas e entre os animalistas e que queria desmontar esse preconceito. Por isso seus livros abordam assuntos que mexem na estrutura social. E profundamente.
Em todos os seus livros o feminismo é respirante. Em suas palavras sempre há a libertação. Sou verdadeiramente fã de seus trabalhos.
Esse livro provavelmente é o mais importante trabalho sobre o leite no Brasil. Não há nada igual e mais perturbador.
Coisa de fã:
Insisti para a convidarmos para jantar. Fui junto com ela no carro e jantamos pizza vegana e xis vegano. Na mesa estavam somente pessoas que adoro. Foi uma noite muito alegre e divertida. Ela me disse que escreve seus livros para que os ativistas tenham materiais, para que usem e que esse é o papel do filósofo.
O livro é um trabalho de mais de dez anos sobre a ilusão do leite puro de vaca, da exploração de fêmeas e dos diversos efeitos ambientais e na saúde da extração de leite, os excrementos, a destinação de alimentos nobres à pecuária, o uso irrestrito da água e a toda a omissão da sociedade.
No final de sua apresentação, ela respondeu a algumas perguntas e falou sobre seu trabalho como feminista vegana.
Na defesa internacional dos animais, sempre é defendido o macho. Ela citou exemplos de touradas (touro), farra do boi (boi), rinha de galo (galo), rinha de cães (cão). E dentro dessa insinuante preocupação com machos somente, ela pretendeu defender as fêmeas, galinhas, vacas, porcas, etc. Dentro do etc estão também os invertebrados.
Então ela confessou que sentia um certo incômodo ao ver esse machismo entre as feministas e entre os animalistas e que queria desmontar esse preconceito. Por isso seus livros abordam assuntos que mexem na estrutura social. E profundamente.
Em todos os seus livros o feminismo é respirante. Em suas palavras sempre há a libertação. Sou verdadeiramente fã de seus trabalhos.
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| Sônia explicando que o leite de mulher é ideal para o bebê humano. Que entre o nascido e sua mãe há uma interação perfeita, sendo o leite produzido especificamente para as necessidades daquele dia, daquela hora e daquela fase do bebê. Essa interação entre mãe e filho se dá mesmo depois do nascimento, pois eles estão intimamente ligados. O leite de vaca possui fósforo, sódio e proteína em excesso, prejudicando a formação do cérebro humano, que em nossa espécie é crucial o seu desenvolvimento nessa fase da vida. Foto Geraldine Hennemann Leão |
Coisa de fã:
Insisti para a convidarmos para jantar. Fui junto com ela no carro e jantamos pizza vegana e xis vegano. Na mesa estavam somente pessoas que adoro. Foi uma noite muito alegre e divertida. Ela me disse que escreve seus livros para que os ativistas tenham materiais, para que usem e que esse é o papel do filósofo.
sugestões
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