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sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Livros que eu terminei de ler A biografia do Renato Russo

Já falei deste livro algumas vezes neste blog.
Nesta postagem apresento o livro de Renato Russo: http://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2015/04/legiao-urbana-e-o-livro-de-renato-russo.html e neste link: http://desobedienciavegana.blogspot.com.br/2014/06/brasilia-de-ontem-copa-do-mundo-de-hoje.html falo sobre o contexto de Brasília e a Copa do Mundo.
materiais do seu acervo
Hoje por fim, o termino de ler. Foi triste a leitura, por isso demorei. Junto com ele estou lendo A Gaia Ciência e um livro sobre sedução. Mas este livro, foi doído a cada minuto, foi de partir o coração, foi a vida do meu ídolo de adolescência, o meu ídolo de sangue.

E por coincidência este mês é aniversário de morte dele, peguei o livro de vez e resolvi terminá-lo, pois havia parado de ler nos momentos difíceis de sua vida.
Quantas vezes havia uma lágrima nas coisas que eu escrevi. 
Eu aprendi muito com RR, desde palavras, tosco (uso para substituir 'burro' e não ofender os animais), Thanatus, como bandas, onde ia correndo escutar. Li livros só porque ele citava alguma coisa sobre, ou porque era o nome de suas músicas, como Andrea Doria. E, como no caso de Chespirito, o meu ídolo maior, fui aprendendo mais sobre o mundo, além do meu.
Uma letra falando de dois amigos que iriam lhe salvar de afundar num mundo triste da noite, bebedeiras e solidão
Ele era para mim, naquela época adolescente, o que era para todo fã de Legião, um irmão mais velho, um amigo. Eu era apaixonada, queria me casar com ele. Acho ele perfeito, lindo. Desde que comecei a gostar de homem, era aquele tipo de homem, usando barba numa época em que poucos usavam, de um jeito meigo e inteligente, sempre fora do padrão, mas paradoxalmente querendo ser aceito, isso só foi sendo revelado mais claramente na leitura deste livro, porém, sentia isso, pois eu era assim.
Coisas pessoais, diários de suas angústias, igualzinho aos meus... eu escrevia essas coisas tb.
Quando ele revelou ser homossexual eu fiquei triste. Como uma criança, não podia aceitar a ideia de que aquele homem, que eu queria me casar de tanto que o amava, não gostava de mulheres! Depois, aceitei. Desde cedo aprendi a tentar compreender a pessoa que eu amo do jeito que ela é. A partir daí, ficou igual, amei aquela pessoa da mesma forma, era o mesmo cara, inteligente, sensível, melhor que os outros homens.
Esse poema, eu fui ler em voz alta para ouvir meu Inglês, que não é essas coisas.... chorei um monte, de tão triste seu significado... 
Nunca fui uma fã idealizadora. Nunca idealizei homem. Sempre soube que todas as pessoas possuem defeitos e aqueles que mais amamos, os tem ainda mais. Mas sabia que ele era especial, sempre foi, foi mal compreendido e não é clichê dizer isso, mesmo que fosse, é pura verdade.
Um filme onde Renato Russo atuou, um cadáver de um afogado que apareceu na beira da praia e Renato com mais outro casal o encontram, e suas reações diante do esperado...
Nos trechos mais gritantes de sua biografia aparecem um Renato fragilizado, abandonado à solidão, e, entre pessoas que o ignoraram. Sei muito bem o que é isso.
Viver invisível, transparente, e, no caso dele, sendo de matéria tão profunda, tão significante.

Desprezei cada uma dessas pessoas, algumas bem famosas da música ou da cultura brasileira, porém, como saber o que se passa com o outro?

É melancólico, a ponto de eu deixar o livro tantas vezes, e não poder retornar, mas o fiz.
O mais importante no livro é que o autor fez uma pesquisa e tanto, musicalmente, historicamente, com muito respeito e sabedoria.

#Digam o que disserem
O mal do século é a solidão
Cada um de nós imerso em sua própria
arrogância

Esperando por um pouco de afeição#

É impressionante como um jovem pudesse ter tantas qualidades, ser tão profundo, e ao mesmo tempo ter tanta dor, tanta coisa a dizer, tanta vontade de ser amado.
É de se esperar que a humanidade, medíocre,lhe tenha negado tanta coisa, o mal do século, tenha lhe afetado, como afeta a mim e a tantas pessoas... a solidão na alma e nos ossos.


#Não, não, não, viver é uma dádiva fatal.
No fim das contas, ninguém sai vivo daqui.#

domingo, 26 de outubro de 2014

Coluna Antena - Eleições 2014

É por isso que ele é meu marido:

Artigo de Marcio de Almeida Bueno
para o Jornal Panorama Regional Coluna Antena

 • Acho incoerente alguém cursar faculdade na Ufrgs e depois criticar o programa Bolsa Família. Já ouvi gente dizendo até que os beneficiados deveriam ser impedidos de votar. É preconceito contra pobre, raiva do outro. O curioso é que você vê o pessoal saindo dos prédios da universidade, aqui na Capital, e grande parte parece ser de classe média alta, para cima. Nesse caso, a 'ajuda do Governo Federal' é muito bem-vinda, claro. O problema parece ser o fato de alguém miserável receber uma forcinha do próprio país onde nasceu.
 • Ouvi o debate de terça-feira na Band, entre os presidenciáveis. Ia tecer alguns comentários, mas como um dos candidatos está processando mais de 60 blogueiros e jornalistas, além do próprio Google e Twitter, por 'publicarem críticas', vou me abster.
 • Tem eleitor que precisa sempre de um novo Collor para afundar o país. Quando mais cara de 'bom moço' tiver, melhor.
 • Aqui em Porto Alegre, ao menos, é bastante comum passar em frente a uma construção, loja, etc, e ter um cartazete de 'precisa-se' ou 'contrata-se'. Existe, sim, desemprego - vide Europa, mas não na proporção que se está alardeando. Comércio, restaurantes, shoppings, tudo ferve de tanta gente.
 • Me parece que alguns setores da sociedade insistem em dizer 'crise, desemprego, recessão' porque estavam mal acostumados a faturar muito, no passado, e agora perderam espaço. Só pode.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Assunto de estudo no momento: a farsa do tradicionalismo gaucho, por Tau Golin

1870-90s carte de visite portrait of two acrobat musicians with violin and horn

Agora estou estudando a verdadeira História. Meu terapeuta me disse que negar a História é o mesmo que negar a família. Acertou na mosca, pois odeio família, aliás, família? Não tenho família. Só aquela que eu construí conscientemente, no presente.
Mas, voltando ao aqui, agora, estou estudando os artigos do jornalista, historiador, Tau Golin.
Ele fala basicamente sobre a farsa do tradicionalismo gaúcho, e que textos!
Um dos artigos que estou lendo, chama-se Hegemonia gauchesca, que compartilho um tantito com vocês, leitores:
"Os tradicionalistas colocaram-se no centro da operação sobre a autenticidade, assumiram os postos de guardiões de um pretenso Rio Grande tradicional, usando artifícios das construções das nações étnicas em uma região mestiça. Ou seja, o Tradicionalismo evidenciou-se como problema contemporâneo, vitorioso na celebração da identidade, construída pela rede societária de CTGs e Piquetes, com um órgão central de orientação, adestramento e controle (MTG), imposição de cartilhas de comportamento e visão sobre o passado, o lugar e o futuro de seus milhares de militantes no mundo. Para vingar, precisou supor que as suas “práticas” decorrem como sucedâneas da história.
Entretanto, todas as suas “verdades” são refutadas pela historiografia, sociologia, antropologia críticas e jornalismo culto."
Que tal papudos?
Esse cara é fera! Sou fã.
E o que mais me atrai neste escritor e estudioso, é o fato de ele destruir esse mito opressor, não só de humanos, mas principalmente de animais. Conforme as leituras forem para este rumo, elas serão refletidas aqui, neste blog.
E, para complementar sua coragem, ainda tem o Manifesto Contra o Tradicionalismo, que está aqui, neste link: http://gauchismos.blogspot.com.br/ É só entrar e assinar. Tem muita gente famosa que já assinou.

Meus assuntos de estudo não giram em torno somente desse tema, Os interesses permanentes são sobre a morte, os costumes do México ligados ao místico, religião e à morte, cemitérios, etc. Não há regularidade, portanto não esperem nada, ou melhor, esperem qualquer coisa...

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Sintoma é quando ignoram o mais importante

Publicado no site De Olhos e Ouvidos, a homenagem a Flávio Tavares e o comentário sobre o silêncio da mídia logo a seguir.
Agora eu me pergunto, o que leva a esse silêncio brutal, essa mania de puxar saco de uns e outros...mas silenciar quando alguém merece ser reconhecido, lembrado, lido?
E as mulheres onde estão? Por que elas não abrem o bico, não levantam as saias, não constroem as 'bases'? Ai não tem nada a ver com o assunto? ãHã. Tamo sabendo do trabalho feito por Maria do Rosário lá, nos Direitos Humanos, e antes, caçando os abusadores de crianças, etc, um ótimo trabalho! E de como tentaram minimizar seu discurso e diminuí-la com atitudes rasteiras e machistas.
Por que essa horda ditando o que todos devem fazer, ler, escrever, e pensar?
Que medo é esse? Não. Eu não quero saber a 'opinião' de ninguém. Quero mais ações, mais pensamentos e um bom tanto de revolta, sim senhorAs.
Flávio Tavares recebe Título de Cidadão de Porto Alegre

Foi também o homem que 'matou Dom Vicente Scherer' no mais célebre trote jornalístico do rádio que se tem noticia (Olides)

Vereador Pedro Ruas - proponente da homenagem

A Câmara Municipal concedeu, em Sessão Solene realizada nesta sexta-feira (26/9), o Título Honorífico de Cidadão de Porto Alegre ao jornalista Flávio Aristides Freitas Tavares. A proposta foi elaborada pelo vereador e presidente da sessão, Pedro Ruas (PSOL), que afirmou que a homenagem visa "dar reconhecimento a um dos nomes mais importantes do jornalismo gaúcho".

Pedro Ruas leu um trecho de um dos livros escritos por Flávio, intitulado Memórias do Esquecimento, e disse que jamais irá esquecer aquelas palavras: “O choque elétrico é a primeira dor profunda, mas a grande humilhação, símbolo da derrota e do ultraje, é despir-se. É o momento de mútua corrupção entre vítima e algoz”. O vereador explicou que Flávio sofreu na carne as técnicas usadas pela polícia para incriminar os inimigos do regime militar. "A tortura, os choques elétricos, o pau-de-arara e depois o exílio."

Segundo Ruas, Flávio sempre foi um cidadão do mundo, e agora está se tornando um cidadão de Porto Alegre. "Esta Casa se orgulha de oferecer ao Flávio o maior título que um representante gaúcho pode receber: o título da cidadania", afirmou o vereador, que comparou a homenagem a eventos históricos realizados pela Câmara, como a Abolição da Escravatura antecipadamente à abolição nacional, em 1884, e a restituição de mandatos de vereadores de Porto Alegre cassados pela ditadura Militar.

Militância e cidadania

Flávio Tavares descreveu a sua vida desde o momento em que veio para Porto Alegre, para complementar os seus estudos, até os dias atuais, narrando também os momentos históricos pelos quais passou durante a Campanha da Legalidade, em 1961, e o exílio durante a ditadura militar. "Por muito tempo não tive nacionalidade e, atualmente, tenho várias. É irônico mas este fato retrata os momentos em que eu não pude me apresentar como cidadão brasileiro", afirmou.

O jornalista ressaltou a importância da atuação militante e política dos jovens, pois, segundo ele, se este sentimento de manutenção da democracia plena se perder no horizonte deles, "desastres" como os golpes militares podem ocorrer novamente. "Fico feliz de ser considerado um cidadão de Porto Alegre e quero com isto levar as minhas histórias de militância política e jornalística a todos aqueles que acreditam que o exercício da cidadania é a única forma de assegurarmos que o Brasil seja uma país livre e democrático".

Trajetória

Flávio Tavares nasceu em 12 de junho de 1934, na cidade gaúcha de Lajeado. Em Porto Alegre, formou-se em direito na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs, em 1959. Naquela época, era reconhecidamente um militante político que buscava melhores condições de vida para a sociedade, organizando entidades estudantis, disputando comandos e formulando projetos de mudança social. Militante político no período da Legalidade, em 1961, tornou-se amigo do então governador do Estado gaúcho, Leonel Brizola, convivendo com ele no Brasil e no exílio e tornando-se um dos seus mais credenciados biógrafos.

No início dos anos 1960, Flávio foi um dos poucos jornalistas brasileiros a conviver com o guerrilheiro Ernesto Che Guevara, que, mais tarde, seria objeto de um de seus livros. Após o golpe militar de 1964, Flávio foi perseguido pelo regime que se instaurou no país, sendo exilado do Brasil, para onde retornou somente com a Lei da Anistia, de 1979.

Para o vereador Pedro Ruas, "a extraordinária experiência de Flávio Tavares teve intensa influência na sua atividade principal, o jornalismo, assim como esta teve influência em toda a sua maneira de ver e contar a realidade". O proponente lembra ainda que os trabalhos jornalísticos do homenageado são reconhecidos nacional e internacionalmente, servindo como referência literária os seus livros Memórias do Esquecimento e O Dia Em Que Getúlio Matou Allende.

Estiveram presentes na homenagem o vice-prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, e o procurador-geral de Justiça, Ivory Coelho Neto, além de familiares de Flávio Tavares.


VEREADORES E ZH IGNORAM HOMENAGEM A FLAVIO TAVARES

Olides, deste uma de jornalista preguiçoso. Sobre a homenagem que a Câmara Municipal prestou a Flávio Tavares, na semana passada, publicaste apenas o release oficial. Um bom repórter que lá estivesse teria registrado pelo menos dois fatos inusitados. Um único vereador esteve presente, Pedro Ruas, o proponente do título de cidadão de Porto Alegre. Os demais edis onde estariam? Provavelmente, em campanha eleitoral. Mas não faltaram antigos colegas e amigos, como Carlos Bastos, Ibsen Pinheiro, Batista Filho (presidente da ARI), Antônio Oliveira, Guido Moesch, Ayres Cerutti, os poetas Armindo Trevisan, Fernando Castro e Maria Carpi, mãe de Carpinejar. Outro fato que causou estranheza: nenhum representante da Zero Hora - um diretor, editor ou sequer um repórter - prestigiou o colunista que ocupa, todos os domingos, um espaço nobre do jornal.

ABs, AGoulart
Fonte: http://deolhoseouvidos.com.br/

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Ambientalista é a mãe

Observem o título deste artigo. Desde esta época, o jornalista Washington Novaes já fazia uma reflexão sobre tal palavra, o que me chamou a atenção. Hoje, ambientalista é quase sempre o tipo de pessoa que está pouco se lixando para os animais, que é parte fundamental de qualquer ecossistema, especialmente o urbano, esquecido dos especistas e ambientalistas que acham que a Natureza está lá - longe - no alto das montanhas ou no meio da floresta.
O típico ambientalista incoerente é aquele que segue comendo carne, fazendo um monte de churrasco, caçando, andando de carro de campo - com tração nas quatro rodas, fazendo discursos jocosos contra aqueles que querem proteger os animais juntamente com os ecossistemas, pois não temos uma visão egoísta/antropocêntrica da natureza. Não queremos preservar 'para bonito', nem para as gerações futuras, nem para bancos genéticos. Apenas queremos respeitar a dignidade dos animais e garantir-lhes o direito de todos viverem suas vidas em seus ecossistemas.
Ellen Augusta

Obs.: Washington Novaes faz um depoimento muito interessante no documentário A Carne é Fraca, do Instituto Nina Rosa, dizendo que o churrasco brasileiro tem cheiro de floresta queimada.
Ambientalista é a Mãe!

Artigo de Washington Novaes, publicado no jornal "O Pasquim 21", dia 26/02/2002.

 Não há nada mais irritante que ser chamado de ambientalista. Como se o mundo pudesse ser dividido entre ambientalistas e não-ambientalistas. Como se os primeiros fossem seres mais ou menos excêntricos, preocupados com florzinhas, passarinhos e verdinhos. E os segundos, seres despreocupados, porque o que comem não vem do meio ambiente e nele não tem repercussões, o carro que usam não gerasse poluentes e não contribuísse para mudanças climáticas, a casa que moram não fosse feita de materiais retirados do ambiente e com conseqüências dessa retirada, o computador que usam não utilizasse energia retirada do ambiente, a água que consomem não estivesse no ambiente, sem relação com o que se faça ao redor. E assim por diante.
 Mas a despreocupação é muito vantajosa, permite agir - como político, como empresário, como cidadão - como se nada estivesse repercutindo no meio ambiente - no solo, na água, no ar, nos seres vivos. E assim continuar a ganhar a vida, ganhar dinheiro, despreocupado, transferindo os custos para a sociedade. E, nesta, para os que podem menos.
 Pior ainda é ser considerado jornalista e ambientalista. Como se fosse possível ser jornalista num mundo sem relações complexas com o entorno. Fazendo de conta que o planejamento dos transportes no governo não afetasse os lugares onde as obras vão acontecer. Que o ordenamento financeiro não destinasse mais ou menos recursos para esta ou aquela área e que isso tenha conseqüências no ambiente. Que a agricultura se exerça num espaço abstrato, sem efeitos no solo, na água, no ar. Que a educação não tenha nada a ver com isso, não precise ensinar às pessoas as repercussões de cada ato, cada gesto, em sua vida. Que a saúde também se exerça num espaço abstrato, sem relação com o que se come, se bebe, se respira - e se evacua. Que cada ser humano não consuma 200 litros de água por dia, em média, e produza o mesmo tanto de efluentes (esgotos), acrescido de suas fezes (pelo menos 250 gramas/dia) e que estas não afetam o ambiente.
 Depois de tantas abstrações, seria possível exercer o jornalismo esquecendo também que os modos inadequados de viver estão gerando ameaça de mudanças climáticas. Que um bilhão de pessoas já sofrem com a falta de água em boas condições. Que dois bilhões e meio não tem rede de esgotos. Que a chamada crise da água é a pior deste século e já provoca guerra entre países. Que o desmatamento de florestas tropicais continua a avançar à razão de 150 mil quilômetros quadrados por ano. Que essa é uma das principais causas da desertificação que avança 60 mil quilômetros quadrados por ano e já abrange um terço das terras agricultáveis do planeta. Que a erosão do solo pela agricultura provoca a perda de 23 bilhões de toneladas de solo fértil por ano (um bilhão no Brasil). Que tudo pode agravar-se porque a tendência é passarmos dos 6 bilhões de pessoas de hoje para 8,5 ou 9 bilhões em 50 anos.
 Seria possível fazer de conta que não se viu o relatório do programa das Nações Unidas para o meio ambiente e WWF, no começo de 2001, dizendo que já estamos consumindo 42,5% acima da capacidade de reposição da biosfera e aumentando o déficit de 2,5% ao ano. Que se todos os habitantes do planeta consumissem como os norte-americanos ou europeus, precisaríamos de três planetas como a terra, e não um. Que já estamos falidos, gastando mais que o orçamento e agravando o déficit.
 Seria possível esquecer que os países industrializados, com 19% da população, consomem 85% do que se produz no mundo e respondem por outro tanto do comércio mundial. Que na chamada era do conhecimento eles detêm 90% das patentes novas requeridas no planeta. Que as três pessoas mais ricas do mundo têm ativos superiores ao PIB (Produto Interno Bruto) dos 48 países mais pobres do mundo, onde vivem 600 milhões de pessoas (Relatório do Desenvolvimento Humano do PNDU, ONU). Que pouco mais de duzentas pessoas, com ativos superiores a US$1 bilhão cada, detêm, juntas, mais que a renda de 45% da humanidade, 2,7 bilhões de pessoas.
 Se for possível esquecer tudo isso, também prefiro não ser ambientalista, viver e dormir mais tranqüilo todos os dias. Se não for, terei de continuar, como há 45 anos, preocupando-me profissionalmente com essas coisas, tentando entender a relação entre elas e as atividades humanas, para transmitir aos poucos os que têm paciência de ler, ouvir, ver.

http://www.washingtonnovaes.com.br

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Exclusivo: Copa em Porto Alegre terá Bienal extra

texto e foto de Marcio de Almeida Bueno

A Copa do Mundo, ao menos na Capital gaúcha, vai contar com um atrativo a mais para os milhares de turistas esperados. A Bienal do Mercosul deverá fazer uma mostra extra para embelezar a cidade e distrair os torcedores entre uma partida e outra. Uma das primeiras instalações artísticas já está disponível para visitação pública, localizada na avenida Carlos Gomes, próximo à Anita Garibaldi. Outras peças já estão espalhadas por ruas e calçadas, e nota-se uma tendência do concretismo na maioria delas. Os organizadores garantem que a exposição segue até depois da competição da Fifa.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Sobre o ato de escrever

Procure ler nas entrelinhas antes de criticar algo.
Se um dia eu esquecer os conselhos que ouço sobre os textos que escrevo, talvez consiga escrever como os escritores que tanto admiro, como por exemplo, Ezio Flávio Bazzo e outros anteriores a ele, nos quais ele também se inspira, como ainda Wilhelm Reich, entre outros. Eles metralham com palavras, chocam e agridem propositadamente. E acreditam que essa, que chamo de terapia de choque, realmente causa uma ruptura na mente do sujeito. Eu uso essa terapia na educação, para chamar o aluno para a realidade, fora da sala de aula. Sem o lero lero do 'bom senso' e detesto essa palavra e atitude. Se bom senso fosse bom, o mundo estava liso como o Bob Esponja naquele desenho em que ele decide ser o menino Bom Senso - e dá tudo errado!
Prefiro o Bob sem noção
Sem aquela coisa do escrever cheia de dedos para não ofender ninguém. Pois todo mundo se ofende, não importa o que você faça.
Todo mundo se acha o centro.
Já teve cara de pau que veio me dizer para citar nomes, sobre quem eu estava falando em meus artigos... Oi? Em que mundo você está meu amigo? Saia da lua, pois lá ninguém te acende velas nem te leva flores.
Eu não escrevo para ninguém, escrevo para incomodar, escrevo para desestabilizar, para não aceitar nada e para tocar naqueles que querem mudar algo em si mesmos. Eu tenho amigas que fumam. Eu admiro elas em muitas coisas. Mas o cigarro não é vegano. Criticarei o cigarro, as pessoas que fumam, falarei tudo o que vier na telha em meus textos, mas na presença das minhas amigas, esqueça o texto. Se não puder esquecer, eu lamento, mas nada posso fazer. É o preço de escrever, aliás, é bem caro, pois você não ganha nada com isso, ao contrário.
Então, se minhas amigas fumantes e fumegantes continuam minhas amigas e não estão nem aí, aliás, acho que nem lêem meus textos, e fazem muito bem...por que você tem que encher o saco e se achar o centro do mundo?
Não caro leitor, não vale a pena, pois o veganismo é uma tendência.
(Sim, mas é uma tendência a zero impacto, tente chegar a isso e não seja o hipócrita que não faz nada. Pronto, já larguei um veneninho)
Depois que você perde a inocência e vê que seu impacto no mundo é bastante, não pode voltar atrás. Mas todos temos problemas, todos nós temos coisas a superar e muitas das coisas que critico também eu as tenho em conta. E estou no processo de vencê-las. Portanto, saia dessa coisa de me dar conselhos, especialmente os de Português, pois amo escrever, amo Latim, e trabalho com correção de textos entre outros de meus tantos empregos. Mas quando escrevo, isso é outra das coisas que copio descaradamente dos escritores que amo, não sigo as regras, ok?
Ellen Augusta

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Cinco anos escrevendo para Anda

Comecei a escrever para a ANDA de uma forma curiosa. A Silvana me convidou e convidou meu marido sem saber que nós éramos casados. Foi muito engraçado. Ela ligou para ele e contou que havia me convidado e perguntou se ele me conhecia. E ele brincou "dizem que só se conhece uma pessoa quando se dorme e acorda junto com ela..."
A Anda começou e começamos juntos. Escrevendo sobre direitos animais, me sinto importante, ajudando, sendo lida, podendo expressar o que sinto e penso.
Abaixo transcrevo alguns depoimentos, que fizemos para o site. Parabéns Silvana, sua atitude faz a diferença na divulgação dessa causa.
http://www.anda.jor.br/28/11/2013/cinco-anos-anda-revolucao-humano

Cinco anos de trabalho sério, pautado na perspectiva ética animalista abolicionista, noticiando para o Brasil e o mundo os fatos relacionados ao modo pelo qual os seres humanos ainda tratam os animais que não têm sua configuração biológica e genômica. Esse trabalho é um divisor de águas no jornalismo brasileiro. Parabéns à ANDA, especialmente à pessoa da jornalista Silvana Andrade, por criar esse espaço de expressão da causa animal e por sustentar com seu trabalho diuturno e suas finanças pessoais, mesmo beirando seus limites contábeis, essa instituição sem a qual as brasileiras e os brasileiros estariam há léguas da compreensão do dever de consideração ética por todos os animais. Parabéns também a todos os colegas colunistas, que ofereceram nesses cinco anos, seu trabalho de produção de texto para compor a galeria na qual as reflexões éticas animalistas estão expostas em todos os tons e nuances. É com orgulho que tenho feito parte desse grupo. Minha gratidão a toda gente e aos que visitam essa página diariamente, de todos os países do mundo e de todas as regiões brasileiras.
Sonia T., coluna Questão de Ética

“É com imenso orgulho que escrevo, através de uma coluna, artigos sobre desobediência vegana. Desobedecer o sistema de exploração imposto, desobedecer padrões alimentares, educacionais, sistemas econômicos que sugam animais e sociedades, preconceitos vigentes, ideologias camufladas, através da alimentação e do estilo de vida vegano. A ANDA é uma agência de notícias focada nos animais. Posso escrever sobre temas que, em outros lugares, seriam censurados ou ignorados. A importância desse canal está em conquistar leitores do mundo inteiro para o respeito aos animais, para a mudança de atitude em relação ao modo como tratamos nossos semelhantes, não importa a raça, espécie, condição social ou sexo. Estamos mostrando aos leitores que existem novas fronteiras a serem exploradas, quando falamos em respeito ao próximo.”
Ellen Augusta, coluna Desobediência Vegana

“Sem desobediência não há mudança. Algo assim foi o que li recentemente na Internet, e achei bacana. A ANDA está conseguindo modificar um paradigma pétreo na Imprensa brasileira, o de publicar notícia sobre animais ou na seção de agronegócio, ou como inusitado / superação / ‘ai-que-amor’. Engatinha-se em nova editorias – com o respectivo impacto e debate por parte do público. Em um planeta midiático, no caleidoscópio desta sociedade da informação, nada melhor do que a luz dos holofotes para instigar, deixar as pessoas desconfortáveis em suas cadeiras, e tratar do ora incômodo tema dos direitos animais. Sabemos que o bombardeio do ‘outro lado’ é pesado e constante, com seu orçamento ilimitado, mas a ANDA se tornou uma trincheira que não é mais possível se ignorar. ‘Com um só palito, para o motor’, dizia Raul Seixas.”
Marcio de Almeida Bueno, coluna Vanguarda Abolicionista

terça-feira, 24 de abril de 2012

Como a vida das mulheres está mudando no Brasil

Do site http://www.cartamaior.com.br/

A desigualdade de renda entre mulheres e homens começa a ficar menor no Brasil. Entre 2004 e 2008 houve crescimento de 14,5% nos rendimentos reais femininos e de 12,4% dos masculinos. Mudança decorre principalmente de dois fatores: a política de valorização do salário mínimo e as políticas sociais de transferência de renda. Bolsa Família, o principal programa de transferência de renda para combate à miséria e à pobreza no país tem 53% de mulheres entre os atendidos e 93% das responsáveis preferenciais pelo recebimento do benefício. O artigo é de Fernanda Estima.

Fernanda Estima (*)
No Brasil, a luta política pelos direitos das mulheres e pela igualdade nas relações de gênero impulsionou a adoção de políticas públicas e leis em campos como saúde sexual e reprodutiva, trabalho, direitos políticos e civis e violência sexista. Os direitos de cidadania das mulheres e as condições para seu exercício são questões centrais da democracia, e não apenas questões das mulheres. Há avanços significativos na construção dos direitos civis e políticos das mulheres brasileiras.

O papel dos movimentos feministas foi fundamental nesse percurso. Com sua articulação e mobilização, eles foram decisivos para a elaboração de leis e políticas públicas voltadas a eliminar as desigualdades entre homens e mulheres, no espaço público e privado.

Os primeiros governos eleitos no Brasil após a ditadura e as diretrizes neoliberais impostas nacionalmente atingiram de forma drástica a vida das mulheres brasileiras: desemprego com níveis alarmantes, violência doméstica sem ação governamental, políticas de privatização de serviços que prejudicaram especialmente as mulheres (creches, sistemas de água e luz, saúde).

Em 2003, o presidente Lula criou a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres para desenvolver ações conjuntas com todos os Ministérios e Secretarias Especiais, tendo como desafio a incorporação das especificidades das mulheres nas políticas públicas e o estabelecimento das condições necessárias para a sua plena cidadania. O governo federal se empenhou para promover mais autonomia e mais cidadania para as brasileiras, transformando demandas históricas dos movimentos feministas e de mulheres em políticas públicas, e para mudar o vergonhoso panorama da violência sexista em nosso país

Uma das mais importantes ações foi o destaque dado à promoção da igualdade de gênero, raça e etnia no Plano Plurianual 2008-2011, através do enunciado do seu quarto objetivo estratégico: “Fortalecer a democracia, com igualdade de gênero, raça e etnia, e a cidadania com transparência, diálogo social e garantia dos direitos humanos”.

Implementar políticas que se chocam, cotidianamente, com a cultura dominante não é tarefa fácil e muito menos para ser enfrentada de maneira exclusiva por qualquer das esferas governamentais e de poder. É necessária participação articulada e permanente de todos os atores sociais envolvidos.

O Plano Nacional de Políticas para as Mulheres (PNPM), que se encontra em sua segunda versão, é um poderoso instrumento no processo de incorporação da agenda de gênero no âmbito das políticas públicas do governo federal. Através dele, ações relativas ao avanço dos direitos das mulheres foram incorporadas nas políticas e programas desenvolvidos nos diferentes ministérios.

Em 2004, através de um processo inédito de diálogo entre governo e sociedade civil, realizou-se a I Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres. As suas etapas municipais e estaduais envolveram diretamente mais de 120 mil mulheres em todas as regiões do país. Em 2007, envolvendo 200 mil mulheres em todo o Brasil, realizou-se a II Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres. O II Plano Nacional de Políticas para as Mulheres é hoje um instrumento orientador para o enfrentamento às desigualdades entre homens e mulheres no Brasil.

A diversidade que caracteriza as mulheres brasileiras demanda intervenções que considerem as especificidades e necessidades de cada grupo social. Historicamente, a intersecção de características como sexo, raça/etnia, região de origem, orientação sexual, entre outras, contribui para criar situações de maior ou menor vulnerabilidade no acesso aos serviços ofertados pelo Estado e no usufruto dos direitos constitucionalmente assegurados.

Oito anos de mudanças e conquistas para as brasileiras

- Desigualdade de renda entre mulheres e homens começa a ficar menor no Brasil. Entre 2004 e 2008 houve crescimento de 14,5% nos rendimentos reais femininos e de 12,4% dos masculinos. Mudança decorre principalmente de dois fatores: a política de valorização do salário mínimo e as políticas sociais de transferência de renda.

- Bolsa Família, o principal programa de transferência de renda para combate à miséria e à pobreza no país tem 53% de mulheres entre os atendidos e 93% das responsáveis preferenciais pelo recebimento do benefício. Mais poder de decisão na hora de comprar reforça a segurança alimentar das famílias e também a autoestima das mulheres.

- Pedreiras, ceramistas, pintoras, encanadoras, azulejistas, eletricistas são algumas das formações obtidas nos cursos de capacitação do Programa Mulheres Construindo Autonomia na Construção Civil. Desenvolvido pela SPM em parceria com governos municipais e estaduais, tem como meta inicial a formação de 2.670 mulheres em quatro estados (BA, RS, SP e RJ) até 2011. As atividades já começaram. Em junho de 2009, no Rio de Janeiro, 150 mulheres das comunidades do Morro da Formiga, Vila Paciência e Kelson se inscreveram para participar da iniciativa.

- Investimentos em habitação, saneamento e infraestrutura realizados no país nos últimos anos tem impacto direto na melhoria da vida de toda a população do país e beneficia, em particular, as mulheres, que passam a dispor de melhores condições para o desempenho de suas tarefas cotidianas e de mais tempo para cuidar de si mesmas. Na avaliação da SPM, destacam-se neste aspecto os programas de eletrificação, construção de cisternas e de habitação.

- Outras iniciativas com impacto na inclusão social e também na melhoria da qualidade de vida das brasileiras são o Programa Minha Casa, Minha Vida e a expansão do crédito para pessoas que nunca tiveram conta bancária ou acesso aos caixas eletrônicos. Hoje, mais de um terço dos financiamentos habitacionais são destinados às mulheres e elas passam a ser também signatárias de 40% dos contratos de crédito imobiliário da Caixa Econômica Federal.

- O programa Brasil Alfabetizado tem entre seus inscritos, desde 2005, 57% de mulheres. Outra ação importante foi a sanção do Programa Empresa Cidadã, que amplia a licença maternidade para seis meses. Benefício implantado para todas as servidoras federais.

- A violência contra a mulher foi enfrentado pelo governo Lula e encarado como problema de Estado: aprovação da Lei Maria da Penha (13.340/2006), criação do Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) e implantação do Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher.  Neste ano, o investimento será de mais de um bilhão de reais na Rede Nacional de Atendimento às Mulheres Vítimas de Violência.

- Mais de um milhão de documentos emitidos, em 2.091 mutirões de documentação realizados até 2009. Com documentos, mais de 550 mil mulheres do meio rural passaram a ter acesso às políticas públicas do governo.

- 35.697 contratos de financiamento, representando mais de R$ 247 milhões para mulheres agricultoras de unidades familiares (Pronaf Mulher), entre 2003 e 2008. Avanço de 24,1% para 55,8% no índice de mulheres titulares de lotes da reforma agrária, entre 2003 e 2007. Aumento de 13,6% em 2003 para 23% em 2007 do total de mulheres chefes de família em relação ao total de beneficiários da reforma agrária.

Um governo bom é aquele que se volta para os principais interesses de sua população, globalmente. No caso das mulheres será fundamental manter a continuidade da evolução das conquistas que alcançamos com o governo Lula. E ainda podemos ter o gostinho delicioso de superação do preconceito elegendo uma mulher, Dilma Rousseff, como nossa presidenta.

(*) Jornalista e militante feminista.

(**) Texto preparado a partir da publicação “Com Todas as Mulheres, Por Todos os Seus Direitos”, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres

sábado, 28 de janeiro de 2012

Fórum Social Temático

Participei da oficina de jornalismo ambiental, ministrada pelo grupo Pulsar Brasil e Amarc.
O título da oficina foi 'Comunicação e meio ambiente - periodismo popular'
Ganhamos um DVD de rádios comunitárias chamado 'cinquenta rádios comunitárias en el mundo', um livro chamado ' principios para garantizar la diversidad y el pluralismo en la radiodifusión y los servicios de comunicación audiovisual'  e ' principios para un marco regulatorio democrático sobre radio y TV comunitaria', um manual da Agência Pulsar, e um livreto sobre acesso à informação ambiental. No Fórum há diversos materiais gratuitos sobre muitos assuntos. Inclusive teve uma palestra sobre o impacto da pecuária no meio ambiente, ministrado pelo grupo Humane Society International, mas não pude participar.
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