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quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Assunto de estudo no momento: a farsa do tradicionalismo gaucho, por Tau Golin

1870-90s carte de visite portrait of two acrobat musicians with violin and horn

Agora estou estudando a verdadeira História. Meu terapeuta me disse que negar a História é o mesmo que negar a família. Acertou na mosca, pois odeio família, aliás, família? Não tenho família. Só aquela que eu construí conscientemente, no presente.
Mas, voltando ao aqui, agora, estou estudando os artigos do jornalista, historiador, Tau Golin.
Ele fala basicamente sobre a farsa do tradicionalismo gaúcho, e que textos!
Um dos artigos que estou lendo, chama-se Hegemonia gauchesca, que compartilho um tantito com vocês, leitores:
"Os tradicionalistas colocaram-se no centro da operação sobre a autenticidade, assumiram os postos de guardiões de um pretenso Rio Grande tradicional, usando artifícios das construções das nações étnicas em uma região mestiça. Ou seja, o Tradicionalismo evidenciou-se como problema contemporâneo, vitorioso na celebração da identidade, construída pela rede societária de CTGs e Piquetes, com um órgão central de orientação, adestramento e controle (MTG), imposição de cartilhas de comportamento e visão sobre o passado, o lugar e o futuro de seus milhares de militantes no mundo. Para vingar, precisou supor que as suas “práticas” decorrem como sucedâneas da história.
Entretanto, todas as suas “verdades” são refutadas pela historiografia, sociologia, antropologia críticas e jornalismo culto."
Que tal papudos?
Esse cara é fera! Sou fã.
E o que mais me atrai neste escritor e estudioso, é o fato de ele destruir esse mito opressor, não só de humanos, mas principalmente de animais. Conforme as leituras forem para este rumo, elas serão refletidas aqui, neste blog.
E, para complementar sua coragem, ainda tem o Manifesto Contra o Tradicionalismo, que está aqui, neste link: http://gauchismos.blogspot.com.br/ É só entrar e assinar. Tem muita gente famosa que já assinou.

Meus assuntos de estudo não giram em torno somente desse tema, Os interesses permanentes são sobre a morte, os costumes do México ligados ao místico, religião e à morte, cemitérios, etc. Não há regularidade, portanto não esperem nada, ou melhor, esperem qualquer coisa...

sábado, 20 de setembro de 2014

Bento Gonçalves: ladrão de cavalos e escravagista

Que todo folclore serve para idolatrar chefetes, ricos e poderosos, já afirmou Ezio Flavio Bazzo em seus livros. Reparem como todo tradicionalismo, folclore, sempre tem a ver com religião, endeusamento de reis, deuses inatingíveis e cruéis, puro puxasaquismo barato, travestido em vestimentas cada vez mais ornamentadas e caras. CTG, meu amigo, é para quem pode.

E hoje, quero comemorar aqui no meu blog desobediente, um vinte de setembro a meu modo.
Citando quem entende verdadeiramente da data.

Tau Golin em seu livro O Herói Ladrão, desmistifica o mito de Bento Gonçalves. Hoje você vai ver neste dia especial, os delírios dessa história mal contada.
Leia abaixo, por gentileza, amigos leitores o artigo do historiador Hemerson Ferreira, sobre os lanceiros negros, e ao longo do dia mais informações serão postadas.

A Guerra dos Farrapos e seus Lanceiros Negros Traídos
HEMERSON FERREIRA
Professor de História - hemersonfer@bol.com.br

Um breve resumo de como os Farroupilhas sulistas recrutaram e depois descartaram seus soldados negros

Durante a chamada Guerra dos Farrapos no Rio Grande do Sul (1835-45), quando um homem livre era chamado a servir tanto nas forças rebeldes quanto nas imperiais, podia enviar em seu lugar (ou no lugar de um filho seu) um de seus trabalhadores escravizados. Em alguns casos, o alforriavam e alistavam. Também foi prática comum buscar atrair ou tomar cativos das tropas inimigas, trazendo-os para seu lado. O primeiro exército a utilizar negros escravizados como soldados foram os imperiais. Precisando também formar uma infantaria e sobretudo preferindo enviá-los como bucha-de-canhão, morrendo na frente em seu lugar, farrapos também os alistaram: eram os famosos Lanceiros Negros. Ambos, farrapos ou imperiais, prometiam também liberdade aqueles que desertassem das tropas rivais, mudando de lado.

A maioria dos cativos que combateu nesta guerra foi obrigada a fazê-lo diante das condições impostas. Por outro lado, apesar da guerra ser horrível e violenta, era até preferível a vida militar, com seus esporádicos combates, do que as agruras diárias da escravidão. A promessa de liberdade após o fim da luta certamente pode ter influenciado em muito o recrutamento daqueles homens. Uma promessa, aliás e como veremos, jamais cumprida.

Não havia igualdade nas tropas farroupilhas, muito menos democracia racial. Negros e brancos marchavam, comiam, dormiam, lutavam e morriam separadamente. Os oficiais dos combatentes negros eram brancos, e jamais um negro chegou a um posto significante, mesmo que intermediário, de comando. Aos Lanceiros Negros era vedado o uso de espadas e armas de fogo de grande porte. Não lutavam a cavalo, como costumam mostrar nos filmes e mini-séries de TV, mas sim a pé, pois havia o risco de se rebelar ou fugir. Sua arma principal era a grande lança de madeira que lhes deu nome e fama, algumas facas, facões, pequenas garruchas, os pés descalços, a bravura e o anseio pela liberdade prometida.

Seria anacronismo se quiséssemos que líderes farroupilhas tivessem um comportamento ou posições políticas avançadas e assim diferentes das existentes em seu tempo, mas defesa da Abolição da escravidão era bem conhecida e nada alienígena na época. Uma Abolição começou a ser decretada em Portugal em 1767, proibindo que fossem enviados para o reino mais cativos vindos da África, e em 1773 foi decretada uma Lei do Ventre Livre naquele país. Na Dinamarca, isso se deu em 1792. Na França, em 1794 (ainda que Napoleão tenha tentado restabelecer a escravidão no Haiti em 1802). No México, uma primeira tentativa de Abolição foi feita em 1810, mas foi finalmente vitoriosa em 1829. Bolívar libertou cativos em 1816-7, durante suas lutas por independência, e finalmente aboliu a escravatura em 1821. A Inglaterra, que havia findado a escravidão pouco antes da Revolta dos Farrapos, pressionava o Brasil pelo fim do tráfico negreiro desde 1808. Willian Wilbeforce, um dos maiores abolicionistas da história, morreu em 1833, ou seja, dois anos antes da guerra no Sul do Brasil. Farrapos, portanto, conheciam, sim, e muito bem o abolicionismo.

Entretanto,os principais chefes farrapos, Bento Gonçalves, Canabarro, Gomes Jardim e até Netto, dentre outros, eram todos ferrenhos escravistas. Quando aprisionado e enviado para a Corte no Rio de Janeiro, Bento Gonçalves teve o direito de levar consigo um de seus cativos para lhe servir. Ao morrer, o mais conhecido líder farroupilha deixou terras, gado e quase cinqüenta trabalhadores escravizados de herança aos seus familiares. Bem diferente do que fizera Artigas no Uruguai anos antes, os farrapos jamais propuseram uma reforma agrária ou mesmo uma distribuição de terras entre seus soldados, mesmo os brancos pobres, que dirá os negros. A defesa da escravidão era tão clara entre os chefes farrapos a ponto deles jamais sequer terem mencionado o fim do tráfico negreiro.

Ao fim da guerra e já quase totalmente derrotados, os farrapos incluíram entre suas exigências para o Império o cumprimento da promessa de liberdade que haviam feitos aos Lanceiros (principalmente porque temiam que eles formassem uma guerrilha negra na província já que a quebra da promessa os faria se rebelar ou fugir para o Uruguai, destino comum de diversos cativos fugitivos na época). Queriam entregar-se ao Império, acabar a guerra, voltar à normalidade, mas tinham os Lanceiros e a promessa que lhes haviam feito, e o Império, escravista até a medula, não queria cumprir essa parte do acordo.

Que fazer então? A questão foi resolvida na madrugada de 14 de novembro de 1844, quando o general farrapo David Canabarro entregou seus Lanceiros desarmados ao inimigo, tudo previamente combinado com Caxias. E no serro de Porongos, hoje região de Pinheiro Machado (interior do Rio Grande do Sul), foi dizimada quase toda a infantaria negra, enterrando de vez a preocupação dos farrapos e acelerando assim a paz com o Império. A instrução de Caxias a um de seus comandados foi clara e objetiva: a batalha teria que ser conduzida de forma tal que poupar apenas e dentro do possível o sangue de brasileiros (e o negro era então tratado como africano, mesmo que já nascido no Brasil).

Alguns historiadores apologistas ou folcloristas de CTGs consideraram aquela traição como Surpresa, já que pela primeira vez que o então vigilante Davi Canabarro teria sido surpreendido pelo inimigo. Conversa fiada! Enquanto dispôs suas tropas negras de tal maneira que ficassem desarmadas e descobertas, algo que até então nunca havia feito, Canabarro se encontrava bem longe e seguro do local, nos braços de Papagaia, alcunha de uma amante sua.

Após o combate, um relato oficial avisou a Caxias que pelo menos 80% dos corpos caídos no campo de Porongos eram de homens negros. Calcula-se que, nos últimos anos daquele conflito, os farrapos ao todo somavam uns cinco mil homens, sendo que algo em torno de mil eram Lanceiros Negros. Após o Massacre de Porongos, porém, restaram apenas uns 120 deles, feridos, alguns mutilados, e que foram primeiramente enviados para uma prisão no centro do país e depois dispersados para outras províncias, ainda mantidos como cativos.

Feito isso, deu-se a chamada rendição e paz do Poncho Verde, onde senhores escravistas dos dois lados trocaram abraços e promessas de lealdade e, logo depois, marcharam juntos e sob a mesma bandeira imperial contra o Uruguai, Argentina e Paraguai.

Bibliografia

FACHEL, José Plínio Guimarães. Revolução Farroupilha. Pelotas: EGUFPEL, 2002.

FERREIRA, Hemerson. Da Revolta à Semana Farroupilha: entre tradição e a história. http://prod.midiaindependente.org/en/blue/2009/08/451359.shtml

FLORES, Moacyr & FLORES, Hilda Agnes. Rio Grande do Sul: aspectos da Revolução de 1893. Porto Alegre: Martins-Livreiro, 1993.

GOLIN, Tau. Bento Gonçalves, o herói ladrão. Santa Maria: LGR, 1983.

LEITMAN, Spencer. Raízes sócioeconómicas da Guerra dos Farrapos: um capítulo da história do Brasil no século XIX. Rio de Janeiro: Graal, 1979.

MAESTRI, Mário. "O negro escravizado e a Revolução Farroupilha". In: O escravo gaúcho: resistência e trabalho. Porto Alegre: UFRGS, 1993, pp76-82.

terça-feira, 22 de julho de 2014

A amiga e o Hip Hop

Adoro música. Não entendo de música.
Vamos ao funk, rap, hip hop.
E ao break!
Eu via na Rua da Praia, final dos anos 80, uma galera dançar break com aqueles rádios grandes carregados no ombro, bem coisa anos 80. Eles faziam toda aquela coreografia.
Amo o funk antigo que vem dos Estados Unidos, que aqui praticamente ninguém conhece, como por exemplo, o Uptovn Funk Empire. O funk carioca também curto. Um pouco de humor que tal?
- A música negra, vítima de preconceito -
A classe média hoje está em cima do funk, ontem o alvo era o samba.
Sim meus amigos. Os pobres tinham que sambar escondido.
Hoje o samba é chique e todos acham fino sambar.
Me encantam todas as variações que começaram  no chorinho ou no partido alto. Também aceito um bom pagode.
A indústria cultural transforma, pega o que quer, corrompe e vende para o populacho (classe média também é povão viu meu bem?) que pensa 'ter bom gosto'. Tem quem se venda em qualquer lugar, mas no meio mais humilde há principalmente pessoas que caem nas armadilhas de gente muito esperta.
Pois neste sábado minha amiga me convidou para um lance de hip hop ali no centro.
O pessoal dançou break, houve apresentações e venda de CDs e artes.
Eu que passei tanto tempo sem ouvir Hip Hop, nas minhas fases Sem-Música... (é amigas, sou assim... meu defeito número um milhão e....).
O pessoal se aproximou para assistir o show de break e até o anjo colaborou com as moedas...
Encontrei crianças alegres, dançando...A moradora de rua foi tirando a roupa e ficou com a parte de cima de um biquini... sem pudor.
O centro é algo incrível. O centro é o centro.
Me sinto feliz ali. Sempre tem gente simples, diferente, de todos os tipos.
Se o anjo ajudou, por que eu não?
Uma vez ouvi no rádio as feministas defendendo as mulheres do funk. Elas responderam a uma psicóloga que acusou as funkeiras de provocar os homens com seus shortinhos enfiados nas bundas. (Sim, se a pessoa se forma em psicologia para fazer esse tipo de análise - eu prefiro escrever neste blog). Afirmaram que elas usam shortinho porque é a maneira da mulher pobre, da favela, expressar sua identidade sexual. A mulher de classe média e alta usa salto alto, que é um símbolo sexual, mas sai por aí falando mal da funkeira.  Por que a mulher de classe média pode usar um símbolo sexual e a outra mulher não pode usar shortinho? Até por que ninguém usa salto alto por que é confortável. Por que não podemos ser sensuais?
Mulher sem-cérebro é o que mais tem por aí, mas isso não significa que ter um cabeção te faz ter sabedoria.
A banalização do sexo/violência e a industrialização da música é outra conversa, mas o preconceito precisa ficar de lado. Não é dando uma de preconceituoso reaça que você vai acabar com a falta de educação. Há outros grupos culturais com os mesmos problemas, como o tradicionalismo gaúcho, com o machismo gritante, violência contra animais, sectarização, etc. De CTG e bailão ninguém fala nada.
Nosso dia foi super musical. Super dançante, afinal!
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