Mostrando postagens com marcador outubro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador outubro. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

A reunião das bruxas amigas e meu conceito de amizade

Hoje eu passei na frente de um restaurante e vi algumas mulheres vestidas de bruxas cortando um bolo.
Aquela cena me emocionou bastante. Pois eu não vivo algo parecido com essa confraternização há algum tempo.
Saudade de quem se importa. Eu sou amiga de verdade.
Mas como me decepcionei ao ver ao longo de minha vida, mulheres desaparecendo, lentamente, no sumidouro dos dias iguais, no casamento-instituição, que algumas ainda exibem como único troféu, nas definições parcas de amizade que se desmancham assim que o "motivo" termina: Se consegue namorado, se casa, o bebê nasce, aparecem outras amizades que preenchem mais o status social, etc.
Não importa o quanto na minha vida estive ocupada, sempre existe um espaço online ou presente, para falar com um amigo.
Mas a mulher é foda. Não é só comigo não. Não sou especial, pois já vi mulher verter lágrima pela amiga que desapareceu no pior momento de sua vida. Naquele dia me senti mal, pois vi que estava sozinha não apenas no meu próprio mundo, mas no mundo inteiro, pois esse era portanto, um padrão que se repetia novamente e novamente...
Mulheres são desunidas. Uma mágoa que carrego por ser mulher e, apesar de amar minha solidão, ser gregária e fiel.
A técnica que mais funciona para um sistema ser dominado é provocar nos submetidos a competição e a desunião.

Entre as mulheres não é preciso provocar mais nada.

Alguém que me conhece a muito tempo, disse que meu conceito de amizade é muito elevado. Considero a amizade o sentimento mais nobre de todos, talvez esteja aí o meu erro. Não, não estou errada. Eu li o que os filósofos escreveram sobre a amizade. Eu quero essa amizade. Não quero fragmentos.
Nada precisa ser perfeito, mas não quero merdas.
As mulheres passam a vida inteira buscando a paixão e o amor, não estão talvez, preocupadas em aperfeiçoar a amizade, em mantê-las, em se preocupar com o outro?















E quando as pessoas se isolam na sua vidinha de cidadão autosuficiente?  escrevi sobre isso aqui: http://desobedienciavegana.blogspot.com/2014/10/para-que-janelas-tao-grandes-se-estao.html
No show do Ratos de Porão, por exemplo, as duas pessoas que fiz amizade eram de cidades diferentes. Fizeram amizade do nada e eles próprios nem se conheciam.

Hoje fui fazer um exame chato. Ecografia mamária. É desagradável ver um homem passando um bagulho com gel nos seus seios. Sempre tenho a impressão que o cara tá ali se aproveitando de nossa condição de mulher. Só escolho médica mulher, mas não deu dessa vez. Na sala de espera, um monte de mulheres mudas. Até que a chave do armário estragou... todas ficaram amigas.
Não precisamos esperar uma merda acontecer para nos aproximar.

Na época da inquisição, as bruxas escondiam suas crenças e afazeres, justamente porque, se falassem, estavam expondo sua vida. Expor segredos, expor a vida era ameaçador! Ser mulher era um crime!
As próprias mulheres às vezes, foram as que traíram as bruxas, por isso as feiticeiras escondiam a sete chaves seus códigos.

Só que até hoje, ainda existe no ar essa aura de desconfiança.
Não podemos confiar nas mulheres?
Eu sempre confiei. Talvez um dia chegará o momento de parar. Alguém me disse que tenho que focar nas pessoas que me admiram e ignorar quem não merece. Talvez. Mas por que faço o contrário?

Hoje o fenômeno acontece também de outra forma. Poucos querem se envolver. A ameaça é que sua dor a contagie de alguma forma (como se amizade fosse só nos momentos tristes) ou que a sua vida lhe tire a sua alegria (os mesquinhos). Ser solidário está fora de moda.
Até mesmo as religiões propagam essa ideia, especialmente as de cunho esotérico espiritualista. Você nunca deve se envolver. Fique nesse seu casulo idiota, vendo tudo passar ao seu redor. Seja positivo, para você mesmo. Não importa se o mundo está ruindo ao seu redor. Não veem que isso é de um egocentrismo perceptível.

Só que, sentir a dor do outro é natural e, pasme, se você se contagiar, vai ser normal no outro dia. Vai ser mais forte. E não essa besta mortificada sorridente que não se envolve em nada.

Esses dias eu estava nos piores momentos, me sentindo estranha, horrível. Não tinha ninguém para conversar. Não temos ligações femininas, nossas mães e avós muitas vezes perderam esse contato, e, portanto, nós perdemos nossas ligações ancestrais, como eu li no livro "Mulheres que correm com os lobos".
Minha mãe já morreu. Família, não tenho, e mesmo que tivesse, melhor para minha saúde é estar longe. A melhor coisa que aconteceu foi uma amiga minha ter me ligado. E ela ainda me perguntou desapontada: Ah, eu te acordei???
Só que ela ainda não sabe (vou encontrar ela amanhã) que foi a melhor coisa ter me acordado. Eu estava a dias sem querer ver a luz do sol, sem vontade alguma. Para quê? Mas uma simples ligação foi suficiente. Às vezes a simples presença. Um interesse. Um simples estar ali já basta.
Não quero nada da amizade, apenas que ela exista.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

O dia das meninas

Seguindo com as 'comemorações',  hoje é o dia da menina. As meninas, como as crianças de um modo geral, sofrem preconceito já ao nascer.
Em alguns países são mortas por serem meninas, em outros, não tem o direito de estudar. Em algumas partes do mundo, casam com adultos. E a toda essa barbárie, se dá o nome de 'cultura', uma palavra que prostitui e banaliza todo o sentido real das coisas.
Rajasthan, NA ÍNDIA,  é o epicentro do casamento da Índia criança.

Uma das práticas, tão cruel quanto as demais, é colocar nos ombros das meninas toda a responsabilidade do lar, elas trabalham, cuidam dos irmãos, são responsáveis por tarefas de adultos. Outras tem dupla jornada, além do trabalho em casa, ainda tem de sair às ruas para prostituir-se ou trabalhar vendendo coisas, para chegar em casa e dar o dinheiro aos pais, ou a outros.

Não pense que as meninas de classe média ou alta estão livres. A responsabilidade por vezes também cai em cima delas também.

São vestidas de mulher desde cedo. Pintam o cabelo, fazem as unhas em salão, vestem-se com roupas nada adequadas à sua idade. Perdem o direito de ser crianças.
E tudo isso por uma necessidade das mães (ou dos pais) em vestir uma boneca com seu narcisismo, sem nem mesmo pensar que é uma criança e pode ter seus próprios gostos (infantis).

Vejam estas:
Menina de 4 anos é obrigada a casar com cachorro para se livrar do demônio na Índia
http://extra.globo.com/noticias/bizarro/menina-de-4-anos-obrigada-casar-com-cachorro-para-se-livrar-do-demonio-na-india-4675349.html
Duas garotas indianas casam-se com sapos
http://www.sobrenatural.org/noticia/detalhar/6338/duas_garotas_indianas_casam_se_com_sapos/

PS: E para os 'religiosos' que ficam gritando que 'o oriente é pura sabedoria' já vou avisando: não venham racionalizar, banalizar ou vir com aquele papo de pseudoetnologia de que tudo é cultura, de que é simbólico, de que não é só lá que acontece. Qualquer um já sabe que essas idiotices acontecem em qualquer lugar.

Esse tipo de 'ritual' apenas estimula ou endossa o erotismo nas meninas. Ou seja, é um ritual produzido e destinado aos adultos. E isso vale para outros rituais mais inocentes, como o das meninas dançarinas da boquinha da garrafa e outras maluquices eróticas, o uso de salto alto, maquiagens de adultos, etc...
Ellen Augusta
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...