terça-feira, 21 de outubro de 2014

Para que janelas tão grandes se estão sempre fechadas?

As novas vizinhas
Não é o episódio do Chaves, mas é legal também. Há no prédio vizinhas novas. Eu adorei a presença delas por aqui. Neste silencioso sepulcro que são os condomínios dessa capital. Elas abrem janelas, conversam alto, deixam luzes acesas, vão sempre até o parapeito da janela e - pasmem - ficam ali, olham para a rua.
Cena do episódio:  Dia de San Valentín
Dizer isso aqui em Porto Alegre, é como dizer que alguém caga em público.
Em certas regiões dessa cidade, as janelas estão sempre fechadas, em qualquer hora do dia.
Há sacadas, janelões, piscinas, halls imensos, e... nada. Só vazios.
Cena do episódio: as novas vizinhas
Eu me sinto praticamente sozinha na capital. Como eu amo a solidão, não tem galho, não tem grilo. Mas adoro conversar, sinto falta de olhares, de janelas abertas, de pessoas circulando, cumprimentos simpáticos. De um telefone tocando.
Os vizinhos de porta, são desconhecidos. E o pior, fazem questão de ser!
As janelas abrem um pouquinho, vinte centímetros, parece que têm medo de que alguma força chupe os móveis caros de dentro da sala, ou que a 'energia' seja arrancada do lar.

É dessa gente metida a besta que eu quero falar.
Você acha que isso é 'natural'? Não é. Esse tipo de pessoa considera sua vida muito importante. E, reparem, são sempre de uma determinada faixa etária. Parece que o sistema as iludiu, as convenceu de que são super heróis de si mesmas e de sua família nuclear, paranoide. Passam apressadas, fingem não ver ninguém, não ousam falar com gente simples, da idade delas, correm no elevador, jamais falarão com empregados, chegam em casa e abrem o jornaleco manipulador, a TV, os eletrônicos caros ou o engana-bobo da vez. Pronto. Estão no SEIO do lar. Quando crianças, o sujeito brincava com todos, não havia preconceitos. Mas vai entrando na fase adulta e vai se moldando nesse estilo de ser.
"Ai, é bom não se misturar né?". Pois sim. É bom para um sistema que precisa de parafusos apertados, isolados e moldados.
Aí você frequenta a mesma parada de ônibus e está todo mundo ali, retesado, fingindo que não conhece as mesmas caras que pegam o buzum a anos no mesmo lugar. O curioso é que há cidades que a coisa é bem diferente. Uma vez ouvi no rádio que em uma cidade do país, os passageiros de uma determinada linha de ônibus organizam uma festa, pois todo mundo lá dentro se conhece. NO super, nem parece que todo mundo é vizinho. Fica aquele clima tenso. Não para mim, nem para aquela senhora simpática, nem para o rapaz conversador. Mas para uma maioria torpe e preocupada com a aparência, a novela e o jantar.
Um dia, a ficha telefônica cai para uns e outros, e aprendem, ou não, que essa pose toda era uma ilusão. E ousam sair para a rua e ir sentar naquele banco vazio que tem na frente do prédio. E que passou quarenta, cinquenta anos lá, intacto, porque ninguém sentou.
A essas alturas, essas pessoas já não terão a mesma idade, nem o mesmo glamour. Os filhos já se debandaram, e aquela ilusão de 'família' desmoronou. Eu vejo isso na cara de muita gente, já, agora. Mas, nos moldes dessa geração, meus ilustres vizinhos, a coisa vai ser muito pior.
Sempre fui de conversar, puxar papo, ou ouvir. Tinha lá meus problemas para 'fazer amigos e influenciar pessoas' como todo mundo, mas não acho o fim do mundo conversar com estranhos. Tem dias, obviamente, que a pessoa não quer falar com ninguém. Mas aqui, a regra é fingir-se de importante e inacessível. Que gente estúpida!
Pois, se isso fosse algo natural, ok, mas não é. NOta-se à léguas, que há um incômodo, um mal estar nestas pessoas, na presença do outro.
E é por isso que eu escrevo.
O blog Desobediência Vegana não se destina só a escrever sobre carne.
Escreve sobre o fato de que esses parafusos solitários agem dessa forma torpe, por falta de auto conhecimento, e isso os leva a chegar em casa e assar seu pernil, a carcaça, usar as drogas da vez, e a tecer suas teses de superioridade, racionalizar, por o dedo na consciência mas esquecer, sofrer que nem um 'animal', e no entanto, seguir no cadafalso, no especismo, no redemoinho em que se enfiaram.
Chespirito, com sua singeleza, já havia sacado, na música do episódio El Dia De San Valentin (no México é celebrado no dia 14 de fevereiro, el Día del Amor y la Amistad)

Um comentário:

  1. Sempre fui sociável, amo jogar conversa fora, socializar, falar abobrinha, fazer o que, sou assim. E num mundo em que todo mundo vai se fechando dentro de si eu fico meio tristonho as vezes. Ontem a caixa do supermercado puxou papo comigo e minha mãe falando do salgadinho que a gente comprouce aquilo iluminou o domingo cinzento. Não precisa sair vendendo chip da tim, mas deixar a janela aberta pra vida e sentir o vento é sempre gostoso.
    Acho que ando comentando demais haha beijundas!

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