As novas vizinhas
Não é o episódio do Chaves, mas é legal também. Há no prédio vizinhas novas. Eu adorei a presença delas por aqui. Neste silencioso sepulcro que são os condomínios dessa capital. Elas abrem janelas, conversam alto, deixam luzes acesas, vão sempre até o parapeito da janela e - pasmem - ficam ali, olham para a rua.
Cena do episódio: Dia de San Valentín
Dizer isso aqui em Porto Alegre, é como dizer que alguém caga em público.
Em certas regiões dessa cidade, as janelas estão sempre fechadas, em qualquer hora do dia.
Há sacadas, janelões, piscinas, halls imensos, e... nada. Só vazios.
Cena do episódio: as novas vizinhas
Eu me sinto praticamente sozinha na capital. Como eu amo a solidão, não tem galho, não tem grilo. Mas adoro conversar, sinto falta de olhares, de janelas abertas, de pessoas circulando, cumprimentos simpáticos. De um telefone tocando.
Os vizinhos de porta, são desconhecidos. E o pior, fazem questão de ser!
As janelas abrem um pouquinho, vinte centímetros, parece que têm medo de
que alguma força chupe os móveis caros de dentro da sala, ou que a
'energia' seja arrancada do lar.
É dessa gente metida a besta que eu quero falar.
Você acha que isso é 'natural'? Não é. Esse tipo de pessoa considera sua vida muito importante. E, reparem, são sempre de uma determinada faixa etária. Parece que o sistema as iludiu, as convenceu de que são super heróis de si mesmas e de sua família nuclear, paranoide. Passam apressadas, fingem não ver ninguém, não ousam falar com gente simples, da idade delas, correm no elevador, jamais falarão com empregados, chegam em casa e abrem o jornaleco manipulador, a TV, os eletrônicos caros ou o engana-bobo da vez. Pronto. Estão no SEIO do lar. Quando crianças, o sujeito brincava com todos, não havia preconceitos. Mas vai entrando na fase adulta e vai se moldando nesse estilo de ser.
"Ai, é bom não se misturar né?". Pois sim. É bom para um sistema que precisa de parafusos apertados, isolados e moldados.
Aí você frequenta a mesma parada de ônibus e está todo mundo ali, retesado, fingindo que não conhece as mesmas caras que pegam o buzum a anos no mesmo lugar. O curioso é que há cidades que a coisa é bem diferente. Uma vez ouvi no rádio que em uma cidade do país, os passageiros de uma determinada linha de ônibus organizam uma festa, pois todo mundo lá dentro se conhece. NO super, nem parece que todo mundo é vizinho. Fica aquele clima tenso. Não para mim, nem para aquela senhora simpática, nem para o rapaz conversador. Mas para uma maioria torpe e preocupada com a aparência, a novela e o jantar.
Um dia, a ficha telefônica cai para uns e outros, e aprendem, ou não, que essa pose toda era uma ilusão. E ousam sair para a rua e ir sentar naquele banco vazio que tem na frente do prédio. E que passou quarenta, cinquenta anos lá, intacto, porque ninguém sentou.
A essas alturas, essas pessoas já não terão a mesma idade, nem o mesmo glamour. Os filhos já se debandaram, e aquela ilusão de 'família' desmoronou. Eu vejo isso na cara de muita gente, já, agora. Mas, nos moldes dessa geração, meus ilustres vizinhos, a coisa vai ser muito pior.
Sempre fui de conversar, puxar papo, ou ouvir. Tinha lá meus problemas para 'fazer amigos e influenciar pessoas' como todo mundo, mas não acho o fim do mundo conversar com estranhos. Tem dias, obviamente, que a pessoa não quer falar com ninguém. Mas aqui, a regra é fingir-se de importante e inacessível. Que gente estúpida!
Pois, se isso fosse algo natural, ok, mas não é. NOta-se à léguas, que há um incômodo, um mal estar nestas pessoas, na presença do outro.
E é por isso que eu escrevo.
O blog Desobediência Vegana não se destina só a escrever sobre carne.
Escreve sobre o fato de que esses parafusos solitários agem dessa forma torpe, por falta de auto conhecimento, e isso os leva a chegar em casa e assar seu pernil, a carcaça, usar as drogas da vez, e a tecer suas teses de superioridade, racionalizar, por o dedo na consciência mas esquecer, sofrer que nem um 'animal', e no entanto, seguir no cadafalso, no especismo, no redemoinho em que se enfiaram.
Chespirito, com sua singeleza, já havia sacado, na música do episódio El Dia De San Valentin (no México é celebrado no dia 14 de fevereiro, el Día del Amor y la
Amistad)
É comum a vergonha. Convivemos com sentimentos em torno do lugar onde vivemos, e queremos esconder nossas origens. Eu nunca tive vergonha do lugar onde vivi. Sempre gostei. E o respeito até hoje. E a casa onde vivo hoje é meu paraíso.
Este sofá é mais dos gatos do que nosso, e é mui confortável. Não há problema se tem arranhões, como desculpa uso esses panos bonitos por cima...
Uma pessoa veio aqui uma vez e se escandalizou com o sofá, todo arranhado de gato, achou a casa feia. Eu não estava em casa. Depois fui saber que essa pessoa, além de muito infeliz, (claro, para fazer um comentário desses...., é sintoma), vive rastejando atrás das pessoas e coisas que despreza.
Mas lhes digo que não se deve ter vergonha nunca do lugar onde se vive. E jamais se comparar. Impossível nos dias de hoje, onde o que mais se faz é posar, postar, e invejar...? Sim, porque você faz um post, coloca uma foto e já vem mil pessoas falar alguma coisa, comparar, dizer algo, mas você deve ter em mente o seu padrão e a sua história. Deve pensar na sua condição financeira. No que você pode pagar. E não no que vê em revistas, que aliás, acho todas muito de mal gosto. Há casas muito bonitinhas, mas 'na casa dos outros' pois eu não queria nada daquilo na minha casa. Frequentemente penso assim. Acho muito legal as decorações modernas, mas sempre prefiro minha ideia!
Eu e o Bob sentados no mesmo banco, tomando chá...
Essa pia estava com problemas, mas já foram resolvidos! Fiquei muito
feliz, pois eram problemas difíceis! E agora estou pensando seriamente
em deixar assim mesmo, os tijolos à vista!
Motivos
de sobra para escândalos em gente dada a escândalos, mas estas pessoas
não visitam nossa casa. Aquele episódio foi um evento à parte e por isso
foi uma anedota contada neste blog, que muitas vezes se vale de
personagens fictícios, mire usted...
Se você deixa as coisas arrumadas não tem problema que fiquem à mostra. Um ponto positivo, é que a pia aberta evita baratas pois não há esconderijos para elas. Então não precisamos capturar esses animais, pois não os matamos. As que existiam ali foram embora. Limpeza evita a presença de animais que procuram detritos.
As sacolas antigas são presentes de brechó da Cleide, o cartaz de células em inglês, recebi de uma ong internacional, já que dou aulas, vivo recebendo materiais como este, mas não aproveitei este nas aulas então usei aqui.
Talvez eu faça uma porta de madeira com um marceneiro, mas é talvez mesmo, pois depende da grana e de outras reformas necessárias na casa. Pois aqui as reformas só se dão em caso de necessidade. Pois eu detesto viver em reforma, ou viver 'decorando' a casa à base de derrubar tudo e construir de novo. Considero isso uma insatisfação com a vida que as pessoas têm. Eu sempre me senti bem onde estou. E me adapto com o que tenho. Mas respeito quem quer fazer isso, e desejo boa sorte!
De repente coloco uma cortininha também, mas isso tudo conforme meu humor. Adoro inventar.
Na nossa casa, vale o que queremos. Nos próximos posts mostrarei os presentes recebidos de amigos queridos! Um bom feriado a todos!
Um momento feliz: consegui ligar a luz do Transglobe, que julguei estar queimada. Adorei, consegui pedir para o marido fazer esta foto, enquanto estava de radioescuta, corujando ondas curtas!
Uma luz é algo muito especial.
Só quem me conhece sabe a paixão que tenho por lâmpadas e luzes de todos os tipos. Isso é completamente poético e pueril.
A decoração para o novo ano... achei legal...
A lata bonita que ganhei da Isis e do Rodrigo...
O painel que fiz com coisas legais para o novo ano... e coisas lindas que ganhei de amigos.
Arrumação do cabelo à moda portuguesa...
Tapetes que ganhei da minha mãe.
Quadrinho que fiz com enfeite que ganhei da amiga blogueira e etiqueta da Monalisa.
Outra amiga blogueira me deu esse gatinho... e o livro sobre Lisboa que comprei no brechó do Gatos da Redenção.
Salsinhas da minha mãe, penduradas para secar. Ficarão aí para enfeite.
Plantinhas da minha mãe e santinha que a Deusa do blog Vasinhos Coloridos me deu, junto com mil coisas lindas... Aí está a bola mágica, estou usando a mais de seis meses e o sabão em pó da Amazon está lá, vazio. Uso pequena quantidade de amaciante, de vez em quando, mas é só por vício mesmo, pois não é obrigatório. Ela lava a roupa normalmente. Algumas peças eu deixo de molho em sabão em pó, mas é muito raro mesmo. Tem feito um excelente trabalho e estou pensando em comprar outra assim que esta perder a eficácia. Dura três anos. Depois ela é super decorativa. O que estou economizando em sabão em pó já pagou o valor da bola nos primeiros três meses. Por que eu adoro lavar roupa e não uso roupa mais de uma vez sem lavar.