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segunda-feira, 29 de junho de 2015

O que não posso ter dentro de mim

As minhas árvores que estão naquela praça
crescem de um modo estranho em mim

Preciso de um tempo para saber quais foram
quais morreram e quais vivem
e ainda por que dizem tanto ao meu coração.

Uma delas é minha preferida
Seu aspecto lindo me chamou a atenção.

Tem um ar fantasmagórico
À noite se torna branca
em plena escuridão.

Ela não tem nome e eu não preciso saber
Botanicamente sim, eu sei.

Eu estava a andar sem rumo mesmo
Pois o parque possui muitos caminhos
A saudade me levou a tantas sombras, de minha memória botânica
O perfume úmido do lago, me faz lembrar que foi ontem

Que a obscuridade, a luz destas árvores e o calor deste mesmo sol que eu odeio, é o que me trouxe de volta de onde nem mesmo sabia...
Ellen Augusta

sexta-feira, 27 de junho de 2014

O frio a faz respirar

Estava com ela na claridade.
As vozes entram pela janela
Ela sozinha em meio à luz noturna, o frio luminar.
Eu saí do quarto a buscar o som, precisava das sombras, e jamais pude retornar.
As portas fechadas, abertas escuras, o interruptor alternava entre sim e não. Mas era sempre obscuro.
Os quartos escuros não me assustam, pois já estão dentro de mim.
O fantasma se ramificou em meu esqueleto, portanto.
Deixei suas mãos.
Lux.
Escuridão.
Eu buscando as sombras. O frio a faz respirar.
(Só ela soube porquê.)
A luz protegia os moribundos.
Mortem - Uma perna te enlaça. A que te pertence não teme.
Eu que te pertenço. Sou o medo em si.
Anda na casa vazia do tempo. Sólida e distante, melancólica e sombria. A amiga. A amada.

A esquecida estava no quarto escuro.

Acordei viva, deixei a-morta, deixei a-morte.
Nos sonhos perturbadora.
Companheira no vislumbre diurno.
Ellen Augusta

sábado, 19 de outubro de 2013

O fantasma alto

Você prometeu levar-me em seus sonhos
O fantasma a me perseguir por eras
Um anjo a mostrar-me um espelho
E também o levo
em meu eterno pesadelo

Um machado cortou-me fundo
Eu nunca mais parei de sangrar
Não há nada que apague essa ferida

pois é minha vida que ali está e não se irá.

Uma nuvem roxa, oh temporal
Ao acordar-me do sonho,
Ao sonho retornaria

Um sofrer feliz de poeta
de quem já se despediu
de quem já morreu
de quem só, partiu.


A lua em meus passos
O mar em sua voz
Oh amigo fiel
Saia de meus sonhos
Deixe-me esquecer.
Ellen Augusta
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