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quinta-feira, 17 de setembro de 2015

A poesia familiar do peso obscuro

Leva a mala negra e pesada, ali dentro vai o morto.
Que se há de fazer?
Italo Zetti (1913-1978), Portrait of a woman, 1933
Irmandade perdida
Algo há que eu não tenha feito.
Nem o mundo nos escolheu.

A solidão nos deixará na porta, daquela casa esquecida.

Eu sangro de dor em algumas tardes tristes,

Pois não sei onde você deve estar.
Eu sei que não quero saber. E não vou.
A negação é sempre a forma de se cortar por dentro.
E o intento de morrer é a tentativa de punir
a vida.
Vida cretina que levou o que eu tive a conta-gotas.
E carrego comigo os fantasmas de uma família de sombras.
Anseio esquecer.
Não a tenho mais.

Ellen Augusta

segunda-feira, 22 de junho de 2015

As poucas luzes que existem vão se apagando pouco a pouco - um anjo que encontrei no centro

Nas minhas caminhadas cotidianas, encontrei esta linda homenagem ao Chaves no centro da cidade.
É uma das formas mais bonitas de se homenagear alguém, a de forma anônima. A beleza mais perfeita de não se identificar, de se fazer notar pela presença que só aquele que sabe, percebe.
Ser anônimo é ser presente no que importa. Pois eu ando pela cidade captando estas pequenas gentilezas de pessoas invisíveis, que se fazem presentes no meio desse lixo, que é viver. Isso é arte urbana.
 Só Chespirito merece essas asas de anjo, que eu nem mesmo creio que exista.
 Admiro quem criou e quem teve a coragem de sair por aí, pela cidade, no entorno do centro, colando estas figurinhas. Uma singela forma de dizer adeus.
 Depois que eu fiz essas fotos, voltei ao lugar algumas vezes e, como é de se esperar, só sobrou dois ou três das figuras, a maior parte foi arrancada de forma grotesca. Indicando que a pessoa não queria levar o desenho, queria mesmo pichar a figura - destruir a arte.
 As pessoas adoram lixo, se acostumam a ver as ruas imundas e sujas. São pacatas e monstruosamente silenciosas quando é para fazer alguma coisa a respeito, ligar quando alguém está em perigo, pegar um pano e ir lá e limpar, etc.
 Mas quando é arte urbana, não se furtam em pegar um telefone e ligar para os vigilantes da moral, não se incomodam de ficar de olhos bem abertos me cuidando enquanto eu fotografava estas cenas. Estão sempre atentos quando se trata de coisas belas em que possam destruir.
E vândalos, são os outros.
 O mundo fica mais triste quando as poucas luzes que existem vão se apagando pouco a pouco....
Frente ao comportamento indiferente e até mesmo sociopata das pessoas, estou sempre com os olhos nestes cantos da cidade - porque a maioria olha para o chão, como derrotados, ou com o nariz empinado, como tartufos - encontrando essas preciosidades. Como minha devoção está em muitas coisas, encontro-as em qualquer lugar.
 E só acredito em quem me faz sorrir.




domingo, 25 de maio de 2014

O irmão e o anjo alto que o levou

Um pequeno objeto encontrado em um museu, me lembrou que tive uma família.
O pai que era um senhor da ausência, a mãe como uma santa e só poderia sofrer.
O irmão dividido em dois:
um anjo alto e distante, incoerente. E ao mesmo tempo pequeno e frágil, dependente.
O qual eu não podia segurar, mas era responsável.
Tudo foi colocado em minhas mãos, como se eu fosse outra mãe.
Ao ver este objeto deslocado do lugar original, em outro tempo, em outro espaço. Lembrei que existiu um fio de ligação. Nada demais para tantos, tudo para se julgar, para muitos.
Mas para mim, difícil. Eu o vi, objeto fantástico, sorri, e não pude deixar de chorar depois.
Ellen Augusta
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