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quinta-feira, 17 de setembro de 2015

A poesia familiar do peso obscuro

Leva a mala negra e pesada, ali dentro vai o morto.
Que se há de fazer?
Italo Zetti (1913-1978), Portrait of a woman, 1933
Irmandade perdida
Algo há que eu não tenha feito.
Nem o mundo nos escolheu.

A solidão nos deixará na porta, daquela casa esquecida.

Eu sangro de dor em algumas tardes tristes,

Pois não sei onde você deve estar.
Eu sei que não quero saber. E não vou.
A negação é sempre a forma de se cortar por dentro.
E o intento de morrer é a tentativa de punir
a vida.
Vida cretina que levou o que eu tive a conta-gotas.
E carrego comigo os fantasmas de uma família de sombras.
Anseio esquecer.
Não a tenho mais.

Ellen Augusta

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Senhora do mar

Seu anel perolado
encontrei entre o mar
és uma senhora sentada, tão triste a pensar
Com um esqueleto ao colo, de tanto tempo a sonhar.
O mar é o velho de casa, é meu corpo, está em mim o tempo todo.
Estou perdida, entre as ondas - trago tranquila, a dor que outrora foi minha.
Entrego a ti, querida, todo o meu olhar. Espanta-me, vida e morte estão em tuas profundezas.
Ellen Augusta
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