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quinta-feira, 17 de setembro de 2015

A poesia familiar do peso obscuro

Leva a mala negra e pesada, ali dentro vai o morto.
Que se há de fazer?
Italo Zetti (1913-1978), Portrait of a woman, 1933
Irmandade perdida
Algo há que eu não tenha feito.
Nem o mundo nos escolheu.

A solidão nos deixará na porta, daquela casa esquecida.

Eu sangro de dor em algumas tardes tristes,

Pois não sei onde você deve estar.
Eu sei que não quero saber. E não vou.
A negação é sempre a forma de se cortar por dentro.
E o intento de morrer é a tentativa de punir
a vida.
Vida cretina que levou o que eu tive a conta-gotas.
E carrego comigo os fantasmas de uma família de sombras.
Anseio esquecer.
Não a tenho mais.

Ellen Augusta

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

As mulheres e a poesia

Participei de um encontro de escritoras poetas no MARGS.
O recital era destinado à apresentação dos poemas da Beatriz Barbisam, mas todos tiveram a oportunidade de declamar seus poemas e até eu!

Encontrei a poeta que admiro bastante, chamada Gerci Oliveira Godoy.
Essas duas poetas participam de um grupo de escritores e são super receptivos, e pude recitar um poema que fiz para minha amiga, poeta e escritora, Maria Helena Sleutjes.
Eu estava muito tímida, portanto o tom do texto ficou totalmente diferente do que deveria estar, mas valeu para uma primeira recitação poética... Eu que estou acostumada a falar em público, já fui professora por mais de dez anos... mas para um poema, fiquei trêmula. O poder do outro.
Todos os poemas recitados eram, em sua maioria, doces, cotidianos, nessa linha. Quando entrou o meu, eu senti que era o sombrio que entrava pela janela. E gostei. Já anoitecia, de qualquer forma. Amo a poesia das sombras. Adoro o singelo, mas chamo o obscuro. E admiro os poetas que mesclam as coisas lindas e frescas com a morte e a solidão, como Mário Quintana, que muita gente ainda não entendeu.


Recitei o poema A alma do farol em homenagem à Maria Helena Sleutjes. Ao meu lado está a escritora poeta Beatriz Barbisam, o encontro era dedicado a ela e seus poemas.

.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Um sonho para um poema escrito na escuridão

 Eu tentava consertar a casa, a geladeira que não funcionava, a terra que estava no chão.
 Na mesa com os mortos estava. Não sabia, mas sempre estive com eles.

Meu alívio e tristeza foi quando descobri que estavam mortos como fantasmas.
E não mais precisavam da casa.
Uma criança sem pai nem mãe. Sem abraços, em profunda solidão.
Tentando consertar tudo, destruindo, restando apenas uma vela no escuro.
Raiva e pena, uma pena infinita, que não se pode entender.
Uma casa interna, com janelas de olhos de lágrimas, por todas as coisas que queria fazer.
Ela morreu de tristeza. A mataram. A casa também a matou.
A casa ruiu dentro de mim.
Pois sua dor se findou.

Ellen Augusta
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